Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Lula, Dilma, Palocci e Mantega viram réus na Justiça Federal

A Justiça Federal em Brasília recebeu nesta sexta-feira (23) denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, além outros integrantes do PT, pelo crime de organização criminosa. A decisão foi proferida pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara.

Com a decisão, além de Lula e Dilma, passam à condição de réus no processo os ex-ministros da Fazenda Antonio Palocci e Guido Mantega, e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

Eles foram acusados pelo MPF de praticar “uma miríade [quantidade grande e indeterminada] de delitos” na administração pública durante os governos de Lula e de Dilma Rousseff, somando R$ 1,4 bilhão em desvio de recursos dos cofres públicos.

O caso começou a tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado, mas foi remetido à primeira instância após os acusados deixarem os cargos e perderem o foro privilegiado.

Dilma e Lula, além de outros integrantes do PT, foram denunciados pelo crime de organização criminosa

Dilma e Lula, além de outros integrantes do PT, foram denunciados pelo crime de organização criminosa

Denúncia

A denúncia foi feita ao STF em setembro do ano passado. De acordo com a procuradoria, os crimes foram praticados de 2002 a maio de 2016 na Petrobras, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e no Ministério do Planejamento.

Segundo a acusação, o ex-presidente Lula foi um dos responsáveis pela liderança da organização criminosa.

“Nesse sentido, Lula, de 2002 até maio de 2016, foi uma importante liderança, seja por que foi um dos responsáveis pela constituição da organização e pelo desenho do sistema de arrecadação de propina, seja por que, na qualidade de presidente da República por oito anos, atuou diretamente na negociação espúria em torno da nomeação de cargos públicos com o fito de obter, de forma indevida, o apoio político necessário junto ao PP e ao PMDB para que seus interesses e do seu grupo político fossem acolhidos no âmbito do Congresso Nacional”, diz o MPF.

Mantega e Dilma

A defesa de Guido Mantega informou que não foi notificada da decisão.

O advogado Alberto Toron, representante de Dilma Rousseff, disse que não vai comentar o caso. Mais tarde, a assessoria de Dilma divulgou nota afirmando que a decisão do juiz da 10ª Vara Federal de Brasília de instaurar processo criminal contra ela, “por supostamente integrar uma organização criminosa, está baseada numa tentativa clara de criminalização da política e do PT”.

“O processo aberto deslegitima a soberania do voto popular ao tornar o exercício da Presidência uma atividade criminosa. A denúncia é genérica, e as acusações não derivam de inquéritos ou de qualquer investigação prévia. Dilma Rousseff jamais foi ouvida por autoridades policiais ou judiciais sobre as acusações que lhe são feitas neste processo. Jamais teve a oportunidade de defesa”, diz o texto, que acrescenta: “A única interpretação possível é Dilma, como os outros réus, está sendo vítima de lawfare, quando se utilizam de ferramentas legais para processá-la sem provas.”

PT, Vaccari e Lula

Em nota à imprensa, o PT disse que denúncia do MPF não se sustenta “em fatos nem provas”. No texto, o partido afirma é perseguido pelos setores Justiça e pelo Ministério Público. “Quem vem atuando como verdadeira organização fora da lei no país, já há alguns anos, são setores partidarizados do Ministério Público e do sistema judicial, que perseguem o PT e suas lideranças com acusações sem pé nem cabeça, com o objetivo de criminalizar o partido. Trabalham cotidianamente para excluir o PT da vida política brasileira, valendo-se de mentiras e do abuso de poder. Cometem, em conluio organizado e hierarquizado, um crime contra a democracia, contra o direito de livre organização política”, diz a nota.

O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, defensor de João Vaccari, afirmou que ficará demonstrado no processo que o ex-tesoureiro do PT jamais integrou uma organização criminosa. “Vaccari foi tesoureiro do PT e dessa forma solicitava, como é atribuição de qualquer tesoureiro, doações legais destinadas ao seu partido, as quais eram realizadas por depósito em conta bancária do partido, com recibo e com prestação de contas às autoridades competentes”, disse.

O representante da Lula, Cristiano Zanin Martins, afirmou que a abertura da ação penal representa a “continuidade à perseguição judicial” contra o ex-presidente.

Para Zanin, o MPF pretende atribuir a Lula a acusação de organização criminosa para fatos anteriores a 2013, quando não existia a Lei das Organizações Criminosas, que tipificou o delito.

“Lula não cometeu qualquer crime durante o exercício do cargo de presidente da República e tampouco participou de qualquer organização criminosa. Ao contrário, seu governo serviu de modelo para outros países e os programas implantados naquele período foram reconhecidos e premiados por entidades internacionais como o ONU”, disse o advogado.

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FONTE: Hoje Em Dia.


Janot apresenta denúncia contra ‘quadrilhão’ do PT e inclui Lula e Dilma

Esta é a segunda denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra políticos no ramo de investigação conhecido como “quadrilhão”

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou nesta terça-feira, 5, denúncia criminal contra políticos do PT por formação de uma organização criminosa para atuar no esquema de corrupção na Petrobras. Entre os denunciados ao Supremo Tribunal Federal (STF) estão os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e cinco ex-ministros.
Esta é a segunda denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra políticos no ramo de investigação conhecido como "quadrilhão"
Esta é a segunda denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra políticos no ramo de investigação conhecido como “quadrilhão” – que apurou a organização entre políticos e operadores para atuar na petrolífera. Na semana passada, Janot denunciou políticos do PP, que é hoje a quarta maior bancada da Câmara dos Deputados.

Entre os denunciados estão ainda Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil), Guido Mantega (Fazenda), Edinho Silva, Paulo Bernardo e Gleisi Hoffman. E ainda o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

A investigação foi aberta na primeira leva de inquéritos pedidos por Janot ao STF na “Lava Jato”, em março de 2015. No meio do caminho, contudo, a própria PGR pediu para fatiar a investigação em 4 ramos: PP, PMDB do Senado, PMDB da Câmara e PT.

Informações prestadas pelos primeiros delatores – Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa – deram origem à investigação, que foi enriquecida com as novas colaborações premiadas firmadas de lá pra cá, como a da Odebrecht.

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FONTE: Hoje Em Dia.


REPORTAGEM-BOMBA DE ‘ISTOÉ’ REVELA OS BASTIDORES DO GOLPE QUE RASGOU A CONSTITUIÇÃO PARA BENEFICIAR DILMA. LEWANDOWSKI DEVERÁ SOFRER IMPEACHMENT. DEZENAS DE AÇÕES NO SUPREMO.

Embora a capa da revista IstoÉ destaque a primeira entrevista do Presidente Michel Temer, após assumir definitivamente o governo em razão do impeachmenta da ‘ex-presidenta’, é no miolo da edição que chega às bancas neste sábado que se encontra a reportagem bomba. A revista relata como foi a montagem do golpe que fatiou a votação do impeachment rasgando a Constituição com a participação daquele que deveria ser o mais fiel sentinela do Estado de Direito Ricardo Lewandowski, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). No breu das tocas estava Lula, o indiciado, articulando o golpe que haveria de ser desferido na sessão de votação do impeachment. Renan Calheiros, o Presidente do Senado, juntou-se a Lula e Lewandowski para golpear a Carta Magna, sem qualquer cerimônia.
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Além de promoverem a roubalheira, a corrupção e a mentira, Lula e seus sequazes do PT e aliados de última hora, também são os responsáveis pelo golpe que rasgou a Constituição que agora deve ser re-costurada pelo Supremo.
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Enquanto isso, estão chegando ao Supremo nesta semana pedidos de impeachment de Ricardo Lewandowski que, já sexagenário em fim de carreira, terá que recomeçar a vida. O impeachment cassará o seu cargo de Juiz de carreira e ainda por cima ficará privado dos proventos.
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Pelo menos é isto que tem de acontecer. E suas excelências já sabem que o povo brasileiro que foi às ruas pacificamente e de forma ordeira pedindo o fim do governo comuno-fascista e ladravaz do PT, voltará às ruas para exigir punição exemplar a todos os participantes do golpe, a começar pela cassação do mandato de Lewandowski e a prisão de Lula. Leiam. Ao final do texto link para leitura completa da reportagem:
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No petismo, um provérbio popular se impõe de maneira eloqüente: nada é tão ruim que não possa piorar. O desfecho do impeachment de Dilma Rousseff foi a tradução dessa máxima. O processo teve em seu último capítulo uma trama sorrateira engendrada nos subterrâneos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Como a deposição de Dilma já eram favas contadas, alguns dos principais protagonistas desse enredo se juntaram com o intuito de evitar que a petista ficasse também inabilitada para exercer cargos públicos. Para atingir esse objetivo, toparam pisotear o claríssimo artigo 52 da Constituição Federal. O parágrafo único escrito na Carta Magna demonstra a óbvia indissociação das penas. Diz o texto: “condenação (…) à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública”. Mesmo assim, na quarta-feira 31, o Senado, depois de aprovar o impeachment de Dilma por 61 votos a 20, pondo fim a 13 anos de PT no poder, decidiu por 42 a 36 que a ex-presidente pode ser nomeada para qualquer cargo público no País, mesmo depois de deposta.
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TRAMÓIA VERGONHOSA
Por mais estapafúrdia que parecesse, a ideia de interpretar ao bel prazer um texto constitucional inapelável começou a ser gestada embrionariamente entre os petistas que ladeiam Dilma há cerca de 20 dias, conforme revelou em primeira mão a coluna Brasil Confidencial, da ISTOÉ, no dia 19 de agosto. A defesa de Dilma vinha examinando o caso do ex-presidente Fernando Collor que, em 1992, renunciou pouco antes da votação no Senado que cassaria seu mandato. Na ocasião, ele arriscou um pretenso golpe de esperteza para evitar perder seus direitos políticos, mas a jogada falhou e os parlamentares decidiram, mesmo assim, excluí-lo do serviço federal por oito anos. Dilma, de maneira distinta, repetiu o lance e teve outra sorte.
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Há cerca de duas semanas, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), fazendo papel de emissário do grupo, procurou a assessoria jurídica do presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, juiz que conduziu a etapa final do impeachment. Nas conversas com o Supremo, foi sinalizado ao senador que, sim, haveria espaço para que a defesa apresentasse a questão de ordem para que fossem realizadas duas votações separadas: uma para a perda do mandato de Dilma e outra para sua inabilitação da função pública. Lewandowski e Lula já haviam conversado a respeito. Com esse aval Supremo, Lindbergh, voltou ao ninho petista com a boa-nova. Iniciava-se ali uma pesada e discretíssima negociação de bastidor.
Os velhacos comunistas tramando o golpe sob a orientação criminosa de Lula.  Clique sobre a imagem para vê-la ampliada. Fotos: IstoÉ
LULA E SUA QUADRILHA
Após o aval do Supremo, o próximo e fundamental alvo de cooptação foi o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A tropa dilmista sabia que sem a adesão do alagoano a estratégia poderia soçobrar devido à sua forte influência sobre congressistas. Apesar de querer pular do naufrágio petista para salvar a própria pele, Renan calculou que a ideia de fatiar em duas as votações abriria um precedente que poderia vir a beneficiá-lo no futuro.
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Pendurado em investigações da Lava Jato, Renan valeria-se da precedência aberta nesse caso para garantir seus direitos políticos. E não só a ele, como também seu rebento Renan Filho, governador de Alagoas. Com base nessa espécie de “seguro de vida pública”, o presidente do Senado ajudou a articular a artimanha. Difícil encontrar o coração de um parlamentar que não se enterneça diante da possibilidade de levar vantagem numa situação.
Para reforçar o processo de convencimento dos senadores ao que foi chamado nos corredores do Congresso de “impicha, mas não mata”, o ex-presidente Lula também exerceu papel fundamental. Em São Paulo e em Brasília, disparou telefonemas para alguns parlamentares e encontrou-se com outros.
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Coube à senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) atuar no corpo a corpo com os colegas. A ruralista que virou amiga de Dilma foi destacada também para proferir um discurso emotivo. A tática foi discutida e supervisionada pela própria presidente Dilma. Juntas, combinaram o tom. Na tribuna, disse: “A presidente Dilma me autorizou a dizer que já fez as contas de sua aposentadoria e, pelo fator previdenciário (…), ela já se aposentaria com em torno de R$ 5 mil. Então, ela precisa continuar trabalhando para suprir as suas necessidades.” O argumento pode até ter sensibilizado os congressistas, mas certamente não deve ter feito muito sentido entre os quase 12 milhões de brasileiros desempregados ou pensionistas que recebem um salário mínimo.
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Por trás da ideia de garantir um emprego para a ex-presidente, o PT teve um outro objetivo muito menos altruísta. Eles acreditam que se Dilma perdesse os direitos políticos, a ação que corre no Superior Tribunal Eleitoral e que investiga a chapa Dilma/Temer perderia o objeto, podendo ser extinto. Isso significaria imensa tranquilidade para o presidente Michel Temer poder governar sem o risco iminente de ter sua chapa cassada pelo TSE. Embora o presidente acredite e haja farta jurisprudência no TSE para a tese da separação das contas de campanha, seria um alívio muito bem-vindo enterrar essa história de uma vez por todas. O PT não quis entregar isso de bandeja.
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VERDADEIROS GOLPISTAS
No fim da última semana, juristas saíram a campo estupefatos com a interpretação do ministro Ricardo Lewandowski e o acordão tramado nos bastidores. O decano do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, lembrou na quarta-feira 31, logo após a decisão, de como foi seu voto quando o assunto do ex-presidente Collor chegou à Suprema Corte, por meio de um mandado de segurança tentando anular a decisão do Senado, que cassou os direitos políticos do alagoano em 1992. “O meu voto foi no sentido de que o parágrafo único do artigo 52 da Constituição da República compõe uma estrutura unitária incindível, indecomponível, de tal modo que imposta a sanção destitutória consistente da remoção do presidente da República a inabilitação temporária por oito anos para o exercício de qualquer outra função pública ou eletiva representa uma consequência natural, um efeito necessário da manifestação condenatória do Senado Federal.” O presidente do TSE, Gilmar Mendes, também ministro do Supremo, classificou a decisão como “bizarra”. E continuou: “Vejam vocês como isso é ilógico: se as penas são autônomas, o Senado poderia ter aplicado à ex-presidente Dilma Rousseff a pena de inabilitação, mantendo-a no cargo. Então, veja, não passa na prova dos 9 do jardim de infância do direito constitucional. É, realmente, do ponto de vista da solução jurídica, extravagante”.
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O professor de Direito Constitucional da USP Dircêo Torrecillas Ramos foi peremptório: “O texto da Constituição é claro. O presidente impedido deve perder o cargo, com inabilitação para cargos públicos por oito anos. O presidente do STF não deveria ter aceito o destaque para a votação em separado de início. Essa votação foi inconstitucional”.
O advogado Julio César Martins Casarin também recorreu ao STF pedindo a suspensão do separação da votação . Casarin escreveu: “A Constituição foi rasgada. Primeiramente, o destaque foi inconstitucional, pois a Constituição Federal coloca como decorrência da cassação do mandato a perda dos direitos políticos. A Constituição não permite interpretação quanto à dissociação da perda do cargo em relação à inabilitação por oito anos para o exercício da função pública”. Ou seja, ao fim e ao cabo, o verdadeiro golpe foi desferido por aqueles que, durante meses a fio, cinicamente o alardearam. Leia a reportagem completa criando AQUI

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FONTE: Aluízio Amorim.


Em pronunciamento após a cassação, Dilma projeta ‘enérgica oposição’ a Temer, insiste na tese de que foi vítima de golpe e diz que acionará a Justiça para retornar ao cargo

No Palácio da Alvorada, cercada por correligionários, a presidente cassada afirmou que o impeachment é
Brasília – Não houve espaço para lágrimas no último discurso de Dilma Vana Rousseff ao se despedir do cargo de presidente da República, no Palácio da Alvorada. A petista subiu ainda mais o tom das críticas ao que chamou de “segundo golpe de estado que sofreu na vida”, no pronunciamento feito depois da aprovação de seu impeachment pelo Senado. Numa fala emocionada e firme, a primeira mulher presidente do Brasil disse que quem toma o poder é “um grupo de corruptos investigados”, destacou os avanços de seu governo e revelou que não desistirá da luta. “Nós voltaremos. Voltaremos para continuar nossa jornada rumo a um Brasil em que o povo é soberano”, profetizou, cercada de correligionários e militantes.
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“Com a aprovação do meu afastamento definitivo, políticos que buscam desesperadamente escapar do braço da Justiça tomarão o poder unidos aos derrotados nas últimas quatro eleições”, disse a presidente, vestida com blazer vermelho, cor do PT. Para Dilma, o impeachment é uma “inequívoca eleição indireta” e esse processo atingiria em cheio a democracia. Ela destacou ter sido eleita por 54,5 milhões de votos.
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A petista afirmou que a decisão dos 61 senadores que votaram pela cassação ameaça políticas sociais e direitos trabalhistas. “O golpe é contra os movimentos sociais e sindicais e contra os que lutam por direitos em todas as suas acepções: direito ao trabalho e à proteção de leis trabalhistas; direito a uma aposentadoria justa; direito à moradia e à terra; direito à educação, à saúde e à cultura; direito aos jovens de protagonizarem sua história; direitos dos negros, dos indígenas, da população LGBT, das mulheres; direito de se manifestar sem ser reprimido”, atacou.
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Dilma lembrou sua trajetória de luta contra a ditadura militar e fez um balanço dos avanços do PT no governo à frente de um processo que, segundo ela, “promoveu a maior inclusão social e redução de desigualdades da história de nosso país”. Um pouco afastado, quem assistia ao discurso era seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que escolheu gravata das cores da bandeira para acompanhar o desfecho do impeachment. Os senadores Gleisi Hoffman, Lindbergh Farias e Fátima Bezerra estavam ao lado da ex-presidente, além de seu advogado de defesa, o ex-ministro José Eduardo Cardoso.
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No pronunciamento, a petista sustentou mais uma vez sua inocência e reforçou que o partido ainda vai recorrer “em todas as instâncias possíveis”. Também chamou seus apoiadores à luta. “Haverá contra eles a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer”, reforçou. E ainda completou, descartando um adeus: “Tenho certeza de que posso dizer daqui a pouco”. Às mulheres, Dilma afirmou que, com seu afastamento, o machismo e a misoginia mostraram suas “feias faces”.
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PROTESTO
À medida que senadores chegavam ao palácio, em especial Lindbergh Farias (PT-RJ), eram recebidos por gritos de “Me representa”. No Palácio da Alvorada, parlamentares e militantes seguiram a mesma linha de que a luta continua. Logo depois do discurso da presidente, ela foi almoçar com apoiadores. Do lado de fora, um grupo continuou protestando contra o resultado do Senado. Deputados e ex-ministros discursaram para os militantes em frente ao Alvorada. O ex-ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, destacou a personalidade “guerreira” de Dilma, que animava muitos deles quando o desânimo batia. Militantes picharam o muro do Alvorada com os dizeres “governo golpista” e afixaram no quadro de avisos “Fora Temer”.

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FONTE: Estado de Minas.


José Medeiros: “Não há argumentos para derrubar a acusação”

 

O senador José Medeiros (PSD-MT) elogiou a acusação contra Dilma Rousseff e disse que a defesa não tem argumentos.

“Não há argumentos para derrubar a acusação. Não existe defesa. É como a bola de Rogério Ceni, no ângulo”, afirmou. “Eu voto com a maior tranquilidade do mundo”, concluiu o senador.

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FONTE: Carta Capital.


Dilma deixa hoje o Palácio do Planalto

Dilma recebe hoje a notificação do seu afastamento da Presidência. Acompanhada de ministros e de Lula, ela deixará o Palácio do Planalto pela porta da frente, mas vai evitar a rampa

Lula Marques/Agência PT

BrasíliaA presidente Dilma Rousseff começa a escrever hoje nova fase da sua história. Ex-guerrilheira, torturada na ditadura militar e primeira mulher a comandar o país, a petista inclui em seu currículo o afastamento do Palácio do Planalto por até 180 dias, enquanto senadores analisam o mérito do seu processo de impeachment. Antes de deixar o Palácio do Planalto, onde ficou por 1.978 dias no poder, ela fará pronunciamento assim que for notificada pelo Senado, no Salão Leste do Palácio. Em seguida, deixará o prédio e se juntará aos manifestantes em frente ao palácio. A previsão inicial do Senado é de que Dilma seja notificada oficialmente do afastamento às 10h, no gabinete presidencial, no terceiro andar do palácio. O documento com a informação de que ela fica afastada será levado, para sua assinatura, pelo primeiro-secretário do Senado, Vicentinho Alves (PR-TO). Em seguida, Dilma autorizará a divulgação de pronunciamento gravado nessa quarta-feira (11) no Palácio da Alvorada. Inicialmente, havia o interesse de o vídeo ir ao ar em cadeira nacional de rádio e TV. Mas um impasse jurídico fez com que a equipe desistisse e resolvesse disponibilizar o material na internet. (Veja como foi a sessão do Senado que aprovou o afastamento de Dilma).

Dilma deixará o Palácio do Planalto acompanhada dos ministros e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não descerá a rampa presidencial, como estava previsto. Sairá pela porta do térreo e seguirá, no comboio presidencial, em carro fechado, até o Palácio da Alvorada, acompanhada dos ministros mais próximos. O vice-presidente Michel Temer (PMB-RJ) deve ser notificado pelo Senado às 11h. Em seguida, ele assume o governo por até 180 dias, prazo em que Dilma será julgada pelo Senado. Ele dará posse aos ministros e fará pronunciamento à tarde. Temer quer evitar um vácuo de poder e se apresentar à população brasileira com um discurso em que tentará passar confiança ao mercado e aos beneficiários dos programas sociais do governo. Mas só deve fazer o pronunciamento no Planalto – também à imprensa, sem valer-se da rede nacional de rádio e TV oficialmente – depois que a presidente deixar o palácio. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que será o condutor do processo no Senado, deve ir hoje à tarde ao Senado, onde receberá do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), a presidência de todos atos do processo de impeachment. Vai nomear dois assessores do STF para serem auxiliares oficiais dele na condução do processo.

Segundo a Secretaria de Comunicação do Planalto, o pronunciamento da presidente será no menor salão para cerimônias no palácio: o Salão Leste. Estava prevista também uma caminhada de Dilma, assessores e militares do Planalto até o Palácio da Alvorada, que se transformará em bunker de resistência da petista, mas a ideia foi descartada. Na reunião ministerial dessa quarta-feira (11), ficou definido que Dilma vai exonerar hoje todos os ministros, secretários-executivos e secretários nacionais. Apenas Alexandre Tombini (Banco Central) e Ricardo Leyser (Esporte) não serão demitidos. O último, para não descontinuar as ações das Olimpíadas. Tombini deve ficar até junho para evitar qualquer tipo de turbulência econômica. Cada pasta terá um responsável por transmitir a seu sucessor informações sobre a área, dados relativos às finanças e à gestão de programas. O governo rejeita o termo “transição” por considerar que o governo de Michel Temer é ilegítimo. Ainda assim foram preparados relatórios para serem passados à frente. “É uma prestação de informações”, diz um auxiliar de Dilma.

EQUIPE Na residência oficial, a presidente deve contar com uma equipe a acompanhar suas atividades até o julgamento do mérito no Senado. Na comunicação, estarão o jornalista Olímpio Cruz e o fotógrafo Roberto Stuckert. Também continuarão com Dilma Sandra Brandão, conhecedora de todos os números de programas do governo, o assessor especial Bruno Monteiro; e o subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil, Jorge Messias, que teria levado o termo de posse ao ex-presidente Lula, conforme gravação da Polícia Federal. A expectativa é que a edição do Diário Oficial da União (DOU) de hoje traga cerca de 700 exonerações. Os ministros devem encaminhar os pedidos de quarentena à Comissão de Ética Pública da Presidência. O colegiado deve avaliar caso a caso. Eles devem ter direito a seis meses de remuneração e não podem assumir nenhum outro cargo nesse período.

SEM APARIÇÕES Nessa quarta-feira (11), Dilma evitou aparições públicas, enquanto o Senado realizava a sessão que discutiu seu afastamento. Ao longo de um dia de tensão, a presidente só foi flagrada pelas câmeras de fotógrafos e cinegrafistas às 7h25, quando caminhou pelo bosque do Palácio da Alvorada, e às 19h, apareceu na vidraça de seu gabinete de trabalho no Palácio do Planalto ao lado do ministro Jaques Wagner, do Gabinete Pessoal da Presidência. Enquanto a discussão do impeachment avançava no Congresso, Dilma recebeu poucos auxiliares. Estavam entre eles, além de Wagner, o ministro José Eduardo Cardozo, da Advocacia-Geral da União, e o assessor especial Giles Azevedo, aliado fiel da petista. Como de costume, Dilma acordou cedo, mas não fez o habitual passeio de bicicleta matinal com seguranças pelas pistas nas proximidades do Alvorada. Ela se limitou a caminhar na área verde em volta do palácio. Estava acompanhada apenas pelo chefe de sua segurança e um outro auxiliar.

Diferentemente dos dias de discussão de seu afastamento pela Câmara e da sessão em que os deputados deram o primeiro aval pela admissibilidade do processo de impeachment, em 17 de abril, Dilma preferiu evitar visitas e conversas prolongadas com aliados e interlocutores. Simpatizantes da presidente e militantes do PT tampouco apareceram nas vias de acesso ao Alvorada. A residência oficial tornou-se um lugar de absoluto isolamento. Desde o fim do mês passado, os dois acessos ao Alvorada foram bloqueados pela segurança da Presidência em trechos a cerca de um quilômetro da portaria principal. Isso impediu o acesso de jornalistas à sala de imprensa existente no local. Fazer imagens da presidente ou dos visitantes do palácio exigiu câmeras de alta aproximação. O esquema de segurança também fechou a Praça dos Três Poderes. O clima de feriado, com as pistas em volta sem carros e pedestres, porém, contrastou com o tumulto e os engarrafamentos de vias de outras áreas da capital federal. Durante todo o dia, Brasília se dividiu em duas cidades, com uma região agitada e congestionada, mas sem grandes manifestações políticas, e outra silenciosa, quase bucólica.

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FONTE: Estado de Minas.


No passado, Temer criticava, e Lula dizia não ser golpe
Com pressão sobre FHC, em 1999, papéis estavam invertidos no país
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Outra época. Fernando Henrique enfrentou pedido de impeachment feito pelo PT, mas resistiu BRAZIL ELECTIONS Contra FHC, Lula rejeitava discurso de “golpismo” que hoje utiliza

RIO de JANEIRO. “Levamos muito tempo para conseguir a estabilidade constitucional e devemos mantê-la a qualquer custo”, afirmou o peemedebista Michel Temer, ao defender a democracia e o mandato de um presidente eleito pelo voto popular. Sim, a frase contrária ao impeachment é de Temer.

“Eu não vejo por que o presidente deva ficar tão nervoso com a oposição e dizer que tem golpe. Não tem golpe nenhum. Estamos fazendo as coisas dentro da maior legalidade, estamos cumprindo tudo aquilo que está na Constituição”, justificou Lula. Sim, a frase foi endereçada ao presidente eleito pelo voto popular e ameaçado de afastamento e foi dita pelo petista Luiz Inácio Lula da Silva, que colocara companheiros de partido na linha de frente pró-afastamento.

As frases mais que atuais foram ditas por Temer e Lula não no contexto do processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff, mas há 17 anos, quando o tucano Fernando Henrique Cardoso era bombardeado pela oposição. À época, petistas pediam a renúncia de FHC e tentavam interromper seu segundo governo, enquanto o então presidente e aliados se defendiam acusando a oposição de golpe contra a Constituição e a democracia.
Temer diz que por ser constitucionalista sabe que não há golpeLula ataca Temer e diz que, ‘se tudo der certo’, volta a ser ministroEm vídeo, Lula diz que Temer ‘trai compromisso selado nas urnas’

Temer, que hoje se articula para assumir o governo em uma eventual saída de Dilma, à época era presidente da Câmara dos Deputados e entendia a estratégia do impeachment defendida pela oposição como um golpe contra a democracia. Dos quatro pedidos de impeachment contra FHC que conseguiram chegar até as mãos do peemedebista, todos foram engavetados.

No jogo de frases que esquentam os embates políticos, situação e oposição repetem os mesmos discursos ditos em 1999 – só mudaram de posição. Há 17 anos, FH começava o primeiro ano de seu segundo governo em meio à rejeição popular, manifestações, crises política e econômica, quadro semelhante ao enfrentado por Dilma, em contextos diferentes.

“É a marcha dos sem-rumo, porque não propõe nada”, disse Fernando Henrique em entrevista à Rede Globo sobre manifestação organizada pela oposição, acusada por ele de golpe, hoje palavra muito utilizada pelos petistas:

“Golpismo é ‘Fora FH’, na televisão, nos spots. É toda hora: ‘Fora FH’. Isso é antidemocrático. Não é contra mim, não. É contra as instituições democráticas”, afirmou o tucano.

“A manifestação será democrática. Renúncia ou impeachment são soluções institucionais, previstas na Constituição. Golpismo é imaginar que o presidente está acima da Constituição”, respondeu o então deputado petista José Genoino, posteriormente condenado pelo escândalo do mensalão, com argumentos hoje usados por tucanos.

Aécio fazia críticas que hoje recebe

BRASÍLIA. Presidente do PSDB, o senador Aécio Neves (MG), um dos principais defensores do impeachment da presidente, também já abraçou o movimento “Não vai ter golpe”, hoje encabeçado por Dilma: “O governo reagirá com a mesma violência a qualquer tentativa de golpismo. Não podemos permitir que avance qualquer ideia de solução fora da via democrática”, dizia o então deputado em clima de confronto.

“Quem está cometendo um golpe é o FHC, que ao invés de pensar nos brasileiros que estão passando fome e estão desempregados continua acreditando mais nos dirigentes do FMI”, discursava Lula, que insiste hoje no discurso do golpe.

Ao ser criticado pela oposição, FH respondia que não tinha quebrado promessas de campanha, uma dos argumentos também por Dilma para se contrapor à oposição. Numa tentativa de acordo, petistas recusavam aproximação com o PSDB, resistência hoje também forte entre os tucanos. Nos discursos políticos, ainda muito se copia e pouco se cria.

FONTE: O Tempo.



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