Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Enfim, o blog

Adiei, posterguei, delonguei, protelei e sucumbi: eis o blog anunciado. O nome óbvio – Philosopho – é para evitar o pronome sujeito eu. Cronistas e blogueiros têm seus umbigos como centro no mundo, quadro chamado de onfalocentrismo.

Umbigo é coisa tão falada que onfalópsico, adjetivo e substantivo masculino, significa “relativo a ou membro da antiga seita religiosa de caráter quietista dos onfalópsicos, dos séculos XI-XII, que acreditavam que, ao contemplar o umbigo fixamente, comunicavam-se com a divindade, captando o que chamavam de luz do Tabor”. E onfalomante é aquele que pratica a onfalomancia: suposta arte de adivinhar o número de filhos que terá uma mulher, por meio de verificação do número de nós que o cordão umbilical do primogênito apresenta.

Sei que este é mais um entre milhões de blogs em língua portuguesa. Otimista, espero ter leitores. Mais que otimista, espero ter patrocinadores. De antemão agradeço a uns e outros. Eduardo Almeida Reis.

Pergunta – Será que alguém acredita na Odebrecht ou num Odebrecht?

IPVA 2017 – Nos últimos três anos tirei de letra os impostos sobre a propriedade de veículos automotores, que têm como fato gerador a propriedade de veículos automotores sem incidir sobre embarcações e aeronaves, di-lo a Wikipedia. Ora, bolas, então a lancha usada por Sérgio Cabral Filho e o helicóptero em que transportava seu cachorrinho não são veículos automotores? Houaiss diz que veículo é qualquer meio de transporte usado para transportar ou conduzir pessoas, animais ou coisas de um lugar para outro.

Há três anos, assustado com um negócio chamado cálculo das probabilidades, doei meu último veículo automotor a uma filha. Explico: mais de 50 anos dirigindo, milhares (ou milhões?) de quilômetros rodados sem um arranhão. O veículo doado era novo e foi revendido num átimo, porque a filha adora vender seus automóveis. Desde então, nunca mais me preocupei com o IPVA.

Sempre achei a posse de automóveis o tipo da coisa complicada, tanto assim que só comprei o primeiro aos 23 ou 24 anos, embora dirigisse desde os 16. A partir dos 18 custei para comprar o primeiro carro porque investia meu ótimo salário numa granja de galinhas. Investia o salário e os empréstimos bancários visando a enricar produzindo e vendendo ovos vermelhos.

Depois dos 23 tive uma porção de veículos automotores, novos e de segunda ou mais mãos, não raras vezes frota esquisita como num período em que tive cinco picapes – e só elas. A nova, Chevrolet C-10, transportava toda a família, philosopho, mulher e três filhas pequenas, num só banco, três cintos de segurança abdominais. Não parece, mas cinto de segurança é exigência relativamente nova nos veículos nacionais. Air-bag, então, nem se fala. Parece que foi inventado anteontem. E as cadeirinhas especiais para transportar crianças de até 10 anos no banco traseiro ainda estão sendo inventadas e aperfeiçoadas. Banco traseiro? As cinco picapes não tinham. Freio a disco, ABS e outras conveniências também são recentes. E nossas digníssimas autoridades se esquecem de conservar e melhorar as estradas, bem como de evitar que milhões de barbeiros tenham carteiras nacionais de habilitação.

Só agora, lendo o livro do jornalista Carlos Maranhão sobre Roberto Civita, um dos donos da Editora Abril, entendi por que o automóvel é veículo complicado. Em 1960, com 70 milhões de habitantes, o Brasil tinha 310 mil veículos licenciados (um para cada 226 pessoas), enquanto em 2014, com a população triplicada, havia 86,7 milhões de veículos (um para cada 2,3 pessoas).

Nova CNH – Vejo na tevê que a CNH lançada em 2017 ganha novo visual e mais itens de segurança. Pena que não se chame CNHB, Carteira Nacional de Habilitação de Barbeiros, tantos são os meias-rodas que circulam por aí. O noticiário televisivo omite o fato portadores de CNHs utilizarem rodovias que estão entre as piores do planeta, sem falar dos bêbados e dos rebitados, isto é, a turma que tomou Reativan com conhaque e outras misturas para dirigir horas e horas sem dormir.

Nos anos todos em que pelejei com a produção de leite no Vale do Paraíba conheci um presidente de cooperativa que nunca teve CNH e viajava regularmente para as reuniões da Cooperativa Central no Rio. Nas raras vezes em que foi apanhado solucionou o problema com 50 reais no dinheiro da época – cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado etc.

Manias, Ambientalistas e Refrega

      Manias – Não chega a ser um defeito que prejudique os outros, mas é mania que muito me irrita sem que dela me possa livrar. Não me lembro quando começou esta minha mania de aproveitar a viagem. É das coisas mais idiotas do mundo. Se vou da sala para a cozinha, distância de cinco ou seis metros em terreno plano, dentro de casa, e preciso levar dois pratos, um copo e alguns talheres, em vez de fazer duas caminhadas resolvo levar tudo de uma vez e apronto cada cagada que vou te contar.

Arrumar a carga leva mais tempo do que fazer duas viagens e os resultados podem ser catastróficos, basta ver a diferença de peso entre o cabo e a lâmina de uma faca. A partir dos talheres tudo é complicado na arrumação dos itens para aproveitar cada “viagem” que, em duas ou três caminhadas de dez metros, não levaria um minuto.

      Ambientalistas – No tempo de antigamente dizia-se que certas senhoras sofriam de praga de machado: não podiam ver pau em pé. Hoje é praga de motosserra, considerando que machado virou peça de museu.

Honestos ou desonestos, calmos ou histéricos, os ambientalistas condenam a derrubada de qualquer floresta, mesmo nos casos em que o derrubador plantou floresta muito maior. Nos anos todos em que morei na roça fui obrigado a derrubar algumas árvores, às vezes um capão inteiro, mas tenho a certeza de que plantei muito mais.

Novidade, para mim, foi a notícia de que os cientistas da Universidade da Califórnia, em São Francisco, resolveram defender as florestas mais abomináveis do planeta – formadas de pelos pubianos masculinos e femininos – argumentando que sua raspagem propicia o risco maior de transmissão de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Alegam os ilustrados cientistas que a depilação pode facilitar a ocorrência de infecções.

Até então, o risco maior das florestas pubianas estava no pelo pixaim, caso do médico muito respeitado em Juiz de Fora, quando um pelinho crespo ficou entalado em sua garganta, próximo da úvula, exigindo intervenção de um colega para retirar o pixaim com uma pinça cirúrgica. Naquele mesmo dia, a cidade inteira ficou sabendo que o respeitado médico havia namorado jovem de cabelos crespos e mais não digo, porque sou pudico à beça e à bessa.

A pesquisa da Universidade da Califórnia foi feita com 7,5 mil americanos adultos e acabou, mesmo sem querer, recomendando a retirada de todos os pelos pubianos, ao concluir que os depilados tendem a ter uma vida sexual mais ativa, o que é um baita elogio mesmo tendo sido publicado na revista médica Sexually Transmitted Infections.

      Refrega – Não sei se por educação, falta de provas ou receio de processos, a imprensa cuida de algumas senhoras pelas continuadas viagens ao exterior e despesas excessivas que fizeram com os seus cartões de crédito, evitando citar as atividades carnais em que sempre exceleram na opinião meditada dos cavalheiros que com elas compartiram aventuras moteleiras.

O capixaba Celso Bonfim, que fez bela carreira jurídica em Belo Horizonte, mantinha coluna de casos divertidos sobre advocacia no jornal Estado de Minas. Numa delas contou de um juiz verboso e afetado, que tinha a mania de trocar as palavras dos depoentes por outras mais empoladas.

Certa noite houve briga num bordel e uma profissional do sexo foi apunhalada. Sua colega depôs como testemunha. Depois de identificada, foi inquirida pelo juiz sobre os detalhes da contenda. Esclarecidos os fatos, o juiz ditou para o escrevente: “a testemunha viu quando a ré tomou de uma faca e atingiu a vítima no meio da refrega”. A depoente interrompeu o magistrado e disse: “Não foi no meio da refrega não, seu juiz. Foi entre a refrega e o embigo”.

Vale notar que o verbo refregar, em latim refrìco,as,cui,cátum,are significa “esfregar outra vez”, e uma das referidas senhoras ficou famosa e disputada pelo tanto que esfregava repetidas vezes nas tardes moteleiras.

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FONTE: philosopho.com.br


CONFUSÃO DOS DIABOS

O considerado Eduardo Almeida Reis, maior cronista diário da imprensa brasileira e escritor do primeiríssimo time, despacha de seu refúgio em Juiz de Fora:

OLHE A CONFUSÃO QUE O BOLSA FAMÍLIA ESTÁ CAUSANDO:

O Governo anunciou que as famílias que tivessem cinco filhos teriam R$1.500 por mês (Bolsa Família) para ajudar no sustento da prole.

Um homem tinha quatro filhos. Ao ouvir a notícia, imediatamente procurou sua mulher e disse:

“Amor, eu devo admitir, … eu tenho um filho com minha amante e vou trazê-lo para nós.”

Ela olhou para ele, chocada, mas ele não podia esperar e saiu correndo para ir buscar o filho bastardo.

Quando voltou, ficou surpreso ao ver apenas dois de seus filhos e perguntou à mulher:

“Querida, onde estão nossos outros dois filhos?”

Ela respondeu: “Você não foi a única pessoa que ouviu o anúncio… o pai deles veio buscá-los.”

FONTE: Moacir Japiassu, citando Eduardo Almeida Reis, no Jornal da ImprenÇa.

 


infringentes

Não resisto à tentação de transcrever o texto do escritor e magistrado Renato Zupo, publicado na coluna Justiça, que circula em vários jornais brasileiros: “Se um determinado órgão é colegiado – seja ele o conselho de uma empresa, um tribunal ou a diretoria de uma escola – subentende-se, está claro e é óbvio, que dele se admitam decisões não unânimes. A única exceção que conheço a esta regra é o Tribunal do Júri, inglês e americano, formado por 12 jurados e que tem que decidir unanimemente. Fora isso, decisão colegiada pode ser por maioria simples, maioria qualificada, por sete a zero, quatro a três, seis a cinco etc.

Diante disso, não há explicação jurídica que me entre na cabeça para a existência em nosso sistema processual dos chamados ‘embargos infringentes’, que serviriam para atacar decisão colegiada não unânime. É o que está vitimando o julgamento do mensalão. O fato de uma decisão não ser unânime não quer dizer que seja menos justa e correta, mas simplesmente que o tribunal que a prolatou funcionou, verdadeiramente, como um colegiado. Leitor amigo, desconfie sempre das unanimidades nos processos e na vida. Voto divergente significa que ao menos quem divergiu o fez após estudar o processo, e não simplesmente acompanhou a boiada. Como dizia Nelson Rodrigues “toda unanimidade é burra”.

FONTE: Eduardo Almeida Reis, TERRA DOS EMBARGOS.


Direitos humanos foram pensados para humanos, coisa que muita gente da espécie Homo sapiens não é. No Ceará, o verbo humanizar também significa amansar animais, coitados, que muitas vezes são muito mais humanos que a maioria dos chamados humanos. Maioria esmagadora – é bom que se diga.

Quando juiz da Infância e da Juventude em Montes Claros, em 1993, o hoje desembargador Rogério Medeiros constatou que não havia naquela cidade norte-mineira instituição adequada para acolher menores infratores. Um grupo de três adolescentes praticava reiterados assaltos. “Apreendidos” pela polícia, o juiz tinha de soltá-los.

bandido

Depois da enésima reincidência, valendo-se de um precedente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o juiz determinou o recolhimento dos “pequenos” assaltantes à cadeia pública em cela separada dos outros presos. Foi o bastante para receber a visita de um grupo de defensores dos direitos humanos, por coincidência três ativistas, exigindo que o magistrado liberasse os menores.

Em face da negativa do juiz, ameaçaram denunciá-lo à imprensa, à corregedoria de Justiça e até mesmo à Organização das Nações Unidas (ONU). Diante disso, o juiz chamou o escrivão e ordenou a lavratura de três termos de guarda: cada ativista levaria um dos menores para casa, com toda a responsabilidade delegada pelo magistrado.

Sabe o leitor qual foi a reação dos três? Se despediram e saíram correndo do fórum. Não denunciaram o dr. Rogério a entidade alguma, não ficaram com os menores, nunca mais honraram o juiz com suas visitas e os bandidinhos continuaram presos.

FONTE: Estado de Minas


Limites

Pelo visto e ouvido, liberou geral. O palavrão tomou conta dos programas televisivos das senhoras – palavrões cabeludos – e no Jô, às nove da noite, o sexo oral detalhado tornou-se verbal durante entrevista de 15 minutos com um espiroqueta, cronista de um grande jornal, filho de espiroqueta que também é muito citado e dito amigo de sujeitos conhecidos. Sexo oral descrito com todos os efes e erres de chulice durante 15 minutos. Entrevista selecionada para retransmissão às nove da noite.

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Pelo andar da carruagem, só falta aentrevistar uma jovem noiva que se relacione sexualmente com o seu cão pastor – alemão ou belga, tanto faz. Entrevista durante o relacionamento amoroso no estúdio da tevê. Não invento. Já lhes contei o caso da moça que chegou de táxi engatada ao seu cão pastor, para ser desengatada pelos médicos da Santa Casa. Foi há mais de 20 anos, mas continua acontecendo por aí.

Famoso homem de televisão vivia dizendo que o veículo não foi feito para ensinar, mas para divertir. Não consigo entender a restrição ao ensino via tevê, não digo dos cursos a distância, mas o ensinamento na programação normal. Quanto ao divertimento, nada contra, mas cabe a pergunta: sexo oral pormenorizado é divertimento televisivo? Se for, que virá depois dele?
O leitor que me conhece há muito tempo, não só por meio da imprensa escrita, como também dos programas radiofônicos e televisionados, sabe que nunca fui santo.

Santo Eduardo, o Confessor (c. 1004-1066) foi o penúltimo rei saxão da Inglaterra (1032-1066) e era filho de Ethelred II e da senhora Ema da Normandia, duas vezes rainha consorte da Inglaterra por meio de seus casamentos com Ethelred II, de 1002 a 1016, e Canuto, o Grande, de 1017 a 1035. Parece que teve dois filhos com Ethelred II e um com Canuto, chamado Canuto II, que foi preterido pelo irmão bastardo Haroldo I.

Mesmo não sendo santo como o xará, horrorizam-me os rumos tomados pela televisão brasileira. Não é pudicícia, é lógica, é bom senso. Já vi o que pode acontecer quando um cavalo toma o freio nos dentes. Nossa tevê tomou.

FONTE: Blog Universo, via Estado de Minas.


Fatos e versões

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Que interesse pode existir, salvo para a perícia, no vídeo em que o Porsche do ator Paul Walker bate e pega fogo? É o que sempre me pergunto quando exibem tais vídeos na televisão ou no provedor de internet. Será que existe gente cruel ao ponto de gostar daquilo, ou “curtir” como diz o provedor Terra?

Muito mais útil é o e-mail da laranja na feijoada. Vou pedir à comadre que me faça uma feijoada só para ver se o negócio funciona. A lição é a seguinte: ponha uma laranja inteira com casca (bem lavada) na feijoada junto com as carnes. A gordura passa quase toda para dentro da laranja. Basta cortá-la para confirmar. E a feijoada, deliciosa, fica light.

Você também pode experimentar com um pedaço de linguiça. Ferva a água, fure a linguiça com um garfo, ponha a laranja na panela e depois a linguiça. Em cinco minutos toda a gordura passa para dentro da laranja. Depois, frite a linguiça para ver como está uma delicia. E tem mais uma coisa: a panela fica sem gordura.

Jornalismo é serviço e feijoada magra faz menos mal que a gorda. Em verdade, nada faz bem porque “viver faz mal à saúde”.

Acho que a frase é de João Guimarães Rosa, mineiro de Cordisburgo, filho de Florduardo Pinto Rosa. O sobrenome de seu Flor suscita no Brasil o assunto PIB, Produto Interno Bruto. A exemplo do Pinto Rosa, depois de curtos períodos de entusiasmo, o PIB brasileiro desanima.

FONTE: Crônica Eduardo Almeida Reis – Estado de Minas

Publicada no jornal Estado de Minas em 29 Dez 2013


“Uma das lições mais tristes da história é a seguinte: se formos enganados por muito tempo, a nossa tendência é rejeitar qualquer evidência do logro. Já não nos interessamos em descobrir a verdade. O engano nos aprisionou. É simplesmente doloroso demais admitir, mesmo para nós mesmos, que fomos enganados. Se deixamos que um charlatão tenha poder sobre nós, quase nunca conseguimos recuperar nossa independência. Por isso, os antigos logros tendem a persistir, enquanto surgem outros novos”.

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Carl Sagan, citado por Eduardo Almeida Reis em TIRO & QUEDA.


drogas

Fazenda grande próxima da BR-040 em solo mineiro, família rica, um monte de convidados que a mídia chama de celebridades. Pó, erva e picos correndo soltos, o que absolutamente não quer dizer que todos se droguem. Administrador e incontáveis chefes: do gado, das galinhas, dos animais domésticos, dos coelhos, das lavouras e das cozinhas. Uma das funcionárias tem um filho sargento da gloriosa PMMG. Como tal, anda fardado e armado. Educado, pegou sua moto e foi visitar a mãe.

Passava um pouco do meio-dia. Deixou a moto escondida perto do imenso portão de granito e “adentrou”, como gostam de dizer os locutores esportivos, o recinto ingurgitado de construções, piscinas, quadras de tênis, residência principal, heliponto homologado e alas de hóspedes, perdão, celebridades, à procura de sua mãezinha.

Então, senhoras e senhores do Egrégio Conselho Leitoral de Tiro & Queda, alguém viu o sargento fardado e armado, e gritou: “Polícia!”. Raciocínio elementar: onde se vê um PM é sinal de que há outros policiais. Foi um corre-corre que vou te contar! Papelotes e trouxinhas jogados fora, gente se escondendo nos quartos e nos banheiros, uma celebridade pulou na piscina puxando seu baseado, que se apagou e desmanchou no imenso tanque azulejado, cheio de água clorada e xixizada, porque ninguém me convence de que celebridade não faça xixi na piscina.

Foi preciso que a funcionária trepasse num banquinho para gritar: “É meu filho! Veio me visitar!”.  Ainda assim, o susto foi grande, porque havia “toneladas” de pó, erva e produtos injetáveis, que poderiam caracterizar crime de tráfico.

Extraído da coluna TIRO & QUEDA, de EDUARDO ALMEIDA REIS.

FONTE: Estado de Minas.


Cá estou de volta, imenso charuto aceso, para comentar com você um vídeo de nove minutos que está no YouTube, pregação do bispo/apóstolo Josivaldo Batista, num templo imenso da Igreja Mundial.

Com o refrão “amém, gente!”, o piedoso homem de Deus vem de inventar o dízimo antecipado nos seguintes termos: se você quer ganhar em 2013 cinco mil reais por mês, deve antecipar o dízimo de quinhentos reais num envelope distribuído pelos obreiros e pastores-adjuntos. Se deseja faturar dez milhas mensais, deve antecipar mil reais.
O vídeo é de uma seriedade tal, que dispensa comentários. Como pode a Constituição permitir que assaltantes continuem livres de impostos? A lei que vale para o ladrão de galinhas não se aplica ao ladrão de milhões? Ninguém faz nada, ninguém diz nada, como se fosse a coisa mais natural do mundo assistir à exploração de um bando de tolos por um esperto.

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Devagarinho, suas bancadas se tornam expressivas nas câmaras, nas assembleias, no Senado, na Câmara Federal. Logo, logo serão maioria. É certo que se digladiam pelo mesmo butim, há dissidentes, assim como os assaltantes de bancos podem se desentender sobre a repartição dos lucros do trabalho.

Em favor dos ladrões de bancos, automóveis, joias e relógios de grife, seja dito que correm riscos. Os outros se contentam com o dizimar da esperança e da boa-fé dos idiotas, circulando por aí, lampeiros como eles só, isentos de impostos. E já controlam totalmente duas redes de televisão e centenas de emissoras de rádio, além dos horários que compram nas outras redes, “irregularidade” para a qual os governos fazem vistas grossas.

O verbo bispar, que entrou em nosso idioma no ano de 1527, tem como regionalismo em Pernambuco e noutros estados do Piscinão de Ramos o significado: tomar para si o que é de outrem; furtar, afanar. Salvo melhor juízo, Josivaldo e outros bispos excelem no mister.

FONTES: Estado de Minas, coluna Tiro & Queda (Eduardo Almeida Reis) e Youtube.


Em meio a paisagens plásticas, com rios de leitos de pedras, que formam belas cachoeiras e atravessando campos, fica a vila considerada a Shangri-lá do Jequitinhonha

Hoje, três adultos, uma criança e o vira-lata Mequetrefe moram no  pacato lugarejo, a 300 quilômetros de Belo Horizonte e a 14 do Centro Histórico de Diamantina (Paulo Henrique Lobato/EM/D.A Press)
Hoje, três adultos, uma criança e o vira-lata Mequetrefe moram no pacato lugarejo, a 300 quilômetros de Belo Horizonte e a 14 do Centro Histórico de Diamantina

Diamantina – Há quem chegue à bucólica Vila de Biribiri e a compare a Shangri-lá – o idílico lugar criado em algum ponto do Himalaia pelo inglês James Hilton (1900–1954) em sua obra mais famosa, Horizonte perdido. Construído em 1877 para abrigar uma fábrica de fiação e tecidos do Biribiri e, ao mesmo tempo, empregar mulheres pobres do Vale do Jequitinhonha, o povoado chegou a ter 1,2 mil habitantes, na década de 1950. Hoje, três adultos, uma criança e um vira-lata, o Mequetrefe, moram no pacato lugarejo, a 300 quilômetros de Belo Horizonte e a 14 do Centro Histórico de Diamantina.

O nome da vila, em tupi-guarani, significa buraco fundo, numa alusão à sua localização, entre o sopé de uma montanha e o leito de um curso d’água. Biribiri foi idealizada pelo então bispo de Diamantina, João Antônio Felício dos Santos, e seus familiares. O projeto foi viabilizado pelo terreno acidentado, que permitiu aos empreendedores usarem a energia produzida por uma pequena usina cujas turbinas eram acionadas pela força das quedas-d’água da região. Nos bons tempos da produção fabril, Biribiri chegou a ter escola para os filhos dos empregados, pensionatos, armazém e consultório odontológico.

Havia até apresentações de coral e grupo teatral. Aliás, a própria Biribiri foi levada para a tevê e o cinema como cenário dos filmes Dança dos bonecos, de Helvécio Raton; Xica da Silva, de Cacá Diegues; e A hora e a vez de Augusto Matraga, de Vinícius Coimbra. Na telinha, despertou a atenção dos roteiristas da novela Irmãos coragem e do seriado Rosa dos rumos. A vila chegou a ser colocada à venda na década de 1970. A família Mascarenhas, proprietária do lugarejo, pediu lance mínimo de US$ 2 milhões. A notícia ganhou destaque na imprensa nacional (revista Manchete) e internacional, mas não houve interessados em desembolsar a fortuna. “Não está mais à venda”, assegura Kika Mascarenhas, de 45 anos, uma das herdeiras do local.

A literatura também se rendeu aos encantos da vila. Em maio de 1893, a adolescente Alice Caldeira Brant escreveu em seu diário que “não teria pressa de ir para o céu se morasse em Biribiri”. Quase 50 anos depois, as lembranças da jovem foram publicadas no best-seller Minha vida de menina, que Alice publicou sob o pseudônimo de Helena Morley. A importância de Biribiri foi reconhecida pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) ao tombar, em 1998, o conjunto arquitetônico.

A proteção, claro, inclui a única igreja de lá, a do Sagrado Coração de Jesus. O templo, cercado por palmeiras-imperiais, foi erguido na entrada do lugarejo, também em 1876, com recursos conseguidos pelos próprios moradores. Nas horas vagas, eles garimpavam pedras preciosas na região. Desde o fim do ano passado, a Sagrado Coração de Jesus passa por reforma. A igreja, quando restaurada, voltará a ser aberta à visitação. A fama de Biribiri foi tamanha que a família real doou um relógio para ser fixado abaixo da pequena torre da igreja. Quase em frente à entrada principal dela, há o único túmulo do povoado, o do senador Joaquim Felício dos Santos (1822–1895). O político foi um dos autores do Código Civil que vigorou até 2003.

CONSERVAÇÂO Mequetrefe, o cachorro, costuma descansar no gramado em frente à igreja, cujas cores acompanham as das demais edificações – todas com paredes externas brancas e portas e janelas azuis. Ao contrário do templo, os imóveis que serviram como moradias dos funcionários estão em bom estado de conservação. As casas, de diferentes tamanhos, estão à disposição de quem deseja alugá-las para uma temporada. A diária é de R$ 30 por pessoa. Muitos turistas, porém, preferem passar o dia na vila, como fez Ranah Mannezenco, moradora de Viçosa, e seus amigos. “Aqui é mesmo como Shangri-lá. Só descobrimos tudo chegando, como mineiro, de mansinho, observando”, disse ela.

Ranah e seus amigos almoçaram no único restaurante de Biribiri, batizado de Raimundo sem Braço. O proprietário, seu Raimundo, precisou amputar o braço direito, depois de uma infecção causada por um tratamento malfeito. “Trabalhar em Biribiri é um privilégio. Veja a natureza, ouça o canto dos pássaros…”, diz o comerciante enquanto serve a um turista uma dose das cerca de 200 garrafas de aguardente que vende no seu estabelecimento. Raimundo mora em Diamantina. Já Adilson Costa, de 35 anos, é um dos quatro residentes na vila. “Descobri que aqui é o meu lugar”, diz o rapaz, enquanto faz a limpeza de um dos galpões onde funcionou a antiga fábrica. Ele divide uma casa com a mulher, Simone, e a filha, Maria Luiza, de 4. O quarto morador de Biribiri é o também zelador Geraldo da Conceição Reis, de 44: “Sabe o que é morar num lugar pacato? É aqui”.

LINHA DO TEMPO

1870: O bispo dom João Antônio Felício dos Santos resolve fundar fábrica de tecidos para empregar as moças pobres do Vale do Jequitinhonha
1877: A fábrica é concluída, com o maquinário de Massachusetts (EUA). Do Rio de Janeiro até lá, foi transportado no lombo de mulas e carros de bois
1893: A jovem Alice Brant trata de Biribiri em seu diário, futuro best-seller Minha vida de menina
1921: A fábrica e a vila são vendidas a particulares
1950: Cerca de 1,2 mil pessoas trabalham em Biribiri
1973: A fábrica de tecidos é desativada
1998: Conjunto é tombado pelo Instituto Estadual do patrimônio Histórico e Artístico (Iepha)
2012: Começa a reforma da Igreja Sagrado Coração de Jesus

SAIBA MAIS: BELEZA CÊNICA
O Parque Estadual do Biribiri, com área de 16,9 mil hectares, está inserido no complexo da Serra do Espinhaço. A Vila de Biribiri está abrigada na área do parque. Quem a visita se encanta não somente por seu casario, mas principalmente pelas paisagens de beleza cênica, com seus rios de leitos de pedras, formando cachoeiras e atravessando campos. A área abriga várias nascentes e cursos d’água: o Rio Biribiri, que moveu as turbinas da hidrelétrica geradora da força motriz da fábrica de tecidos; o Rio Pinheiros e diversos córregos, sendo os mais famosos o Sentinela e o Cristais. Os descendentes dos proprietários da fábrica contam histórias sobre os suntuosos degraus da Cachoeira dos Cristais, cujas rochas teriam sido cortadas com talhadeiras pelos proprietários da época, à procura de diamantes. A cobertura vegetal nativa é composta por cerrado, campos rupestres e matas de galeria. Podem ser encontrados diversas espécies da fauna, muitas delas ameaçadas de extinção, como o lobo-guará e a onça-parda ou suçuarana.

Como chegar
A vila, embora privada, fica dentro do Parque Estadual do Biribiri. Criado em 1998, no mesmo ano em que o pacato lugarejo foi tombado pelo Iepha, ele conta com cerca de 18 mil hectares. Além da vila, outra atração do parque é o conjunto de cachoeiras, como a Sentinela, com cascatas e praia. A rica flora e a exuberante fauna também encantam turistas. O acesso de Diamantina a Biribiri, passando pelas cachoeiras e áreas para acampamentos, é feito em estrada de terra. O caminho permite fazer um percurso, de carro, em cerca de 30 minutos. Porém, em época de chuva, é melhor o viajante se informar com os seguranças que ficam na guarita do parque, pois dependendo do trecho a lama pode dificultar o passeio.

FONTE: Estado de Minas.



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