Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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A vez dos sem voz

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Foi o feriado prolongado mais agitado no mundo político brasileiro dos últimos anos. E ouvimos de tudo. Principalmente, que houve injustiça, julgamento político, pressão da mídia, equívocos de interpretação, falta de provas, etc. Proponho é um exercício: irmos à Praça Sete ouvir a verdadeira manifestação popular: os mortais, os que pagam impostos, os que lutam com toda sorte de dificuldades, estão em estado de graça porque já podem dizer aos filhos que a esperteza não é certeza de vitória e honestidade não é história da carochinha. Podem dizer que a justiça não pode funcionar com base no clamor das ruas… Verdade. Só que estas pessoas podem não ter o saber jurídico, mas não são burras! Acompanharam o desenrolar do processo do “mensalão” nos últimos oito anos e sabem que tudo foi visto, revisto e restou provada a culpabilidade dos réus.

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Aos que disserem que houve apenas caixa 2, responderemos com a reação de nossa conterrânea, ministra Carmem Lúcia: “Caixa 2 é crime, é desrespeito à nação”. Para os petistas mais encarniçados que insistem na tese de que todo mundo faz o caixa 2 lembraremos que o partido prometeu ser diferente durante 30 anos; então, no poder, não podia repetir a prática nefasta de esconder dos eleitores os conchavos que enchem as burras para as campanhas milionárias. Enfim, aos eminentes advogados, que se apresentam como constitucionalistas e buscam nas nuvens as mais incríveis justificativas para pedir privilégios aos seus clientes, façamos um apelo com a letra de Paulinho da Viola: “Tá legal, eu aceito argumento, mas não me altere o samba tanto assim…”

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Há também em lembrete necessário aos que acusam Joaquim Barbosa de muita pressa com a expedição dos mandados de prisão. Ora, os infelizes corruptos estavam condenados havia um ano e, ainda assim, não era hora do xadrez? Ah, queixam-se de que o presidente de nossa suprema corte quis repercussão midiática decretando a prisão no feriado. Gente, o dia lembrava a Proclamação da República e a origem da palavra república é “coisa pública”, da qual devemos zelar, proteger, então, está errado o funcionário público que cumpre seu dever mandando prender os delinqüentes? Os que vêem fantasma debaixo da cama dizem que Joaquim pode se tornar candidato? E daí?

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Resumindo: saiba, caro leitor, que foi um dos dias mais felizes da minha vida porque eu vinha sendo alvo de muitos risos dos que não acreditavam no desfecho. Agora, a dona do banco, os publicitários, os guerrilheiros, as excelências já sentiram o mau cheiro da prisão… É ruim… E haja muito dinheiro porque, além dos honorários advocatícios, eles terão de reservar algum para agradar os colegas de presídio… Marcos Valério sabe do que estou falando, tanto que implora para ficar isolado na cela.

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FONTE: Itatiaia.


O passar dos anos para um profissional resulta em experiência e constatações. Durante trinta anos, sempre que chegava o 1º de maio e eu abria o gravador para as lideranças sindicais o discurso era inevitavelmente o de lamento. Algo mais ou menos assim: “Não temos o que comemorar; nosso salário é dos menores do mundo, o desemprego assola os lares brasileiros e os mais pobres pagam o preço mais alto”. Os tempos mudaram, o mínimo ficou três vezes acima do sonho (100 dólares), a taxa de desemprego em Belo Horizonte é quatro vezes inferior à de um país que era nosso sonho de consumo – a Espanha – e a gente não está comemorando. Por quê?

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Muito provavelmente estamos boquiabertos porque os encarregados dos discursos não têm o que dizer e nós outros não estamos preparados para cobrar com a devida veemência. Os sindicatos estão no melhor dos mundos porque há um bom faturamento compulsório, isto é, o trabalhador paga por obrigação, e, no caso dos líderes que se mexem, a assistência à saúde é um bom exemplo de como oferecer alternativas concretas e cativar mais associados. Desinteressados, por não entenderem a importância de sua representação, os membros de uma categoria não se esforçam para assumir suas responsabilidades e colocar pessoas sérias à frente das entidades.

Paralelamente, o velho refrão de que falta de emprego e oportunidade resultaria sempre em violência já não vale. Gente estudiosa como Luís Flávio Sapori assegura que uma coisa não tem nada a ver com a outra. E nem era preciso, afinal, toda hora vemos patrões em desespero com vagas não preenchidas e jovens saudáveis insistindo em assaltar, violentar, barbarizar… E não é só. Sequer no dia dedicado ao trabalhador aqueles que o representam se entendem. É só dar uma olhada pela cidade hoje.

Os “cristãos” na Praça da Estação, a Força Sindical na Via 240, os da construção pesada no Mineirão… Era para ser um dia feliz, de encontro, reflexões, comemorações, Ah se as centrais e seus sindicatos falassem sério pelo menos na hora de enfrentar o governo e exigir avanços, além de pugnar por justiça e igualdade, como, por exemplo, acabar com o famigerado fator previdenciário!

FONTE: Eduardo Costa, via Itatiaia.



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