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Inquérito é taxativo: operários alertaram sobre estalos e movimentação da estrutura ao tirar escoras do Viaduto Batalha dos Guararapes. Responsável, que é agrônomo, ignorou

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Estacas que restaram depois do colapso da construção na Pedro I: trabalhadores chegaram a se recusar a continuar o serviço, diante do risco que observaram (Leandro Couri/EM/D.A Press %u2013 3/7/14)

Estacas que restaram depois do colapso da construção na Pedro I: trabalhadores chegaram a se recusar a continuar o serviço, diante do risco que observaram

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A sequência de omissões apontada pelo inquérito policial como determinante para o desabamento da alça sul do Viaduto Batalha dos Guararapes, na Avenida Pedro I, Região Norte de Belo Horizonte, ficou constatada não apenas na fase de projetos e obras. O inquérito da Polícia Civil, divulgado ontem, comprovou ainda que houve negligência do engenheiro da Construtora Cowan Daniel Rodrigo do Prado e de encarregados de obra, da mesma empreiteira, durante a retirada das escoras do viaduto.

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Os alertas de problemas começaram uma semana antes do acidente, quando funcionários da empresa Brasil Monte, responsável pela remoção das peças, constataram anormalidades no trabalho, que precisou ser concluído com uso de um caminhão-munck, diante do aumento da pressão sobre as escoras, o que não ocorreria no processo normal de retirada. O profissional é engenheiro agrônomo e, além de não ser apto a assinar o diário de obras, o que deveria ser feito por um engenheiro civil, segundo a Polícia Civil, não fez, no documento, nenhuma menção a anormalidades na liberação da estrutura.

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De acordo com o delegado Hugo e Silva, responsável pela investigação, operários afirmaram em depoimento que alertaram sobre o aumento de peso nas estacas, inclusive no dia do acidente. “Eles disseram ter avisado que ouviam estalos nas colunas, que elas estavam se contorcendo. Nos relatos de funcionários que chegaram após o almoço, eles descrevem que a situação estava muito mais grave por volta das 13h”, disse o delegado. Segundo ele, os operários fizeram um novo alerta meia hora antes da queda e chegaram a se recusar a continuar o trabalho, que foi concluído com uso do caminhão-munck. “Os trabalhadores foram enfáticos: o engenheiro Daniel foi avisado, mas mandou tocar a obra”, afirmou Hugo e Silva, lembrando que o funcionário da Cowan descumpriu normas técnicas. “A regra é clara e diz que nesses casos deve-se parar a obra e avisar ao projetista. O agrônomo e os encarregados assumiram o risco de produzir o resultado”, concluiu, referindo-se ao desabamento.

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Hugo e Silva garante que houve ainda negligência quanto à segurança na via. “Um dos motivos que levaram à construção do viaduto foi o tráfego intenso no local. Ainda assim, não houve cuidado com relação à via (no processo de retirada do escoramento). Nem os engenheiros nem os encarregados tomaram providências e, também por isso, foram omissos”, afirmou. De acordo com Hugo e Silva, apenas um engenheiro fazia a fiscalização da obra. No início das intervenções, havia um contrato, no valor de R$ 10 milhoes, entre as empresas Consol/Enecon para apoio e gerência conjunta, mas o acordo venceu e não foi prorrogado pelo município.

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CORRERIA O delegado afirma haver no inquérito indícios de que houve uma corrida para entrega das obras que compõem o alargamento da Avenida Pedro I – que incluem o viaduto Batalha dos Guararapes. “Havia interesse, no pano de fundo, de agilizar as obras por causa da Copa do Mundo”, garantiu. Ele citou ainda que, desde a época da contratação dos projetos, em 2009, os atrasos começaram a ocorrer. “No contrato da prefeitura com a Consol, prevalecia em uma das clásulas que os projetos deveriam ser entregues até 2011. Já havia um retardamento na entrega. A empresa chegou a ser, inclusive, notificada pela Sudecap para liberá-los”, afirmou o delegado. Ele explica que todo o processo para construção de elevados e alargamento da avenida começou em 2009 e que, na ocasião, foi celebrado o contrato que tinha a Consol como responsável pelos projetos, com a Cowan e a empresa Delta para execução das obras. Esta última teria saído do contrato, posteriormente.

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Questionado sobre a eventual responsabilidade do prefeito Marcio Lacerda no processo que levou à queda do viaduto, já que o secretário de Obras saberia das irregularidades, o delegado Hugo e Silva afirmou não ter sido “demonstrado nos autos elementos suficientes para fazer um trabalho de investigação” pessoal sobre o chefe do Executivo municipal. No entanto, informou que vai pedir ao Poder Judiciário que envie cópia da investigação à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, para que uma investigação seja instruída.

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Ontem, ao comentar o inquérito policial, o promotor da área, Eduardo Nepomuceno, afirmou que os vários alertas de erros feitos durante o andamento do projeto foram ignorados para privilegiar a entrega das obras a tempo da Copa do Mundo.

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Crimes e castigo
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Confira as acusações e os suspeitos de envolvimento na queda da alça sul do Viaduto Batalha dos Guararapes, na Avenida Pedro I
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As denúncias
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Ao fim da investigação que apura as causas do desastre que resultou na morte de duas pessoas e deixou outras 23 feridas, houve 19 indiciados por três crimes:
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Homicídio doloso, na forma de dolo eventual – Pena prevista de 6 a 20 anos
Tentativa de homicídio – Pena prevista de 6 a 20 anos, diminuída de dois terços
Desabamento – Pena prevista de 1 a 4 anos
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Por ser caso de homicídio com dolo eventual, o processo é julgado pelo Tribunal do Júri

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Os indiciados
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Da Sudecap
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José Lauro Nogueira Terror – Secretário de Obras e Infraestrutura e superintendente interino da Sudecap (à época;  atualmente, está na Prodabel)
Cláudio Marcos Neto – Engenheiro e diretor de Obras da Sudecap
Maria Cristina Novais Araújo – Arquiteta e diretora de Projetos da Sudecap
Beatriz de Moraes Ribeiro – Arquiteta e urbanista e diretora de Planejamento da Sudecap
Maria Geralda de Castro Bahia – Chefe do Departamento de Projeto e Infraestrutura da Sudecap
Janaina Gomes Falleiros – Engenheira e chefe da Divisão de Projetos Viários da Sudecap
Acácia Fagundes Oliveira Albrecht – Engenheira da Sudecap
Mauro Lúcio Ribeiro da Silva – Engenheiro da Sudecap que fiscalizava a obra diariamente
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Da Consol 
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Maurício de Lana – Engenheiro civil, dono da empresa
Marzo Sette Torres – Engenheiro civil, coordenador técnico
Rodrigo de Souza e Silva – Engenheiro civil e projetista que prestava serviço à Consol
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Da Cowan
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José Paulo Toller Motta – Engenheiro civil e diretor
Francisco de Assis Santiago – Engenheiro civil
Omar Oscar Salazar Lara – Engenheiro civil
Daniel Rodrigo do Prado – Engenheiro agrônomo, responsável por assinar o diário da obra
Osanir Vasconcelos Chaves – Engenheiro civil presente no momento do desabamento
Carlos Rodrigues – Encarregado de obras
Carlos Roberto Leite – Encarregado de produção
Renato de Souza Neto – Encarregado de carpintaria

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FONTE: Estado de Minas.


Cowan sustenta que seguiu orientações do projeto, mas Consol contesta e diz que queda do viaduto teve outros motivos.
Segundo especialistas falhas poderiam ter sido percebidas

 

 

 VEJA AQUI A MATÉRIA COMPLETA SOBRE O VIADUTO QUE DESABOU!
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Enquanto um laudo oficial não define as causas da queda do Viaduto Batalha dos Guararapes, a Cowan, responsável pelas obras, continua trocando acusações com a Consol Engenheiros Consultores, autora do projeto executivo. A construtora sustenta que seguiu à risca as orientações do projeto e que ele continha erros de cálculo. A outra parte nega que tenha cometido equívocos e defende que o desabamento teve outros motivos. Especialistas ouvidos pelo Estado de Minas afirmam que a Cowan não tinha obrigação de perceber as supostas falhas, mas que podia tê-las notado, se tiverem sido tão grosseiras quanto a empresa afirma
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.O diretor presidente da Consol, Maurício de Lanna, disse ontem que considera impossível a empresa ter cometido os erros denunciados pela Cowan. Ele diz que a Consol acompanhou as obras por mais de dois anos, entre 2011 e março de 2013. “Falhas dessa magnitude teriam que ser percebidas por qualquer profissional. Mesmo porque, durante o período em que acompanhamos a execução da obra, toda e qualquer dúvida ou divergência apresentada pela construtora era objeto de análise. Faz parte do processo executivo as chamadas revisões de projeto. Tínhamos ao menos uma reunião por semana para discutir as questões técnicas”, relata.

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Ele nega que o projeto apresentasse erros e evita apontar o que causou o desabamento. “As causas são uma questão que a perícia (coordenada pela Polícia Civil) vai observar. Não se pode de forma simplista atribuir uma única causa, a não ser que seja extremamente evidente, o que não ocorreu nesse caso. Diversos fatores contribuíram”, afirma. Lanna questiona a recomendação feita na terça-feira pela Cowan para que seja demolida também a alça norte do viaduto, que continua de pé com sua estrutura de sustentação reforçada por escoras. “Se o problema, como diz a construtora, está no bloco de fundação, e nenhum outro problema foi apontado, o resto está ótimo. Então, por que demolir? Por que não consertar apenas o que está errado?”, questiona, referindo-se ao fato de o parecer técnico contratado pela construtora, sem validade legal ou oficial, ter apontado que as supostas falhas do projeto executivo atingiram as bases de pilares das duas alças da edificação.

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DEMOLIÇÃO A hipótese de manter de pé a alça norte, no entanto, é descartada pelo diretor da unidade construtora da Cowan, José Paulo Toller Motta. Segundo ele, não dá para saber o nível de comprometimento da estrutura. O relatório parcialmente divulgado ontem apontou que as 10 estacas fincadas no bloco de concreto sob um pilar da alça sul não tinham capacidade para sustentar o peso a que estavam submetidas.

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Além disso, o bloco não tinha armações de aço suficientes para evitar se romper. Ao se quebrar, a estrutura concentrou a carga inteira nas duas estacas centrais, o que fez o pilar afundar. Os erros de cálculo estariam no projeto executivo.

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A mesma falha teria ocorrido na fundação de um pilar da alça norte. Segundo Motta, essa estrutura de fundação também deve ter sofrido avarias, embora não se saiba em que grau. O escoramento feito após o desabamento poderia garantir que a alça continuasse de pé, caso ela fosse reta, diz o diretor. “O escoramento hoje aguenta boa parte de todos os esforços (forças) verticais (feitas de cima para baixo), mas esse viaduto é inclinado, em curva e rampa. Ele tem esforço lateral e longitudinal”, explica. “Esse pilar pode cair para o lado, para frente ou para trás. Esse movimento bateria no escoramento e geraria um efeito dominó”, acrescenta.

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Motta afirma que a construtora não tinha condições de perceber as supostas falhas no projeto executivo. “Para verificá-las, eu teria que refazer o projeto. Tenho que recalcular toda a geometria do viaduto, verificar as cargas. Só assim eu conseguiria em um programa computacional verificar se a quantidade de aço seria suficiente ou não”, disse. “Não somos contratados para fazer isso. Não é rotina”, prosseguiu.

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RESPONSABILIDADES Ainda que o contrato firmado com a construtora não a obrigue a tomar essa medidas, os equívocos apontados pelo parecer técnico poderiam ter sido notados, já que são muito graves. É o que defende o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Minas Gerais (Ibape-MG), Clemenceau Chiabi. “Diante de erro tão grotesco, o engenheiro de obra poderia ter consultado o calculista. Ele poderia ter feito um questionamento, mas na praxe da engenharia o projeto não é conferido”, explicou. 

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A avaliação é reforçada pelo engenheiro Alberico Alves Teixeira, especializado em engenharia de estrutura de concreto e aço. “Normalmente, a construtora só executa, mas as falhas poderiam ter sido percebidas se o engenheiro responsável pela obra tivesse conhecimento de engenharia de estrutura”, analisa. “Erros dessa dimensão não são comuns. Foi muito descuido, se eles tiverem de fato ocorrido, o que ainda não foi oficialmente comprovado”, afirma.

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Erros no projeto executivo são “de inteira responsabilidade” da empresa autora, afirma a Prefeitura de Belo Horizonte, em nota. “A contratada assumirá, ao assinar o contrato, a responsabilidade civil exclusiva por danos ao município ou a terceiros, por acidentes e mortes, devido a falha na elaboração dos projetos”, acrescentou o texto. Apesar disso, o órgão informa que a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) tem a incumbência de “avaliar, reprovar ou aprovar os projetos”.

 

 

 

FONTE: Estado de Minas.



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