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Sem data para voltar aos Estados Unidos, os Rehm receberam a reportagem em uma das paradas da família pelo planeta, no Santuário do Caraça, no interior de Minas

 

 

 (Fotos: Marcelo Leite/TV Alterosa/D.A PRESS)

De Catas Altas, MG – Há quase quatro anos, um casal americano e seu pequeno “Bode”, decidiram largar tudo nos Estados Unidos e partir para uma viagem pelas Américas. A princípio, o plano era chegar até a Costa Rica em um ano e depois voltar pra casa. Mas, a viagem proporcionou tantos prazeres à família que eles decidiram seguir em frente. Descendo pela América, passando sem rumo pelos países latinos e fronteiras sul americanas. Ah, em relação ao Bode, não se trata daquele animalzinho da família dos caprinos, bem comum nas roças e fazendas brasileiras. Mas Bode é o filho do Jason e da Ângela, o casal viajante. A pronúncia não é como a nossa aqui no Brasil. É algo como a mistura de “bowl” e “body”. Se você sabe inglês, vai entender o que estou falando. Segundo o casal, o nome “Bode” se refere a uma árvore encontrada por Buda que lhe permitiu encontrar a iluminação.

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Jason era um homem muito preocupado com o trabalho. Engenheiro envolvido no mundo dos negócios em busca do “American dream”. Seu tempo era dedicado quase que integralmente ao trabalho e a sua família ficava em segundo plano.

Nessa desagradável situação, o pequeno Bode, em seu aniversário de quatro anos fez um pedido que, inocentemente, mexeu com Jason e Ângela. Bode pediu que seus pais fossem mais presentes em sua vida. Simplesmente isso. Depois desse choque, Jason vendeu tudo que tinha, comprou uma Kombi e decidiu pegar a estrada. “Eu estudei em uma universidade por muito tempo, eu trabalhei pela minha carreira, para crescer na engenharia e nos negócios. Eu trabalhei pesado para conseguir realizar o “sonho americano” e ser bem sucedido baseado na ideia de outra pessoa do que é ser bem sucedido. Mas no fim, eu não estava feliz.” Emocionado e tentando conter as lágrimas, Jason, com a ajuda de sua esposa, conta o início desta história. Seu filho, Bode, como o próprio nome já indica, foi a luz que o iluminou para que tudo isso acontecesse.
Os três gostaram tanto da ideia que decidiram seguir adiante. Encontramos com eles no Parque do Caraça, em Minas Gerais. A viagem já dura três anos e meio. Bode, o grande incentivador de tudo, com sete anos, não se queixa de nada. Ele aproveita todos os momentos e curte cada local visitado. Inclusive todos os momentos midiáticos que eles têm: Entrevistas para emissoras de TV´s, jornais, sites…

A Kombi
Em relação ao carro, bom… Aspas para o Jason, pois ele conhece bastante: “Sabíamos que queríamos a Kombi, especificamente a Westfalia porque sabemos que ela é feita para acampar. E a ideia era acampar por todas as Américas. Essa Kombi é preparada para que possamos viver dentro dela.”

Kombi Westfalia leva a família Rehm pelo mundo
Kombi Westfalia leva a família Rehm pelo mundo

E o modelo 71 é especial porque 1971 foi o último ano em que eles fabricaram  o motor 1600 com a ventoinha vertical. Em 72 os alemães fizeram um motor diferente e mais complicado para encontrar peças de reposição. Mas também, foi em 71 o primeiro ano que a van saiu de fábrica com freios a disco na dianteira. “Eu queria esses discos dianteiros para ter um pouco mais de segurança nos Andes. Algumas vezes é assustador. (risos).”
A confiança na Kombi e em um modelo da Volkswagen já vinha de longa data. “Sabíamos que iríamos dirigir um Volkswagen por que eu sempre dirigi VW. Aprendi a dirigir em um velho modelo VW e estou muito familiarizado com toda a mecânica, o motor e etc” conta o americano que, além disso, já teve vários modelos de Karmann Ghia e Fuscas. Dentre eles, os mais legais foram um Karmann Ghia 71 conversível e um Fusca, também conversível, do mesmo ano.
A relação de Jason, Ângela e Bode com a Kombi se estreita cada vez mais a cada quilômetro rodado. “É a nossa casa. Nós vivemos nesse veículo e estamos vivendo nele há três anos e meio. E nós conhecemos cada canto e curva dele. Todas as vezes que ele faz um som diferente, imediatamente já sabemos o que é, o que há de errado com ele. E nós o amamos. É como se ele fosse parte de nossa família. E eu espero que ele sempre esteja conosco”. Revela o viajante americano. E é o simpático carrinho que atrai mais pessoas e novos amigos ao redor do mundo. Jason fala como a Kombi se torna um imã para novas amizades. “Ele faz essa viagem ser especial porque quando vamos a novas cidades e novos lugares que nunca estivemos antes, pessoas que nunca encontramos chegam até nós e imediatamente se tornam nossos amigos porque eles conhecem esse carro e pensam que ele é parte da família deles. Eles contam histórias de quando eles eram crianças e seus pais tinham uma Kombi e nós, instantaneamente temos algo em comum com quase todo mundo no mundo”.

De volta à estrada

Neste momento que você lê esta matéria, Jason, Ângela e Bode podem estar no Brasil, na Guiana Francesa, na África do Sul ou qualquer outro lugar do mundo. A princípio, essa viagem não terá um fim. A volta para casa não existe porque eles sempre estão em casa (na Kombi). Apenas um detalhe pode faze-los voltar para os Estados Unidos. Bode é educado pelos pais. Eles possuem livros didáticos e ensinam tudo que podem para o filho, mas também estão cientes de que o momento do Bode entrar em uma escola “convencional” está próximo.

O pequeno Bode descansa no interior da Kombi
O pequeno Bode descansa no interior da Kombi

Enquanto isso não acontece, os três americanos e a simpática Kombi seguem caminho por aí, por ali, por lá… A América central já foi toda varrida, a América do Sul está quase. A África é um sonho e o planeta inteiro pode ser um destino. Se você não pode segui-los por aí, acompanhe a viagem pelo site: http://bodeswell.org/

Curiosidade

Você deve estar se perguntando como Jason e sua família se mantêm economicamente durante a viagem. Certo? Bom, além do dinheiro que ele conseguiu arrecadar com a venda do que tinha nos EUA, ele ainda tem um emprego. Seu chefe recusou a sua demissão e sugeriu que ele se tornasse uma espécie de consultor online. Assim, Jason ainda recebe um salário que lhe permite seguir estrada afora.

Kombi estacionada no pátio do Santuário do Caraça
Kombi estacionada no pátio do Santuário do Caraça
FONTE: Estado de Minas.


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