Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Moradores protestam após queda de pedestre em passarela do Anel Rodoviário
O homem de 38 anos caiu de uma altura de quase 7 metros. Moradores dizem que passarela não tem corrimão
 (Tulio Santos/EM DA Press)



Famílias que moram no entorno do Anel Rodoviário de Belo Horizonte fizeram uma manifestação na noite deste sábado depois que um homem de 38 anos caiu da passarela sobre o Viaduto São Francisco, na Região da Pampulha. Cerca de 200 pessoas queimaram pneus e interditaram totalmente o trânsito nos dois sentidos da rodovia, por quase uma hora. Os bombeiros foram acionados para combater as chamas. 

Os manifestantes pedem providências sobre a passarela, construída com uma estrutura metálica e que segundo moradores, não tem corrimão em um trecho. O grupo reclama da insegurança ao atravessar a via usando essa passagem que segundo eles, parece improvisada. 

Passarela em cima do Viaduto São Francisco, onde aconteceu o acidente neste sábado  (Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Passarela em cima do Viaduto São Francisco, onde aconteceu o acidente neste sábado



O pedestre Agnaldo Vilacio caiu na tarde deste sábado de uma altura de quase 7 metros. Ele foi levado em estrado grave para o Hospital João XXIII, onde permanece internado. De acordo com a Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), a vítima passou por cirurgia, tem está grave e respira com a ajuda de aparelhos. 

Veja detalhes sobre o acidente na reportagem do Jornal da Alterosa:

FONTE: Estado de Minas e Alterosa.


NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI

não dizemos nada

Assim como a criança

humildemente afaga

a imagem do herói,

assim me aproximo de ti, Maiakósvki.

Não importa o que me possa acontecer

por andar ombro a ombro

com um poeta soviético.

Lendo teus versos,

aprendi a ter coragem.

Tu sabes,

conheces melhor do que eu

a velha história.

Na primeira noite eles se aproximam

e roubam uma flor

do nosso jardim.

E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem:

pisam as flores,

matam nosso cão,

e não dizemos nada.

Até que um dia,

o mais frágil deles

entra sozinho e nossa casa,

rouba-nos a luz e,

conhecendo nosso medo,

arranca-nos a voz da garganta.

E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm

a ninguém é dado

repousar a cabeça

alheia ao terror.

Os humildes baixam a cerviz:

e nós, que não temos pacto algum

com os senhores do mundo,

por temor nos calamos.

No silêncio de meu quarto

a ousadia me afogueia as faces

e eu fantasio um levante;

mas amanhã,

diante do juiz,

talvez meus lábios

calem a verdade

como um foco de germes

capaz de me destruir.

Olho ao redor

e o que vejo

e acabo por repetir

são mentiras.

Mal sabe a criança dizer mãe

e a propaganda lhe destrói a consciência.

A mim, quase me arrastam

pela gola do paletó

à porta do templo

e me pedem que aguarde

até que a Democracia

se digne aparecer no balcão.

Mas eu sei,

porque não estou amedrontado

a ponto de cegar, que ela tem uma espada

a lhe espetar as costelas

e o riso que nos mostra

é uma tênue cortina

lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo

e não os vemos ao nosso lado,

no plantio.

Mas no tempo da colheita

lá estão

e acabam por nos roubar

até o último grão de trigo.

Dizem-nos que de nós emana o poder

mas sempre o temos contra nós.

Dizem-nos que é preciso

defender nossos lares,

mas se nos rebelamos contra a opressão

é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo.

Por temor, aceito a condição

de falso democrata

e rotulo meus gestos

com a palavra liberdade,

procurando, num sorriso,

esconder minha dor

diante de meus superiores.

Mas dentro de mim,

com a potência de um milhão de vozes,

o coração grita – MENTIRA!

“No Caminho, com Maiakóvski”

O poema mais popular do autor, “No caminho, com Maiakóvski”, escrito na década de 1960 como manifestação de revolta à intolerância e violência impostas pela ditadura militar, foi envolvido em uma série de equívocos quanto à atribuição de autoria.1 Para alguns, o texto era do poeta russo Vladimir Maiakóvski. Para outros, o verdadeiro autor era o dramaturgo alemão Bertold Brecht.1

Durante a campanha das Diretas Já, o poema virou símbolo na luta contra a ditadura, aparecendo em camisetas, pôsteres, cartões postais, sendo quase sempre associado ao poeta russo ou ao dramaturgo alemão.2 3 Com a introdução da internet no país, o equívoco massificou-se.2 De acordo com Costa, o engano surgiu na década de 1970, quando o psicanalista Roberto Freire incluiu em um de seus livros o poema, dando crédito ao escritor russo e citando Costa como tradutor.3 Entretanto, o autor diz não se arrepender de ter utilizado o nome do autor russo no poema.3

Foi graças à telenovela Mulheres Apaixonadas, originalmente exibida pela Rede Globo em 2003, numa cena em que a personagem de Christiane Torloni lê um trecho do poema, dando o crédito correto, que o mal-entendido foi desfeito.1 3

EDUARDO ALVES DA COSTA

(Niterói RJ 1936) concluiu o curso de Direito na Universidade Mackenzie em 1952, em São Paulo SP. Por volta de 1960 organizou as Noites de Poesia, no Teatro Arena, em São Paulo. Participou no movimento dos Novíssimos, da Massao Ohno, em 1962. Entre 1962 e 1989 publicou a novela Fátima e o Velho, o romance Chongas e o livro de contos A Sala do Jogo. Recebeu, em 1978, o prêmio Anchieta de Teatro para a peça As Campainhas. Em 1994 foi lançado seu livro juvenil Memórias de um Assoviador. Entre 1996 e 1998 foi cronista do jornal paulistano Diário Popular. Seu único livro de poesia, No caminho, com Maiakóvski, foi publicado em 1985. A reedição é de 2003, pela Geração Editorial, com o título No Caminho com Maiakóvski; Poesis Reunida. O editor Luiz Fernando Emediato escreveu sobre o livro:

“EDUARDO ALVES DA COSTA é autor de alguns dos maiores e mais belos poemas da língua portuguesa. O fragmento de um deles, No Caminho, com Maiakóvski, sem dúvida o mais popular — transformado em bandeira contra a ditadura nos anos 70, em pôster, cartões postais, estampa de camiseta da campanha Diretas Já, mensagem massificada na Internet — já foi conhecido, em todo o Brasil, como o poema mais famoso e representativo de… Vladimir Maiakóvski, o poeta russo. O equívoco, que durou muitos anos, é mais uma vez corrigido neste livro” (…)

FONTES: Wikipedia, UOL, Antônio Miranda.



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