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Incêndio que queimou carros, intoxicou funcionários de emissora e deixou comunidade acuada foi o mais grave em vale que vem sendo castigado pelas chamas há uma semana

 

Um vale dominado pelo fogo, em uma das áreas mais nobres de Belo Horizonte: em menos de 24 horas, incêndios de grandes proporções consumiram mais de 20 hectares de vegetação nos bairros Santa Lúcia e São Bento, na Região Centro-Sul da capital. Ontem, as chamas destruíram 13 veículos e mandaram pelo menos 30 pessoas para hospitais, por intoxicação pela fumaça. A maioria dos veículos consumidos é de funcionários da TV Band Minas, na Avenida Raja Gabaglia, que usam uma rua sem saída atrás do prédio da emissora como estacionamento. 

Fogo

O incêndio de ontem foi o mais grave de uma série iniciada na semana passada em uma espécie de “vale das chamas” na Zona Sul, quando focos começaram na vegetação seca às margens da BR-365 e por pouco não atingiram casas no entorno do Shopping Ponteio, também no Bairro Santa Lúcia. Na noite de anteontem, o fogo voltou a assustar moradores da região, atingindo um terreno vago entre dois prédios na Rua Saturno. 

De acordo com o Corpo de Bombeiros, incêndios como esses, em vegetação de áreas urbanas, aumentaram 77% no estado durante o primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2013. Na capital e região metropolitana, os focos tiveram aumento de quase 22% na mesma comparação. Apenas no Parque Estadual Serra Verde, na Região Norte de BH, já foram 17 incêndios do início do ano até o último dia 16. Vinte e oito hectares de vegetação da unidade e quase três hectares no entorno foram consumidos.

Fogo 2Chamas avançaram pela encosta íngreme com rapidez e não houve tempo para a retirada dos veículos. Dezenas foram intoxicados pela fumaça e demora dos bombeiros foi criticada

Incêndio começou na vegetação e atingiu pelos menos seis carros em um estacionamento

Ontem, a fumaça tóxica proveniente dos carros que pegaram fogo devido ao incêndio na vegetação invadiu primeiro o setor administrativo da TV, que fica no segundo andar do prédio da Band na Avenida Raja Gabaglia, e depois a redação, no térreo. Houve pânico e, na correria, funcionários foram pisoteados. A programação local teve de ser interrompida e atrações foram substituídos pela grande nacional da emissora. 

De acordo com o tenente João Gustavo de Souza Cruz, do 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros, é muito difícil saber como o incêndio começou. Segundo ele, na região dos bairros Santa Lúcia e do São Bento a vegetação de lotes particulares está muito seca e, como o terreno é muito inclinado, o combate às chamas torna-se mais difícil. “Se o bombeiro em combate perder o equilíbrio, ele pode cair e rolar para dentro das chamas. É um trabalho extremamente perigoso”, afirmou o militar. Ontem, segundo ele, as chamas se alastraram tão rapidamente que as pessoas não tiveram tempo de retirar seus veículos.

O primeiro foco teria surgido às margens da Avenida Raja Gabaglia, onde há uma tela de proteção junto ao passeio, fechando terreno particular que estava com o mato alto. A fumaça foi tanta que os motoristas que passavam pelo local ficaram desnorteados. Em pouco tempo, o fogo chegou ao prédio da emissora, onde a auxiliar de serviços gerais Rosi Aparecida Vieira, de 41, descansava no horário de almoço. “Eu tirava um cochilo e fui acordada pela minha colega aos gritos. Todo mundo começou a sair correndo, tentando tirar os carros do estacionamento”, contou. A copeira Maria Lúcia Moreira, de 57, ainda tentou apagar o fogo usando uma mangueira, mas não suportou a fumaça tóxica que vinha dos veículos em chamas na rua de baixo. “Vinham bolas de fogo na minha direção. Engoli um bocado de fumaça”, disse a copeira. 

Parte do Ford Ka da assistente comercial da TV Lenusa Santos, de 26, foi queimada. Prejuízo maior teve o editor-chefe do programa Brasil Urgente, Josuá Barroso, de 26, que estacionou na rua de baixo e encontrou somente a carcaça queimada do carro, que não tinha seguro. “O fogo chegou tão rápido que não deu tempo de tirar o veículo. A fumaça era tanta, que corremos para o outro lado da Raja Gabaglia e buscamos proteção nas concessionárias”, disse o jornalista. Josuá reclamou da demora dos bombeiros. “O fogo queimou os carros às 12h07 e somente às 12h44 eles chegaram à TV”, disse. Segundo ele, também houve demora na interdição de uma das pistas da avenida.

TENSÃO E ESFORÇO O fogo chegou ao Bairro Santa Maria e a população usou mangueiras, baldes de água e até pás para jogar entulho e impedir que as chamas entrassem nas casas e na Escola de Samba Cidade Jardim. Mesmo assim, o desespero foi geral. As chamas destruíram o bananal no lote da dona de casa Deuzemir Ferreira Lima, de 48, assim como a rede elétrica da moradia, que foi salva na última hora, com a chegada dos bombeiros. 

Um carro estacionado na rua em frente à casa foi salvo pelos moradores, que quebraram o vidro e o empurram para longe das chamas. Na Escola de Samba Cidade Jardim, a salvação foi o sistema de combate a incêndios. A abertura do hidrante impediu uma tragédia maior. “Quem apagou o fogo foi a comunidade. Era para ter queimado tudo”, disse o autônomo Laci Alves, de 40, afirmando que os bombeiros deram prioridade ao incêndio no entorno da Band.

Às 17h de ontem, mais de duas horas depois de o fogo ser controlado, o Hospital Madre Tereza, na Avenida Raja Gabaglia, altura do Bairro Gutierrez, já havia recebido 20 pessoas que inalaram fumaça, e outras continuavam a chegar. Entre os pacientes estava o coordenador de promoções da Band Leandro Nunes, de 35, ainda muito assustado. “Foi muito difícil sair da empresa. A portaria fica em uma área aberta, que recebia toda a fumaça do incêndio e a fuligem dos carros queimando”, contou. 

O tenente João Gustavo de Souza Cruz informou que os bombeiros chegaram ao local dentro do tempo previsto e que oito viaturas partiram de locais diferentes da cidade para enfrentar o fogo. Segundo ele, todo combate a incêndio precisa de um tempo de preparação, em ações como definir pontos por onde começar os trabalhos e avaliar as condições de segurança dos militares.

FONTE: Estado de Minas.


Fogão a lenha sem fumaça

 

Fogão a lenha sem fumaça-2

Em 1980, na zona rural do estado de Minas Gerais, 96,9% dos fogões domésticos eram a lenha, de tipos variados.

As vantagens desse fogão no meio rural são inúmeras pela facilidade de se obter lenha, por aquecer a casa e reunir a família nas noites frias e, finalmente, por ser atribuído melhor paladar à comida preparada nele.

Por reconhecer essas vantagens e buscando resolver os problemas de construção apontados pelos usuários do fogão a lenha, desenvolvemos esse projeto.

(ILDA DE FÁTIMA e MARCOS OLIVEIRA – UFV)

Projeto detalhado (PDF)


Construções em sítios e fazendas não são tão simples quanto parecem. Um projeto, feito a partir dos objetivos econômicos da propriedade, é importante para definir até o local das benfeitorias

Exemplo de projeto para uma casa de fazenda ou sítio valoriza a área da cozinha, onde os amigos são recebidos (Paulo Rogerio Ayres Lage/Djalma Pinto de Almeida)
Exemplo de projeto para uma casa de fazenda ou sítio valoriza a área da cozinha, onde os amigos são recebidos

“Moro num lugar/Numa casinha inocente do sertão/De fogo baixo aceso no fogão, fogão a lenha”. A letra da música Vida boa, dos mineiros Victor e Leo, pode até servir de inspiração para os interessados em construir uma casa no campo. Mas o importante é focar no projeto de toda a propriedade. A casa, o curral e o galpão do sítio ou fazenda devem ser elaborados tendo em vista principalmente a atividade agropecuária a ser desenvolvida. Se a sua criação é de cavalo, por exemplo, os especialistas do agronegócio afirmam que a casa pode ficar próxima da atividade. Se for de suínos ou aves, é recomendado que a residência seja construída em local mais distante.

“É preciso realmente fazer a avaliação da propriedade como um todo. Onde tem as nascentes de água, vias de acesso e rede elétrica. É necessário que seja verificada a função da fazenda ou sítio, se é de lazer ou produção.”, afirma Augusto Salles, engenheiro e arquiteto, que trabalha há 22 anos na área rural. A definição das construções, diz, também vai variar de acordo com a topografia do local.

Feita essa avaliação detalhada, a infraestrutura pode começar a ser montada. “É importante que tenha varanda e cozinha grandes”, afirma o economista e produtor cultural Paulo Rogério Ayres Lage, que escreveu o livro Casa rural mineira – Um guia de construção. Na publicação, ele retrata projetos e estruturas de várias casas mineiras, entre elas a sua, em Ouro Preto. “O livro é uma maneira de não deixar os conhecimentos acabarem. A intenção é tentar preservar uma maneira antiga de viver”, afirma Lage. O interesse dos produtores rurais pelo projeto foi tamanho que a primeira edição, de 3 mil unidades, já esgotou.

Arquitetura de fazenda

Montar uma fazenda ou sítio hoje é bem mais complexo do que era antigamente. Não basta escolher o lugar da casa, subir as paredes e ir fazendo as outras benfeitorias sem nenhum planejamento. O importante, primeiro, é definir a atividade a ser explorada. Depois, o projeto deve ser desenvolvido de acordo com a topografia do local. A casa tende a ser convidativa. Por isso, a cozinha, com seu fogão a lenha), ocupa boa parte do espaço. E o curral tem que oferecer conforto e higiene aos animais. Empresas especializadas no desenvolvimento de planos diretores para fazendas chegam a produzir de 70 a 80 plantas de construção para chegar ao melhor resultado.

Tudo começou com o fogão a lenha. Os amigos Paulo Lage e Djalma Pinto de Almeida (este, o mestre de obra, já falecido) decidiram escrever o livro para ensinar os interessados a construir um fogão a lenha. O projeto acabou se transformando em um texto que descreve minuciosamente a estrutura da casa onde reina esse fogão. Há detalhamento de seu alicerce, telhado, portas e janelas, forro, reboco, piso, pintura, cozinha, jardins, quintais, entre outros aspectos.

Com a planta baixa da casa em mãos, deve ser definida a marcação. Os autores do livro revelam que o método mais fácil e acessível em construções rurais consiste em cercar todo o local onde a casa vai ser edificada, com um tabuado de madeira na altura de 50 centímetros, afastado um metro de onde as paredes externas vão ser construídas, em esquadro nivelado, para que toda a construção possa ser demarcada.

As casas de roça costumam ter o pé-direito baixo – em torno de 2,5 metros –, o que pode dar certo e resultar em charme e aconchego, principalmente quando não se coloca forro nas cozinhas. “Mas o melhor é a casa bem arejada e ventilada, com o pé-direito mais alto. As fazendas têm muita chuva e vento, com muita umidade”, observa Rivaldo Nunes da Costa, médico-veterinário e produtor rural.

A cozinha, na visão dos autores do Casa rural mineira, é o ponto de partida e o espaço nobre da residência. Nela reina o fogão a lenha e se recebem os camaradas para beber café. Nos bancos e banquinhas se assentam as visitas consideradas de casa. “Ela vai funcionar como a sala da casa rural mineira. Deve ter mesa grande”, ressalta Paulo Lage. O fogão, diz, funciona como a lareira da casa. Pequena despensa, que pode ser também bom armário, é necessária.

E já que o fogão é a lareira, a cozinha deve ser bem ventilada, para espantar o calor nos dias de temperatura mais elevada. O fogão a lenha é feito de alvenaria e não deve espalhar fumaça pela casa, aconselha Lages. É importante que o piso da fornalha – leito do fogo – tenha aclive de 3%, detalhe fundamental para ajudar na retirada da fumaça. “E é bom que tenha uma tira de bambu em cima do fogão para secar alguns produtos, como linguiça e toucinho”, ressalta.

No livro os autores destacam também a forma como a água vai ser recebida e vazada. Segundo eles, somente a água dos vasos sanitários deverá ser canalizada para a fossa, que tem que ficar bem distante dos córregos, nascentes ou poços artesianos. As demais, dos banheiros, da cozinha, do tanque, deverão ser devolvidas à terra, em terreno de grande permeabilidade, que vai recebê-las e absorvê-las. A água que sai das pias da cozinha deverá ir primeiro para uma caixa de gordura, para facilitar o desentupimento, desinfecção e limpeza dos canos. A instalação elétrica da casa também exige profissional habilitado, principalmente pelos riscos que sua instalação incorreta pode acarretar.

O melhor lugar para os animais

A estrutura do curral tem de ser feita de acordo com a necessidade para ser possível agregar valor à atividade

O curral é outro item de peso nas propriedades. Por isso, deve ganhar construção específica, de acordo com a atividade escolhida – corte, leite (como negócios) ou apenas para complementar a renda da fazenda. “A primeira coisa que a pessoa deve saber é o que vai fazer na propriedade. É muito comum ter o terreno e não saber o que vai ser desenvolvido nele”, afirma o argentino Ricardo Adrián Muradas, engenheiro-agrônomo e presidente da RAM Assessoria Econômica. Com 38 anos no mercado, Muradas é um dos principais nomes no país no desenvolvimento de planos diretores para fazendas de gado de elite, haras, condomínios e resorts.

A RAM oferece consultoria integral, que abrange desde a escolha da terra até o empreendimento pronto, com o paisagismo. A empresa tem atuação nacional e internacional, e conta com 624 projetos executados no Brasil e 52 no exterior. “Antes a propriedade rural era tida como hobbie. Hoje é atividade empresarial. As fazendas precisam passar por critérios técnicos para que sejam bem-sucedidas”, destaca Muradas.

Ele cita, por exemplo, as linhas hidráulicas, elétrica, de telefonia e a circulação como pontos fundamentais a serem analisados na propriedade. “Muitos proprietários nasceram na fazenda e têm conhecimento da prática: não sabem da teoria. Mas é preciso saber onde está a linha hidráulica e qual é a necessidade de água”, observa Muradas. Se o projeto de circulação de área é malfeito, por exemplo, o que poderia ser executado em três quilômetros de terreno pode gastar cinco, segundo ele.

O plano diretor de uma fazenda gasta de 70 a 80 plantas de construção, afirma Muradas. A equipe dele é formada por agrônomos, veterinários, arquitetos, engenheiros civis, zootecnistas, hipólogos, topógrafos, paisagistas, decoradores e desenhistas. “A agropecuária moderna exige o trabalho com projetos para agregar valor ao que está sendo construído”, diz o argentino. Um bom projeto, na sua avaliação, multiplica o valor da propriedade e é uma das boas formas de acumular capital. “Já um puxadinho para cá e outro para lá muitas vezes gasta dinheiro e não resolve o problema”, afirma.

FONTE: Estado de Minas.


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