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Relembre os 87 anos de Gabo: “não faço outra coisa senão escrever”

Vítima de infecção respiratória, colombiano dedicou mais de seis décadas à paixão pela literatura

 

Morre o escritor colombiano Gabriel García MárquezAutor de “100 anos de Solidão” faleceu em função de uma infecção respiratória

 

 (YURI CORTEZ / AFP)



Morreu nesta quinta-feira aos 87 anos o ganhador do prêmio Nobel de Literatura Gabriel García Marquez. De acordo com o Jornal El Colombiano, o escritor faleceu em decorrência de problemas que evoluíram para uma infecção respiratória. García morava na Cidade do México há 30 anos e, desde 1999, quando foi diagnosticado com câncer linfático, vinha enfrentando complicações de saúde.


No dia 31 de março, García deu entrada no no Instituto Nacional de Ciências Médicas e Nutrição Salvador Zubirán, no México após apresentar sintomas de pneumonia. Depois de ser medicado e reagir bem aos exames, ele recebeu alta na última terça-feira e foi para casa.

A família e os médicos decidiram que García não passaria por novos procedimentos cirúrgicos devido a idade avançada. Com 87 anos, García acumulou uma carreira sólida e cheia de premiações no mundo da literatura. Entre os trabalhos mais conhecido do autor está Cem anos de solidão, Entre Amigos e Relato de um náufrago.

 

No aniversário de 87 anos, em março, na Cidade do México, García Márquez fez última aparição pública (AFP PHOTO / Yuri CORTEZ )

No aniversário de 87 anos, em março, na Cidade do México, García Márquez fez última aparição pública

“Meu ofício não é publicar, mas escrever”, declarou Gabriel García Márquez ao desmentir, em 2009, rumores de que teria abandonado a literatura. Em entrevista concedida ao jornal colombiano El Tiempo, o autor foi sucinto e enfático: “a única coisa certa é que não faço outra coisa senão escrever”. Nascido na cidade de Aracataca, coração da região caribenha na Colômbia, o  jornalista e escritor premiado com o Nobel dedicou mais de seis décadas dos seus 87 anos ao ofício. Morto nesta quinta-feira, 17, vítima de infecção respiratória, Gabo coroou a carreira em vida com a publicação em vida de ‘Memórias de minhas putas tristes’ (2004).

Relembre visita do Jornal Estado de Minas à terra natal de García Márquez

Gabriel José García Márquez foi criado na casa dos avós maternos. O coronel Nicolas Márquez e Tranquilina Iguarán introduziram o menino no universo das fábulas e lendas – graças a eles, o futuro escritor despontaria como um dos talentos do realismo mágico. A família não o convenceu a concluir o curso de direito na Universidade Nacional de Bogotá. Gabo gostava, mesmo, era de escrever.

O ingresso no mundo das redações se deu no recém-fundado jornal El Universal, na década de 1940, quando ele publicou os primeiros contos. Márquez se tornou o primeiro crítico de cinema do jornalismo colombiano – antes mesmo de se destacar como cronista e repórter.

Sua reportagem “Relato de um náufrago” mostrou um homem corajoso, de esquerda, que exerceu influência na vida cultural de seu país. Essa matéria desagradou o ditador Roja Pinillas, general que comandou a Colômbia de 1953 a 1957, depois de um golpe de Estado.

Márquez foi para a Europa, mas logo voltaria à América Latina: trabalhou na Venezuela e Cuba. E também em Nova York, a meca capitalista. Dirigiu a agência de notícias cubana Prensa Latina, que surgira sob influência da revolução comandada por Fidel Castro.

Em 1960, García Márquez se estabeleceu no México, onde começou a escrever roteiros para cinema. A literatura, porém, era um compromisso: o romance Ninguém escreve ao coronel foi lançado em 1961; O veneno da madrugada, um ano depois. O insight para sua obra-prima, ‘Cem anos de solidão’, veio em 1966. Na verdade, há anos ele alimentava ideias que culminaram nesse livro. O “chamado” fez com que o jornalista consagrado deixasse o emprego e se isolasse por 18 meses, enquanto a mulher, Mercedes Barcha, sustentava os dois filhos, Rodrigo e Gonzalo.

Primeira edição de 'Cem anos de solidão', lançada em 1967; livro foi honrado com o Nobel de Literatura em 1982 (Reprodução da internet)
Primeira edição de ‘Cem anos de solidão’, lançada em 1967; livro foi honrado com o Nobel de Literatura em 1982

A saga da família Buendía e sua pequena Macondo se confunde com a história da América Latina, com seu monumental subdesenvolvimento entre revoluções, utopias e ditaduras. O best seller, comparado ao clássico Dom Quixote, vendeu mais de 50 milhões de cópias e fez de Gabo uma celebridade global. Lançado em 1967, Cem anos de solidão influenciou gerações de escritores e leitores.

Nos anos 1970, Márquez morou na Espanha, na Colômbia, no México e em Cuba. Acusado pelo governo de seu país de colaborar com a guerrilha, exilou-se no México. Em 1982, o Prêmio Nobel veio reconhecer uma trajetória dedicada às letras e à militância humanista.

O jornalismo, porém, estava no sangue do romancista: no fim da década de 1990, ele passou a dirigir a revista Cambio. Depois de ‘Cem anos de solidão’, Gabo lançou os elogiados ‘Crônica de uma morte anunciada’ e ‘O amor nos tempos do cólera’, além de ‘O general em seu labirinto’, ‘Notícias de um sequestro’ e ‘Memórias de minhas putas tristes’.

Cinema
Brasileiros participaram ativamente de projetos cinematográficos ligados a Márquez. O longa ‘Erendira’ (1983) foi estrelado por Cláudia Ohana e dirigido pelo cineasta moçambicano Ruy Guerra, radicado no Brasil. Diva dos palcos verde-amarelos, Fernanda Montenegro se destacou na adaptação de ‘O amor nos tempos do cólera’ (2007), dirigido pelo inglês Mike Newell.

 

García Márquez, o corpo e a alma do

realismo mágico

Seu último romance publicado foi ‘Memórias de minhas putas tristes’, de 2004

Bogotá – O escritor colombiano Gabriel García Márquez, falecido nesta quinta-feira, foi o mais conhecido e lido autor do realismo mágico latino-americano, a corrente que no século 20 sacudiu a literatura em espanhol.
Nascido em 6 de março de 1927 no povoado de Aracataca, na zona do Caribe da Colômbia, García Márquez deixou uma extensa lista de contos e romances, tendo como obra-prima Cem anos de solidão (1967).Ambientado na mítica aldeia de Macondo, Cem anos de solidão foi escrito em dias extenuantes na Cidade do México, onde sua família acumulava dívidas. Para enviar o original datilografado à Argentina, o escritor precisou penhorar até mesmo seu aquecedor elétrico, revelou seu biógrafo Gerald Martin.

Mas a recompensa chegou em 1972, quando recebeu pela obra o Prêmio Latino-Americano de Romance Rómulo Gallegos. Em 1982, foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura e é lembrado por ter ido à cerimônia em Estocolmo vestido de liqui-liqui, o tradicional traje caribenho.
Na época, em um discurso de intenso conteúdo político, definiu suas narrativas como “uma realidade que não é a do papel, mas que vive conosco e determina cada instante de nossas incontáveis mortes todos os dias, e que nutre uma fonte de criatividade insaciável, cheia de tristeza e beleza, da qual este errante e nostálgico colombiano não passa de mais um, escolhido pelo acaso”.

Informal, amistoso e brincalhão, Gabo, como é carinhosamente chamado por seus amigos e leitores, foi criado com seus avós maternos Nicolás Márquez, um veterano da Guerra dos Mil Dias, e Tranquilina Iguarán, que o encheu de histórias fantásticas.

Embora sua vida tenha sido marcada pela literatura e pelo jornalismo – entre suas frases mais famosas figuram “escrevo para que meus amigos me amem ainda mais” e “o jornalismo é a melhor profissão do mundo” -, García Márquez esteve sempre próximo da política.
Amigo de Fidel Castro, de Omar Torrijos e de Bill Clinton, defendeu a revolução cubana e a sandinista, defendeu os exilados das ditaduras do Cone Sul e foi membro do Tribunal Bertrand Russell contra crimes de guerra.

García Márquez esteve em Cuba como jornalista pela primeira vez em janeiro de 1959, às vésperas da revolução, e foi correspondente da agência cubana Prensa Latina em Bogotá, nesse mesmo ano, e em Nova York, em 1960.

Sua amizade com Fidel começou em meados dos anos 1970 e lhe valeu as críticas de muitos intelectuais. Mas o colombiano nunca escondeu sua admiração pelo líder cubano, a quem visitou até 2008 na ilha.”Nossa amizade foi fruto de uma relação cultivada durante muitos anos, na qual o número de conversas, sempre amenas, para mim, somaram centenas”, comentou Castro naquela ocasião.

 (AFP)

García Márquez saiu da Colômbia em 1954, quando sua crônica no jornal “El Espectador” sobre um naufrágio, publicada anos mais tarde como “Relato de um náufrago”, irritou o regime do general Gustavo Rojas Pinilla e os diretores do jornal decidiram enviá-lo para a Europa.
Viajou então para Genebra, Roma e Paris, onde concebeu e concluiu “Ninguém escreve ao coronel”, em um apartamento do Quartier Latin.

Em 1961, junto com sua mulher Mercedes Barcha, chegou à Cidade do México, onde viveu a maior parte de sua vida. Na capital mexicana, tornou-se amigo do escritor mexicano Carlos Fuentes, seu parceiro na escrita de vários roteiros para cinema que não tiveram sucesso.

Depois da publicação de Cem anos de solidão, mudou-se para Barcelona (Espanha), onde conheceu o peruano, também Nobel de Literatura, Mario Vargas Llosa. Os dois tiveram uma importante amizade desfeita abruptamente em 1976, com uma briga que os distanciou não apenas no campo pessoal, mas também nas posições políticas.

Os motivos desse incidente foram alvo de especulação por quase 40 anos, mas nenhum dos dois chegou a esclarecer o que ocorreu. “Vamos deixar esta pergunta sem resposta. É um acordo que García Márquez e eu temos. Vamos deixar para que nossos biógrafos, se os merecermos, investiguem a questão”, declarou em 2012 o Nobel peruano.

Nos últimos anos, García Márquez esteve afastado da vida pública, devido ao seu estado de saúde. Seu último romance publicado foi Memórias de minhas putas tristes, em 2004. Além de sua riquíssima obra literária, deixou como legado a Fundação do Novo Jornalismo em Cartagena (Colômbia) e a Escola de Cinema de San Antonio de los Baños (Cuba).

FONTE: Estado de Minas.



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