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Cidade do interior de São Paulo dá show na coleta e tratamento de lixo

Eis aqui um bom exemplo para o Brasil, que sofre sem um planejamento urbanístico adequado e em muitas vias sequer possui lixeiras

Nesta semana, o ATUAL traz uma série de reportagens sobre possíveis soluções para os problemas urbanísticos de Itaguaí. São quatro medidas que deram certo em cidades do Brasil ou do mundo e que poderiam ser também boas saídas ao caos urbano itaguaiense. Na matéria de hoje, um inovador sistema de coleta de lixo de uma cidade do interior do estado de São Paulo que chamou a atenção de internautas nos últimos dias.

Trata-se de um modelo de lixeiras urbanas que reduz em até 30% os custos da coleta. O sistema, importado pela empresa portuguesa Sotkon, diferencia-se por demandar menor mão de obra, pouco deslocamento de veículos e por facilitar a coleta seletiva. A cidade de Paulínia, situada a 120 km da capital São Paulo, importou o método em 2012 e foi a primeira do Brasil a implantá-lo. Desenvolvido na Europa em 1995, o sistema consiste em recipientes feitos de aço inoxidável, colocados na superfície de calçadas sobre grandes contentores subterrâneos.

Estes comportam até 700 kg de lixo e são divididos em quatro caixas, cada uma para um material reciclável específico. Os transeuntes descartam seus resíduos nos recipientes, que direcionam o material até os contentores. Desse modo, caminhões não precisam circular todos os dias para coleta de lixo.

Periodicamente os veículos vão aos locais e, através de um sistema de guincho, içam os contentores e os descarregam nas caçambas (veja na imagem que ilustra a matéria). Além disso, não há possibilidade de chuvas arrastarem os resíduos (o que poderia acarretar entupimento de bueiros e, consequentemente, alagamentos) ou animais de rua espalharem o lixo à procura de alimentos. O método ainda reduz problemas como o mau cheiro e a proliferação de insetos e outras pragas urbanas. E uma vez que se recolhe o lixo separadamente, a destinação para a reciclagem fica mais fácil e menos dispendiosa. Os gastos com mão de obra são menores e o serviço torna-se mais seguro para trabalhadores.

 

: No sistema de contentores, recipientes de inox conduzem o lixo até um compartimento no subsolo (Reprodução internet)

 

FONTE: Atual.


Engarrafamento de desculpas

Mais um acidente no Anel Rodoviário de BH expõe falta de coordenação entre responsáveis por liberação de pistas. BHTrans diz que só colabora, PM reclama dos bombeiros e eles se defendem, enquanto motoristas enfrentam mais de oito horas de congestionamento

Com pistas fechadas para remoção da carreta e limpeza, motoristas tiveram que suportar via marginal parada (Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Com pistas fechadas para remoção da carreta e limpeza, motoristas tiveram que suportar via marginal parada

Passado mais de um ano que uma sucessão de acidentes no Anel Rodoviário de Belo Horizonte espalhou o caos pela cidade e evidenciou a falta de um plano de contingência para a liberação rápida de vias – e um dia depois de um caminhão tombado fechar o tráfego por oito horas na Pampulha –, a falta de estrutura e de planejamento causou mais transtornos para usuários da rodovia que corta a capital, com reflexos em outras áreas. A origem do caos, desta vez, foi um acidente no km 16 do Anel, no Bairro Caiçara, Região Noroeste, onde uma carreta com produtos farmacêuticos tombou às 2h, no sentido Rio de Janeiro, destruindo 10 metros da mureta, arrancando um poste e derramando 300 litros de diesel na pista. Foi o suficiente para que a interdição durasse nada menos do que oito horas, até as 10h45. O caos se repetiu e muita gente a caminho do trabalho precisou passar pela pista marginal da rodovia, que registrou engarrafamento de seis quilômetros.

O desastre e o transtorno mais uma vez expuseram a falta de coordenação entre os encarregados de disciplinar o trânsito em Belo Horizonte e prestar atendimento em caso de desastres. A Polícia Militar Rodoviária (PMRv) alega ter várias dificuldades para liberação do Anel Rodoviário em caso de acidentes como o de ontem, já que não tem reboques e depende da boa vontade da BHTrans. Já a empresa municipal informa que a via é de jurisdição da PM e que apenas “colabora”, emprestando caminhões-guincho e munks, pois o que ocorre no Anel se reflete no trânsito da capital.

O comandante da PMRv no Anel, tenente Geraldo Donizete, afirma que muitas vezes também é preciso esperar o Corpo de Bombeiros lavar o óleo na pista para evitar mais acidentes. “Não temos alternativas para desviar o trânsito, temos dificuldade de chegar ao local com o reboque por causa dos engarrafamentos e há necessidade de equipes especializadas da Associação Brasileira de Produtos Químicos, dos bombeiros e de técnicos do meio ambiente quando o veículo acidentado transporta produtos químicos”, alegou.

Se as dificuldades e o desencontro entre os órgãos oficiais já são grandes durante o dia, quando o acidente acontece de madrugada, como foi o caso de ontem, a situação piora. O tenente Geraldo Donizete disse que a PMRv precisou de um caminhão munck da BHTrans para retirar blocos de concreto, um poste e a carreta da pista. Pela manhã, os PMs dependeram de bombeiros para limpar o trecho. Às 8h15, os militares jogaram no asfalto água e pó de serragem. O trabalho precisava ser feito duas vezes, mas a água do caminhão-tanque acabou. “Eles foram buscar mais água e sumiram”, reclamou o tenente Donizete. Às 9h15, o próprio tenente e outro policial rodoviário espalhavam serragem na pista, usando pás, na tentativa de apressar a liberação da via.

O Corpo de Bombeiros informou que, na ocorrência de ontem, os militares da corporação trabalharam até as 3h da madrugada, com aplicação de 15 sacos de serragem, para evitar derrapagens. Às 6h30 as equipes aplicaram mais serragem e fizeram a lavagem da pista, com 5 mil litros de água. Bombeiros permaneceram no local até cerca das 8h, quando retornaram à sede do 3º Batalhão para reabastecer, buscar mais serragem e trocar a equipe que estava no plantão. Nova equipe assumiu a ocorrência e retornou ao Anel em cerca de 35 minutos, encerrando os trabalhos por volta das 12h.

Para o comandante da PMRv, o que causa mais transtorno em caso de acidentes na rodovia que corta a capital é a falta de alternativas para desviar o trânsito. “A gente recebe apoio da BHTrans para controlar os veículos, mas não tem jeito quando tudo fica congestionado. Conseguimos outros caminhos com a viatura, mas com o deslocamento do guincho é difícil”, disse.

Outro problema, afirmou, é que o caminhão tombado somente pode ser desvirado quando toda a carga é retirada. Se o material transportado são produtos químicos, como ácido sulfúrico, a situação piora. “De acordo com as regulamentações da ONU, esses veículos somente podem ser movimentados com a presença de equipes especializadas. Dependendo de como tratar a carga, ela pode causar um dano muito maior. A gente precisa dos bombeiros, de técnicos do meio ambiente e de equipes da Associação Brasileira de Produto Químicos”, afirmou.

 Novela que   se repete

Os testes de paciência para motoristas em virtude de acidentes no Anel Rodoviário são frequentes e vieram em sequência no ano passado. Apenas em maio foram dois acidentes com consequências desastrosas para o tráfego em toda a capital. No dia 8 daquele mês, um caminhão-baú ficou atravessado sobre a mureta de proteção na altura do Bairro Buritis, Região Oeste, fechando duas pistas. Foi o suficiente para que o caos se instalasse nas ruas e avenidas e cruzasse a cidade. Quase sete horas depois, passando das 22h, alguns pontos ainda apresentavam retenção. Para chegar em casa, houve quem gastasse até quatro horas. Quinze dias depois, um veículo de carga com 274 toneladas, que ocupava as três faixas e carregava uma peça de 160 toneladas, enguiçou, também na altura do Buritis. Foram mais de três horas de fechamento de pistas e um congestionamento de 10 quilômetros.

Em julho de 2012, outro acidente no Bairro Betânia fechou o trânsito por seis horas. Uma carreta desgovernada bateu em oito veículos, matando uma pessoa e ferindo sete. Segundo a PMRv, a demora para a liberação da pista se deu por causa da limpeza da via. Em 25 de outubro, o tombamento de uma carreta carregada de gás de cozinha provocou 13 horas de transtorno não apenas na via, mas em quase toda a cidade. O tumulto começou ainda na noite anterior, por volta das 21h, quando o veículo se acidentou no km 3, entre os bairros Buritis e Betânia, no sentido Vitória, e só terminou após as 10h da manhã seguinte, quando o tráfego finalmente voltou ao normal. A pista permaneceu fechada durante toda a noite, e o congestionamento chegou a oito quilômetros nos dois sentidos da rodovia.

Palavra de especialista[Osias Batista Neto
consultor em transporte e trânsitoFalta somar esforços

“No fim das contas, ninguém se sente responsável por fazer o trânsito fluir. Se os órgãos se sentissem responsáveis, somariam esforços para liberar as vias o mais rápido possível. Fica essa discussão: ‘O Anel não é minha responsabilidade, é do governo federal; o Anel não é da polícia, a polícia não tem reboque; o Dnit também não tem e o reboque da BHTrans tem que tomar conta da cidade’. Tem também a questão de não haver um plano estratégico de contingência para o trânsito na cidade. Com a Copa do Mundo, pensa-se em uma central de controle em que todos os órgãos responsáveis vão estar juntos. Mas, em uma situação dessas, com tantas câmeras da BHTrans espalhadas pela cidade, as ações deveriam ser imediatas. Não dá para ficar parado, pensando. 
A cidade merece um tratamento mais objetivo.”

FONTE: Estado de Minas.


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