Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Ação contra boicote ao Enade

 

A partir de 2016, a participação na prova do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) vai se tornar obrigatória para todos os alunos que estão terminando a faculdade em qualquer curso ou instituição no país, valendo como pré-requisito para retirar o diploma. Além disso, a nota tirada na prova, que será digital, passará a constar do histórico escolar e contará como critério para o acesso à pós-graduação. Com o pacote de mudanças anunciadas ontem em Brasília pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, analistas do setor avaliam que o teste será visto com maior seriedade pelos formandos, funcionando como uma tentativa de esvaziar as possibilidades de boicotes organizados por estudantes e até por faculdades interessadas em não ser avaliadas do processo.“Diferentemente do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), em que é a vida do aluno que está em jogo – ele pula o muro e chora se chega atrasado –, no Enade a qualidade da instituição é que é avaliada. O estudante já está com a cabeça no mercado de trabalho, e acaba não participando”, disse ontem o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Ele afirmou ontem, em entrevista coletiva, que serão feitas audiências públicas para que a sociedade e as instituições possam contribuir com sugestões para esse processo de aprimoramento.

Segundo o ministro da Educação, a partir do ano que vem o MEC vai criar um Portal Oficial de Diplomas, que abrigará todos os diplomas que passaram pelo Enade para evitar fraudes e falsificações. “Da forma como está hoje, os estudantes não se sentem estimulados e entram em sala apenas por ser pré-requisito para retirar o diploma. Em seguida, zeram a prova. Às vezes, a própria instituição percebe que não tem condições de ser classificada e estimula o boicote dos alunos ao exame para escapar da avaliação”, afirma o consultor em educação Fernando Kutova, de Belo Horizonte.

O Enade avaliou 9.963 cursos de 2.042 instituições de ensino superior, com notas que vão de 1 a 5. No entanto, apenas 2,23% receberam a nota máxima. Já em relação às instituições de ensino superior, 1.571 tiveram avaliação satisfatória, enquanto 285 tiveram rendimento insatisfatório, podendo ser descredenciadas pelo MEC ou impedidas de abrir novos cursos. Ex-reitor de faculdade particular no Rio de Janeiro, o consultor educacional Júlio Furtado considera a revisão nos critérios um alívio para a maioria dos dirigentes de universidades, que muitas vezes ficavam à mercê do empenho de alunos em vias de pegar o diploma.

Furtado calcula que, na fórmula atual, os concluintes dos cursos tenham peso equivalente a cerca de 60% do Enade: “As mudanças no exame são bem-vindas para que passe a ser encarado de maneira mais séria pelos próprios alunos e dirigentes das escolas. Eu mesmo já vivenciei boicotes de formandos, que transformaram minha faculdade em um palco de guerra. O último caso foi de uma sala que criou uma comissão de alunos pressionando para fazer a monografia de conclusão do curso em dupla. Caso contrário, ameaçavam zerar a prova do Enade, prejudicando o conceito da nossa instituição. Criamos uma comissão de professores e conseguimos demovê-los da ideia”, exemplifica.


Histórico

Para entender o exame

O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) tem como objetivo é avaliar a qualidade dos cursos superiores.

Quem participa

Uma amostra selecionada de estudantes do primeiro e do último ano dos cursos. Para os alunos selecionados que estão terminando a faculdade a participação no Enade é obrigatória e condição indispensável para a emissão do histórico escolar. Estudantes não selecionados também podem fazer a prova, como voluntários.

Particularidades

Não avalia o desempenho do aluno, mas confere a qualidade dos cursos e o rendimento de seus alunos em relação aos conteúdos programáticos, suas habilidades e competências.

O que muda em 2016

A aplicação do teste será digital e anual, para todas as instituições e cursos. Além disso, a nota do aluno no Enade passa a ficar registrada no currículo escolar e a contar como critério para acesso à pós-graduação.

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FONTE: Estado de Minas.


Há 40 anos, era realizada a primeira comunicação via celular. Na época, o desenvolvedor Martin Cooper, autor da ligação, nem sonhava que o aparelho, de mais de 1kg, daria origem a verdadeiros computadores de bolso

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Martin Cooper sacou o telefone enquanto atravessava a Sexta Avenida, em Nova York: “Joel, aqui é o Marty. Estou te ligando de um telefone celular, um verdadeiro telefone portátil celular de mão.” A cena seria corriqueira, se não tivesse ocorrido em 1973, mais precisamente em 3 de abril, há exatos 40 anos. Essa foi a primeira conversa pública feita de um telefone celular, um acontecimento simbólico para uma época em que as pesquisas na área ainda engatinhavam, e chamadas sem fio pareciam pertencer a um futuro distante.
Outras vozes já haviam testado os telefones desconectados, mas a exibição de Cooper deixou claro que a tecnologia estava pronta para conquistar o mundo. Ele convocou a imprensa para demonstrar como o novo aparato funcionava e comprovou a eficiência do dispositivo com a ligação histórica. Como ainda não havia operadoras de celular, a linha do aparelho foi ligada ao sistema de telefonia convencional por uma estação-base instalada em um telhado da vizinhança. O desenvolvedor, que na época trabalhava para a Motorola, telefonou para Joel S. Engel, chefe da Bell labs. Na época, as duas empresas eram grandes rivais no mercado de telefonia.
O aparelho usado para a famosa conversa foi um protótipo da DynaTAC, desenvolvido pela Motorola e que só chegaria ao mercado uma década depois. O nome era uma sigla em inglês para Cobertura Dinâmica e Adaptativa de Área Total (Dynamic Adaptative Total Area Coverage). Pesando mais de 1kg, o equipamento em nada lembrava os smartphones usados hoje em dia. Para usá-lo, era necessário ouvir o sinal de discagem — igual ao dos aparelhos fixos — e economizar na conversa, já que a bateria não durava mais que 20 minutos.
O tamanho equivalia ao de dois iPhones enfileirados, e o formato lhe rendeu os apelidos de “tijolo” e “sapato”. “Tudo o que imaginamos era fazer um telefone superior que não ficasse preso à parede ou à mesa. Não tínhamos computadores pessoais nem telefone sem fio ou câmeras digitais. Era muito difícil imaginar que alguém consolidaria tudo isso em uma caixinha pequena”, comparou Martin Cooper em uma entrevista concedida em 2010 ao canal de tevê norte-americano C-SPAN.
A Motorola investiu 15 anos e mais de US$ 150 milhões para criar o aparelho, na época um item de luxo reservado a poucos. O telefone foi lançado em 1983 com o nome comercial de DynaTAC 8000X a um preço de quase US$ 4 mil (o equivalente a R$ 18,5 mil nos dias de hoje), e 900 mil unidades foram vendidas em apenas um ano.

Mobilidade Na década de 1970, telefones portáteis já eram uma realidade. No entanto, esses enormes aparelhos funcionavam por meio de sinais de rádio e só podiam ser vistos instalados em automóveis ou em pesadas malas que colocavam em xeque a ideia de mobilidade. “As experiências de Marconi deram origem à ideia de se comunicar à distância usando ondas eletromagnéticas. Assim, a telefonia nasceu sem fio, mas estava sujeita a muitas intempéries, e a telefonia com fio ganhou espaço”, ensina Gláucio Siqueira, professor do Centro de Estudos em Telecomunicações da PUC-Rio.

A adesão aos fios reservou as ligações desconectadas a telefonemas de longa distância, enquanto as conversas entre pessoas relativamente próximas eram feitas pelo sistema interligado. O número limitado de canais no mesmo espectro nunca permitira o uso de muitos aparelhos móveis simultaneamente. Ao mesmo tempo, muita informação se perdia nos longos cabos que partiam de uma região para outra, tornando necessário o uso das ondas de rádio para esse tipo de conexão.
O cenário só mudou com o aperfeiçoamento da tecnologia: enquanto invenções como a fibra ótica facilitaram as ligações entre cidades distantes, a manipulação das ondas tornou possível o uso de diversos telefones sem fio numa mesma região. “O que houve foi uma inversão de valores. O que era rádio ficou com fio, e o que era fio passou a ser rádio, com o advento do celular”, explica Siqueira. De acordo com o especialista, o uso de vários telefones móveis numa região só foi possível graças à divisão da cobertura em células, as antenas que poderiam compartilhar o mesmo canal para telefones de diferentes regiões. “É como uma tevê que, quando estava no Rio de Janeiro, pegava a Tupi no canal 4, mas, em outra cidade, pegava a Manchete no mesmo canal. É o mesmo espaço de frequência aberto para uma estação diferente em cada região. Isso só é possível porque é muito afastado.”

Evolução A telefonia celular só chegou efetivamente ao Brasil em 1991, quando a compra dos aparelhos era limitada, e tornou-se símbolo de status. Mas, enquanto brasileiros entravam em filas de espera e desembolsavam altas quantias para adquirir os primeiros celulares, o modelo analógico já era superado pelo digital nos Estados Unidos e na Europa.

A segunda geração de celulares trouxe consigo o início da padronização da tecnologia, permitindo o uso de um mesmo aparelho em vários países. A transmissão de dados em bits tornou o sistema mais eficiente, diminuindo o tormento de se obter e manter um sinal de qualidade. O tijolo de Cooper também foi superado por modelos menores, mais leves e mais eficientes, que também tinham agendas telefônicas, identificador de chamadas e até mesmo mensagens de texto.
Depois de conseguir levar o telefone para a rua e torná-lo mais eficiente que os aparelhos fixos, a indústria passou a investir em celulares que se igualassem a computadores. Foi o início da terceira geração de telefonia móvel, que usou a conexão de alta velocidade para a transmissão de fotos, vídeos e música, além da personalização dos sistemas. “É a chamada eterização, a tendência de compartilhar funções em menos dispositivos até eles evaporarem completamente. O material vai diminuindo, com uma tendência a desaparecer”, explica Jonatan Davi, gerente de novos projetos do Instituto Nacional de C&T em Convergência Digital (INCoD).
A tendência de miniaturização foi quebrada com o design do iPhone, pouco amigável a bolsos menos espaçosos. A nova tendência, de acordo com Jonatan Davi, é que o smartphone continue a acumular novas funções impulsionadas pela quarta geração de telefonia (que chega ao Brasil neste ano). Antes de voltar a encolher, os novos modelos já são adaptados para tarefas nunca imaginadas em 1973, como o monitoramento de pacientes à distância ou o pagamento de contas sem o uso de um cartão de crédito. “Hoje, eles se integram com computadores e passam a se comunicar via IP, se tornando microcomputadores de verdade”, aponta Jonatan. “Agora, o céu é o limite. Ainda há muitas ferramentas que podem ajudar a sociedade, essa é uma fronteira que continua pouco explorada”, avalia.

Nobel
Marquês Guglielmo Marconi foi o inventor do telégrafo sem fios e do rádio. O italiano se tornou famoso em 1899 ao estabelecer contato sem cabos entre a França e a Inglaterra, através do Canal da Mancha. Ele receberia o prêmio Nobel de Física 10 anos depois por colocar em prática as teorias propostas por Nikola Tesla na área da comunicação.

FONTE: Estado de Minas.


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