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Conjunto da Pampulha ganha título de Patrimônio Mundial da Unesco

Complexo modernista criado por Niemeyer foi avaliado em Istambul.
Os quatro prédios de BH foram construídos na década de 40.

Museu de Arte da Pampulha é um dos atrativos da capital (Foto: Carlos Alberto/Imprensa MG)Museu de Arte da Pampulha é um dos atrativos da capital
O Conjunto Arquitetônico da Pampulha se tornou Patrimônio Cultural da Humanidade neste domingo (17). A decisão foi tomada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em Istambul, na Turquia. Em Minas Gerais, os centros históricos de Ouro Preto e Diamantina, além do Santuário de Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas, já possuem este título. Agora são 20 os patrimônios mundiais da humanidade tombados pela Unesco no Brasil.

A informação foi confirmada pelo Ministro da Cultura, Marcelo Calero. Em sua conta no Twitter, Calero postou às 6h41 deste domingo: “Viva! Pampulha Patrimônio Mundial!”

“A candidatura foi muito bem fundamentada. O conjunto foi um marco da arquitetura mundial moderna nos anos 40”, disse o presidente do Icomos no Brasil, Leonardo Castriota. O órgão é uma entidade da Unesco que analisa candidaturas a Patrimônio Mundial da Humanidade.

Na do Casa do Baile, beleza dos traços de Niemeyer se funde à beleza da natureza (Foto: Reprodução/TV Globo)
Na do Casa do Baile, beleza dos traços de Niemeyer se funde à beleza da natureza

“O conjunto foi criado para que fosse um marco de modernidade. Teria que ser ousado. Oscar Niemeyer usou dos movimentos modernos para dar uma identidade vanguardista. JK já era um homem preocupado em trazer modernidade para a jovem capital que não tinha nem 40 anos”, disse o historiador e diretor do Arquivo Público de Belo Horizonte, Yuri Mesquita.

Para a manutenção do título, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) deve retirar a guarita da Casa do Baile, reestruturar as praças Dino Barbieri e Dalva Simão, demolir o prédio anexo do Iate Tênis Clube, além de despoluir a Lagoa da Pampulha.

Igreja da Pampulha despertou polêmica à epóca da inauguração e se consagrou como símbolo de Belo Horizonte (Foto: Reprodução/TV Globo)Igreja da Pampulha despertou polêmica à época da inauguração

A PBH informou que tem três anos para fazer as readequações necessárias. Ainda segundo a prefeitura, outros trabalhos de restauração das formas e curvas criadas por Niemeyer também estão previstos.

“Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein”, dizia o arquiteto.

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FONTE: G1.


Unesco envia parecer favorável para título da Pampulha
Unesco enviou ao Itamaraty parecer favorável; resultado final está previsto para o dia 20 de julho
pampulha
A Unesco enviou ao Itamaraty nessa terça-feira (17) um parecer favorável que deixa o Conjunto Moderno da Pampulha ainda mais próximo do título de Patrimônio Cultural da Humanidade. No documento constam a singularidade do conjunto e seus aspectos genuínos, elevando o complexo ao título.

Após passar por mais uma etapa, o conjunto aguarda o veredito final, marcado para o dia 20 de julho em Istambul, na Turquia, quando cerca de 200 países que compõem a Unesco se reunirão para analisar o complexo.

Por meio da assessoria de imprensa, o presidente da Fundação de Cultura, Leonidas Oliveira comemorou o parecer. “O parecer nos aproxima muito do título, mas, ao mesmo tempo, reforça o compromisso de toda a cidade e do país com a salvaguarda das obras dos grandes mestres da modernidade brasileira. Tendo o sítio ampliado para todo o entorno da lagoa, defronte aos bens, será necessário, e de forma permanente, o aprimoramento das políticas públicas dos órgãos da Federação, como IPHAN, IEPHA e Fundação Municipal de Cultura, visando ao monitoramento e a salvaguarda do conjunto”, explicou.

Veja os marcos da campanha:

Retomada da candidatura – 2012

A Pampulha está na lista indicativa do Brasil para o Patrimônio Mundial desde 1996 e sua candidatura à Patrimônio Cultural da Humanidade foi retomada pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura, em dezembro de 2012.

Entrega do Dossiê de Candidatura – 2014

No dia 12 de dezembro de 2014, a Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura, promoveu a entrega do Dossiê da candidatura do Conjunto Moderno da Pampulha ao título de Patrimônio Cultural da Humanidade ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Aceite da Unesco – 2015

Em março de 2015, a Organização das Nações Unidas para a Cultura, Ciência e Educação (Unesco) comunicou ao Itamaraty, à Prefeitura de Belo Horizonte e à Fundação Municipal de Cultura que a candidatura belo-horizontina havia sido aceita pela entidade.

Comissão de Gestão Integrada do Conjunto Moderno da Pampulha – 2015

No dia 19 de março de 2015, a Prefeitura de Belo Horizonte, através da portaria nº 6.526, criou uma Comissão de Gestão, envolvendo diversas secretarias municipais, com o objetivo de coordenar e articular ações, projetos e intervenções dos diversos órgãos públicos, bem como iniciativas do setor privado, na Região da Pampulha.

Comitê Gestor do Conjunto Moderno da Pampulha – 2015

Em setembro de 2015, a Prefeitura de Belo Horizonte deu posse ao Comitê Gestor do Conjunto Moderno da Pampulha. O grupo é responsável por promover a gestão compartilhada e a articulação entre as políticas municipal, estadual e federal e monitorar a efetividade das ações governamentais de proteção ao patrimônio.

Visita da representante do Icomos – 2015

De 28 de setembro a 1º de outubro de 2015, Belo Horizonte recebeu a missão de avaliação do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos). Durante quatro dias, a arquiteta venezuelana Maria Eugênia Bacci cumpriu uma recheada agenda na cidade com o objetivo de colher impressões e conhecer detalhes da candidatura do Conjunto Moderno da Pampulha a Patrimônio Cultural da Humanidade.

Revisão do Dossiê – 2016

Após a realização da Missão de Avaliação e do Painel de Especialistas do ICOMOS em 2015, foi solicitada a revisão do Dossiê da Candidatura com a inclusão de um Plano de Intervenção para o Conjunto. Para os especialistas do ICOMOS, o perímetro de tombamento proposto deveria conter a concepção inicial do arquiteto Niemeyer para os quatro edifícios que conformavam o Conjunto da Pampulha como complexo de lazer e turismo.

A revisão do perímetro de tombamento também deveria incluir o paisagismo de Burle Marx que juntamente com os edifícios conformam o projeto concebido originalmente. Assim, foram incluídas as áreas da Praça Dino Barbieri (em frente à Igreja São Francisco de Assis) e da Praça Alberto Dalva Simão (próxima à Casa do Baile), ambas projetadas por Burle Marx.

Anúncio oficial – 20 de julho de 2016

Está marcado para o dia 20 de julho de 2016, em Istambul, a 40ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, quando representantes dos cerca de 200 países que compõem a Unesco se reúnem e, em conjunto, decidem se o Conjunto Moderno da Pampulha recebe o título de Patrimônio Cultural da Humanidade.

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FONTE: O Tempo.


Conjunto arquitetônico da Pampulha faz 70 anos no dia 16, e PBH apressa as obras de revitalização de toda a área para obter da Unesco título de Patrimônio da Humanidade
Igreja de São Francisco, símbolo maior do conjunto projetado por Oscar Niemeyer, encomendado por JK (Beto Novaes/EM/D.A Press)
Igreja de São Francisco, símbolo maior do conjunto projetado por Oscar Niemeyer, encomendado por JK

No entardecer de 1940, logo depois de eleito prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek (1902–1976 ao olhar para a represa da Pampulha, obra iniciada em 1936, na gestão de Otacílio Negrão de Lima (1897–1960), para dar à cidade uma área de lazer, tomou uma da mais felizes e bem-sucedidas decisões de sua vida: ampliar o espelho d’água e construir no entorno um conjunto arquitetônico e paisagístico sem similar. No mesmo ano, conheceu e se uniu a Oscar Niemeyer (1907–2012), que se tornaria uma das figuras mais expressivas da arquitetura moderna no país. Encomendou o projeto arquitetônico e, com grande pompa, JK convidou o então presidente da República, Getúlio Vargas (1882–1954), para a inauguração de sua marcante idealização, em 16 de maio de 1943, dia em que BH parou.

O conjunto arquitetônico e paisagístico da Pampulha, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), completa 70 anos no próximo dia 16. JK não imaginava que uma obra tão suntuosa pudesse cair no esquecimento. E, por incrível que pareça, quase caiu no ostracismo. A Igreja de São Francisco de Assis, ou Igrejinha da Pampulha, o Museu de Arte (antigo Cassino) da Pampulha, a Casa do Baile e o Iate Tênis Clube, decorados por obras de geniais artistas plásticos, sofreram desgaste e depois de muito esforço e cobranças foram restaurados.

Os cinco jardins do paisagista Burle Marx (1909–1994) estão sendo agora retocados, mais ainda há muito a ser feito, como a despoluição da represa, para que o conjunto, que inclui ainda o Mineirão, o Mineirinho, o Parque Ecológico Promotor Francisco Lins do Rego, o Jardim Zoológico e outras edificações, obtenha da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) o título de Patrimônio da Humanidade, requerido em 1996.

Para inaugurar o conjunto que o arquiteto e paisagista Ricardo Lana classifica como “o mais incisivo do realismo brasileiro”, e outras obras de modernização, JK chamou o povo um evento à altura da sua obra grandiosa. Convidado, o presidente Getúlio Vargas desembarcou cedo no aeroporto da Pampulha. Antes, foi a Lagoa Santa participar da solenidade de abertura de uma fábrica de aviões. De volta, foi levado à Praça Vaz de Melo (onde está hoje o desengonçado Complexo da Lagoinha), ponto de partida festa. Às 15h30, o presidente cortou a fita simbólica para abrir a tráfego a Avenida Pampulha (hoje Antônio Carlos).

Ao lado do prefeito e do então governador Benedito Valadares (1892–1973), o presidente seguiu em cortejo pela nova avenida até a Pampulha. Ao chegar à lagoa, cerca de 20 mil pessoas o aguardavam na orla. BH tinha cerca de 212 mil moradores, e pelo menos 20% da população participou da festa.

SONHO Em seguida, Getúlio saiu para um passeio na represa, em lancha pilotada pelo próprio Juscelino, o que seria impossível hoje pela deprimente condição da água. Quem conheceu o diamantinense JK, que governaria o país de 1956 a 1961, sabia que ele não perderia uma oportunidade como aquela. “O passeio foi no momento em que o pôr do sol dava grande beleza à paisagem”, floreou um jornalista da época.

BH ganhava a obra, sonho de JK, que Oscar Niemeyer classificou como o despertar de sua carreira, a referência para o projeto de Brasília, também iniciativa de Juscelino, inaugurada em 1960. “A Pampulha foi o começo de minha vida de arquiteto”, escreveu ele no livro As curvas do tempo. O professor da Escola de Arquitetura da UFMG Flávio Carsalade considera o conjunto da Pampulha a “maioridade da arquitetura brasileira. Enquanto o mundo ainda valorizava o ângulo reto, ela explode em curvas”. O traçado, segundo ele, teria origem nos contornos da mulher brasileira e das montanhas, sendo um dos exemplos mais sensíveis dessa marca registrada a Casa do Baile. Que o sonho de JK e transformado em realidade por mestres da arquitetura e do paisagismo nunca mais sofra descaso, como desejou JK.

Recebido pelo prefeito Juscelino Kubitschek, presidente Getúlio Vargas desembarca na Pampulha para participar da inauguração das obras

Esforço de JK e talento de Niemeyer

Para obter da Unesco o título de Patrimônio da Humanidade para a Pampulha, a prefeitura tem muito o que fazer. As exigências são muitas. Devem ser cumpridas e os resultados apresentados ao Iphan. Para tanto, o Executivo municipal criou duas comissões, a de trabalho e a de notáveis, esta para as ações de bastidores no organismo internacional. A missão mais espinhosa é a da comissão de trabalho. Entre suas atribuições estão a coordenação e o acompanhamento dos serviços de restauração do conjunto.

O paisagista e arquiteto Ricardo Lana está feliz com a restauração dos jardins de Burle Marx. “As obras de Niemeyer começam a ser valorizadas pelos jardins.” Mas lamenta a degradação da água da Pampulha, como mostrou o EM na edição de terça-feira (páginas 17 e 18 do caderno Gerais). Os indicadores de poluição são os mais negativos da história dos 70 anos da represa. Entende que é importante a harmonia entre monumentos e paisagem. Só ficou feliz quando soube que a prefeitura está determinada a investir não só na recuperação do espelho d’água.

A Fundação Municipal de Cultura, por meio de seu assessor de imprensa, Ricardo Mendicino, informa que bastaria o tratamento do espelho d’água para o reconhecimento da Unesco, “mas a prefeitura vai investir mesmo é na despoluição da lagoa e das nascentes”. Entende a administração municipal que se não houver uma ação decisiva nos leitos dos córregos que abastecem a represa, como o Ressaca e o Sarandi, o trabalho será inócuo. “Já há até orçamento liberado”, afirma Mendicino.

A prefeitura esperava obter no ano que vem o título reivindicado desde 1996, mas de acordo com o assessor o prazo é curto para cumprir o cronograma. Por isso, o sonho fica adiado para 2015. Até a sinalização para pedestres e recuperação das calçadas de pedras portuguesas estão previstas no calendário de obras municipais, o que anima Ricardo Lana. “Hoje, nem os trajetos entre um monumento e outro são sinalizados.” Lana espera ver o conjunto arquitetônico e paisagístico da Pampulha em harmonia e digno do seu idealizador e do gênio que o projetou e em harmonia. Se tombado como Patrimônio da Humanidade, seria o reconhecimento do esforço de JK e da explosão do talento de Niemeyer.

LINHA DO TEMPO
– 1936: O então prefeito Otacílio Negrão de Lima dá início à construção da barragem da Pampulha, para dar à cidade uma área de lazer, obra ampliada por JK no início dos anos 1940
– 1940: JK, eleito prefeito de Belo Horizonte, conhece Oscar Niemeyer, ao qual encomenda um projeto arquitetônico para a orla da Lagoa da Pampulha
– 1943: Com a presença do então presidente da República, Getúlio Vargas do então governador Benedito Valadares, JK inaugura o complexo de lazer e turismo
– 1946: O então presidente da República, Eurico Gaspar Dutra, proíbe os jogos de azar no Brasil, e o Cassino da Pampulha é fechado. Prédio foi reaberto em 1957 como Museu de Arte
– 1959: A Arquidiocese de BH finalmente consagra a Igrejinha da Pampulha, depois da recusa em 1943, porque discordava das linhas curvas de Niemeyer
– 1996: O município reivindica da Unesco o título de Patrimônio da Humanidade para o conjunto da Pampulha, que só será concedido depois das restaurações
– 2002: A Casa do Baile, fechada em 1946 e depois usada com outros fins pelo município, é transformada em centro destinado ao urbanismo, arquitetura e design.

FONTE: Estado de Minas.


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