Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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DESCREDENCIAMENTO À VISTA…

O Ministério da Educação abriu processo administrativo contra 79 instituições de ensino superior que tiveram avaliações ruins no Índice Geral de Cursos (IGC), usado para mensurar a qualidade de ensino, e que nunca responderam os chamados para tentarem sanar as deficiências encontradas. Desde esta quarta-feira, 18, as instituições estão proibidas de participar no processo seletivo do programa Universidade para Todos (ProUni), não poderão ter novos contratos de Financiamento Estudantil (FiEs) e nem fazer parte do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). 

A abertura do processo administrativo pode levar ao descredenciamento definitivo de todos os cursos. Algumas delas tiveram a avaliação ruim em 2011 e até hoje não apresentaram ao ministério um plano para resolver as deficiências. Também há cursos que foram mal avaliados em 2012 e 2013. As instituições têm 15 dias para apresentar sua defesa, mas a legislação prevê que, se não concordarem com um plano de saneamento, poderão ser descredenciadas. A portaria que determina a abertura do processo foi publicada ontem no Diário Oficial. 
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Todas as que estão em processo de descredenciamento agora foram chamadas pelo MEC depois do resultado das avaliações para assinar um Termo de Saneamento de Deficiências, um mecanismo em que os cursos ficam sob supervisão direta e se comprometem a resolver os problemas apontados por uma comissão de especialistas. Nenhuma das 79 aceitou a supervisão até hoje. 

Entre os cursos estão 14 de São Paulo, como a Faculdade de Tecnologia Pentágono, Faculdade Intesp e as Faculdades Integradas de Cruzeiro. Na lista não há nenhum Centro Universitário ou Universidade, apenas instituições menores, como faculdades isoladas ou integradas que contém um grupo de cursos limitado.

Desde que receberam as avaliações ruins já tiveram suspensos os processos de abertura de cursos e de novas vagas, assim como a de realizar novos vestibulares ou reduzir os processos, punições iniciais determinadas pelo MEC para instituições mal avaliadas. A portaria de ontem é o primeiro passo para o descredenciamento definitivo.

Procurada, a Associação Brasileira das Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES), tradicionalmente crítica ao processo de avaliação do MEC, prometeu apresentar sua posição sobre o processo, mas não respondeu os questionamentos até a noite desta quarta.

 

 

DESP./ ANO NO. PROCESSO DE SUPERVISÃO CÓD. IES NOME DA IES UF
2 3 8 / 2 0 11 2 3 0 0 0 . 0 1 7 3 1 3 / 2 0 11 – 6 3 467 FACULDADE  DE  CIÊNCIAS  CONTÁBEIS  DE  ITAPETININGA SP
2 3 8 / 2 0 11 2 3 0 0 0 . 0 1 7 3 1 5 / 2 0 11 – 5 2 345 ESCOLA  DE  ENGENHARIA  KENNEDY MG
2 3 8 / 2 0 11 2 3 0 0 0 . 0 1 7 3 1 8 / 2 0 11 – 9 6 622 FACULDADES  INTEGRADAS  SILVA  E  SOUZA RJ
2 3 8 / 2 0 11 2 3 0 0 0 . 0 1 7 3 2 3 / 2 0 11 – 0 7 728 FACULDADE  DE  CIÊNCIAS  HUMANAS  DE  CURVELO MG
2 3 8 / 2 0 11 2 3 0 0 0 . 0 1 7 3 2 4 / 2 0 11 – 4 3 743 ESCOLA  SUPERIOR  DE  ENSINO  HELENA  ANTIPOFF RJ
2 3 8 / 2 0 11 2 3 0 0 0 . 0 1 7 3 2 8 / 2 0 11 – 2 1 1534 FACULDADE  DE  CIÊNCIAS,  LETRAS  E  EDUCAÇÃO  DO  NOROESTE  DO  PARANÁ PR
2 3 8 / 2 0 11 2 3 0 0 0 . 0 1 7 3 4 2 / 2 0 11 – 2 5 1815 FACULDADE  DO  INSTITUTO  BRASIL GO
2 3 8 / 2 0 11 2 3 0 0 0 . 0 1 7 3 4 3 / 2 0 11 – 7 0 1674 INSTITUTO  SALESIANO  DE  FILOSOFIA PE
2 3 8 / 2 0 11 2 3 0 0 0 . 0 1 7 3 4 4 / 2 0 11 – 1 4 1792 FACULDADE  DE  EDUCAÇÃO  DE  VITÓRIA PR
2 3 8 / 2 0 11 2 3 0 0 0 . 0 1 7 3 4 8 / 2 0 11 – 0 1 2133 FACULDADE  DE  CIÊNCIAS,  EDUCAÇÃO  E  TEOLOGIA  DO  NORTE  DO  BRASIL  –  FACETEN RR
2 3 8 / 2 0 11 2 3 0 0 0 . 0 1 7 3 5 4 / 2 0 11 – 5 0 1781 FACULDADE  INTESP SP
2 3 8 / 2 0 11 2 3 0 0 0 . 0 1 7 3 6 1 / 2 0 11 – 5 1 17165  (antiga 3683) FACULDADE UNILAGOS PR
2 3 8 / 2 0 11 2 3 0 0 0 . 0 1 7 3 6 5 / 2 0 11 – 3 0 3978 FACULDADE  DE  TECNOLOGIA  PENTÁGONO SP
2 3 8 / 2 0 11 2 3 0 0 0 . 0 1 7 3 6 8 / 2 0 11 – 7 3 3807 FACULDADE  DE  TECNOLOGIA  IAPEC PR
2 3 8 / 2 0 11 2 3 0 0 0 . 0 1 7 3 7 0 / 2 0 11 – 4 2 3004 INSTITUTO  DE  ENSINO  SUPERIOR  SANTA  CECILIA AL
197/2012 23000.000519/2013-16 145 FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAS – FCHS RJ
197/2012 23000.000523/2013-84 364 FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS DE PONTE NOVA – FACE MG
197/2012 23000.000525/2013-73 410 FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS ESUDA – FCHE PE
197/2012 23000.000538/2013-42 11 0 3 FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO SÃO PAULO – FAPI SP
197/2012 23000.000541/2013-66 11 8 1 FACULDADE BRASÍLIA DE SÃO PAULO – FABRASP SP
197/2012 23000.000547/2013-33 1296 ESCOLA SUPERIOR DE MARKETING – ESM PE
197/2012 23000.000548/2013-88 1315 FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA SERRA – FASE ES
197/2012 23000.000557/2013-79 1501 FACULDADE LATINO AMERICANA DE EDUCAÇÃO – FLATED CE
197/2012 23000.000569/2013-01 1568 FACULDADES INTEGRADAS DE CARATINGA – FIC MG
197/2012 23000.000574/2013-14 1634 FACULDADE DOCTUM DA SERRA (ANTIGA FACULDADE BATISTA DA SERRA) ES
197/2012 23000.000583/2013-05 1722 FACULDADE DE PORTO VELHO – FIP RO
197/2012 23000.000586/2013-31 1728 FACULDADE INTERAMERICANA DE PORTO VELHO – UNIRON RO
197/2012 23000.000590/2013-07 1865 INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO ALVORADA PLUS – ISEAP SP
197/2012 23000.000614/2013-10 2322 FACULDADE ATENEU – FATE ES
197/2012 23000.000623/2013-19 3242 FACULDADE DE TECNOLOGIA E GESTÃO (FACULDADE ALFA BRASIL -FA A B ) PR
198/2012 23000.000324/2013-76 447 FACULDADE CATÓLICA DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS DA BAHIA – FACCEBA BA
198/2012 23000.000326/2013-65 509 FACULDADES INTEGRADAS DE CRUZEIRO – FIC SP
198/2012 23000.000331/2013-78 639 FACULDADE DE DESENHO INDUSTRIAL DE MAUÁ – FADIM SP
198/2012 23000.000334/2013-10 708 INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS – UNEB DF
198/2012 23000.000340/2013-69 759 FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS E PARAMÉDICAS FLUMINENSE – SEFLU RJ
198/2012 2 3 0 0 0 . 0 0 0 3 4 1 / 2 0 1 3 – 11 768 FACULDADE  DE  ADMINISTRAÇÃO  DE  NOVA  ANDRADINA  –  FANA MS
198/2012 23000.000344/2013-47 822 ESCOLA SUPERIOR DE ESTUDOS EMPRESARIAIS E INFORMÁTICA – ESEEI PR
198/2012 23000.000346/2013-36 833 FACULDADES INTEGRADAS DE ARIQUEMES – FIAR RO
198/2012 23000.000348/2013-25 900 FACULDADE DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS E DE TECNOLOGIA – FATEC RO
198/2012 23000.000351/2013-49 950 UNIÃO DE ENSINO SUPERIOR DE NOVA MUTUM – UNINOVA MT
198/2012 23000.000359/2013-13 11 6 2 FACULDADE DE ALTA FLORESTA – FAF MT
198/2012 23000.000373/2013-17 1803 FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS DE PERNAMBUCO – FATEC PE
198/2012 23000.000385/2013-33 1638 FACULDADE DO AMAZONAS – IAES AM
198/2012 23000.000386/2013-88 1637 FACULDADE DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS DE MACEIÓ – FAMA AL
198/2012 23000.000387/2013-22 1628 FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS DE AGUAÍ – FACHA SP
198/2012 23000.000400/2013-43 1395 FACULDADE DE CALDAS NOVAS – UNICALDAS GO
198/2012 23000.000404/2013-21 1243 FACULDADE COMUNITÁRIA DE ADMINISTRAÇÃO DA SERRA – FCAS ES
198/2012 23000.000429/2013-25 2677 INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO SÃO JUDAS TADEU – ISESJT PI
198/2012 23000.000439/2013-61 2435 FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS LUIZ MENDES – LUMEN FACULDADES PB
198/2012 23000.000442/2013-84 2288 FACULDADE ALMEIDA RODRIGUES – FAR GO
198/2012 23000.000457/2013-42 1906 INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR MATERDEI – MATERDEI AM
198/2012 23000.000462/2013-55 3954 FACULDADE DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E GERENCIAIS DE OLIVEIRA – FACIJUGO MG
198/2012 23000.000466/2013-33 5520 FACULDADE CATHEDRAL – FACES RR
207/2013 23000.020682/2013-03 1454 FACULDADE SALESIANA DO NORDESTE PE
207/2013 23000.020686/2013-83 1715 FACULDADE DO SUL DA BAHIA BA
207/2013 23000.020687/2013-28 1756 FACULDADE ASSOCIADA BRASIL SP
207/2013 23000.020692/2013-31 1806 FACULDADE FERNÃO DIAS SP
207/2013 23000.020693/2013-85 1903 FACULDADE CRISTO REI PR
207/2013 23000.020695/2013-74 1951 INSTITUTO DE EDUCAÇÃO E ENSINO SUPERIOR DE SAMAMBAIA DF
207/2013 23000.020698/2013-16 1969 FACULDADE DOS IMIGRANTES – FAI RS
207/2013 23000.020700/2013-49 2317 FACULDADE DO DESCOBRIMENTO BA
207/2013 23000.020707/2013-61 3568 FACULDADE DE DESENVOLVIMENTO E INTEGRAÇÃO REGIONAL PE
207/2013 23000.020709/2013-50 4209 FACULDADE DE TECNOLOGIA CÉSAR LATTES SP
207/2013 23000.020710/2013-84 4693 FACULDADE DE TECNOLOGIA DE NOVA ANDRADINA MS
207/2013 2 3 0 0 0 . 0 2 0 7 11 / 2 0 1 3 – 2 9 5394 INSTITUTO  DE  ENSINO  SUPERIOR  INTEGRADO-IESI MG
208/2013 23000.020718/2013-41 977 FACULDADE SÃO CAMILO BA
208/2013 23000.020722/2013-17 1099 FACULDADE DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS GERENCIAIS DE SÃO PAULO SP
208/2013 23000.020723/2013-53 11 2 3 INSTITUTO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR UNYAHNA DE SALVADOR BA
208/2013 23000.020724/2013-06 11 9 1 INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR DE FORTALEZA CE
208/2013 23000.020727/2013-31 1394 FACULDADE CASTRO ALVES BA
208/2013 23000.020729/2013-21 1441 FACULDADE DE TECNOLOGIA DO PIAUÍ PI
208/2013 23000.020731/2013-08 1463 FACULDADE ALFACASTELO SP
208/2013 23000.020733/2013-99 1696 FACULDADE CENTRAL DE CRISTALINA GO
208/2013 23000.020734/2013-33 1798 FACULDADE EDUCACIONAL DE CORNÉLIO PROCÓPIO PR
208/2013 23000.020735/2013-88 1801 FACULDADE DOM BOSCO DE UBIRATÃ PR
208/2013 23000.020742/2013-80 2137 FACULDADE SÃO MARCOS TO
208/2013 23000.020753/2013-60 3186 FACULDADE DE SÃO ROQUE SP
208/2013 23000.020755/2013-59 3760 FACULDADE ITABORAÍ RJ
208/2013 23000.020757/2013-48 3769 FACULDADE MADRE TEREZA AP

 

 

 

 


 

EDUCAÇÃO 2.0 
E a escola também caiu na rede
Ensino a distância supera estigmas do passado e já representa cerca de 40% dos estreantes em cursos superiores. Em todo o Brasil, são quase 6 milhões estudando em ambiente virtual

 

 

Se fossem moradores de uma única cidade, os estudantes que hoje estão na educação a distância (EAD) poderiam ocupar uma metrópole do tamanho do Rio de Janeiro. No país, são quase 6 milhões de alunos matriculados nos chamados cursos livres – de curta duração e, geralmente, voltados para capacitação e aperfeiçoamento – em busca de um diploma de ensino superior, em disciplinas isoladas da graduação e na pós-graduação. Alunos mais maduros e com menos tempo disponível formam o perfil desse universo virtual que, antes visto com desconfiança pelo mercado e no próprio meio universitário, perdeu estigmas nos últimos anos e ganhou força, com a adesão de grandes instituições, entre elas as universidades públicas.


Estima-se que hoje quase 40% dos estreantes do ensino superior sejam da EAD. Em todo o país, são ofertados 6.591 cursos, em 2.060 municípios. Em Minas, há 361 opções, distribuídas em polos de atendimento de 240 cidades. O último senso da educação superior, divulgado no ano passado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostrou que a modalidade a distância já representa 15% do total de matrículas na graduação – cerca de 1,2 milhões em números absolutos, muito além das 5 mil feitas 10 anos atrás. Enquanto as matrículas avançaram 3,1% nos cursos presenciais, entre 2011 e 2012, naqueles a distância o aumento foi quatro vezes maior (12,2%).


O modelo varia entre cada instituição e pode ser totalmente a distância ou com aulas presenciais periódicas. Mas, por exigência do MEC, provas são aplicadas exclusivamente com a presença do aluno. Pedagogos e técnicos das mais diversas mídias preparam o material em ambiente virtual, no qual a interação entre professores e alunos ocorre por mensagens, fóruns e bate-papos. Marcos André Kutova, diretor da PUC Minas Virtual, que oferece a modalidade há 15 anos, diz que o desafio é mostrar ao aluno o que melhor lhe convém. “No modelo tradicional, o professor está ditando o tempo todo o que fazer. Num curso on-line, o estudante tem que ser totalmente disciplinado, porque, embora receba apoio e estímulo, não há esse controle”, pondera.


Outra vantagem apontada pelo diretor é a de aproveitamento de 100% dos cursos. “O aluno dá atenção à sua aula quando tem tempo e condição de se envolver, não é como na sala, que tem aquele com sono, que quer bater papo ou não pôde ir. Problemas que surgem do interesse, do compromisso e até da condição emocional não são aspectos da EAD”, ressalta.


A cobrança é mais rigorosa pela plataforma virtual. Na PUC Minas, 70% dos pontos são distribuídos em provas presenciais, individuais e sem consulta. Dos quase 50 mil alunos de graduação da instituição, 20% fazem pelo menos uma disciplina a distância por semestre. Nos 15 cursos de pós-graduação, os 2,5 mil alunos representam um crescimento de 200% em relação a 2012, segundo Kutova. “A pós a distância tem tido um crescimento muito interessante no país inteiro e pega um profissional mais maduro e focado, que depende de objetividade”, relata.


Para ele, a expansão da EAD vai promover uma mudança radical no cenário global. “Não é ousado dizer que a educação presencial não sobreviverá nem por mais 10 anos sem a incorporação de alguma mediação tecnológica. O curso dessa modalidade está fadado a acabar muito em breve”, prevê. Nesse contexto, o desafio fica para o professor, que terá de mudar sua prática. “Hoje, dá para dizer seguramente que a maior parte do conhecimento acadêmico está disponível gratuitamente na internet. Ou seja, o docente não pode mais ser mero transmissor de informação, tem que reinventar métodos”, afirma.

MERCADO Marcos Kutova acrescenta que um termômetro dessas mudanças é o próprio mercado, que diminuiu a desconfiança em relação aos egressos da EAD. “O diploma é o mesmo e não há selo dizendo que o curso foi feito a distância. Além disso, o aluno carrega no currículo a constatação de que tem disciplina e sabe lidar totalmente com tecnologia”, diz. Segundo ele, são muitos os casos em que os formados pela modalidade assumiram cargos importantes em empresas ou instituições públicas.


Caso do ex-aluno Arney Ramos de Oliveira, de 56 anos, formado em administração no fim do ano passado. Empregado há muitos anos no setor da construção civil, ele atribui à graduação a distância o cargo de executivo na área comercial de uma das maiores empreiteiras do país. Formado em educação física, profissão que nunca exerceu, e com uma faculdade de economia não concluída, adiou a entrada no curso dos sonhos por causa das constantes mudanças de cidade exigidas pelo trabalho. Apenas durante os quatro anos de estudos on-line, morou em Campinas (SP), Rio de Janeiro, Itaboraí e São Gonçalo (RJ) e, no último período do curso, se mudou para Belo Horizonte. 
Ele lembra as dificuldades em matemática financeira e cálculo e dos vários exercícios que encontrou no YouTube para ajudá-lo a esclarecer dúvidas. Os horários eram similares aos de um curso presencial, com estudos rigorosos à noite, depois do trabalho. “Tem que ter muita persistência, pois essas matérias sem um professor ao lado não são fáceis. Algumas pessoas ainda acham que é balela, mas só quem faz sabe a dificuldade”, relata.


Para Arney, a plataforma é uma oportunidade para quem não tem condições de fazer de outra forma. “É uma maneira de seguir aquilo que não foi possível no passado. O diploma não é virtual. Gestores mais novos ainda veem com certa desconfiança, mas os mais velhos valorizam pela capacidade de a pessoa ter aprendido por si mesma”, analisa.

Longe dos olhos, perto do diploma
Confira o avanço da educação não presencial 

6.591
cursos a distância em 2.060 municípios de todo o país

361
opções não presenciais em Minas, distribuídas em 240 cidades 

1,2 milhão
de matrículas na graduação em 2013, contra 5 mil feitas há 10 anos

4 vezes
é a proporção entre o crescimento do ensino superior a distância (12,2%) e o das aulas convencionais (3,1%) entre 2011 e 2012

 

Sob as bênçãos dos papas do ensino superior
Antes predominante entre escolas privadas, ensino a distância tem adesão em massa de universidades federais e estaduais consagradas, que agora oferecem cursos em todo o país

 

 

Após trancar matrícula em curso convencional por questão de saúde, Solange da Silva encontrou no ensino não presencial a solução para continuar (beto novaes/EM/D.A Press)
Após trancar matrícula em curso convencional por questão de saúde, Solange da Silva encontrou no ensino não presencial a solução para continuar

A adesão de instituições públicas de ensino superior de todo o país ao universo da educação a distância (EAD) foi a chancela que faltava para atestar a qualidade dessa modalidade de ensino. O setor público começou a ocupar fração significativa nesse panorama com a criação da Universidade Aberta do Brasil (UAB), uma espécie de plataforma que concentra e regulamenta os cursos da modalidade entre institutos, faculdades e universidades estaduais e federais. A adesão em massa mudou um cenário existente há até seis anos, quando 81% dos alunos da EAD estavam matriculados em escolas privadas. 

Hoje, são 103 instituições de ensino, distribuídas em 650 polos pelo Brasil. Só na UAB há, em média, 80 mil formandos em um universo de 430 mil ingressantes. A maioria se forma em cursos de licenciatura e em cursos de especialização voltados para professores e profissionais que já atuam no mercado de trabalho. A expectativa é de oferta ainda maior, principalmente de vagas nos cursos para tecnólogos, com a entrada dos institutos federais na plataforma.

Para se ter ideia desse crescimento, em Minas Gerais, todas as 11 federais oferecem cursos não só no estado, como pelo Brasil afora. O modelo é de aulas semipresenciais, com encontros periódicos nos polos de ensino. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), uma das maiores do país, oferece cinco graduações: ciências biológicas, matemática, química, pedagogia (licenciatura) e geografia (bacharelado). Hoje, atua em 40 polos no estado e, em breve, deverá ter cursos de especialização e graduação também em São Paulo. Desde 2008, quando se formou a primeira turma, quase 500 estudantes obtiveram diploma nos cursos de licenciatura, de um total de 2,6 mil ingressantes. 

A proporção de quem entra e quem conclui chama a atenção, mas o diretor da EAD da universidade, Wagner José Corradi Barbosa, alerta tratar-se do mesmo percentual de formandos dos cursos presenciais. Em biologia, a média é de 80%; em geografia, 60%; matemática e química, em torno de 30%; e em pedagogia, o índice de alunos que concluem a graduação fica acima de 90%. Ele ressalta que o plano pedagógico, o material ofertado aos alunos e até a estrutura dos laboratórios instalados nos polos para as aulas práticas são idênticos aos oferecidos nas salas de aula convencionais da instituição. 

“O grande engano é que a pessoa imagina que a coisa ocorre por mágica. O aluno senta, lê o conteúdo e está aprendido, como aquele estudante que vai à sala de aula e somente de escutar o professor acha que vai assimilar. Mas aprendizado é sempre o esforço do aluno, seja a distância ou presencial, para entender o conteúdo”, diz. 

O diretor destaca que todos os cursos da EAD, instituições, polos e alunos também são avaliados pelo Ministério da Educação (MEC), no Índice Geral de Cursos (IGC) e no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). “Além da avaliação interna, quem diz que os cursos são de qualidade é a avaliação externa. E grande parte dos alunos formados tem que colar grau antes, porque são aprovados em concursos públicos e precisam do título para assumir o cargo. O mercado está reconhecendo que esse aluno tem qualidade”, afirma. 

Barbosa garante: alunos da educação a distância não perdem em nada para os do ensino presencial. “Os professores, alunos da pós-graduação que ajudam na tutoria, créditos e disciplinas são os mesmos e até a ementa é igual. Só muda a modalidade”, relata. Segundo ele, a grande crítica do passado recaía sobre a falta de tutores qualificados e os casos de professores com número excessivo de alunos, o que impedia atendimento de maneira mais individualizada.

DESCONFIANÇA Diretor do Centro de Educação a Distância (Cead) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), na Zona da Mata, Flávio Iassuo Takakura acredita que grande parte da desconfiança que rondava a modalidade está superada pelas competências e habilidades adquiridas pelos estudantes. “Para que tenham sucesso, eles precisam ser determinados, porque não há um professor em sala para cobrar as tarefas. Também precisam ser proativos, para pesquisar e ter uma formação melhor. São virtudes que levarão para o resto da vida”, ressalta.

A universidade tem, hoje, 3.441 estudantes na pós-graduação e em sete graduações. São 56 polos de apoio presencial, dos quais 30 estão em Minas Gerais, 21 em São Paulo e o restante nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraíba e Rio Grande do Sul. De acordo com Flávio Takakura, nas instituições públicas tem mudado o perfil do aluno, cada vez mais jovem, inclusive na faixa de 17 a 18 anos. “Além de se identificarem mais, são motivados pela qualidade e pelo interesse do mercado de trabalho por pessoas formadas nessa modalidade”, diz. 

É o caso da editora de vídeo Raphaela Benetello, de 22 anos. Formada em comunicação social na própria UFJF, vai começar a segunda graduação, em ciência da computação, a distância. A possibilidade de integrar tecnologia da informação com comunicação motivou a escolha. “Como sempre gostei de tecnologia e trabalho no Cead, acabei unindo o útil ao agradável”, conta. 

Ela vê prós e contras entre as modalidades de ensino. “O aluno tem que ser muito disciplinado e, principalmente, ter muita perseverança nos cursos a distância”, diz. Ela já sabe que, ao contrário do presencial, em que o aluno vai para a faculdade e ouve o professor, de longe ele precisa achar esse tempo e sentar à frente do computador, não importa a hora. Por outro lado, na modalidade tradicional de estudo, existe a convivência com o ambiente universitário e com os colegas. Mas ela aposta no espaço que a plataforma virtual está ganhando: “As pessoas estão começando a trabalhar cada vez mais cedo ou interessadas numa segunda graduação”.

ANTES DE ESCOLHER 

» Avalie que tipo de curso quer fazer, se totalmente a distância ou semipresencial. No primeiro caso, o aluno ganha autonomia e flexibilidade, mas precisa de discipilina. Se for para a modalidade errada, é grande a chance de fracasso

» Consultar no http://emec.mec.gov.br  a condição e a nota do curso. De forma geral, o indicado é fazer uma avaliação da instituição, verificando também o desempenho de outros cursos, para saber sobre a qualidade geral

» Conheça a instituição em vez de decidir só pelo preço. Mais do que dinheiro, está em jogo um projeto de vida 

 Fonte: Marcos André Kutova/ Diretor da PUC Minas Virtual

Raio-x da educação não presencial
Graduação 

1,2 milhão de alunos estreantes

130 mil concluintes

Disciplinas a distância

340 mil alunos

40 mil concluintes

Cursos livres

4,3 milhões de estreantes

1,5 milhão de concluintes

Fonte: Censo da Educação Superior/MEC

Tendência sem retorno

 

“O aluno tem que ser muito disciplinado e, principalmente, ter muita perseverança nos cursos a distância” – Raphaela Benetello, da UFJF, que fará a segunda graduação aderindo à plataforma virtual

“Não é melhor nem é pior. É outra modalidade.” Assim define a educação a distância o coordenador da comissão responsável pelo setor na Universidade Fumec, Dalton Reis Leal, destacando a qualidade dos cursos não presenciais. Segundo ele, o reconhecimento é atestado pelas avaliações do MEC e, em muitos casos, as notas superam as dos cursos presenciais. Na avaliação de Leal, é um mercado em crescimento contínuo. “É um caminho sem volta e os números nacionais mostram isso”, afirma. A expansão na própria Fumec é um exemplo. A instituição oferece, hoje, a 4.226 alunos, oito cursos de graduação e seis de pós a distância. Em 2010, havia pouco mais da metade de estudantes – 2.308. 

O perfil de quem se matricula é de um público mais maduro, com faixa etária superior a 30 anos, a maioria atuando no mercado de trabalho e com família constituída. Flexibilidade, tempo e custo menor são algumas das motivações apontadas pelo coordenador para a escolha da modalidade. “O aluno da EAD é mais disciplinado e organizado com seus horários, mais consciente da importância de seu papel como agente de aprendizado. No mundo atual, em que as coisas mudam com uma velocidade tremenda, quem tem condição mais desenvolvida de aprender por si próprio, com auxílio de pessoas que podem estar do outro lado do mundo, se destaca”, diz.

Aluna do 3º período de gestão de recursos humanos da Fumec, Solange Terezinha da Silva, de 31 anos, sabe bem o que é isso. Ela foi obrigada a trancar o curso de letras na PUC quando descobriu um problema grave de saúde que a levou para uma cadeira de rodas durante nove meses e se diz realizada com a opção do ensino a distância. O cansaço e o estresse do deslocamento até a faculdade – ela terminava as aulas às 22h30 e chegava em casa à meia noite – são revertidos agora em uma rotina dura de estudos, mas sem perda de tempo. “Nosso maior medo é de que o mercado olhe a EAD com olhos ruins, mas quando pesquisei sobre a modalidade, vi que não é assim”, conta. 

A cada 15 dias, Solange tem aulas presenciais, aos sábados. “Só lamento não ter descoberto antes a EAD. O ensino superior era minha meta de vida. Fiquei muito frustrada quando tive de trancar meu curso, e já havia perdido muitos anos tentando o vestibular da universidade federal. Hoje, o ensino está mais perto”, ressalta.

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA
A UNIVERSO oferece várias opções de cursos livres (mais de 800) e graduação (25) a distância.
Para a cidade de Belo Horizonte:
Administração, Análise e desenvolvimento de sistemas, Biblioteconomia, Ciências biológicas, Ciências contábeis, Comércio exterior, Engenharia ambiental, Engenharia de produção, Geografia, Marketing, Gestão ambiental, Gestão de recursos humanos, Gestão Financeira, Gestão hospitalar, Gestão Pública, História, Matemática, Negócios imobiliários, Letras (Português, Literatura e Espanhol), Logística, Pedagogia, Projetos gerenciais, Secretariado, Segurança no trabalho e Serviço social.
EAD
Há vários outros para diversas outras cidades.

 

 

FONTE: Estado de Minas e UNIVERSO.



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