Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Cidadão perdido na noite

Viver perto de casas noturnas e bares É UM DRAMA NA CAPITAL. E pedir socorro à PBH pode não adiantar, verificou o EM, que acionou 10 vezes a fiscalização de trânsito sem sucesso

Noites Sem Lei

Quando não se pode contar com a fiscalização ostensiva de trânsito da BHTrans, da Guarda Municipal e da Polícia Militar, o que resta a moradores que têm suas garagens bloqueadas por carros e a passageiros cujo espaço nos pontos de ônibus foi roubado por veículos é ligar para o disque denúncia 156 da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Contudo, no vale-tudo da noite belo-horizontina, nem mesmo telefonar para as autoridades municipais e solicitar a desobstrução de locais com veículos estacionados de forma irregular é garantia de que isso vá ocorrer. Para comprovar esse drama, sobretudo para pessoas que moram próximas a casas noturnas, bares e restaurantes, a reportagem do Estado de Minas circulou nas noites de quarta e quinta-feira nas redondezas de alguns desses estabelecimentos e acionou a fiscalização da PBH por telefone 10 vezes para pedir providências. Apesar da promessa dos atendentes de que viaturas da BHTrans iriam aos locais para rebocar quem estava desobedecendo as regras de trânsito, em nenhum caso os agentes apareceram para tomar uma atitude. Isso, mesmo depois de a reportagem insistir e ligar cobrando uma resposta.

Infrações

Imperam abusos de grande ousadia pelas vias dos quarteirões que cercam o trecho de 230 metros da Rua Pium-Í, no Bairro Cruzeiro, entre as ruas Rio Verde e Montes Claros. O local é onde mais infrações de trânsito foram flagradas pela reportagem. O volume de carros que chega para abastecer os 15 bares que funcionam nesse segmento é tão grande que dois estacionamentos foram abertos para dar conta da demanda por vagas. Na quarta-feira, noite de futebol, todas as casas noturnas estavam abertas e movimentadas. Na esquina com a Rua Rio Verde, um flanelinha sentado numa cadeira de plástico abordava quem ia estacionar na rua, ofertando o serviço de vigilância do veículo mesmo para quem parava em locais proibidos.

No lado direito da rua, 15 veículos estavam parados em estacionamentos proibidos, invadindo um ponto de ônibus e bloqueando a garagem de uma casa. Às 20h06, a reportagem fez o primeiro contato por telefone pelo número 156 requisitando providências da PBH em todo o trecho da Rua Pium-Í. “Nossa fiscalização vai enviar a equipe mais próxima para averiguar a situação”, disse em resposta quase automática a atendente que registrou a reclamação após passar um número de protocolo. A reportagem esperou que alguém aparecesse por uma hora e meia, mas nem sinal das autoridades de trânsito. Enquanto isso, as vagas nas ruas foram ficando tão cheias que os carros que chegavam começaram a estacionar sobre as faixas de pedestres de todos os cruzamentos, sem qualquer constrangimento. Uma viatura da Polícia Militar era a única presença da lei a passar por lá com frequência, mas sem tomar qualquer atitude sobre esse problema.

Às 21h40, a reportagem ligou novamente para reclamar sobre o não comparecimento dos fiscais na Rua Pium-Í. A resposta foi inesperada. “Nossa equipe informou ter comparecido ao local e não constatado nenhuma irregularidade. Quer gerar uma nova solicitação?”, perguntou um atendente. Mais uma vez, ninguém apareceu para desobstruir os lugares irregularmente ocupados pelos veículos, que por lá permaneceram madrugada adentro pelo tempo que seus proprietários quiseram. “Para a gente que pega ônibus, esse tanto de carro parado no ponto é muito ruim. Se a gente fica no passeio, não consegue ver o ônibus vindo e o motorista não enxerga a gente. Se não formos para a rua, acabamos perdendo o ônibus ou temos de sair correndo para pedir para abrir a porta quando o motorista para no trânsito da frente dos bares”, reclama a secretária Maria Silveira Pinho, de 43 anos, que diariamente embarca no ônibus da linha 9106 para ir de sua casa, no Bairro Sagrada Família (Região Leste), para o escritório onde trabalha, no Cruzeiro.

Nos bairros São Pedro e Santo Antônio, na Região Centro-Sul, os bares e uma boate que ficam na Rua São Romão, entre as ruas Lavras e Santo Antônio do Monte também atraem muitas pessoas que acabam estacionando em locais proibidos. Mais uma vez, a reportagem usou o telefone para acionar a fiscalização de trânsito, às 20h30 de quinta-feira. Dessa vez, uma minivan da BHTrans apareceu descendo a rua em questão e parou no semáforo da esquina com a Rua Viçosa, de onde era possível enxergar vários carros parados em local proibido, ocupando o espaço que era para ser usado pelos carros, caminhões e ônibus para manobrar. Só que em vez de descer para conferir ou acionar os caminhões de reboque, os agentes viraram na Rua Viçosa sem nem sequer passar pelo local indicado na reclamação. Questionada sobre o fato, a atendente da PBH mais uma vez disse que a equipe esteve no local, mas que não constatou qualquer irregularidade.

Apesar de ter todos os protocolos abertos pela reportagem indicando infrações e requisitando a fiscalização, até o fechamento desta edição a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) não soube responder por que seus agentes nem sequer compareceram aos locais, apesar de cada abertura de protocolo ter sido seguida de cobrança e de uma resposta dos atendentes, ainda que insatisfatória.

OLHOS FECHADOS

Ao longo de 100 metros de faixas onde é proibido estacionar e inclusive numa curva estreita, cada centímetro da Avenida Prudente de Morais foi ocupado por um dos 23 carros que conseguiram se amontoar ali. Os proprietários dos veículos se divertiam num bar próximo, na esquina com a Avenida do Contorno, e deixaram seus carros em posição que tornava a via mais estreita ao tráfego e atrapalhava as garagens de dois edifícios na noite de quinta-feira. Mesmo depois de uma viatura da Guarda Municipal estacionar perto do local, nenhum dos clientes do bar saiu para retirar o veículo em evidente transgressão de trânsito. Os guardas que lá apareceram também não importunaram os donos dos carros nem acionaram qualquer órgão competente para realizar o reboque e aplicar multas.

Segundo informou a assessoria de imprensa da Guarda Municipal, “somente os agentes do grupamento de trânsito estão credenciados para realizar fiscalização e autuação. Tais podem ser diferenciados e reconhecidos pelo uso da cobertura (quepe) branca”.

Ruído a 30 metros de estabelecimento no Bairro Buritis chega a 87 decibéis, quase o dobro do permitido Ruído a 30 metros de estabelecimento no Bairro Buritis chega a 87 decibéis, quase o dobro do permitido

Um serviço que funciona

O barulho provocado por igrejas, comércios e casas noturnas também pode ser denunciado pelo telefone 156. A reportagem do Estado de Minas testou também a eficiência do serviço e ao contrário da fiscalização de trânsito, os agentes do disque sossego responderam prontamente, marcando imediatamente uma visita à residência de quem se queixou dos ruídos de música alta e dos frequentadores de bares e boates. O serviço é regionalizado, ou seja cada uma das nove secretarias de administração regionais tem uma equipe com medidores de pressão sonora que vão até as casas avaliar a intensidade do incômodo.

No Bairro Buritis, na Região Oeste, um dos estabelecimentos no entorno do Uni-BH reuniu um grande número de jovens para uma apresentação musical no seu interior, na noite e madrugada da  quinta-feira. A música e os gritos dos frequentadores chegaram a registrar 87 decibéis (dB) a uma distância de 30 metros do estabelecimento, superando em 93% o limite estabelecido pela legislação municipal que é de 45 dB para o período a partir da meia-noite. O ruído, que àquela distância é quase tão intenso quanto o de um secador de cabelos, escapa para os edifícios vizinhos pela cobertura do bar, que é vazada, levando os vizinhos a protestar.

No Bairro São Pedro, na Região Centro-Sul, os ruídos da música de uma boate na Rua São Romão eram contidos pelo tratamento acústico do estabelecimento, mas a gritaria dos frequentadores ao deixar ou chegar à casa noturna causam grande incômodo aos vizinhos, sobretudo na madrugada. A reportagem foi também ao Bairro União, na Região Nordeste, na Avenida Alberto Cintra, onde a edição da semana passada denunciou abusos com som alto em várias casas noturnas. Na quinta-feira, ainda que o ruído externo chegasse aos 70 decibéis na madrugada, não foram constatados exageros nas músicas de sons mecânicos e apresentações ao vivo.

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FONTE: Estado de Minas.


Bares no entorno de faculdade criam ‘inferno’ para moradores
Multidão de estudantes se concentra em estabelecimentos até a madrugada, ocupando rua e calçadas

Uni

Obstáculo. Porteiro teme problemas provocados por estudantes que se aglomeram em frente a edifício

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Quatro barzinhos no mesmo quarteirão de uma via residencial estreita vendem cerveja long neck por R$ 2,50 a poucos metros de uma faculdade. É nesse cenário que a rua Vitório Magnavacca, no bairro Buritis, na região Oeste da capital, se tornou há poucos meses um point para estudantes e um verdadeiro inferno para moradores.

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Desde fevereiro, pelo menos oito inquilinos de um prédio residencial acima dos estabelecimentos já se mudaram em razão da bagunça. Em meio à multidão de estudantes que tomam conta da rua nas quintas e sextas-feiras, é acrescido um playlist de músicas que vai de sertanejo e samba a axé e funk. Em volume alto, a cada dois minutos as músicas estão no som de um carro diferente.

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O movimento dos bares no entorno de universidades ocorre principalmente em início de semestre, época das famosas calouradas, e tem sido sinônimo de transtorno para áreas residenciais. No Buritis, a concentração de alunos está no entorno do Centro Universitário Belo Horizonte (Uni-BH).
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No dia 8 de agosto, as festas no entorno da Pontifícia Universidade Católica (PUC Minas) foram interrompidas pelo assassinato de um jovem de 22 anos, caso que motivou a regulamentação dos serviços de bares e um maior rigor na realização de eventos. Há dois anos, os mesmos problemas ocorriam no bairro Cruzeiro, na região Centro-Sul, onde fica a universidade Fumec.

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Balada. Na última semana, a reportagem percorreu regiões onde há a combinação de bares e faculdades. É no intervalo das aulas, às 20h30, que os estudantes trocam as salas de aulas pelas farras no bairro Buritis e deixam ruas, passeios e portas de prédios totalmente ocupados, inclusive com alunos tocando instrumentos em plena calçada. “Eu que chamei a bandinha e negociei a promoção da cerveja no bar”, contou um universitário, que não quis ser identificado.

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Veja vídeo

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FONTE: O Tempo.


MP nega pedido de moradores e mantém carnaval no Santa Tereza até as 19h

A decisão foi tomada no fim da tarde desta quarta-feira durante reunião no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). No encontro, a promotora afirmou que o som mecânico ou não, só poderá funcionar até as 18hs

carnaval

O Carnaval no Bairro Santa Tereza, na Região Leste de Belo Horizonte, irá até as 19h. A promotora Luciana Ribeiro da Fonseca, da Promotoria de Habitação e Urbanismo, não acatou o pedido da Associação Comunitária do Bairro Santa Tereza (ACBST) para que o horário fosse estendido na região. A decisão foi tomada no fim da tarde desta quarta-feira durante reunião no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). No encontro, a promotora afirmou que o som mecânico ou não, só poderá funcionar até as 18hs.

O pedido para a extensão do Carnaval no bairro foi feito pela a Associação Comunitária do Bairro Santa Tereza. Porém, a Polícia Militar (PM), a Belotur e Associação dos Amigos do Bairro Santa Tereza, se colocaram contra. Na primeira reunião sobre o tema, a Polícia Militar informou a dificuldade em montar um esquema de segurança no horário entendido por causa da falta de efetivo no 16º Batalhão para atender a esta demanda.A situação foi discutida nesta quarta-feira durante encontro, assim como o incidente que aconteceu no Bairro Santa Tereza no último domingo, quando três pessoas acabaram baleadas em uma festa pré-carnaval. “A promotora levou em consideração os argumentos da PM e da Belotur que acharam que a folia deveria terminar mais cedo para evitar problemas. O que aconteceu no domingo também foi discutido, mas temos que lembrar que a festa aconteceu sem a autorização da prefeitura e da PM”, explica o presidente da Associação dos Amigos do Bairro Santa Tereza, Luiz Góes.

O presidente comemorou a decisão e disse que era um desejo dos moradores do bairro. “Nós queríamos que o acordo feito no ano passado com o MP fosse mantido, assim como os moradores. Apenas a ACBST queria isso”, comenta Góes. Segundo ele, a PM vai aumentar a segurança na região, já que a previsão é que mais pessoas frequentem a zona boêmia neste ano em comparação com 2014.

O em.com.br tentou contato com a Associação Comunitária do Bairro Santa Tereza (ACBST), mas ninguém foi encontrado para falar sobre o assunto.

FONTE: Estado de Minas.


Vizinhos do barulho

Moradores do Centro e Região Centro-Sul de BH sofrem com festas que varam a madrugada

Quem mora perto de locais de bailes funk de BH apelam à PM, à direção de universidade e até a janelas especiais para tentar pôr fim a madrugadas sem sono

 
Arte: Quinho / EM / D.A Press

Moradores de prédios no Centro de Belo Horizonte e no Bairro São Lucas, Região Centro-Sul da capital, não conseguem mais dormir nos fins de semana por causa de bailes funk que chegam a durar até 48 horas, com a música a todo volume. Vítimas de um barulho ensurdecedor, essas pessoas já recorreram à Polícia Militar e à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), sem qualquer solução. No caso dos condomínios localizados na Região Central, o problema será levado ao conhecimento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pois a casa onde acontecem as festas barulhentas é a antiga sede do Diretório Central dos Estudantes (DCE), na Rua Guajajaras.
O barulho durante as festas no casarão é tanto, segundo os vizinhos, que muitos estão indo dormir e estudar em casas de parentes e amigos, todo fim de semana, em busca de sossego. “São muitos idosos morando na região e isso está afetando a saúde deles e de quem precisa dormir para trabalhar cedo. Sou professor e não consigo corrigir provas”, reclama o professor Rubens Figueiredo Evaristo, de 53 anos, síndico do prédio ao lado do casarão. “A gente telefona para a Polícia Militar, mas ela não resolve nada”, completa.

A última festa na velha sede do DCE começou na noite do dia 4, quinta-feira, e se prolongou até o feriado de segunda-feira, dia 8, segundo Rubens. “Toda madrugada é uma turma diferente na casa. São muitos adolescentes e rola muita bebida. Algumas vezes, é tanta gente que uma turma grande fica do lado de fora, na calçada. Eles fazem as necessidades em público, nas árvores e entre os carros, e não tem isso de ser homem ou mulher”, reclama o professor. Ele conta que no domingo o barulho era tão intenso que abafava o ruído dos foguetes soltos pela torcida do Cruzeiro, que comemorava mais uma vitória no Campeonato Brasileiro. “Uma vez, tentei conversar com os frequentadores da casa, mas um deles respondeu que idoso que quiser sossego deve voltar para o interior. Foi muito desagradável”, disse Rubens.

A publicitária Gabriela Benfica, de 24, também mora num edifício vizinho ao casarão e espera uma intervenção da UFMG. “Há um ano, quando mudei para cá, havia festas e reuniões dos estudantes, mas não causavam incomodo. Pelo que me disseram, fiscais da Secretaria Municipal de Meio-Ambiente tinham feito uma medição, em novembro do ano passado e, depois de constatado o nível acima do tolerável, a situação foi contornada. Só que nos últimos seis meses os organizadores dos eventos têm extrapolado”, reclama a publicitária. Gabriela diz que já registrou boletins de ocorrência na Polícia Militar e enviou e-mails para a UFMG, mas não foram tomadas medidas para minimizar os impactos. “Pelo que me disseram, com as restrições das festas no câmpus da Pampulha, aqui virou sede dos eventos estudantis, mas que na verdade são abertos aos mais variados públicos”.

Depois do sofrimento do fim de semana, os moradores dos prédios na região se reuniram e decidiram tomar algumas providências para tentar, mais uma vez, resolver a situação, uma vez que as ocorrências registradas na Polícia Militar e as reclamações encaminhadas à PBH não surtiram efeito. Uma das iniciativas será denunciar o problema à UFMG, por entenderem que a instituição de ensino teria alguma responsabilidade sobre a situação. Procurada pelo Estado de Minas, a UFMG informou que não é dona do imóvel, que pertence ao Diretório Central dos Estudantes, mas que vai procurar os dirigentes da entidade estudantil para conversar com eles e pedir o fim do barulho. A data dessa reunião, entretanto, não foi definida pela direção da universidade.

São Lucas Problemas com festas também ocorrem no Bairro São Lucas. Sem ter a quem recorrer, uma empresária, que pediu para não ser identificada, vai trocar todas as janelas do seu apartamento por outras com isolamento acústico. Um baile funk que acontece todo fim na Rua Argemiro Rezende Costa com Tarumirim, distante dois quilômetros da sua casa, não a deixa dormir. “Começa toda sexta-feira a partir das 20h. Minha janela fica trepidando. Não consigo dormir em nenhum lugar da casa nem escutar a televisão com tanta barulho”, reclama. “Fecho portas e janelas para abafar o som e até coloco toalhas debaixo das portas, mas não adianta”, lamenta. A empresária disse já ter feito várias denúncias à prefeitura e à PM, mas não obteve respostas. 

A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos informou que faz fiscalização preventiva e monitora fontes poluidoras com reincidência de reclamações. Disse, ainda, que as queixas diminuíram de janeiro a outubro deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, de 6.184 para 5.693 queixas – média de 19 por dia. Ainda de acordo com a secretaria, os infratores estão sujeitos a multas de acordo com a gravidade do ruído, de R$ 111,62 a R$ 13.951,89. Em caso de reincidência, os valores dobram. “O estabelecimento comercial ainda pode ter a sua atividade interditada parcial ou totalmente e até mesmo ser cassado o Alvará de Localização e Funcionamento de Atividades ou de licença”, informou. 

A Polícia Militar disse que trabalha em parceria com a prefeitura auxiliando na fiscalização e que apenas dá suporte porque o município não tem poder de polícia para garantir a integridade física dos seus fiscais na ação. Informou, ainda, que quando recebe denúncia manda uma equipe ao local para verificar a demanda e que orienta a pessoa a abaixar o som. “A PM não tem equipamento para medir o volume do barulho e não pode autuar o infrator”, informou a assessoria de imprensa.

O que diz a lei

Perturbação do trabalho ou do sossego alheio pode resultar em prisão de até três meses, independentemente do volume do ruído, segundo o artigo 42 da Lei das Contravenções Penais. Por outro lado, a prefeitura pode multar pessoas e fechar estabelecimentos, explica a defensora e diretora da Escola Superior de Advocacia da seção mineira  da OAB, Silvana Lobo. A Lei das Contravenções Penais, segundo ela, por não considerar a quantidade de decibéis. “O que interessa é o incômodo. A penalidade é prisão simples de 15 dias a três meses ou multa”, disse. Silvana Lobo afirma ainda que há possibilidade de condenação por danos morais.

Enquanto isso…

…Campeões de reclamações

Levantamento da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos mostra que bares, restaurantes e casas de show são os que mais tiram o sono da população durante a madrugada. Os estabelecimentos e eventos noturnos são responsáveis por 70% das 5.693 queixas que chegaram ao Disque-Sossego de janeiro a outubro deste ano, mas festas particulares também têm deixado muita gente com os nervos à flor da pele por não conseguir dormir. E o que não falta é reclamação à fiscalização da prefeitura e também ao atendimento da Polícia Militar, que nunca aparece quando é chamada, segundo as pessoas.
 

FONTE: Estado de Minas.


Proposta que tramita na Câmara de BH enquadra na Lei do Silêncio donos de carros que abusam do som e da paciência alheia. Punição que pode chegar à apreensão do veículo gera críticas de fãs do batidão

pancadão 

Em apenas 90 dias, entre janeiro e março, a Prefeitura de Belo Horizonte recebeu 1.986 reclamações de pessoas incomodadas com barulho excessivo, média de 22 queixas por dia. No mesmo período, o número de advertência e multas por desrespeito à Lei do Silêncio aumentou 60,3% na capital, saltando de 69 nos três primeiros meses de 2012 para 174 neste ano. Na avaliação da Polícia Militar, uma das infrações mais difíceis de coibir é a música alta emitida por automóveis. Com ouvidos abertos para o problema, tramita na Câmara Municipal projeto de lei que propõe que veículos que perturbarem o sossego alheio possam ser apreendidos. A proposta ainda aguarda votação em primeiro turno, mas donos de carros com equipamentos de som potentes já fazem coro para criticá-la.

A Lei Municipal 9.505, de 2008, prevê que das 7h01 às 19h a “emissão de ruídos, sons e vibrações” não ultrapasse os 70 decibéis (db), o que equivale ao barulho produzido por um aspirador de pó. Entre 19h01 e 22h, a taxa não pode ser superior a 60 db, limite que cai para 50 db entre 22h01 e 23h59 e para 45 db entre 0h e 7h. Às sextas, sábados e vésperas de feriado, o nível admitido até as 23h é de 60 db. O artigo 13 da mesma lei define que os infratores, além de serem obrigados a cessar a barulheira, podem ser advertidos ou multados, terem a atividade comercial interditada parcial ou totalmente e até terem o alvará de funcionamento cassado.

O Projeto de Lei 355, proposto em fevereiro pelo vereador Silvinho Rezende (PT), institui uma nova penalidade: apreensão da “fonte móvel” de emissão sonora. Segundo a Lei do Silêncio, fonte móvel é “qualquer instalação, equipamento ou processo que, durante seu deslocamento, produza emissão sonora”. O autor da proposta afirma que seu principal objetivo é coibir a perturbação do sossego causada por veículos com música em volume alto. “Estamos procurando resolver a questão dos carros. A princípio, o equipamento de som poderia ser apreendido, mas, se não for possível retirá-lo do veículo, poderia chegar à apreensão do carro”, explica o autor do projeto.

A proposta vai além do que prevê o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). No artigo 228, o CTB prevê que “usar no veículo equipamento com som em volume ou frequência que não sejam autorizados” pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) constitui infração grave, punida com perda de cinco pontos na carteira de habilitação e multa. Além disso, como medida administrativa, o veículo pode ser retido “para regularização”. A Resolução 204 do Contran, de 2006, fixa em 80 decibéis, medidos a sete metros de distância do veículo, o limite para uso de equipamento que produza som, não considerados alarmes, buzinas e outros componentes obrigatórios do carro.

“Muita gente não respeita e roda acima dos decibéis permitidos, principalmente após as 22h. Existem até disputas em alguns locais, onde os motoristas ligam os sons, cada um com potência maior que o outro”, aponta o autor do projeto. “Isso é uma questão de saúde pública. Quero criar mais um instrumento para a fiscalização agir”, afirma Silvinho Rezende. Segundo a PM, a infração à Lei do Silêncio praticada sobre quatro rodas é uma das mais difíceis de flagrar e punir. “Alguém estaciona seu carro e liga o som alto. Uma pessoa fica incomodada e liga para a polícia. Muitas vezes acontece que, quando a viatura chega, o motorista já foi embora”, afirma a comandante do Comando de Policiamento da Capital (CPC), coronel Cláudia Romualdo.

Apesar da dificuldade, a oficial acredita que a medida sugerida pelo vereador pode ser benéfica. “Todo e qualquer instrumento que possamos ter para que seja respeitado o descanso alheio é válido, mas é lamentável que cheguemos a esse ponto”, diz. “O meu direito a ouvir o som a toda a altura termina à medida que isso prejudica o outro. Por que é preciso gastar aparato policial, com tanta coisa mais grave acontecendo, para atender a um chamado que é basicamente falta de respeito e de educação da pessoa com seu próximo? Isso deveria fazer parte da nossa educação”, acrescenta.

O som alto dos carros não atrapalha apenas quem está em casa, querendo descansar. O problema também incomoda, por exemplo, funcionários e alunos de escolas da Pampulha. “Muitos diretores já se queixaram de que o barulho atrapalha as aulas. Estamos querendo fazer um manifesto contra essa baderna do motorista que passa com o som na maior altura”, diz o presidente da Associação Comunitária do Bairro Garças, José Maria de Souza. Vice-diretora da Escola Municipal Professora Ondina Nobre, no Bairro Céu Azul, na mesma região, Clécia Soares confirma o aborrecimento. “Isso acontece quase todo dia, a qualquer hora, principalmente à tarde, perto do início e do fim do horário de aula. O pessoal para o carro na frente da escola e liga o som. Aquele funk, aquelas músicas bem chamativas, bem alto mesmo. As paredes até tremem”, observa Clécia. “Isso tira a atenção, os alunos ficam querendo chegar à janela para ver o que é. Os professores têm trabalho para fazê-los se concentrar de novo”, diz.

A instalação de um equipamento de som potente em um carro pequeno custa ao menos R$ 7 mil, segundo funcionários de lojas de acessórios automotivos ouvidos pelo Estado de Minas. O protético dentário Gersin Jonas dos Santos, de 23 anos, gastou R$ 19 mil para instalar oito alto falantes e sete cornetas em seu Fiat Strada. Ele, que diz já ter sido multado pela polícia uma vez por causa do volume, critica o projeto em tramitação na Câmara. “Acho errado. O som alto é diversão, distração. Pagamos impostos, o carro está todo em dia. Por causa de som alto, vão apreendê-lo? Se for assim, deveria ser proibida a venda desses acessórios. Se são vendidos, é porque é direito”, argumenta.

O empresário Caio César Pereira, de 38, gastou R$ 12 mil para instalar dois alto-falantes e quatro cornetas em seu Ideia Adventure. “Os vizinhos já reclamaram várias vezes. A polícia me multou uma vez. Isso acontece muito com quem tem carro com som potente. Outro dia mesmo eu estava na Avenida Cristiano Machado e policiais pediram para baixar o som, que não estava alto. Essa Lei do Silêncio atrapalha muito, você não pode fazer uma festinha em sua casa”, argumenta. Ele critica o projeto do vereador e defende que, para carros em deslocamento na rua, não haja limite de som até as 22h. “Tem que ter consciência. Se o cara parar na porta da minha casa com som alto, a depender do horário, vou ficar chateado. Mas até as 22h podia ser liberado. Esse negócio de decibéis é muito lero-lero. A cidade é barulhenta, olha a barulhada que é nosso trânsito”, alega. Para ele, há muito preconceito. “Se você anda com música alta curtindo sertanejo, samba, pagode, ninguém se importa. Se é funk, o pessoal te amola.”

Enquanto isso……SP cria multa para
trio elétrico urbano

No mês passado, o município de São Paulo ganhou lei que prevê multa de R$ 1 mil para carros ou pessoas com equipamento que emita som alto (superior a 50 decibéis) após as 22h. O valor pode duplicar em caso de reincidência e até quadruplicar na terceira infração. O aparelho de som pode ser apreendido. Em Curitiba, lei de 2002 fixa limite máximo para zonas residenciais em 55 decibéis durante o dia e em 45, das 22h às 7h. Nas zonas comerciais, o limite é de 60 decibéis entre 19h e 22h e de 55, entre 22h e 7h. As multas para o infrator variam de R$ 5,3 mil a R$ 18 mil, a depender do número de decibéis acima do permitido.

FONTE: Estado de Minas.


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