Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

Arquivo da tag: indesejadas

No ano passado, Chambers – que é casado com uma mulher, mas falou abertamente sobre sua atração sexual por homens – disse que estava tentando distanciar seu ministério da ideia de que a orientação sexual de gays pode ser permanentemente alterada ou “curada’.

Grupo dedicado à ‘cura gay’ pede desculpas e fecha nos EUA

Exodus se dedicava a ‘converter’ homossexuais com oração e conselhos.
‘Nós machucamos pessoas’, desculpou-se presidente do grupo.

Reprodução do site da Exodus com a mensagem pública (Foto: Reprodução)

Reprodução do site da Exodus com a mensagem pública

O presidente de um importante grupo de militância cristã dedicado a ajudar os homossexuais a reprimirem seus desejos através da oração pediu desculpas públicas nesta quarta-feira (19) nos EUA e anunciou seu fechamento.

Alan Chambers, em comunicado postado no site do grupo Exodus International, disse que o grupo quer se desculpar com a comunidade gay “por anos de sofrimento indevido e julgamento nas mãos da organização e da igreja como um todo”.

Chambers também se desculpou diante dos próprios integrantes do grupo, admitindo: “nós machucamos pessoas”.

“Ao mesmo tempo que houve muito de bom na Exodus, também houve muito de mau”, disse. “Lutamos a guerra cultural e perdemos. É hora de paz.”

O Exodus, com base em Orlando, na Flórida, foi fundado há 37 anos e afirmava ter 260 ministros membros nos EUA e internacionalmente. Nesse período, oferecia ajuda a cristãos em conflito para que “se livrassem” de inclinações sexuais “indesejadas”, pelo aconselhamento e pela oração, gerando fúria em ativistas dos direitos gays.

O grupo viu sua influência se esvanecer nos anos recentes, à medida que associações de psiquiatras e psicólogos rejeitavam o modo como encaravam a questão.

Contudo, a ideia de que gays podem ser “convertidos” à heterossexualidade pela oração persiste entre alguns evangélicos e fundamentalistas.

O anúncio de que o Exodus irá fechar não é uma surpresa completa. No ano passado, Chambers -que é casado com uma mulher, mas falou abertamente sobre sua atração sexual por homens- disse que estava tentando distanciar seu ministério da ideia de que a orientação sexual de gays pode ser permanentemente alterada ou “curada’.

Em comunicado, Chambers disse que o conselho do Exodus decidiu fechar a organização e chamar uma nova, a que ele se referiu com reducefear.org. (reduzir o medo)

“Nossos objetivos são reduzir o medo e se aproximar das igrejas para que elas se tornem comunidades seguras, acolhedoras ou mutualmente transformadoras”, disse.

Ativistas dos direitos dos gays saudaram o pedido de desculpas de Chambers e reiteraram a convicção de que o Exodus provocou grandes danos.

“Isso é um primeiro passo bem vindo, honestamente afirmar o mal que a organização e seus líderes causaram”, disse Sharon Groves, diretor do programa de fé e religião da Human Rights Campaign. “Agora temos que eles tomem o próximo passo de liderança, que é persuadir todas as outras instituições ligadas à religião de que elas estão erradas.”

O Truth Wins Out, outro grupo de direitos dos homossexuais que era bastante crítido do Exodus, celebrou Chambers pela “integridade e autenticidade”.

“É preciso ser um homem de verdade para publicamente encarar as pessoas cujas vidas foram destruídas pelo trabalho dessa organização, e realizar ações reais, concretas, para começar a reparar o dano”, disse Evan Hurts, um dos diretores do grupo.

No entanto, Hurst lembrou que alguns antigos seguidores do Exodus, desencantados com as mudanças de Chambers, formaram um novo grupo, chamado Restored Hope Network (rede da esperança restaurada), que se denomina um “ministério ex-gay” e continua a provover a ideia de que gays podem ser convertidos à heterossexualidade.

FONTE: G1.


Trata-se de um problema real, que, se não for combatido adequadamente, pode comprometer o próprio funcionamento da internet

Spams são as mensagens eletrônicas indesejadas. Normalmente, têm conteúdo comercial e visam a divulgar produtos ou serviços, em massa, a múltiplos destinatários, na esperança de que pelo menos alguns deles se interessem pelo que foi divulgado, dando lucro ao remetente da mensagem (spammer). Constituem, por assim dizer, a versão tecnológica da antiga “mala direta” enviada pelos correios.

O termo spam deriva de um tipo de carne enlatada, comercializada desde 1937 pela Hormel Foods Corporation, principalmente nos Estados Unidos. Um dos sabores desse enlatado era o presunto com pimenta (spiced ham), que na linguagem corrente logo originou a abreviatura spam. Por ser um produto de menor qualidade, vendido em larga escala e consumido principalmente pela população de baixa renda, por falta de opção, o termo spam logo se associou a algo indesejado, porém inevitável e disseminado em massa. O mesmo ocorre com as mensagens eletrônicas não solicitadas.

spam

Para ter ideia do que esse tipo de mensagem representa, enquanto apenas 8% das comunicações postais impressas dos Estados Unidos se qualificavam como indesejadas em 2003, na mesma época 40% do tráfego de dados na internet já era composto exclusivamente por spam. Em janeiro do ano passado, este percentual alcançou assustadores 69%. Nas empresas, estima-se que cada empregado desperdice 20 horas de sua jornada de trabalho, todos os anos, apenas para apagar mensagens indesejadas.

spam2

Ou seja, trata-se de um problema real, que, se não for combatido adequadamente, pode comprometer o próprio funcionamento da internet. Note-se, ainda, que o spam não se restringe às mensagens enviadas por correio eletrônico (e-mail). Hoje, há outras formas de transmissão tão ou mais frequentes que o e-mail. Por exemplo, as mensagens de telefone celular (SMS ou MMS). A tendência é que as novas formas de comunicação eletrônica, à medida que se popularizam, tornem-se cada vez mais alvos de spam.

Contextualizado o problema, importante verificar a maneira oposta como os tribunais brasileiros e norte-americanos lidaram com ele. Nos Estados Unidos da América, um caso emblemático é Satterfield v. Simon & Schuster. Em 2004, uma senhora chamada Laci Satterfield efetuou o download gratuito de um toque musical para o celular de seu filho, então com 8 anos de idade. Para tanto, precisou fornecer o número do celular ao site do qual baixou a música. Em 2006, a Simon & Schuster, empresa do ramo de publicidade, decidiu realizar agressiva campanha de marketing para promover o novo livro de Stephen King. Ela então comprou um banco de dados contendo o número de telefone celular de milhares de pessoas, inclusive o do filho de Laci Satterfield. Ato contínuo, passou a enviar-lhes mensagens sobre o referido livro. A mensagem fora recebida pelo garoto durante a madrugada, quando já estava adormecido, o que lhe causou grande susto. Por esse motivo, a sra. Satterfield ingressou com ação judicial questionando o uso do spam. A Justiça norte-americana decidiu que as mensagens enviadas por telefones celulares enquadram-se no conceito de spam e são ilegais, sendo capazes, inclusive, de acarretar dano moral. Impôs, portanto, pesada condenação aos spammers.

No Brasil, o primeiro caso de spam julgado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) ocorreu em 2009 (Recurso Especial 844.736/DF), tendo por objeto e-mails indesejados. O contexto era o seguinte: um advogado frequentara casa noturna, fornecendo seu endereço de e-mail ao preencher o cadastro. Desde então passou a receber correspondências eletrônicas indesejadas do estabelecimento, contendo fotos de mulheres de biquíni, em poses eróticas. Isso lhe causou profundo constrangimento, tanto entre colegas de escritório quanto perante a esposa e demais familiares. Sua primeira reação foi escrever um e-mail para a casa noturna, solicitando que seu endereço fosse excluído da lista de envio das mensagens. Não tendo obtido resposta, reiterou o pedido e, constrangido diante da nova omissão, ingressou com um processo pedindo indenização por danos morais.

O caso foi decidido por três votos contra um. O voto vencido tinha entendimento semelhante ao adotado pela Justiça norte-americana no julgado Satterfield v. Simon & Schuster. Surpreendente, porém, foi o posicionamento majoritário, adotado desde então pelo STJ. Decidiu-se que o spam configura mero aborrecimento, algo comum na sociedade atual. Portanto, não é capaz de incomodar alguém a ponto de causar-lhe dano moral, pois “tais situações não são intensas e duradouras”. Acrescentaram os ministros que o destinatário das mensagens é que deveria descobrir uma forma de bloqueá-las, não sendo necessária a intervenção do Poder Judiciário.

Causou surpresa, principalmente, o desconhecimento de alguns ministros acerca dos aspectos técnicos do spam, hoje um problema mundial que atrai a atenção de especialistas e, se não for devidamente controlado, pode comprometer o funcionamento da internet. Alguns ministros, inclusive, disseram não estar familiarizados com as tecnologias que poderiam bloquear esse tipo de mensagem, o que leva a crer que nunca sentiram na pele o constrangimento e perturbação causados por ela.

Enfim, enquanto o recado dado aos spammers nos Estados Unidos é para tomar cuidado, pois sofrerão punições severas, no Brasil o STJ sinalizou para irem em frente, sem medo. Ou, em outras palavras: spam na tela dos outros é colírio!

Leonardo Netto Parentoni – Procurador federal, doutor em direito comercial pela USP, mestre em direito empresarial pela UFMG e professor do Ibmec/MG

FONTE: Estado de Minas.


%d blogueiros gostam disto: