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Crise Federais

Caos na educação
Cinco das 11 instituições federais de ensino superior de minas adiam aulas por atraso em matrículas – UFMG formaliza decisão até amanhã. falta de dinheiro ameaça outras atividades

A crise do ensino superior público ameaça o funcionamento de universidades federais de Minas no segundo semestre letivo. Diante da combinação de greve de servidores, paralisação de obras e corte de verbas – foram congelados R$ 1,9 bilhão em todo o país, dos quais pelo menos R$ 130 milhões em Minas – mais da metade das instituições mineiras adiaram o início das aulas e, em alguns casos, reitores avisam que precisarão de suplementação de recursos para manter atividades até o fim do ano.
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O Estado de Minas apurou que seis das 11 instituições públicas do estado adiarão o início do semestre letivo, previsto para agosto no calendário acadêmico: as federais de Juiz de Fora (UFJF), Ouro Preto (Ufop), Lavras (Ufla), Vale do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), do Centro Federal de Educação de Tecnológica de Minas Gerais. A UFMG afirma que uma reunião será realizada até amanhã para formalizar a data de início das aulas, mas professores e coordenador de curso disseram ao EM que já receberam comunicado sobre o adiamento. “O nosso quadro não é diferente das outras universidades e estamos sofrendo com os cortes. Passamos todo o dia tentando negociar com o MEC uma liberação maior de recursos para pagar as contas, inclusive de luz”, disse um dirigente da universidade, que pediu para não ser identificado.
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A greve dos técnicos afeta todos os setores das universidades e dificulta a formalização de matrículas e de outros procedimentos administrativos. Na UFMG, o comunicado recebido por parte da comunidade acadêmica informa que as matrículas dos alunos da graduação não foram realizadas e que as aulas “não começarão até que, com o fim da greve, a situação seja regularizada.” Segundo professores, ainda não foi possível sequer lançar no sistema o mapa de oferta das disciplinas.
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Desde o início do ano as instituições lidam com sucessivas notícias de cortes que já levaram à suspensão do pagamento de água, energia elétrica, redução da segurança. O contingenciamento e cortes de verbas também atingiram as pesquisas de ponta. Como o EM mostrou no início do mês, faltam desde materiais básicos nos laboratórios até serviços de manutenção de equipamentos essenciais.
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Na UFJF, onde cerca de 90% dos 1.450 técnico-administrativos em educação estão em greve desde o dia 28 de maio, o calendário acadêmico do segundo semestre foi adiado nesta semana, por tempo indeterminado. O movimento afeta também outros setores. O restaurante universitário está fechado e cerca de 5 mil refeições deixaram se servidas por dia. O serviço da central de atendimento, o Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm) e a Biblioteca Central também funcionam precariamente.
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O Hospital Universitário também está com atendimento restrito e a Unidade Dom Bosco suspendeu o agendamento de novos atendimentos, enquanto a unidade Santa Catarina atua com 30% de sua capacidade, conforme previsto em lei. “O impedimento de começar as aulas no dia 3, como previsto anteriormente, tem relação com as matrículas, já que não houve a fase de entrega e conferência dos documentos em decorrência da greve. Não temos como iniciar as aulas para os veteranos e começar para os calouros posteriormente, até porque há disciplinas comuns a esses alunos”, afirmou o reitor da universidade, Júlio Chebli. Apesar de reconhecer o impacto para a comunidade acadêmica, o reitor afirmou que seria um risco começar o período letivo sem a conferência. Ele disse estar em “amplo processo de negociação” com o Ministério da Educação.
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Reposição A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) manterá o cronograma, mas as aulas deverão ter início no final de agosto. De acordo com assessoria de imprensa, isso ocorrerá em função da reposição de aulas devido às greves anteriores. No entanto, a universidade admitiu que a paralisação atual tornou mais lentos os trâmites de documentos e informações. As aulas do Cefet Minas, que estavam marcadas para começar em 3 de agosto, deverão ter início somente duas semanas depois, no dia 17, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores de Instituições Federais (Sindifes). Mesmo em greve, os servidores concordaram em fazer as matrículas dos estudantes a partir da próxima segunda-feira, dia 3.
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Além da greve dos servidores técnicos-administrativos, a UFVJM enfrenta greve de professores em Teófilo Otoni, onde fica um de seus quatro câmpus. Os docentes das outras três unidades também já aprovaram um indicativo de greve e se reúnem em 3 de agosto para definir se paralisam ou não as atividades. Em Teófilo Otoni, os professores cruzaram os braços no final de junho e nem chegaram a concluir o calendário acadêmico do primeiro semestre de 2015. A instituição ainda não tem previsão para o retorno das aulas da unidade. Já nos outros câmpus (Diamantina, Unaí e Janaúba), as aulas estão marcadas para começar no dia 10.
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O  MEC informou que não tem autonomia para definir o calendário acadêmico das instituições. Sustentou ainda que o arrocho imposto pelo governo federal preserva os programas e ações estruturantes e essenciais do Ministério da Educação, bem como mantém os gastos do ministério acima do mínimo constitucional. A pasta reconheceu que buscará atender pedidos emergenciais das instituições este ano e informou que o secretário de Educação Superior do MEC, Jesualdo Farias, recebeu reitores para debater prioridades.

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A reivindicação inicial dos grevistas era de reajuste salarial de 27,3%, relativo à reposição de perdas com a inflação. A proposta do governo foi de um reajuste de 21,5% dividido em quatro anos. Segundo o Sindifes, a categoria fez contraproposta e estaria disposta a negociar se esse período fosse reduzido em até dois anos, o que não foi atendido pelo governo.

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FONTE: Estado de Minas.


Governo quebra a vitrine da educação
Bandeira na campanha de Dilma à reeleição, o Pronatec empacou. Gastos com o programa de acesso ao ensino técnico até maio não chegaram nem a 8% do total investido em 2014.
Em campanha, Dilma visitou escola em Minas e gravou cenas com promessas de expansão do Pronatec</p>
<p> (Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press- 20/8/14)
Em campanha, Dilma visitou escola em Minas e gravou cenas com promessas de expansão do Pronatec

Presença constante nas peças publicitárias da presidente Dilma Rousseff (PT) durante a campanha à reeleição, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) passou os cinco primeiros meses deste ano em ritmo lento. E nada indica que a situação vá mudar. Até o fim de maio, o montante aplicado no programa em todo o país foi de R$ 208,7 milhões, valor que representa apenas 7,4% do que foi gasto ao longo de 2014, quando o governo investiu R$ 2,8 bilhões na vitrine da educação do primeiro mandato da petista. A média mensal neste ano está em R$ 41,7 milhões, contra os R$ 233,4 milhões registrados no ano das eleições. O Ministério da Educação (MEC) admitiu cortes nos repasses. Segundo nota divulgada pela pasta, “as ofertas de vagas ainda serão definidas, mas, quantitativamente, serão em número inferior ao do ano passado”.
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Para as escolas de Belo Horizonte que oferecem cursos cadastrados no programa, os repasses até agora foram de R$ 1,3 milhão, valor bem distante dos R$ 6 milhões gastos no ano passado. Já em Contagem, que em 2014 recebeu R$ 4,5 milhões, nenhum pagamento foi registrado até agora. De acordo como a assessoria do MEC, as definições das vagas disponíveis para cursos do Pronatec este ano devem ocorrer nos próximos meses, mas ainda não há uma data marcada. Instituições que participam do programa informaram que neste ano ainda não foram feitas novas matrículas e que caberá ao MEC definir o número de vagas e cursos disponíveis.
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Até o fim do ano passado, cerca de 8 milhões de estudantes participaram do Pronatec, números que fizeram com que o acesso ao ensino técnico se tornasse a principal bandeira de campanha à reeleição de Dilma na área da educação.
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Propaganda Na véspera da largada oficial da campanha, a presidente anunciou a segunda etapa do programa, que disponibilizaria mais 12 milhões de vagas. “O Pronatec não para de crescer. Conhecemos a demanda e temos a clareza da importância dessa próxima etapa. É uma das questões mais importantes a serem resolvidas nos próximos anos. Por isso defendemos uma segunda etapa do Pronatec, que oferecerá 12 milhões de vagas, em 220 cursos técnicos e 646 cursos de qualificação a partir de 2015”, prometeu a petista, em junho do ano passado.
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Porém, as promessas de expansão feitas para o segundo mandato estão longe de se confirmar. Ao contrário, o dinheiro começou a sumir ainda em outubro – quando terminou a corrida eleitoral que deu a Dilma mais quatro anos no comando do Executivo –, com atrasos nos pagamentos às escolas privadas por aulas referentes ao segundo semestre de 2014. Nos primeiros meses do segundo mandato da petista, o programa tem sofrido com os cortes de repasses.
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Os efeitos da tesourada já são sentidos no Sistema de Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica (Sisutec), que serve como base para o Pronatec. O Sisutec seleciona para o ensino técnico estudantes que concluíram o nível médio, com base nas notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e já passou por adiamentos no início do ano. O MEC não prevê seleções por meio do Sisutec para este semestre. No ano passado, o programa ofereceu cerca de 580 mil vagas.
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As reduções são reflexo dos ajustes determinados pela equipe econômica  de Dilma na tentativa de estabilizar as contas do governo. O Ministério da Educação sofreu um corte R$ 9,4 bilhões em seu orçamento anual e outros programas deverão perder investimentos. Entre eles, o Ciências sem Fronteiras, que proporciona bolsas de estudos para universitários e pós-graduandos no exterior. “Para se adequar aos ajustes, o MEC vai priorizar atividades como a construção de creches. O ministério também atua no sentido de garantir os recursos de custeio necessários para o funcionamento das universidades e institutos”, diz a nota da pasta.
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Saiba mais
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Formação profissional

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O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego foi criado no final de 2011, com objetivo de aumentar o número de vagas para cursos de formação profissional. Financiados pelo governo, os cursos são ofertados pela rede federal de educação profissional e pelas instituições de ensino do Sistema S, como o Senai, Senat, Senac e Senar. Desde 2013, escolas privadas também passaram a ofertar vagas dentro do programa. A público-alvo do Pronatec são estudantes do ensino médio da rede pública, inclusive da educação de adultos, além dos beneficiários de programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família, e estudantes que já concluíram o ensino médio em escolas públicas ou em instituições privadas na condição de bolsista integral.

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FONTE: Estado de Minas.


Aluguéis a preço de banana Denúncias de corrupção e enriquecimento ilícito levam Ministério Público a investigar mais de 200 contratos de locação de imóveis pertencentes à CBTU em Belo Horizonte

Metrô aluga seus imóveis a preços irrisóriosMetrô aluga seus imóveis a preços irrisórios

Além de ser obrigado a repassar R$ 54 milhões ao Recife e ter barrados R$ 800 milhões em investimentos pela União nos últimos anos, como vem mostrando a série do Estado de Minas, o metrô de BH ainda perde receitas que poderiam melhorar sua qualidade alugando terrenos e imóveis abaixo do preço de mercado, sem licitação. O Ministério Público investiga denúncias de corrupção em mais de 200 contratos da CBTU em Minas, entre os quais a locação de um terreno de 800 metros quadrados no Bairro Santa Inês por R$ 695,24 mensais. Garagem de 600m2 em Santa Tereza está alugada por R$ 1.266,46 Na Estação Eldorado, movimentada lanchonete paga R$ 713,76 por mês

Atrás do muro, quadra e uma área para festa construídos em terreno de 800m2, no Santa Inês, alugado pela bagatela de R$ 695,24 (Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Atrás do muro, quadra e uma área para festa construídos em terreno de 800m2, no Santa Inês, alugado pela bagatela de R$ 695,24

Contratos de concessão de terrenos e imóveis que renderiam mais receitas para melhorar a qualidade do metrô de Belo Horizonte não geram os recursos que deveriam por suspeitas de má administração e corrupção. A reportagem do Estado de Minas teve acesso às tabelas de locação de lojas, lotes e outros imóveis pertencentes à superintendência mineira da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e identificou pelo menos 12 empreendimentos nas estações da Linha 1 (Vilarinho-Eldorado) que pagam mensalmente valores abaixo dos de mercado (veja quadro abaixo) e outros oito terrenos em mesma situação, tudo sem licitação. O setor de contratos da companhia é alvo de investigação do Ministério Público (MP) estadual, que recebeu 25 denúncias de suspeitas de corrupção e enriquecimento ilícito, e agora promove uma devassa em mais de 200 contratos. Desde domingo, o EM mostra os tortos caminhos dos recursos que deveriam ser aplicados na melhoraria da qualidade e na ampliação do transporte metroviário da capital mineira. O metrô de BH é obrigado a repassar parte de sua receita para o do Recife, que recebeu remessas de R$ 54 milhões nos últimos cinco anos. O sistema pernambucano é maior que o de Minas e tem a tarifa mais barata, de R$ 1,60, contra R$ 1,80 pago pelos usuários mineiros. Fontes ligadas à CBTU e ao sindicato dos metroviários indicam que esses desvios comprometeram a modernização do sistema e envolveram interesses políticos. A CBTU justificou as transferências alegando que as verbas do metrô do Recife foram congeladas pela Justiça e por isso recorreu ao caixa de BH. Na edição de ontem, a reportagem revelou, ainda, um relatório inédito da CBTU que detalhou mais de R$ 800 milhões de recursos barrados pela União e que poderiam ter sido usados na ampliação do sistema de BH desde 2004. Metrô3 Além das estações, ao longo dos 28,2 quilômetros da única linha do metrô de BH há 18 terrenos pertencentes à CBTU, que recebe regularmente aluguel de particulares. Desses, pelo menos oito galpões e áreas amplas rendem valores irrisórios, somando R$ 7.514,29, uma média de R$ 939,28 por imóvel. De acordo com o MP, esses aluguéis estão entre os investigados, pois há denúncias de que funcionários do setor de contratos da CBTU tenham reduzido os valores oficiais para receber uma parcela indevidamente, lesando assim o patrimônio e desviando recursos do erário. O mais bizarro desses contratos foi firmado em 2011. A CBTU recebe apenas R$ 695,24 por mês pelo aluguel de um terreno de 800 metros quadrados no Bairro Santa Inês, na Região Leste de BH. O locatário, que mora num prédio vizinho, resolveu construir uma quadra esportiva, um pomar e uma área para festas e churrascos capaz de receber até 100 pessoas. A reportagem procurou o locatário em sua casa, mas apesar de os vizinhos dizerem que ele se encontrava no local, ninguém atendeu. Metrô Na Rua Conselheiro Rocha, no Bairro Santa Tereza, mesma região, um terreno de 700 metros quadrados usado por uma oficina mecânica de veículos de transporte e carga custa meros R$ 949,85 pelo aluguel, em contrato firmado em 2009. O locatário, José Joaquim Filho, disse que seu contrato é novo, mas que está no local há 13 anos. Ele nega que precise pagar ou que tenha sido coagido a pagar qualquer quantia a funcionários do setor investigado pelo MP. “Pago tudo direto para a CBTU”, garante. No imóvel vizinho, usado como garagem por uma empresa de transporte de passageiros custa R$ 1.266,46 por 600 metros quadrados. O filho do proprietário também garantiu que a empresa não repassa nenhuma diferença a funcionários da CBTU, como suspeitam os promotores.

Metrô2SE NECESSÁRIO, CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR O TEXTO.

Migalha O governo federal acertou com a Metrominas – empresa formada pelo consórcio entre o governo do estado e prefeituras de BH e Contagem – o investimento de R$ 1,75 bilhão para ampliação da Linha 1 (Vilarinho/Eldorado) e construção das linhas 2 e 3. Segundo a Metrominas, apenas R$ 14 milhões, menos de 1%, desses recursos foram pagos até hoje.

Veja também:
FONTE: Estado de Minas.

ASSIM FICA DIFÍCIL… :X

A Justiça decretou o bloqueio de todos os bens do juiz Élcio Fiori Henriques, do Tribunal de Impostos e Taxas (TIT) da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Agente fiscal de rendas de carreira do Fisco paulista desde 2006, Fiori amealhou patrimônio de R$ 30,75 milhões em imóveis de alto padrão em apenas dois anos e meio – sua remuneração bruta é de R$ 19.490; a líquida é de R$ 13.020.

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Ele é suspeito de lavagem de capitais e crime contra a administração pública – como juiz de impostos, segundo os investigadores, teria negociado redução de valores de autuações impostas a pessoas jurídicas.

Duas decisões judiciais congelam sua fortuna, uma da Justiça criminal, outra da 9.ª Vara da Fazenda Pública, que viram risco de ocultação e dilapidação de ativos de Fiori. Foi ordenado o sequestro de 19 imóveis que o juiz incorporou ao seu patrimônio e ao de sua empresa, a JSK Serviços, Investimentos e Participações Ltda., entre 4 de março de 2010 e 5 de outubro de 2012. Parte dos imóveis foi adquirida com dinheiro em espécie, relatam testemunhas.

A investigação sobre o enriquecimento relâmpago do magistrado tem base na Operação Lava-Rápido – missão da Polícia Federal e da Procuradoria da República que desarticulou organização criminosa infiltrada em setores da Fazenda para se apoderar de processos fiscais de empresas autuadas.

Outro lado

O juiz Élcio Fiori Henriques afirmou que seu patrimônio tem origem legal. “Afirmo também que, no que se refere às supostas práticas de crimes contra a administração pública e lavagem de capitais, sou inocente de todas as acusações como será devidamente comprovado no Poder Judiciário”, declarou Fiori, por e-mail, à reportagem.

Hoje suplente de juiz no Tribunal, Fiori informou que recebeu comunicação de seu advogado de que o processo se encontra em segredo de Justiça, “sendo proibida a divulgação de quaisquer informações nele constante, sob pena de responsabilização pessoal”.

FONTE: Estado de Minas.


 

 (Eduardo Almeida/RA Studio)

Arquitetura moderna, museu de arte, zoológico, estádio de futebol e universidade, tudo em um mesmo lugar. Essas são as referências da Pampulha, região que concentra arte, lazer, esporte e educação, além de uma infraestrutura que não deixa nada a dever a outros locais da cidade. Por isso a área é tão valorizada e atrai investidores do mercado imobiliário. Afinal, qualidade de vida é o que toda população quer e encontra na Pampulha.

Entre os bairros que mais se destacam na região, o diretor de atendimento da Morus Imóveis, Vagner Costa, aponta o Ouro Preto, o Jaraguá e o Castelo. “Porque são os únicos que não estão estagnados e ainda têm possibilidade de construção. Mas também há o desenvolvimento de empreendimentos em torno da lagoa, no Bairro Bandeirantes, que é mais residencial. O Bairro Engenho Nogueira é indicado para uma segunda linha de investimentos”, diz.

Além do Ouro Preto, Jaraguá e Castelo, o diretor -executivo da Construtora Oliveira Fortes, Arilson Silveira de Oliveira, indica o Itapoá e o São José. “São bairros com características familiares. É comum percebermos que várias gerações de uma família foram criadas na mesma região e as pessoas querem continuar próximo dos parentes. Além disso, a Pampulha tem localização privilegiada”, completa.

Para o corretor da unidade franqueada RE/MAX Futuro Vinícius Harry, bairros tradicionais têm índices mais altos de ocupação. “Como Ouro Preto, Jaraguá, Dona Clara, Liberdade e Itapoã, com valores mais expressivos por metro quadrado. De ocupação mais recente, o Castelo tem maior número de lançamentos com menores valores por metro quadrado.”

Segundo Vinícius Harry, na região há uma grande quantidade de empreendimentos residenciais de médio padrão, seguidos daqueles de alto padrão. “Há grande oferta de apartamentos novos, principalmente em bairros como Castelo e Ouro Preto. Bairros como Garças e Trevo têm-se destacado pela maior oferta de casas. Existe, ainda, rápida diversificação do comércio, prestação de serviços e escolas. Predominantemente residencial a região da Pampulha atrai também investimentos comerciais. Um dos motivos é o Mundial de futebol de 2014. “E investimentos em hotéis para a Copa do Mundo de 2014. Fora isso, a oferta comercial não é tão grande. A maioria dos empreendimentos desse perfil é formada por shoppings.”

A opção da advogada Simone Villarino foi por um imóvel pronto, no Bairro Castelo. Em 2006, ela comprou uma cobertura e hoje tem certeza de que foi um excelente investimento. “A região é muito agradável para morar e valorizou muito. Tem lazer, parque ecológico, a lagoa da Pampulha para praticar atividades físicas, academias, supermercados e bares. A infraestrutura é completa para a qualidade de vida.”

Valorizados e raros
Com o aumento da procura e a redução do coeficiente de ocupação do solo na região da Pampulha, apartamentos de dois quartos, flats e lojas já são os mais comercializados

Igreja de São Francisco de Assis, cartão postal da cidade, no circuito que inclui Museu de Arte Moderna e a Casa do Baile. Primores da arquitetura de Oscar Niemeyer e da pintura de Cândido Portinari (Beto Novaes/EM/DA Press)
Igreja de São Francisco de Assis, cartão postal da cidade, no circuito que inclui Museu de Arte Moderna e a Casa do Baile. Primores da arquitetura de Oscar Niemeyer e da pintura de Cândido Portinari

Com a procura pela Pampulha, a oferta de terrenos tornou-se escassa, como constata Vagner Costa. Principalmente após 2010. “Antes, ao comparar os valores, o interessado via na região uma grande oportunidade, com preço acessível. A Pampulha também era atrativa para incorporadoras, por ter bons terrenos e grande potencial. Mas mesmo com a diminuição da oferta, ainda há áreas que vão propiciar bons lançamentos para os próximos cinco anos até que a região fique estabilizada”, conta.

Entretanto, Arilson Oliveira, da Construtora Oliveira Fortes, diz que após a mudança da Lei de Uso e Ocupação do Solo de Belo Horizonte, houve uma diminuição significativa do coeficiente de aproveitamento de terrenos em alguns bairros da Pampulha. “Além disso, houve menor oferta do número de terrenos na região. Alguns bairros ainda oferecem algumas opções, como o Castelo.”

Nesses terrenos são erguidos, principalmente, empreendimentos com apartamentos de dois quartos, conforme Oliveira. “Tem maior liquidez no mercado e um preço mais atrativo, obviamente, pelo próprio tamanho. Os compradores desses apartamentos são, geralmente, pessoas jovens, principalmente casais com um a dois filhos.”

Esse público prefere a Pampulha por ser uma região com características únicas, que proporcionam lazer, gastronomia, descanso e uma melhor qualidade de vida aos seus moradores, como reforça Oliveira. “Possui também infraestrutura com shopping e uma diversidade de lojas que consegue atender essa demanda local.”

“A região abriga bairros com características familiares e casais começando a vida, com um ou dois filhos” – Arilson Silveira de Oliveira, diretor-executivo da Oliveira Fortes

De acordo com o corretor Vinícius Harry, por ser uma região em expansão, a maior procura é por imóveis de dois quartos com suíte e duas vagas na garagem. “Geralmente, almejados por noivos e casais que estão optando por sair do aluguel e procuram o primeiro imóvel. Também vêm sendo muito procurados apartamentos e coberturas luxuosas, com quatro quartos e três ou mais vagas de garagem. São produtos escassos, com alta demanda, menor oferta e maior velocidade de venda.”

E não são só os residenciais que chamam a atenção. Os imóveis comerciais, entre eles salas e lojas, também continuam com uma boa procura. “Boa parte desses investidores são da própria região e acreditam no seu potencial de desenvolvimento e crescimento. Eles são representados por comerciantes de pequeno e médio portes que desejam investir em empreendimentos como salas, lojas e unidades hoteleiras, e também em apartamentos com maior liquidez”, observa Oliveira.

Mas o destaque, segundo o diretor da Construtora Oliveira Fortes, são os flats, que de acordo com ele estão em alta. “São unidades hoteleiras na região da Pampulha e sentido Centro Administrativo. Os flats têm uma característica muito especial, tanto na distribuição do seu resultado como na própria configuração jurídica, que proporciona aos investidores condições muito melhores que nas locações de imóveis convencionais.”

Vagner Costa confirma que os mais valorizados são os imóveis residenciais com boa estrutura de lazer e mais de uma vaga de garagem. “A Morus tem em seu portfólio empreendimentos no Jaraguá, Ouro Preto, Castelo, Engenho Nogueira e Planalto. Desses, 90% são residenciais e 10% compostos pela linha hoteleira, o que representa bem a relação de oferta da região como um todo.”

Para ele, a oferta atual de imóveis está adequada à demanda. “Talvez o Bairro Castelo tenha um pouco mais de estoque, sendo que nos outros a liquidez é mais imediata. Entre as pessoas que apostam na região estão investidores na linha residencial, que compram o imóvel na planta para revender, aqueles que adquirem para locação e os que investem na rede hoteleira”, indica Costa.

Infraestrutura completa para viver com qualidade de vida motivou a compra de Simone Villarino (Eduardo Almeida/RA Studio)
Infraestrutura completa para viver com qualidade de vida motivou a compra de Simone Villarino

Com relação a valores, Vagner Costa informa que cerca de 50% dos empreendimentos na região estão entre R$ 200 mil a R$ 350 mil. “Nessa faixa, 25% são econômicos, com valores de R$ 100 mil a R$ 200 mil, e os 25% restantes são compostos por imóveis acima de R$ 400 mil, sendo o público da Pampulha formado pelas classes B e C”, diz.

Atualmente, dentro do plano de governo de desenvolvimento integrado, como informa Costa, a Pampulha tem como grandes vantagens o fato de estar bem localizada. “Assim, deixou de ser apenas um ponto turístico para se tornar um campo de investimento. A área urbana de Belo Horizonte está expandindo bastante, principalmente para o Vetor Norte, fazendo com que a região da Pampulha se torne o coração da cidade”, considera.

MEMÓRIA
Aeroporto muda estilo do bairro

Na época do Curral Del-Rei, arraial que deu lugar à capital, a região era conhecida como Arraial da Pampulha. Há notícias de que os primeiros habitantes vieram de Portugal e quiseram transformar esse cantinho do Brasil em um lugar que os fizesse lembrar a sua terra natal. Batizaram a região com o mesmo nome do bairro onde viviam em Lisboa e que já não existe mais. A vida na Pampulha tinha o ritmo tranquilo do dia a dia na área rural, com poucas casas. As vias não eram pavimentadas e os bondes não circulavam por lá. Apesar das atividades de agricultura e manufatura, os poderes públicos acreditavam que Pampulha poderia trazer um progresso maior para Belo Horizonte se ajudasse no abastecimento de água e na aproximação da cidade com outras capitais. Assim, em 1930 começaram as obras de construção de uma barragem que iria deter o curso das águas do Ribeirão Pampulha, formando uma represa que serviria de reservatório de água. A barragem formava um amplo lago artificial, a lagoa da Pampulha, e foram criadas assim as condições para as obras do aeroporto, inaugurado em 1933.

FONTE: Estado de Minas.


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