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Outros três viadutos da Avenida Pedro I apresentam problemas

Segundo o promotor Eduardo Nepomuceno, a Sudecap adiantou que as estruturas terão que passar por intervenções. Relatório com os detalhes será apresentado amanhã

Cristina Horta/EM/D.A Press

A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) vai apresentar na sexta-feira ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) um relatório que indica problemas em outros três viadutos da Avenida Pedro I: Monte Castelo, Oscar Niemeyer e o elevado da Avenida João Samaha. A informação é do promotor Eduardo Nepomuceno, da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Belo Horizonte. Ainda não se sabe quais são os defeitos nas estruturas, mas elas terão que passar por intervenções corretivas.

Nepomuceno ressalta que ainda não teve acesso ao laudo, mas inicialmente a consultoria RCK, responsável pela apuração, teria entendido que a concepção do projeto precisaria de ajustes. “Vamos receber esse relatório oficialmente amanhã, mas a Sudecap adiantou que eles sofrerão pequenas intervenções, semelhantes ao Gil Nogueira”, explica o promotor, citando o viaduto que precisou ser interditado para obras há cerca de 15 dias. “Não tem risco para a estabilidade da estrutura, mas vai ser (feita) medida corretiva para aumentar a durabilidade da construção”, diz.Depois do feriado de Tiradentes, na próxima terça-feira, o Ministério Público pretende se reunir com o supervisor da Sudecap para discutir porque a situação das estruturas ainda não havia sido constatada.

O promotor comentou, também, que o Ministério Público tenta há algum tempo celebrar convênio com a Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para demandar perícias nas obras quando houver necessidade. O em.com.br entrou em contato com a Sudecap e aguarda resposta.

O Estado de Minas mostrou em 1º de abril que uma sucessão de erros semelhantes aos da alça sul do Viaduto Batalha dos Guararapes, na Avenida Pedro I, que desabou em 3 de julho do ano passado e matou duas pessoas, está ocorrendo em outros elevados. A perícia da Polícia Civil constatou que o projeto da Consol apontou menos aço do que realmente deveria ter na armação do Batalha dos Guararapes, erro que não foi percebido pela Cowan nem pela PBH.

 Marcos Michelin/EM/D.A Press

Recentemente, o Viaduto Gil Nogueira, apresentou desnível de 2,5 centímetros na estrutura. Ele fica sobre Pedro I, ligando dois extremos da Avenida Portugal, entre os bairros Itapoã e Santa Branca, na Região da Pampulha. Houve um erro no projeto de engenharia feito pela Consol, uma falha não percebida novamente durante a execução da obra nem pela Cowan nem pela prefeitura durante a aprovação do projeto, conforme admitiu o prefeito Marcio Lacerda. Apesar dos transtornos, não há risco de queda, segundo o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil de Belo Horizonte.

O Viaduto Montese também precisou ser interditado depois de um deslocamento lateral de 27 centímetros. Foram nove meses com a estrutura fechada, antes da liberação. Até agora, três dos sete viadutos do BRT/Move da Pedro I, de responsabilidade da Consol e da Cowan, precisaram de reparos. Nos próximos dias, a Sudecap e o Ministério Público devem detalhar intervenções em mais três elevados.

Marcos Michelin/EM/D.A Press

INQUÉRITO As investigações sobre a queda do Batalha dos Guararapes ainda não foram concluídas. A Polícia Civil tem até dia 4 de maio para encaminhar o inquérito ao Ministério Público e o delegado Hugo e Silva, responsável pelas apurações, informou que vai entregar no prazo.

 

FONTE: Estado de Minas.

 


Problemas desviados
Trajetos alternativos na Pedro I, onde alça de viaduto desabou, provocam transtornos e prejuízos para moradores e comerciantes. Liberação da avenida continua indefinida

O trânsito já se complica no início do desvio, ao se deixar a Pedro I para entrar no viaduto João Samaha

 

Duas semanas depois da queda de uma alça do Viaduto Batalha dos Guararapes, na Avenida Pedro I, ainda não existe prazo para liberação do trânsito na via, que liga a Pampulha à Região de Venda Nova e dá acesso ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Grande BH. O desvio de milhares de veículos está causando transtornos e prejuízos para moradores e comerciantes das ruas e avenidas que viraram rotas alternativas. As alterações, por outro lado, reduziram drasticamente o tráfego em algumas vias, incluindo um trecho da própria Pedro I e deixaram casas e empresas quase ilhadas.

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Das vias usadas para desvio dos carros que acessam a Pedro I, a Rua Dr. Álvaro Camargos, no Bairro São João Batista, em Venda Nova, é a que teve o tráfego mais intensificado. Entre a Rua João Samaha e a Avenida Vilarinho, ela recebe tanto veículos que seguem no sentido Centro-bairro quanto aqueles que fazem o caminho inverso. Para piorar, a maior parte do trecho tem faixas simples nas duas mãos, o que provoca muita lentidão, especialmente nos horários de pico. Na maior parte do dia, o trânsito é mais pesado em direção ao Centro. A partir das 16h, os congestionamentos passam a atingir também o lado oposto, começando já na Pedro I.

Os engarrafamentos na Álvaro Camargos atrasa o deslocamento de Ataíde Lacerda, de 50 anos, dono de uma serralheria na esquina com a Rua Augusto Rocha. Antes do desabamento do viaduto, ele cumpria em aproximadamente 20 minutos o trajeto entre sua casa, em Lagoa Santa, na Grande BH, e a empresa. Desde o início do desvio, o tempo aumentou para cerca de uma hora, segundo ele. “Eu costumava abrir a oficina às 8h. Agora, abro às 8h40 ou às 9h”, diz. Quando termina o expediente, às 18h, ele espera o trânsito diminuir para ir embora. Os transtornos reduziram o rendimento da serralheria em 30%, estima. “Os clientes se sentem desencorajados em vir”.

Em um apartamento no primeiro andar do mesmo prédio da empresa de Ataíde, mora Maria da Cruz de Sousa, de 66. “O barulho dos carros aumentou muito”, queixa-se. O maior incômodo, porém, é outro. Toda manhã, a aposentada faz sessões de hidroginástica em uma academia no Bairro Planalto, na Região Norte. Para chegar lá, ela tomava apenas um ônibus da linha 65 em um ponto na Álvaro Camargos. “Mas ele parou de passar nessa rua. Tenho de pegar o 608 até a Estação Venda Nova e só lá pego o 65. Antes, eu chegava na academia às 9h. Agora, chego às 9h30, 9h40”, diz.

Outra via cujo tráfego aumentou bastante com os desvios foi a Rua das Melancias, no Bairro Planalto, que recebe carros que seguem no sentido Centro/Bairro. “O trânsito aqui já era intenso, mas piorou muito desde o desabamento. Tem hora em que fica tudo engarrafado, sobretudo às 17h30, 18h. Nesse horário, evito sair”, afirma José Carlos dos Santos, de 81, que mora em casa na rua. “Para tirar o carro da garagem, preciso esperar cinco ou 10 minutos até um motorista abrir caminho. Às vezes, o jeito é forçar a passagem”, conta. Ele também reclama da sujeira gerada pelo fluxo quase ininterrupto de veículos: “As paredes da casa ficam ‘pichadas’ com poeira e fumaça”.

RECLAMAÇÕES Enquanto uns reclamam do grande volume de carros, outros lamentam a falta deles. A loja de vidraçaria automotiva de André Venturato de Souza funciona na Rua João Samaha, em um trecho estreito ao lado do viaduto de ligação com a Pedro I. O problema é que essa parte da via receberia somente veículos que seguiriam pela avenida no sentido bairro/Centro, função suspensa desde a interdição. 

Agora, quem quiser chegar à empresa de André e às edificações vizinhas precisa transitar pela avenida no sentido Centro/bairro, acessar o viaduto e, pouco antes de chegar à Álvaro Camargos, fazer uma curva de 180 graus à esquerda, manobra arriscada. “Essa dificuldade fez o movimento cair 70%. Alguns clientes me telefonam, confusos, e eu explico que podem pegar a contramão. Até os fornecedores se atrapalham”, diz André.

A lanchonete de Anderson Alair, no térreo de um edifício comercial na esquina da Pedro I com a Rua Moacyr Froes, é outro endereço que ficou quase ilhado. Os clientes se reduziram aos demais ocupantes do prédio e aos de outras edificações vizinhas, além de operários que trabalham nas obras do viaduto. “As vendas caíram 90% com a redução do número de veículos e, às vezes, levo para casa os salgados que sobram”, conta.

Por outro lado, o trânsito intenso nas vias do entorno prejudica o negócio. “Eu saio de casa, no Bairro Maria Helena (Venda Nova) às 5h30. Antes, chegava às 6h. Agora, chego por volta das 6h50. Os funcionários também sempre se atrasam”, constata. Um dos que não conseguem chegar na hora é a gerente Carla Passos, de 36. “Antes, meu ônibus parava na Pedro I, a menos de um quarteirão daqui. Do novo ponto para cá, eu ando 15 minutos”, queixa-se.

Para fugir de congestionamentos, a BHTrans orienta os condutores a buscar caminhos alternativos, como as avenidas Cristiano Machado, Portugal e Olimpio Mourão Filho.

FONTE: Estado de Minas.



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