Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Jornal que marcou anos 50 e 60 é digitalizado pela UFMG

O ‘Binômio’ tinha o deboche como instrumento de crítica à política nacional.
Por causa das reportagens, o jornal foi fechado pelo regime militar em 1964.

 

Jornal Binômio é digitalizado pela Biblioteca Central da UFMG (Foto: Thais Pimentel/G1)Jornal Binômio é digitalizado pela Biblioteca Central da UFMG

Nos anos 50, o então governador de Minas Gerais Juscelino Kubitscheck, lançava o plano “Binômio: Energia e Transporte”. Na mesma época surgia o provocativo jornal “Binômio: Sombra e Água Fresca”, criado pelos jornalistas José Maria Rabelo e Euro Arantes. “O Binômio da mentira era o de Juscelino. O nosso era o Binômio da verdade”, defende José Rabelo.

O semanário foi publicado entre 1952 e 1964, ano do Golpe Militar. “A minha irmã Terezinha Rabelo teve a preocupação de esconder a coleção. Ela levou de caminhonete pra minha terra lá no Sul de Minas, em Campos Gerais, na casa dos meus pais. E a coleção ficou guardada lá, nos 16 anos em que eu estive no exílio. Nós estamos comemorando um fato que se deve a ela”, disse Rabelo.

Coordenadora da Divisão de Coleções Especiais da Biblioteca da UFMG, Diná Araújo, demonstra como o Binõmio foi digitalizado (Foto: Thais Pimentel/G1)Coordenadora da Divisão de Coleções Especiais da Biblioteca da UFMG, Diná Araújo,
demonstra como o Binõmio foi digitalizado
 

Agora, 40 anos depois, todas as 801 edições do “Binômio” podem ser acessadas pela internet. Os cadernos foram digitalizados pela Biblioteca da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e estão disponíveis no site da instituição. “Foi um trabalho de mais de dez meses de duração feito por dez pessoas. Oito delas foram responsáveis pela higienização e as outras duas fizeram o trabalho de digitalização”, explica a coordenadora da Divisão de Coleções Especiais da Biblioteca da UFMG, Diná Araújo.

Antes era preciso ir até a casa de José Maria Rabelo e pedir para ver a coleção. Segundo ele, a sala vivia cheia de gente atrás das histórias do semanário. A aproximação da universidade foi intermediada pelo então vice-reitor João Antônio Dória que convenceu o jornalista a disponibilizar a obra. Mas mesmo doando todos os cadernos à biblioteca, Rabelo mantém duplicatas em casa.

José Maria Rabelo fundou o Binômio ao lado do jornalista Euro Arantes (Foto: Thais Pimentel/G1)José Maria Rabelo (na foto) fundou o Binômio ao lado do jornalista Euro Arantes

O “Binômio” era caracterizado pelo deboche e pela contestação. No governo JK, as matérias abusavam do bom humor. Em uma delas, a manchete era “JK foi à Araxá e levou Rolla”, se referindo ao empresário Joaquim Rolla. Como Juscelino era bem-humorado e “boa-praça” nunca chegou a interferir no jornal. Já seu sucessor, Bias Fortes chegou a proibir todas as gráficas de Belo Horizonte de imprimir o Binômio. José Maria teve que ir ao Rio de Janeiro para fazer com que o jornal saísse.

Binômio era conhecido pelo humor e pela postura crítica (Foto: Thais Pimentel/G1)Binômio era conhecido pelo humor e pela postura crítica

Um dos fatos mais marcantes do jornal aconteceu em 1961. Naquele ano chegava em Belo Horizonte o general João Punaro Bley, conhecido como “Capitão Óleo de Rícino” por obrigar jornalistas a engolir suas matérias com purgante. Suas primeiras declarações foram contra o governo João Goulart que, segundo ele, ameaçava a democracia. Mas quem era esse general? Segundo reportagem do Binômio, João Punaro Bley foi interventor no Espírito Santo durante o Estado Novo. “Mantinha até campos de concentração por lá”, afirma José Maria Rabelo.

A manchete foi certeira: “O Democrata de Hoje é o Fascista de Ontem”. Revoltado com a reportagem, Bley foi até a redação do semanário, decidido a tirar satisfações. “Ele entrou na minha sala e disse: ‘quem foi que escreveu esta m… contra mim?’. Aí eu falei: ‘Isto não é m…É uma reportagem muito bem fundamentada e eu sou responsável por tudo que sai neste jornal’. Aí ele me agarrou pelo pescoço. Mas ele não sabia que este diretor lutava muito bem judô”’, brinca José Maria Rabelo que se viu obrigado a aprender a arte marcial para se defender de todos aqueles que iam à redação para tirar satisfações.

José Maria Rabelo mostra a batina que usou para fugir dos militares em BH (Foto: Thais Pimentel/G1)José Maria Rabelo mostra a batina que usou para fugir dos militares em BH

O general saiu do jornal com um dos olhos inchados por hematomas e o lábio sangrando. Horas depois, ele retornou com dezenas de militares que depredaram a redação. “Até as instalações sanitárias, que não tinham nada a ver com a estória”, disse Rabelo que teve de ser vestir de padre para fugir da perseguição.

No Golpe de 64, José Maria Rabelo foi obrigado a sair do país por estar na mira dos militares. Passou pela Bolívia, Chile e França. Passou 16 anos no exílio. Quando retornou, recuperou a obra do Binômio graças à irmã.

“Mérito foi ter aguentado o jornal durante 12 anos. Esse é um mérito formidável, do que eu me orgulho muito. Um jornal imbatível. Um jornal que nunca se vendeu. Todo mundo tinha medo do Binômio”, conta.

O Binômio chegou a vender uma média de 60 mil exemplares por edição em uma Belo Horizonte de cerca de 200 mil habitantes. Ziraldo, Fernando Gabeira e Guy Almeida são alguns dos nomes que passaram pela redação do jornal.

Binômio foi o início da carreira de nomes renomados como Fernando Gabeira e  Ziraldo, que assina a charge desta página (Foto: Thais Pimentel/G1)Binômio foi o início da carreira de nomes renomados como Fernando Gabeira e Ziraldo, que assina a charge desta página

Lançamento e homenagem
A digitalização do jornal “Binômio” e a entrega do acervo físico à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi comemorada em cerimônia nesta terça-feira (9), na Biblioteca Central, no campus Pampulha, em Belo Horizonte. “A primeira edição do jornal teve 6 mil exemplares, pequeninho, feio, mal impresso, até chegar ao máximo dos últimos anos, com 60 mil exemplares”, relembra o jornalista e criador José Maria Rabelo, que destacou a posição de resistência ao modelo de imprensa da época.

Jornalista José Maria Rabelo no lançamento da digitação do jornal "Binômio", nesta quarta (9); (Foto: Flávia Cristini/ G1)Jornalista José Maria Rabelo no lançamento da digitação do “Binômio”, nesta quarta (9) 

“Nós quisemos fazer um jornal que se diferenciasse deste modelo de subserviência, de submissão da nossa imprensa. E, por isso, tivemos que fazer um jornal pequeno no início, porque não tínhamos recurso, e apelamos para o humor”, disse. A consulta pela internet, segundo ele, é um passo importante, que acompanha a evolução dos formatos de notícia. “A internet tem isso, é um grande fator de democratização da informação. E é um elemento preponderante na luta contra o monopólio dos grandes jornais. Eles já não são mais os únicos donos da informação”, disse.

Segundo ele, praticamente todas as edições foram preservadas, mas houve perda de cerca de 3%, quando a redação foi depredada em dezembro de 1961. Durante a cerimônia, Terezinha Rabelo, irmã do jornalista e quem guardou a coleção do passado, recebeu homenagem de honra ao mérito pelo feito.

 

FONTE: G1.


Ana Paula Arósio, no papel de Hilda

Ana Paula Arósio, no papel de Hilda

 HILDA FURACÃO MORREU HOJE, 29/12/2014!
Hilda
Hilda 2
Outono de um mito
Hilda Furacão, personagem do romance de Roberto Drummond, vive num asilo em Buenos Aires.
Aos 83 anos, ela relembra seu relacionamento com o marido, o jogador de futebol Paulo Valentim.

 

Hilda e Paulo, nos bons tempos do craque, que jogou no Atlético e Botafogo e foi ídolo no Boca Juniors (Fotos e reproduções: Ivan Drummond/EM/D.A Press)
Hilda e Paulo, nos bons tempos do craque, que jogou no Atlético e Botafogo e foi ídolo no Boca Juniors

Buenos Aires – “A Hilda Furacão, onde ela estiver…”.

Essa é a última das muitas dedicatórias que Roberto Drummond (1939-2002) faz no livro Hilda Furacão (1991, Geração Editorial). Pois a verdadeira personagem, viúva do jogador de futebol Paulo Valentim, ídolo do Atlético, Botafogo, Boca Juniors – jogou ainda no Atlante (México) –, batizada Hilda Maia Valentim, está viva, com 83 anos. Solitária, mora em um asilo, o Hogar Guillermo Rawson, no Bairro Jujuy, em Buenos Aires. Quem paga as despesas é o município portenho. Não há mais o glamour e o luxo dos tempos dourados na capital argentina, nem resquícios da vida na zona boêmia de Belo Horizonte, que a tornou famosa nos anos 1950. A realidade da mulher, que na obra de ficção de um dos maiores escritores mineiros se chamava Hilda Gualtieri von Echveger, é outra, completamente diferente da personagem da literatura.
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Ela, aliás, nunca frequentou o Minas Tênis Clube. Nem sequer sabe onde fica.Da cama para a cadeira de rodas. Empurrada por enfermeiros, rumo a uma sala-refeitório onde há uma TV. Lá ela passa a manhã e almoça. À tarde, lanche. À noite, jantar. No avançar das horas, a volta para a cama. Na cabeceira, sobre uma espécie de criado-mudo – um pequeno armário do tipo comum a hospitais –, um velho caderno grande, preto, de capa dura. Dentro, recortes da vida passada, do grande amor, o atacante e goleador Paulo Valentim. Vez ou outra, antes de dormir, ela dá uma folheada. Relembra os bons tempos, os momentos românticos.
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Essa é a rotina diária da octogenária Hilda Furacão ou Hilda Maia Valentim, revelada com exclusividade pelo Estado de Minas.Pode-se dizer que foi um lance de sorte Hilda ver, de repente, em seu caminho, uma brasileira, a capixaba Marisa Barcellos, de 59 anos, assistente social do Hogar Dr. Guillermo Rawson, que antes trabalhou na rua ajudando os sem-teto. Um dia, Marisa recebeu o relato de que uma mulher estava se recuperando de uma queda, num hospital municipal, sem apoio e sem ter para onde ir. Entrou em ação a assistente social. Foi à paciente e recolheu os documentos que estavam à mão para começar a ajudá-la: uma carteira de identidade requerida em Recife e uma autorização, em espanhol, que lhe permite viver na Argentina. Só.

NOTA DO EDITOR: HILDA EXISTIU OU NÃO?

O próprio Roberto Drummond se dizia “refém de Hilda”, porque ninguém aceitava o fato de ela não haver existido, portanto, o autor do romance negou a existência da personagem (ou seja, aquela Hilda deslumbrante, de família rica, frequentadora do Minas Tênis, de sobrenome chique, é fantasia). Mas é preciso entender que, se ele atribui a ficção ao romance, claro está que se inspirou em pessoas e fatos reais para desenvolvê-lo. O próprio autor é personagem da obra, assim como Frei Beto e o playboy Antônio Luciano. Certamente nem todos os fatos, pessoas e situações ocorreram exatamente como descritos no livro e retratados na minissérie, mas é perfeitamente factível que a dona Hilda de hoje tenha vivido algumas das histórias contadas (inclusive o apelido e a sua mudança para a Argentina). Ao final, link para download do livro (PDF).

A assistente chegou à história de Hilda e se surpreendeu com o passado da mulher, que foi famosa em Buenos Aires, personagem de reportagens em jornais e revistas. Era tratada como primeira-dama do Boca Juniors, mulher de um dos maiores astros do clube, apontado como um dos principais responsáveis pelos títulos de campeão argentino nos anos de 1962 e 1964. Uma dama que conheceu o luxo vive agora na miséria, de favores. Antes de ser recolhida ao asilo, Hilda morava com a ex-companheira de um dos filhos que teve com Valentim, Ulisses, que morreu no ano passado.

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VEJA AQUI A REPERCUSSÃO DA REPORTAGEM NA INTERNET!

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CONTINUA A REPERCUSSÃO, AGORA SE REVELA A BELA B!

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A LENDA HILDA FURACÃO!

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É na sala de TV e refeições que Hilda recebe o Estado de Minas para, em um dos momentos de lucidez, contar que viveu uma vida de luxo, falar de venturas e desventuras. “Com o Paulo, conheci 25 países. Onde o Boca jogava eu estava. Ele era o único que tinha permissão para levar a mulher. Eu ia a todos os lugares. O Jose Armando foi presidente do Boca e gostava muito do Paulinho (Paulo Valentim) e por isso eu era a única a viajar.” 

Casamento em Barra do Piraí teve João Saldanha (destaque) como padrinho  (Arquivo Pessoal)
Casamento em Barra do Piraí teve João Saldanha (destaque) como padrinho

Hilda força a memória e volta aos tempos de adolescência e a Belo Horizonte. Conta que chegou muito nova à capital mineira com o pai, José, a mãe, Joana Silva, e quatro irmãos. Isso, no entanto, não é possível confirmar, pois nesse momento ela parece confusa. Volta a falar da união com Valentim. Vê uma foto dela, tirada logo depois do casamento com o jogador, e diz: “Estava embarazada (grávida)”.

A foto pertencia ao falecido jornalista mineiro Jáder de Oliveira, que chegou a morar em Buenos Aires, vizinho do casal. Foi feita no apartamento onde Hilda e Paulinho moravam. O comentário de Hilda surpreende, pois na época o casal já tinha um filho: Ulisses. Seria, então, o segundo filho. Uma foto confirma que eles tiveram dois e o mais novo teria morrido e foi enterrado na capital argentina. Desde então, ela evita tocar no assunto. Quando percebe que falou o que não pretendia, disfarça.

Na verdade, Hilda criou algumas fantasias que a ajudam a esconder o que considera ruim na vida, como a história do segundo filho. A outra fantasia é para esconder a vida que levava em BH. Os tempos da zona boêmia, do Hotel Maravilhoso, na Rua Guaicurus, não existem na memória dela. “O meu apelido, de Furacão, é antigo, porque eu era brigona. Se mexessem comigo estourava, discutia, queria bater. Sou assim desde pequena.”

De repente, entra na sala de TV e refeitório Jose Francisco Lallane, de 80 anos, um torcedor do Boca, que também vive no Hogar Dr. Guillermo Rawson. Ela está sentada onde gosta: bem perto da telinha. Da porta, avista Hilda e grita: “Tim, Tim, Tim, gol de Valentim”. Esse era o canto da torcida para reverenciar o ídolo dos anos 1960. Jose caminha em direção a Hilda, ainda cantando. Ela sorri. Ele pega a mão dela e a beija. Então, começa a falar de Valentim. “Era um craque. Era demais. Não passava jogo sem fazer gol. Uma vez, o Carrizo, goleiro do River Plate, já havia levado um gol de falta dele. Então, houve uma segunda falta e, antes que ele batesse e fizesse o segundo gol, Carrizo fingiu estar machucado e pediu substituição.” Hilda sorri, está feliz porque falam do marido, um dos orgulhos de sua vida.

 

Paixão que atravessou o tempo
Hilda Valentim se lembra pouco da BH de seu tempo e alimenta mágoa da família do marido, que teria sido responsável pela ruína do casal. Ela sonha em recuperar um baú cheio de tesouros

 

 

Hilda Valentim (Ivan Drummond/EM/D.A Press)
Hilda Valentim

Buenos Aires – José Francisco Lallane, o velho torcedor do Boca, deixa a sala do asilo e Hilda passa a falar da vida de casada, de como conheceu o grande amor. Diz que a família do ex-marido a ajudou muito e que o conhecia desde garota, quando tinha 13 anos e ele, 21. Outro devaneio. Na verdade, Valentim era um ano mais novo que ela. O que importa é que Hilda se apaixonou. Uniram-se e começaram a correr mundo, até chegarem à cidade-residência que ela considera definitiva: Buenos Aires.

“O pai do Paulo, seu Joaquim, nos ajudava. Minha mãe, Joana, estava muito doente e eu tinha de sair para trabalhar e ajudar em casa. Ele sempre me arrumou empregos em casas de família. Muito tempo depois, o Paulo me procurou e começamos a namorar.” Isso é o que Hilda conta sobre o início da vida com o jogador. De Belo Horizonte, são poucos os lugares que ainda tem na memória. “Eu me lembro muito bem da Praça Sete, do Brasil Palace Hotel, do Cine Brasil e da Igreja de São José, onde costumava assistir a missas aos domingos pela manhã.”

É o pouco que consegue recordar da cidade. Não cita nenhum lugar relacionado ao passado verdadeiro. Conta que nos tempos de empregada doméstica aprendeu a cozinhar, a fazer comidas gostosas sempre para os patrões. O que só terminaria quando se uniu a Valentim. “A gente se casou em Barra do Piraí (RJ), onde estava toda a família do Paulo. Um dos nossos padrinhos foi o João Saldanha, que era técnico do Botafogo e um grande amigo do meu marido. Ele sempre ajudava. Fomos para o Rio, pois o Paulo jogava no Botafogo”, diz, mostrando um sorriso.

Depois, fala da Seleção Brasileira. “Ele jogava com o Garrincha, o Didi e o Zagallo, no Botafogo. Foi para a Seleção e lá jogou com o Pelé, que era o maior da época. E foi por causa da Seleção que viemos para Buenos Aires. O Boca, do José Armando, comprou o passe dele e nos mudamos. Viemos para um lugar que nos acolheu, como se fôssemos daqui.”

Hilda muda de assunto. Fala da vida do casal. Acusa a família de Valentim de ter arruinado a vida dela, de ter gastado todo o seu dinheiro. “Um irmão dele, o Valdir, montou um armazém em Barra do Piraí. O Paulo pagou. Mas o Valdir perdeu tudo. Deu dinheiro para o pai, para a mãe. Uma irmã, Wanda, ficou com um apartamento em Brasília.”

E garante ter provas. “Uma vez, fui ao Banco Nacional da Argentina e uma amiga – diz sem lembrar o nome da mulher – me contou que todos os meses o Paulo mandava dinheiro para um monte de gente no Brasil, todos com o sobrenome dele. É mentira que ele bebia e que jogava. Gastou o dinheiro com a família.”

Moedas Conta-se no Brasil e na Argentina que Hilda teria herdado um baú grande, cheio de notas e moedas. Valentim teria como mania jogar dinheiro dentro do baú, que sempre os acompanhava. “Eu tenho dois baús. Uma mulher ficou com eles e quer que eu pague para buscá-los. Não tenho dinheiro. Sei onde ela mora e qualquer dia vou lá buscar, na marra”, diz, brava, mostrando um pouco do que a levou, talvez, a ganhar o apelido de Furacão.

Nas parcas reminiscências, ela vai ao México, mas antes passa por São Paulo. “O Paulo foi jogar no São Paulo. Mas ficou lá pouco tempo, pois surgiu uma proposta do Atlante. Gostava muito do México. Tratavam-no bem. Ficamos lá uns dois anos e voltamos para a Argentina. Aí, o Paulo foi treinar o time dos meninos do Boca.”

Quem ouve Hilda revirar o que lhe resta de memória no refeitório do asilo pensa que tudo esteve sempre às mil maravilhas com ela. Mas não foi assim. Na volta a Buenos Aires, o casal passou a viver de aluguel ou de favor. “A gente morou em muitas casas e apartamentos que o Boca cedia, como parte do contrato, ou arrumados pelo Armando, que gostava muito do Paulo.”

 

Um repórter encontra sua história

 

 

Drummond levava a vida para o jornal (Arquivo em)
Drummond levava a vida para o jornal

A narrativa de Roberto Drummond no livro Hilda Furacão começa quando ele chegou ao extinto jornal Folha de Minas, no ano de 1953. Ele entrou na redação para pedir a publicação de uma nota sobre o movimento estudantil da época, do qual fazia parte. Foi recebido pelo jornalista Felippe Drummond, que, depois de anotar os dados da notícia – uma passeata que ocorreria no dia seguinte –, se surpreendeu com o sobrenome do escritor. “Então você é meu primo. Sabe bater máquina? Quer trabalhar aqui?’’ Diante das respostas afirmativas, no dia seguinte Roberto se tornou jornalista.

Naquele tempo, a zona boêmia era sempre foco de notícias na Folha de Minas, principalmente pelos fatos policiais. Eram brigas, golpes e prisões.  Os jornalistas, em geral, tinham por hábito frequentar os bares do chamado Polo Norte e o Montanhês Dancing. Lá, Roberto tomou conhecimento de Hilda Furacão, um nome que guardou na memória. Quando do casamento dela com Paulo Valentim, a curiosidade do escritor aumentou. Era ingrediente para um texto especial. E guardou a história que considerava fantástica.

Quando começou a escrever o livro, anos mais tarde, falava de Hilda Furacão como se fosse ela uma personalidade rara. Sabia que não poderia falar de uma mulher pobre. Isso não atrairia leitura. Fantasiou, então, a personagem, que teria saído da alta sociedade, frequentadora do Minas Tênis Clube. A isso, acrescentou outros ingredientes, como a Tradicional Família Mineira (TFM), os movimentos políticos que precederam o golpe militar de 1964. 

Muitos dos personagens do livro, como a própria Hilda, são reais, assim como alguns fatos, como a compra de retirantes nordestinos por Roberto Drummond, em reportagem para mostrar a condição miserável dos sertanejos, que lhe valeu o Prêmio Esso.

Hilda Furacao – Roberto Drummond

 

 

FONTE: Estado de Minas.


Chargista esportivo mineiro Afo morre neste sábado
Afo era chargista há 45 anos e colaborava para o Estado de Minas há 25

Afo
O chargista do Estado de Minas Afonso Celso Duarte, o Afo, conhecido por suas tirinhas para o caderno de Esportes, faleceu neste sábado em Belo Horizonte. O velório está marcado para as 18h no cemitério Parque da Colina e o enterro irá acontecer às 11h, no mesmo local.

A causa da morte foi uma síndrome hepático renal. O desenhista lutava contra a Hepatite C há mais de uma década. A doença se agravou nos últimos meses e há cerca de um mês sua tirinha deixou de ser publicada diariamente.

Afo tinha 72 anos e por mais de 25 colaborou como chargista para o Estado de Minas. O primeiro trabalho na área aconteceu em 1969, para o extinto ‘O Diário’, de Belo Horizonte. Antes de começar no EM, Afo também colaborou para o ‘Diário de Minas’. Atualmente, suas charges compunham o caderno de Esportes diariamente e a página ‘Gandula’ do Jornal Aqui, em parceria com Son Salvador.

Afo-2

FONTE: Estado de Minas.


Jornalista é condenado por suposto texto contra juiz

O desembargador Edson Ulisses de Melo disse em audiência que “todo mundo sabe que ele escreveu contra o governador e contra mim”

edsonO desembargador Ulisses

O jornalista sergipano Cristian Góes foi condenado, em primeira instância, a sete meses e 16 dias de detenção, revertido a prestação de serviço a entidades assistenciais, pela juíza Brígida Declerc, do Juizado Especial Criminal em Aracaju, numa ação movida pelo desembargador e vice-presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe, Edson Ulisses de Melo. O magistrado se sentiu ofendido num texto publicado pelo jornalista, intitulado “Eu, o coronel em mim”, publicado em seu blog em maio do ano passado. Apesar do texto não ter o nome de ninguém, o desembargador entendeu que a crítica se refere a ele e ao governador de Sergipe, Marcelo Déda. Edson Ulisses é cunhado do govenador Déda.

O desembargador, que não foi localizado para se pronunciar sobre a sentença, disse em audiência que “todo mundo sabe que ele escreveu contra o governador e contra mim. Não tem nomes e nem precisa, mas todo mundo sabe que o texto ataca Déda e a mim”. A possível ofensa sofrida pelo desembargador ocorre quando o jornalista cita a expressão “jagunço das leis”. Por isso, ele pediu a prisão do jornalista.O advogado do jornalista, Antônio Rodrigues, disse que como foi uma decisão em primeira instância, ele irá recorrer. “Em razão de ser uma sentença absurda, não acreditamos que ela prospere, mas se for o caso, vamos ao STF em razão da decisão ferir gravemente a Constituição Federal. E, quem sabe, podemos ir ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e as cortes internacionais de Direitos Humanos”, afirmou o advogado.Além da ação criminal, o desembargador Edson Ulisses entrou com ação cível por danos morais contra o jornalista e pediu que o juiz estabeleça um valor para indenização.

Eu, o coronel em mim*
Por Cristian Góes

Está cada vez mais difícil manter uma aparência de que sou um homem democrático. Não sou assim, e, no fundo, todos vocês sabem disso. Eu mando e desmando. Faço e desfaço. Tudo de acordo com minha vontade. Não admito ser contrariado no meu querer. Sou inteligente, autoritário e vingativo. E daí?

No entanto, por conta de uma democracia de fachada, sou obrigado a manter também uma fachada do que não sou. Não suporto cheiro de povo, reivindicações e nem com versa de direitos. Por isso, agora, vocês estão sabendo o porquê apareço na mídia, às vezes, com cara meio enfezada: é essa tal obrigação de parecer democrático.

Minha fazenda cresceu demais. Deixou os limites da capital e ganhou o estado. Chegou muita gente e o controle fica mais difícil. Por isso, preciso manter minha autoridade. Sou eu quem tem o dinheiro, apesar de alguns pensarem que o dinheiro é público. Sou eu o patrão maior. Sou eu quem nomeia, quem demite. Sou eu quem contrata bajuladores, capangas, serviçais de todos os níveis e bobos da corte para todos os gostos.

Apesar desse poder divino sou obrigado a me submeter à eleições, um absurdo. Mas é outra fachada. Com tanto poder, com tanto dinheiro, com a mídia em minhas mãos e com meia dúzia de palavras modernas e bem arranjadas sobre democracia, não tem para ninguém. É só esperar o dia e esse povo todo contente e feliz vota em mim. Vota em quem eu mando.

Ô povo ignorante! Dia desses fui contrariado porque alguns fizeram greve e invadiram uma parte da cozinha de uma das Casas Grande. Dizem que greve faz parte da democracia e eu teria que aceitar. Aceitar coisa nenhuma. Chamei um jagunço das leis, não por coincidência marido de minha irmã, e dei um pé na bunda desse povo.

Na polícia, mandei os cabras tirar de circulação pobres, pretos e gente que fala demais em direitos. Só quem tem direito sou eu. Então, é para apertar mais. É na chibata. Pode matar que eu garanto. O povo gosta. Na educação, quanto pior melhor. Para quê povo sabido? Na saúde…se morrer “é porque Deus quis”.

Às vezes sinto que alguns poucos escravos livres até pensam em me contrariar. Uma afronta. Ameaçam, fazem meninice, mas o medo é maior. Logo esquecem a raiva e as chibatadas. No fundo, eles sabem que eu tenho o poder e que faço o quero. Tenho nas mãos a lei, a justiça, a polícia e um bando cada vez maior de puxa-sacos.

O coronel de outros tempos ainda mora em mim e está mais vivo que nunca. Esse ser coronel que sou e que sempre fui é alimentado por esse povo contente e feliz que festeja na senzala a minha necessária existência.

*Artigo originalmente publicado no dia 29 de maio de 2012, no Portal Infonet

FONTE: Estado de Minas.


Um jornalista de Tupã, que mantém blog na internet, deve indenizar vereadora do município em R$ 10 mil por ofensa à honra. Ele foi condenado pela 5ª câmara de Direito Privado do TJ/SP por referir-se à mulher com termos como imoral, ilegal e Judas, além de relacioná-la a crimes.

Tupã fica na Alta Paulista, no oeste de São Paulo, cidade que reúne a tranqüilidade das pequenas cidades e as opções e variedades das grandes.
Tupã, foi fundada em 12 de outubro de 1929, por Luiz de Souza Leão numa região de floresta virgem, localizada no espigão dos rios do Peixe e Feio (ou Aguapeí), traçado da Ferrovia.

O nome escolhido – TUPÃ (o Deus do Trovão ou Espírito Bom), evoca uma homenagem aos primitivos habitantes do local, os índios.

O crescimento e o desenvolvimento da cidade teve a participação direta dos imigrantes que também ajudaram a ocupar o interior do Estado de São Paulo. São as colônias de Letos, Japoneses, Portugueses, Italianos, Espanhóis, Sírios, etc., que com seus usos e costumes, sua força de vontade e principalmente o seu trabalho deram uma contribuição muito grande para Tupã.

De acordo com os autos, na página, em que veicula reportagens sobre a administração municipal, o blogueiro abordou a realização e suposta fraude em concurso público. No texto, ele acusa a vereadora de ser omissa e agir “como Judas”, transitando “entre o ilegal e o imoral”, além de afirmar que a política é envolvida em “questões administrativas de improbidade, omissão, prevaricação, corrupção, entre outros”. Na ação, a autora apela contra decisão anterior que julgou improcedente pedido de indenização por danos morais pela utilização de expressões desonrosas.

Para o desembargador James Siano, relator do recurso, a liberdade de expressão não é ilimitada, devendo ter limites. Segundo ele, referir-se a alguém lançando mão de vocábulos com significado pejorativos além de relacionar seu nome a crimes de prevaricação, omissão e corrupção, ofendem a honra.

“A partir do momento que tais expressões foram lançadas no blog do réu e, expostas no universo virtual da internet, a honra da autora foi associada a fatos negativos, desabonando e colocando em xeque sua conduta”, além de ofender atributos de sua personalidade. O magistrado salientou ainda não haver dúvidas de que as expressões utilizadas pelo réu ofenderam a honra da autora.

Tupã

FONTE: Site do município de Tupã e Migalhas.



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