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Nova fórmula para levar à mesa

Pirâmide alimentar é redesenhada com o objetivo de melhorar a qualidade da dieta dos brasileiros. Nutrólogo mineiro, Enio Cardillo Vieira questiona valor dado ao feijão, que deveria estar na base

Nutrólogo Enio Cardillo alerta para consumo excessivo de batata e carne  (Beto Novaes/EM/D.A Press )
Nutrólogo Enio Cardillo alerta para consumo excessivo de batata e carne

Arroz, feijão, carne e salada. O prato presente na mesa de milhões de brasileiros é alardeado por especialistas há anos como uma combinação das mais saudáveis à mesa. Mas esse cardápio tem mudado, e para pior. A população está obesa, ainda que não seja responsabilidade só do que se consome (incluem-se aí o sedentarismo, o estilo de vida, o hábito alimentar e a atividade física), e o fast food assume importância indesejável.

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No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou, em 2010,  dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2008/2009) indicando que o peso dos brasileiros aumentou nos últimos anos, devido à alimentação inadequada.
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O excesso de peso em homens adultos saltou de 18,5% para 50,1% – ou seja, metade dos homens já estava acima do peso – e ultrapassou o excesso em mulheres, que foi de 28,7% para 48%.  Para resgatar a importância da boa alimentação e na tentativa de aproximar a informação, a pirâmide alimentar adaptada à população brasileira publicada em 1999 foi redesenhada para o modelo atual com 2.000 quilocalorias (kcal), atendendo a recomendação energética média diária para o brasileiro estabelecida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
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Assim, no desenho atual, os alimentos estão distribuídos em oito grupos e em quatro níveis, de acordo com o nutriente que mais se destaca na sua composição. Para cada grupo são estabelecidos valores energéticos, fixados em função da dieta e das quantidades dos alimentos, permitindo estabelecer os equivalentes em energia (kcal). Outra orientação é o planejamento das refeições conforme os grupos de alimentos. A alimentação deve ser composta por quatro a seis refeições diárias, distribuídas em três principais (café da manhã, almoço, jantar), com 15% a 35% das recomendações diárias de energia, e em até três lanches intermediários (manhã, tarde e noite), com 5% a 15% das recomendações diárias de energia.

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A pirâmide alimentar foi redesenhada com o objetivo de melhorar a qualidade da dieta dos brasileiros, já que ela é o instrumento mais usado no país para nortear qualitativa e quantitativamente o padrão alimentar da população. A pesquisadora Sonia Tucunduva Philippi, do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, elaborou e publicou o primeiro trabalho sobre essa pirâmide adaptada e colaborou com o Ministério da Saúde no desenvolvimento do Guia alimentar brasileiro com os cálculos do número de porções e valor energético médio de cada uma delas, para todos os grupos alimentares e para uma dieta de 2.000 kcal. O trabalho foi apresentado no V Congresso Brasileiro de Nutrição Integrada (CBNI). “A refeição é um momento de prazer e as boas escolhas alimentares devem ser levadas em conta. Não basta falar, é preciso orientar, auxiliar e levar a informação para a população.”

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REGIONAL VALORIZADO

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Sonia Philippi explica que nessa mudança a preocupação foi destacar os alimentos integrais e regionais. A proposta é que sejam mais  aproveitados. “Como o hábito regional não muda rapidamente, o esforço é resgatar o bom hábito alimentar. É preciso valorizá-lo a todo momento e, por isso, é interessante torná-lo mais próximo. Então, valoriza-se, por exemplo, as frutas do Nordeste, ou o maior consumo de leite, iogurte e queijo nas regiões que têm problema de cálcio entre seus habitantes. Ou sugere-se o consumo dos doces de Minas em menor quantidade”, explica.

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Na nova pirâmide podem-se valorizar alimentos como iogurte, leite e queijo, ricos na culinária mineira e fonte de cálcio. Segundo o Ministério da Saúde, o brasileiro deve ingerir diariamente três porções de lácteos ao dia para obter a recomendação diária desse nutriente. Dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas mostram que, na faixa de 10 a 19 anos, 13,8% dos mineiros tinham o índice de massa corporal (IMC) acima do recomendado. Em 2012, eram 15,1%. No Brasil, de acordo com o último Vigitel – pesquisa do Ministério da Saúde feita por inquérito telefônico –, 21,7% dos meninos e 19% das meninas estavam acima do peso em 2008/2009.

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“Quanto mais capim comemos, melhor”

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Com experiência de sobra, o nutrólogo mineiro Enio Cardillo Vieira usa com seus pacientes a pirâmide alimentar do laboratório americano Mayo, um dos mais respeitados do mundo. Em relação à brasileira redesenhada, ele destaca a inversão do carboidrato (arroz, pão, massa, batata, mandioca) com as frutas e hortaliças (legumes e verduras). “Quanto mais capim comemos, melhor. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda cinco porções de uma combinação de frutas e hortaliças. E é importante saber que uma porção é um punho cerrado ou uma mão cheia. Uma laranja, uma maçã, uma mão cheia de couve. O que não se deve é abusar do produto animal. Mas a pirâmide brasileira está correta, não tem grande novidade, a não ser nos detalhes”, diz.

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Com o carboidrato na base da pirâmide brasileira, Cardillo lembra que é preciso ter cuidado com o consumo da batata. “Ela tem o índice glicêmico elevado porque a absorção da glicose é mais rápida que qualquer outro alimento. É contraindicada para quem tem diabetes. Walter Willett, da Universidade de Harvard, desenvolveu um estudo provando que grande parte da obesidade na população é pelo consumo em excesso da batata”, aponta.

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O médico gosta da ideia de regionalização, mas faz uma ressalva: “É importante e lúcido incentivar o consumo de cupuaçu e graviola no Amazonas ou do feijão-de-corda no Nordeste. Mas não se pode perder o óbvio de vista, que o espírito da pirâmide é atender o ser humano, que é um só”.

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Em acordo está o perigo da gordura, que precisa ser consumida cada vez menos. Ela é o maior vilão da alimentação. “Os alimentos que mais contribuem com as calorias são carboidratos, carnes e laticínios, além dos doces e do óleo. A gordura é a mais calórica, tem 9 calorias por grama. Deve ser evitada. É epidemiológica por acarretar alto índice de obesidade”, alerta Cardillo.

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SUBSIDIAR

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Apesar de achar a pirâmide alimentar brasileira sensata, o nutrólogo discorda de um ponto importante. “O feijão no terceiro andar tinha de estar na base. Cereais como arroz, centeio e trigo têm deficiência de aminoácido essencial ao organismo e que precisa ser obtido da dieta. As leguminosas, como feijão, ervilha, lentilha, são ricas em lisina. Portanto, arroz com feijão é a complementação perfeita, um ajuda o outro”.

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Ele reforça que essa combinação, consagrada no Brasil, tem sua versão espalhada pelo mundo. “No México e na América Central é o milho com feijão. Na África, lentilha mais o sorgo. Em determinados países árabes, o trigo mais o grão de bico. No extremo Oriente, o arroz se junta à soja. Essa mistura é das mais saudáveis. Inclusive, o professor Dutra Oliveira, um pesquisador em nutrição, médico e professor aposentado da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, autoridade máxima em nutrição no Brasil, propôs ao governo brasileiro subsidiar o arroz e o feijão. Os produtos ficariam mais baratos e o povo mais nutrido. Mas ninguém se interessou”, lamenta Cardillo.

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FONTES: Estado de Minas e Dieta e Saúde.


  • Total de leite adulterado movimentado pelo grupo, no período de um ano, chegou a 100 milhões de litrosTotal de leite adulterado movimentado pelo grupo, no período de um ano, chegou a 100 milhões de litros

O Ministério Público Estadual (MPE) do Rio Grande do Sul flagrou em escutas telefônicas realizadas durante a Operação Leite Compensado, que detectou atravessadores que fraudavam cargas de leite cru para obter mais lucro, conversas que indicam que a fórmula química para a adulteração era comercializada a R$ 10 mil.

Além disso, um informante dos promotores retirou de uma propriedade na qual o produto era “batizado” um recipiente com ureia e instruções para a mistura escritas no rótulo. Mesmo assim, o MPE informou acreditar que as empresas operavam independentemente.
Para cada 9 litros de leite, o fraudador misturava um litro de água e adicionava 10 gramas de ureia industrializada, que mascarava a dissolução. Essa substância continha formol, produto cancerígeno, que o MPE informou estimar ter contaminado 100 milhões de litros de leite em um ano.

Operação Leite Compen$ado descobre esquema de adulteração de leite no RS

 

O Ministério Público do Rio Grande do Sul divulgou imagens capturadas durante a Operação Leite Compen$ado, que descobriu um esquema de adulteração do leite vendido pelas empresas Italac, Mumu, Líder e Latvida. Uma mistura de água, ureia e formol era colocada no produto para aumentar o lucro das empresas. Na Latvida, uma vistoria constatou o armezanamento inadequado de produtos e a presença de insetos, o que resultou na interdição da empresa.
Conforme uma fonte do MPE, caso os fraudadores tivessem optado pela ureia sem formol, mais cara, teria sido ainda mais difícil desmascarar o golpe.
Cinco empresas de transporte de leite entre o produtor e a indústria adulteraram o produto cru, de acordo com o MP. O golpe foi descoberto depois que os promotores receberem denúncias de que uma substância ainda não identificada estava sendo usada para fraudar o leite. Um levantamento foi solicitado para a Receita Federal, que apurou que os empresários estavam comprando uma grande quantidade de ureia.
Os locais em que a carga deleite era adulterada não possuíam as mínimas condições de higiene. Gado e porcos tinham acesso aos poços artesianos de onde a água era retirada para a fraude.

Operação

Na Operação Leite Compensado, foram cumpridos dez mandados de prisão e oito de busca e apreensão nas cidades gaúchas de Ibirubá, Guaporé e Horizontina.

ADULTERAÇÃO DE LEITE OCORRIA EM AMBIENTES INSALUBRES

As empresas investigadas transportaram aproximadamente 100 milhões de litros de leite entre abril de 2012 e maio de 2013. Desse montante, estima-se que um milhão de quilos de ureia contendo formol tenham sido adicionados. Amostras coletadas no decorrer da investigação em supermercados de Porto Alegre apontaram fraude em 14 lotes de leite UHT.
A simples adição de água com o objetivo de aumentar o volume acarreta perda nutricional, que é compensada pela adição da ureia com formol, considerado cancerígeno pela Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer e pela OMS (Organização Mundial de Saúde).
A fraude foi comprovada através de análises químicas do leite cru, em que foi possível identificar a presença do formol, que, mesmo depois dos processos de pasteurização, persiste no produto final. Com o aumento do volume do leite transportado, os “leiteiros” lucravam 10% a mais que os 7% já pagos sobre o preço do leite cru, em média R$ 0,95 por litro.
FONTE: UOL.

Empresa do grupo JBS se associa à cooperativa mineira e gestão vai ser profissionalizada com novo presidente

 

Centro de distribuição em Itaúna é uma das de unidades de trânsito dos produtos do latícinio, que tem quatro fábricas no estado e uma em Goiás (Ricardo Fonseca/Divulgação)
Centro de distribuição em Itaúna é uma das de unidades de trânsito dos produtos do latícinio, que tem quatro fábricas no estado e uma em Goiás

Há cerca de dois anos em busca de um sócio estratégico, a Itambé, um dos maiores laticínios do país, controlado pela Cooperativa Central de Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR), teve metade de suas ações vendidas, ontem, à Vigor Alimentos, do grupo JBS, maior frigorífico do mundo. A companhia mineira receberá um aporte de R$ 410 milhões, que, segundo comunicado distribuído pela Vigor e a CCPR, permitirá manter e ampliar o relacionamento com 8 mil produtores rurais, responsáveis pela entrega diária de 3 milhões de litros de leite às unidades da companhia, a Itambé Alimentos S. A.

Os presidentes da Itambé, Jacques Gontijo, e da Vigor, Gilberto Meirelles Xandó, estarão reunidos hoje na sede do laticínio, em Belo Horizonte, onde vão falar sobre os desdobramentos do negócio anunciado no começo da noite, depois do fechamento do mercado de ações. Pelo acordo, um novo presidente será nomeado para conduzir a empresa numa fase que terá como desafio ampliar a participação das marcas sob o guarda-chuva da Itambé, segundo o comunicado à imprensa. A conclusão da operação depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O suporte do grupo JBS permitiu que a Vigor, classificada na 10ª posição entre os maiores laticínios no Brasil, comprasse a terceira empresa do setor no país, de acordo com o ranking de 2011 da Leite Brasil e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Com um faturamento de R$ 2 bilhões, a Itambé mantém 3,3 mil empregados em quatro fábricas mineiras – Sete Lagoas, Guanhães, Pará de Minas e Uberlândia –, e uma em Goiás, além de 10 centros de distribuição. A Vigor, por sua vez, processou em 2011 242,3 milhões de litros de leite, recebidos de 1,3 mil produtores. Ela foi incorporada como parte da aquisição do Bertin em 2009, então maior concorrente do JBS.

“A relevância da marca Itambé nos principais centros de consumo do Brasil, aliada à excelente qualidade da bacia leiteira na qual a CCPR está inserida, nos enche de orgulho e nos dá certeza de que faremos parte de um novo momento de crescimento da companhia”, disse em nota o presidente da Vigor, Gilberto Xandó. Jacques Gontijo afirmou, também por meio do comunicado, que a sociedade “ajudará no desenvolvimento de novos produtos, adequados às preferências do consumidor brasileiro e com a qualidade pela qual somos reconhecidos”.

O aporte financeiro servirá, ainda de acordo com o comunicado, para fortalecer a estrutura de capital da Itambé, que ganha em outros campos destacados com o ingresso da Vigor: “Processos operacionais e administrativos independentes, gestão totalmente profissionalizada e acionistas experientes em toda a cadeia de produção de lácteos”. A associação representaria a retomada dos investimentos na indústria láctea de Minas, maior produtor de leite do país.

A CCPR havia anunciado no começo de 2011 a procura de um sócio no setor ou de um investidor estratégico. À época, circulavam informações de que o acionista levaria 20% a 30% do laticínio. Desde então, boatos davam conta de que a companhia faria uma tentativa de abrir seu capital (com o lançamento de uma oferta pública inicial de ações, o IPO, na sigla em inglês). No negócio com a Vigor, a empresa contou com assessoria do Bradesco BBI e do escritório Souza, Cescon, Barrieu & Flesch Advogados.

Expectativas no campo O desfecho da procura de um acionista com capital suficiente para sustentar a expansão da empresa mineira aumenta as expectativas dos produtores pelo fortalecimento da marca. “Nessa linha, somos favoráveis ao negócio, como representantes dos produtores, se essa associação representar, de fato, mais valor para os produtos da Itambé e prover a tecnologia que o capital proporciona”, afirmou o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Roberto Simões.

Segundo ele, além da tradição do nome do laticínio, criado em Minas 69 anos atrás, a Itambé é a única de uma era de centrais de cooperativas de produtores – envolvendo fazendeiros de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul – que sobreviveu ao cenário adverso de falta de recursos financeiros para se profissionalizar e alcançar os níveis de modernização exigidos pelo mercado. “O agronegócio exige muito capital para movimentar a indústria e por isso precisa se fortalecer”, afirma o presidente da Faemg.

 

Análise da notícia
Tradição abre boa perspectiva

 

Marcílio de Moraes

A compra de 50% da Itambé pela Vigor promete dar novo impulso à cooperativa que é hoje uma das maiores indústrias de laticínios do país. Em busca de um sócio para se capitalizar há alguns anos, a Itambé ganha o fôlego de que precisa para continuar crescendo, enquanto a Vigor terá acesso ao mercado mineiro, um dos maiores do país. Ganham a empresa do grupo JBS e a CCPR. Esse ganho deve ocorrer respeitando a qualidade dos produtos e a tradicional vocação mineira para a produção de leite e derivados, cantada em verso e prosa. Preservar uma tradição e valorizar os produtores de leite mineiros é a perspectiva que se abre a partir de agora. A associação tem tudo para ser mais do que uma simples compra de um concorrente.

 

Memória

Raízes na bacia leiteira de Minas

As origens da Itambé são anteriores aos tempos em que o leite e o iogurte eram entregues em garrafas de vidro num estado que já mostrava a força das suas bacias leiteiras. A então Usina Central de Leite nasceu em 1944, ligada à Secretaria de Agricultura de Minas, para em menos de cinco anos se transformar na Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Leite (CCPL), mais tarde entregue aos produtores em regime de arrendamento. Nos anos 50, a primeira transformação foi feita com o surgimento da CCPR e a inauguração da fábrica de Sete Lagoas, para produção de leite em pó, manteiga, queijos e doce de leite. A necessidade de crescimento do negócio levou à abertura de filiais em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo na década de 60, que daria o tom de uma Itambé capaz de adquirir, nos anos 70, uma fábrica na capital federal. Em 2000 começaram os projetos de ampliação das fábricas mineiras, para produzir creme de leite em lata e UHT. A empresa passou a participar da Serlac, empresa de negócios de exportação, e lançou a linha light.

FONTE: Estado de Minas.



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