Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Herança milionária de Antônio Luciano pode ajudar caixa do estado

Imposto que incide sobre o patrimônio deixado pelo lendário empresário mineiro chega a R$ 205 milhões. AGE conseguiu na Justiça bloquear bens para garantir o pagamento

No mais longo e complexo processo de inventário em tramitação na história do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), o poder público teve agora reconhecido o direito a uma fatia de exatos R$ 205.646.365,94 de uma herança bilionária. Trata-se do espólio do médico e empresário Antônio Luciano Pereira Filho, dono de uma fortuna estimada em pelo menos R$ 2 bilhões para ser dividida pelos 31 filhos que teve com mais de 20 mulheres. Na semana passada, o estado conseguiu na Justiça bloquear bens para o pagamento do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos (ITCD) – taxa que até hoje não foi paga pelos herdeiros, embora a legislação dê um prazo de 90 dias após a morte para a quitação sem multa, que pode chegar a 100% do valor.

Antônio Luciano Pereira morreu em 19 de junho de 1990 e deixou para trás cinco testamentos e uma polêmica em torno da divisão de seus bens. A ação para a partilha chegou à 1ª Vara de Sucessões da capital três dias depois da sua morte – e está lá até hoje. Em meio à discussão e inclusão de herdeiros que foram sendo reconhecidos ao longo do tempo, o estado tenta receber o ITCD desde 2004, quando ingressou na ação. Pois na quarta-feira passada, obteve uma importante vitória: garantiu o bloqueio de imóveis do espólio e de 20% do faturamento de uma das empresas do inventariante – que terá as atividades administradas por uma firma indicada pela Justiça. A decisão veio do desembargador Caetano Levi Lopes.

De acordo com a Advocacia-Geral do Estado (AGE), o valor do ITCD é o mais alto registrado até hoje em Minas. O cálculo foi feito com o apoio da Secretaria da Fazenda a partir de um levantamento do patrimônio do empresário, tendo sido identificados 455 imóveis. O próprio estado admite que o volume de bens pode ser muito maior. Há quem diga que gira em torno de US$ 3 bilhões – mais de R$ 10 bilhões. A partir do cálculo feito pela SEF, a AGE entrou na ação e requereu a homologação na Justiça. Depois da vitória na primeira instância, garantiu a manutenção da decisão no TJ. A única diferença é que, se antes seriam bloqueados 40% do faturamento da empresa, na segunda instância o índice caiu para 20%.

Mas se o pagamento do ITCD é necessário para o andamento do inventário e divisão dos bens, por que ele não foi pago? “A divisão dos bens gerou uma briga entre os filhos, e por causa dela não quitaram o ITCD”, explicou uma fonte da AGE. Pois a disputa pelo patrimônio milionário começou antes mesmo da morte do empresário. Pressionado pela série de pedidos de reconhecimento de paternidade pelos filhos obtidos fora do casamento, Antônio Luciano apelou a uma junta de juristas para uma “transação entre vivos”. Em vida, ele e a mulher, Clara, doaram o patrimônio aos três filhos frutos do casamento. Mas a morte da matriarca, em 1987, levou a uma intrincada disputa entre os demais filhos do empresário, que temiam ficar com um quinhão menor que o dos irmãos.
Antônio Luciano acumulou uma fortuna estimada em R$ 2 bilhões

Na ocasião, os três filhos de Antônio Luciano e Clara optaram por dividir a metade do patrimônio – que dizia respeito à doação do pai – com outros 26 filhos que já haviam tido a paternidade reconhecida pela Justiça (depois vieram mais dois). Estima-se que, na ocasião, cada um ficou com cerca de US$ 20 milhões. Com a morte de Antônio Luciano, em 1990, a transação foi homologada na Justiça, com o aval do Ministério Público. No entanto, em 2008, o juiz da 1ª Vara de Sucessões anulou todas as etapas do inventário e a transação feita antes da morte do patriarca da família foi considerada irregular. Desde então, o caso se arrasta na Justiça.

Recursos A vitória não garante dinheiro no caixa estadual imediatamente – até porque, ainda cabem alguns recursos protelatórios. A cobrança só poderá ser feita no momento da definição da partilha dos bens. Mas para garantir o pagamento em uma ação que envolve dezenas de pessoas (somente advogados são quase 140 inscritos no processo), a alternativa foi pedir a reserva do valor. Os bens bloqueados é que garantirão a quitação da dívida caso os herdeiros aleguem não ter dinheiro suficiente para pagá-la. No dia 21, novas petições foram juntadas ao processo, que está com vistas para o Ministério Público até 24 de janeiro.

Dinheiro e mulheres


A história de Antônio Luciano Pereira Filho se tornou uma lenda em Minas Gerais. Um dos homens mais ricos do seu tempo, chegou a ter em seu nome 30 mil lotes e prédios – a maioria deles em Belo Horizonte. Na década de 1960, foi dono de todos os cinemas da capital e tinha 256 fazendas em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. E ele não gostava de colecionar apenas cifrões. Mulheres foram seu “ponto fraco”. Oficialmente, tem 31 filhos com mais de 20 parceiras. Três deles com Clara, a única mulher com quem se casou.

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FONTE: Estado de Minas.


Chuck Norris infarta duas vezes, sobrevive e passa bem

Ícone das artes marciais teve duas paradas cardíacas em menos de uma hora

Conhecido por ser um ícone das artes marciais, o ator Chuck Norris, inspiração de memes e lendas sobre sua quase imortalidade, chegou, mais uma vez, muito próximo da morte, mas, desta vez, na vida real.

Segundo informações divulgadas nesta semana pelo site americano Radar Online, no último dia 16, Norris, de 77 anos, sofreu, em menos de uma hora, dois infartos, quando ele e sua família voltavam de carro de uma viagem à Las Vegas.
Chuck Norris
O ator foi à cidade para participar de um Campeonato Mundial de Artes Marciais, e, de madrugada, no hotel onde resolveram passar a noite, sofreu a primeira parada cardíaca. Ao chegar no hospital, veio o segundo ataque. Norris foi reanimado e, em alguns dias foi liberado para ir para casa.

A lenda permanece viva!

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FONTE: O Tempo.


Chuck Berry, lenda do rock, morre aos 90 anos

Considerado um dos pioneiros do gênero, guitarrista ídolo de Beatles e Rolling Stones foi encontrado morto pela polícia em sua casa em Missouri, nos EUA.

Morre, aos 90 anos, o cantor e guitarrista Chuck Berry, lenda do rock

O músico Chuck Berry, um dos pioneiros do rock, morreu neste sábado (18) aos 90 anos no Missouri, nos Estados Unidos, informa a polícia local do condado de St. Charles. O guitarrista lendário foi encontrado em sua casa já sem sinais vitais. A causa da morte ainda não foi revelada.

“O departamento de polícia do condado de St. Charles infelizmente tem de confirmar a morte de Charles Edward Anderson Berry Senior, melhor conhecido como o lendário músico Chuck Berry”, afirma a polícia, em nota. De acordo com os oficiais, a família pede “privacidade durante esse momento de perda”.

“A polícia respondeu a um chamado médico de emergência em Buckner Road às aproximadamente 12h40 [horário local, 14h40 no horário de Brasília] de hoje”, afirmou a instituição. “Dentro da casa, socorristas observaram um homem que não respondiam e imediatamente administraram técnicas salva vidas. Infelizmente, o homem de 90 anos não pôde ser ressuscitado e foi pronunciado morto às 13h26.”

Ídolo dos Beatles e dos Rolling Stones, Chuck Berry era conhecido por clássicos como “Johnny B. Goode”, “Sweet little sixteen” e “You never can tell”. Esta última música ganhou destaque nos anos 90 por causa de uma das cenas mais famosas de “Pulp fiction”, do diretor Quentin Tarantino. Também gravou “Maybellene” e “Roll over Beethoven” e “Memphis, Tennessee”.

Sua marca no gênero foi tão grande que certa vez John Lennon, dos Beatles, falou: “Se você tiver de dar outro nome ao rock’n’roll, poderia chamá-lo de Chuck Berry”.

Ao longo dos anos, Berry realizou algumas apresentações no Brasil. Ele participou do Free Jazz Festival, em 1993, no Rio. O guitarrista voltou em 2002 para show em Jaguariúna (SP), e em 2008, para apresentações em SP, RS e PR.

Em outubro, ao completar seus 90 anos de idade, Berry anunciou através das redes sociais seu primeiro álbum desde 1979. O álbum “Chuck” estava previsto para ser lançado em 2017 com músicas novas escritas e gravadas pelo músico.

Ele dedicou o disco à sua esposa, Themetta “Toddy” Suggs , com quem viveu durante os últimos 68 anos. “Querida, estou ficando velho! Trabalhei durante muito tempo neste disco. Agora posso pendurar as chuteiras”, disse o cantor.

Berry deixa sua mulher e seus quatro filhos, Ingrid, Aloha, Charles Jr. e Melody.

Lenda

Nascido em 18 de outubro de 1926, em Saint Louis, também no Missouri, Berry dizia emular “a clareza vocal suave de seu ídolo, Nat King Cole, enquanto tocava músicas de blues de gente como Muddy Waters”, descreve a biografia em seu site oficial. Berry foi o quarto dos seis filhos de um empreiteiro e de uma diretora de escola.

Ele aprendeu a tocar guitarra durante o ensino médio, quando passava por uma fase rebelde. Tanto que foi preso por tentativa de roubo. Depois, chegou a trabalhar em uma linha de montagem de fábrica da General Motors.

Berry passou a se dedicar exclusivamente à música nos anos 1950, quando formou um trio com um baterista, Ebby Harding, e um tecladista, Johnnie Johnson. Ele atingiu sucesso em 1955 quando conheceu a lenda do blues Muddy Waters e o produtor Leonard Chess em Chicago, e passou a misturar estilos do country e do blues do sul dos EUA com uma pegada pop, mais palatável para as rádios.

“Eu queria tocar blues”, afirmou Chuck Berry em entrevista à revista “Rolling Stone”. “Mas eu não era ‘blue’ [triste] o suficiente. Eu sempre tive comida na mesa.”

Além das músicas e da influência sobre todo um gênero, o músico também deixou sua marca na famosa “duck walk”, na qual tocava sua guitarra enquanto pulava em uma perna agachado pelo palco.

Em 1986, ele fez parte do primeiro grupo de artistas a entrar no Hall da Fama do Rock and Roll. Berry foi apresentado pelo guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards.

Lei

Além dos problemas na adolescência, Berry se envolveu em alguns problemas com a lei ao longo do anos. O mais grave em 1959, quando foi detido em Saint Louis acusado de transportar uma garota de 14 anos por divisas estaduais com a intenção de prostituição.

Ele foi condenado dois anos depois e passou 20 meses na prisão, uma experiência que amigos relatam que mudou profundamente sua maneira de ser.

Em 1979, Berry foi preso novamente. O guitarrista passou quatro meses detido por evasão fiscal.

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FONTE: G1.


‘É um desserviço às mulheres’: Drauzio Varella desmente boato que liga mamografia a câncer de tireoide

Em mês de conscientização sobre prevenção do câncer de mama, vídeo circula nas redes com informações falsas – e citando médico como fonte.

mamografia jornal hoje (Foto: TV Globo)
Mamografia é exame importante na detecção precoce do câncer de mama

Drauzio Varella, o médico mais popular do Brasil, está bastante chateado. Um dia antes de falar com a BBC Brasil, ele recebeu, via WhatsApp, diversas cópias de um vídeo que citava seu nome. “É uma dessas teorias conspiratórias horríveis! Que horror!”, diz.

No vídeo, que também circula no Facebook, uma mulher não identificada afirma que, segundo Varella, os casos de câncer de tireoide em mulheres estariam aumentando por causa da realização de mamografias e radiografias odontológicas.

 Ela também critica profissionais de saúde que realizam esses exames por não oferecerem aos pacientes protetores de chumbo para a garganta – parte do corpo que abriga a glândula tireoide.

O mesmo texto já circulava por e-mail em 2013, quando chegou a ser desmentido por sites “caça-boatos”. Na época, as afirmações eram atribuídas ao programa americano de TV The Dr. Oz Show, comandado pelo médico Mehmet Öz.

Entre 2014 e 2015, uma versão passou a circular no WhatsApp, já atribuída a Drauzio Varella.

A novidade de 2016 é o vídeo, cuja circulação explodiu justamente no “outubro rosa”, mês de conscientização sobre o diagnóstico do câncer de mama.

“Estou entrando em contato com uma advogada especialista em internet para tomar providências. Passamos tantos anos insistindo que as mulheres façam mamografia anualmente a partir dos 40 anos, e uma pessoa infeliz dessa usa meu nome para assustar as mulheres”, diz o médico.

“Uma paciente minha que teve câncer de mama e hoje faz uma mamografia por ano para acompanhar veio me perguntar se deveria parar de fazer por causa disso, imagine!”

A BBC Brasil elaborou perguntas e respostas para esclarecer o que há de errado na mensagem do vídeo. Confira abaixo.

O câncer de tireoide realmente aumentou?
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a taxa de incidência desse tipo de câncer tem aumentado cerca de 1% ao ano na maioria dos países do mundo.

Mas isso se deve ao fato de que o exame que detecta um tumor está sendo realizado com mais frequência.

“Uma possível explicação para a tendência de aumento das taxas de incidência é o aumento do uso de ultrassom e biópsia guiada por imagem para detecção de doença subclínica”, afirma o instituto em nota enviada à BBC Brasil.

A taxa de mortalidade do câncer de tireoide, no entanto, está caindo na maioria dos países, diz o Inca, provavelmente por causa da melhoria do tratamento.

No Brasil, o instituto estima que sejam diagnosticados 6.960 novos casos neste ano – 1.090 em homens em 5.870 em mulheres.

Médico Dráuzio Varella especial pague menos (Foto: Divulgação)
Médico Dráuzio Varella é citado em boato sobre mamografia

Num vídeo publicado há um ano, Drauzio Varella cita um estudo que foi realizado na Coreia do Sul e chegou a conclusões semelhantes.

“O que acontece é que, muitas vezes, o ultrassom de tireoide mostra nódulos que nunca iriam se manifestar, e assusta as pessoas com problemas que não são graves. Mas é só isso, nem toquei na palavra mamografia”, afirma o médico à BBC Brasil.

A incidência de nódulos benignos e de câncer na tireoide é de duas a três vezes maior em mulheres do que em homens. De acordo com o Inca, fatores hormonais podem explicar essa diferença. “Mas isso sempre foi assim, muito antes de existir mamografia”, explica Varella.

“Se você fizer ultrassom de tireoide em 100 mulheres, mais ou menos 60 terão nódulos benignos na tireóide. Mas é importante lembrar que ter nódulos de tireoide não significa estar com câncer. A doença é mais rara.”

Esse tipo de câncer, diz o Inca, representa de 2% a 5% dos cânceres femininos e menos de 2% dos cânceres masculinos.

Mamografias e raios-X trazem risco de câncer?
Ainda em 2015, quando a versão escrita do boato começou a circular nas redes, a Comissão Nacional de Mamografia – formada pelo Colégio Brasileiro de Radiologia, pela Sociedade Brasileira de Mastologia e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia – divulgou uma nota afirmando que “o risco de indução de câncer de tireoide após uma mamografia é insignificante”.

Segundo a nota, trata-se de menos de 1 caso a cada 17 milhões de mulheres entre 40 e 80 anos que realizam mamografia anualmente.

“A dose de radiação para a tireoide durante uma mamografia é extremamente baixa (menor que 1% da dose recebida pela mama). Isto é equivalente a 30 minutos de exposição à radiação recebida a partir de fontes naturais”.

No site de Drauzio Varela, um texto sobre o câncer de tireoide lista, entre os fatores de risco, a “radiação na região do pescoço para tratamento de doenças anteriores”. Ele esclarece, no entanto, que isso se refere a tratamentos de radioterapia, em que o paciente recebe doses mais altas de radiação.

“Se você faz radioterapia no pescoço, a tireoide recebe radiação. Tanto que temos que acompanhar todos os pacientes que se submetem a isso com cuidado. Mas daí a dizer que uma mamografia ou um raio-X odontológico pode provocar um processo desse é um absurdo”, explica à BBC Brasil.

A dose de radiação à qual o paciente é exposto em um raio-X dentário é mais de 100 vezes menor do que em uma mamografia.

Por que o ‘protetor de tireoide’ não é usado pelos pacientes que fazem esses exames?
Em sua nota, Comissão Nacional de Mamografia afirma que não recomenda o uso do protetor de tireoide porque ele “pode interferir no posicionamento da mama e gerar sobreposição – fatores que podem reduzir a qualidade da imagem, interferir no diagnóstico e levar à necessidade de repetições de exames”.

A decisão, diz a nota, está de acordo com a posição da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da ONU.

Um documento da AIEA, publicado em 2011, afirma que “na mamografia moderna, há uma exposição insignificante para outros locais que não seja a mama” e que os protetores podem ser fornecidos a pedido dos pacientes, mas tem valor “psicológico”.

O órgão afirma ainda que o protetor não deve estar exposto na sala onde o exame ocorre para evitar que os pacientes achem que ele é necessário.

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FONTE: G1.


Aos 74 anos, morre Muhammad Ali, lenda eternizada na história do boxe

Três vezes campeão mundial dos pesos-pesados e considerado o maior nome do esporte, ex-boxeador lutava bravamente há três décadas contra o Mal de Parkinson

Morre o homem, e fica a lenda. Faleceu no fim da noite desta sexta-feira nos Estados Unidos (já madrugada de sábado no Brasil) Muhammad Ali, considerado por muitos o maior boxeador de todos os tempos. Aos 74 anos, o ex-campeão mundial dos pesos-pesados perdeu para o Mal de Parkinson a luta mais difícil de sua vida, deixando para sempre um vazio no esporte mundial. O falecimento do genial Ali foi confirmado por Bob Gunnell, porta-voz da família

Depois de uma batalha de 32 anos contra a doença de Parkinson, Muhammad Ali faleceu com a idade de 74 anos. O tricampeão mundial dos pesos-pesados morreu esta noite. A família gostaria de agradecer a todos por seus pensamentos, orações e apoio, e pede privacidade neste momento – informou Gunnell.

Muhammad Ali (Foto: Reuters)
A história se Ali fica perpetuada no Boxe e no esporte mundial

Tão firme como aguentou as pancadas que levou dentro dos ringues sem nunca ter sofrido um nocaute na carreira, Muhammad Ali também suportou por décadas uma doença degenerativa que afeta os neurônios, o Mal de Parkinson. Derrotado pela paralisia apenas aos 74 anos após muitas lutas e vitórias na vida profissional e pessoal, essa lenda do boxe mundial tem seu nome eternamente gravado na história do esporte, seja por suas atitudes exemplares ou pelo seu cartel de campeão, com 57 vitórias, sendo 37 delas por nocaute, e 5 derrotas.

Nascido na cidade de Louisville, em Kentucky, nos Estados Unidos, com o nome de Cassius Marcellus Clay Jr, ele deu seus primeiros socos no boxe quando tinha 12 anos de idade, em 1954. Na época, teve sua bicicleta nova vermelha e branca, presente do pai, roubada. Ao com encontrar o policial Joe Martin, que também era treinador de boxe, disse que daria uma surra no ladrão e ouvi: “Antes disso, é melhor você aprender a boxear”. O garoto Cassius não perdeu tempo, e depois de seis meses treinando com Martin, venceu sua primeira luta de boxe.

Muhammad Ali (Foto: Reuters)
Um boxeador incomparável, à frente de seu tempo

Ainda como amador, Cassius Clay conseguiu seu primeiro grande feito aos 18 anos, quando conquistou a medalha de ouro na Olimpíada, na categoria meio-pesado, ao ganhar na final do experiente polonês Zbigniew Pietrzykowski. Na volta aos EUA, apesar de ter sido recebido com festa por uma multidão em sua cidade-natal, um episódio marcante impulsionou sua batalha pelos direitos dos negros e igualdade racial. Em sua biografia, ele conta que entrou em um restaurante cheio de brancos e pediu um hambúrguer, mas a funcionário se negou a servi-lo. “Sou Cassius Clay, campeão olímpico”, explicou, mas de nada adiantou. A alegria deu lugar à decepção, e o boxeador acabou jogando a sua medalha olímpica no Rio Ohio.

Já como profissional, na ocasião com 19 vitórias em 19 lutas, Cassius chega para enfrentar o favorito Sonny Liston em 1964, vence no sétimo assalto em Miami, se torna campeão mundial dos pesos-pesados e grita: “Eu sou o maior”. Pouco depois disso, chegou a se aliar a Malcom X, defensor do nacionalismo negro, e também anunciou ter se convertido à religião islâmica, mudando o seu nome para Muhammad Ali. Em 1967, uma polêmica fez Ali perder o título mundial e ficar afastado do boxe por três anos. Ele se recusou a servir o exército americano na Guerra do Vietnã e ainda fez críticas ao envio de militares para o conflito com os vietcongues.

Muhammad Ali (Foto: Reuters)
Cada luta de Ali era uma verdadeira exibição de boxe

Ali voltou a lutar em 1970 e recuperou o cinturão, mas um ano depois perdeu para Joe Frazier, em um duelo épico de 15 rounds decidido pelos juízes em Nova York. Na sequência, venceu Ken Norton, George Chuvalo Floyd e a revanche contra Joe Frazier, antes de ter a chance de desafiar George Foreman para recuperar o posto de número 1 do mundo. No dia 30 de outubro de 1974, em Kinshasa, capital do antigo Zaire (hoje República Democrática do Congo), Muhammad Ali apanhou quase a luta toda do então jovem Foreman, que demonstrava força diante da velocidade e técnica do adversário. Mas Ali não se abalou. Com personalidade forte e contando com o apoio da torcida africana, provocava Foreman, aguentou os socos e surpreendeu no oitavo round, ao derrubar o oponente com um potente golpe e ganhar por nocaute a “Luta do Século”.

Muhammad Ali (Foto: Reuters)
O incontestável talento era acompanhado da irreverência, uma marca registrada

Outra luta histórica foi a chamada Thrilla in Manilla, nas Filipinas, quando derrotou novamente Joe Frazier em 1975. Na sequência, perdeu o título de campeão do mundo em 1978 para Leon Spinks, mas recuperou sete meses depois ao bater o mesmo lutador, antes de anunciar a aposentadoria em 1979. Muhammali Ali acabou ainda voltando aos ringues em mais duas oportunidades, mas perdeu para Larry Holmes em 1980 e para Trevor Berbick em 1981, antes de pendurar as luvas de vez.

Já fora do boxe, Ali revelou que sofria do Mal de Parkinson em 1984, e usou sua fama para ajudar nas pesquisas para buscar uma cura para a doença, inclusive fazendo tratamento com células tronco. Mesmo doente, rodou o mundo, teve encontros com líderes políticos, fez ações beneficentes e levou sua mensagem de paz e igualdade.  Em 1996, foi homenageado e acendeu a pira dos Jogos Olímpicos de Atlanta, além de ter sido presenteado com uma réplica da medalha olímpica que jogou fora em 1960. Em 2005, desembolsou milhões para construir o Muhammad Ali Center, em Louisville, um centro cultural com atividades para inspirar crianças e adultos e perpetuar os seus princípios.

George Foreman x Muhammad Ali (Foto: Agência AP)
Ali nocauteia George Foreman e vence a Luta do Século

Ali ganhou diversos prêmios e condecorações pelos seus feitos e foi eternizado em livros e filmes. Já com a saúde debilitada nos últimos anos, não resistiu e acabou morrendo agora em 2016. O enorme legado que deixou, pode ser representado por algumas de suas frases inspiradoras.

– Eu odiava cada minuto dos treinos, mas dizia para mim mesmo: Não desista! Sofra agora e viva o resto de sua vida como um campeão.

– Aquele que não tem coragem suficiente para aceitar riscos, não irá conquistar nada na vida.

Muhammad Ali ficou o tempo inteiro sentado em uma cadeira (Foto: Divulgação/Universidade de Louisville)
Depois de 32 anos, Ali enfim perdeu a luta para o Mal de Parkinson

 

– Impossível é apenas uma grande palavra usada por gente fraca que prefere viver no mundo como está em vez de usar o poder que tem para mudá-lo. Impossível não é um fato, é uma opinião. Impossível não é uma declaração, é um desafio. Impossível é hipotético. Impossível é temporário.

– Quanto mais nós ajudamos os outros, mas nós ajudamos a nós mesmos.

– Se minha mente pode conceber isso e meu coração pode acreditar, então eu posso alcançar isso.

Muhammad Ali (Foto: Reuters)
O esporte perde um dos maiores de todos os tempos, mas a lenda Muhammad Ali seguirá viva para sempre

FONTE: G1.


‘Só sei quem é o Lulinha por foto na internet’, diz presidente da JBS-Friboi

Em entrevista à BBC Brasil, Wesley Batista, CEO da maior empresa privada do Brasil, explica lógica das doações de campanha e desmente boatos de que Lulinha seria seu sócio: ‘Só sei quem ele é por foto na internet’.

A empresa JBS, dona da marca Friboi, há algum tempo já é a maior produtora de carne bovina e a maior processadora de proteína animal do mundo. Mas desde o ano passado, acrescentou mais um título à sua coleção de superlativos. Após um aumento de 30% nas vendas, superou a Vale para se tornar a maior empresa privada do Brasil.
 Wesley Batista diz que no Brasil há uma dificuldade em aceitar que empresários podem ser bem sucedidos sem a ajuda de padrinhos políticos  (Foto: BBC)
Wesley Batista diz que no Brasil há uma dificuldade em aceitar que empresários podem ser bem sucedidos sem a ajuda de padrinhos políticos

A diversificação geográfica e de produtos explica a resiliência à estagnação da economia brasileira, segundo o presidente da empresa, Wesley Batista. Parte das operações da JBS está nos EUA, o que significa um grande faturamento em dólar. Além disso, se a crise faz o brasileiro deixar de comer carne bovina, impulsiona o consumo de frango – também produzido pela JBS.

Fundada pela família Batista em Anápolis, Goiás, a JBS tem uma história de sucesso incontestável, mas permeada por algumas polêmicas. Hoje, também é a maior doadora de campanha do país, tendo contribuído com mais de R$ 300 milhões só nas eleições de 2014.

Qual o objetivo das doações? “Fazer um Brasil melhor”, promete Batista, em entrevista exclusiva à BBC Brasil. Mas se o objetivo é esse, investir em político não é arriscado? “Sem dúvida”, admite, acrescentando que o risco “faz parte”.

Em uma conversa na sede da empresa, em São Paulo, Batista falou sobre a relação da JBS com o BNDES, a Lava Jato e os rumores de que o filho do ex-presidente Lula, Fábio Luis da Silva, conhecido como Lulinha, seria um sócio oculto de sua empresa. Confira:

BBC Brasil – Pedi para um taxista me trazer na JBS e ele perguntou: A empresa do Lulinha? Qual a origem desses rumores?
Batista – (Risos) Vamos ter de fazer uma reunião com taxistas, porque já ouvi isso de muita
gente. Talvez organizar um evento com o sindicato para eles pararem com essa palhaçada. Essa conversa é absurda e sem nexo. É difícil dizer de onde saem (esses rumores). A impressão que temos é que foram plantados em campanhas por adversários políticos (do PT). Parece que foi um site específico…

Mas não é só isso. Nossa empresa tem uma história. Meu pai começou esse negócio do nada, sessenta e poucos anos atrás. Quando (o presidente) Juscelino (Kubitschek) decidiu erguer Brasília, meu pai foi vender carne para as empresas que estavam construindo a cidade em uma precariedade danada. Trabalhou duro, fez uma reputação. E, sem falsa modéstia, somos bem-sucedidos no que fazemos.

Não sei se é um tema cultural, mas se você pesquisar vai achar vários empresários bem-sucedidos acusados de receber ajuda. Parece que no Brasil há uma dificuldade de se reconhecer que alguém pode crescer por ser competente ou por força do seu trabalho – e não por sorte ou porque é testa de ferro ou sócio de alguém.

‘Quando (o presidente) Juscelino (Kubitschek) decidiu erguer Brasília, meu pai foi vender carne para as empresas que estavam construindo a cidade em uma precariedade danada’

BBC Brasil – Como assim?
Batista – Há quinze anos, em Goiás, quando éramos muito menores, você ia achar muitos taxistas dizendo que (a JBS, na época Friboi) era do Íris Rezende, que foi governador do Estado várias vezes. Era parecido com essa história do Lulinha. Sempre crescemos muito e as pessoas tinham de achar uma justificativa: “como eu não cresço e o outro cresce?”.

Aqui neste lugar (sede da JBS) funcionava o escritório do Bordon, que chegou a ser uma das maiores empresas de carne bovina do Brasil. O Bordon por muitos anos “foi” do Delfim Neto (ex-ministro da Fazenda). Quer dizer, foi enquanto ia bem. Quando começou a ir mal ninguém mais falava que era do Delfim.

Talvez isso (rumores) tomou uma proporção maior pelo tamanho que a empresa ganhou. E em função das redes sociais. Mas o que a JBS tem feito é fruto do trabalho e das pessoas competentes que tem aqui dentro.

BBC Brasil – Como é sua relação com Lula?
Batista – Lula foi presidente por oito anos. Só o encontrei uma vez nesse período, em uma reunião setorial no palácio, com 30 pessoas na sala, ministros, CEOs, etc. Não tenho certeza sobre meu irmão (Joesley Batista), mas acho que ele nunca encontrou o Lula quando ele era presidente. Fomos conhecê-lo depois, porque nos chamaram no Instituto Lula justamente para explicar isso (os rumores). Eles perguntaram: “Que diabos é isso? São vocês que estão falando isso?” Respondemos: “De jeito nenhum, presidente Lula, achamos isso um negócio sem pé nem cabeça.”

No total, encontrei o Lula três vezes depois que ele deixou a Presidência. Teve um evento de uma revista em um hotel. Sentei na mesa, ele estava almoçando. E teve outra vez em uma inauguração de alguma coisa. Essa é a relação. É muito distante.

BBC Brasil – E com o Lulinha?
Batista – Nunca vi o Lulinha na minha vida. Sei quem ele é por foto na internet. Um amigo um dia falou: “Wesley, ele é parecido com você”. Eu respondi: “Tá louco!” Aí fui olhar. Mas nunca apertei a mão do Lulinha. Meu irmão encontrou ele uma vez em um evento social, uma festa. Uma pessoa que estava lá ainda brincou: “Vem cá que eu vou te apresentar teu sócio. O sócio que você não conhece…”. Aí meu irmão disse: “Rapaz… o povo fala que somos sócios e nunca nem tinha te visto”.

BBC Brasil – Outro tema polêmico são os recursos que a JBS recebeu do BNDES.
Batista – Aí temos outro mito descabido. Ouço constantemente que a JBS recebe dinheiro subsidiado do BNDES. As pessoas não se dão ao trabalho (de conferir). A JBS não recebe empréstimos do BNDES. Ponto. Isso é público. A JBS não deve um centavo ao BNDES. Público. Para não falar que não deve um centavo, deve 40 e poucos milhões de reais, que veio de aquisições que fizemos, da Tyson e da Seara.

BBC Brasil – Mas a empresa recebeu aportes via BNDESPar (o braço de participações do BNDES. Ele compra ações de empresas. Não faz empréstimos, mas se torna ‘sócio’ das companhias).
Batista – A JBS vendeu participação acionária para o BNDESPar, que participa em 200 ou mais empresas. E importantíssimo: depois que a JBS já tinha capital aberto. A transparência foi total. Além disso, se formos olhar o investimento que o BNDESPar fez e o que tem hoje, eles tiveram um resultado extraordinário. Provavelmente, um dos melhores da sua carteira. No que diz respeito ao valor (dessas operações) também existe um engano tremendo, (uma confusão) do que foi compra na JBS e em empresas que depois viemos a adquirir. O total de aportes na JBS foi da ordem de 5 bilhões de reais. Eles compraram isso em ações que hoje, felizmente, valem muito mais.

BBC Brasil – A JBS seria desse tamanho não fosse a ajuda do BNDES na fase quente de aquisições para a empresa, 2007, 2008, 2009?
Batista
– Primeiro, a gente não acha que foi ajuda. O BNDES não nos ajudou. Ele fez um negócio e nós fizemos um negócio. E nós entregamos. Ajudar é quando você dá um dinheiro e não cobra. Por outro lado, de forma nenhuma podemos dizer que a participação do BNDES não foi importante. Como os outros acionistas, eles foram importantes para a JBS emitir ações, levantar equity.

É difícil responder o que teria sido sem o BNDES. Há fundos soberanos em vários países e teríamos corrido atrás de interessados. Mas não dá para garantir que teríamos atraído outros fundos.

BBC Brasil – O BNDES é um banco público. O que a aposta na JBS trouxe de resultado para a sociedade?
Batista – Se for o caso, a sociedade precisa discutir o papel do BNDES, não o fato do banco
investir na JBS ou na Vale. Hoje politizaram esse debate e a discussão política não cabe a nós. Em vários lugares do mundo você tem bancos de desenvolvimento que atuam de forma semelhante. O BNDES tem uma gama de objetivos ampla, que vai desde a questão social e econômica ao desenvolvimento do mercado de capital brasileiro – e a JBS é hoje uma das companhias mais valiosas nesse mercado. Toda a sociedade ganha com um mercado de capital fortalecido.

Além disso, há a questão a internacionalização. Hoje, o Brasil tem uma presença no território americano muito mais expressiva que há 10 anos. Só a JBS tem 70 mil funcionários nos EUA. E isso não pesa nas relações de país a país? Sem dúvida.

Também contribuímos para a formalização de nosso setor e da cadeia pecuária. A indústria frigorífica do país era informal e já deu prejuízos astronômicos. Hoje, tem três empresas listadas em bolsa, com transparência. O setor se profissionalizou.

BBC Brasil – Não falta uma abertura maior das informações do banco? O TCU já pediu para acessar dados sobre os acordos com a JBS…
Batista
– É difícil opinar. Acho que isso tem mais a ver com um debate político. É usado como gancho desse debate.

BBC Brasil – Mas a JBS apoia uma abertura maior dos termos dos acordos? O banco alega que isso prejudicaria as empresas.
Batista
– É difícil falar. O TCU não nos pediu nada. Eles pediram ao BNDES. Não temos conhecimento, no detalhe, de que tipo de informações estão pedindo. A maioria das coisas já é pública. Quanto a JBS deve ao BNDES? Divulgo isso em minha demonstração de resultado. Quanto ele comprou de participação acionária? Quanto valia quando ele comprou e quanto vale agora? Tudo é público.

BBC Brasil – Talvez: quais os critérios para a escolha da JBS? Por que não o frigorífico X ou Y?
Batista
– Não vou responder pelo BNDES, mas às vezes pode ser porque, naquele momento, foi a JBS que foi atrás, que bateu na porta. A JBS não tem como opinar.

BBC Brasil – Delatores da Lava Jato têm relatado como doações de campanha foram usadas para abrir portas. A JBS é a maior doadora de campanha no Brasil. O que espera conseguir com essas doações?
Batista
– Está se criando uma imagem de que a doação de campanha existe porque há alguma contrapartida. Mas não é assim, você não pode generalizar. Há setores e setores. Primeiro, a JBS não tem negócios com o governo, não faz obra e não vende (para o governo). Se vende é coisa insignificante para alguma prefeitura, talvez merenda escolar. Não é uma empresa cuja atividade depende desse relacionamento. Nem tem dinheiro a receber.

Por que doação de campanha? Primeiro porque esse é o modelo brasileiro. As campanhas são financiadas com doações privadas. E o que você espera? Espera que o Brasil seja melhor. Para a JBS um país melhor tem um valor financeiro gigantesco. Por que a JBS participa em doações de campanha? Porque acredita que, participando, tem condições de apoiar partidos e pessoas que, se ganham, podem contribuir para a gente ter um país melhor. E com um país melhor, automaticamente, a JBS tem um ganho de valor extraordinário.

BBC Brasil – Mas a JBS doa tanto para o governo quanto para a oposição. Qual a lógica disso? Vocês acham que qualquer um que ganhe, o país melhora?
Batista
– Não é assim… A bolsa brasileira é de 50 mil pontos. Se fosse de 80 mil pontos, a JBS valeria 50% a mais, ou 25 bilhões de reais (a mais). Então você tem um negócio relevante. Aí você diz, “mas a JBS doou pra um e para outro”. É verdade. Tem um defeito no modelo brasileiro. São tantos partidos que você não quer ficar rotulado como um cara que tem partido. Não temos partido. Por exemplo, o finado Eduardo Campos era um político no qual achávamos que valia investir. Era promissor …

BBC Brasil – Se você doa para políticos que concorrem entre si, não parece estar identificando os ‘promissores’.
Batista
– Idealmente, você deveria escolher alguns. Mas ninguém quer ficar rotulado como “aliado” ou “opositor”. A gente sempre fala para qualquer político que vem aqui: não somos políticos, somos empresários. Queremos contribuir apoiando bons políticos, mas não temos lado. Não é uma questão de escolha.

BBC Brasil – Se o objetivo é um Brasil melhor, o investimento em político não é arriscado? Não seria melhor um instituto de combate à pobreza ou algo do tipo?
Batista
– Sem dúvida é arriscado. Temos investimentos em outras áreas (sociais). Dentro dessa sede da empresa, há uma escola com 600 alunos, porque acreditamos que o maior gap que o Brasil tem não é infraestrutura, é educação.

É um investimento arriscado, claro. Investimos alguns milhões no Eduardo (Campos). Investimos em alguns partidos ou políticos que depois olhamos e falamos: “Poxa, erramos. Era melhor o outro candidato”. Isso faz parte. Se eu soubesse e pudesse só acertar…

BBC Brasil – Tivemos o escândalo do HSBC recentemente. O que leva alguns grandes empresários a colocarem a reputação em risco para sonegar imposto?
Batista
– Acho que não há uma ou duas ou três explicações. Cada caso é um caso. Às vezes fico vendo empresas que pagaram para receber dinheiro (ao qual tinham direito) do governo. É errado, claro. Não tem de pagar ninguém. Mas é difícil julgar porque às vezes a pessoa precisa do recurso. Fica entre a cruz e a espada e acaba indo para o caminho incorreto para salvar a empresa. É preciso ver em que circunstâncias o sujeito fez isso. Não estou falando do funcionário público ou político que recebeu propina, porque eles estão ali para prestar um serviço público. Também tem empresários e empresários. Mas é difícil julgar.

BBC Brasil – O senhor parece estar se referindo à Lava Jato. É isso?
Batista
– De novo, acho que tem casos e casos. Pode ter casos em que (o empresário) fez errado, que corrompeu o corrompido, que foi iniciativa da empresa. É horrível. Não que de outra forma não seja horrível. Mas generalizar não é correto. Tem bons empresários e maus empresários. Boas empresas e más empresas. E também é preciso ver as circunstâncias em que as coisas aconteceram. Não dá para sair julgando. O Brasil precisa de um amadurecimento, até da imprensa. Há uma imprensa cuidadosa, mas outra que emite opinião sem fatos e dados suficientes.

BBC Brasil – Por exemplo?
Batista
– Nós tivemos dois casos nesse sentido, que mostram que não dá para sair julgando. Fizemos um pagamento da compra de um frigorífico em Ponta Porã e um centro de distribuição no Paraná em uma conta, porque a pessoa mandou (fazer o depósito) contra ordem de terceiro. A conta estava no meio da Lava Jato. Foi um barulho (sem propósito)…

BBC Brasil – O outro (caso) diz respeito a anotação (encontrada em uma planilha) de Paulo Roberto Costa (ex-diretor da Petrobras e delator da Lava Jato)?
Batista
– Ele fez uma anotação numa agenda, ou sei lá no que. “J&F (holding controladora da JBS): tantos mil pra mim, tantos pro fulano”. Na operação, a Polícia Federal pegou isso e saiu (na imprensa) algo que fazia parecer que a JBS fez um negócio (ilícito).

Na prática, foi algo tão descabido: uma pessoa que conhecia meu irmão ligou para ele um dia e disse que tinha um amigo que queria vê-lo para oferecer uma empresa. Normal no mundo empresarial. Meu irmão falou: “Tudo bem, traz seu amigo para falar com um diretor meu”. Essa pessoa era o Paulo Roberto Costa, que foi lá oferecer a Astromarítima. Ele estava pensando em ganhar corretagem (com a venda da empresa), o que também é normal, desde que ele declare essa comissão. A proposta não interessou. Mas nesse meio tempo o cara deve ter feito a continha: “Se eu vender, recebo tanto.” Virou um negócio que “meu Deus”.

Também confundiram os nomes. Esse amigo do meu irmão tinha o primeiro ou segundo nome igual ao de um executivo da OAS preso. A imprensa deduziu que era a mesma pessoa. Isso tudo já está explicado. Mas cria-se um negócio não concreto, um julgamento de valor. Opinar quem fez e quem não fez na Lava Jato é para os procuradores, juízes e investigadores.

BBC Brasil – Com a desaceleração da economia, há o medo que o Brasil reverta os ganhos sociais dos últimos anos. Há quem defenda que os ricos poderiam pagar mais impostos para aliviar o impacto do ajuste sobre os pobres. Sua família está no topo da pirâmide social brasileira. O que acha?
Batista
– Pergunta difícil. Essa você pegou pesado. Olha, isso não é uma novidade. Em vários países, quem tem mais paga mais. Nós temos uma situação específica do Brasil. Já temos uma das maiores cargas tributárias do mundo… e aí é que eu acho que está o debate. Não é se se cobra mais de quem tem mais e menos de quem tem menos. Já temos impostos demais e os impostos aqui são muito complicados. Além do custo de pagar, o custo de administrar, isso é monstruoso. Nossa companhia nos EUA é tão grande quanto no Brasil, mas temos aqui dez vezes mais pessoas envolvidas com a questão dos tributos. O foco deveria ser simplificar esse troço.

BBC Brasil – Os processos trabalhistas são o tema de muitos comentários negativos contra a JBS nas redes sociais. O que vocês estão fazendo para diminuir isso?
Batista
– Muita coisa. Cada dia mais. Temos uma área de compliance trabalhista composta por engenheiros de segurança do trabalho, ergonomistas, advogados, um grupo multifuncional que vai de fábrica em fábrica. Lógico que não somos perfeitos. Temos problemas, mas isso às vezes é superdimensionado. Dado o universo que a JBS trabalha, a quantidade de fábricas, nossos indicadores são bons. Temos 120 mil funcionários no Brasil. É claro que não queríamos ter problema nenhum. Nenhum acidente. A gente trabalha para isso. Mas, infelizmente, às vezes tem alguns casos.

FONTE: G1.


E vira ponto turístico

O dono de um bar, suposta vítima da intolerância religiosa, lucra com a fama repentina

 

Bar-do-Araújo

Odimar e Emerson, de Brasília, fizeram questão de conhecer o novo endereço.”Só se fala nele”

“Foi tanta oração, foi tanto clamor, mas o Araújo fechou.” Chega assim ao ápice uma canção sertaneja de Maurício William em homenagem a um bar que supostamente funcionava entre dois templos neopentecostais em Palmas, no Tocantins. A notícia do fechamento do boteco, tudo indicava pela pressão de pastores e fiéis, espalhou-se como rastilho de pólvora pelas redes sociais e estimulou debates fervorosos entre evangélicos e laicos. Para muitos, mais uma prova do avanço do obscurantismo religioso. Uma foto do estabelecimento espremido entre as duas igrejas viralizou na internet, quase sempre seguida por frases de apoio: “Resiste, Araújo”.

Pois Araújo, ao contrário do que chora William em sua balada, resistiu. Não no mesmo lugar, mas no mesmo bairro, o Jardim Aureny III, periferia da capital do Tocantins. Quando encontrei o proprietário, o agente de saúde Joaquim de Araújo, ele cuidava dos últimos detalhes para a reinauguração oficial na noite da quarta-feira 17. Um pintor se esmerava nos retoques finais do logotipo do “Novo Bar do Araújo”.  “Funcionamos aqui desde janeiro, mas vou reinaugurar, aproveitar o fato de o bar ter virado ponto turístico”, informa.

Bar-do-Araújo
Logo se espalhou o boato de que o bar havia fechado por pressão dos evangélicos, mas ela só mudou de ponto

Não se trata de autopromoção. Enquanto varria a calçada, acomodava uma das 18 mesas ou negociava propaganda exclusiva com uma marca de cerveja, seu Araújo respondia aos cumprimentos dos passantes. “Araújo do WhatsApp!”, gritavam ao passar de moto ou carro. Na noite anterior, um casal do Amazonas apareceu para conhecê-lo. Depois de uma selfie, a dupla tirou o rótulo de uma garrafa e pediu um autógrafo. “Disseram que iam levar para um parente em Manaus.”

Uma moto com outro casal estaciona. Emerson Lopes e Odimar Rosa são de Brasília, mas não tiveram dificuldade em encontrar o boteco. “Digitamos ‘Bar do Araújo’ no Waze. Não teve erro”, explica o casal, que passou duas horas no boteco. Mais uma selfie, o destino de sempre, outra postagem na rede alimentada por amigos no WhatsApp. “Passamos em todos os pontos turísticos, mas deixamos o Araújo para fechar com chave de ouro”, diverte-se Lopes. “Só se fala nele.”

É a primeira vez que a fama sorri para seu Araújo. O primeiro bar ele montou em 2006, após cair de uma moto e ser obrigado a colocar oito pinos e levar 30 pontos no tornozelo esquerdo. O acidente o impediu de fazer bico de pedreiro para complementar a renda de agente de saúde. “Desde 2003, ganho um salário mínimo para trabalhar das 8 da manhã ao meio-dia pulverizando ruas contra a dengue. Não é suficiente.”

Joaquim de Araújo
Araújo em seu novo bar
Depois de pensar nas opções, chegou à conclusão: a saída seria abrir um boteco. O primeiro bar, perto do atual endereço, fechou após o proprietário vender o imóvel. Seu Araújo testou outro endereço antes de se instalar no agora famoso ponto entre a Igreja Deus É Amor e um minimercado, o verdadeiro responsável por sua expulsão do local. “O mercadinho vendia garrafa mais barata, meu faturamento caiu 80% e tive de ir embora.”

O Bar do Araújo funcionou no ponto ao lado do templo entre julho e dezembro do ano passado e, no fundo, o proprietário não tem do que reclamar dos antigos vizinhos. O pastor, diz, até usava a geladeira do boteco para guardar os refrigerantes servidos em dias de festa na igreja. Confusão, só uma vez. “Eles reclamaram, mas disse que não diminuiria o som porque meus clientes queriam ouvir música. E as orações eram mais altas.”

Os memes na internet baseiam-se, portanto, em uma informação inverídica. O Bar do Araújo nunca funcionou entre os dois templos. Responsável pela expulsão do comerciante, o minimercado foi vítima do mesmo fenômeno e acabou obrigado a ceder o espaço para uma filial da Igreja Universal do Reino de Deus. Quando a foto famosa foi feita, restava no local apenas o letreiro do boteco.

Apesar do mal-entendido, entre os evangélicos o assunto virou tabu. Na Universal, o pastor negou-se a comentar a história. Quem falou foi uma fiel, Maria da Silva Rodrigues. “A Igreja Universal tem muita unção. Quando estávamos para mudar, Deus trabalhou e tirou esse homem daqui.” O pregador da Deus É Amor também se negou a falar. Segundo ele, “o assunto virou piada”.

Quem primeiro postou a foto no Facebook foi o consultor Lucas Belinelle, em 11 de maio. “Publiquei com o intuito de crítica. Como se perguntasse qual dos três comércios faturava mais”, explica. Belinelle percebeu o efeito da postagem quando uma vizinha lhe perguntou sobre a foto. “Ela falou que uma tia em Goiânia e parentes em São Paulo estavam comentando.”

Em Palmas desde 1993, oriundo de Ananás, a 500 quilômetros da capital, Araújo se diz surpreso com a fama repentina. Soube da repercussão da foto por intermédio de um dos três filhos. De repente, começou o assédio. Ele agiu rápido: abriu uma conta no “zap zap” (sic) e uma “página oficial no Facebook”. E se diverte com as ironias da vida (ou seriam os desígnios divinos?). “Saí daquele endereço porque dava prejuízo, mas nada disso estaria acontecendo sem que eu estivesse passado por lá. Foi ruim, mas foi bom.”

FONTE: Carta Capital.



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