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Life Center troca gestão para tentar reverter crescente prejuízo
Depois de acumular prejuízos, hospital reduz pessoal e fecha a maternidade e o atendimento de ginecologia. Meta é recuperar saúde financeira

 

Depois de fazer corte drástico de mais de 100 funcionários de uma só vez em setores que vão da enfermagem à área administrativa do hospital, o Life Center, erguido há 12 anos no Bairro Serra, faz movimentos para tentar estancar os prejuízos acumulados na prestação de serviços hospitalares. Apesar de ter estrutura robusta e atender por dia mais 10 mil clientes somente no Pronto Socorro, as contas da instituição estão na UTI. No último balanço conhecido, referente ao exercício de 2012 o prejuízo líquido acumulado era de R$ 17,5 milhões, crescimento de 25% frente ao ano anterior.

SOLANGE SIMÕES, SOBRINHA DE PACIENTE, RECLAMA DO NÚMERO REDUZIDO DE FUNCIONÁRIOS


Investimento dos fundos de pensão Forluz (Fundação Forluminas de Seguridade Social ), Desban (Fundação BDMG de Seguridade Social) e Agros (Instituto UFV de Seguridade Social) com participação também da operadora de planos de saúde Unimed-BH , que desde 2011 detém 9% de participação nos ativos, a unidade hospitalar deve passar por mais transformações em sua gestão nos próximos meses. Os administradores têm como propósito reverter o crescente déficit até dezembro.
EM JUNHO NOTICIAMOS AQUI O INÍCIO DAS DEMISSÕES!

“O hospital vem há algum tempo não performando bem, por isso houve uma troca na gestão e até dezembro espera-se que o quadro seja revertido”, informa Wilian Vagner Moreira, diretor de relações com participantes na Forluz e membro suplente no conselho de administração do Life Center. Segundo o executivo, várias tentativas já foram feitas para reverter os prejuízo do hospital, sem maiores resultados. “Agora foi feita uma mudança recente de gestão e a expectativa é que o fluxo de caixa seja invertido. Até o fim do ano o objetivo é já empatar as contas.” Comentando os prejuízos para a Forluz, ele diz que as demissões fazem parte do plano para sair do vermelho. “Não somos favoráveis a demissão de trabalhadores ,mas foi identificado que essa seria uma medida necessária e que trará impacto significativo.”

Efeito colateral Para os pacientes, porém, nesse momento de transição, o impacto é medido pela demora no atendimento, pela falta de profissionais no corpo de enfermagem, pelos atrasos na realização de exames de importância vital para os doentes. A aposentada Maria de Lourdes Castello Branco Renna recebeu alta do Life Center, onde foi operada por uma fratura no fêmur, na semana passada. Segundo ela, o atendimento no hospital “está bem precário”. Para começar, a cirurgia atrasou dois dias. “Entrei no domingo e só fui operada na terça-feira. O hospital explicou que a prótese que seria usada na fratura molhou e tive que esperar outra”, explica. Além disso, de acordo com ela, a demora o atendimento era enorme. “Não estou falando de minutos. Estou dizendo que passei uma tarde inteira esperando que a fralda que eu usava fosse trocada. Só havia fraldas de um tamanho e ela ficou pequena para mim. Eles deveriam oferecer outros tamanhos para os pacientes”, disse a aposentada.

A dona de casa Solange Jacinto Simões estava acompanhando um parente internado no hospital. Segundo ela, o quadro de funcionários que atendem aos pacientes está reduzido. “Há uma semana eram duas pessoas por andar, mas agora é só uma. Precisei ajudar meu tio a colocar uma cinta e não tinha ninguém para me auxiliar. Os outros pacientes também reclamam”, diz. Isabela Martins foi recepcionista e atendente do callcenter do hospital durante três anos e acaba de ser demitida. Segundo ela, o quadro de funcionários está realmente desfalcado. “Os pacientes ligavam reclamando e a rotina de trabalho ficou muito pesada para os que ficaram”, resume.

Novo perfil Wilian Vagner não comentou sobre os serviços do hospital. Ele diz que outra medida importante em curso é redefinição do perfil de atendimento do hospital, assim como o que o executivo chamou de “adequação dos convênios” a nova etapa busca resultados. Com 1,2 mil internações ao mês e cerca de 1,3 mil procedimentos cirúrgicos o Life Center já vem adequando seu perfil. Uma das medidas foi o fechamento da maternidade e do atendimento de ginecologia, atividade que assim como a pediatria é apontada por especialistas do setor como de baixo retorno financeiro.

‘Ajustes são pontuais’


Em nota distribuída na noite de ontem, o Hospital Lifecenter afirmou que “os ajustes de quadro de pessoal são pontuais e localizados e de maneira alguma põe em risco a capacidade assistencial do hospital”. Ainda de acordo com a nota, o Lifecenter informa que “estão sendo realizados investimentos na contínua melhoria de conhecimento técnico dos nossos profissionais, além da compra de equipamentos de última geração”. O objetivo, segundo a nota do hospital, é “manter o Lifecenter como “referência na prestação de serviços de saúde de alta qualidade em Belo Horizonte”.

Com os funcionários demitidos foi feito acordo para aviso indenizado e extensão do plano de saúde e vale-alimentação por dois meses após a data da dispensa. Ao todo foram 127 trabalhadores ligados ao Sindicato dos Empregados em Estabelecimento de Serviços de Saúde em Belo Horizonte e Região (Sindeess), mas segundo o presidente da entidade José Maria Pereira pelo menos outros cinco sindicatos atuam no hospital e é possível que as demissões cheguem a 200 pessoas. “Nossa preocupação é com a sobrecarga de trabalho que já está sendo sentida.”

José Maria pondera que certo alívio foi sentido a partir do momento que outros hospitais de grande porte da cidade em processo de expansão manifestaram abertura para incorporar demitidos do Life Center. “Pode ser que o mercado absorva os funcionários,” completa. O Lifecenter tem 186 leitos, sendo 150 de internação e 36 de UTI.

A reportagem do Estado de Minas não conseguiu contato com o Desban. A Unimed-BH informou em nota que a cooperativa não se pronuncia sobre as mudanças administrativas em curso tendo em vista que não participa diretamente da gestão operacional do hospital, sendo sócia do negócio, juntamente com os fundos de pensão.

 

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FONTE: Estado de Minas.


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