Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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BH registra novo recorde histórico de temperatura
Máxima alcançada na tarde desta quinta-feira (22) foi de 37,7°C, batendo os 37,4°C registrados na última sexta-feira (16); chuva cai agora nesta tarde em Contagem e na região Norte da capital
Morena água
A capital mineira registrou novo recorde histórico de temperatura na tarde desta quinta-feira (22). A máxima alcançada foi de 37,7°C, batendo os 37,4°C registrados na última sexta-feira (16).

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De acordo com o meteorologista da Cemig Arthur Chaves, a temperatura foi alcançada entre 15h e 16h na região da Pampulha. “A tendência é de que os próximos dias continuem quentes até pelo menos a próxima terça-feira, quando há expectativa para o aumento das chuvas”, afirma Chaves. A umidade relativa do ar registrada na capital mineira de 21%.

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Nesta tarde, chove em alguns pontos da região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a Chaves, a região Norte e pontos entre Contagem e Ribeirão das Neves são os mais atingidos por temporais de fraca intensidade.
Com 37,4º, BH registra sua maior temperatura deste 2012BH tem recorde de calor e baixa umidade no inverno neste sábadoBH registra segundo dia mais quente desde 1910, 37,2ºCDepois de longa seca, deve chover em Belo Horizonte nesta quarta-feiraCalor continua e chuva é esperada na tarde de domingoPrevisão é que temperatura fique entre 13º e 28º em BH

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Ventania

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Uma pessoa que trabalha em um dos prédios da Cidade Administrativa disse que pouco antes da chuva cair uma ventania derrubou parte da estrutura da entrada do local. Janelas teriam sido quebradas pela força do vento.

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Atualizada às 16h29

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FONTE: O Tempo.


Belo Horizonte registra sua maior temperatura da história

O valor foi registrado, por volta das 14h15, na estação Pampulha. O valor superou a máxima histórica de 37,1ºC, registrada em 30 de outubro de 2012

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Ficar até na sombra em Belo Horizonte está sendo difícil nesta sexta-feira. A capital mineira atingiu a maior temperatura já registrada na cidade desde 1910. Os termômetros chegaram, por volta das 14h15, a 37,4ºC na estação de medição da Pampulha. O valor superou a máxima histórica de 37,1ºC, registrada em 30 de outubro de 2012. A umidade relativa do ar está em torno de 12%, o que é considerado estado de alerta pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Quando o índice fica abaixo de 30% já é prejudicial a saúde.

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FONTE: Estado de Minas.


AB InBev e SABMiller anunciam a terceira maior fusão da história

AB InBev e SABMiller anunciam a terceira maior fusão da história
A nova empresa será responsável pela venda de uma em cada três cervejas no mundo

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A britânica SABMiller e a Anheuser-Busch InBev, de capital belga e brasileiro, anunciaram nesta terça-feira (13) a terceira maior fusão empresarial da história, que criará um gigante responsável pela venda de uma em cada três cervejas no mundo.

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A SABMiller, número dois do mundo no setor de cervejas, aceitou a última oferta de compra da líder do setor, AB InBev, pelo equivalente a US$ 104 bilhões.

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O grupo com sede em Londres explicou que o Conselho de Administração alcançou um acordo com a AB InBev, segundo o qual a empresa número um do mundo pagará por cada ação da SABMiller 44 libras.

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Se a transação for concretizada como o previsto, o novo grupo incluirá as marcas de cerveja americana Budweiser e belga Stella Artois, pertencentes à AB InBev, assim como a italiana Peroni, a tcheca Pilsner Urquell e a holandesa Grolsch da SABMiller.

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Além disso, esta será a terceira maior fusão-aquisição da história, segundo o instituto de análises Dealogic, atrás apenas das operações Vodafone e Mannesmann em 1999 e da Verizon Communications com a Verizon Wireless em 2013.

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A empresa gigante criada com a operação venderá uma em cada três cervejas no mundo, da mexicana Corona (exceto nos Estados Unidos) à australiana Foster, passando pela chinesa Snow -a marca mais vendida no mundo-, mas antes terá que receber a autorização das agências reguladoras.

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Com esta compra bilionária, a AB InBev abre caminho na África, particularmente na África do Sul, onde a SABMiller nasceu há 120 anos.

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Se ao valor da compra for adicionado à dívida do grupo, a SABMiller fica avaliada em quase 80 bilhões de libras (US$ 122 bilhões, 108 bilhões de euros).

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O preço de compra representa uma valorização de 50% na comparação com a cotação do título em 14 de setembro, antes dos boatos sobre uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) que elevaram o preço, destacou o Conselho de Administração da SABMiller.

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Para obter o acordo, a AB InBev teve que aumentar quatro vezes sua oferta, recorda o Conselho em um comunicado.

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“Observadas as presenças geográficas amplamente complementares e as carteiras de marcas da AB Inbev e da SABMiller, o grupo operaria em quase todos os grandes mercados de cerveja, incluindo as regiões emergentes com fortes perspectivas de crescimento como África, Ásia, América Central e do Sul”, anunciou a AB InBev há alguns dias, quando tentava convencer os acionistas de sua até então grande concorrente.

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SANTO DOMINGO E LEMANN, ENFIM JUNTOS

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A operação foi anunciada após uma disputa na qual a SABMiller recusou várias ofertas informais por considerá-las baixas, e apenas um dia antes do fim do prazo para uma oferta firme que, em caso de rejeição, teria obrigado a AB Inbev a interromper as investidas por pelo menos seis meses.

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As ofertas provocaram divisão na SABMiller e a maior acionista da empresa, a companhia americana de tabaco Altria (proprietária da Marlboro), pressionava a favor da operação.

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Ao mesmo tempo, a família colombiana Santo Domingo, proprietária de 14% das ações da SABMiller e representada por Alejandro Santo Domingo, era contrária à oferta.

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Os Santo Domingo são proprietários da marca de cerveja colombiana Bavaria e em meados dos anos 90 receberam uma oferta de compra da brasileira Brahma, que não prosperou na ocasião.

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O proprietário da Brahma era Jorge Paulo Lemann, que agora é o principal acionista da AB Inbev com o fundo de investimentos 3G. A fusão anunciada nesta terça-feira reúne finalmente duas das famílias mais poderosas da América Latina.

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Após o anúncio, a ação da SABMiller operava em forte alta de 8,52%, a 39,30 libras, na Bolsa de Londres, enquanto o título da AB InBev registrava alta de 2,85%, a 101,15 euros, na Bolsa de Bruxelas.

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FONTE: Hoje Em Dia.


Mina de diamantes é capaz de ‘engolir’ helicópteros na Rússia

A mina de Mirny é a maior de todas as minas da Sibéria. Dessa região saem 25% dos diamantes espalhados pelo mundo.

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No meio do nada. Pior ainda: no meio de um “nada” gelado. Uma cidade inteirinha foi construída à beira de um buraco. E não é qualquer buraco, não. É uma cratera de proporções inacreditáveis. Capaz de derrubar helicópteros. E ela esconde uma das maiores riquezas do planeta. O Fantástico foi até o “umbigo do mundo”.

“Ir para a Sibéria” é uma expressão bem conhecida. Significa mais ou menos “ir para o fim do mundo”. E alguns lugares de lá são piores que outros. Mirny, por exemplo, fica longe de tudo e de todos. Mesmo assim, 35 mil pessoas moram em Mirny, debruçadas em um buraco.

É um baita de um buraco! A cratera tem um diâmetro de 1,2 mil metros. São 525 metros de profundidade. Talvez mais simples seja pensar que o Pão de Açúcar, com seus 395 metros, caberia confortavelmente lá dentro.

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Cavar, cavar para fazer um buraco assim, só por algo muito valioso. A pedra mais rara, a mais cara. A mina de Mirny é a maior de todas as minas da região mais rica em diamantes no mundo.

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Para chegar a Mirny são seis horas de voo a partir de Moscou, a capital da Rússia. E deve-se evitar passar por cima do buraco. Por um fenômeno ligado à pressão das massas de ar, quatro helicópteros já foram sugados e caíram ao sobrevoar a imensa cratera. Ninguém vai para lá a passeio.

A má fama da Sibéria começou no tempo dos czares, os imperadores russos. Ser mandado para a Sibéria. Essa é uma expressão que ficou conhecida pelo mundo todo. Isso porque era uma punição aplicada na Rússia desde o século XIX, ainda na época dos czares. Depois muito mais utilizada pelo regime comunista no século XX.

Milhões de pessoas foram mandadas pra lá. A Sibéria era conhecida como prisão sem muros, sem grades. Isso porque a região era tão distante de tudo que era impossível escapar.

“Essa ideia de que ‘ah, vamos mandar para a Sibéria’ como se fosse um lugar de exilio ou de inferno e somente isso, essa é uma ideia ocidental. Para os russos existe esse lado também, mas a Sibéria é muito mais do que isso, muitos veem um mundo, como a Amazônia nossa, um mundo de muita natureza”, explica o historiador da USP Ângelo Segrillo.

Um filme dos anos 50 mostra os pioneiros da mineração na Sibéria, uma região maior que o Brasile que então era praticamente desconhecida. A chegada era de paraquedas. E os diamantes encontrados nos riachos apontaram o lugar onde a mina de Mirny deveria ser cavada.

Hoje, 25% dos diamantes espalhados pelo mundo saem dessa região.

Nas ruas de Mirny, se misturam os russos ocidentais, brancos e louros, e os descendentes das etnias que sempre habitaram a Sibéria, mais morenos e com olhos puxados.

Eles dividem uma vida dura feito um diamante, só que sem o brilho. De colorido na cidade, só as flores do curto verão e os brinquedos das crianças. E no inverno é um inferno.

Quando amanheceu, no auge do verão, faziam 10°. Na Sibéria, o frio é até difícil de compreender. Até 30 anos atrás, o pior: -65°. Agora, com o aquecimento global, as coisas melhoraram um pouco: menos 45°, uma média de -30°. Trabalhar na Sibéria não e para qualquer um.

Durante oito, nove meses, essa parte da Sibéria é um oceano branco.

O russo Nickolai Grogorievich Bondarev foi um dos raros que chegaram para trabalhar na mina, ainda nos anos 70, e ficaram. Ele ri, com seus dentes de ouro, ao falar da vida em uma mina de diamante a céu aberto.

Diz que se acostumou, aponta a cratera e conta como foram sendo construídos os quase oito quilômetros de estrada que iam serpenteando o buraco para trazer as toneladas de terra de onde se retiravam os diamantes. Isso durou 44 anos, de 1957 a 2001.

Os diamantes são formados em lugares onde não chegaremos nem perto. Algo em torno de 150 quilômetros de profundidade. Podemos ir para o espaço: só a Lua, aqui pertinho, fica a 384.400 quilômetros. Mas na direção contrária é impossível. E a dificuldade tem a ver com a temperatura: quanto mais profundo mais quente.

Os diamantes são cristais de carbono puro formados em temperaturas em torno de mil graus centígrados. Eles chegam à superfície através de um tipo de atividade vulcânica. É como se fosse um elevador que sobe rapidamente das profundezas do nosso subterrâneo para o térreo. Quando sobe o magma, aquela massa mineral incandescente e pastosa, os diamantes vêm junto. Os diamantes chegam ao fim dessa viagem envoltos numa massa de terra que tem a forma de uma esguia taça de champanhe. O buraco da mina de Mirny seria a parte mais larga, mas resta o pé da taça ainda para ser explorado.

A única atividade que ainda existe é a retirada da água do buraco. Água que brota das paredes e, em outros meses, da neve derretida. Mas por que não deixar tudo encher de água e transformar esse buracão em um belo lago? Isso porque a mina continua, na verdade, a existir. Mas muito mais profunda: a 1,2 mil metros existem homens trabalhando.

Os russos fizeram uma entrada paralela para essa nova mina, agora subterrânea. Lá ainda existe diamante para mais 30, 40 anos. É uma estrutura enorme, porque a retirada de diamantes nessa escala é um processo industrial muito mais complexo.

Frotas de caminhões levam toneladas de terras que são lavadas para que se possa separar os diamantes. Isso necessita muita água, e gera muita poluição. Os rios em torno da cidade sofrem com isso. Mas Mirny só existe por causa dos diamantes.

O geólogo Ilya Korokov é um dos mais importantes da Rússia. Num dos livros escritos por ele, se podem ver os diversos tipos de diamante. E é curioso porque, de certa forma, os diamantes em estado bruto são uma decepção.

Cortadas e lapidadas, as pedras ficam muito mais brilhantes, mais vivas. Um mundo iluminado. Quantos quilates, cor, corte, clareza?

Mas o gosto por eles é relativamente recente, tem menos de cem anos. No começo do século passado, uma agência de propaganda americana criou o slogan que todo mundo hoje conhece. Dizia: um diamante é para sempre!

Comprar e dar um anel de diamante no casamento simbolizaria uma união eterna, brilhante e sólida. A ideia pegou.

 

FONTE: G1.


‘Só sei quem é o Lulinha por foto na internet’, diz presidente da JBS-Friboi

Em entrevista à BBC Brasil, Wesley Batista, CEO da maior empresa privada do Brasil, explica lógica das doações de campanha e desmente boatos de que Lulinha seria seu sócio: ‘Só sei quem ele é por foto na internet’.

A empresa JBS, dona da marca Friboi, há algum tempo já é a maior produtora de carne bovina e a maior processadora de proteína animal do mundo. Mas desde o ano passado, acrescentou mais um título à sua coleção de superlativos. Após um aumento de 30% nas vendas, superou a Vale para se tornar a maior empresa privada do Brasil.
 Wesley Batista diz que no Brasil há uma dificuldade em aceitar que empresários podem ser bem sucedidos sem a ajuda de padrinhos políticos  (Foto: BBC)
Wesley Batista diz que no Brasil há uma dificuldade em aceitar que empresários podem ser bem sucedidos sem a ajuda de padrinhos políticos

A diversificação geográfica e de produtos explica a resiliência à estagnação da economia brasileira, segundo o presidente da empresa, Wesley Batista. Parte das operações da JBS está nos EUA, o que significa um grande faturamento em dólar. Além disso, se a crise faz o brasileiro deixar de comer carne bovina, impulsiona o consumo de frango – também produzido pela JBS.

Fundada pela família Batista em Anápolis, Goiás, a JBS tem uma história de sucesso incontestável, mas permeada por algumas polêmicas. Hoje, também é a maior doadora de campanha do país, tendo contribuído com mais de R$ 300 milhões só nas eleições de 2014.

Qual o objetivo das doações? “Fazer um Brasil melhor”, promete Batista, em entrevista exclusiva à BBC Brasil. Mas se o objetivo é esse, investir em político não é arriscado? “Sem dúvida”, admite, acrescentando que o risco “faz parte”.

Em uma conversa na sede da empresa, em São Paulo, Batista falou sobre a relação da JBS com o BNDES, a Lava Jato e os rumores de que o filho do ex-presidente Lula, Fábio Luis da Silva, conhecido como Lulinha, seria um sócio oculto de sua empresa. Confira:

BBC Brasil – Pedi para um taxista me trazer na JBS e ele perguntou: A empresa do Lulinha? Qual a origem desses rumores?
Batista – (Risos) Vamos ter de fazer uma reunião com taxistas, porque já ouvi isso de muita
gente. Talvez organizar um evento com o sindicato para eles pararem com essa palhaçada. Essa conversa é absurda e sem nexo. É difícil dizer de onde saem (esses rumores). A impressão que temos é que foram plantados em campanhas por adversários políticos (do PT). Parece que foi um site específico…

Mas não é só isso. Nossa empresa tem uma história. Meu pai começou esse negócio do nada, sessenta e poucos anos atrás. Quando (o presidente) Juscelino (Kubitschek) decidiu erguer Brasília, meu pai foi vender carne para as empresas que estavam construindo a cidade em uma precariedade danada. Trabalhou duro, fez uma reputação. E, sem falsa modéstia, somos bem-sucedidos no que fazemos.

Não sei se é um tema cultural, mas se você pesquisar vai achar vários empresários bem-sucedidos acusados de receber ajuda. Parece que no Brasil há uma dificuldade de se reconhecer que alguém pode crescer por ser competente ou por força do seu trabalho – e não por sorte ou porque é testa de ferro ou sócio de alguém.

‘Quando (o presidente) Juscelino (Kubitschek) decidiu erguer Brasília, meu pai foi vender carne para as empresas que estavam construindo a cidade em uma precariedade danada’

BBC Brasil – Como assim?
Batista – Há quinze anos, em Goiás, quando éramos muito menores, você ia achar muitos taxistas dizendo que (a JBS, na época Friboi) era do Íris Rezende, que foi governador do Estado várias vezes. Era parecido com essa história do Lulinha. Sempre crescemos muito e as pessoas tinham de achar uma justificativa: “como eu não cresço e o outro cresce?”.

Aqui neste lugar (sede da JBS) funcionava o escritório do Bordon, que chegou a ser uma das maiores empresas de carne bovina do Brasil. O Bordon por muitos anos “foi” do Delfim Neto (ex-ministro da Fazenda). Quer dizer, foi enquanto ia bem. Quando começou a ir mal ninguém mais falava que era do Delfim.

Talvez isso (rumores) tomou uma proporção maior pelo tamanho que a empresa ganhou. E em função das redes sociais. Mas o que a JBS tem feito é fruto do trabalho e das pessoas competentes que tem aqui dentro.

BBC Brasil – Como é sua relação com Lula?
Batista – Lula foi presidente por oito anos. Só o encontrei uma vez nesse período, em uma reunião setorial no palácio, com 30 pessoas na sala, ministros, CEOs, etc. Não tenho certeza sobre meu irmão (Joesley Batista), mas acho que ele nunca encontrou o Lula quando ele era presidente. Fomos conhecê-lo depois, porque nos chamaram no Instituto Lula justamente para explicar isso (os rumores). Eles perguntaram: “Que diabos é isso? São vocês que estão falando isso?” Respondemos: “De jeito nenhum, presidente Lula, achamos isso um negócio sem pé nem cabeça.”

No total, encontrei o Lula três vezes depois que ele deixou a Presidência. Teve um evento de uma revista em um hotel. Sentei na mesa, ele estava almoçando. E teve outra vez em uma inauguração de alguma coisa. Essa é a relação. É muito distante.

BBC Brasil – E com o Lulinha?
Batista – Nunca vi o Lulinha na minha vida. Sei quem ele é por foto na internet. Um amigo um dia falou: “Wesley, ele é parecido com você”. Eu respondi: “Tá louco!” Aí fui olhar. Mas nunca apertei a mão do Lulinha. Meu irmão encontrou ele uma vez em um evento social, uma festa. Uma pessoa que estava lá ainda brincou: “Vem cá que eu vou te apresentar teu sócio. O sócio que você não conhece…”. Aí meu irmão disse: “Rapaz… o povo fala que somos sócios e nunca nem tinha te visto”.

BBC Brasil – Outro tema polêmico são os recursos que a JBS recebeu do BNDES.
Batista – Aí temos outro mito descabido. Ouço constantemente que a JBS recebe dinheiro subsidiado do BNDES. As pessoas não se dão ao trabalho (de conferir). A JBS não recebe empréstimos do BNDES. Ponto. Isso é público. A JBS não deve um centavo ao BNDES. Público. Para não falar que não deve um centavo, deve 40 e poucos milhões de reais, que veio de aquisições que fizemos, da Tyson e da Seara.

BBC Brasil – Mas a empresa recebeu aportes via BNDESPar (o braço de participações do BNDES. Ele compra ações de empresas. Não faz empréstimos, mas se torna ‘sócio’ das companhias).
Batista – A JBS vendeu participação acionária para o BNDESPar, que participa em 200 ou mais empresas. E importantíssimo: depois que a JBS já tinha capital aberto. A transparência foi total. Além disso, se formos olhar o investimento que o BNDESPar fez e o que tem hoje, eles tiveram um resultado extraordinário. Provavelmente, um dos melhores da sua carteira. No que diz respeito ao valor (dessas operações) também existe um engano tremendo, (uma confusão) do que foi compra na JBS e em empresas que depois viemos a adquirir. O total de aportes na JBS foi da ordem de 5 bilhões de reais. Eles compraram isso em ações que hoje, felizmente, valem muito mais.

BBC Brasil – A JBS seria desse tamanho não fosse a ajuda do BNDES na fase quente de aquisições para a empresa, 2007, 2008, 2009?
Batista
– Primeiro, a gente não acha que foi ajuda. O BNDES não nos ajudou. Ele fez um negócio e nós fizemos um negócio. E nós entregamos. Ajudar é quando você dá um dinheiro e não cobra. Por outro lado, de forma nenhuma podemos dizer que a participação do BNDES não foi importante. Como os outros acionistas, eles foram importantes para a JBS emitir ações, levantar equity.

É difícil responder o que teria sido sem o BNDES. Há fundos soberanos em vários países e teríamos corrido atrás de interessados. Mas não dá para garantir que teríamos atraído outros fundos.

BBC Brasil – O BNDES é um banco público. O que a aposta na JBS trouxe de resultado para a sociedade?
Batista – Se for o caso, a sociedade precisa discutir o papel do BNDES, não o fato do banco
investir na JBS ou na Vale. Hoje politizaram esse debate e a discussão política não cabe a nós. Em vários lugares do mundo você tem bancos de desenvolvimento que atuam de forma semelhante. O BNDES tem uma gama de objetivos ampla, que vai desde a questão social e econômica ao desenvolvimento do mercado de capital brasileiro – e a JBS é hoje uma das companhias mais valiosas nesse mercado. Toda a sociedade ganha com um mercado de capital fortalecido.

Além disso, há a questão a internacionalização. Hoje, o Brasil tem uma presença no território americano muito mais expressiva que há 10 anos. Só a JBS tem 70 mil funcionários nos EUA. E isso não pesa nas relações de país a país? Sem dúvida.

Também contribuímos para a formalização de nosso setor e da cadeia pecuária. A indústria frigorífica do país era informal e já deu prejuízos astronômicos. Hoje, tem três empresas listadas em bolsa, com transparência. O setor se profissionalizou.

BBC Brasil – Não falta uma abertura maior das informações do banco? O TCU já pediu para acessar dados sobre os acordos com a JBS…
Batista
– É difícil opinar. Acho que isso tem mais a ver com um debate político. É usado como gancho desse debate.

BBC Brasil – Mas a JBS apoia uma abertura maior dos termos dos acordos? O banco alega que isso prejudicaria as empresas.
Batista
– É difícil falar. O TCU não nos pediu nada. Eles pediram ao BNDES. Não temos conhecimento, no detalhe, de que tipo de informações estão pedindo. A maioria das coisas já é pública. Quanto a JBS deve ao BNDES? Divulgo isso em minha demonstração de resultado. Quanto ele comprou de participação acionária? Quanto valia quando ele comprou e quanto vale agora? Tudo é público.

BBC Brasil – Talvez: quais os critérios para a escolha da JBS? Por que não o frigorífico X ou Y?
Batista
– Não vou responder pelo BNDES, mas às vezes pode ser porque, naquele momento, foi a JBS que foi atrás, que bateu na porta. A JBS não tem como opinar.

BBC Brasil – Delatores da Lava Jato têm relatado como doações de campanha foram usadas para abrir portas. A JBS é a maior doadora de campanha no Brasil. O que espera conseguir com essas doações?
Batista
– Está se criando uma imagem de que a doação de campanha existe porque há alguma contrapartida. Mas não é assim, você não pode generalizar. Há setores e setores. Primeiro, a JBS não tem negócios com o governo, não faz obra e não vende (para o governo). Se vende é coisa insignificante para alguma prefeitura, talvez merenda escolar. Não é uma empresa cuja atividade depende desse relacionamento. Nem tem dinheiro a receber.

Por que doação de campanha? Primeiro porque esse é o modelo brasileiro. As campanhas são financiadas com doações privadas. E o que você espera? Espera que o Brasil seja melhor. Para a JBS um país melhor tem um valor financeiro gigantesco. Por que a JBS participa em doações de campanha? Porque acredita que, participando, tem condições de apoiar partidos e pessoas que, se ganham, podem contribuir para a gente ter um país melhor. E com um país melhor, automaticamente, a JBS tem um ganho de valor extraordinário.

BBC Brasil – Mas a JBS doa tanto para o governo quanto para a oposição. Qual a lógica disso? Vocês acham que qualquer um que ganhe, o país melhora?
Batista
– Não é assim… A bolsa brasileira é de 50 mil pontos. Se fosse de 80 mil pontos, a JBS valeria 50% a mais, ou 25 bilhões de reais (a mais). Então você tem um negócio relevante. Aí você diz, “mas a JBS doou pra um e para outro”. É verdade. Tem um defeito no modelo brasileiro. São tantos partidos que você não quer ficar rotulado como um cara que tem partido. Não temos partido. Por exemplo, o finado Eduardo Campos era um político no qual achávamos que valia investir. Era promissor …

BBC Brasil – Se você doa para políticos que concorrem entre si, não parece estar identificando os ‘promissores’.
Batista
– Idealmente, você deveria escolher alguns. Mas ninguém quer ficar rotulado como “aliado” ou “opositor”. A gente sempre fala para qualquer político que vem aqui: não somos políticos, somos empresários. Queremos contribuir apoiando bons políticos, mas não temos lado. Não é uma questão de escolha.

BBC Brasil – Se o objetivo é um Brasil melhor, o investimento em político não é arriscado? Não seria melhor um instituto de combate à pobreza ou algo do tipo?
Batista
– Sem dúvida é arriscado. Temos investimentos em outras áreas (sociais). Dentro dessa sede da empresa, há uma escola com 600 alunos, porque acreditamos que o maior gap que o Brasil tem não é infraestrutura, é educação.

É um investimento arriscado, claro. Investimos alguns milhões no Eduardo (Campos). Investimos em alguns partidos ou políticos que depois olhamos e falamos: “Poxa, erramos. Era melhor o outro candidato”. Isso faz parte. Se eu soubesse e pudesse só acertar…

BBC Brasil – Tivemos o escândalo do HSBC recentemente. O que leva alguns grandes empresários a colocarem a reputação em risco para sonegar imposto?
Batista
– Acho que não há uma ou duas ou três explicações. Cada caso é um caso. Às vezes fico vendo empresas que pagaram para receber dinheiro (ao qual tinham direito) do governo. É errado, claro. Não tem de pagar ninguém. Mas é difícil julgar porque às vezes a pessoa precisa do recurso. Fica entre a cruz e a espada e acaba indo para o caminho incorreto para salvar a empresa. É preciso ver em que circunstâncias o sujeito fez isso. Não estou falando do funcionário público ou político que recebeu propina, porque eles estão ali para prestar um serviço público. Também tem empresários e empresários. Mas é difícil julgar.

BBC Brasil – O senhor parece estar se referindo à Lava Jato. É isso?
Batista
– De novo, acho que tem casos e casos. Pode ter casos em que (o empresário) fez errado, que corrompeu o corrompido, que foi iniciativa da empresa. É horrível. Não que de outra forma não seja horrível. Mas generalizar não é correto. Tem bons empresários e maus empresários. Boas empresas e más empresas. E também é preciso ver as circunstâncias em que as coisas aconteceram. Não dá para sair julgando. O Brasil precisa de um amadurecimento, até da imprensa. Há uma imprensa cuidadosa, mas outra que emite opinião sem fatos e dados suficientes.

BBC Brasil – Por exemplo?
Batista
– Nós tivemos dois casos nesse sentido, que mostram que não dá para sair julgando. Fizemos um pagamento da compra de um frigorífico em Ponta Porã e um centro de distribuição no Paraná em uma conta, porque a pessoa mandou (fazer o depósito) contra ordem de terceiro. A conta estava no meio da Lava Jato. Foi um barulho (sem propósito)…

BBC Brasil – O outro (caso) diz respeito a anotação (encontrada em uma planilha) de Paulo Roberto Costa (ex-diretor da Petrobras e delator da Lava Jato)?
Batista
– Ele fez uma anotação numa agenda, ou sei lá no que. “J&F (holding controladora da JBS): tantos mil pra mim, tantos pro fulano”. Na operação, a Polícia Federal pegou isso e saiu (na imprensa) algo que fazia parecer que a JBS fez um negócio (ilícito).

Na prática, foi algo tão descabido: uma pessoa que conhecia meu irmão ligou para ele um dia e disse que tinha um amigo que queria vê-lo para oferecer uma empresa. Normal no mundo empresarial. Meu irmão falou: “Tudo bem, traz seu amigo para falar com um diretor meu”. Essa pessoa era o Paulo Roberto Costa, que foi lá oferecer a Astromarítima. Ele estava pensando em ganhar corretagem (com a venda da empresa), o que também é normal, desde que ele declare essa comissão. A proposta não interessou. Mas nesse meio tempo o cara deve ter feito a continha: “Se eu vender, recebo tanto.” Virou um negócio que “meu Deus”.

Também confundiram os nomes. Esse amigo do meu irmão tinha o primeiro ou segundo nome igual ao de um executivo da OAS preso. A imprensa deduziu que era a mesma pessoa. Isso tudo já está explicado. Mas cria-se um negócio não concreto, um julgamento de valor. Opinar quem fez e quem não fez na Lava Jato é para os procuradores, juízes e investigadores.

BBC Brasil – Com a desaceleração da economia, há o medo que o Brasil reverta os ganhos sociais dos últimos anos. Há quem defenda que os ricos poderiam pagar mais impostos para aliviar o impacto do ajuste sobre os pobres. Sua família está no topo da pirâmide social brasileira. O que acha?
Batista
– Pergunta difícil. Essa você pegou pesado. Olha, isso não é uma novidade. Em vários países, quem tem mais paga mais. Nós temos uma situação específica do Brasil. Já temos uma das maiores cargas tributárias do mundo… e aí é que eu acho que está o debate. Não é se se cobra mais de quem tem mais e menos de quem tem menos. Já temos impostos demais e os impostos aqui são muito complicados. Além do custo de pagar, o custo de administrar, isso é monstruoso. Nossa companhia nos EUA é tão grande quanto no Brasil, mas temos aqui dez vezes mais pessoas envolvidas com a questão dos tributos. O foco deveria ser simplificar esse troço.

BBC Brasil – Os processos trabalhistas são o tema de muitos comentários negativos contra a JBS nas redes sociais. O que vocês estão fazendo para diminuir isso?
Batista
– Muita coisa. Cada dia mais. Temos uma área de compliance trabalhista composta por engenheiros de segurança do trabalho, ergonomistas, advogados, um grupo multifuncional que vai de fábrica em fábrica. Lógico que não somos perfeitos. Temos problemas, mas isso às vezes é superdimensionado. Dado o universo que a JBS trabalha, a quantidade de fábricas, nossos indicadores são bons. Temos 120 mil funcionários no Brasil. É claro que não queríamos ter problema nenhum. Nenhum acidente. A gente trabalha para isso. Mas, infelizmente, às vezes tem alguns casos.

FONTE: G1.


Pai não precisa prestar alimentos à filha para que ela possa cursar mestrado
A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) desonerou pai da obrigação de prestar alimentos à sua filha maior de idade, que está cursando mestrado. Os ministros da Turma entenderam que a missão de criar os filhos se prorroga mesmo após o término do poder familiar, porém finda com a conclusão, pelo alimentando, de curso de graduação.

No caso, a filha ajuizou ação de alimentos contra o seu pai, sob a alegação de que, embora seja maior e tenha concluído curso superior, encontra-se cursando mestrado, fato que a impede de exercer atividade remunerada e arcar com suas despesas.

A sentença julgou o pedido improcedente. O Tribunal de Justiça de São Paulo acolheu a apelação da filha, considerando que a pensão deve ser fixada em obediência ao binômio necessidade/possibilidade.

No recurso especial, o pai afirma que a obrigação de sustentar a prole se encerra com a maioridade, estendendo-se, excepcionalmente, até a conclusão do curso superior, não podendo subsistir a partir de então, sob pena de servir de “incentivo à acomodação e à rejeição ao trabalho”.

Para a filha, os alimentos devidos entre parentes alcançam o necessário à educação, não importando o advento da maioridade, bastando a comprovação de que o filho não consegue, por meios próprios, manter-se durante os estudos.

Estímulo à qualificação

Segundo a relatora do recurso, ministra Nancy Andrighi, o estímulo à qualificação profissional dos filhos não pode ser imposto aos pais de forma perene, sob pena de subverter o instituto da obrigação alimentar oriunda das relações de parentesco – que tem por objetivo apenas preservar as condições mínimas de sobrevivência do alimentado – para torná-la eterno dever de sustento.

“Os filhos civilmente capazes e graduados podem e devem gerir suas próprias vidas, inclusive buscando meios de manter sua própria subsistência e limitando seus sonhos – aí incluídos a pós-graduação ou qualquer outro aperfeiçoamento técnico-educacional – à própria capacidade financeira”, acrescentou a ministra relatora.

O número deste processo não é divulgado em razão de sigilo judicial.

FONTE: STJ.

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Festa histórica vivida nas últimas semanas por Belo Horizonte, que nunca havia recebido tantos turistas, acabou em pleno Mineirão com o maior vexame da Seleção

Torcedores foram do céu ao inferno. Depois de 27 dias de esperança pelo hexacampeonato, a alegria virou apreensão e foi engolida por uma decepção sem fim no início da noite

Alemanha massacra, faz 7, impõe ao Brasil o maior vexame da história e avança à final

Vergonha
Nas capas de jornais estrangeiros, humilhação, fracasso e vexame foram algumas das palavras para descrever o desempenho da seleção brasileira.

 

Envolventes, alemães entraram para a história ao aplicar a maior derrota do Brasil

Jefferson Bernardes/Vipcomm



Estava tudo preparado para uma grande festa em verde-amarelo. Mas o que se viu foi um autêntico show da Alemanha. Com um futebol envolvente, de toque de bola de extrema qualidade, os alemães entraram para a história ao aplicar a maior derrota do futebol brasileiro. Com uma goleada de 7 a 1, nesta terça-feira, diante de mais de 51 mil torcedores, a seleção germânica se classificou para a final da Copa do Mundo. Toni Kroos (2), Schürrle (2), Müller, Khedira e Klose balançaram as redes. Oscar fez o gol solitário do Brasil.

A Seleção Brasileira foi presa fácil para a Alemanha, que deixou o campo aplaudidíssima pela atuação impecável. Os germânicos se dirigiram aos torcedores depois da partida, retribuindo o apoio. Mas o Mineirão, em peso, reconheceu a atuação fantástica de uma geração que vem brilhando nos gramados desde a Copa de 2006, quando foi montada.

A Alemanha se classificou para disputar mais uma final de Copa do Mundo, a oitava. E chega muito forte e com moral para enfrentar o ganhador de Holanda x Argentina, que se enfrentam nesta quarta-feira, em São Paulo. A Seleção Brasileira terá que erguer a cabeça para ao menos encerrar de forma digna a participação. Resta aos comandados de Felipão brigar pelo terceiro lugar, sábado, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. A grande decisão será no domingo que vem, no Maracanã.



O jogo histórico

A torcida cumpriu o papel, veio ao Mineirão imbuída em apoiar a Seleção Brasileira do começo ao fim. Ainda mais com a confirmação da entrada de Bernard, titular na vaga de Neymar, o que levou os mineiros, principalmente os atleticanos, a gritar ainda mais em favor do time de Felipão e cia. Do outro lado, uma Alemanha ávida em estragar a festa que estava preparada para explodir depois do clássico.

O Brasil até tentou se impor no começo, obrigando Neuer a trabalhar. Mas o que se viu foi uma autêntica tragédia no Mineirão. A Alemanha, bem ao seu estilo, tocou bola com a mesma tranquilidade e eficiência de sempre. Com deslocamentos rápidos pela direita, sempre nas costas de Marcelo, que se mandou ao ataque e deixava um corredor atrás. O time germânico viu que tomaria conta facilmente do meio-campo e ganhou confiança.

Logo aos 11min, o prenúncio de que não seria uma tarde/noite boa para o Brasil. Em cobrança de escanteio de Toni Kroos, pela direita, a defesa vacilou feio e a bola se ofereceu para Muller, que não perdoou e mandou para as redes de Julio Cesar: 1 a 0. O lance não abalou a torcida, que continuou empurrando. Mas os jogadores, não. A Seleção se perdeu completamente e cedeu muito espaço aos alemãs. Era tudo o que o adversário queria.

O que se viu em seguida foi algo impensável. A Seleção Brasileira tomou um show de bola, um passeio em pleno Mineirão. Os alemães foram para cima, tocando bola e aproveitando as brechas entre o meio-campo e a defesa. E os gols foram saindo, transformando o apoio em vaias e revolta da torcida. Em menos de 20min, o Brasil tomou cinco gols! Destaque para Klose, que fez 2 a 0 e se tornou o maior artilheiro da história das Copas. Ele balançou as redes 16 vezes no total, deixando para trás Ronaldo Fenômeno.

Toni Kroos, um dos destaques do primeiro tempo, mandou a bola duas vezes para as redes de Julio Cesar, aos 24 e 25min.Logo depois, para desespero da torcida no Mineirão, Khedira completou no canto direito, depois de nova troca de passes perfeita dos alemães: 5 a 0. O suficiente para muitos torcedores abandonarem as cadeiras, com um misto de revolta e perplexidade.

Orquestra alemã

Sob vaias, os comandados de Felipão voltaram para o segundo tempo com mudanças. Paulinho e Ramires substituíram Fernandinho e Hulk, respectivamente, ambos inoperantes em campo tanto na destruição como na criação das jogadas. O Brasil até mostrou outro espírito – lutando mais que mostrando futebol. Os poucos torcedores que tiveram a iniciativa de apoiar o time se manifestaram. Neuer trabalhou muito em um verdadeiro bombardeio, demonstrando firmeza impecável.

Com Bernard bem aberto pela esquerda, o Brasil passou a incomodar. Só que os atacantes não estavam em uma tarde feliz. Tanto que Fred, apático como em jogos anteriores, fez com que a torcida perdesse a paciência. O centroavante, ídolo dos cruzeirenses, passou a ser perseguido em campo. Os alemães, em número reduzido, eram ouvidos com os tradicionais cânticos. E ainda teve tempo para o sexto, em uma histórica goleada germânica. Aos 23, Shcürrle, que entrara no lugar de Klose – aplaudidíssimo -, completou cruzamento de Lahm, pela direita: 6 a 0.

A torcida passou a aplaudir de pé as jogadas da Alemanha. Os papéis se inverteram, com gritos de ‘Olé’ a cada troca de passes germânicos. O Brasil ainda levou mais um e aumentou a humilhação. Aos 33, Schürrle recebeu na área e chutou forte. A bola tocou no travessão e Julio Cesar nem viu por onde passou: 7 a 0. Mas em vez de vaias, aplausos. Como uma autêntica orquestra filarmônica alemã. O Brasil ainda descontou com Oscar, aos 44min, mas a reação dos torcedores foi de ironia: ‘Eu acredito’, gritaram das cadeiras. Fim de jogo: 7 a 1.



BRASIL 1 X 7 ALEMANHA

Brasil
Julio Cesar; Maicon, David Luiz, Dante e Marcelo; Luiz Gustavo, Fernandinho (Paulinho), Fernandinho e Oscar; Hulk (Ramires) e Fred (Willian)
Técnico: Luiz Felipe Scolari
Alemanha
Neuer; Lahm, Boateng, Hummels (Mertesacker) e Howedes; Schweinsteiger, Khedira (Draxler) e Toni Kroos; Ozil, Klose (Schürrle) e Muller

Estádio: Mineirão
Data: terça-feira, 8 de julho
Árbitro: Marco Rodríguez (MEX)
Auxiliares: Marvin Torrentera (MEX) e Marcos Quintero (MEX)
Gols: Muller 11, Klose, 22, Toni Kroos, 23 e 24, Khedira, 28min do primeiro tempo; Schürrle, 23 e 33min; Oscar, 44 do segundo tempo
Público: 58.151 torcedores
Cartões amarelos: Dante (BRA)

Belo Horizonte nunca recebeu tantos turistas, nunca viu tantos estrangeiros e nunca foi palco de uma festa tão grandiosa desde o início da Copa do Mundo. Mas ontem toda essa grandeza contrastou com uma decepção também nunca vista na cidade: maior vexame da história da Seleção Brasileira em pleno Mineirão. A goleada de 7 a 1 da Alemanha desabou como tragédia sobre a torcida verde-amarela. Mais do que calar a cidade, o massacre em campo deixou a torcida brasileira perplexa. A Savassi, maior ponto de concentração de torcedores durante a Copa, viu muita decepção, brigas e prisões no fim da partida do Mineirão. Enquanto os torcedores iam embora decepcionados e esvaziavam a Savassi, houve mais confusão e agressões no fim da noite. O Mundial da alegria acabava de forma constrangedora e revoltante para os brasileiros. 

Há 27 dias, o clima era outro. Os quatro quarteirões fechados da Praça Diogo de Vasconcelos haviam se tornado um ponto natural de encontro de vários idiomas. Tudo era festa. Mas ontem, ainda no primeiro tempo, torcedores deixaram a Savassi e o Mineirão antes mesmo do fim da partida. “Eu sabia da ‘Neymardependência’, mas não imaginava que fosse tão grande. O time do Brasil sentiu muito a saída do seu craque. Não acredito que vi, na Copa do meu país, no jogo da minha cidade, um placar tão vergonhoso”, desabafou o engenheiro civil João Pedro Lanna, de 35 anos, natural de Belo Horizonte. 

O ambulante Antônio Jorge da Silva, de 45, ficou revoltado: “Que papelão! Eu gastei muito. Comprei bebida para estse e o próximo jogo. E agora a festa acabou. Mas eles vão voltar para casa com dinheiro no bolso. E eu fico no prejuízo”. 

A enfermeira Ana Cláudia Vieira, de 26, também moradora da capital, achou os jogadores brasileiros desequilibrados. “Mais do que triste, estou com vergonha. Sou apaixonada por futebol, assisto muitos jogos e por isso mesmo não consigo acreditar”, disse. “BH ficou marcada para sempre. O Maracanaço (derrota para o Uruguai na Copa de 1950) não é nada perto desse vexame”, completou o funcionário público Anderson Flores, de 32, de Formiga, no Centro-Oeste de Minas.
“A culpa é minha”Técnico diz que foi o pior dia de sua vida, mas não se arrepende das escolhas que fez no time


“É uma derrota catastrófica, horrível, mas temos de aprender com isso. 12, 13, 14 jogadores dessa equipe vão estar na copa de 2018”

 

“Acho que foi o pior dia da minha vida.” Assim o técnico da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari, definiu a terça-feira em que sua equipe foi goleada por 7 a 1 pela Alemanha, no Mineirão, pela semifinal da Copa do Mundo. O maior vexame da história da Seleção Brasileira, segundo o treinador, nasceu em 10 minutos, quando o adversário marcou quatro gols. Palavras como descontrole, desorganização, pane, branco, desastre, catástrofe, pânico e transtorno foram repetidas por Felipão durante a coletiva.

“Deu um pane depois do primeiro gol e, com a qualidade dessa equipe, eles aproveitaram, e não tínhamos condições de reagir”, definiu o treinador brasileiro. “Peço desculpas pelo resultado negativo, por não chegar à final. Fizemos e tentamos o que tínhamos condições e o que achamos que era o nosso melhor.”

Felipão disse que não se arrependeu da escalação de Bernard, em vez de três volantes, como chegou a treinar. “Com a volta de Oscar, Hulk e Bernard, poderíamos fazer o setor do meio. Estava tudo organizado até o primeiro gol. Aí entramos em pânico e as coisas foram dando certo para eles. É uma escolha que o técnico faz e tem que arcar com as consequências”, avaliou. E ele assumiu a responsabilidade pelo resultado: “Pode até ser dividido por todo o grupo, porque os jogadores querem isso, mas a escolha da parte tática, a forma de jogar sou eu. Então, o resultado e o responsável fui eu”. Segundo Scolari, nem a presença de Neymar evitaria a derrota: “Ele é atacante e não teria como defender as jogadas trabalhadas que aconteceram ali”.

Felipão reconheceu que ficará marcado na história do futebol brasileiro não apenas como o técnico que conquistou o penta em 2002, mas também por ter sofrido a maior derrota de todos os tempos. “É um risco que sabia quando assumi o cargo. Tenho de assimilar e seguir em frente. Se for pensar em toda a minha carreira, acho que foi o pior dia da minha vida, mas continua a vida”, definiu.

Para Felipão, a derrota para a Alemanha não demonstra que o futebol brasileiro esteja ultrapassado taticamente. “Até o primeiro gol, fizemos um jogo idêntico e até melhor que a Alemanha. Houve descontrole. Não é normal, mas acontece. Não estamos atrasados. Perdemos um jogo para uma grande equipe”, justificou.

EM 2018 Ao mesmo tempo, o treinador admitiu que a goleada deixa lições para a equipe. “É uma derrota catastrófica, horrível, mas temos de aprender com isso. Doze, 13, 14 jogadores dessa equipe vão estar na Copa em 2018”, afirmou Scolari, que, de imediato, vai tentar reanimar o grupo para a disputa do terceiro lugar, sábado, em Brasília, contra o perdedor de Holanda x Argentina, a outra semifinal que será disputada hoje, no Itaquerão. “A qualidade da Alemanha foi muito grande. Não é normal, mesmo que jogue mais 10 jogos. Temos de saber como vamos assimilar a derrota.”

Até alemão lamenta goleada
Incrédulo com o placar no Mineirão, torcedor da Seleção da Alemanha diz que o Brasil não merecia uma derrota como a de ontem.
Descendentes de germânicos comemoram

Sem ingressos para o Mineirão, os turistas Jonas Doil, Txai Meye, Felle Faehre, Sebastian Altenharp (de chapéu), Kajtek Skotridiv e Tobias Doil torceram pela Alemanha num bar do Bairro Anchieta


“O Brasil não merecia esse fim”. Assim reagiu o alemão Sebastian Altenharp, de 25 anos, que assistia ao jogo entre as seleções brasileira e da Alemanha no Bar Café do Carmo, no Bairro Anchieta, Região Centro-Sul da capital. O torcedor se mostrava incrédulo com a goleada histórica. “Minha aposta era 1 a 0. Claro que a gente queria ganhar do Brasil, mas esperava que fosse de outra forma, não desse jeito”, afirmou.

Sem conseguir ingresso para a partida no Mineirão, vendido a R$ 2 mil no mercado paralelo, Sebastian decidiu ir para o bar com amigos. Até o terceiro gol, os seis torcedores vibravam – eram os únicos alemães no meio da multidão de camisas verde-amarelas. Eles levantavam a bandeira e gritavam: “Finale, finale.” Depois do quarto gol, Sebastian deixou de comemorar em consideração aos brasileiros.

“A gente tem muito respeito pelo Brasil, que nos recebeu tão bem”, explicou o alemão em nome de seus amigos, que também evitaram celebrar efusivamente a goleada. Um brasileiro chegou a abordar o grupo para dizer que a Alemanha não estava ganhando a Copa, era o Brasil que a perdia. Sem confusão, as duas torcidas mantiveram o clima respeitoso.

Hino Durante o jogo, praticamente não havia alemães torcendo nos bares e restaurantes da capital. Não faltou apoio ao time vencedor por parte de brasileiros de origem germânica e simpatizantes da Seleção Alemã. Num reduto da colônia germânica, o restaurante Neckartal, no Bairro Santo Antônio, os descendentes comemoraram cada gol como se fosse o primeiro. Cantaram o Hino da Alemanha e zombavam sempre que brasileiros se aproximavam do gol de Neuer. Quando o Brasil marcou, ninguém se manifestou.

“Meu bisavô era alemão. A última vez que torci para o Brasil foi em 1994”, afirmou o analista de sistemas Thiago Canuto, de 33. Para ele, a vitória da Alemanha foi uma resposta à final da Copa do Mundo de 2002, quando o Brasil derrotou os germânicos com dois gols de Ronaldo e se tornou pentacampeão. “Hoje, o Klose passou o Ronaldo em número de gols”, comemorou Thiago. 

No Restaurante Haus München, Fabiana Villani, Vitor Isidoro e Márcio Godoi se passavam por legítimos germânicos. “Desde 2002 torço para a Alemanha”, contou Vitor, que conseguiu “converter” os amigos. “Cheguei a ir para a porta do hotel da Seleção Alemã e tentar uma reserva para me hospedar lá, mas não consegui”, lamentou.

 

 

Surpresa e revolta
Maior palco de confraternização de torcedores em BH, Savassi viu o sonho do hexa ruir em poucos minutos, quando a festa foi engolida pela decepção e pela violência

Queima da bandeira depois do quinto gol da Alemanha, ainda no primeiro tempo, deu início a tumulto e confronto generalizado entre torcedores e policiais militares


Maior ponto de concentração de torcedores na Copa do Mundo, com 35 mil pessoas em dias de jogo do Brasil, a Savassi foi do céu ao inferno ontem. O clima de grande alegria em verde e amarelo do início do dia foi cedendo lugar à apreensão e por fim, à perplexidade de milhares de torcedores em meio a tumulto e prisões.

O primeiro tempo nem tinha acabado quando o casal de aposentados Francisco Lanna, de 76 anos, e Maria Lanna, de 66 anos, recolheu o banquinho de plástico que tinha levado para a Savassi. Assim como a grande maioria dos torcedores brasileiros, eles estavam atônitos com o que acontecia com a Seleção comandada por Felipão. “A defesa falhou, o Júlio César também. Mesmo se o Neymar jogasse, não ia fazer a menor diferença”, tentou explicar Francisco. Maria não quis continuar assistindo ao jogo e por isso fez questão de voltar para casa. “Se forpara sofrer, que a gente sofra em casa, pelo menos. O sorriso agora fica amarelo, mas de constrangimento”, declarou.

O estudante Felipe de Moraes, de 19 anos, também não aguentou ver o vexame e lamentou principalmente pela bela festa que os brasileiros estavam fazendo. “Eu estava participando de tudo, na Savassi ou na Fan Fest. E acabar assim, nessa goleada inexplicável. O jeito é beber para afogar as mágoas”, justificou.

Quem também reclamou da derrota foram os ambulantes. Como muita gente acabou indo embora já aos 30 minutos da partida, quando estava 5 a 0 para a Alemanha, o movimento chegou a diminuir e alguns vendedores até fizeram promoção para atrair a clientela. “Eu costumava vender o latão por R$ 5 e agora estou fazendo três por R$ 10. Não tem muito clima para festa”, comentou José Feliciano dos Santos.

A colega Maria Ferraz, que foi para a Savassi todos os dias de jogos, disse que normalmente vende 20 caixas de cerveja e que a expectativa para ontem era de apenas nove caixas. 

ESTRANGEIROS
 DECEPCIONADOS


Até os estrangeiros ficaram decepcionados com a derrota brasileira. As amigas australianas Darci Morton, de 16, e Samara Ralston, de 17, que fazem intercâmbio em uma escola em Sete Lagoas aproveitaram praticamente todos os dias na Savassi e confessam que apesar de estarem acompanhando o Mundial, não ligam muito para futebol. “Na Austrália, o esporte não é muito popular e só agora que estamos no Brasil é que a gente começou a gostar um pouco mais. Mas as festas por conta da Copa são bem mais legais que os jogos”, disse Samara. 
Já Darci, que torcia muito pelo Brasil, revelou estar preocupada em saber se a eliminação comprometeria os eventos. “Os brasileiros são muito animados, acolhedores, então tomara que no fim de semana a gente consiga aproveitar do mesmo jeito”, frisou.

Já os argentinos Martin Torres, de 31 anos, e Luciano Ali, de 33, vieram de Buenos Aires em uma caravana de 50 amigos em um Bar Móvel e estavam ansiosos por uma final  Brasil x Argentina. Os dois já rodaram várias cidades brasileiras atrás de Messi e cia. e pararam em BH para tentar ir ao Mineirão e tentar comprar ingressos para a final no Maracanã. 

“Como não conseguimos entradas para Brasil x Alemanha, vamos aproveitar a festa na Savassi. Já estivemos aqui no jogo da Argentina contra o Irã e foi bem legal. Tem muita gente bonita e o povo é festeiro”, analisou Martin. Com a derrota brasileira, Luciano que estava com uma placa à procura de entradas para o último jogo da Copa do Mundo, acreditava que seria mais fácil conseguir uma entrada agora. “Era a final sonhada por todos. Mas como o Brasil perdeu, acho que muita gente vai desanimar. Pelo menos, nós estaremos lá”, declarou confiante.

 

A festa dos torcedores brasileiros durou até o início do jogo, virou incredulidade de repente e terminou em decepção. No fim, quem comemorou foi a torcida alemã

 

Um dia turbulento
Saguão do aeroporto de Confins ficou lotado de passageiros que vieram para o jogo e foram embora atônitos com a derrota.
Na Pampulha, movimento aumentou 60%


Passageiros pararam para assistir à partida

Olhares perplexos, mão na boca em sinal de espanto e o amargo sabor da derrota descendo pela garganta. A vitória da Alemanha sobre o Brasil deixou atônitos os passageiros em trânsito ou que embarcaram, na noite de ontem, no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

“Foi uma decepção, uma vergonha nacional”, lamentou o gaúcho Gilmar Sossella, que estava no Mineirão desde o início da partida e decidiu sair quando o placar já estava 5 a 0 para o país europeu. “Inacreditável”, acrescentou a mulher Melania. Gilmar disse que sabia muito bem que a partida seria difícil, mas que não chegaria a esse ponto. Na opinião dele, será necessário uma reformulação na Seleção Brasileira “começando por cima”. Ele explicou que a Alemanha fez essa reforma na década passada e criou uma nova geração de jogadores de futebol. “Deu tão certo que o resultado está aí”, disse Gilmar.

Para o advogado norte-americano Robert Willoughby, que seguia com a mulher Helisângela para São Francisco, na Califórnia, o resultado do jogo foi decorrente da desestabilização do time brasileiro. Mineiro de Montes Claros, Marcos Damasceno Freire estava no voo procedente de Fortaleza quando o piloto falou do resultado de 7 a 1. “Não acreditei. Agora vou viajar para a minha cidade muito chateado.”

Entre os passageiros que assistiam ao jogo no telão do aeroporto, um torcedor se destacava por estar com o boné da Alemanha. Era o arquiteto venezuelano Juan Pablo Gross, descendente de alemães. “Estou feliz e vou torcer ainda muito pela Alemanha.” Já o casal Isaías Martins e Maria de Lourdes Alcântara Pereira, de Governador Valadares, no Leste de Minas, não perde a esperança. Os dois estavam com uma camisa onde se liam os anos em que o Brasil foi campeão da Copa (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002). “Deixamos as reticências depois de 2002, pois nunca se sabe”, disse Isaías.

Com a camisa da Alemanha, os empresários Gunter Kuhstein, de 54, e Andreas Tragner, de 30, estavam felizes e surpresos com a goleada. “Achei que o placar fosse de no máximo 2 a 0 para a Alemanha; 7 a 1 eu nunca imaginei”, disse Gunter, que seguiu para Salvador (BA) e estará na final no Maracanã, no domingo.

MOVIMENTO De manhã e início da tarde, os aeroportos da Pampulha e de Confins foram de chegadas, partidas e muito movimento. Eram torcedores querendo chegar a Belo Horizonte para torcer. Desembarcavam e seguiam direto para o Mineirão. Na Pampulha, bem perto do estádio, aviões particulares de empresários, artistas e autoridades disputaram espaço para pousar. Nos corredores, passageiros e funcionários contaram ter visto até o presidente do país africano Gabão desembarcando. Segundo a Infraero, houve um aumento de 60% de voos executivos ontem. As empresas tiveram que recusar atendimentos de última hora.

“O Aeroporto da Pampulha já foi um dos 10 maiores do Brasil em movimentação de voos executivos”, comentou o supervisor da Infraero, Nerivaldo Gomes. O órgão não informou a quantidade exata de aeronaves particulares recebidas, a maioria de origem estrangeira, mas estima-se que tenham sido mais de 100. Thiago Nacif Kasbergen é gerente de uma das empresas e disse que nunca viu tantas aeronaves particulares no aeroporto. Foram 27 de várias partes do Brasil ontem, incluindo seis helicópteros. Em dias normais, o número não passa de 15. Chamou a atenção a vinda de dois aviões da Inglaterra, uma delas o jato Falcon 7X, um dos maiores modelos de aviação executiva. Diante de tantos pedidos, alguns recusados, Thiago direcionou dois voos para o Aeroporto Carlos Prates. 

Outra empresa teve que dispensar atendimento a 17 aeronaves. O hangar atingiu a capacidade máxima com voos programados desde anteontem, assim como ocorreu nos outros dias de jogos do Brasil em Belo Horizonte. No total, foram 33 pousos. “Isso é o que faturo em todo o mês”, comemorou o coordenador de operações Guilherme Rodrigues Abrantes. Os aviões saíram lotados principalmente de São Paulo, Rio de Janeiro, interior de Minas e Nordeste, e 70% deles retornaram ontem mesmo.

Em Confins, além dos voos internacionais, aviões chegavam do Rio de Janeiro, Guarulhos, Goiânia, Rio de Janeiro e Curitiba, entre outras origens, trazendo, em sua maioria, torcedores do Brasil. É o caso dos engenheiros Lívia Fuentes, de 29 anos, e Leonardo Furtado, de 31, que se tornaram verdadeiros nômades para acompanhar todos os jogos do Brasil na Copa. O casal de São Paulo já foi a Brasília, Fortaleza, Recife, Porto Alegre e Salvador. “Nós somos pés quentes, vamos trazer a Copa”, brincava Leonardo antes do jogo.

 

 

FONTE: Estado de Minas.


 

Minas Gerais concentra segunda maior população carcerária do país

presos
Atualmente, Minas tem 68.452 presos no sistema carcerário e prisão domicilia
Das 715.655 pessoas presas no Brasil, 68.452 estão em Minas Gerais, segundo a pesquisa Novo Diagnóstico de Pessoas Presas no Brasil, elaborada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O estado está em segundo lugar no topo da lista com maior número de presos. Em primeiro lugar, está São Paulo, com 297.096. A contagem considera tanto a população que cumpre pena no sistema carcerário quanto a que está em prisão domiciliar.
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Paraíba (8) e Espírito Santo (27) são os dois estados que possuem menor número de pessoas cumprindo pena em casa. Essa população é maior em São Paulo (92.150), Santa Catarina (14.472) e Minas Gerais (10.954). A subsecretaria de Administração Prisional (Suapi) de Minas informou que, desde 2014, 2.267 presos deixaram o sistema prisional para cumprir pena em regime domiciliar. Atualmente, 1.230 presos são monitorados eletronicamente por uma tornozeleira eletrônica.
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Acompanhando o total de presos, o déficit de vagas também é maior em São Paulo e Minas Gerais. Faltam 182.598 vagas no sistema penal de São Paulo e 32.354, em Minas. Ontem, a Agência Brasil mostrou que, com a nova metodologia de pesquisa adotada pelo CNJ, o déficit de vagas em todo o Brasil chega a 358.373. Isso sem contar a existência de 373.991 mandados de prisão abertos. Se cumpridos, o déficit poderia chegar a 732.427.
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Segundo a pesquisa do CNJ, em todo o Brasil, o número de presos provisórios caiu de 42% (estimativa do Departamento Penitenciário Nacional, o Depen) para 31%. Mas em muitos estados, a proporção é bastante alta, chegando a representar mais da metade da população carcerária do Piauí (68%, embora os dados não estejam consolidados), da Bahia (62%), do Amazonas (57%) e do Ceará (56%).
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O governo de Minas Gerais reconhece o déficit de cerca de 20 mil vagas, mas aponta que, até 2015, serão abertas 14,9 mil com a construção de três unidades prisionais, além da ampliação de quatro existentes. Em relação à diminuição dos presos provisórios, a Suapi afirmou, em nota, que “a redução do número de presos provisórios nas unidades da Suapi depende do julgamento dos processos”.
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A Agência Brasil entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, que não se pronunciou até o fechamento da matéria.
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FONTE: Hoje Em Dia.


Puxadinho

Puxadinho só depois da Copa
Terminal que ampliaria capacidade de Confins em 3,9 milhões de passageiros por ano só vai ficar pronto em julho.
Falha estrutural no prédio adiou a conclusão

Puxadinho2

Uma bola de neve de problemas assola a construção do terminal provisório (o puxadinho) do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins. O edifício, que deveria possibilitar a ampliação da capacidade operacional do aeroporto, teve sua entrega adiada novamente, desta vez para julho. Com isso, os passageiros que desembarcam no terminal mineiro seguirão enfrentando o aperto da operação próxima à capacidade máxima durante a Copa do Mundo. O motivo: problemas estruturais complicaram a entrega do puxadinho. Com o atraso na construção, a Infraero advertiu o consórcio responsável pela obra, que, por contrato, deveria entregar a reforma até março. Em vez de serem multadas, no entanto, as empresas assinaram um aditivo de prazo que garantiu mais tempo para a conclusão da obra. 


A Infraero confirma que, “durante a execução dos serviços, foi constatada a necessidade de reforço na estrutura metálica do terminal existente”, ou seja, do antigo terminal de aviação geral, que foi ampliado para receber voos comerciais. O superintendente regional da Infraero, Silvério Gonçalves, confirma a ocorrência de problemas, mas diz estar proibido de fornecer detalhes sobre as obras. “Sei que nós tivemos problemas técnicos lá e, por essa razão, ele não ficou de todo pronto. Ele está quase pronto”, diz. 
Apesar disso, Gonçalves afirma que o puxadinho não está nos planos para o início da Copa do Mundo. “Com mais um mês de atraso, acredito que vai ser entregue em julho”, afirma. A Copa começa em 12 de junho e termina no dia 13 do mês seguinte. 

“Em relação ao terminal de passageiros 3, já foi anunciada a intenção de multa. No momento, o consórcio responsável pela execução das obras está em fase de defesa”, diz nota da assessoria de imprensa da Infraero. A penalidade seria aplicada por causa do atraso. Segundo a Infraero, já foram concluídas a via de acesso ao novo terminal, além do saguão e da área de desembarque. O cronograma do restante dos serviços será redefinido depois do encerramento da Copa.

O gerente comercial da Urbtopo – empresa integrante do consórcio contratado para executar as obras do terminal provisório –, Henrique Abreu, diz que o suposto problema estrutural impediu o consórcio de fazer “a interligação dos sistemas de controle de voo, elétrico e de água, devido às constantes quedas de energia”. Isso, segundo ele, impediu a execução dos testes. Abreu isenta a empresa do problema e põe a culpa na Infraero. “As empresas mesmo não aceitam testar com risco de queima de equipamento. Imagina se queimar um painel daqueles”, diz ele. 

Na semana passada, Abreu tinha dito ao Estado de Minas que a área de desembarque e o saguão seria entregue, com atraso, no próximo domingo. A área de embarque seria concluída no dia 20. Por contrato, a obra do terminal provisório seria entregue em março, mas a empresa alega ter atrasado o início da construção por dois motivos: a necessidade de os funcionários passarem por treinamento devido, à proximidade com a torre de controle, e as chuvas de fim de ano. Ao todo, esse atraso foi de 63 dias. 

ARREMATES A empresa diz desconhecer a aplicação de penalidade pelo descumprimento do prazo. Em contrapartida, afirma que assinou aditivo, prorrogando o contrato até julho. “A obra mesmo foi entregue. Temos pessoal lá para fazer arremates”, afirma o gerente comercial da Urbtopo.

O atraso na entrega do terminal provisório restringiu as operações no aeroporto internacional. A unidade deve ampliar a capacidade em 3,9 milhões de passageiros por ano, mas, sem sua conclusão, a Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República não pôde considerar o aumento de capacidade no planejamento operacional para atender a demanda da Copa do Mundo.

O consultor técnico da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), Adalberto Feliciano, afirma que o setor aguarda a conclusão das obras para traçar o planejamento, inclusive com novas rotas. “A gente está simplesmente aguardando que as obras sejam feitas e o aeroporto esteja pronto para receber tais voos. Não tem como colocar avião onde avião não cabe”, afirma. E mais: “Quando o aeroporto estiver pronto, as empresas certamente vão planejar mais voos para cá. É a terceira maior cidade do país; tem um mercado potencial muito bom”.

Voo verde no céu de Minas

O decolar de um avião do aeroporto de Confins rumo a Brasília, abastecido com 4% de bioquerosene importado de uma refinaria em Pasadena, no Texas (Estados Unidos), é promessa de ares mais limpos à aviação nacional. O voo, realizado ontem, marcou a primeira experiência mineira com o uso de um combustível verde no setor aéreo, que, com o lançamento da Plataforma Mineira de Bioquerosene, tem a perspectiva de incentivar novos estudos e o desenvolvimento da cadeia no estado.

O programa, parceria do governo de Minas com 17 instituições, tem como desafio produzir o bioquerosene em escala industrial para reduzir o custo de produção, tornando viável a adoção do produto pelas empresas. Segundo o diretor de Controle de Operações da Gol, Pedro Scorza, atualmente, o querosene “verde” custa entre três e quatro vezes mais que o fóssil. “O objetivo é o 0 a 0. Não quero um centavo de desconto, mas não posso abrir mão do custo”, diz ele. Afirmativa que se explica por 40% do custo operacional das companhias aéreas nacionais serem relativos ao combustível e a desoneração do produto ser um pleito antigo das empresas.

Uma empresa deve firmar parceria com o governo estadual para a instalação de uma refinaria experimental nas proximidades do aeroporto, com capacidade de produzir 20 mil litros por ano. Segundo o subsecretário de Assuntos Estratégicos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Luiz Antonio Athayde, a negociação está adiantada. O investimento previsto para a planta é de R$ 6 milhões. “O bioquerosene virá direto para a companhia abastecer no aeroporto”, afirma Athayde, que já planeja a implantação de uma refinaria maior com o avanço dos estudos. 

Em Minas, macaúba, etanol e camelina devem ser experimentados para a produção do bioquerosene. O produto usado ontem no voo usou uma mescla de milho não-comestível. Em homenagem ao Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado ontem, o combustível usado pela Gol para 200 voos, incluindo o de ontem, teve isenção de ICMS em Minas. Ao todo, 69 toneladas serão usadas. Segundo Scorza, o bioquerosene usado ontem reduz em até 70% a emissão de gases do efeito-estufa. 

A indústria de aviação é responsável pela emissão de 2% do dióxido de carbono produzido pelo homem. Segundo estudos, para suprir a aviação nacional seria preciso aumentar a área plantada brasileira, passando de aproximadamente 5% para 7% do território nacional. (PRF)

PM endurece o jogo
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Um dia após troca de comando do Policiamento Especializado, representante da corporação sinaliza com postura mais rigorosa do que a adotada há um ano, afirma que tropa pode ser obrigada a abrir vias ocupadas na Copa e diz que não haverá tolerância com vandalismo

 

Interdição de vias estratégicas, como a ligação com o aeroporto de Confins, pode desencadear atitudes mais enérgicas (Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Interdição de vias estratégicas, como a ligação com o aeroporto de Confins, pode desencadear atitudes mais enérgicas



Cenas de policiais impassíveis, limitando-se a observar grupos nem sempre numerosos de manifestantes interditando o tráfego em vias urbanas e rodovias, ou de militares imóveis, enquanto vândalos destroem e saqueiam estabelecimentos comerciais, não devem se repetir no período do Mundial de futebol, como ocorreu seguidamente no ano passado, durante a Copa das Confederações. As forças de segurança pública mineiras admitem que vão intervir com mais rigor se situações graves como essas ocorrerem, diferentemente da postura adotada em 2013. Um dia após a troca da chefia do Comando de Policiamento Especializado da Polícia Militar, o assessor estratégico da PM para a Copa do Mundo, coronel Leandro Bettoni, disse em entrevista ao Estado de Minas que a corporação está mais preparada e que pretende agir com mais rapidez para impedir que estabelecimentos sejam destruídos e roubados. O governador Alberto Pinto Coelho (PP) também sinalizou que a força será usada quando o diálogo falhar.

De acordo com o governador, esse será o último expediente, em casos de impasse. “Mas, quando se fizer necessário, será usado, e a nossa polícia é qualificada para esse uso. Qualquer fato de transgressão, nós temos o aparato policial para inibir”, afirmou. A postura indica um endurecimento das forças de segurança, o que, de acordo com fontes ligadas ao comando da corporação, teria levado ao pedido de aposentadoria do então comandante do Policiamento Especializado, coronel Antônio de Carvalho Pereira, substituído na quarta-feira pelo coronel Ricardo Machado. Na Copa das Confederações, o coronel Carvalho segurou a tropa, que testemunhou as depredações e saques sem agir, em nome da proteção de manifestantes pacíficos que estavam entre vândalos. Uma outra versão, porém, dá conta de que o comandante teria se indisposto com superiores exatamente devido à falta de autonomia para agir.

Agora, com diretrizes aparentemente mais severas, uma das situações na qual a PM atuará é a liberação de corredores importantes, como a Linha Verde. Em menos de 15 dias, a MG-010, rodovia estadual que liga Belo Horizonte ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, foi bloqueada duas vezes por manifestantes, fazendo com que passageiros perdessem voos e deixando o trânsito da capital mineira ainda mais caótico. O primeiro fechamento ocorreu no dia 22, quando integrantes de ocupações urbanas protestaram em frente à Cidade Administrativa, sede do governo do estado. O segundo foi na quarta-feira, quando professores estaduais em greve fecharam a via por quatro horas, sem que a Polícia Militar tenha sido capaz de minimizar os transtornos a cidadãos prejudicados pelo ato.

DESOBSTRUÇÃO Se vias como a Linha Verde, consideradas importantes, forem interditadas por protestos, haverá uma avaliação da situação, com a PM podendo agir para que a via seja desobstruída. “Tudo dependerá de avaliação de momento. Se for um espaço vital para o evento (Copa do Mundo), se oferecer risco aos envolvidos ou se for um local extremamente importante, a polícia poderá, sim, desmobilizar os manifestantes com uso de força”, afirmou ontem o assessor estratégico da PM para o Mundial, coronel Leandro Bettoni, depois de se reunir com delegados da Ordem dos Advogados do Brasil de Minas Gerais.

Uma das prioridades é a passagem das delegações dos países envolvidos com a Copa. De acordo com o coronel Bettoni, há várias estratégias e caminhos possíveis para que os comboios cheguem aos estádios e concentrações. Mas, se um grupo de manifestantes encurralar um desses ônibus, a escolta agirá imediatamente para resguardar atletas e delegados. “Essa é uma situação possível e consta no nosso plano de contingência. Se um veículo de delegação for parado, a escolta, que é feita pelas polícias Militar e Federal, terá de intervir e liberar a passagem”, disse.

Destruição e furtos a concessionárias e lojas também não serão tolerados. Segundo o coronel Bettoni, foram traçadas estratégias para que as forças de segurança intervenham mais rápido e impeçam as ações de saqueadores e depredadores. “Estamos mais preparados do que na Copa das Confederações. A demora para atuar enquanto os crimes ocorreram é diferente de omissão. Desta vez, agiremos muito mais rápido, com estratégias para impedir esses crimes. Estamos também trabalhando com prevenção”, alertou.


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Reação a agressões

As poucas vezes em que a Polícia Militar agiu com mais vigor contra manifestantes ocorreram em Ribeirão das Neves, na Grande BH. No ano passado, em 21 de junho, vândalos depredaram a Câmara Municipal e tentaram invadir a garagem da concessionária de transportes Transimão. Policiais militares que faziam um cordão de isolamento nos edifícios foram atacados com pedras. Dois homens também atiraram na direção dos PMs. Uma policial foi atingida na perna e teve de ser socorrida na Unidade de Pronto-Atendimento de Justinópolis. Um soldado baleado nas costas foi levado de helicóptero para o Hospital João XIII. A tropa reagiu e rechaçou os manifestantes. Dois suspeitos foram presos, pouco depois do ataque, em uma favela próxima ao local. Com eles foram apreendidas duas armas de fogo. A PM também agiu em duas oportunidades na cidade, para liberar a BR-040, após horas de interdição.


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Análise da notícia

O direito da maioria

Autoridades mineiras agem bem ao anunciar mais rigor contra bloqueios de vias promovidos durante protestos no estado, em especial em Belo Horizonte. A livre manifestação é parte da democracia e deve ser respeitada, mas é também obrigação das forças de segurança garantir que o direito de ir e vir da maioria não seja atropelado. Moradores da capital, prejudicados por seguidas interdições, exigiam havia muito tempo postura mais firme da Polícia Militar. A partir de agora, é de se esperar que não se repitam cenas como as de quarta-feira: na ocasião, policiais nada fizeram para impedir que milhares de pessoas fossem prejudicadas por bloqueio de pistas na MG-010. A população, que paga seus impostos em dia e espera ser protegida pelos policiais, agradece.

VEJA AQUI A TROCA DE COMANDANTES DO POLICIAMENTO DE EVENTOS!

FONTE: Estado de Minas.

 


O que diz a lei – direito de família

Pessoa inválida não tem direito diferenciado a herança

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Gostaria de pedir que me ajudassem a solucionar uma dúvida quando à partilha de bens físicos (imóveis) e os direitos dos herdeiros. Tenho uma tia de 85 anos, e há mais de seis anos o seu marido faleceu. Eles viviam sob compartilhamento universal de bens. Apesar de ter se tornado viúva, ela não realizou o inventário.
Vários anos depois, a filha primogênita (portadora de uma doença não reconhecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social, negando-lhe a aposentadoria por invalidez) está processando-a, exigindo morar em sua casa. Em seu terreno existem duas casas, um sobrado (onde mora na parte de baixo) e uma outra casa onde mora sua outra filha.
Ela tem quatro filhos, todos do mesmo marido (o citado anteriormente), e a primogênita exige que a sua outra filha se mude para a parte de cima de sua casa (o sobrado) para que ela possa morar na casa em que sua filha se encontra. Para isso, está entrando com uma ação alegando invalidez e ausência de renda. Gostaria de saber quais são os seus direitos e dos demais filhos. Ela pode obrigar a minha tia judicialmente a ajudá-la nesses termos? 

• N., por e-mail

Prezado (a) leitor (a),

Na perspectiva do direito sucessório, os bens do casal devem ser assim divididos, em face do falecimento do seu tio: 50% de meação para sua tia e a outra metade, em condições iguais, para os filhos do casal, ou seja, 12,5% para cada um dos quatro filhos. Pela sua descrição informando que há duas casas, não haveria direito real de habitação sobre o imóvel (direito de moradia exclusiva) onde o casal morava, pois não é o único dessa natureza a ser inventariado.

O que eu sugiro é que sua tia promova o inventário do marido falecido, a fim de atribuir a cada um dos filhos a parte que lhes cabe na herança, pois, assim, esta que está requisitando mais direitos terá que se deparar não apenas com a sua tia, mas também com os irmãos, já que todos serão condôminos dos imóveis. O fato de uma das filhas ser inválida e não ter renda não lhe dá direito sucessório diferenciado. Pode-se até discutir – dependendo das especificidades do caso – eventual obrigação alimentar, mas não em termos de atribuição maior ou menor de propriedade.

Ana Carolina Brochado Teixeira – Advogada especializada em Direito de Família e Sucessões, professora de Direito Civil no Centro Universitário UNA, diretora do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), no Estado de Minas.

 


Chuva alaga parte do Pronto-Socorro João XXIII e prejudica atendimento de urgênciaSala de raio-X e tomografia, de reanimação e corredores foram atingido pela água. Problema pode ter sido causado pela incapacidade de escoamento das calhas

 

 

 

A sala de raio-X e de tomografia foi tomada pela água após a chuva em BH
A sala de raio-X e de tomografia foi tomada pela água após a chuva em BH


Parte do Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte, ficou alagada após a chuva que caiu no início da noite desta terça-feira na capital. Por causa de infiltrações no telhado, a água invadiu vários setores do HPS. Na sala de raio-X e de tomografia, no primeiro andar, um grande volume de água atingiu vários aparelhos usados para realização de exames. Segundo informações de funcionários do hospital que pediram anonimato, alguns aparelhos foram danificados e o atendimento de urgência a pacientes foi prejudicado. Um vídeo feito por uma fonte do jornalmostra o momento em que o local foi tomado pela água.

 
 

 

A chuva também provocou estragos na sala de reanimação, onde parte do teto caiu. O vazamento de água ocorreu ainda em alguns corredores e na sala de observação, segundo informou a fonte dentro do hospital. Funcionários do HPS disseram que o problema foi causado pelo acúmulo de folhas nas calhas, que impediu o escoamento da água. Com isso, ela ficou acumulada e vazou para vários setores do HPS.

A reportagem esteve na porta do HPS no fim da noite dessa terça-feira e constatou que pacientes não estavam sendo recebidos na unidade. As viaturas que chegavam ao local eram orientadas a seguir para a Unidade de Pronto-Antendimento (UPA) Centro ou para o Hospital Municipal Odilon Behrens, já que não era possível realizar exames de raio-X. A reportagem também recebeu informações de que funcionários da portaria foram acionados para desobstruir as calhas.

A assessoria de imprensa do HPS confirmou o incidente e disse que está apurando o que provocou o vazamento. Ainda segundo o hospital, o problema afetou somente a sala de raio-X e de tomografia, e foi contornado após ação da equipe de engenharia da unidade. A assessoria afirma também que o atendimento a pacientes não chegou a ser interrompido.


A chuva na noite dessa terça-feira não trouxe problemas somente parao HPS. O prédio do Serviço de Urgência Psiquiátrica da Santa Casa, na Região Hospitalar, também inundou.

ESTRAGOS »Chuva provoca transtornos em BHCarros foram arrastados e famílias ficaram desalojadas perto do Anel. Vazamento na urgência do HPS prejudicou pacientes

 

Rua São Gregório, no São Gabriel, ficou debaixo d`água. Moradores dizem que lixo impede escoamento (Marcos Michelin/EM/D.A Press)
Rua São Gregório, no São Gabriel, ficou debaixo d`água. Moradores dizem que lixo impede escoamento



A chuva de ontem à noite em Belo Horizonte causou alagamentos, deixando pelo menos oito famílias desalojadas e carros foram arrastados pelas enchentes. Houve queda de árvores e faltou energia elétrica em vários pontos da cidade e, na área central, o trânsito ficou praticamente parado, com semáforos desligados. Até o fim da noite, o Corpo de Bombeiros não tinha um balanço dos estragos. No Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, parte do teto da sala de raio-X caiu e o espaço ficou alagado. Outros vazamentos prejudicaram o atendimento na área de urgência. 

Na Rua São Gregório, no Bairro São Gabriel, Região Nordeste da capital, famílias tiveram que abandonar suas casas depois que a água subiu cerca de um metro. A diarista Irene Pereira Neves, de 46 anos, moradora do local há 13 anos, disse que foi a primeira vez que ocorreu o alagamento na rua. “Depois que iniciaram as obras da nova rodoviária, com a retirada de parte dos moradores, o serviço de coleta de lixo foi suspenso. Muita gente passou a jogar o lixo no espaço entre a rua e o Anel Rodoviário, impedindo o escoamento da água”, explicou.

Uma equipe do Corpo de Bombeiros esteve no local. Os militares conseguiram desobstruir o acesso à rede pluvial para que a água abaixasse. No mesmo local, do outro lado do Anel Rodoviário, houve alagamento na Rua Lídia, que dá acesso ao Bairro São Paulo, e cerca de 10 carros ficaram retidos depois de levados pela correnteza. Ainda na via, parte do telhado de um galpão foi arrancada pelo vento. Na Rua Angola, na Vila São Paulo, três pessoas ficaram ilhadas numa casa.

A Região Leste de BH também foi castigada. Na Avenida Conceição do Pará, a rede pluvial que fica sob o viaduto do metrô, no Boa Vista, não deu conta de escoar o volume de água. Pelo menos três carros que passavam pela avenida foram arrastados e os ocupantes ficaram ilhados. No Nova Vista, bairro vizinho, bombeiros atenderam ocorrência na Rua Honório Bicalho, em que uma família ficou ilhada num imóvel alagado.

O trânsito na área central  ficou caótico. Houve lentidão na Avenida Amazonas próximo a Praça Raul Soares. O tráfego ficou lento nas avenidas Contorno com Raja Gabaglia e na esquina com Prudente de Morais. A Cemig confirmou que alguns bairros ficaram sem luz por causa de problema em subestação no Bairro Palmares, mas por volta das 20h a situação estava controlada.

 

Em estado de emergênciaMaior pronto-socorro da América Latina, Hospital João XXIII sofre com chuvas, apesar da reforma recente. Infiltração de água destruiu forro, interditou salas e ameaçou aparelhos

 

 

A principal unidade de atendimento de urgência de Belo Horizonte passou por obras que foram concluídas em 2012. Fhemig diz que os últimos problemas ocorreram devido a entupimento em calhas (Marcos Michelin/EM/D.a Press</p>
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A principal unidade de atendimento de urgência de Belo Horizonte passou por obras que foram concluídas em 2012. Fhemig diz que os últimos problemas ocorreram devido a entupimento em calhas

Os temporais desta semana deixaram evidentes problemas no maior pronto-socorro da América Latina, o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. O último deles ocorreu na cobertura do prédio da Avenida Alfredo Balena, na região hospitalar da capital, e resultou na inundação de pelo menos quatro salas da unidade. Os setores de politraumatizados, reanimação, raio-x e tomografia foram invadidos pela água, que se infiltrou e causou o comprometimento das placas de revestimento térmico e acústico do teto, feitas com fibras de vidro. Ontem houve vistoria no telhado para atestar as condições da estrutura. A assessoria da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) garantiu que os pacientes estão sendo atendidos normalmente, mas funcionários sustentam que alguns transtornos persistiam e que falhas, principalmente estruturais e hidráulicas, vêm sendo registradas há pelo menos três anos.

No episódio desta semana, dois tomógrafos foram atingidos e precisaram secar antes de serem usados novamente. A expectativa é de que até amanhã a situação esteja normalizada. Enquanto isso, pacientes que precisam fazer tomografia estão sendo levados de ambulância a outros quatro hospitais de BH e, depois do exame, retornam ao HPS. Um vídeo gravado na unidade durante o temporal de terça-feira mostra a água jorrando do teto. Fotos também revelam a infiltração em salas como a de tomografia e de reanimação, onde partes do forro cederam. A Fhemig informou que houve entupimento nas calhas, fazendo com que a água ficasse represada. A pressão sobre o telhado teria contribuído para que algumas placas que cobrem as salas não suportassem o peso e cedessem, abrindo buracos e fazendo com que as salas fossem alagadas. 

Na manhã de ontem as salas foram higienizadas e placas foram repostas para recompor a cobertura do setor de exames de imagem e do atendimento de urgência. A Fhemig informou que a chuva da tarde não causou novos transtornos, mas enfermeiros garantiram que a água voltou a pingar do teto.

Na sala de reanimação, panos foram usados na tentativa de secar o piso (Fotos: Anônimo/divulgação)
Na sala de reanimação, panos foram usados na tentativa de secar o piso

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Hospitais do Estado de Minas Gerais (Asthemg)  Carlos Augusto dos Passos Martins informou que trabalhava no João XXIII no momento do incidente, anteontem. “A sorte é que não havia pacientes. Para nós ficou evidente que não há um programa de contingência. Não temos como acionar um determinado setor para tomar providências e evitar o agravamento da situação. Ficamos sem saber o que fazer, com medo de curto-circuito”, sustenta. 

Martins afirma que em 2012 o teto cedeu na sala de emergência clínica. No fim do ano passado, no ambulatório 6, diz, também houve infiltração na parede. O sindicalista alega que são constantes também interdições em banheiros, devido a entupimentos, e que pisos trocados recentemente precisaram ser repostos algumas vezes. 

A última grande reforma do HPS foi concluída em 2012, depois de oito anos de obra. Foi a maior intervenção desde a inauguração da unidade, em 1973, e custou R$ 51 milhões. A Fhemig negou que a equipe de engenharia tenha demorado a chegar ao HPS após o incidente relatado pelos funcionários. A assessoria informou que os profissionais saíram imediatamente da sede da fundação, na Avenida Álvaro Celso, também na região hospitalar, acompanhados de integrantes de toda a direção do hospital. Acrescentou que, em relação aos banheiros, estão em constante manutenção, por causa do grande número de pessoas que frequenta a unidade. Disse ainda que as reclamações sobre o piso não procedem. 

Sobre o episódio de 2012, a fundação confirmou que houve rompimento de um cano de água, mas sem atingir pacientes, que foram removidos para outra sala. Em relação ao episódio do ano passado, a assessoria relatou que os doentes foram levados para outro setor. Houve interdição do local durante um dia, pois foram necessários reparos em um encanamento que passa pelo posto de enfermagem.

Na tomografia, cascata desceu das luminárias
Na tomografia, cascata desceu das luminárias

ELEVADOR Um dos principais recursos para apressar o atendimento a pacientes graves está parado no HPS: um elevador construído especialmente para transportar quem chega de helicóptero ao hospital, no quarto andar, direto até a sala de politraumatizados. Segundo o sindicato dos trabalhadores, o equipamento está parado por não atender a normas técnicas que exigiriam saídas em todos os andares, para serem usadas em caso de pane. Segundo a entidade, no segundo e no terceiro pavimentos não há portas. 

A Fhemig rebateu a informação, dizendo que não é obrigatório haver saída em todos os andares. Sem esclarecer os motivos, a fundação informou que o elevador não está sendo usado porque foi feita opção por outro equipamento que faz o atendimento regular no hospital. Quando uma vítima chega ao heliponto, a aparelhagem é reservada exclusivamente para atendê-la.

FONTE: Estado de Minas.


Mudança de nome é tema debatido na rádio Inconfidência

Dra Mônica - Rádio Inconfidência
Juíza Mônica Libânio Rocha Bretas explicou as situações em que as mudanças de nomes são possíveis

O programa Conexão Inconfidência da última quarta-feira, 24 de julho, teve como tema a mudança de nome. A entrevistada foi a juíza Mônica Libânio Rocha Bretas, da Vara de Registros Públicos do Fórum Lafayette. Foram abordados os procedimentos para mudança e incorporação de apelido ao nome, o papel da Justiça para evitar o registro de nomes constrangedores, entre outras questões.

A magistrada começou enumerando as situações em que é permitida ao cidadão a mudança de nome. São elas: erro na grafia do nome ao registrá-lo em cartório, nomes que expõem a pessoa ao ridículo, adoção ou reconhecimento como filho fora do casamento, em razão de nova união, divórcio, quando se tem o desejo de incorporar ao nome apelido público e notório. Segundo a entrevistada, ainda existe uma lei de proteção a testemunhas e vítimas que permitem a alteração do nome.

nome

“A lei prevê que quando o interessado atinge 18 anos, ele pode, pessoalmente ou por procurador, alterar o seu nome desde que não prejudique os apelidos (sobrenome) da família. Aí a alteração é averbada e publicada”, explicou a entrevistada sobre o procedimento para realizar a mudança que deve ser feita na Vara de Registros Públicos, no caso de Belo Horizonte, ou em varas que tenham também essa competência, no caso de comarcas do interior.

A juíza informou que para realizar a mudança de nome é necessário que o interessado, representado por advogado ou defensor público, ajuíze uma Ação de Retificação de Registro Civil. De acordo com Mônica Libânio, normalmente o tempo de tramitação do processo é de 30 dias, desde que sejam trazidos todos os documentos necessários, tais como certidões que comprovem que pessoa que quer alterar o nome não está sendo processada civil ou criminalmente e nem tenha condenação criminal contra ela.

Para mudar o nome, a magistrada contou que o interessado deve comprovar que o nome com o qual foi registrado trouxe prejuízos e constrangimentos para ele. “A gente ouve a pessoa para saber quais motivos da mudança, que prova ela vai trazer. Mas não é nada complicado”, ressaltou, citando exemplos de pessoas que conseguem a mudança quando são registradas com nomes do sexo oposto ou que querem inserir nomes que tenham relação com a bíblia ou de origem estrangeira.

A entrevistada frisou que, embora a escolha seja livre, quando o interessado, ao requerer a mudança, escolhe outro nome constrangedor ou com letras que dificulte a grafia e identificação da pessoa, o pedido é indeferido. “Se a pessoa não concorda, ela tem a opção de recorrer. Mas, normalmente é tudo feito dentro do bom senso”, acrescentou.

Perguntada sobre mudança de nome para quem faz cirurgia de mudança de sexo, a juíza disse que a alteração também é possível, sendo necessário que o interessado apresente provas, laudos médico e psicológico que terão um parecer do Ministério Público e também serão analisados pela Vara de Registros Públicos.

Quanto ao ato de incorporar apelidos aos nomes, o procedimento é permitido, segundo a entrevistada, porque tais apelidos tornaram-se públicos e notórios para certas pessoas que sentem a necessidade dessa incorporação. O processo para incorporar apelido é o mesmo de qualquer outra ação de mudança de nome.

A juíza esclareceu que em caso de nomes registrados com erros de digitação do próprio cartório de registro civil, compete ao próprio estabelecimento realizar a correção. Porém, se o erro for da pessoa que foi fazer o registro, é necessário ajuizar ação para corrigi-lo.

A magistrada alertou para os cuidados que a pessoa deve ter após a mudança de nome, falando sobre o dever de averbar (declarar) essa alteração no registro civil ou de a pessoa levar ao conhecimento do cartório a determinação da Justiça de modificação do nome na certidão de nascimento ou de casamento. Por fim, é necessário fazer as alterações de documentos como identidade e CPF. “A pessoa deve fazer a divulgação da mudança do nome”, sintetizou.

Mônica Libânio finalizou a entrevista ressaltando que o nome é um dos bens mais importantes que temos na vida e não se pode negar o pedido de mudança quando o interessado consegue comprovar a importância da alteração.
Assessoria de Comunicação Institucional – Ascom
Fórum Lafayette
(31) 3330-2123
ascomfor@tjmg.jus.br


Para se aposentar com mesmo salário, trabalhador deve contribuir por mais 7 anos

Quem quiser receber do INSS uma aposentadoria equivalente à sua média salarial pode ter de trabalhar por até sete anos além do exigido pela Previdência.

Dados do Ministério da Previdência obtidos pela reportagem mostram que, em média, o homem se aposenta com 54,8 anos de idade e 35,2 de contribuição.

Nessa situação, o fator previdenciário (que reduz o benefício de quem se aposenta cedo) “come” praticamente 30% do valor. Se ele tiver média salarial de R$ 1.000, terá só R$ 698 de aposentadoria.

Para manter o padrão salarial, precisaria adiar a aposentadoria e contribuir por mais cinco anos e dois meses, segundo cálculos do consultor atuarial especialista em Previdência Newton Conde.

O caso da mulher é pior. Com idade média de 51,9 anos na concessão do benefício (e 30 anos de pagamento ao INSS), teria de esperar, e contribuir, até os 59 anos. Ou seja, sete anos e um mês a mais. Caso contrário, o corte aplicado pelo fator será de 38%.

Para Conde, o segurado sofre essa grande redução na aposentadoria por falta de planejamento. “Na prática, o trabalhador completa o tempo mínimo para a aposentadoria e já pede o benefício”, afirma.

Os dados de idade e tempo de contribuição médios são de 2011 –os últimos disponíveis–, mas há pouca variação de um ano para outro.

Como muitos continuam trabalhando mesmo aposentados, o benefício, no início, vira uma segunda fonte de renda. “O problema é que eles só descobrem que o valor é baixo quando param de trabalhar”, diz Conde.

Em 2012, havia 703 mil aposentados na ativa e contribuindo, segundo o INSS. O número não considera os que estão na economia informal. O IBGE calcula em cerca de 5 milhões os aposentados que ainda estão trabalhando.

O pagamento cedo demais das aposentadorias contribui para o deficit previdenciário, que de janeiro a abril somou R$ 21 bilhões, com aumento de 28,1% sobre o mesmo período do ano passado.

A aposentadoria por tempo de contribuição exige só tempo mínimo de pagamento ao INSS (35 anos, para o homem, e 30, para a mulher).

Se uma mulher tiver contribuído ininterruptamente desde os 18 anos poderá se aposentar aos 48. Se viver até os 79, terá recebido do INSS por um tempo maior do que o de contribuição.

O ministro da Previdência, Garibaldi Alves, propõe uma reforma, com idade mínima de 60 anos para mulheres e 62 anos para homens.

PROBLEMA JURÍDICO

Além do deficit, a situação atual criou um problema jurídico. Aposentados que trabalham pedem que o tempo de contribuição após a concessão do benefício seja usado para recalcular o valor recebido da Previdência.

O Superior Tribunal de Justiça já deu ganho de causa aos segurados, mas o INSS, que estima em R$ 70 bilhões o custo só com as 24 mil ações que tramitam na Justiça, recorreu. O Supremo Tribunal Federal também deve se pronunciar sobre o caso.

Veja mais aqui sobre APOSENTADORIA E DESAPOSENTAÇÃO – vantagens.

Veja mais aqui sobre CÁLCULO DE BENEFÍCIO DE DOMÉSTICA – como fazer.

FONTE: UOL.


CBF é condenada a indenizar torcedores após cancelamento de partida
Para magistrado, os torcedores sofreram danos materiais
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O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) indenize quatro torcedores que acompanhariam uma partida de futebol do Clube Atlético Mineiro na cidade do Rio de Janeiro. O jogo, que seria disputado contra o time Flamengo, no dia 3 de agosto do ano passado, foi cancelado por motivo de força maior. Cada um dos torcedores solicitou o ressarcimento dos gastos com as passagens aéreas, no valor de R$ 804,54, além do pagamento de danos morais. Com a decisão, a CBF deverá ressarcir aos torcedores gastos, corrigidos monetariamente, com passagens aéreas.

estatuto torcedor

Os torcedores alegaram que, de acordo com o Estatuto do Torcedor, as partidas de futebol devem ser canceladas com no mínimo dez dias de antecedência, mas o jogo a que pretendiam assistir foi desmarcado apenas três dias antes da data marcada. A CBF respondeu a este argumento afirmando que a regra não está prevista no Estatuto do Torcedor, mas sim, no Regulamento do Campeonato Brasileiro de 2012 Série A. Além disso, afirmou que o cancelamento aconteceu por motivo de força maior.

O magistrado ponderou que ”a comercialização de ingressos configura-se relação de consumo, tendo os requerentes sofrido danos materiais em virtude do cancelamento do jogo, e tais danos não podem ser suportados pelos consumidores.” Afirmou ainda que o Código de Defesa do Consumidor prevê que o comerciante deve responder pelo prejuízo decorrente de falha na prestação de serviços, independentemente da ocorrência de culpa ou dolo.

Sendo assim, o juiz determinou que a CBF pague aos autores da ação os valores gastos com as passagens aéreas, corrigidos. Negou, entretanto, o pagamento de danos morais, por entender que não há nos autos provas de que tenha havido qualquer constrangimento ou sofrimento extraordinário.

Saiba mais sobre isto e consulte na íntegra o ESTATUTO DO TORCEDOR.

Saiba mais sobre isto e consulte na íntegra o CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR.

FONTE: O Tempo, com TJMG.


Cantor tem estado “minimamente consciente”, conforme diz o último boletim médico

 

 (Tulio Santos/EM/D.A Press)

Os dedos de Seu Domingos se movem lentamente. Há meses estavam duros, em nada parecidos com aqueles que a diva do jazz Sara Vaughan beijou depois de vê-los incendiar as teclas de uma sanfona no Free Jazz Festival de 1987. Nem de longe os mesmos que Luiz Gonzaga nomeou herdeiros legítimos de seu reinado. Ao sentir a mão da mulher Guadalupe tocar a sua, Dominguinhos a aperta forte. Sua reação mais comovente depois de oito enfartes, 23 minutos sem oxigenação no cérebro, uma traqueostomia, dois meses na UTI e desavenças familiares sobre seu próprio leito até parece milagre.

A luta de Dominguinhos não é só pela própria vida. Seu estado “minimamente consciente”, conforme diz o último boletim médico divulgado em 18 de março, lhe permite perceber o que o rodeia de bom e de ruim. Quando o flautista Proveta surgiu tocando no quarto, acompanhado pelo sanfoneiro Mestrinho, o homem só faltou dançar. Já nas duas das vezes em que o filho Mauro Moraes apareceu para visitá-lo, discussões tensas entre Mauro e um acompanhante de quarto que permanece ao lado do leito a pedido de Guadalupe entristeceu o músico profundamente. Se pudesse fazer um pedido, Domingos certamente suplicaria mais por paz do que pela própria vida.

A luta do maior músico da cultura nordestina, um dos mais geniais instrumentistas do País, se dá em um quarto do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Assim que foi diagnosticado com um câncer de pulmão, fez tratamentos de rádio e quimioterapia sem jamais falar sobre a doença com a imprensa. Sua incapacidade de dizer não, mesmo debilitado, o levou, em dezembro de 2012, até Exu, no interior de Pernambuco, para tocar nos 100 anos de nascimento de Luiz Gonzaga. Uma decisão difícil, tomada depois de uma noite de lágrimas como respostas às súplicas de Guadalupe. “Eu dizia para ele não ir e ele só chorava. Ele nunca diz não.”

Como não entra em avião nem sob tortura, Dominguinhos saiu de carro de Recife para Exu. A cada dois quilômetros, ligava para dizer a Guadalupe como estava. Em uma ligação, reclamou de febre. “Então volta, homem. Volta pelo amor de Deus”, ela implorou. Domingos foi até o fim e tocou já sentindo o pulmão fechar. Quatro dias depois, passou mal, foi internado e começou a lutar pela vida.

FONTE: Estado de Minas.

Diabético, Bruno Souza regateou e pagou 16% menos pela insulina (Jair Amaral/EM/D.A Press)
Diabético, Bruno Souza regateou e pagou 16% menos pela insulina

O alto custo dos medicamentos que estão fora da lista da Farmácia Popular, que ampliou o acesso dos cidadãos portadores das doenças mais comuns no Brasil aos tratamentos, e a guerra de preços  entre as principais redes de drogarias da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) estão levando os belo-horizontinos a regatear para comprar remédios mais baratos. A experiência mostra que, em muitos casos, o primeiro preço informado ao consumidor pode ser bem maior do que o preço final, resultado de uma negociação. Indica também que vale a pena bater perna e gastar saliva para economizar. Além da pechincha, outra forma de gastar menos é se cadastrar para obter descontos nos laboratórios. Com isso, a diferença a menor é de cerca de 50% frente ao preço normal do produto.

A bibliotecária Maria Carmen Castello Branco Rena costumava comprar os medicamentos do pai, que faleceu no mês passado. Moradora de Contagem, antes de efetivar a aquisição, ela fazia um giro em três redes de drogarias. Com isso, já conseguiu comprar medicamentos a preços até 58,8% mais baixos. Foi o caso do Citalopran, que custava R$ 187 em uma farmácia e R$ 110 na outra. Segundo ela, sempre há diferenças no custo do medicamento entre as redes. “Eu costumava fazer cotação de preços em cada farmácia. Os custo total era, em geral, de R$ 600 ao mês, mas, negociando, dava para baixar em média R$ 100 no gasto mensal”, observa.

Em sua última compra, a comerciante Heloísa Barbi, que mora em Lagoa Santa mas compra medicamentos em BH, economizou R$ 27. ”Só aqui consigo comprar o remédio para pressão alta recomendado pelo meu médico. Há similares e genéricos que estão na rede da Farmácia Popular, mas eles não fazem o mesmo efeito. Negociando, dá para conseguir de 5% a 10% de desconto em cada compra”, afirma.

O analista de sistemas Bruno Souza Barbosa descobriu há pouco tempo que é diabético. Quando foi comprar a insulina Humalog pela primeira vez, levou um susto com a variação de preços. “O medicamento custava R$ 96 na Droga Raia e R$ 74 na Pacheco, que ficam perto da minha casa. Fui a uma Araújo, perto do meu trabalho, e lá o preço era R$ 89, mas negociei e fizeram por R$ 75. Resolvi levar por esse preço para não ter que parar outra vez na farmácia na volta para casa”.

CONCORRÊNCIA De acordo com Rilke Novato Públio, vice-presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), a variação de preços e os descontos encontrados pelos consumidores de medicamentos em Belo Horizonte e no Brasil ocorrem devido à capacidade das redes varejistas de comprarem uma quantidade maior ou menor dos medicamentos. “Dependendo do tamanho da rede, ela consegue vender mais barato”, afirma. Para ele, no varejo de medicamentos no Brasil ocorrem situações que não existem em outros países, como a oferta de até 75% de desconto em determinados medicamentos que os laboratórios oferecerem para as drogarias até que o produto se estabeleça no mercado. “O que prevalece é a concorrência e ela favorece a diferença nos preços”, sustenta.

Maria Carmen pesquisa sempre e já conseguiu até 58,8% de redução  (Cristina Horta/EM/D.A Press)
Maria Carmen pesquisa sempre e já conseguiu até 58,8% de redução
 FONTE: Estado de Minas.

A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) exonerou um pai do pagamento de pensão alimentícia para a filha de 27 anos, formada em direito e com pós-graduação em andamento.

pensão


A Turma, seguindo voto do relator, ministro Luis Felipe Salomão, entendeu que a filha – maior de idade, em perfeita saúde física e mental e com formação superior – deveria ter buscado o seu imediato ingresso no mercado de trabalho, não mais subsistindo para seu pai a obrigação de lhe prover alimentos.
Pensão reduzida

Em fevereiro de 2010, o pai ajuizou ação de exoneração de alimentos. Alegou que estava sendo obrigado pela Justiça a pagar pensão de 15 salários mínimos a sua filha maior de idade e formada em direito.

O juízo de primeira instância julgou procedente o pedido. A filha apelou da sentença. O Tribunal de Justiça proveu parcialmente o recurso para manter a pensão no valor de dez salários mínimos.

Sacrifício

Inconformado, o pai recorreu ao STJ sustentando que sempre cumpriu a obrigação alimentar, porém sua situação financeira não mais permite o pagamento sem sacrifício do sustento próprio e de seus outros filhos.

Alegou que sua filha, naquele momento, já estava formada havia mais de dois anos e deveria prover seu próprio sustento. Contudo, o tribunal estadual manteve a pensão alimentícia no valor de dez salários mínimos.

Segundo ele, em nenhum momento a filha demonstrou que ainda necessitava da pensão, tendo a decisão do tribunal presumido essa necessidade. Porém, com a maioridade civil, essa presunção não seria mais possível.

Por fim, argumentou que a pensão não pode nem deve se eternizar, já que não é mais uma obrigação alimentar absoluta e compulsória.

Estudo em tempo integral

A filha, por sua vez, afirmou que a maioridade não extingue totalmente a obrigação alimentar e que não houve alteração do binômio possibilidade-necessidade, pois necessita dos alimentos para manter-se dignamente. Além disso, alegou que o pai tem amplas condições de arcar com a pensão.

Argumentou que a exoneração requer prova plena da impossibilidade do alimentante em fornecer alimentos e de sua desnecessidade para a manutenção do alimentando.

Disse que, embora tenha atingido a maioridade e concluído curso superior, não possui emprego e permanece estudando, já que frequenta curso de pós-graduação em processo civil.

Por fim, afirmou que utiliza seu tempo integralmente para seu aperfeiçoamento profissional e necessita, mais do que nunca, que seu pai continue a pagar a pensão alimentícia.

Solidariedade

Ao analisar a questão, o ministro Luis Felipe Salomão destacou que os alimentos decorrem da solidariedade que deve haver entre os membros da família ou parentes, visando a garantir a subsistência do alimentando. Para isso, deve ser observada sua necessidade e a possibilidade do alimentante.

Com efeito, durante a menoridade, quando os filhos estão sujeitos ao poder familiar – na verdade, conjunto de deveres dos pais, inclusive o de sustento -, há presunção de dependência dos filhos, que subsiste caso o alimentando, por ocasião da extinção do poder familiar, esteja frequentando regularmente curso superior ou técnico, todavia passa a ter fundamento na relação de parentesco, nos moldes do artigo 1.694 e seguintes do Código Civil, acrescentou o relator.

O ministro citou ainda precedentes do STJ que seguem o mesmo entendimento do seu voto. Em um deles, ficou consignado que os filhos civilmente capazes e graduados podem e devem gerir suas próprias vidas, inclusive buscando meios de manter sua própria subsistência e limitando seus sonhos – aí incluídos a pós-graduação ou qualquer outro aperfeiçoamento técnico-educacional – à própria capacidade financeira.

A exoneração de alimentos determinada pela Quarta Turma terá efeitos a partir da publicação do acórdão.

FONTE: Jurisway.
Data maxima venia: como ela é cara de pau…
Marcelo Souza – Acadêmico de Direito
Belo Horizonte.


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