Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Mineira vende churros em rodoviária de Brasília para pagar a faculdade de direito

Faltam apenas quatro matérias para Maria Odete se tornar bacharel em direito. As mensalidades são pagas com o lucro que o doce recheado lhe dá, num ponto da rodoviária

Jhonatan Vieira/Esp./CB/D.A.Press

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Há sete anos, Maria Odete Silva vende churros na rodoviária do Plano Piloto. O carrinho está sempre ali, na plataforma inferior, de domingo a domingo. Por dia, dezenas de pessoas, ou até mesmo centenas, dependendo do movimento, aproveitam o intervalo entre uma viagem e outra para experimentar o quitute da dona Maria, 46 anos, que pode ser recheado de doce de leite, goiabada, chocolate ou mais de um sabor. Contudo, poucos sabem que a sobremesa alimenta uma outra carreira de Maria: a de advogada.
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Maria Odete nasceu em Araçuaí (MG), que tem 36 mil habitantes. Morava com os dois irmãos mais novos e a mãe, Maura Pereira, em uma roça. O pai, nunca conheceu. Quando estava com 7 anos, acompanhou a família em uma empreitada rumo à cidade de São Paulo. Maura buscava emprego como trabalhadora doméstica e, para isso, deixou os filhos na casa de uma tia. Por lá, ficaram quatro anos, até que a mãe decidiu retornar ao estado de origem, levando os meninos. Maria ficou na capital paulista, a pedido da parente.

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A volta, no entanto, se tornou trágica para a família. No trajeto entre a cidade e a fazenda, a mãe caiu do caminhão que carregava boias-frias para a zona rural e faleceu. Maria sequer pôde dar adeus a ela, pois estava em São Paulo. A partir de então, a menina começou a trabalhar como doméstica em uma residência. Os irmãos foram “criados pelo mundo”, como ela mesma diz.
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Dos 12 aos 19 anos, Maria se dedicou a uma única casa. Apesar de ter uma boa relação com a antiga patroa — chega a considerá-la uma segunda mãe — não conseguia conciliar a rotina de estudos com a labuta. “Estudava, mas daquele jeito. Vivia cansada demais”, define. Pouco depois, ela se casou e abandonou o emprego e também a capital. Passou a viver com o marido no interior de São Paulo, onde permaneceu por três anos e meio, enquanto durou o matrimônio.
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Solteira, retornou a São Paulo para trabalhar como babá. Alguns anos mais tarde, conheceu Marcos, com quem se casou e teve dois filhos, Mayara e Junior. Nessa época, começou a vender doces. A enchente que um dia invadiu a casa dela deixou intactos os saquinhos de balas, pirulitos e chicletes – o suficiente para que montasse, com a porta do guarda-roupa destruído pela correnteza, uma barraquinha de guloseimas na calçada. “Pedi R$ 10 emprestados à minha tia para dar comida aos meus filhos. Com o que sobrou, comprei os docinhos de que eles gostavam. Quando a água destruiu tudo, decidi vender as balas e, dos R$ 10, eu fiz R$ 15”, comenta.
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Uma doença pulmonar do filho, Marcos Junior, fez com que a família migrasse para o Distrito Federal, na expectativa de encontrar no ar puro do Planalto Central um refúgio. Mas não foi apenas o endereço que mudou. Aos 39 anos, Maria decidiu voltar a estudar. Matriculou-se no programa de Educação de Jovens e Adultos do Sesc, para concluir o ensino médio, e passou a vender de churros na rodoviária, de onde sairia o sustento da família.
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Enquanto os churros conquistavam os paladares, alimentavam também a mensalidade de R$ 907 do curso de direito em uma faculdade particular da Asa Sul. A apenas quatro matérias para se tornar bacharel em direito, sonha passar em concurso público para promotora. “Já pensei em desistir, porque fiquei muito tempo afastada da sala de aula e, ao retornar, não sabia se daria conta do recado. Eu mesma fui me surpreendendo, porque vi que sou capaz sim e faço isso com o maior prazer”, conta.
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Ingrediente amargo
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Para Maria, harmonizar as funções não é tarefa fácil, afinal, tanto a vida acadêmica quanto a profissional exigem tempo e dedicação. “Não tenho tanto tempo para estudar, como queria. Aos domingos, quando o movimento é menor, trago os livros e leio aqui mesmo. Quantas vezes a chuva molhou os questionários que estava estudando! Nas horas vagas, sempre dou uma estudadinha”, revela.
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Por vezes, a falta de recursos financeiros se torna um ingrediente amargo na luta diária de Maria pelo conhecimento: “Não é fácil, não. Fiquei sem pagar durante um tempo, mas, graças a Deus, quitei tudo. Às vezes atraso, peço para retirarem os juros e a equipe da faculdade me ajuda porque sabe que trabalho na rodoviária”.

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FONTE: Estado de Minas.


Comida-di-Buteco

O sucesso do Kaol, do Café Palhares: ‘O segredo está no molho’.

Careca: ‘meus clientes gostam mesmo é de comer’.

Joana: ‘é fazer com mais carinho’.

Tricampeão do Comida di Buteco, Bar do Zezé quer vencer o Botecar com seus petiscos

gastronomia
Pronto para a disputa – Os petiscos do Bar do Zezé serão destaque do Festival Botecar deste ano
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Único tricampeão do festival Comida di Buteco, o Bar do Zezé, no Barreiro de Baixo, fez história em Belo Horizonte com a especialidade da casa, os bolinhos de bacalhau com milho. Famoso por seus petiscos fartos, o cardápio do Zezé também inclui pratos como galinhada, tropeiro e tutu com linguiça e pernil.
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“Em 1980, abri uma mercearia. O negócio foi crescendo e resolvi abrir um bar ao lado, acabei fechando a mercearia. De lá para cá, o público mudou muito, mas tenho clientes desde quando inaugurei”, conta José Martins, o Zezé, que comanda a cozinha ao lado da esposa, Alfa Martins. “Todas as receitas são nossas, cada um dá um palpite, até encontrar o ponto certo da receita”, disse Alfa.
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Este ano, o bar do Zezé participa do festival “Botecar” com um prato tradicional da região do município de São Domingos do Prata, o bolinho de Cascais: bolinhos arroz com bacalhau acompanhados com creme de alho e ervas.

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Os irmãos João Lúcio Ferreira e Luiz Fernando, que assumiram há 40 anos o Café Palhares
Os irmãos João Lúcio Ferreira e Luiz Fernando, que assumiram há 40 anos o Café Palhares
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Carinhosamente conhecida como a capital dos bares, Belo Horizonte tem botecos de grande tradição. São mais de 18,5 mil estabelecimentos espalhados pela cidade, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-MG), que fazem a alegria de moradores e turistas.
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A gastronomia de boteco passou a ser ainda mais valorizada com a divulgação dos concursos “Comida di Buteco” e “Botecar”, que começaram neste mês em BH. Enquanto alguns bares apostam no conceito de botequim gourmet, outros antigos redutos da boemia tiveram clientela e cardápio repaginados com o passar dos anos.
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Aberto em 1983, o Café Palhares é um deles. Na rua Tupinambás, 638, no Centro (mesmo endereço desde a fundação), o bar, antes frequentado somente por homens, hoje recebe famílias inteiras para o almoço.
Kaol
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“Antigamente, as mulheres não entravam nos bares, só em restaurantes. Algumas até frequentavam, mas eram pouquíssimas. Antes era uma cafeteria que funcionava 24 horas, depois passamos a investir mais no almoço, na gastronomia. Isso fez com que o perfil do cliente mudasse um pouco”, conta um dos proprietários do café, Luiz Fernando Ferreira.
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Luiz e o irmão, João Lúcio Ferreira, assumiram o negócio há 40 anos, aberto pelo pai. O famoso kaol, carro-chefe da casa batizado pelo jornalista e compositor Rômulo Paes, era antes o prato preparado para os funcionários que trabalhavam no café. “Kaol quer dizer: cachaça (com k), arroz, ovo e linguiça. Naquela época, todos tomavam um aperitivo antes de almoçar”, lembrou Luiz.
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A receita clássica foi incrementada e ganhou a companhia da couve, do torresmo, do molho de tomate e da farofa de feijão. A linguiça pode ser substituída por língua ou dobradinha. “O segredo está no molho”, disse o proprietário do Café Palhares, que não revela seu ingrediente secreto.
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Serviço:
Café Palhares
Rua dos Tupinambás, 638, Centro.
Fone: (31) 3201-1841
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No Agosto Butiquim, pratos da cultura popular são tratados com carinho e ganham releituras
Gastronomia
Festival – Joana apresenta sua criação Sertões de Jacuí
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“Para mim, gourmet é aproveitar a referência de pratos de domínio popular, da culinária mineira, e fazer com mais carinho”, resume a chef Joana Machado, proprietária do Agosto Butiquim, no bairro Prado, região Oeste de Belo Horizonte..
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Joana é exemplo da nova geração de profissionais que estudaram gastronomia e continuaram dentro da tradição dos botecos. “Quem frequenta os bares da capital estão ávidos por coisas novas. Apresentar o tradicional de forma mais cuidadosa, essa é a cozinha gourmet”, disse a chef que estudou gastronomia em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, em uma época que BH não tinha tantas opções de curso superior na área.
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Este é o terceiro ano que o bar participa do festival “Botecar”. O prato elaborado para o evento é o Sertões de Jacuí: pernil assado e refogado em mistura mineira, flambado na cachaça com cravo e casca de laranja acompanhado de batatas rústicas. “É uma homenagem à cidade da minha família”, contou Joana.
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No Bar do Careca, comida é principal atrativo: ‘Meus clientes gostam mesmo é de comer’

Gastronomia
O Careca – Orcínio Ferreira não vai participar dos festivais de boteco deste ano
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O simpático Orcínio Gonçalves Ferreira, mais conhecido como Careca, comanda o bar que leva seu apelido há quase 30 anos. É ele próprio quem tempera, corta e cozinha os pedidos. O bar do Careca foi o primeiro vencedor do concurso “Comida di Buteco”, com a famosa língua refogada.
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“Gosto muitos dos festivais de gastronomia, do movimento que eles trazem. Hoje, já são mais de cem botecos participando dos dois concursos. Isso é ótimo para Belo Horizonte, mas neste ano fiquei de fora, já cheguei a uma certa idade, ando um pouco cansado”, diz Careca, bem humorado.
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Segundo ele, a hora do almoço é a mais movimentada e atrativa do bar. “Aqui, recebo muitas famílias, jovens acompanhados dos pais, dificilmente vejo pessoas que vêm só para beber. Meus clientes gostam mesmo é de comer”, contou Careca.
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‘Nos tempos de barraquinha’ é uma homenagem à Festa de São Geraldo

Os quitutes das barraquinhas das festas de Curvelo inspiraram Túlio
Os quitutes das barraquinhas das festas de Curvelo inspiraram Túlio

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Foi em homenagem à festa de São Geraldo, que acontece anualmente em Curvelo, na região Central de Minas Gerais, e onde Túlio Montenegro passou a infância e boa parte da adolescência, que o chef criou o prato “Nos tempos de Barraquinha”, que está no cardápio do festival Botecar de 2015, evento que neste ano vai movimentar 55 bares diferentes da capital.
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“Eu me lembro muito bem das festas de São Geraldo de Curvelo, onde nos deliciávamos com os quitutes das barraquinhas. Recordo-me de uma específica, em que um senhor construiu um fogão a lenha e com uma única panela ele servia churrasquinhos cozidos envoltos em um molho diferente, servido com farofa”, conta.
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Foi nesse momento de sua vida que o Chef Túlio buscou inspiração para criar uma receita de espetinhos de boi, frango e porco banhados em um molho picante de tomate, servido com dois tipos de farofa (uma de beterraba e outra de espinafre), torradinhas ou anéis de cebola, e um complemento de churrasquinho de abacaxi ou banana. “A Maria do Carmo aprovou, e quando ela aprova, eu sirvo”, brinca o chef, que contou ainda que usa a esposa como termômetro para montar o cardápio.
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Curiosidade: o brinco
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Conhecido pelo “chef que usa um brinquinho”, a fama se tornou marca do estabelecimento. Uma argola com um garfo, uma faca e uma colher pendurados estão por toda parte no bar. Seja em esculturas, desenhado na parede ou em produtos como seus exclusivos molhos de pimenta.
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A moda foi lançada por Túlio, “bem antes da Débora Falabella”. “Minha esposa achou um par desses brincos no chão, em Charlottesville, na Virgínia, quando ainda morávamos nos Estados Unidos. Nunca mais eu tirei”, conta, sorrindo.
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Harmonização
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Para harmonizar “Nos tempos de barraquinha”, o chef recomenda uma produção da própria família: o chope artesanal Santa Tulipa. Fabricação que leva o nome de seu filho Thiago Montenegro.
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Do tipo Pale Ale, chope puro malte, coloração dourada, cristalino e brilhante. Tem sabor pronunciado de malte, aromas frutados e médio amargor. Apresenta creme denso e consistente.
Delícia - O prato traz carnes de boi, porco e frango

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FONTE: Hoje Em Dia.


Cervejas produzidas em Belo Horizonte e região conquistam prêmios importantes e já podem ser encontradas facilmente em lojas e bares da cidade. Fábricas estão abrindo as portas para degustação

 

Na fábrica da Wäls é possível conhecer todo o processo de produção, provar as cervejas e degustar pratos e petiscos (Fotos: Paula Huven/Esp. EM/D. A Press)
Na fábrica da Wäls é possível conhecer todo o processo de produção, provar as cervejas e degustar pratos e petiscos

Os prêmios que a cervejaria belo-horizontina Wäls conquistou recentemente na World Beer Cup, nos Estados Unidos, impressionaram (foi a primeira vitória de brasileiros na competição) e jogaram ainda mais luz na já comentada cena cervejeira mineira. Entretanto, não é de hoje que os produtores locais vêm fazendo bonito. Amadores se profissionalizaram, fábricas pequenas apostaram na segmentação e marcas maiores se consolidaram no mercado. Nesse momento, a evolução entra num segundo estágio, no qual é cada vez mais fácil beber as cervejas produzidas aqui.

O público vem acompanhando com interesse o crescimento e diversificação da oferta de cervejas produzidas em Belo Horizonte e arredores. Como resultado, esses rótulos tornaram-se fáceis de achar não apenas em supermercados, mas também em bares e restaurantes (especializados ou não), sendo motivo de festivais, concursos de cervejeiros caseiros e passeios por fábricas. A nova etapa inclui fábricas estruturadas especificamente para visitação (e com bares próprios) e iniciativas muito criativas.

Virgílio de Barros, Daniel Pinheiro, Paulo Patrus, Humberto Ribeiro e Fabrício Bastos: cervejeiros se unem para fortalecer mercado local (Paula Huven/Esp. EM/D. A Press)
Virgílio de Barros, Daniel Pinheiro, Paulo Patrus, Humberto Ribeiro e Fabrício Bastos: cervejeiros se unem para fortalecer mercado local


Nesse quesito, destaca-se a Inconfidentes, espécie de cooperativa que reúne na mesma fábrica, no Jardim Canadá, em Nova Lima, as cervejarias Grimor, Jambreiro e Vinil. Além de diminuir custos ao compartilhar a mesma estrutura, eles resolveram usar uma Kombi como bar móvel. O veículo foi originalmente comprado para fazer carretos, mas hoje só roda com barris e chopeiras. “A gente é que serve e explica sobre os chopes. Ter contato direto com o consumidor é muito bom”, afirma Paulo Patrus, proprietário da Grimor.

Sempre nos últimos fins de semana de cada mês, a Kombi da Inconfidentes fica estacionada em frente a loja Confraria do Malte, no Mangabeiras, servindo dois chopes de cada uma das três cervejarias. Os chopes custam, em média, R$ 5 (cada), incluindo variedades como a amber lager Grimor 3, a american brown ale Badil (da Jambreiro) e a de trigo Baba (da Vinil). O carro também costuma bater ponto no bar Vintage 13, na Savassi, e em eventos cervejeiros. Fora isso, os rótulos estão disponíveis (em garrafa) em lojas como Confraria do Malte e Mamãe Bebidas e em cada vez mais bares.

Tour cervejeiro

Dia 17, o cervejólogo Rodrigo Lemos promove mais um Beer Tour, tradicional passeio guiado por ele por algumas das principais cervejarias de BH e arredores. Desta vez, estão no roteiro as fábricas da Falke Bier e da Wäls. A programação começa com café da manhã cervejeiro, às 8h30, e inclui visitas guiadas, degustações de mais de 10 cervejas, almoço e transporte. O preço é de R$ 200 por pessoa, com saída da Praça da Savassi e retorno por volta das 16h. Informações: rjlemosarq@yahoo.com.br.

Exigente e seletivo
O Haus München é tradicional reduto de apreciadores da bebida em BH. A casa recentemente incluiu em sua carta de cerveja – já com mais de 200 variedades – todos os rótulos produzidos pela Inconfidentes. A produção mineira pode ser encontrada em outros bares, como Grampa’s Attic, Adriano Imperador da Cerveja, Rima dos Sabores, Mercearia Mello, Duke’n’Duke, Stadt Jever (comprado pelo Wäls), Seu Romão, Jângal, CCCP e Vintage 13.

Nesse último, o cardápio conta com quase todas as marcas mineiras. “O pessoal está ficando mais exigente e seletivo, aderindo com força a cerveja artesanal. Quando a gente avisa que vai ter chope Küd, por exemplo, muita gente vem só por causa disso. As pessoas estão indo atrás das cervejas que querem tomar. O legal é que não temos exclusividade com ninguém”, avalia Lobão, proprietário do Vintage 13, que também funciona como butique voltada para apreciadores de rock, tatuagem e motociclismo.

Entre garrafas de marcas mineiras como Bäcker, Vinil, Grimor, Jambreito, Küd, Falke Bier, Áustria e Wäls, há cervejas a partir de R$ 10, mas as mais vendidas ficam entre R$ 25 e R$ 30. Para acompanhar, a cozinha prepara petiscos como a costelinha defumada ao molho de goiabada e acompanhada por batatas com pimenta calabresa e chucrute (R$ 37,70, para duas a três pessoas) e sanduíches de salsichão (entre R$ 15,90 e R$ 18,90, com recheios como queijo, cebola caramelizada no uísque e chucrute).
Da fonte para o consumidor
Para quem quer beber literalmente na fonte, a cena mineira disponibiliza cada vez mais fábricas capazes de receber visitantes para rodadas da cerveja mais fresca que se pode querer. Uma das pioneiras nisso é a Küd, no Jardim Canadá, em Nova Lima, que desde ano passado recebe apreciadores em seu brew pub (como são chamados os bares dessas fábricas). “Começamos a produção de forma caseira, em 2008, e em 2010 inauguramos a fábrica, com arquitetura já pensada para receber visitantes”, diz Bruno Parreiras, um dos quatro sócios. Atualmente, são produzidos seis cervejas por lá, como a witbier Tangerine.

No bar, que funciona nas noites de terça a sexta e o dia inteiro nos fins de semana, o público encontra petiscos como a porção de moela com pão feito no local com malte usado na produção da cervejaria (R$ 14,50) e pratos, a exemplo do frango com quiabo e da feijoada (cada um a R$ 42, ambos servindo duas pessoas). Os chopes custam entre R$ 7 e R$ 12 (330ml, cada). As visitas guiadas à fábrica são realizadas aos sábados, incluem café da manhã, degustação de cervejas e almoço, custam R$ 80 (por pessoa) e devem ser agendadas pelo e-mail bpk@cervejariakud.com.br.

Outras fábricas estão seguindo essa tendência. A Bäcker, por exemplo, anuncia para agosto o início das visitas a sua fábrica, no Bairro Olhos d’Água, onde será montado também um restaurante, já batizado de Templo Cervejeiro, funcionando em conjunto com loja de cervejas e souvenires e sala para degustação e treinamento. “O cardápio será direcionado para cerveja, utilizando ou não a bebida no processo, e estará aberto para almoço e jantar”, adianta Paula Lebbos, diretora de marketing da empresa.

A Krug Bier e a Taberna do Vale também estão se preparando para receber amantes da cerveja em suas instalações e a Wäls abriu um brewpub há alguns meses em sua fábrica, no Bairro São Francisco. Lá, mas somente aos sábados (das 11h às 17h), o visitante pode conhecer todo o processo de produção da marca e, no bar ao lado, experimentar qualquer cerveja da casa (12 das 14 são oferecidas também como chope, entre R$ 7 e R$ 20 cada) com petiscos. Na saída, há loja com todos os rótulos à venda.

ONDE IR

 ADRIANO IMPERADOR DA CERVEJA  
Rua Cristina, 1.270, Santo Antônio. 
(31) 3586-9066.

 CCCP
Rua Levindo Lopes, 358, Savassi. 
(31) 3582-5628.

CONFRARIA DO MALTE  
Av. Bandeirantes, 406, Sion. 
(31) 3245-5077.

DUKE’EN’DUKE 
Av. Augusto de Lima, 245. 
(31) 3567-7570.

GRAMPA’S ATTIC  
Rua Major Lopes, 470, São Pedro. 
(31) 3243-2906.

JÂNGAL  
Rua Outono, 523, Cruzeiro. 
(31) 3653-8947.

KÜD  
Rua Kenton, 36, Jardim Canadá. 
(31) 3581-3894.

HAUS MÜNCHEN  
Rua Juiz de Fora, 1.257, Santo Agostinho. (31) 3291-6900.

MAMÃE BEBIDAS
Avenida do Contorno, 1.955, Floresta. (31) 3213-9494.

MERCEARIA MELLO  
Rua do Ouro, 331, Serra. 
(31) 3221-4022.

RIMA DOS SABORES 
Rua Esmeralda, 522, Prado. 
(31) 3243-7120.

SEU ROMÃO  
Rua São Romão, 192, Santo Antônio. 
(31) 3786-4929. 

STADT JEVER 
Av. do Contorno, 5.771, Cruzeiro. 
(31) 3223-5056.

VINATGEi 13
Rua Antonio de Albuquerque, 382 D, savassi. (31) 3227-7505 e (31) 9441-4314.

 WÄLS 
Rua Padre Leopoldo Mertens, 1.460, São Francisco. (31) 3443-2811.
VEJA TAMBÉM: MINAS FAZ A MELHOR CERVEJA DO MUNDO!
FONTE: Estado de Minas.

Tiradentes-3

Fala inicial

Não posso mover meus passos,
por esse atroz labirinto
de esquecimento e cegueira
em que amores e ódios vão:
– pois sinto bater os sinos,
percebo o roçar das rezas,
vejo o arrepio da morte,
à voz da condenação;
– avisto a negra masmorra
e a sombra do carcereiro
que transita sobre angústias,
com chaves no coração;
– descubro as altas madeiras
do excessivo cadafalso
e, por muros e janelas,
o pasmo da multidão.

Batem patas de cavalos.

Suam soldados imóveis.

Na frente dos oratórios,
que vale mais a oração?

Vale a voz do Brigadeiro
sobre o povo e sobre a tropa,
louvando a augusta Rainha,
– já louca e fora do trono –
na sua proclamação.

Ó meio-dia confuso,
ó vinte-e-um de abril sinistro,
que intrigas de ouro e de sonho
houve em tua formação?

Quem ordena, julga e pune?
Quem é culpado e inocente?
Na mesma cova do tempo
cai o castigo e o perdão.

Morre a tinta das sentenças
e o sangue dos enforcados…
– liras, espadas e cruzes
pura cinza agora são.

Na mesma cova, as palavras,
o secreto pensamento,
as coroas e os machados,
mentira e verdade estão.
Aqui, além, pelo mundo
ossos, nomes, letras, poeira…

Onde, os rostos? onde, as almas?

Nem os herdeiros recordam
rastro nenhum pelo chão.

Ó grandes muros sem eco,
presídios de sal e treva
onde os homens padeceram
sua vasta solidão…

Não choraremos o que houve,
nem os que chorar queremos:
contra rocas de ignorância
rebenta a nossa aflição.

Choramos esse mistério,
esse esquema sobre-humano,
a força, o jogo, o acidente
da indizível conjunção
que ordena vidas e mundos
em pólos inexoráveis
de ruína e de exaltação

Ó silenciosas vertentes
por onde se precipitam
inexplicáveis torrentes
por eterna escuridão!

 

Romanceiro

 

Romance XI ou do punhal e da flor

Rezando estava a donzela,
rezando diante do altar.
E como a viam mirada
pelo Ouvidor Bacelar!

Foi pela Semana Santa.
E era sagrado, o lugar.

Muito se esquecem os homens,
quando se encantam de amor.
Mirava em sonho, a donzela,
o enamorado Ouvidor.
E em linguagem de amoroso
arremessou-lhe uma flor.

Caiu-lhe a rosa no colo.
Girou malícia pelo ar.

Vem, raivoso, Felisberto,
seu parente, protestar.

Era na Semana Santa.
E estavam diante do altar.

Mui formosa era a donzela,
E mui formosa era a flor.
Mas sempre vai desventura
onde formosura for.

Vede que punhal rebrilha
na mão do Contratador!

Sobe pela rua a tropa
que já se mandou chamar.

E era à saída da igreja,
depois do ofício acabar.
Vede a mão que há pouco esteve
contrita, diante do altar!

Num botão resvala o ferro:
e assim se salva o Ouvidor.

Todo o Tejuco murmura,
– uns por ódio, uns por amor.
Subir um punhal nos ares,
por ter descido uma flor!


Entenda como se deu a Conjuração Mineira
A Inconfidência Mineira, também referida como Conjuração Mineira, foi uma tentativa de revolta de natureza separatista ocorrida na então capitania de Minas Gerais, no Estado do Brasil, contra, entre outros motivos, a execução da derrama e o domínio português. Foi abortada pela Coroa portuguesa em 1789.História

Antecedentes

Desde meados do século XVIII fazia-se sentir o declínio da produção aurífera nas Minas Gerais. Por essa razão, na segunda metade desse século, a Coroa portuguesa intensificou o controle fiscal sobre a sua colônia na América do Sul, proibindo, em 1785, as atividades fabris e artesanais na Colônia e taxando severamente os produtos vindos da Metrópole.

Desde 1783 fora nomeado para governador da capitania de Minas Gerais D. Luís da Cunha Meneses, reputado pela sua arbitrariedade e violência. Sem compreender a real razão do declínio da produção aurífera – o esgotamento das jazidas de aluvião – e atribuindo o fato ao “descaminho” (contrabando), a Coroa instituiu a cobrança da “derrama” na região, uma taxação compulsória em que a população de homens-bons deveria completar o que faltasse da cota imposta por lei de 100 arrobas de ouro (1.500 kg) anuais quando esta não era atingida.Era também descontado o quinto 20% do ouro e da quantidade escravos(capitalização)

A conjuração

O poeta árcade Tomás Antônio Gonzaga, uma das figuras do movimento.

Estes fatos atingiram expressivamente a classe mais abastada de Minas Gerais (proprietários rurais, intelectuais, clérigos e militares) que, descontentes, começaram a se reunir para conspirar. Entre esses descontentes destacavam-se, entre outros, o contratador Domingos de Abreu Vieira, os padres José da Silva e Oliveira Rolim, Manuel Rodrigues da Costa e Carlos Correia de Toledo e Melo, o cônego Luís Vieira da Silva, os poetas Cláudio Manuel da Costa, Inácio José de Alvarenga Peixoto e Tomás Antônio Gonzaga, o coronel Francisco Antônio de Oliveira Lopes, o capitão José de Resende Costa e seu filho José de Resende Costa Filho, o sargento-mor Luís Vaz de Toledo Pisa e o alferes Joaquim José da Silva Xavier, apelidado de “Tiradentes”.

A conjuração pretendia eliminar a dominação portuguesa de Minas Gerais, estabelecendo um país independente. Não havia a intenção de libertar toda a colônia brasileira, pois naquele momento uma identidade nacional ainda não havia se formado. A forma de governo escolhida foi o estabelecimento de uma República, inspirados pelas ideias iluministas da França e da Independência dos Estados Unidos da América (1776). Ressalve-se que não havia uma intenção clara de libertar os escravos, já que muitos dos participantes do movimento eram detentores dessa mão-de-obra.

Óleo sobre tela de Leopoldino de Faria (1836-1911) retratando a Resposta de Tiradentes à comutação da pena de morte dos Inconfidentes. A tela foi encomendada pela Câmara Municipal de Ouro Preto no final do século XIX, para homenagear Tiradentes, o Mártir da Inconfidência, como passou a ser retratado após a Proclamação da República.

Entre outros locais, as reuniões aconteciam em casa de Cláudio Manuel da Costa e de Tomás Antônio Gonzaga, onde se discutiram os planos e as leis para a nova ordem, tendo sido desenhada a bandeira da nova República, – uma bandeira branca com um triângulo e a expressão latina “Libertas Quæ Sera Tamen” – , cujo dístico foi aproveitado de parte de um verso da primeira écloga de Virgílio e que os poetas inconfidentes interpretaram como “liberdade ainda que tardia”.

O novo governador das Minas, Luís António Furtado de Castro do Rio de Mendonça e Faro, visconde de Barbacena, estava determinado a lançar a derrama, razão pela qual os conspiradores acertaram que a revolução deveria irromper no dia em que fosse decretado o lançamento da mesma. Esperavam que nesse momento, como apoio do povo descontente e da tropa sublevada, o movimento fosse vitorioso.

A conspiração foi desmantelada em 1789, ano da Revolução Francesa. O movimento foi traído por Joaquim Silvério dos Reis, que fez a denúncia para obter perdão de suas dívidas com a Coroa. O visconde de Barbacena mandou abrir, em junho de 1789, a sua Devassa com base nas denúncias de Silvério dos Reis, Basílio de Brito, Malheiro do Lago, Inácio Correia Pamplona, tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, Francisco Antônio de Oliveira Lopes, Domingos de Abreu Vieira e de Domingos Vidal de Barbosa Laje.

Os réus foram acusados do crime de “lesa-majestade” como previsto pelas Ordenações Filipinas, Livro V, título 6, materializado em “inconfidência” (falta de fidelidade ao rei):

Lesa-majestade quer dizer traição cometida contra a pessoa do Rei, ou seu Real Estado, que é tão grave e abominável crime, e que os antigos Sabedores tanto estranharam, que o comparavam à lepra; porque assim como esta enfermidade enche todo o corpo, sem nunca mais se poder curar, e empece ainda aos descendentes de quem a tem, e aos que ele conversam, pelo que é apartado da comunicação da gente: assim o erro de traição condena o que a comete, e empece e infama os que de sua linha descendem, posto que não tenham culpa.2 nota 1

Jornada dos Mártires, por Antônio Parreiras. Retrata a passagem, em Matias Barbosa, dos inconfidentes presos.

Os líderes do movimento foram detidos e enviados para o Rio de Janeiro. Ainda em Vila Rica (atual Ouro Preto), Cláudio Manuel da Costa faleceu na prisão, onde acredita-se tenha sido assassinado, suspeitando-se, em nossos dias que a mando do próprio Governador. Durante o inquérito judicial, todos negaram a sua participação no movimento, menos o alferes Joaquim José da Silva Xavier, que assumiu a responsabilidade de chefia do movimento.

Em 18 de abril de 1792 foi lida a sentença no Rio de Janeiro. Doze dos inconfidentes foram condenados à morte. Mas, em audiência no dia seguinte, foi lido decreto de Maria I de Portugal pelo qual todos, à exceção de Tiradentes, tiveram a pena comutada.3

Os degredados civis e militares foram remetidos para as colônias portuguesas na África, e os religiosos recolhidos a conventos em Portugal. Entre os primeiros, viriam a falecer pouco depois de terem chegado à África, o contratador Domingos de Abreu Vieira, o poeta Alvarenga Peixoto e o médico Domingos Vidal de Barbosa Lage. Os sobreviventes reergueram-se integrados no comércio e na administração local, alguns mesmo tendo se reintegrado na vida política brasileira.4

Consequências

A Inconfidência Mineira transformou-se em símbolo máximo de resistência para os mineiros, a exemplo da Guerra dos Farrapos para os gaúchos, e da Revolução Constitucionalista de 1932 para os paulistas. A bandeira idealizada pelos inconfidentes foi adotada por Minas Gerais.

A execução de Tiradentes e exposição pública do seu corpo

Tiradentes esquartejado (Pedro Américo, 1893).

Tiradentes, o conjurado de mais baixa condição social, foi o único condenado à morte por enforcamento, sendo a sentença executada publicamente a 21 de abril de 1792 no Campo da Lampadosa. Outros inconfidentes haviam sido condenados à morte, mas tiveram suas penas reduzidas para degredo, na segunda sentença. A casa onde ele viveu foi destruída.

Após a execução, o corpo foi levado em uma carreta do Exército para a Casa do Trem (hoje parte do Museu Histórico Nacional), onde foi esquartejado. O tronco do corpo foi entregue à Santa Casa de Misericórdia, sendo enterrado como indigente. A cabeça e os quatro pedaços do corpo foram salgados, para não apodrecerem rapidamente, acondicionados em sacos de couro e enviados para as Minas Gerais, sendo pregados em pontos do Caminho Novo onde Tiradentes pregou suas ideias revolucionárias. A cabeça foi exposta em Vila Rica (atual Ouro Preto), no alto de um poste defronte à sede do governo. O castigo era exemplar, a fim de dissuadir qualquer outra tentativa de questionamento do poder da metrópole.

Tiradentes, ao contrário do que se pensa, não tinha barba e cabelos longos quando foi enforcado, na prisão, onde ficou por algum tempo antes de cumprir sua pena, teve o cabelo e barba raspados para evitar a proliferação de piolhos, a própria posição de alferes não permitia tal aparência. Após a decapitação e exposição pública, a cabeça de Tiradentes foi furtada, sendo o seu paradeiro desconhecido até os dias de hoje.

Foi alçado posteriormente, pela República Brasileira, à condição de um dos maiores mártires da independência do Brasil e como um dos precursores da República no país.

Galeria

A bandeira da Inconfidência Mineira tinha originalmente o triângulo verde, porém a bandeira que virou símbolo do movimento, e atualmente é a bandeira oficial do estado de Minas Gerais, com o triângulo vermelho.

 

Tiradentes-2

Para entender melhor a Conjuração ou Inconfidência Mineira, é preciso voltar no tempo, conhecer o real significado das palavras e enxergar, com clareza, as qualidades e imperfeições dos homens da época. A primeira confusão que se faz é exatamente com o nome do movimento, destaca o professor de história da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Luiz Carlos Villalta, que está lançando o livro História de Minas Gerais – A Província de Minas, em parceria com a professora Maria Efigênia Lage de Resende. Ele explica que, no século 18, à luz da política, inconfidência significava traição ao rei. Assim, aos olhos da monarquia, e foi esse sentido que vingou, de forma pejorativa e equivocada, Tiradentes e seus companheiros eram traidores de primeira linha. 

EFERVESCÊNCIA INTELECTUAL 

Conjuração Mineira ou Conspiração Mineira traduz com mais fidelidade os anseios e razões daqueles que se rebelaram contra a ordem estabelecida na colônia. E não a denominação imposta por quem estava no poder e contou a história como queria, acredita Villalta. O cenário no qual a Conjuração Mineira floresceu era de efervescência intelectual e política, a exemplo do que ocorria na Europa e no continente americano, em especial, com a independência, em 1776, das 13 colônias que deram origem aos Estados Unidos. Ao se libertar da Inglaterra, o novo país serviu de espelho para quem vivia aqui nos trópicos, compara o professor, lembrando que, nessa época, as transformações eram também mentais, pois as pessoas enxergavam a possibilidade de se cortarem os laços com a metrópole, Portugal.

O 21 DE ABRIL


O feriado do dia 21 de Abril se refere à morte de Tiradentes, que foi enforcado no Rio de Janeiro em 1792. A Conjuração Mineira se deu entre aproximadamente 1788 e 1789. A palavra inconfidente tinha um sentido pejorativo e, aos olhos e ouvidos da coroa portuguesa, significava traidor. Conjuração quer dizer conspiração e é mais apropriado aos ideais dos mineiros do século 18. A bandeira da república dos inconfidentes tinha, no centro do pano branco, um triângulo vermelho simbolizando a Santíssima Trindade e a inscrição retirada do poeta Virgílio: Libertas quae sera tamem  (Liberdade ainda que tardia). Em Minas, na segunda metade do século 18, houve outros movimentos que receberam o nome de inconfidência: em Curvelo, Sabará e Mariana. Nesses casos, não houve repercussão como em 1789. Outra revolta memorável contra a cobrança exorbitante de impostos foi a Sedição de Vila Rica, em 1720, que teve à frente Felipe dos Santos.

 

ROMANCEIRO DA INCONFIDÊNCIA

FONTE: Estado de MInas.

Tiradentes

Cenário

Passei por essas plácidas colinas
e vi das nuvens, silencioso, o gado
pascer nas solidões esmeraldinas.

Largos rios de corpo sossegado
dormiam sobre a tarde, imensamente,
– e eram sonhos sem fim, de cada lado.
Entre nuvens, colinas e torrente,
uma angústia de amor estremecia
a deserta amplidão na minha frente.

Que vento, que cavalo, que bravia
saudade me arrastava a esse deserto,
me obrigava a adorar o que sofria?

Passei por entre as grotas negras, perto
dos arroios fanados, do cascalho
cujo ouro já foi todo descoberto.

As mesmas salas deram-me agasalho
onde a face brilhou de homens antigos,
iluminada por aflito orvalho.

De coração votado a iguais perigos
vivendo as mesmas dores e esperanças,
a voz ouvi de amigos e inimigos

Vencendo o tempo, fértil em mudanças,
conversei com doçura as mesmas fontes,
e vi serem comuns nossas lembranças.

Da brenha tenebrosa aos curvos montes,
do quebrado almocafre aos anjos de ouro
que o céu sustêm nos longos horizontes,
tudo me fala e entende do tesouro
arrancado a estas Minas enganosas,
com sangue sobre a espada, a cruz e o louro.

Tudo me fala e entendo: escuto as rosas
e os girassóis destes jardins, que um dia
foram terras e areias dolorosas,
por onde o passo da ambição rugia;
por onde se arrastava, esquartejado,
o mártir sem direito de agonia.

Escuto os alicerces que o passado
tingiu de incêndio: a voz dessas ruínas
de muros de ouro em fogo evaporado.

Altas capelas cantam-me divinas
fábulas. Torres, santos e cruzeiros
apontam-me altitudes e neblinas.

Ó pontes sobre os córregos! ó vasta
desolação de ermas, estéreis serras
que o sol freqüenta e a ventania gasta!

Armado pó que finge eternidade,
lavra imagens de santos e profetas
cuja voz silenciosa nos persuade.

E recompunha as coisas incompletas:
figuras inocentes, vis, atrozes,
vigários, coronéis, ministros, poetas.

Retrocedem os tempos tão velozes
que ultramarinos árcades pastores
falam de Ninfas e Metamorfoses.

E percebo os suspiros dos amores
quando por esses prados florescentes
se ergueram duros punhos agressores.

Aqui tiniram ferros de correntes;
pisaram por ali tristes cavalos.

E enamorados olhos refulgentes
– parado o coração por escutá-los
prantearam nesse pânico de auroras
densas de brumas e gementes galos.

Isabéis, Dorotéias, Heliodoras,
ao longo desses vales, desses rios,
viram as suas mais douradas horas
em vasto furacão de desvarios
vacilar como em caules de altas velas
cálida luz de trêmulos pavios.

Minha sorte se inclina junto àquelas
vagas sombras da triste madrugada,
fluidos perfis de donas e donzelas.

Tudo em redor é tanta coisa e é nada:

Nise, Anarda, Marília…- quem procuro?
Quem responde a essa póstuma chamada?
Que mensageiro chega, humilde e obscuro?
Que cartas se abrem? Quem reza ou pragueja?
Quem foge? Entre que sombras me aventuro?
Quem soube cada santo em cada igreja?

A memória é também pálida e morta
sobre a qual nosso amor saudoso adeja.

O passado não abre a sua porta
e não pode entender a nossa pena.

Mas, nos campos sem fim que o sonho corta,
vejo uma forma no ar subir serena:
vaga forma, do tempo desprendida.

É a mão do Alferes, que de longe acena.
Eloqüência da simples despedida:
“Adeus! que trabalhar vou para todos!…”

(Esse adeus estremece a minha vida.)

 

PDF: Romanceiro


 

Cerveja feita em Minas leva ouro na Copa do Mundo das Cervejas

 

 

Os irmãos Tiago Carneiro, à esquerda, e José Felipe Carneiro durante a premiação no campeonato internacional 'World Beer Cup' (Wäls/Divulgação)
Os irmãos Tiago Carneiro, à esquerda, e José Felipe Carneiro durante a premiação no campeonato internacional ‘World Beer Cup’

O Brasil levou medalha de ouro na ‘World Beer Cup’, a Copa do Mundo da Cerveja, campeonato que reúne quase 4,8 mil cervejas de 1403 cervejarias em 58 países. O evento bianaual é realizado em Denver, Colorado, nos Estados Unidos. A conquista é da cervejaria mineira Wäls, que marcou ponto em duas categorias. “Tivemos um feito histórico. Fomos premiados com o ouro da Dubbel e a Quadrubbel levou medalha de prata”, conta o empresário Miguel Carneiro, fundador da empresa. Para ele, a premiação traz muita responsabilidade, mais também reconhecimento. “Uma premiação dessas significa mais exportação para a gente. As cervejas que foram premiadas chegam a outros países já com divulgação”, diz.

A Dubbel e a Quadruppel são duas das 12 cervejas feitas pela Wäls. A fábrica produz 30 mil litros de cerveja por mês para todo o Brasil – principalmente Sul, Sudeste e Distrito Federal – além de atender pedidos de cervejas mais personalizadas e sazonais. Os produtos podem ser encontrados em supermercados Premium e bares especializados de Belo Horizonte. No site da empresa (www.wals.com.br) você encontra a lista de locais de venda em todo o país. Para quem quiser experimentar, uma garrafa tem preço médio de R$ 15,00. Combina com carnes vermelhas e também com sobremesas achocolatadas, segundo o expert.

A empresa começou a exportar alguns de seus produtos para os Estados Unidos e em julho exportará 30 mil garrafas para o Canadá. O primeiro container foi para Denver, no Colorado (EUA), com 20 mil garrafas de cerveja. Segundo a empresa, nesta primeira etapa, a cerveja que entrou no mercado americano foi a Petroleum e com marca própria: a Belô São Francisco e a Belô Ipê. A primeira é uma homenagem à capital mineira, ao bairro onde está situada a fábrica e à Igrejinha da Pampulha. A Belô Ipê brinda os famosos ipês da capital que florescem na primavera. 

Sabor e aroma

À esquerda a vencedora, a cerveja Dubbel. Ao lado, a Quadruppel. (Wäls/Divulgação)
À esquerda a vencedora, a cerveja Dubbel. Ao lado, a Quadruppel.

A Dubbel, cerveja ganhadora da medalha de ouro, pertence ao estilo Belgian Strong Ale, de aparência castanha escura, espuma densa e duradoura. Tem aroma de frutas secas com notas de especiarias e maltes especiais. Paladar com persistência do torrado, levemente picante e bastante seca. É refermentada na garrafa com 7,5 % de álcool e 26 IBU’s (índice de unidade de amargor).

Já a medalha de prata, a Quadruppel, é uma Belgian Strong Ale Quadruppel, elaborada com quatro tipos de malte, nobre cepa de levedura, lúpulos especiais e várias especiarias. A bebida tem coloração marrom rubi, equilibrado amargor, espuma aveludada e intenso aroma e sabor de malte, chocolate toffee, mel e frutas secas. A cerveja é maturada em carvalho francês marinado com cachaça genuinamente mineira, refermentada na garrafa com 11% de álcool e 35 IBU’s.

Paladar mineiro

Petroleum com marca própria em homenagem a BH (Wäls/Divulgação)
Petroleum com marca própria em homenagem a BH

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VEJA AQUI MAIS UMA PREMIAÇÃO PARA AS CERVEJAS MINEIRAS!

FONTE: Estado de Minas.



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