Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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VITTORIO MEDIOLI

Cinco camarões e 1.500 watts

Os deuses têm suas regras, e feliz é o humilde que as respeita

Existem pessoas que subestimam a importância do alimento, desperdiçando-o, assim, sem dor. Como troco, estou convencido, não receberão no momento de maior necessidade os cuidados que a natureza dispensa aos probos e aos respeitosos da fome alheia. Pagam-se nesta terra os pecados da indiferença, e, quando não acontece já nesta vida, será nas próximas.

Num mundo onde existem bilhões de seres humanos e de animais que padecem sem o mínimo de alimento, as forças ocultas da justiça desta terra não perdoam. De várias formas, os deuses cobram pelo descaso com o sofrimento, mesmo pelo mais distante e, aparentemente, sem importância. Existe uma nuvem cheia de méritos e pecados que flutua sobre todos e precipita acertando os indiferentes.

Ao entrar num monastério zen, se ensina: “quem desperdiça um único grão de arroz não ascenderá ao reino do céu”. Depois disso, o aluno é instruído a lavar sua vasilha e beber da água que usou para a tarefa, só assim terá certeza de que nenhum grão ou fracção se perdeu.

Ignaro dessas advertências, há quem deixe o prato quase cheio, achando celeradamente que isso distingue os ricos dos pobres. Encontrei ao longo da vida casos que me restaram impressos na memória e me levaram a aguardar as consequências cármicas.

A deusa hindu mostra a palma de uma mão virada para baixo e a da outra para cima, indicando que os cuidados com o ínfimo devem ser iguais àqueles com o mais elevado. Tanto na terra como no céu, devem se estender as preocupações humanas.

Bem por isso existem detalhes que marcam as pessoas condenadas a enfrentar, quase inexplicavelmente para os distraídos, um destino cruel.

Reparei, ao chegar ao Brasil em 1976, que as formas de viver, de economizar e de tratar os alimentos eram bem diferentes das maneiras do continente de onde eu vinha.

Na primeira vez em que almocei num restaurante em Belo Horizonte com um casal abastado, observei com estranheza seu comportamento. O casal pediu de aperitivo um uísque sour (destilado com gelo, alta dose de sal, açúcar e suco de limão). O marido ficou num filé malpassado, e ela, com meio frango grelhado. Desse, tirou um pequeno pedaço e deixou o resto com o contorno de batatas assadas no prato. O garçom era tratado com descaso e falta de atenção.

Passadas duas décadas, reencontrei casualmente a esposa, trajada sem requinte e maquiagem alguma, que me disse estar passando por dificuldades sem condições de cuidar dos filhos. O marido, alcoólatra, tinha sumido, deixando a família na miséria.

Não faz muito tempo que ouvi as lamentações de uma pessoa: “Fiz tudo certo, não merecia que minha família fosse ferida dessa forma…”. Embora sofrer faça parte da evolução, e bem por isso as adversidades devam ser recebidas da mesma forma que as vitórias, essa senhora um dia me perturbou deixando na minha memória um episódio que permanece vívido. Num banquete às custas do erário público, ao ser servida por um garçom, para o qual não dava um olhar, sentada à frente do apático marido, permitiu que este colocasse no prato dela, pausadamente, cinco camarões gigantes até que não coubesse mais nada. Choquei-me. Camarão é colesterol puro da pior espécie, e aquela dose poderia intoxicá-la. Embevecida da atmosfera de glamour, só cortou a ponta de um camarão, mandando para o lixo o resto.

Passaram-se alguns anos, e a senhora nem sequer consegue sair de casa.

Dalai Lama, por sua vez, esteve pela primeira vez no Brasil e visitou o Congresso Nacional. Da primeira fila, observei seus movimentos e semblantes sempre sorridentes. O garçom lhe ofereceu um copo d’água. Ele agradeceu profusamente, perguntou ao garçom se ele mesmo gostaria de aproveitar daquela água, tanto à direita como a esquerda ofereceu compartilhar seu copo e, depois de todas as desistências, sorveu parte do líquido sagrado.

Exatamente naqueles dias, num gabinete de um colega deputado, igual ao meu, encontrei, ao visitá-lo, o antebanheiro com a porta aberta e três lâmpadas de 500 watts (!) ligadas. Sinalizei em apagá-las, mas ele disse: “Pode deixar aceso”. Não insisti. No meu gabinete, igual ao dele, já tinha trocado duas lâmpadas pela menor potência disponível e exigi a supressão de uma terceira. Com isso, alcancei uma economia de 1.350 watts ao usar o banheiro por poucos minutos durante o dia. Esse senhor está atualmente atolado na Lava Jato, e sua carreira está em cinzas, que o vento ainda não levou por inteiro.

Os deuses têm suas regras, e feliz é o humilde que as respeita.

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FONTE: O Tempo.


Ambientalista norte-americano se apaixonou por BH e pela flora e fauna do Brasil. Desde a década de 1980, se dedica à preservação dos animais e à fotografia da natureza
Jaburu, cabeça-seca, garça e colhereiro em revoada no Pantanal, uma das regiões mais ricas do país em diversidade de avifauna (Douglas Trent/Divulgação)

Jaburu, cabeça-seca, garça e colhereiro em revoada no Pantanal, uma das regiões mais ricas do país em diversidade de avifauna
Para a revista Forbes, o norte-americano Douglas Brian Trent é o “homem-pássaro do Brasil”, cuja missão é proteger as aves. Mas a paixão pelos pássaros é apenas uma das facetas do trabalho de defesa do meio ambiente que esse ecologista, especialista em turismo sustentável, pesquisador e observador de aves desenvolve desde os anos 1980, quando trocou os Estados Unidos pelo Brasil.
Onça-pintada, foto feita na Estação Ecológica Taiamã, às margens do Rio Paraguai, 
no Mato Grosso (Douglas Trent/Divulgação)
Onça-pintada, foto feita na Estação Ecológica Taiamã, às margens do Rio Paraguai, no Mato Grosso
Douglas escolheu viver em Belo Horizonte, cidade que adora, de onde parte para incursões ao Pantanal do Mato Grosso, onde se tornou conhecido como defensor da onça-pintada, ou para viagens ao exterior, onde ministra cursos de formação de guias de observação de aves e de outras atividades sustentáveis de turismo.

“Belo Horizonte é uma grande cidade com um sentimento de cidade pequena. Quando cheguei aqui, quase todo mundo que conheci tinha vindo do interior. Por isso a cidade tem uma cultura diferente do Rio de Janeiro e de São Paulo, a qualidade de vida é melhor e estou perto de parques onde é possível fotografar e pesquisar aves”, diz Douglas num português claro, mas carregado de sotaque.

Aos 59 anos, o ambientalista tem muito o que contar sobre seu amor pela natureza e as aventuras que viveu. Nascido na pequena cidade de Russell, no Kansas, tão logo se formou em ecologia e comunicação interpessoal, em 1979, decidiu conhecer o mundo. Ele e sua primeira mulher começaram a viajar de carona e, em 1980, entraram no Brasil, vindos da Venezuela. De lá, foram para Manaus, pegaram um barco para Belém e resolveram ir para o Mato Grosso.

Foi em um ônibus de garimpeiros, numa viagem entre Cuiabá e Porto Jofre, que Douglas avistou uma onça pela primeira vez, o que mudou sua vida. “Eu estava na frente do ônibus, comprei uma vassoura para limpar a poeira dos vidros e observar a natureza. Chegamos a um local onde havia uma queimada, o motorista se desviou do fogo e, de repente, uma onça-preta atravessou a mata, correndo atrás de um animal qualquer. Naquele momento, decidi ficar no Brasil e ajudar na preservação do meio ambiente.”

Douglas criou uma companhia de turismo de natureza em 1981 e começou a trazer grupos dos Estados Unidos e da Europa, levando-os ao Pantanal para observar onças. Ao mesmo tempo, incentivava pantaneiros que viviam da caça ilegal e da pesca a trabalhar com turismo sustentável.

Na Reserva Ecológica do Jaguar, que ele ajudou a criar, turistas estrangeiros contribuem com a formação dos guias com aulas de inglês. “Tem um jovem americano que esteve no Pantanal pela primeira vez quando tinha 14 anos. Até hoje, 12 anos depois, ele vai lá dar aulas de inglês para os pantaneiros, para que eles recebam melhor os turistas.”

Amor às ONÇAS
Em meio ao turismo de natureza, Douglas passou alguns meses na África, na Tanzânia, Zâmbia e Uganda, em projetos de desenvolvimento ambiental sustentável. Na volta, passou a se dedicar especificamente à pesquisa para a preservação da onça-pintada no Pantanal.

Araçari-banana, outra espécie brasileira fotografada pelo ecologista 
 (Douglas Trent/Divulgação)

Araçari-banana, outra espécie brasileira fotografada pelo ecologista
Em parceria com o Instituto Chico Mendes (ICMBio), iniciou um trabalho de identificação de onças-pintadas na Estação Ecológica do Taiamã, às margens do Rio Paraguai, no Mato Grosso. Conseguiu fotografar e identificar 47 exemplares. A identificação é feita por meio de fotos das cabeças dos animais. Também registrou 29 indivíduos diferentes entre os grupos de ariranhas que habitam a reserva.

Esse trabalho foi concluído em 2008, mas em 2013, com o apoio da Petrobras, Douglas Trent implantou o projeto “Bichos do Pantanal”, para educação ambiental, observação das onças, e contagem de aves na região da Estação Taiamã. A iniciativa permitiu que cerca de 40 mil crianças das escolas de Cáceres e outros municípios tivessem aulas práticas de educação ambiental, com binóculos para observar aves e informações sobre a proteção das espécies.

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FONTE: Estado de Minas.



STF edita Súmula Vinculante garantindo natureza alimentar de honorário

Brasília – O Supremo Tribunal Federal editou nesta quarta-feira (27), por unanimidade, Súmula Vinculante que garante a natureza alimentar dos honorários. O presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, definiu como histórico o entendimento.

Em sustentação oral na Suprema Corte, Marcus Vinicius afirmou que a edição da Súmula Vinculante é motivo de celebração para os 875 mil advogados do Brasil. “Além de antecipar a vigência do Novo CPC, o STF torna clara a natureza alimentar dos honorários, tema já pacificado por meio de vários acórdãos de seus ministros”, disse na sustentação.

“Consideramos que o advogado valorizado é o cidadão respeitado. O advogado é instrumento do cidadão brasileiro, então valorizar a classe é aperfeiçoar o Estado Democrático de Direito. A advocacia celebra este grande avanço”, completou.

Para Marcus Vinicius, sustentar na tribuna do STF e levar para a classe esta decisão unânime da Corte é um dos momentos mais felizes de sua gestão como presidente da OAB.

“A decisão do STF acaba com a polêmica ainda existente em alguns tribunais, que insistem em dizer que os honorários dos advogados não podem ser destacados ou pagos com preferência porque não teriam natureza alimentar. A Suprema Corte delimita a matéria em uma Súmula Vinculante para pacificar a matéria. Passa a ser obrigatório não só aos tribunais, mas à administração pública e aos setores de pagamento de precatórios”, explicou em entrevista à imprensa.

Súmula

A Súmula Vinculante aprovada pelo STF nesta quarta tem o seguinte teor:

“Os honorários advocatícios incluídos na condenação ou destacados do montante principal devido ao credor consubstanciam verba de natureza alimentar, cuja satisfação ocorrerá com expedição de precatório ou Requisição de Pequeno Valor, observada ordem especial restrita aos créditos desta natureza.”

A Súmula foi proposta pela OAB e teve parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, que alterou parte do texto. Após aprovação nas comissões do STF, teve acolhida unânime pelo Plenário da Suprema Corte.

FONTE: OAB.


Gandarela é parque nacional

Gandarela

 

Antiga reivindicação de ambientalistas e moradores de Barão de Cocais, Caeté, Itabirito, Nova Lima, Ouro Preto, Raposos, Rio Acima e Santa Bárbara, o Parque Nacional da Serra da Gandarela torna-se realidade a partir de decreto publicado ontem no Diário Oficial da União. A área, de 32,2 mil hectares, abrange territórios dos oito municípios de Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Gandarela entra na categoria parque nacional porque, como justifica o projeto de criação, “além de proteger recursos naturais importantes, como águas, flora e fauna, tem grande beleza e grande quantidade de atrativos para o turismo, como cachoeiras, mirantes e trilhas para caminhadas e outras atividades em contato com a natureza. 

´É considerada a última cadeia de montanhas intocada pela mineração no quadrilátero ferrífero de Minas Gerais, integrando o conjunto da Reserva da Biosfera do Espinhaço. A criação do parque era reivindicada há pelo menos cinco anos por moradores dos municípios e entidades que atuam em defesa do meio ambiente.

A área abriga também vestígios de animais pré-históricos e campos rupestres. A criação do parque visa garantir a preservação das amostras de patrimônio biológico, geológico, cavernas e cursos d’água. O decreto assinado pelo governo federal define a área de proteção, que exclui os trechos necessários à operação e manutenção das linhas de distribuição de energia elétrica existentes. O Parque Nacional da Serra do Gandarela será administrado pelo Instituto Chico Mendes, com a responsabilidade de adotar medidas de controle, proteção e implementação da reserva._

Uma das últimas grandes reservas naturais intactas de Minas Gerais, a Serra da Gandarela ainda conserva áreas de cangas, tipo de solo onde há plantas que não existem em nenhum outro local. As cangas são importantes também para alimentar as nascentes, porque a água da chuva que cai nelas escoa bem devagar para dentro das rochas, formando aquíferos que mantêm os rios, mesmo na estação seca.

FONTE: Estado de Minas.


RECUPERAÇÃO AMBIENTAL
Serra do Curral em obras
Começa projeto para estabilizar paredão escavado pela mineração no maciço que é símbolo de BH. Helicóptero e alpinistas vão atuar nos trabalhos, que só devem terminar em 2017

 

 

Com esgotamento da mina, formou-se um lago na parte mais profunda. Encosta onde há risco de desmoronamento receberá grades e vegetação




O lado da Serra do Curral que os moradores de Belo Horizonte e visitantes nunca veem e que foi degradado por décadas de mineração vai ganhar proteção com telas de aço, como se fossem quadros afixados a uma parede, e cobertura vegetal para dar um aspecto natural à montanha escavada para retirada de minério. Para recuperar essa área importante do maciço que foi eleito pela população símbolo maior da capital, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), serão usados helicópteros para transportar o material até o topo da montanha, em área de 90 mil metros quadrados. Também entrarão em ação profissionais especializados, os alpinistas industriais, para atuar ao lado de 160 operários. A movimentação no município vizinho de Nova Lima, na região metropolitana, começa hoje, adianta a direção da empresa Vale, responsável pelo serviço previsto para terminar em 2017.

A obra de recuperação ambiental, com tecnologia suíça e custo de R$ 240 milhões, ocorrerá na Mina de Águas Claras, adquirida há oito anos pela empresa, que instalou na área sua sede administrativa. A unidade começou a produzir minério de ferro em 1973 e foi operada pela Minerações Brasileiras Reunidas (MBR) até 2002, quando se encerrou o ciclo produtivo. Com o fim das operações e paralisação do bombeamento da água do fundo da cava, a área de lavra começou a ser naturalmente preenchida, formando um lago com aproximadamente 150 metros de profundidade. 

Na tarde de ontem, o diretor de Planejamento e Desenvolvimento de Ferrosos da Vale, engenheiro de minas Lúcio Cavalli, explicou que a obra não sinaliza qualquer tipo de perigo para Belo Horizonte ou Nova Lima. “Temos que desmitificar alguns pontos dessa história. Não é verdade, por exemplo, que a serra nesse trecho é apenas uma ‘casca’ de rocha, sem proteção. O certo é que há uma extensão de 700 metros na lateral da montanha. Fazemos todo o monitoramento e, embora não haja mais atividade minerária aqui, o objetivo é deixar um legado ambiental correto”, disse o diretor. 



Em visita à mina, onde se formou o lago com um quilômetro de extensão por 300 metros de largura, dá para ver perfeitamente a área da encosta a ser coberta e as pedras que podem rolar em caso chuvas muito fortes. Os técnicos explicam que o processo erosivo ocorreu naturalmente, ao longo do tempo, sem qualquer relação com a exploração minerária em mais de três décadas.

Uma boa notícia é que o Rio Águas Claras, integrante da Bacia do Rio São Francisco, terá novamente o seu curso reconstituído, pois será construído um túnel para vazão da água do lago, que, com as obras, vai ter a superfície elevada em 45 metros. Dessa forma, é como se houvesse a “ressurreição” de um curso de água natural.

SEM VISITAS Embora o cenário da região de Águas Claras seja dos mais bonitos, com montanha, água e vegetação, não há previsão de que ele possa ser admirado tão cedo pelos cidadãos, a não ser aqueles que se aventurarem na trilha no alto da Serra do Curral. Cavalli explicou que a possibilidade de visitação está em estudo, sem definições. Ele afirma que a medida de preservação não é fruto de acordos judiciais ou termo de ajustamento de conduta. “Foi iniciativa da empresa”, resumiu, destacando que se trata de um trabalho pioneiro em uma mina do estado. 

A intervenção no pico se completará com a implantação de sistema de drenagem, informa o engenheiro. As obras de recuperação da cava de Águas Claras fazem parte do plano de fechamento da mina, agora em processo de recuperação ambiental. Depois de afixadas, as telas e as estruturas de drenagem vão prevenir eventuais desprendimentos de rochas superficiais, aumentando a estabilidade e a segurança das antigas áreas de mineração.

FONTE: Estado de Minas.
Serra do Curral 2A SERRA VISTA DA PAMPULHA
Serra do Curral 5A SERRA VISTA DO PARQUE DAS MANGABEIRAS
Serra do CurralVISTA DO CENTRO
Serra do Curral 3A DEGRADAÇÃO
Serra do Curral 4

O PERIGO SOBE A SERRA

Assassinato de casal aumenta o medo na Serra do Cipó, que sofre com o avanço da violência nas cidades vizinhas. Pousadas ampliam investimento em segurança

Representante comercial Márcio Madeira e familiares foram ao mirante onde o casal foi atacado, e, por precaução, voltariam à pousada antes de escurecer (PAULO FILGUEIRAS/EM/D.A PRESS)
Representante comercial Márcio Madeira e familiares foram ao mirante onde o casal foi atacado, e, por precaução, voltariam à pousada antes de escurecer

Serra do Cipó – Um paraíso ecológico que atrai até 30 mil turistas nos fins de semana e feriados para prática de esportes e lazer nas trilhas, cachoeiras e rios, em meio à fauna e à flora exuberantes, está assombrado pelo medo. O distrito Serra do Cipó tem 2,2 mil habitantes e pertence a Santana do Riacho. Não registrou assalto e teve um homicídio por questões familiares em 2013, mas a criminalidade avança nos municípios vizinhos, como Conceição do Mato Dentro e São José do Almeida (distrito de Jaboticatubas).

O brutal assassinato do casal de namorados, cujos corpos jogados no Rio Santo Antônio pelos dois assaltantes foram resgatados ontem, aumentou o medo e já levou ao cancelamento de até cinco reservas em pousadas da região.

Veja aqui COMO FOI O DUPLO ASSASSINATO.

Um colega querido e uma mãe dedicada

Esperança desfeita num golpe duro do destino. Mesmo com a confissão dos acusados, para os familiares do casal a história só chegou ao fim quando os corpos foram encontrados na tarde de ontem. “Mantivemos a esperança de encontrá-los vivos o tempo inteiro”, disse Daniel Viggiano, sobrinho de Lívia. Ele contou que ainda não sabe explicar o que lhe passou pela cabeça quando viu a tia e o namorado dela serem retirados do rio. Por enquanto, só restou forças para amparar a família: “Só pensava em ser forte para segurar minha tia e minha prima, para elas não desabarem”. 

serra

Com uma diferença de idade de pouco mais de seis anos, os advogados Alexandre Werneck de Oliveira, de 46, e Lívia Viggiano Rocha Silveira, de 39, tinham uma história de vida parecida. Ambos já foram casados uma vez e cada um tinham dois filhos da primeira união. Alexandre era servidor de carreira da Assembleia Legislativa de Minas havia mais de 25 anos. A instituição informou que ele começou a trabalhar em dezembro de 1988, e permaneceu até maio de 1993 na Polícia Legislativa. Durante 10 anos, entre 1993 e 2003, o advogado ficou à disposição da Diretoria de Processo Legislativo, onde trabalhou em comissões da Assembleia. Entre setembro e outubro de 2003, integrou o gabinete do ex-deputado José Henrique. Alexandre também trabalhou na Diretoria de Administração e Pessoal, até março de 2006, quando foi transferido para o Procon e exercia o cargo de assessor jurídico.Até o mês passado, Renato Dantés Macedo, de 48, que também é assessor jurídico do Procon, trabalhava na mesma sala de Alexandre. Ele contou que Alexandre era bem reservado e querida por todos. “A turma está estarrecida com barbaridade”.Pai de dois adolescentes, de 17 e 15 anos, Alexandre nutria uma paixão pelo Atlético. Ele foi ao Marrocos acompanhar o Mundial de Clubes.FILHOS Lívia era a caçula de seis mulheres e dois homens, nascida em Itanhomi, no Vale do Rio Doce. Aos 21 anos, conheceu o futuro marido, com quem teve um relacionamento de 10 anos e um casal de filhos, hoje um rapaz de 16 e uma garota de 11. Os dois estão passando férias com o pai, o produtor musical e administrador Oldair da Silveira, de 35. “É uma pessoa que fará uma falta enorme. A gente não entende como alguém ode fazer isso com uma pessoa tão boa”, lamentou .Oldair informou que os dois estudavam direito juntos. “Minha família tem escritório de advocacia e era uma forma de assumirmos a demanda”, explica. Mas o casamento chegou ao fim no meio do curso e apenas Lívia concluiu a graduação. O administrador foi o responsável por conversar com os filhos sobre a tragédia: “Ela sempre cuidou dos meninos perfeitamente. Ninguém consegue acreditar nisso tudo”.

Moradores e turistas estão assustados. O vice-presidente do Conselho de Segurança Pública (Consep) do distrito Serra do Cipó, Marcos Alves Ferreira, de 62, é dono de pousada e convocou reunião de emergência para ontem à noite. “A pauta é segurança. Vamos orientar donos de hotéis e pousadas para reforçar as dicas de segurança aos hóspedes, com distribuição de folhetos, para que nunca saiam sozinhos para fazer trilhas, sempre em grupos, e que evitem locais isolados”, informou.

As pousadas indicarão guias turísticos oferecidos por duas empresas locais. A de Marcos Alves tem portão eletrônico e câmeras. “Vou aumentar a segurança para a Copa do Mundo”, garantiu. Ele acredita que a população local já ultrapassa os 6 mil habitantes, pois muita gente está se mudando para a região. Para Marcos, o assassinato do casal prejudica o turismo.
Ontem, duas famílias de São Domingos do Prata e Contagem viajaram juntas para conhecer a beleza da Serra do Cipó. Estiveram no mirante onde o casal foi abordado pelos criminosos e ficaram apreensivas. “Estou aqui com a minha família porque somos um grupo de 10 pessoas. Sozinho, eu não ficaria. Vamos voltar para a pousada antes de escurecer”, disse o representante comercial Márcio Madeira, de 40.

O engenheiro Leandro Durães, de 27, mora em BH e sempre vai à Serra do Cipó percorrer trilhas de bicicleta. Agora, está preocupado: “Não vou pedalar mais com tranquilidade. O último reduto de paz em Minas foi quebrado. A gente poderia ser as vítimas”. Ele disse que na terça-feira descia a serra e uma cena chamou a sua atenção. “Ao lado da estátua do Juquinha, símbolo de paz neste lugar, estava uma viatura da Polícia Civil, um sinal de violência. Esse crime manchou a imagem da Serra do Cipó”, lamentou.

Moradora da capital também, Lúcia Helena Bretz, de 51, passou alguns dias com a mãe na região. “Estou assustada. Ninguém mais pode sair sozinho. Muitos jovens vêm para cá, inclusive meu filho com a namorada”, disse.

DEMANDA GRANDE O tenente Afonso do Nascimento, comandante do pelotão local, que pertence à 150 Cia. da PM de Santa Luzia, na Grande BH, informou que são 20 militares para atender a sede de Santana do Riacho e os distritos Serra do Cipó e Lapinha da Serra, esse distante 42 quilômetros, com população total de 4,8 mil habitantes. “Nosso efetivo é suficiente. Quando o fluxo de turistas é muito grande, como nas temporadas, temos reforço de Santa Luzia”, informou.
No ano passado não foi registrado assalto no distrito. Em 2012 foram cinco. Os furtos caíram de 59 em 2012 para 37 em 2013. “Tivemos um homicídio em 2012 e um em 2013”, afirmou o militar. Em 2012, foram duas tentativas de homicídio. No ano passado, uma. O grande problema é a violência em localidades vizinhas que ameaça a paz da Serra do Cipó, afirmou o tenente.

“As estatísticas de Jaboticatubas são altíssimas. A Serra do Cipó fica entre Jaboticatubas e Conceição do Mato Dentro, onde a criminalidade avançou muito devido ao crescimento desordenado da população em função das mineradoras. A nossa luta agora é manter a tranquilidade na serra”, disse o tenente.

O distrito é cortado pela MG-010, que tem grande movimentação de veículos. “São caminhões de minério e turistas indo para Diamantina, Serro e Guanhães”, revelou. O policial recomenda aos turistas que não saiam sozinhos das pousadas, evitem trilhas desconhecidas, não deixem objetos de valor dentro dos carros e também não os ostente. Ele afirmou ainda que o sinal de celular na região é ruim, o que dificulta socorro.

INSEGURANÇA São José do Almeida pertence a Jaboticatubas e fica a 30 quilômetros da Serra do Cipó. São 6 mil moradores. O tráfico e o uso de drogas é uma das maiores preocupações dos moradores e da polícia, além de furtos e roubos. O vice-prefeito de Jaboticatubas, Umbelino Caetano Dias (PMN) trabalha na subprefeitura de São José do Almeida. Somente o distrito tem 300 quilômetros quadrados, quase a dimensão territorial de BH, e conta com apenas nove policiais divididos em três turnos.

No início da tarde de ontem, o destacamento estava fechado. “PM só aparece aqui de vez em quando. Temos assaltos, arrombamentos de casas e todo tipo de coisa ruim por aqui”, reclamou uma vizinha. “Donos de sítios não querem ficar mais aqui. Droga, então, tomou conta da cidade”, disse outra moradora. “A unidade da PM fica fechada o tempo todo”, afirmou uma vizinha dela. O comerciante Marcílio Miranda, de 46, contou que houve reunião com a PM de Santa Luzia no fim de semana para pedir mais policiamento. “O número de policiais não é suficiente. A nossa população é maior do que três municípios vizinhos juntos (Santo Antônio do Rio Abaixo, Passabem e São Sebastião do Rio Preto)”, informou o vice-prefeito, preocupado com o tráfico e o consumo de drogas no lugar.

O vice-prefeito informou que fora do horário administrativo os PMs têm que viajar 70 quilômetros, dos quais 14 em estrada de terra, para registar boletim de ocorrência no Bairro Palmital, em Santa Luzia. A prefeitura paga o aluguel do prédio da PM em São José do Almeida e o carro particular do vice-prefeito é emprestado aos militares e também serve de ambulância para socorrer a população.

“Ficam apenas dois policiais por turno no destacamento, com uma única viatura, e eles saem para atender ocorrências em toda a região”, disse Umbelino.

O comandante do pelotão não foi encontrado ontem, pois na quarta-feira o expediente administrativo da PM é encerrado às 13h. O cabo Rogério Rocha esteve mais tarde no destacamento e disse não ter acesso às estatísticas da criminalidade. Segundo ele, o distrito é refúgio de marginais que saem de BH, devido à extensão territorial e às matas, também usadas para desova de corpos. Disse ainda que existem 27 condomínios residenciais na região e muitos donos de sítios ficam até 30 dias sem visitar o local, o que facilita arrombamentos. Gerente de um posto de combustível às margens da MG-010, Ringo Star Sales Costa tem medo: “Já fomos roubados cinco vezes. Os ladrões ameaçam matar os frentistas com armas na cabeça”.

Veja aqui ou matéria que mostra os ENCANTOS DA SERRA DO CIPÓ.

FONTE: Estado de Minas.


Eletrônicos sem uso valem desconto em passagens aéreas em Minas
Unidades do Sesc em BH e no interior participam da campanha.
Cada aparelho pode valer R$ 50.

Uma campanha para conscientizar sobre o descarte correto de resíduos eletrônicos oferece bônus que pode ser revertido em descontos na compra de passagens aéreas em Belo Horizonte e no interior do estado. Até esta quarta-feira (5), unidades do Serviço Social do Comércio de Minas Gerais (Sesc-MG) receberão celulares, aparelhos de fax, notebooks, computadores, estabilizadores, monitores (tubo, led e cristal líquido) gabinetes (CPUs), impressoras e scanners.

Os aparelhos podem estar em qualquer estado de conservação. De acordo com o Sesc, a cada item, o doador vai ganhar um voucher no valor de R$ 50, para ser usado nas compras de passagens da Azul Linhas Aéreas. Os postos também recolhem teclados, cabos, disquetes, mouses e demais acessórios, mas estes não dão direito ao bônus.

Os materiais arrecadados serão tratados, reciclados e, se necessário, descartados, conforme a atual legislação ambiental. A campanha é feita em parceria com a organização não governamental Instituto Brasileiro de Turismólogos (IBT), que promove projetos de sustentabilidade.

Os pontos de troca funcionam, das 8h às 18h, até esta quarta-feira (5). Veja os endereços:
– Sesc Centro Cultural JK (Rua Caetés, 603 – Centro – Belo Horizonte)
– Sesc Desportivo (Rua Teófilo Otoni, 433, Carlos Prates – Belo Horizonte)
– Sesc Floresta (Rua Pouso Alegre, 1.647, Floresta – Belo Horizonte)
– Sesc Santa Quitéria (Rua Santa Quitéria, 566, Carlos Prates – Belo Horizonte)
– Sesc Venda Nova (Rua Maria Borboleta, s/nº, Letícia/Venda Nova – Belo Horizonte)
– Sesc Almenara (Rodovia BR 367, Km 92, Cidade Nova – Almenara)
– Sesc Governador Valadares (Av. Veneza, 877, Grã-Duquesa – Governador Valadares)
– Sesc Bom Despacho (Av. Maria da Conceição del Duca, 150, Vilaça – Bom Despacho)
– Sesc Contagem-Betim (Rua Padre José Maria Demam, 805, Novo Riacho – Contagem)
– Sesc Januária (Av. Aeroporto, 250, Aeroporto – Januária)
– Sesc Paracatu (Rua Euridamas Avelino Barros, 347, Lavrado – Paracatu)
– Sesc Santa Luzia (Av. Brasília, 3505, São Benedito – Santa Luzia)
– Sesc Araxá (Rua Dr. Edmar Cunha, 150, Santa Terezinha – Araxá)
– Sesc Juiz de Fora (Av. Barão do Rio Branco, 3.090, Centro – Juiz de Fora)
– Sesc Pousada Juiz de Fora (Rua do Contorno, s/nº, Nova Califórnia – Juiz de Fora)
– Sesc Montes Claros (Rua Viúva Francisco Ribeiro, 200, Centro – Montes Claros)
– Sesc Poços de Caldas (Rua Paraná, 229, Centro – Poços de Caldas)
– Sesc Sete Lagoas (Rua Francisco Vicente, 23, Papavento – Sete Lagoas)
– Sesc Teófilo Otoni (Av. Bernarda Barbosa Laender, 146, Centro – Teófilo Otoni)
– Sesc Uberaba (Rua Ricardo Misson, 411, Centro – Uberaba)
– Sesc Uberlândia (Rua Benjamim Constant, 844, Aparecida – Uberlândia)
– Sesc Saúde São Francisco (Rua Viana do Castelo, 490, São Francisco – Belo Horizonte)

FONTE: G1.



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