Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Muito frio até para eles
Mesmo habituados a invernos rigorosos, moradores de Ouro Preto se impressionam com semana de temperaturas baixas e neblina intensa.
Clima é atrativo para muitos turistas

Frio

Ouro Preto – O turístico distrito de Lavras Novas, em Ouro Preto, na Região Central, foi o local escolhido pelo casal Breno Botelho e Adelina de Deus, de João Monlevade, no Vale do Aço, para passar a lua de mel. Fascinados por natureza e montanhistas por vocação, eles tiveram um atrativo a mais para curtir os primeiros dias depois do casamento: o frio e a intensa neblina que, desde o fim de semana, dominam a paisagem formada pelo casario colonial e matas. “Estamos hospedados num chalé e bem preparados para as baixas temperaturas”, contou o empresário Breno, de 35 anos, que, a exemplo da mulher, trouxe na bagagem gorros, casacos e muita disposição. Pela manhã, o termômetro marcou 8 graus em Lavras Novas.

Os meteorologistas preveem mais dois dias com baixas temperaturas em Belo Horizonte e no interior. “O fim de semana será um pouco quente, com a mínima entre 14 e 15 graus, mas hoje ainda vai estar na casa de 11 graus”, explicou Ruibran dos Reis, do Climatempo. Para a capital, a previsão é de que o sol voltará a firmar sábado e domingo. “Em agosto, as temperaturas vão variar e somente no fim do mês e início de setembro é que serão mais elevadas”, disse o meteorologista. A friagem de agora resulta de massa de ar polar que já está se dissipando.Em Lavras Novas, por enquanto, é tempo de luvas, cachecol e até mantas nas costas, como pode se ver nas ruas. O casal Breno e Adelina pretendia viajar para Machu Picchu, no Peru, mas achou melhor ficar em Minas. Na manhã de ontem, por volta das 8h30, enquanto muita gente dormia imersa numa “bolha de bruma”, o casal fazia a sua caminhada matinal, depois de já ter comprado sucos e pão – sempre com gorro à moda dos povos andinos. 
No distrito distante 21 quilômetros da Praça Tiradentes, em Ouro Preto, não há outro assunto. “Desta vez, o frio veio mais forte. Há muitos anos não tínhamos esse inverno prolongado”, observou o aposentado Carlos Correia Maia, de 67 anos, que foi tropeiro na juventude e mantém alguns animais na propriedade – burros, mulas e uma égua. “Sou do tempo em que, para proteger da geada, tínhamos que pôr a mão perto do ‘bafo’ do animal para esquentar”, contou. Arrumando tocos de lenha e levando no carrinho de mão para a cozinha, o aposentado ensina a receita para enfrentar baixas temperaturas: “Muita coberta”.

FRIO DO CÃO…

Os mais jovens seguem esse caminho. Às 6h45, passando em direção à Escola Municipal de Lavras Novas, na qual cursa o oitavo período, a adolescente Carolina Kume, de 14 anos, confessou, sorrindo, que dorme com “seis cobertores” nas noites de julho. Protegida pelo casaco com capuz forrado de pele, Carolina revelou que gosta da atual estação, pois é boa para o descanso. “Depois da aulas, chego em casa e dou uma dormidinha”, disse a jovem bem-humorada, que caminhava ao lado da amiga Maria Eduarda Azevedo, de 13, aluna do sétimo período. Como Lavras Novas fica numa região serrana, o ar muito frio da madrugada associado à intensa umidade provoca o nevoeiro. “Na verdade, o distrito, nesses dias, ficou dentro de uma nuvem muito baixa”, disse Ruibran.

‘Manto branco’ Eram 6h e o céu de Lavras Novas ainda estava meio escuro. Com a neblina, a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, na Praça Pedro Fernandes Marins, estava envolta num “manto branco” e dava para notar apenas a silhueta de um ou outro morador seguindo em direção ao trabalho. Às 6h20, Robson Gomes Peruce, de 26, casado e pai de um menino de nove, abriu o portão e acelerou o passo em direção à sede do município, onde trabalha na Universidade federal de Ouro Preto (Ufop). “Nesta friagem, só mesmo ficando em casa”, resumiu.

Até 8h, eram poucos os moradores e turistas que se arriscavam a pôr os pés na rua. Na Pousada Carumbé, a recepcionista Elisângela Bispo mostrava mesa de café pronta à espera dos hóspedes. “O pessoal acorda sempre mais tarde. Ontem (terça-feira), tiramos a mesa por volta das 12h30”, contou Elisângela. 

Há quatro meses em Lavras Novas, o belo-horizontino Layferson Dhiorgi Matarelli, garçom da Pousada Carumbé,  comenta: “Frio assim, nunca vi”. Com um gorro e protetores nas orelhas, ele aproveitou o calor do fogão a lenha, na sala, para esquentar as mãos. Certo de que o frio é chamariz, o dono do restaurante Vista Real, Paulo Magalhães, oferece um cardápio de dar água na boca: carne de panela, língua ao molho de vinho, moela e outros acepipes. 

Tomando café numa padaria, o pedreiro Fernando Alves de Azevedo, de 42, nascido e criado em Lavras Novas, brincou sobre o fenômeno. “Neblina é chuva de molhar bobo. O sol até queria sair, mas ficou sem força.” Ele e outros moradores estão impressionados com a duração do nevoeiro, que tem se prolongado de manhã até a noite. “A gente abre a janela e até a cadeira da sala está molhada pela umidade.”

 

 

 

Enquanto isso…

…bh tem menor temperatura 

Belo Horizonte registrou ontem temperatura de 9,8 graus no Bairro Mangabeiras, na Região Centro-Sul, a menor em 2014. O frio também foi recorde no estado: 2,4 graus no distrito de Monte Verde, em Camanducaia, na Região Sul de Minas. As medições foram feitas por estações meteorológicas às 7h. Segundo o meteorologista Davan Diniz, do Tempo Clima PUC Minas, a sensação térmica no Mangabeiras, em BH, chegou perto de 6 graus por causa do vento.

FONTE: Estado de Minas.



Governo desiste de incluir dois anos extras na graduação de medicina

Ministro diz que agora proposta é aproveitar 2 anos extras como residência.
No primeiro ano, recém-formado prestaria serviço em emergência do SUS.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou nesta quarta-feira (31) que o governo decidiu alterar um dos pontos do programa Mais Médicos: o que previa a ampliação de seis para oito anos do período de graduação em medicina – nos dois anos extras eles teriam de prestar serviços no Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o ministro, o governo decidiu acatar a proposta de comissão de especialistas que analisa o programa. Pela proposta, os dois anos extras serão aproveitados como residência médica, que tem caráter de especialização e atualmente não é obrigatória. Com isso, os estudantes de medicina não ficariam impedidos de se formar após os seis anos de curso.

Mais Médicos Info V2 26.7 (Foto: Editoria de Arte/G1)

Se prevalecesse a proposta original do programa Mais Médicos, a formação em medicina poderia durar até dez anos: oito de graduação (obrigatórios) e dois de especialização (residência médica).

Segundo a nova proposta, os médicos recém-formados farão a especialização durante a residência médica, como atualmente, mas, no primeiro ano, a atuação será necessariamente no setor de urgência e emergência de uma unidade do SUS. No segundo ano, o recém-formado atuaria na área de especialização que escolheu.

“Isso [a proposta de que os médicos recém-formados atuem na urgência e emergência do SUS durante a especialização] dialoga com a medida provisória e criou uma unanimidade entre todos os diretores de faculdades, a Associação Brasileira de Educação Médica e a comissão de especialistas. Houve unanimidade neste entendimento, e a gente acolhe isso de forma muito positiva”, disse o ministro após reunião sobre o programa Mais Médicos com reitores de universidades federais e entidades de medicina no Ministério da Educação.

O ministro Mercadante afirmou que o governo pretende assegurar, até 2017, acesso a bolsa de residência médica para todos os estudantes formados em medicina. Segundo a assessoria do Ministério da Educação, quando as bolsas estiverem disponíveis, a residência médica passará a ser obrigatória.

De acordo com a assessoria, ainda não há uma definição sobre os casos de médicos recém-formados que optarem por fazer clínica geral e decidirem não se especializar. Não se sabe se, nessa hipótese, o recém-formado faria somente o primeiro de residência em um setor de urgência e emergência do SUS ou se teria de cumprir os dois anos.

A obrigatoriedade de prestação de serviços por dois anos no SUS era um motivos de crítica das entidades médicas ao programa Mais Médicos, do governo federal.

Medida provisória
Após negociar a alteração de parte das regras do Mais Médicos com os dirigentes das universidades, Aloizio Mercadante disse que irá levar a nova proposta ao relator da medida provisória na comissão especial que está sendo criada pelo Congresso Nacional para analisar o projeto.

Segundo o ministro, a última palavra sobre a proposta de incorporação dos novos médicos ao SUS no período da residência médica será do Congresso.

“Quem vai decidir, evidentemente, ao final do processo, é o Congresso Nacional. E vamos imediatamente abrir essa discussão no âmbito do Conselho Nacional de Educação”, afirmou.

FONTE: G1.


Um pacto e muitos efeitos colaterais

Proposta de ampliar duração do curso de medicina em dois anos, nos quais futuros médicos atuariam apenas no SUS, provoca reações e cria insegurança entre candidatos à profissão

Doctor

O diagnóstico é consenso: a saúde precisa de socorro, e rápido. O remédio prescrito pelo governo federal, porém, está longe de ser tomado sem cara feia. Um dia depois do lançamento do Programa Mais Médicos, apresentado como um pacto para o setor, muitas perguntas continuam sem respostas e as reações adversas não demoraram. O anúncio do aumento da duração do curso de medicina de seis para oito anos, mais que aprovação ou opiniões contrárias suscitou uma série de questionamentos, tornando impreciso o prognóstico sobre o destino dos médicos no país. Estudantes, entidades de classe e instituições de ensino esquentam o debate sobre a formação e a falta de profissionais e alimentam uma discussão que, pela primeira vez, ganha força no Brasil. No meio da polêmica, o Conselho Federal de Medicina promete recorrer à Justiça para barrar o projeto.

O programa e a reestruturação do curso de medicina vieram por medida provisória publicada ontem no Diário Oficial da União (DOU). Nessa reformulação, a partir de 2015 o estudante, além dos seis anos de formação, deverá se dedicar, obrigatoriamente, a dois anos de prestação de serviço ao Sistema Único de Saúde (SUS). Até lá, o governo terá o desafio de definir e esclarecer como essa complementação de estudos funcionará. Com isso, além de enfrentar o estresse da concorrência acirrada por uma vaga em medicina, estudantes de cursinhos convivem agora com a angústia da indefinição sobre a trajetória acadêmica.

“A notícia trouxe ansiedade e dúvida para esses alunos, que, normalmente, já ficam em média um ano e meio no cursinho antes de conseguir a vaga”, comenta a coordenadora pedagógica do preparatório Polo, Gilma Alvarenga. Bacharel em direito, Aldo César, de 24 anos, vai tentar a segunda graduação e questiona se a obrigatoriedade do trabalho no SUS é legal. “Acho complicado o governo limitar a carreira de um profissional dessa forma”, ressalta.

No segundo ano de cursinho, Mariana de Castro Ferreira, de 18, levanta a dúvida sobre a remuneração no período e as responsabilidades do aluno. “Você vai atuar como médico, mas ainda não será um médico”, afirma. Também no segundo ano de cursinho, Luiza Leone, de 19, reconhece que o prolongamento dos estudos em dois anos pesa, mas acredita que será um complemento interessante. “Muitos médicos se formam sem capacitação. Esses dois anos de prática são experiência na formação. Se quero cuidar do outro, tenho que ter esse conhecimento”, avalia.

O anúncio da ampliação do curso de medicina para oito anos levou a estudante Eduarda Heringer Bernis, de 16, a rever o futuro profissional. Aluna do 2º ano do ensino médio da Fundação Torino, ela vai concluir os estudos em 2015, quando a medida do governo federal já estará em vigor. “Apesar de não ser um sonho, comecei a considerar a ideia de fazer faculdade fora do país. O que questiono é a real necessidade desses dois anos a mais, pois a medicina já é um curso que requer muita dedicação”, diz ela, que desde criança já falava em ser médica.

REAÇÕES Nas instituições de ensino, a expectativa é por mais esclarecimentos. Mas, tanto em faculdades públicas quanto em particulares ouvidas pelo Estado de Minas a proposta foi bem recebida. Diretor do câmpus Centro-Oeste da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), em Divinópolis, onde funciona o curso de medicina, Eduardo Sérgio da Silva acredita que haverá impacto grande no número de médicos nas urgências e emergências e na atenção básica. Para ele, o prazo até 2015 é suficiente para que ocorram discussões entre os envolvidos e seja contemplado o que ainda precisa de definição.

Mas o diretor chama atenção para a necessidade de investimento em infraestrutura. “Não adianta aumentar o número de vagas se as universidades não forem equipadas e as unidades de saúde, adequadas. Foi anunciada a possibilidade de recursos para isso. O investimento na saúde deve vir junto, dando condições de trabalho aos médicos”, pondera. Eduardo Silva destaca a vantagem da extensão do tempo de formação. “Muitas pessoas têm criticado, pois o médico vai demorar a entrar na residência e fazer suas especializações. Mas dois anos não é muito, até porque há o ganho do conhecimento maior na saúde pública, principalmente para o aluno que não teve formação voltada para isso”, afirma. “Tem que ser uma formação mais demorada, pois o profissional lida com a saúde da população. E esse é um bem muito precioso”, ressalta.

O vice-diretor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, Marcelo Miranda, diz que, apesar de as medidas ainda estarem sendo discutidas, há tendência de avaliá-las de maneira positiva, devido ao impacto social e à ampliação da cobertura de atenção à saúde. “A proposta vai em uma boa direção, porque promete ainda estrutura e assistência à formação do aluno”, diz. Ele acredita que a presença e a formação de médicos vão demandar, automaticamente, outros aprimoramentos, como equipes multidisciplinares, infraestrutura e melhoria de equipamentos de diagnóstico em hospitais e centros de saúde.

“Há um problema emergencial que precisa de resposta. Há que se discutir e ter outras garantias, mas vejo a proposta como solução para vários problemas hoje”, diz. Marcelo Miranda ressalta ainda que o mérito imediato é a abertura da discussão envolvendo segmentos da educação e da saúde. “A sociedade não aguenta esperar que a discussão se arraste até todas as ideologias serem contempladas. A formação médica é cada vez mais complexa e isso fala a favor do prolongamento dela”, destaca.

ENFERMEIROS E DENTISTAS NA MIRA

As mudanças propostas pelo governo na formação médica podem ser estendidas a outras profissões da área da saúde. Um grupo formado no Conselho Nacional da Educação (CNE) discute alterações na grade curricular e a possível inclusão de um segundo ciclo acadêmico para estudantes de enfermagem, odontologia e nutrição, entre outros. Algumas entidades, como o Conselho Federal de Odontologia (CFO), também debatem alterações.

Na avaliação do conselheiro Amaury Angelo Gonzaga, do Conselho Federal de Enfermagem, caso ocorram alterações, elas serão muito bem-vindas. “É inadmissível que se faça uma formação para que o profissional fique longe da população. A atenção básica à saúde é o carro-chefe para o bom funcionamento de qualquer sistema de saúde.” Amaury defende que uma mudança nas outras profissões da saúde deve ser feita em breve. De acordo com o MEC, no entanto, a prioridade no momento é a regulamentação do segundo ciclo de formação em medicina.

 

CFM estuda ação na Justiça

Presidentes dos conselhos regionais de medicina de todo o país se reúnem hoje em Brasília para fechar um posicionamento da entidade quanto às mudanças nos cursos de medicina e ao Programa Mais Médicos. Até a semana que vem, o Conselho Federal de Medicina (CFM) deve definir qual caminho vai seguir para tentar barrar na Justiça as medidas anunciadas pelo governo federal. Um deles pode ser uma ação de inconstitucionalidade, questionando a legitimidade da obrigatoriedade de os alunos prestarem serviço ao Sistema Único de Saúde (SUS) durante dois anos e defendendo a autonomia universitária como critério para a mudança curricular. O conselheiro do CFM Hermann von Tiesenhausen afirma que a proposta dos médicos, feita ao governo federal, envolve a realização de concurso público, criação de plano de cargos e salários, isonomia e estabilidade na profissão. A categoria questiona ainda a vinda de profissionais estrangeiros. “Queremos que cumpram as regras e as leis do país.”

FONTE: Estado de Minas.

Anúncio foi feito pelo ministro Aloísio Mercadante na tarde desta segunda-feira e faz parte do conjunto de medidas para aumentar o número de médicos no país

Doctor

O curso de Medicina passará de 6 para 8 anos a partir de 2015. A mudança integra um pacote de medidas anunciado nesta segunda-feira, 8, pela presidente Dilma Rousseff para ampliar a oferta de médicos no País e melhorar a formação dos profissionais. Definida numa Medida Provisória, a ampliação deverá ser regulamentada pelo Conselho Nacional de Educação, num prazo de 180 dias.

O programa, batizado de Mais Médicos, inclui ainda o recrutamento de profissionais estrangeiros para trabalhar em áreas prioritárias, a abertura de 11.447 novas vagas para graduação e outros 12.376 postos de especialização em áreas consideradas prioritárias até 2017. O novo formato do curso de Medicina é inspirado no modelo existente em países como Inglaterra e Suécia, diz o Ministério da Saúde.Concluído o curso de seis anos, o estudante passa para um segundo ciclo, de dois anos, onde terá de atuar em serviços públicos de saúde. A exigência do segundo ciclo será universal: tanto para estudantes de instituições da rede pública quanto privada de ensino.

No período em que trabalharem nos serviços públicos de saúde, estudantes receberão uma bolsa, financiada pelo Ministério da Saúde. Os valores ainda não foram definidos. O governo calcula, no entanto, que ela ficará entre o que é concedido para as residências médicas (R$ 2,9 mil mensais) e o que é pago para profissionais inscritos no Provab (R$ 8 mil).

No primeiro ano, estudantes vão atuar na rede de atenção básica. No segundo ano, o trabalho será feito nos serviços de urgência e emergência. Os alunos continuarão vinculados à instituição de ensino onde foi feita a graduação e, assim como ocorre com a residência, serão avaliados. A carga horária ainda não foi definida.

Pela proposta, o segundo ciclo poderá ser aproveitado para abater um ano de curso de residência em especialidades básicas, como medicina de família, ginecologia, obstetrícia, pediatria e cirurgia geral. Há também a possibilidade de o período ser incluído na contagem para cursos de mestrado. A forma como isso será feito também está nas mãos do Conselho Nacional de Educação.

O formato de oito anos poderá ser revisto num curto prazo. Há a possibilidade de o primeiro ciclo, atualmente de seis anos, ser reduzido para cinco. O assunto, no entanto, ainda terá de ser debatido pelo Conselho Nacional de Educação. A intenção é se aproximar do modelo inglês, onde a duração do primeiro ciclo varia entre 4 a 6 anos, treinamento supervisionado dura outros dois anos e a especialidade médica, 3 a 8 anos.

Para atuar no segundo ciclo, os alunos receberão um registro provisório. A instituição de ensino deverá estar ligada a uma rede de serviços públicos de saúde, onde seus alunos vão desempenhar as atividades. Caberá à instituição definir o local de trabalho do estudante.

A ideia é que o aluno seja supervisionado por professores. A forma como isso será feito também será definida pelo Conselho Nacional de Educação. Também não está acertado como será feito o reembolso das instituições de ensino pelo trabalho de supervisão.

O aluno receberá o diploma somente depois de completar os oito anos de formação. Só aí receberá a inscrição permanente. De acordo com o Ministério da Saúde, o modelo proposto prevê que o profissional com registro provisório, mesmo sem diploma, responderá caso cometa uma infração ética ou erro no atendimento do paciente.

A criação do segundo ciclo não vai dispensar o internato, realizado atualmente no quinto e sexto ano. Nesta etapa, o estudante não tem autonomia. Durante o treinamento da segunda etapa, o estudante aos poucos ganha mais autonomia.

A expansão da duração do curso de medicina, de acordo com o governo, não tem como objetivo principal a ampliação da oferta de médicos. A meta, de acordo com ministérios da Saúde e da Educação, é ampliar a formação do profissional e driblar um problema que o governo julga enfrentar atualmente, que é a especialização precoce. Na avaliação do governo, a partir do 4º ano, estudantes concentram suas atenção nas áreas com que têm mais afinidade, deixando de lado pontos considerados essenciais para o atendimento do paciente.

Embora detalhes ainda não estejam definidos, o governo já decidiu que durante o ciclo de dois anos, o estudante terá permissão para atuar apenas nos locais indicados pela instituição de ensino a que ele está ligado. Não será permitida a realização de plantões ou atuação em outros serviços.

FONTE: Estado de Minas.


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