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Foto de garoto ao lado de onças não é montagem; entenda a história

Tiago Jácomo Silveira cresceu ao lado do felino, uma vez que os pais coordenam o Instituto Onça-Pintada

Uma foto tanto quanto incomum causou frisson nas redes sociais. Acompanhado de um cachorro, um garoto, de 12 anos, sentou-se à beira de uma lagoa e mostrou-se tranquilo ao lado de duas onças-pintadas, inclusive fazendo carinho em uma delas. Para alguns, a imagem causa certo pânico devido ao medo do felino intrínseco ao ser humano, porém para Tiago Jácomo Silveira essa é uma cena rotineira desde que é recém-nascido.

Recentemente publicada no Facebook pelo seu pai, o biólogo Leandro Silveira, de 49 anos, a fotografia foi compartilhada em várias páginas, causando frisson. Alguns duvidaram da veracidade do registro. A maioria, porém, elogiou a coragem do garoto.

Porém, como o próprio pai relatou, a coragem vem da convivência. Em entrevista à BBC Brasil, Leandro explicou que ele e a esposa, Anah Tereza Jácomo, de 49 anos, sempre incentivaram a convivência de seu filho com o animal, uma vez que eles coordenam o Instituto Onça-Pintada (IOP), que tem o objetivo de preservar e estudar o maior felino das Américas.

“O meu filho nasceu em um ambiente com onças-pintadas. Então, ele convive bem com elas desde a infância e sabe como lidar. Logicamente, a gente o instrui e impõe limites, mas hoje ele já sabe o que fazer ou não. É uma questão muito natural para ele”, diz Leandro.

Tiago Jácomo Silveira

Tiago Jácomo Silveira ao lado das onças amigas

Thiago, por sua vez,  considera-se um privilegiado por ter se relacionado com as onças-pintadas desde pequeno. “Sempre foi uma relação de amor e respeito. Sempre gostei muito disso e sempre ajudei a cuidar dos animais”, avalia.

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FONTE: O Tempo.


No Dia Nacional da Onça-pintada, conheça dez curiosidades do maior felino das Américas

O calendário nacional acaba de ganhar uma nova data comemorativa: o Dia Nacional da Onça-pintada é celebrado pela primeira vez na hoje, quinta-feira (29). O dia foi instituído por uma portaria do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e presta homenagem a uma espécie que é símbolo da biodiversidade nacional. Para entrar no clima da festa, confira a seguir dez fatos que talvez você não saiba sobre as onças-pintadas:1) Gigante das AméricasA onça é um animal típico do continente americano. A atual distribuição geográfica da espécie se estende do México pela maior parte da América Central e América do Sul, até o Paraguai e o norte da Argentina. Da grande família biológica dos felídeos, a onça é a terceira maior espécie do mundo, atrás apenas do tigre e do leão. E nas Américas, a onça-pintada reina absoluta como o maior felino da região.

2) A onça-preta também é uma onça-pintada

A afirmação pode parecer estranha, mas é isso mesmo: as onças-pretas também são onças-pintadas. É um caso de melanismo, que acontece quando um animal tem uma grande concentração do pigmento chamado melanina na pele, o que dá o tom escuro à pelagem. As onças-pretas são raras, representando cerca de 6% de toda população da espécie. Com a ajuda de câmeras noturnas, é possível enxergar as pintas de uma onça-preta.

3) Na Amazônia, onças-pintadas vivem no topo das árvores

Se as onças-pintadas já são, naturalmente, animais únicos e impressionantes, a vida nas matas de várzea da Amazônia faz delas ainda mais diferentes. Por conta do sobe e desce do nível dos rios, as onças de lá apresentam um comportamento que, dentro da espécie, não é visto em nenhum outro lugar. Durante a época de cheia, quando os rios transbordam seus limites e enchem as florestas com água, os felinos buscam as partes mais altas das árvores para morar. Todo esse processo se repete anualmente e pode durar até seis meses. “Esse é um comportamento inédito para grandes felinos, que precisam de grandes quantidades de alimento todos os dias para sobreviver e que até agora eram considerados terrestres”, afirmou o pesquisador Emiliano Esterci Ramalho, responsável pelo Projeto Iauaretê, desenvolvido desde 2004 pelo Instituto Mamirauá, com o objetivo de estudar a ecologia e promover a conservação da onça-pintada na várzea amazônica.

4) Reserva Mamirauá tem uma das maiores densidades de onças no planeta

A grande quantidade e oferta de presas, aliada ao estado de conservação da Reserva Mamirauá, permite que essa unidade de conservação localizada no centro do estado do Amazonas abrigue uma alta densidade de onças-pintadas. Levantamentos feitos pelo Instituto Mamirauá nos últimos anos estimaram uma concentração de mais de 10 onças/100 km² dentro da reserva, a mais alta densidade de onças registrada até hoje no mundo. Um dos métodos para estimar a população de onças é o uso de armadilhas fotográficas. Pesquisadores do Instituto Mamirauá já registraram uma onça na Reserva Mamirauá interagindo com os equipamentos. Veja:

5) Seres humanos não estão na dieta das onças

Não tenha medo! Apesar da (má) fama, as onças-pintadas evitam contato com o ser humano. São raros os registros de ataque de onças à nossa espécie, isso pode acontecer quando a onça se sente ameaçada ou quando tenta proteger os filhotes ou o próprio alimento (como uma caça recém-abatida).

6) Preguiças e macacos guariba estão entre alimentos preferidos na floresta amazônica

Falando em dieta, a onça-pintada encontra um cardápio farto e variado na Amazônia. Na Reserva Mamirauá, estado do Amazonas, o bicho-preguiça, o macaco guariba e o tamanduá-mirim estão entre os animais mais consumidos pelos felinos. O jacaré-tinga e o jacaré-açu também entram na lista de espécies predadas por onças-pintadas na região. Os dados são do Grupo de Pesquisa Ecologia e Conservação de Felinos na Amazônia do Instituto Mamirauá.

7) As pintas de uma onça são únicas

O conjunto de pintas ou manchas em uma onça-pintada é único. É como a impressão digital nos dedos dos seres humanos: quando o assunto são as pintas, não existem duas onças iguais. Inclusive pesquisadores que investigam a espécie usam essa característica especial para identificar os animais.

8) Onças têm “pintinhas” dentro de cada pinta

Pintas dentro de uma pinta. Assim são as pintas no tronco das onças-pintadas, e essa é uma diferença desse felino para o leopardo, que não tem tal característica. Uma maneira de diferenciar um leopardo de uma onça-pintada é olhando para as manchas nos troncos desses animais: só as onças têm pintas com pintinhas menores dentro.

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9) Na água e nas alturas

Ágeis e com grande destreza, as onças sobem em árvores tanto para descansar como para abrigar-se ou caçar. Elas também são excelentes nadadoras.

10) Solitárias, mas nem tanto

Onças-pintadas costumam viver sozinhas. Embora sejam animais solitários a maior parte do tempo, as onças podem ser vistas em grupos no período de reprodução ou no início da vida, quando os filhotes são cuidados pela mãe.

 

onça-pintada (português brasileiro) ou jaguar (português europeu) (nome científico: Panthera onca), também conhecida como onça-preta (no caso dos indivíduos melânicos), é uma espécie de mamífero carnívoro da família Felidae encontrada nas Américas.

É o terceiro maior felino do mundo, após o tigre e o leão, e o maior do continente americano. Apesar da semelhança com o leopardo (Panthera pardus), a onça-pintada é evolutivamente mais próxima do leão (Panthera leo).

Ocorre desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina, mas está extinta em diversas partes dessa região atualmente. Nos Estados Unidos, por exemplo, está extinta desde o início do século XX, mas possivelmente ainda ocorre no Arizona. É encontrada principalmente em ambientes de florestas tropicais, e geralmente não ocorre acima dos 1 200 m de altitude. A onça-pintada está fortemente associada à presença de água e é notável como um felino que gosta de nadar.

É um felino de porte grande, com peso variando de 56 a 92 kg, podendo chegar a 158 kg, e comprimento variando de 1,12 a 1,85 m sem a cauda, que é relativamente curta. Fisicamente semelhante ao leopardo, dele se diferencia pelo padrão de manchas na pele e pelo maior tamanho.

Existem indivíduos totalmente pretos. Caça formando emboscadas. Tem uma mordida excepcionalmente poderosa, mesmo em relação aos outros grandes felinos. Isso permite que ela fure a casca dura de répteis como a tartaruga e de utilizar um método de matar incomum: ela morde diretamente através do crânio da presa entre os ouvidos, uma mordida fatal no cérebro.

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FONTES: Estado de Minas, Youtube e Wikipedia.


Ambientalista norte-americano se apaixonou por BH e pela flora e fauna do Brasil. Desde a década de 1980, se dedica à preservação dos animais e à fotografia da natureza
Jaburu, cabeça-seca, garça e colhereiro em revoada no Pantanal, uma das regiões mais ricas do país em diversidade de avifauna (Douglas Trent/Divulgação)

Jaburu, cabeça-seca, garça e colhereiro em revoada no Pantanal, uma das regiões mais ricas do país em diversidade de avifauna
Para a revista Forbes, o norte-americano Douglas Brian Trent é o “homem-pássaro do Brasil”, cuja missão é proteger as aves. Mas a paixão pelos pássaros é apenas uma das facetas do trabalho de defesa do meio ambiente que esse ecologista, especialista em turismo sustentável, pesquisador e observador de aves desenvolve desde os anos 1980, quando trocou os Estados Unidos pelo Brasil.
Onça-pintada, foto feita na Estação Ecológica Taiamã, às margens do Rio Paraguai, 
no Mato Grosso (Douglas Trent/Divulgação)
Onça-pintada, foto feita na Estação Ecológica Taiamã, às margens do Rio Paraguai, no Mato Grosso
Douglas escolheu viver em Belo Horizonte, cidade que adora, de onde parte para incursões ao Pantanal do Mato Grosso, onde se tornou conhecido como defensor da onça-pintada, ou para viagens ao exterior, onde ministra cursos de formação de guias de observação de aves e de outras atividades sustentáveis de turismo.

“Belo Horizonte é uma grande cidade com um sentimento de cidade pequena. Quando cheguei aqui, quase todo mundo que conheci tinha vindo do interior. Por isso a cidade tem uma cultura diferente do Rio de Janeiro e de São Paulo, a qualidade de vida é melhor e estou perto de parques onde é possível fotografar e pesquisar aves”, diz Douglas num português claro, mas carregado de sotaque.

Aos 59 anos, o ambientalista tem muito o que contar sobre seu amor pela natureza e as aventuras que viveu. Nascido na pequena cidade de Russell, no Kansas, tão logo se formou em ecologia e comunicação interpessoal, em 1979, decidiu conhecer o mundo. Ele e sua primeira mulher começaram a viajar de carona e, em 1980, entraram no Brasil, vindos da Venezuela. De lá, foram para Manaus, pegaram um barco para Belém e resolveram ir para o Mato Grosso.

Foi em um ônibus de garimpeiros, numa viagem entre Cuiabá e Porto Jofre, que Douglas avistou uma onça pela primeira vez, o que mudou sua vida. “Eu estava na frente do ônibus, comprei uma vassoura para limpar a poeira dos vidros e observar a natureza. Chegamos a um local onde havia uma queimada, o motorista se desviou do fogo e, de repente, uma onça-preta atravessou a mata, correndo atrás de um animal qualquer. Naquele momento, decidi ficar no Brasil e ajudar na preservação do meio ambiente.”

Douglas criou uma companhia de turismo de natureza em 1981 e começou a trazer grupos dos Estados Unidos e da Europa, levando-os ao Pantanal para observar onças. Ao mesmo tempo, incentivava pantaneiros que viviam da caça ilegal e da pesca a trabalhar com turismo sustentável.

Na Reserva Ecológica do Jaguar, que ele ajudou a criar, turistas estrangeiros contribuem com a formação dos guias com aulas de inglês. “Tem um jovem americano que esteve no Pantanal pela primeira vez quando tinha 14 anos. Até hoje, 12 anos depois, ele vai lá dar aulas de inglês para os pantaneiros, para que eles recebam melhor os turistas.”

Amor às ONÇAS
Em meio ao turismo de natureza, Douglas passou alguns meses na África, na Tanzânia, Zâmbia e Uganda, em projetos de desenvolvimento ambiental sustentável. Na volta, passou a se dedicar especificamente à pesquisa para a preservação da onça-pintada no Pantanal.

Araçari-banana, outra espécie brasileira fotografada pelo ecologista 
 (Douglas Trent/Divulgação)

Araçari-banana, outra espécie brasileira fotografada pelo ecologista
Em parceria com o Instituto Chico Mendes (ICMBio), iniciou um trabalho de identificação de onças-pintadas na Estação Ecológica do Taiamã, às margens do Rio Paraguai, no Mato Grosso. Conseguiu fotografar e identificar 47 exemplares. A identificação é feita por meio de fotos das cabeças dos animais. Também registrou 29 indivíduos diferentes entre os grupos de ariranhas que habitam a reserva.

Esse trabalho foi concluído em 2008, mas em 2013, com o apoio da Petrobras, Douglas Trent implantou o projeto “Bichos do Pantanal”, para educação ambiental, observação das onças, e contagem de aves na região da Estação Taiamã. A iniciativa permitiu que cerca de 40 mil crianças das escolas de Cáceres e outros municípios tivessem aulas práticas de educação ambiental, com binóculos para observar aves e informações sobre a proteção das espécies.

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FONTE: Estado de Minas.


Estação foi inaugurada na lagoa para acelerar processo de despoluição.
Até a Copa do Mundo, água da lagoa vai poder receber esportes náuticos.

 

Estação de esgoto inaugurada na Pampulha (Foto: Pedro Triginelli / G1)Estação de esgoto inaugurada na Pampulha

A previsão da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) é que até dezembro deste ano 95% do esgoto que cai na Lagoa da Pampulha esteja sendo tratado. Uma estação com capacidade de bombear 24 milhões de litros de dejetos por dia foi inaugurada na Pampulha.

De acordo com o Walter Vilela, gestor do Meta 2014, oito grandes córregos deságuam na Lagoa da Pampulha. “As obras que estão sendo feitas em Belo Horizonte e Contagem vão ficar prontas até dezembro. Houve um atraso de cerca de seis meses por causa da remoção de famílias. Hoje, apenas 10% dessas famílias ainda apresentam problemas”, afirmou.

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Lagoa da Pampulha

Ainda segundo Vilela, o grande problema são os esgotos clandestinos, que correspondem aos 5% que a Copasa  não vai conseguir tratar. “A partir de dezembro vamos monitorar e caçar esses esgotos clandestinos”.

A Copasa, para acelerar o processo de despoluição da Lagoa da Pampulha, assumiu obras em Contagem e Belo Horizonte. Elas visam levar tratamento de esgoto para todas as casas na região da lagoa, além de algumas desapropriações.

O superintendente de tratamento de esgoto da Copasa, Eugênio Alves Lima, lembra que as prefeituras de Belo Horizonte e Contagem devem conscientizar a população para não jogar o esgoto de forma clandestina. “Você jogar o esgoto de forma clandestina é crime ambiental”, disse.

Após atingir a meta de 95% de tratamento do esgoto da lagoa, a responsabilidade de limpá-la fica com a Prefeitura de Belo Horizonte. Segundo Vilela, até a Copa do Mundo, a água vai estar em nível três, ou seja, em condições de receber esportes náuticos, mas não de nadar. Weber Coutinho, gerente de Planejamento e Monitoramento Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, disse que o processo de  licitação para o assoreamento da lagoa no valor de R$ 100 milhões deve estar finalizado em agosto.

O secretário-adjunto de obras de Contagem, Luiz Arnaldo Prata, disse que é necessária a conscientização da população. “Essa conscientização deve começar nas escolas”, explicou.

Todo o esgoto tratado na Lagoa da Pampulha vai ser enviado para o Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Onça.

FONTE: G1.


Pesquisa aponta mais um efeito danoso do excesso de esgotos na Lagoa da Pampulha: concentração do gás metano é a maior entre os 10 reservatórios analisados e aumenta o aquecimento global

Bolhas de gás metano, responsável por 20% do efeito estufa no planeta, se espalham por toda a lagoa, sinal do avanço da degradação ambiental. se inalada, substância pode causar asfixia, parada cardíaca e outros problemas de saúde

Não bastasse a degradação das águas pelo esgoto e a poluição na paisagem do principal cartão-postal de Belo Horizonte, a Lagoa da Pampulha também polui a atmosfera e contribui para o aquecimento global. Resultado direto da ação de bactérias sobre matéria orgânica em decomposição, segundo estudos para tese de doutorado desenvolvida no Laboratório de Limnologia, Ecotoxicologia e Ecologia Aquática (Limnea) da UFMG, o reservatório chega a expelir uma média diária de 413 miligramas de metano (CH4) por metro quadrado, atingindo picos de 1.852 miligramas.

Pampulha poluída

O gás é um dos piores vilões do aumento das temperaturas mundiais, segundo os cientistas. Em comparação com lagos muito maiores, o índice da Pampulha é 51% superior ao de Três Marias, o segundo com mais emissões de metano, que chega a 273 miligramas em média. A diferença entre os dois é que a Pampulha sofre com esgoto e Três Marias com a decomposição da mata inundada desde sua formação, em 1962.

O metano é um dos principais gases do efeito estufa, produto da decomposição da matéria orgânica em rios, lagos e reservatórios. “O potencial de aquecimento global do gás é de 21 a 25 vezes maior que o dióxido de carbono (CO2), devido ao seu tempo de permanência na atmosfera e a propriedades radiativas. A concentração do metano na atmosfera dobrou em 250 anos, sendo responsável por 20% do efeito estufa”, calcula o orientador da pesquisa científica, professor de limnologia (ciência que estuda as águas interiores) José Fernandes Bezerra Neto. Segundo ele, o impacto da Pampulha é comparativamente menor que os grandes lagos de barragens hidrelétricas, mas mostra a continuidade dos danos da poluição pelo esgoto.

No caso da Pampulha o esgoto está presente em todo o espelho d’água de 2 quilômetros quadrados, como mostrou o Estado de Minas no último dia 14. Segundo o mais recente laudo do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) 100% das amostras coletadas para avaliação da qualidade das águas continham coliformes fecais acima dos parâmetros tolerados pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). A presença desses micro-organismos é associada ao despejo ilegal de grande volume de esgoto diretamente nos afluentes que abastecem o lago.

Alerta ainda para a situação dos rios, já que o Igam informou que 77% das amostras nos cursos d’água mineiros também estavam com contaminação acima do permitido pelos mesmos motivos. “Isso é um aviso. Mostra que a poluição não se resume ao rio ou lago, aos animais que lá vivem. O impacto da liberação dos gases polui a atmosfera e ajudando a aumentar a temperatura global”, lembra o professor.

A pesquisa, iniciada pelo doutorando em ciências biológicas Nelson Azevedo Santos Teixeira de Mello e que tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), começou em 2011 e deve se estender até 2015.

ILHA DOS AMORES Para coletar amostras de metano foram usados recipientes flutuantes em forma de funil que servem para captar as bolhas do gás liberadas pelas bactérias que decompõem a matéria orgânica depositada pelo esgoto no fundo do lago. “Essas bolhas são visíveis a olho nu e se espalham por todo o espelho d’água. A maior concentração é no entorno da Ilha dos Amores, local mais assoreado onde a profundidade chega a poucos centímetros”, afirma Mello.

Em comparação com as emissões de um lago não poluído, o Dom Helvécio, no Parque Nacional do Rio Doce, a diferença que o esgoto faz fica nítida. A média diária de emissões de metano foi de apenas 1,51 miligrama por metro quadrado no reservatório sem poluição. “O gás é produzido e consumido naturalmente pelos ecossistemas. O que estamos mostrando é como essa injeção de esgotos aumenta e descontrola a produção de metano, causando um desequilíbrio”, aponta o doutorando. Se inalado, o metano causar asfixia, parada cardíaca e outros problemas de saúde.

Não é difícil ver esse fenômeno. O estalar do gás sobre a película líquida lembra um chuvisco breve. Os locais onde esse fenômeno mais fica evidente são os remansos do Parque Ecológico da Pampulha, a poucos metros da foz dos córregos Sarandi e Ressaca, corpos d’água que mais poluem o lago. Ali, as placas grossas e malcheirosas de matéria orgânica e algas conseguem prender as bolhas por mais tempo, formando uma composição grotesca que amplia a sensação de degradação.

E a causa de tudo isso pode ser vista depositada no fundo e nas margens: sacos plásticos, restos de alimentos, embalagens, recipientes de limpeza, preservativos, peças de automóveis e outros materiais. No meio desse lixo, espécies da fauna e da flora locais tentam sobreviver. Pássaros fazem ninhos e mergulham entre as massas espessas. Capivaras se banham para espantar o calor e cágados parecem estar se afogando na água poluída e repleta de vermes.

LAGOA PODE VIRAR ETE

A fim de impedir o lançamento de esgotos na lagoa e interromper o desequilíbrio na emissão de metano, a Copasa informou que trabalha em parceria com as prefeituras de BH e Contagem e “elaborou um programa com intervenções em córregos, vilas e favelas visando implantar redes coletoras de esgotos e interceptores, para retirar os lançamentos indevidos de esgoto nas sub-bacias da Pampulha”. Com investimentos de R$ 102 milhões, a expectativa é que sejam implantados mais de 40 mil metros de redes coletoras, 15 mil metros de interceptores, além da urbanização de córregos. O esgoto canalizado será enviado à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Onça.

As medidas anunciadas pela prefeitura para cumprir a Meta 2014, que é tornar a água da Pampulha adequada para contato indireto e esportes náuticos, no entanto, foram criticadas por transformar o lago numa grande tanque similar a uma ETE. A comparação é do professor de limnologia da UFMG, José Fernandes Bezerra Neto. “O que se pretende fazer é oxigenar a água com hélices e fazer o mesmo tipo de tratamento que as ETEs fazem. Isso, qualquer engenheiro sanitário consegue fazer. O problema é que não sabemos o impacto na fauna e na flora, porque a Pampulha não é uma ETE, mas um lago”, afirma.

O processo programado para a Pampulha foi preparado para acelerar a despoluição. “No Lago Paranoá, em Brasília, houve despoluição gradativa que levou cinco anos. Aqui estamos tomando medidas drásticas de impactos perigosos para a Copa do Mundo”, critica. Até este mês, a PBH espera lançar o edital para dragar o fundo da lagoa. Segundo o gerente de Planejamento e Monitoramento Ambiental, Weber Coutinho, serão extraídos 750 mil metros cúbicos de sedimentos e lixo. Depois será introduzido oxigênio nas águas por hélices de máquinas aeradoras. Em seguida, uma biorremediação, que povoará o lago com micro-organismos que se alimentam dos poluentes. O custo é de R$ 120 milhões. “São processos que não trarão impactos ao ecossistema. Os micro-organismos usados são naturais e não trarão desequilíbrio”, garante.

FONTE: Estado de Minas.



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