Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Jovens invadem mineradora em Paracatu para furtar ouro e morrem dentro de tubulação

Os dois homens estavam com outras 13 pessoas no local. Eles acabaram asfixiados por gás. O restante do grupo fugiu do local

A tentativa de furtar ouro de uma mineradora em Paracatu, na Região Noroeste de Minas Gerais, terminou em tragédia. Aproximadamente 15 pessoas entraram na tubulação da empresa que leva os rejeitos de minério até uma barragem. Porém, dois jovens, de 25 e 22 anos, passaram mal e morreram no local. Autoridades afirmam que a ação é recorrente na área.

Os garimpeiros invadiram a área da empresa Kinross Gold Corporation na noite de segunda-feira. Porém, quando o grupo estava na tubulação, dois jovens desmaiaram, possivelmente por causa do vazamento de gás. O Corpo de Bombeiros de Unaí foi acionado para fazer o resgate.

A tubulação onde ficaram presos tem aproximadamente um quilômetro de extensão. Os militares tiveram dificuldades para chegar até os corpos. “É um local de difícil acesso, com visibilidade prejudicada e presença de gases. Tivemos que utilizar equipamentos de proteção respiratória ao entrar no tubo. Chegamos a ouvir vozes, mas não conseguimos localizar ninguém”, explica o segundo-sargento Higor Gonçalves Mourão.

As buscas foram suspensas por causa dos riscos que os militares corriam, mas foram retomada na manhã de terça-feira. “Havia muitos rejeitos com água descendo pela tubulação. Para preservar a integridade física, abortamos a operação e voltamos mais tarde, quando algumas comportas foram desligadas e o local estava ventilado. No retorno, conseguimos chegar até os dois corpos”, afirmou o segundo-sargento. Segundo o bombeiro, a causa das mortes é asfixia por gás.

A prática na região é recorrente, segundo as autoridades. “As pessoas adentram a área da empresa sem autorização. Nessas canalizações que dão acesso à área onde é produzida a matéria bruta e se faz o despejo na represa eles colocam uma espécie de carpete para armazenar os rejeitos. Depois é feita uma lavagem química para retirar o minério e o ouro”, comenta Higor Mourão.

O em.com.br tentou contato com a mineradora, mas até a publicação desta reportagem, ninguém atendeu as ligações.

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FONTE: Estado de Minas.


Tiradentes-3

Fala inicial

Não posso mover meus passos,
por esse atroz labirinto
de esquecimento e cegueira
em que amores e ódios vão:
– pois sinto bater os sinos,
percebo o roçar das rezas,
vejo o arrepio da morte,
à voz da condenação;
– avisto a negra masmorra
e a sombra do carcereiro
que transita sobre angústias,
com chaves no coração;
– descubro as altas madeiras
do excessivo cadafalso
e, por muros e janelas,
o pasmo da multidão.

Batem patas de cavalos.

Suam soldados imóveis.

Na frente dos oratórios,
que vale mais a oração?

Vale a voz do Brigadeiro
sobre o povo e sobre a tropa,
louvando a augusta Rainha,
– já louca e fora do trono –
na sua proclamação.

Ó meio-dia confuso,
ó vinte-e-um de abril sinistro,
que intrigas de ouro e de sonho
houve em tua formação?

Quem ordena, julga e pune?
Quem é culpado e inocente?
Na mesma cova do tempo
cai o castigo e o perdão.

Morre a tinta das sentenças
e o sangue dos enforcados…
– liras, espadas e cruzes
pura cinza agora são.

Na mesma cova, as palavras,
o secreto pensamento,
as coroas e os machados,
mentira e verdade estão.
Aqui, além, pelo mundo
ossos, nomes, letras, poeira…

Onde, os rostos? onde, as almas?

Nem os herdeiros recordam
rastro nenhum pelo chão.

Ó grandes muros sem eco,
presídios de sal e treva
onde os homens padeceram
sua vasta solidão…

Não choraremos o que houve,
nem os que chorar queremos:
contra rocas de ignorância
rebenta a nossa aflição.

Choramos esse mistério,
esse esquema sobre-humano,
a força, o jogo, o acidente
da indizível conjunção
que ordena vidas e mundos
em pólos inexoráveis
de ruína e de exaltação

Ó silenciosas vertentes
por onde se precipitam
inexplicáveis torrentes
por eterna escuridão!

 

Romanceiro

 

Romance XI ou do punhal e da flor

Rezando estava a donzela,
rezando diante do altar.
E como a viam mirada
pelo Ouvidor Bacelar!

Foi pela Semana Santa.
E era sagrado, o lugar.

Muito se esquecem os homens,
quando se encantam de amor.
Mirava em sonho, a donzela,
o enamorado Ouvidor.
E em linguagem de amoroso
arremessou-lhe uma flor.

Caiu-lhe a rosa no colo.
Girou malícia pelo ar.

Vem, raivoso, Felisberto,
seu parente, protestar.

Era na Semana Santa.
E estavam diante do altar.

Mui formosa era a donzela,
E mui formosa era a flor.
Mas sempre vai desventura
onde formosura for.

Vede que punhal rebrilha
na mão do Contratador!

Sobe pela rua a tropa
que já se mandou chamar.

E era à saída da igreja,
depois do ofício acabar.
Vede a mão que há pouco esteve
contrita, diante do altar!

Num botão resvala o ferro:
e assim se salva o Ouvidor.

Todo o Tejuco murmura,
– uns por ódio, uns por amor.
Subir um punhal nos ares,
por ter descido uma flor!


7: 55 - O avião trazendo o cantor aterrissa no aeroporto internacional de Confins (Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
7: 55 – O avião trazendo o cantor aterrissa no aeroporto internacional de Confins

Beatlemania. O termo cunhado para definir o frenesi dos fãs dos Beatles mundo afora deixou ontem de ser apenas uma palavra distante para se misturar à paisagem de Belo Horizonte. E ela chegou na bagagem do astro inglês Paul McCartney, que aterrissou ontem no aeroporto internacional de Confins arrastando consigo a adoração de fãs não apenas mineiros, mas de gente que veio de longe para assistir à abertura mundial da turnê Out there, hoje, às 21h30, no Mineirão. Maníacos de todo o Brasil, de outros países, contemporâneos do auge do quarteto de Liverpool, seus filhos, sobrinhos, ou apenas gente que não precisou da família para aprender a gostar deles. E, claro, de Paul.

E o astro não se fez de rogado. Em todas as suas movimentações pela cidade, não deixou de fazer a alegria de fãs e fotógrafos, profissionais ou amadores. Ente eles Eduardo Franzato, de 17 anos, que reinventa o fanatismo por Paul. De Cianorte, na Região Noroeste do Paraná, ele enfrentou cerca de 1.200 quilômetros para ver o músico pela quarta vez. Mesmo se hospedando no mesmo hotel do ídolo, o sonho de vê-lo de perto nunca havia se concretizado. Até ontem. Persistente, depois de três horas de plantão o jovem conseguiu avistá-lo. “Não tem como não se arrepiar”, vibra ele, já com entrada garantida no segundo e último ensaio: pagou US$ 1.300 para acompanhar a passagem de som, além dos R$ 600 do ingresso para a pista premium.

Veja, ouça, cante junto:

A retribuição de Paul à adoração dos fãs foi demonstrada logo cedo. Britanicamente, cinco minutos antes do previsto o avião trazendo o astro inglês tocava solo mineiro, às 7h55, procedente de Luton, na Inglaterra. Às 8h52, o comboio com três veículos de luxo cedidos pela montadora Chrysler para a turnê do Brasil partiu em direção ao hotel, no Bairro Palmares, Nordeste da capital. Paul não deixou os jornalistas na mão e mudou de lado no veículo para acenar para os fotógrafos. Com a mulher, Nancy Shevell, ele apareceu na janela usando óculos escuros.

Logo que chegou ao Hotel Ouro Minas, o cantor preferiu a entrada da Avenida Bernardo Vasconcelos, driblando muitas pessoas que aguardavam na Cristiano Machado. Outro aceno para o público, gesto que o músico repetiria ao deixar o hotel rumo ao primeiro ensaio no Mineirão e ao chegar ao estádio para a passagem de som.

Horas depois da chegada do comboio, surgiu o boato de que Paul estaria andando de bicicleta pela cidade. Porém, ele não foi encontrado e apenas duas pessoas do staff foram vistas testando bicicletas ao redor do hotel. A equipe do EM conversou com um deles, que confirmou ser amigo do beatle e elogiou a cidade. Perguntado se faria companhia ao astro britânico em um passeio, se esquivou. “Não posso dizer se ele virá. Estou apenas testando a cidade.”

Teve fã que se hospedou no próprio Ouro Minas para ficar mais perto do ídolo. Foi o que fez Anderson Alves, com Luana Ferreira e o marido dela, Hugo Alves. O grupo fica até domingo, pagando ao todo R$ 1,5 mil – isso sem falar dos ingressos de US$ 1,3 mil que Anderson e Luana comparam para ficar na chamada hot sound, que dá direito a assistir também a um ensaio de Paul na tarde de hoje.
Com 19 anos e três shows do astro no currículo, Gustavo Luiz Ferreira não pensou no mesmo. Havia chegado ao hotel pouco antes das 7h e ficou satisfeito ao ver o ídolo de perto. O estudante de sistemas de informação da USP chegou a BH na terça-feira e foi direto acampar diante do Mineirão, onde se orgulha de ser o segundo da fila. Depois de ver Paul, Gustavo tentou, de todo jeito, conseguir uma vaga no hotel, sem sucesso: tudo lotado.

PERSEVERANÇA Mas quem ficou na vigília não desanimou. Um fã que não arredou pé da porta do hotel foi Ricardo Perez. O professor, de 45 anos, veio de Muriaé, portando banner com um desenho de Paul. O objeto é reprodução de um quadro, feito em 1997 pelo artista Virgílio Tavares. De acordo com Ricardo, ele conseguiu entregar a obra para o ídolo em Recife, onde o músico se apresentou no ano passado.

O grupo foi crescendo até o fim da tarde, quando começou a movimentação para a partida do cantor rumo ao Mineirão, para o primeiro ensaio. Os músicos da banda saíram pela porta da frente. Às 17h30, em uma manobra, Paul saiu pelos fundos do hotel, protegido por escolta. Pouco depois o comboio já chegava ao estádio. A passagem relâmpago foi suficiente para emocionar Milena Megre, de 15 anos. E a primeira coisa que ela fez foi ligar para o pai, Oswaldo: “Eu vi o Paul. Estou dizendo: eu o vi e ele é lindo!”.

No fim do ensaio, uma multidão já aguardava a saída do beatle do Mineirão, na Avenida Abrahão Caram, entre eles Marcelo Bueno, de 39, de São José dos Campos (SP), que veio com o filho Matheus Bueno, de 11, para se hospedar na casa do sogro. “Este é o terceiro show a que eu vou. A música do Paul é inigualável”, disse o garoto, que aprendeu com o pai a ouvir Beatles desde cedo e sabe tocar algumas músicas do quarteto inglês ao violão. Às 20h15, os fãs começaram a gritar em coro “hey, Jude”, quando passou uma van, possivelmente com a equipe da produção, tirando fotos do público. Minutos depois, o delírio com a esperada passagem do astro. Simpático, ele saiu dando adeus pela janela do carro. Um até breve para milhares de fãs que esgotaram ontem os últimos ingressos para a inédita oportunidade de ver e ouvir o ídolo, contando os minutos para Out there. Serão os primeiros do mundo a ter esse privilégio.

Paul

Confira o mapa do show: COMO ENTRAR NO MINEIRÃO.

Paul 2

FONTE: Estado de Minas.



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