Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Quem faz percurso de ida e volta na linha metropolitana 3992, entre Itaguara e a capital, passa mais de quatro horas e meia dentro do ônibus, no trajeto mais longo da Grande BH

 

O dia ainda está amanhecendo quando os passageiros embarcam em Itaguara. O trajeto só 
será concluído depois das 8h, na capital (Túlio Santos/EM/D.A. Press)O dia ainda está amanhecendo quando os passageiros embarcam em Itaguara. O trajeto só será concluído depois das 8h, na capital
Itaguara – Joana D’Arc Cássia faz mesmo jus ao nome de guerreira, inspirado na heroína francesa que lutou contra os ingleses na Guerra dos 100 anos. Mãe de uma adolescente, ela acorda às 4h15, prepara o café para a família e caminha 20 minutos até o ponto inicial do ônibus. A diarista é uma das passageiras da linha mais longa do transporte público metropolitano. Os 100 quilômetros de Itaguara, na região metropolitana, onde mora, a Belo Horizonte, onde trabalha, são percorridos, quando não há imprevistos, em duas horas e 15 minutos.

Diariamente, levando-se em conta a ida e a volta, os usuários passam pelo menos quatro horas e meia no 3992. “O ônibus parte às 5h30. Chego em casa por volta das 21h. Converso com minha filha, arrumo coisas… Por isso, durmo tarde. Às 4h15, no entanto, estou em pé novamente. Não é fácil dormir poucas horas”, contou a diarista. Ela aproveita a longa viagem para repôr parte do sono.

Os passageiros da linha mais extensa do transporte público metropolitano convivem com várias situações estranhas aos passageiros da capital. Começa pelo preço da passagem: R$ 16,20. O valor é 338% maior que o da principal tarifa na capital: R$ 3,70. A diferença pesa no orçamento de Joana D’Arc. Quase R$ 720 mensais.

No ponto de embarque em BH, na Rua Tupinambás, usuários convivem com lixo e falta de sinalização
 (Túlio Santos/EM/D.A. Press)
No ponto de embarque em BH, na Rua Tupinambás, usuários convivem com lixo e falta de sinalização

“Ainda assim vale a pena. O preço da diária no interior é em torno de R$ 70. Em Belo Horizonte, R$ 140”, comparou. Descontando-se os R$ 32,40 com as passagens de ida e volta, ela fica com R$ 107,60 – 54% a mais do que ganharia em Itaguara. Já a cozinheira Maria da Conceição se rendeu ao preço da tarifa e ao tempo das viagens e não faz o itinerário de todo dia entre a capital e a cidade onde mora..

Para economizar parte do salário e não se cansar diariamente com as longas viagens, ela optou por alternar as noites entre BH e Itaguara. “Tenho três filhos. Gostaria de ter a companhia deles todos os dias, mas, infelizmente, não posso. Durmo uma noite no local em que trabalho e a seguinte, em minha casa”, disse a mulher enquanto observava seu José, um aposentado que ganha a vida negociando roupas, embarcar no coletivo.

O lamento dele é impensável para os usuários do transporte público nas grandes cidades. “Quem perde o coletivo das 5h30 precisa embarcar numa linha que vai para Contagem, mas que parte depois das 9h. Nesse caso, para chegar à capital, a pessoa terá de completar a viagem no metrô ou em outro ônibus lá de Contagem”, reclamou, ponderando que, às sextas-feiras, devido à demanda, o 3992 faz uma viagem extra.

MUSEU SAGARANA O local de embarque em Itaguara fica em frente a um dos cartões-postais da cidade, o Museu Sagarana, inaugurado, em 2012, em homenagem à memória do escritor Guimarães Rosa (1908-1967). O autor de Grande sertão: veredas exerceu a medicina no município antes de migrar para a diplomacia e ganhar fama internacional com a literatura. O museu dá um charme especial ao ponto inicial do 3992.

Por sua vez, a situação é completamente oposta no principal ponto da linha em BH. Os coletivos estacionam num quarteirão da Rua Tupinambás em que não há sequer uma placa informativa. “Quem usa o ônibus pela primeira vez fica perdido. A pessoa procura o ponto, mas não encontra porque a sinalização faz falta mesmo. O poder público precisa resolver isso”, cobra dona Ivone, que divide a semana entre sua casa em BH e o sítio da família, em Itaguara.

Ela gosta de apreciar a vista ao longo do trajeto, sobretudo quando o coletivo sobe e desce as serras próximas a Igarapé e Rio Manso, na Grande BH. O mesmo percurso que proporciona a dona Ivone uma vista agradável a faz ficar sempre em alerta. É que a maior parte do caminho é na Fernão Dias, uma rodovia duplicada, mas com curvas perigosas e palco de constantes acidentes.

“Já vi muitos”, disse Donizete Albano, motorista da linha há três anos. Mas o que o mais o irrita é a lentidão ao longo da Avenida Amazonas. Na ida e na volta, o ônibus 3992 passa pelo corredor no horário de pico, quando as retenções são comuns. “Não tem outro jeito. É ter paciência!”, recomendou o condutor. Pelo menos nesse caso, o problema dos usuários do 3992 é o mesmo enfrentado pelos passageiros da maioria das linhas da capital.

O motorista Donizete Albano trabalha na linha há três anos e reclama principalmente da lentidão do trânsito na Avenida Amazonas (Túlio Santos/EM/D.A. Press)
O motorista Donizete Albano trabalha na linha há três anos e reclama principalmente da lentidão do trânsito na Avenida Amazonas

• Bons amigos de viagem

Mais de duras horas em cada viagem é tempo suficiente para uma pessoa a bordo do 3992 puxar assunto com outra. Cris, cobradora há 13 anos na linha, está sempre disposta a papear com quem gosta de ouvir bons casos. Carismática, ela recebe agrado de vários passageiros. “Acabei de ganhar um pão de queijo”, mostrou a funcionária.

Ela faz questão de dizer bom dia às pessoas e oferecer ajuda ao motorista em algum imprevisto, como limpar o vidro dianteiro sujo durante a viagem. “A gente acaba conhecendo quase todos os passageiros. Tem gente que me presenteia com laranja, mexerica…”.

O volume das conversas, muitas vezes, é baixo, pois parte dos usuários aproveita a longa viagem para dormir, sobretudo aqueles que embarcam no coletivo das 5h30.

Mas nem toda lembrança de Cris a faz sorrir. Ela estava no ônibus que, em 2013, foi parado por três criminosos armados. Eles jogaram gasolina no interior do veículo e o incendiaram.

“A ordem partiu de um presídio. Havia umas 20 pessoas no ônibus. Ninguém se feriu, mas foi assustador. Colocaram fogo com a gente dentro”. Em outras duas ocasiões, recorda a cobradora, o dinheiro da bilheteria foi levado por assaltantes.

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FONTE: Estado de Minas.


Guardas municipais em greve instauram o caos na capital e deixam motoristas indignados. PBH decreta situação de emergência e pode substituir agentes, que ameaçam mais protestos

Manifestantes que começaram a protestar na Avenida dos Andradas fecharam a Praça Sete antes de seguir para a Afonso Pena, diante da sede da Prefeitura de BH...  (GLADYSTON RORIGUES/EM/D.A Press)
Manifestantes que começaram a protestar na Avenida dos Andradas fecharam a Praça Sete antes de seguir para a Afonso Pena, diante da sede da Prefeitura de BH…
...enquanto congestionamentos se espalhavam pela Avenida Amazonas e pelo Complexo da Lagoinha, travando a Antônio Carlos (acima) e repercutindo em toda a cidade (JAIR AMARAL/EM/D.A Press)
…enquanto congestionamentos se espalhavam pela Avenida Amazonas e pelo Complexo da Lagoinha, travando a Antônio Carlos (acima) e repercutindo em toda a cidade

Integrantes da corporação responsável por organizar o trânsito em Belo Horizonte e por cuidar da preservação de prédios e espaços públicos participaram ontem de protestos que travaram o tráfego, espalharam infrações por toda a capital e testaram a paciência dos cidadãos durante o dia inteiro. Cerca de mil guardas municipais começaram sua manifestação na Avenida dos Andradas, deslocaram-se para a Afonso Pena, no Centro, e pararam a Praça Sete nos dois sentidos antes de seguir para a frente da prefeitura, onde se concentraram. Enquanto os manifestantes reivindicavam melhorias para a categoria, o trânsito na cidade parava progressivamente. A lentidão atingiu todo o hipercentro, se alastrou pela Avenida Amazonas e pelo Complexo da Lagoinha até chegar às avenidas Antônio Carlos, Cristiano Machado e Pedro II, além das vias e bairro vizinhos, inclusive a região hospitalar. No fim da tarde, os mesmos manifestantes invadiram a sede da Guarda, causando mais confusão. A gravidade da situação foi tamanha que levou a administração municipal a decretar situação de emergência e ameaçar convocar pessoal para substituir servidores que deixarem seus postos.

Durante os protestos, agentes da BHTrans e do Batalhão de Trânsito da PM tentaram sem sucesso organizar o caos. Enquanto os servidores da Guarda fechavam vias vitais para a cidade, inclusive acessos a hospitais, motoristas irritados buzinavam e avançavam sobre canteiros centrais de vias como a Afonso Pena para tentar fugir do engarrafamento. Mas muitos não tinham saída. Ângelo Gontijo, de 19 anos, gastou mais de uma hora e meia entre BH e Betim, trajeto que normalmente consumiria a metade do tempo. “Acho um desrespeito com os moradores da cidade. Todos têm que buscar seus direitos, mas sem atrapalhar os outros”, afirmou. Ivan Batista, de 57, se mostrava impaciente. “Gastei meia hora da Andradas até a Rua da Bahia, quando o normal seriam cinco minutos. É um absurdo”, disse. Para ele, as manifestações precisam ocorrer em lugares que não prejudiquem a cidade.

Os manifestantes querem recomposição salarial referente a cinco anos, concurso público, armamento, mais viaturas e coletes, além da saída de policiais militares reformados que, segundo o diretor do Sindicato das Guardas Municipais de Minas Gerais (Sindiguarda) Wellington José Nunes Cesário, ocupam cerca de 200 cargos na corporação. “A recomposição prometida foi de 13,92% mais 27% de defasagem, e isso não foi cumprido”, afirmou. Hoje são 2.324 guardas municipais e há um estudo para um concurso público com mais 500 vagas. Mas, para o sindicalista, a demanda é duas vezes maior. Na noite de ontem a categoria decretou greve por tempo indeterminado, com possibilidade de mais protestos.

A Prefeitura de BH informou que a Guarda tem 18 profissionais egressos da PM e que não há impedimento legal para eles atuarem. “A inserção desses profissionais é criteriosa e considera sua formação e capacidade de gerenciamento”, informa a nota. Sobre o porte de armas, informou que a instituição está se adequando às exigências do Estatuto do Desarmamento. Quanto à recomposição salarial, a administração sustenta que de 2007 a 2012 foi concedido reajuste de 83,75% aos guardas, contra a inflação acumulada de 39,83%. Projeto de lei tratando do próximo reajuste está em tramitação no Legislativo municipal, sustenta a PBH.

FONTE: Estado de Minas.


Motoristas precisaram de paciência para vencer congestionamento na capital

 

Protesto de professores estaduais fechou a Avenida Antônio Carlos às 18h (Alexandre Guzanshe/EM/DA Press)
Protesto de professores estaduais fechou a Avenida Antônio Carlos às 18h

Os torcedores que prestigiaram o amistoso entre Brasil e Chile nesta quarta-feira e os trabalhadores que apenas precisavam passar pela Região da Pampulha na volta para a casa sofreram com trânsito de Belo Horizonte. No primeiro grande teste do novo Mineirão durante um dia útil, a capital mineira viu as duas avenidas que ligam o Centro ao estádio travarem com o protesto de professores da rede estadual de educação e com o grande fluxo de veículos.

Por volta de 18h, manifestantes do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) fecharam as quatro faixas da Avenida Antônio Carlos. A BHTrans fez um desvio por uma rua lateral para diminuir a retenção do trânsito, o que não evitou o congestionamento. Os motoristas também foram orientados a dar preferência para a Avenida Presidente Carlos Luz, a Catalão, que também travou com o excesso de carros.

Somados, os congestionamentos nas duas avenidas chegaram a formar uma fila de aproximadamente dez quilômetros dentro da cidade. Para conseguir chegar ao estádio, o ônibus da Seleção Brasileira precisou ser guiado por viaturas pela contramão da Carlos Luz.

FONTE: Estado de Minas.


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