Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Médica mineira solta o verbo nas redes sociais

Entre o ritmo do consultório em Pará de Minas e a ginga nos palcos de BH, doutora mostra veia de escritora e atrai seguidores com histórias vividas no atendimento à comunidade

 Jair Amaral/EM/D.A Press


Pará de Minas –
A médica Júlia Maria Simão da Rocha, de 32 anos, já se acostumou a ter vida dupla. “Meu marido sabe e me incentiva muito”, diverte-se a belo-horizontina residente em Pará de Minas, na Região Centro-Oeste do estado, que, além de profissional especializada em medicina de família e comunidade, é sambista e vai fundo na carreira de cantora. Há um ano, Júlia Rocha, como é mais conhecida, ganhou público em outra área, a internet, ao escrever pequenas histórias numa rede social sobre cenas presenciadas e vividas na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bairro Providência. “Agora tenho vida tripla, até me surpreendo com a quantidade de visualizações. O primeiro post (texto) teve 33 mil curtidas”, conta a médica, cantora e escritora, com tempo apenas na hora do almoço para falar da vida e dos planos.
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Na sexta-feira, Júlia contou que a tarde seria um pouco mais calma. “Chego a atender 30 pessoas por dia. Saio moída do consultório, mas a música me recupera totalmente. Medicina causa desgaste físico e mental; o samba tem leveza, me revigora”, diz a médica, sempre de ouvidos bem abertos para, ao lado do marido Átila Souza, administrador e músico, ouvir Cartola, Noel Rosa, Pixinguinha, Caetano Veloso, Chico Buarque e Arlindo Cruz. “Gosto de Música Popular Brasileira (MPB) de qualidade e minha voz preferida será sempre Marisa Monte”, revela, enquanto, de brincadeira, transforma o estetoscópio em microfone e mostra talento com os versos da artista favorita: “Dentro de cada pessoa/Tem um cantinho escondido/Decorado de saudade/Um lugar pro coração pousar/Um endereço que frequente sem morar…”.

 Arquivo Pessoal

Para conhecer melhor Júlia, é preciso dividir sua história em três partes, sem qualquer nota dissonante entre elas, pois os momentos se completam. Formada em medicina em Pouso Alegre, no Sul de Minas, ela alternou o curso com a apresentação em bares. “Nos primeiros quatro anos, eu já trabalhava e, na sexta-feira à tardinha, pegava o ônibus para Belo Horizonte a tempo ainda de cantar na noite. No domingo, voltava para Pouso Alegre e a semana transcorria normalmente”, afirma.
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Ao se formar, há cinco anos, Júlia decidiu fazer residência no Hospital Odilon Behrens, na capital, e escolheu como especialidade a medicina de família e comunidade, uma grande paixão e que, ao ser mencionada, faz os olhos verdes brilharem sob as lentes. “Quando canto, tiro os óculos, viu?”, comenta, antes de citar o pai, médico-cirurgião, como principal influência na definição desse caminho. “A medicina da família cria laços, vínculos, abre as portas para o sistema de saúde. A gente acompanha o paciente o tempo todo, se envolve, se emociona, telefona, quer saber sobre o estado, enfim, está presente na vida dele. O médico da família, na verdade, é um bom comunicador”, resume Júlia, que chegou a estudar um ano de jornalismo na PUC Minas.
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HORÁRIO INTEGRAL
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Na Unidade Básica de Saúde, a médica trabalha das 7h às 16h e, algumas vezes, para relaxar, solta a voz bem baixinho em algum canto. Mas sexta-feira é sagrado. Ao terminar o serviço, ela e Átila pegam a estrada em direção a BH para se apresentarem em bares e festas. “Me considero uma cantora profissional, quero construir uma carreira, gravar CD, fazer shows Brasil afora”, avisa, com o pensamento fixo na cadência bonita do samba. “Sabe que, às vezes, quando vejo um show meu gravado em vídeo, fico achando que não sou eu?”, ressalta a médica, arrumando mais uma vez a cabeleira. “Alguns pacientes falam que tenho cara de artista. Já tive fios lisos, mas depois deixei crespos. Foi uma libertação”, confessa.
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A terceira fase da vida tem a ver com as palavras escritas. Leitora contumaz que anda meio sem tempo para ler tudo o que gostaria, Júlia conta que, desde criança, tem amor pela redação. E a inspiração brotou há um ano, quando atendeu um homem de 57 anos, com câncer no fígado (leia o texto nesta página). “Procuro dar um olhar humano à história, longe do caráter biomédico. É tipo uma crônica do cotidiano. Nesse caso específico, que mexeu muito comigo, foi quase como um desabafo”, conta Júlia, que se surpreendeu com as 10 mil pessoas que compartilharam o post – “gente do Piauí, do Acre”. Hoje, explica que já perdeu a conta do número de textos publicados na internet. “No início, amigos me cobravam um novo post. Agora, estão me cobrando um livro. Quem sabe?”, conta, com um sorriso simpático.
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O almoço termina e é hora de voltar para o batente. “Nunca tenho tempo para o lazer, meu descanso é mesmo cantar, compor e ouvir o som do pandeiro, cavaquinho e tan tan e da viola de sete cordas. Também não tenho preconceito com ritmos, pois música tem função social. Ouço do funk ao pagode, embora tenha meus eleitos na MPB”, reitera. De volta ao consultório, a doutora Júlia recebe com doçura, na porta, uma jovem paciente, sem perder o ritmo e a ginga que a transformam completamente sob as luzes do palco.

 Jair Amaral/EM/D.A Press

Uma consulta
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Cena descrita por Júlia Rocha em sua estreia na internet
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Daí, que um paciente de 57 anos entra no consultório, de cabeça baixa, e me conta que há 5 meses vem perambulando de médico em médico no seu convênio sem solução do seu problema:
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Paciente:
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“Eu fico pensando, em casa, nas coisas que eu quero falar para o médico mas, quando chega a hora da consulta, não dá tempo. O médico me pediu exame sem me examinar e disse que o que eu tenho é pedra nos rins. Disse que eu tenho que operar, me deu um remédio pra dor e pediu mais exames.”
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Eu:
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“E por que o senhor não falou o que precisava falar?”
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“Fico sem jeito, porque esse negócio de dinheiro é complicado. Ele precisa chamar mais gente, né. Eu não posso tomar muito do tempo dele.”
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“Então, hoje, eu quero que o senhor fale tudo que o senhor pensou em casa. Pode ser?”
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“Estou emagrecendo muito e sentindo muita dor na barriga (…)”, queixou-se ainda de sintomas urinários.
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Examinando… uma tristeza atrás da outra. Massa abdominal dura feito pedra e um fígado enorme… Emagrecimento de 17 quilos nos últimos 4 meses, sem ter feito esforço para isso. Pra quem não é médico, um paciente consumido, provavelmente, por câncer.
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E o pior ainda está por vir:
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Depois de 25 minutos de consulta, VINTE E CINCO MINUTOS, orientações feitas, exames pedidos com prioridade máxima, estendo minha mão e digo: “Temos um caminho longo pela frente, mas estaremos juntos, certo?!”
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E ele me respondeu: “Esta foi a consulta mais longa da minha vida. E se eu passar ao seu lado na rua, você vai me reconhecer, né. Porque você olhou no meu rosto o tempo todo. Isso é legal… (olhos marejados – e eu também). Doutora, ninguém nunca examinou minha barriga. Muito obrigado!”
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E eu pensei: “Eu que te agradeço…” Ele saiu, eu fechei a porta, chorei 3 minutinhos (pensando na minha vida) e chamei o próximo.
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E viva a MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE, que me ensinou que posso chorar, só um pouquinho, levantar a cabeça e chamar o próximo. Sempre haverá o próximo. E desta vez, o próximo era uma criança linda e saudável!
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Amém!
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Em tempo: isso foi um desabafo… faço isso, às vezes, pra não ficar doente. Não é uma crítica a nenhum colega em especial, mas dá pra ver que grande parte da tecnologia que precisamos pra ajudar nossos pacientes está em nós.

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FONTE: Estado de Minas.


 

Life Center febril
Hospital demite de uma só vez mais de 100 funcionários e preocupa pacientes internados.
Ajustes são a justificativa

Hospital-Life-Center

Por trás da fachada imponente, sinais de crise se instalam nos corredores do Hospital Life Center, instituição que acaba de completar 12 anos de funcionamento no Bairro Serra, região nobre da capital. De uma só vez o hospital cortou mais de 100 funcionários, enxugando mais de 10% do seu quadro, o que não inclui o corpo clínico. A demissão em massa de pelo menos 127 funcionários, sendo 50% deles ligados à enfermagem, foi homologada na manhã de ontem na Delegacia Regional do Trabalho (DRT) e por enquanto não houve substituições. O hospital atende exclusivamente usuários de planos de saúde e particulares, demanda que é crescente na capital, uma vez que em Belo Horizonte perto de 55% da população é usuária dos convênios médicos. 

Do Pronto Atendimento ao Centro de Terapia Intensiva, passando pela internação, um clima de incerteza assusta funcionários e coloca familiares de pacientes em alerta. O corte ocorreu após troca de comando na instituição, na qual o ex-diretor-presidente Michel Eduardo da Silva foi substituído pelo executivo Carlos Henrique Viana, que assume o cargo interinamente. A reportagem Estado de Minas, procurou o Life Center, mas a diretoria preferiu não se pronunciar. Nota assinada pela assessoria de comunicação e marketing da organização se limita a informar que o hospital segue seu curso normal. “Aumento ou redução de quadro de colaboradores fazem parte do cotidiano de qualquer organização. Os ajustes fazem parte da busca contínua de transformar o hospital numa instituição melhor, mais moderna”, destacou o comunicado. 

José Maria Pereira, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimento de Serviços de Saúde de BH e Região (Sindeess) afirma que as dispensas surpreenderam os funcionários. “Há duas semanas houve um estado de greve no hospital, mas não esperávamos que houvesse demissão em massa. Além do reajuste salarial, a campanha reivindicava melhoria nas condições de trabalho com redução da sobrecarga e contratações de novos funcionários. No entanto, o que ocorreu foi exatamente o contrário: o hospital demitiu .” Pereira acredita que as demissões podem se aproximar à marca dos 200 funcionários já que existem na instituição setores ligados a sindicatos diversos.

A.B. é filha de uma paciente idosa operada no hospital na última semana. A paciente se recupera bem e está perto de ter alta. Não fosse isso, A.B. diz que a família já estava considerando tentar uma transferência de hospital. “A cirurgia precisou ser remarcada devido à redução do quadro de funcionários. Os serviços estão comprometidos. Para ter ideia, depois de um dia inteiro, só à noite apareceu um enfermeiro para dar o banho na minha mãe. O lixo também se acumula no quarto, até aparecer alguém. Nos corredores não se fala em outra coisa. A notícia que se tem é que perto de 200 funcionários foram demitidos e há um clima de insegurança. Já houve caso de a própria família dar banho no doente pela falta do enfermeiro.” 

Também acompanhando paciente no hospital, M.C. considera que o fluxo de internações deveria ser reduzido. “Uma enfermeira apenas toma conta de todo um andar. Pedidos simples, feitos de manhã, como papel para enxugar as mãos, são atendidos à tarde. Os funcionários não escondem dos usuários o que está ocorrendo e pedem paciência: ‘estou sozinho, o pessoal foi demitido’”, justificam.

Funcionária da área administrativa do hospital Life Center, Maria Josefina Silva calcula que no seu departamento sete funcionários foram cortados. Ela, que também é diretora do sindicato, diz que a entidade está preocupada com as denúncias de sobrecarga de trabalho e com a qualidade do atendimento prestado aos pacientes após as demissões. “Vamos fazer uma carta aberta para distribuir à população com alguns esclarecimentos”, ressalta. Durante encontro na DRT, representantes do hospital teriam adiantado ao Sindeess que o serviço de farmácia será terceirizado. “Já na enfermagem não houve maior justificativa. Disseram apenas que as contas estão no vermelho e os cortes precisaram ser feitos para evitar medidas piores.” 

O Sindicato dos Médicos (Sinmed-MG) informou que até o momento a entidade não tomou conhecimento de demissões ou rescisão de contrato de trabalho no Life Center por parte de profissionais ligados ao Sindicato. O corpo clínico é composto por 500 médicos. 


Inaugurado em maio de 2012 o hospital Life Center conta com 186 leitos, realiza cerca de 11 mil atendimentos/mês em seu Pronto Socorro e outras 1,3 mil cirurgias, mensalmente.

Outros investem

Para fazer frente a deficiência de leitos, estimada em 1,5 mil na Grande BH, e ao crescimento da demanda por serviços hospitalares redes da capital estão investindo na expansão, ampliando a capacidade de atendimento e o quadro de funcionários e corpo clínico. Orçado em R$ 300 milhões, o Hospital Mater Dei Contorno já entrou em operação parcial com a entrega de um pronto socorro capaz de atender até 2 mil pessoas por dia, além de 10 salas de cirurgia, 21 leitos de Centro de Terapia Intensiva (CTI), dois andares para internação e três pavimentos destinados a estacionamento. A etapa inicial do empreendimento consumiu R$ 220 milhões. 

mater dei 2

Recursos no valor de R$ 35 milhões serão aplicados até o ano que vem em novo ciclo de expansão do Biocor. Injeção financeira do mesmo porte foi concluída recentemente, dando ao hospital mais 120 suítes, atendimento que hoje totaliza 320 leitos. Já o Felício Rocho, vai ampliar em 50% a capacidade de atendimento da empresa. Os investimentos da ordem de R$ 100 milhões. E o Vera Cruz projeta investir R$ 100 milhões na expansão da infraestrutura. Seu espaço total passará a ter 20 mil metros quadrados, o que permitirá a realização de mais de 1 mil intervenções cirúrgicas por mês. A capacidade de atendimento será dobrada. A equipe formada por 705 colaboradores, sendo 460 médicos, será ampliada em 50%, e o número de leitos passará de 154 para 300. O projeto está em fase de aprovação junto à Prefeitura de BH.

VEJA MAIS SOBRE O MATER DEI AQUI!

VEJA TAMBÉM: HILDA BRANDÃO VAI FECHAR!

 

FONTE: Estado de Minas.


Hormônio poderá substituir cirurgia de redução de estômago

Sensação de saciedade seria a chave para o combate à obesidade

Avanço

Pesquisadores já conseguiram comprar que a nova técnica é eficaz

Londres, Reino Unido. Um estudo em curso na Grã-Bretanha está testando o uso de hormônios para combater a obesidade e substituir cirurgias de redução de estômago em pacientes obesos, de acordo com a BBC.

Os hormônios pesquisados são praticamente os mesmos liberados naturalmente pelo corpo após todas as refeições e que indicam ao corpo que a fome foi saciada, explica à BBC o líder do estudo, o médico Steve Bloom, chefe do departamento de estudos sobre diabetes, endocrinologia e metabolismo do prestigioso Imperial College, em Londres.

Os médicos perceberam que esses mesmos hormônios são liberados em grandes quantidades pelo corpo de pacientes que se submeteram à cirurgia bariátrica – e esse seria um dos motivos para o sucesso da cirurgia em grande parte dos casos. Agora, a equipe de Bloom quer replicar esse efeito mesmo que o paciente não queira ou não possa se submeter ao procedimento cirúrgico.

“Ainda estamos na fase de desenvolvimento, mas já mostramos que a iniciativa funciona. Agora temos que torná-la disponível”, diz Bloom à BBC.

Longa Duração. Bloom prevê que os hormônios devam causar poucos ou nenhum efeito colateral, por serem “quase naturais” – sua alteração mais significativa é que estão sendo desenvolvidos de modo que seu efeito dure uma semana no corpo, em vez de apenas alguns minutos. Pacientes obesos receberiam, assim, uma injeção semanal da droga – em alguns casos ao longo da vida inteira, para controlar seu apetite.

Mas Bloom diz que, até agora, tudo indica que a droga não causará dependência e sua ingestão poderá ser interrompida, se necessário. “Se a pessoa ficar doente e perder peso, por exemplo, poderá parar de tomá-lo”, diz. O custo estimado do tratamento, com 52 injeções anuais, é de 3.000 libras (R$ 10,2 mil) ao ano.
Brasil é cogitado para testes
Londres.
 A equipe de Steve Bloom recebeu 2 milhões de libras (R$ 6,8 milhões) de um centro de financiamento de pesquisas para dar prosseguimento aos estudos e aos testes clínicos, que podem ser parcialmente feitos no Brasil, diz o pesquisador para a BBC.

“Escolheremos três ou quatro países para os testes internacionais, e o Brasil é uma possibilidade por ter boa infraestrutura e marcos regulatórios”, explica o médico, lembrando também que o país seria um “grande mercado” em potencial para a droga em desenvolvimento.

FONTE: O Tempo.


Pacientes do interior que vêm se tratar em BH colocam a vida em risco viajando por estradas perigosas e em vans clandestinas. Este ano já foram registradas 11 mortes

Caminhão de minério ultrapassa van com pacientes  na BR-040. Risco  em cada km (BETO MAGALHÃES/EM/D.A Press)
Caminhão de minério ultrapassa van com pacientes na BR-040. Risco em cada km

O mesmo caminho que traz expectativa de vida pode levar à morte. Para pacientes que viajam até 800 quilômetros em um único dia em busca de tratamento médico em Belo Horizonte, os riscos enfrentados nas estradas se somam à  doença que os atinge. A polícia não tem estatística de acidentes envolvendo transporte de pacientes em Minas, mas foram vários com vítimas este ano, segundo levantamento feito pelo Estado de Minas. Em apenas cinco acidentes, foram registradas 11 mortes e 26 feridos. Muitas vezes, as vítimas eram acompanhantes de parentes doentes, como a dona de casa Crislene Guimarães de Oliveira, de 18 anos, de Poços de Caldas, Sul de Minas, que morreu carbonizada no dia 3. Ela e o marido, o tratorista Ricardo Felizardo Loro, de 20, traziam o filho Pietro, de 2, que tem uma doença genética no fígado, para consultar em Belo Horizonte.

A Kombi da Secretaria de Saúde de Poços de Caldas, com oito passageiros, pegou fogo em um engavetamento que envolveu sete veículos, no km 546 da BR-381, em Itaguara, Grande BH. Ricardo foi arremessado para fora do carro, salvou o filho, mas não teve tempo de retirar a mulher das ferragens. Outros três passageiros da Kombi e o motorista de um Fiesta também morreram carbonizados. “O carro amassou todo. Nem sei o que aconteceu direito. Acho que tirei o menino pela janela. Não deu tempo de mais nada. Já tinha fogo quando peguei meu filho. Uma senhora saiu com uma menina e acho que todo mundo na Kombi estava vivo e morreu queimado”, lamentou Ricardo.

Segundo o tratorista, o filho era trazido a cada dois meses à capital. “Antes, ele ia de mês em mês e de semana em semana, quando era mais novinho. Toda vez que a gente viaja alguma coisa acontece na estrada. É difícil não ocorrer nada. Um ônibus pegou nosso carro uma vez. Toda vida tem esse problema. Muito perigo na estrada, carreta que corre demais e a gente só viaja rezando”, disse ele. De acordo com a polícia, o condutor de uma carreta bitrem causou o acidente em Itaguara. Ele não conseguiu parar num congestionamento provocado por manifestantes que queimavam pneus na pista.

Dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) revelam que BH recebe por dia cerca de 4,4 mil pacientes do interior para consultas e exames especializados, 40% dos 11,2 mil atendimentos diários na cidade. Em busca de tratamento, quem vem do interior enfrenta todo tipo de perigo e transtorno nas estradas. São pistas esburacadas, imprudência e cansaço de motoristas contratados por prefeituras que trabalham num verdadeiro “bate e volta”, a semana inteira, sem descanso. Para complicar, também há o transporte ilegal de pacientes.

Para se ter uma ideia, na terça-feira o EM anotou as placas de 30 veículos estacionados na área hospitalar, aguardando passageiros que estavam se consultando. Do total, três veículos são clandestinos e um deles, de Pitangui, no Centro-Oeste do estado, tem quatro autuações por transporte clandestino de passageiros, segundo o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG). Esses carros têm autuações de trânsito como excesso de velocidade, segundo a Polícia Civil.

MAIS ACIDENTES Outra vítima das estradas foi a dona de casa Maria da Conceição Machado, de 76, morta em uma colisão na BR-265, em 11 de fevereiro. Ela acompanhava a volta do marido para casa numa ambulância da Prefeitura de Coqueiral, Sul de Minas. Ao contornar um trevo para entrar na rodovia, o veículo foi atingido por um Uno. A ambulância rodou na pista e a porta traseira se abriu. O casal foi jogado para fora. O marido, José Camilo Siqueira, de 83, sobreviveu.

Em 22 de maio, um idoso de 81 anos morreu ao cair de uma ambulância na BR-040, em São Gonçalo do Abaeté, no Noroeste de Minas. O paciente, que sofria de Alzheimer, morava na zona rural de João Pinheiro, Norte do Estado, e vinha numa ambulância da prefeitura para se consultar em Belo Horizonte. Não havia profissional de saúde no carro, apenas o motorista e a nora da vítima. Eles somente deram falta do idoso 10 quilômetros depois, voltaram e o encontraram morto. A nora disse ter cochilado e não percebeu a porta do veículo aberta.

Em 26 de março, uma idosa morreu e oito pacientes ficaram feridos em um acidente na BR-262, em Pará de Minas, Centro-Oeste do estado. A van da Prefeitura de Nova Serrana, que seguia para Belo Horizonte, saiu da estrada e bateu num barranco. Depois, ainda rodou na pista e bateu de novo. Em 12 de março, três pacientes morreram e 13 ficaram feridos quando o micro-ônibus em que viajavam retornava da capital para Ferros, na Região Central. No km 418 da BR-381, em Roças Novas, distrito de Caeté, Grande BH, o veículo foi atingido de frente por uma carreta na contramão, tombou e caiu numa ribanceira de 30 metros de altura.

FONTE: Estado de Minas.


Obra da jornalista Daniela Arbex revela que em 50 anos (de 1930 a 1950) morreram 60 mil internos na instituição
 (Luiz Alfredo/O Cruzeiro )

“Senhor Deus dos desgraçados!/ Dizei-me vós, Senhor Deus!/ Se é loucura … se é verdade/ Tanto horror perante os céus…”. Esses versos do poema “O navio negreiro”, do poeta baiano Antônio de Castro Alves (1847 –1871), bem poderiam ter sido inspirados nas histórias de milhares de brasileiros deserdados que por diversos motivos – alcoolismo, epilepsia, prostituição, homossexualismo e perda da virgindade, entre outros “desvios” – foram diagnosticados como doentes mentais e encarcerados no Hospital Colônia de Barbacena, de onde a maioria nunca mais saiu.

Construído no início do século 20 no interior mineiro, calcula-se que naquele hospício morreram cerca de 60 mil pessoas entre 1930 e 1980. Elas viviam em condições degradantes, comparadas às de campos de concentração nazistas.

Os corpos dos pacientes, às vezes sem identidade e despidos de qualquer dignidade, eram enterrados em valas comuns ou lucrativamente vendidos a faculdades de medicina, entre elas a da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Quando o “mercado” saturava, cadáveres eram dissolvidos em ácido lá mesmo no pátio do hospital, na frente dos internos. Assim, ossadas podiam ser comercializadas.

Pacientes andavam nus, comiam em cochos como animais e dormiam entre touceiras de capim, pois um médico decidiu que assim seria melhor. Calcula-se que cerca de 16 internos morriam por dia. Crianças se misturavam a adultos, mulheres eram estupradas. Castigos físicos e choques eram a “terapia”. A expressão “trem de doido”, atribuída a Guimarães Rosa, nasceu ali. Em 1933, o escritor e médico morou em Barbacena, onde via chegarem vagões lotados de pacientes da colônia. A cena está no conto “Soroco, sua mãe sua filha”, publicado no livro Primeiras estórias, e lembra a forma como nazistas conduziam judeus para os campos de concentração.

Em 1979, o psiquiatra italiano Franco Basaglia, pioneiro na luta antimanicomial, visitou Barbacena. Sem meias palavras, declarou: “Estive hoje num campo de concentração nazista. Em lugar nenhum do mundo presenciei uma tragédia como essa”.

Toda essa história de horror, cujas feridas não cicatrizaram – o Estado jamais veio a público pedir desculpas aos sobreviventes e a suas famílias –, é contada de forma emocionante em Holocausto brasileiro, livro que a jornalista Daniela Arbex lança hoje, em Belo Horizonte. Repórter especial do jornal Tribuna de Minas, ela conta que a ideia surgiu em 2009, durante uma entrevista com o psiquiatra José Laerte, em Juiz de Fora. O médico lhe mostrou o livro Colônia, publicado pelo governo de Minas, que trazia fotos do Hospital Colônia de Barbacena feitas em 1961, por Luiz Alfredo, para uma série de reportagens da revista O Cruzeiro.

“Fiquei impactada quando deparei com aquelas imagens. E me perguntei, estarrecida, por que nem eu nem ninguém da minha geração ignorava o que ocorrera em Barbacena, tão perto de Juiz de Fora”, diz Daniela. Ela decidiu escrever a respeito, mas de uma forma diferente: queria recontar a história a partir do olhar dos sobreviventes da tragédia.

A jornalista começou a visitar Barbacena, entrou em contato com funcionários e ex-funcionários do hospital colônia. Para a pesquisa foram fundamentais conversas com especialistas como o psiquiatra mineiro Ronaldo Simões Coelho. No fim da década de 1970, quando chefiava o Serviço Psiquiátrico da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), ele foi um dos primeiros médicos a ter coragem de denunciar o que ocorria em Barbacena. Perdeu o emprego por isso.

“Entrevistei também outro psiquiatra, Francisco Paes Barreto. Em 1966, no início da ditadura militar, ele teve coragem de fazer a primeira denúncia pública contra Barbacena. Por causa disso, acabou processado pelo Conselho Regional de Medicina (CRM)”, informa Daniela.

Daniela fez entrevistas com ex-pacientes, de quem ouviu histórias de arrepiar. Antônio Gomes da Silva permaneceu calado por 21 dos 31 anos em que passou internado, pois ninguém lhe perguntou se sabia falar. Outra interna, depois de grávida, começou a passar fezes no corpo para que ninguém se aproximasse dela ou maltratasse o bebê. Outras mulheres fizeram como ela. Pouco adiantou, pois os recém-nascidos costumavam ser arrancados dos braços das mães – assim como fizeram os militares durante a ditadura argentina, nos anos 1970.

Atualmente, informa Daniela Arbex, cerca de 170 pacientes continuam internados “como crônicos” no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB). Mas a instituição vive história diferente depois de ser transformada em hospital regional, oferecendo várias especialidades médicas.

“No entanto, por incrível que pareça, ainda sobrevivem no Brasil modelos de segregação como o do antigo hospital colônia. Além disso, estamos às voltas com a internação compulsória, que, na prática, pode ser a reedição de abusos disfarçada de política pública”, adverte Daniela Arbex.

Porões da loucura

Em 1979, o repórter Hiram Firmino foi o segundo jornalista a ter acesso às dependências internas do Hospital Colônia de Barbacena. Publicada no Estado de Minas, a série Os porões da loucura, com fotos de Jane Faria, chocou o Brasil, ganhou o Prêmio Esso e escreveu importante capítulo da luta antimanicomial travada no país.

“Na realidade, Hiram foi o grande porta-voz dos pacientes da colônia. A partir de suas reportagens, os porões de Barbacena começaram a ser abertos”, explica Daniela Arbex. O documentário Em nome da razão, de Helvécio Ratton, rodado naquele mesmo ano, também chamou a atenção para as crueldades praticadas na instituição mineira.

LANÇAMENTO

Holocausto brasileiro, genocídio: 60 mil mortos no maior hospício do Brasil

. De Daniela Arbex
. Geração Editorial, 255 páginas
. Preço médio: R$ 39,90
. Lançamento hoje, a partir das 11h, no Café com Letras, Rua Antônio de Albuquerque, 781, Savassi.
. Informações: (31) 3225-9917.

FONTE: Estado de Minas.

Aparelhos da marca Cepa GC distribuídos pela secretaria de saúde de Minas apresentam falha na medição de glicemia que leva os pacientes a aplicar mais insulina, com risco de morte

“O Cepa não tem manual de instrução e os postos de saúde não foram instruídos sobre como usar o aparelho. Os resultados são discrepantes”, Carol Freitas, relações-públicas

Uma falha no aparelho que mede a glicemia da marca Cepa GC está pondo em risco a vida dos diabéticos em Minas. A leitura do glicosímetro não é homogênea como nos equipamentos de outras marcas e os resultados são bem mais elevados, o que leva o paciente a injetar mais insulina no sangue e há risco de coma hipoglicêmico. “Pode haver queda da glicemia abruptamente, porque é injetada uma quantidade excessiva de insulina”, alerta o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabéticos, o médico Levimar Rocha Araújo.

A entidade recebeu 15 reclamações esta semana no estado e houve outras na Faculdade de Ciências Médicas, em BH, onde Araújo é professor, e nas redes sociais. “Tivemos reclamações de médicos de Juiz de Fora, de pacientes de Campo Belo e de outras regiões. Médicos da capital detectaram também o problema no aparelho”, afirmou. “Pais de crianças diabéticas mandam e-mails e cartas e estou encaminhando tudo para a Secretaria de Estado de Saúde e outros órgãos competentes, mas não tivemos resposta”, reclama. Em Minas, a estimativa é de que haja 1,3 milhão de diabéticos com mais de 20 anos, cerca de 10% da população adulta, segundo o governo.

Três associações de diabéticos receberam denúncias também contra o Cepa: a Associação dos Diabéticos de BH, a de Diabéticos Infantis, também na capital, e a Associação dos Diabéticos de Campo Belo. “Uma mãe mediu a glicose do filho de 2 anos com o Cepa GC e deu quase 300. Ela tinha um aparelho antigo, foi conferir e deu 40. Se ela tivesse aplicado insulina, o menino poderia ter entrado em coma”, alertou a presidente e fundadora da Associação de Diabéticos Infantis, Cidinha Campos.

A Secretaria de Saúde de Campo Belo informou ter recebido várias reclamações do Cepa GC e que tem controlado o problema. O farmacêutico responsável testa os equipamentos levados pelas pessoas e os substitui quando necessário.

Os aparelhos Cepa GC foram importados pela Secretaria de Estado de Saúde e distribuídos gratuitamente à população desde outubro do ano passado. Por mês, as pessoas recebem 100 fitas usadas na medição. Segundo Levimar Araújo, a licitação para compra dos equipamentos é anual e o modelo anterior,  Accu-Chek Performa, foi substituído. “O estado compra os aparelhos e as fitinhas com valores mais baixos. O Cepa é de origem chinesa e ninguém o conhecia”, disse. O Accu-Chek Performa é mais eficiente, segundo ele, mas custa mais.

PRECAUÇÃO APÓS ERRO

A relações-públicas Carol Freitas, de 34, que é diabética, deixou de usar o Cepa depois de medir a glicose que chegou a 500. “No aparelho antigo deu 130”, disse Carol, que passou a comprar por conta própria um pacote com 50 fitas do aparelho antigo por R$ 100. “Só que a gente gasta 150 fitas por mês”, protesta Carol, que já recebeu 250 reclamações do Cepa em seu blog, Doces contos de uma vida doce. “Enquanto no aparelho antigo a minha glicose dava 130, nesse dá 400, 500”, reclama.

A presidente da Associação dos Diabéticos de BH, Irma Pires de Oliveira, disse ter informações de que a fábrica do Cepa GC foi fechada e a fita não é encontrada para comprar no Brasil: “Foi uma firma que importou exclusivamente para o estado”. O presidente da Associação dos Diabéticos de Campo Belo, Rodrigo Dias, toma insulina todos os dias. “Quase entrei em coma por causa do resultado alterado do Cepa. O aparelho fez uma leitura para mais e tomei a insulina regular para diminuir a glicose, mas só que diminuiu duas vezes mais. Eu estava passando mal e minha mulher me socorreu aplicando uma glicose de ação rápida”, informou Rodrigo, explicando que a insulina baixa a glicose e que a aplicação aumenta a taxa de açúcar no sangue.

FARMACÊUTICO  A Secretaria de Estado de Saúde (SES) admitu que o aparelho pode apresentar problemas de configuração e informou que cabe ao farmacêutico constatar se  ele está com defeito. “Quando ocorre problema com o aparelho, há um fluxo definido com as unidades para substituição. Mediante as informações apresentadas, pode-se verificar que é necessário encaminhar os pacientes que tenham dúvidas sobre a utilização dos aparelhos aos farmacêuticos municipais, para as devidas orientações e medidas cabíveis”, informou.

A SES disse ainda que adquire e distribui os glicosímetros e tiras reagentes de glicemia atendendo aos critérios de licitações públicas. “A distribuição da marca Cepa começou em outubro de 2012, após processo licitatório. Como o objetivo de orientar os profissionais de saúde no momento da entrega dos novos aparelhos aos pacientes, esta superintendência elaborou informe a todos os municípios. O objetivo é divulgar e uniformizar orientações sobre o uso correto dos novos aparelhos, uma vez que se identificou que o uso inadequado e a falta de configuração foram as principais causas das diferenças de medida”, diz a nota.

Também por meio de nota, a Secretaria de Saúde de BH (SMSA) informou que distribui glicosímetros da marcha Roché. Já o Cepa GC é entregue desde a segunda quinzena de fevereiro e que já registrou 50 reclamações de pacientes sobre divergências na medição. “Nesta semana, a SMSA recebeu da SES a solução padrão que permite a testagem do glicossímetro. Todas as pessoas que encaminharam reclamações serão chamadas para testagem de seus glicosímetros. Caso sejam identificados problemas será solicitada a troca pela SMSA”, diz a nota.

FONTE: Estado de Minas.


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