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Ipês-rosa florescem antes e encantam moradores de BH

Floração do ipê-rosa, que encanta moradores de BH, veio mais cedo neste ano, enchendo de cor as principais vias da capital. Pena que as flores vivam só uma semana e depois caem

Jair Amaral/EM/D.A Press

Uma cidade mais colorida neste começo de inverno de manhãs e tardes iluminadas. A floração do ipê-rosa, planta usada na arborização de muitas ruas, avenidas e praças da capital, veio mais cedo e tem atraído os olhares dos belo-horizontinos, que não se cansam de admirar e fotografar as árvores floridas. As imagens são compartilhadas nas redes sociais, em especial o Instagram.
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Segundo a professora Rosy Mary dos Santos Isaias, do Departamento de Botânica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), normalmente a floração da planta, típica do inverno e início da primavera, ocorre com maior intensidade em agosto e setembro, se prolongando até meados de outubro, mas, desta vez, o rosa intenso das flores se antecipou.
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A beleza da planta faz com que ela seja comum nas áreas urbanas, mas o ipê-rosa tem outra função importante: ajudar na recomposição das matas ciliares. Para quem se encanta com as flores do ipê-rosa, a professora Rosy Mary deixa um alerta: “Desfrute a beleza das árvores o quanto antes, pois as flores duram no máximo uma semana e depois caem”.

 

 

Jair Amaral/EM/D.A Press

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FONTE: Estado de Minas.


BH
Horizonte sem fim
Prefeitura pretende criar áreas de diretrizes especiais (ADEs) em 16 mirantes para restringir construções e preservar belas vistas panorâmicas. Proposta será debatida em conferência
“Que Deus abençoe este lugar para continuar esse sossego”, diz o motorista Flávio Rodrigues, no mirante do Bairro Belvedere, Centro-Sul da capital

Aos pés da Serra do Curral e a 850 metros acima do nível do mar, Belo Horizonte vai ganhar pela primeira vez proteção para mirantes que inspiraram o seu nome e que tiram o fôlego de moradores e visitantes: a vista panorâmica. Está em gestação na Secretaria Municipal Adjunta de Planejamento Urbano (Smapu) proposta para a criação de áreas de diretrizes especiais (ADEs) Mirantes, que, por suas características específicas, demandariam regras diferentes do restante da capital. Foram identificadas 16 áreas que passariam a ter restrições de construção para garantir a preservação da paisagem.

A proposta será apresentada no mês que vem na 4ª Conferência Municipal de Política Urbana, quando representantes dos setores popular, técnico e empresarial discutirão alterações em duas das mais importantes legislações da cidade, o Plano Diretor e a Lei de Parcelamento, Ocupação e Uso do Solo.

A equipe técnica da secretaria mapeou pontos de onde, apesar do crescimento urbano, ainda é possível contemplar uma vista panorâmica. Com a implantação das ADEs Mirantes, a ideia é restringir construções, além de limitar a altura das edificações do entorno. “Em alguns locais, temos uma vista em 360 graus da cidade. A orientação é garantir essa paisagem”, ressalta a gerente de informação e monitoramento da Smapu, Gisella Lobato.

As ADEs incluem mirantes oficiais, como os do Mangabeiras e do Parque Serra do Curral, além de pontos em áreas de preservação ambiental, como a Mata da Baleia. Também fazem parte dessa lista mirantes informais em locais sem qualquer infraestrutura, como a caixa-d’água da Copasa, no Bairro Belvedere, Centro-Sul, e até em terrenos particulares, restritos a poucos admiradores e com potencial jogado às nuvens.

Os detalhes para garantir a proteção serão discutidos com os 243 delegados dos três setores eleitos neste mês. A apresentação das propostas da prefeitura será em março, durante a etapa de capacitação dos delegados. A conferência termina em maio, com o fechamento das propostas de mudança nas leis, que seguem para aprovação na Câmara Municipal.

TOMBAMENTO 
O professor da Faculdade de Arquitetura da UFMG Leonardo Castriota diz que desde os anos 1930 cidades brasileiras usam o tombamento como forma de proteger a paisagem. É o caso da Igreja da Penha, no Rio. “BH tem de tirar partida de sua topografia íngreme. A paisagem está relacionada com o desfrute estético, mas também com a questão ambiental, da circulação de ar e preservação do microclima”, diz.

Para Castriota, BH já perdeu parte de seu potencial cênico. “Existiu uma proposta no passado para proibir construções a partir da cota 1000 de altitude, como forma de preservar a vista da Serra do Curral, mas não foi para a frente. Muitas avenidas de topo de morro foram completamente tomadas por prédios. A construção dos prédios no Belvedere interferiu na paisagem e barrou parte dos ventos ”, ressalta o professor.

No Belvedere, o ponto indicado à proteção é próximo à caixa-d’água da Copasa, na Avenida Celso Porfírio Machado, nº 1.000. Ao alcançar o topo, o observador se encontra num morro de minério e cerrado, em meio a mansões. Dali se avista bem de perto a cava da mineração Lagoa Seca e os arranha-céus de Nova Lima. A diversão é tentar identificar os pontos de referência da cidade, como o Mineirão e a Avenida Afonso Pena.

“Que Deus abençoe este lugar para continuar esse sossego “, pede o motorista Flávio Rodrigues, de 55, com a Bíblia nas mãos. Há oito anos, ele procura o mirante para orar. “Daqui a gente vê que Belo Horizonte é maravilhosa. Só que precisa de um vigia para evitar que ponham fogo na mata”, diz. A possibilidade de contar com a proteção da vista é comemorada também por moradores. “O bairro é carente de áreas verdes e de contemplação”, diz o presidente da Associação dos Moradores do Bairro Belvedere, Ricardo Michel Jeha.

Parte da área de influência do mirante do Bairro Palmares está em área particular e placas de aço e arames avançam sobre a paisagem (GLADYSTON RODRIGUES/EM/D.A PRESS)
Parte da área de influência do mirante do Bairro Palmares está em área particular e placas de aço e arames avançam sobre a paisagem

CIDADE EM 360 GRAUS

Quem não pode ir ao Monte Sinai, no Egito, vai orar no monte do Bairro Palmares, Nordeste de BH, um dos pontos indicados para proteção. Atrás do Parque Ecológico Renato Azeredo, o local virou ponto de peregrinação de religiosos, principalmente evangélicos. Sessenta e três degraus separam a base do topo do morro. Na subida, placas com passagens bíblicas sinalizam o clima de oração. Lá em cima, BH se apresenta em 360 graus e, num giro, a vista alcança desde a Serra do Curral até a Cidade Administrativa.

Sempre que pode o vendedor Éden Franke, de 38, vai ao monte para refletir. “Moisés e Jesus subiram montes. Aqui, a paisagem enche os olhos, dá para ver BH quase toda. Vejo meu bairro, o Planalto, e o cerco de orações”, afirma Éden. Enquanto a proteção não vem, as transformações não param de ocorrer. Como parte do local está em área particular, placas de aço e arames avançam sobre a paisagem. Ao redor, prédios mais novos começam a atrapalhar a vista.

O Bairro Tupi Mirante, na Região Norte, não tem esse nome por acaso e também foi indicado como ADE Mirantes. A Rua Pintor Pierro de la Francesca é o ponto mais alto. Dali, a cidade mais parece um tapete de prédios rasgado por imponentes formações rochosas como as serras do Curral, ao Sul, e da Piedade, a Oeste. “Mas não adianta só criar a proteção, tem que cuidar. Aqui é cheio de entulho, ninguém vem limpar”, conta o morador Joel Nogueira Lacerda, de 50. Há 14 anos, ele começou a construir a casa ao lado do mirante, quando em volta só havia mato. “Daqui observo que a cidade cresce rápido demais. Vejo também que o Ribeirão do Onça continua sujo e há ainda muita pobreza”, lamenta.


ENQUANTO ISSO…
..Pampulha pode ter mais proteção

Mudanças para garantir mais proteção à área de diretrizes especiais (ADE) Pampulha. A prefeitura estuda alterar os limites da ADE Pampulha para que a região protegida coincida com o limite tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha). “Vai haver um aumento da área”, adianta a gerente de informação e monitoramento da Secretaria Municipal Adjunta de Planejamento Urbano (Smapu), Gisella Lobato.

 FONTE: Estado de Minas.

Roberto Burle Marx (1909-1994) chamava a serra do Cipó de “o jardim do Brasil”.

 

Não é à toa que o paisagista assim se referisse à região de Minas Gerais localizada a cem quilômetros ao norte da capital, Belo Horizonte.

A serra apresenta vegetação ímpar, como uma flor que atinge seis metros, e mais de 50 cachoeiras.

Uma porção de quase 34 mil hectares foi transformada em parque nacional em 1984 e, desde então, vem se firmando como um dos principais destinos ecoturísticos do Estado mineiro.

Cachoeira do Gavião, na serra do Cipó, em Minas Gerais
Cachoeira do Gavião, na serra do Cipó, em Minas Gerais

No ano passado, o parque recebeu 23 mil visitantes. A visita, gratuita, inclui caminhadas e banhos de cachoeira -com a possibilidade de ver espécies endêmicas da flora e da fauna brasileiras.

Nos arredores do parque, também há atrações, como a trilha dos Escravos e outras cachoeiras. É onde fica a vila Cipó, que reúne pousadas, restaurantes, sorveteria, capelinha e até cachaçaria.

A partir deste mês, as temperaturas são mais amenas, e a chuva é menos frequente.

FONTE: UOL.


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