Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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A sociedade está cada vez mais carrancuda.
O mundo está rabugento.
Alguns professores foram proibidos de contar piadas

palhaco-chorando

 

Baseado na ópera de nome Pagliacci, de Rugero Leoncavallo, a série de quadrinhos Watchmen criou a seguinte situação: um homem vai ao médico e diz que está deprimido, uma vez que a vida lhe parece dura e cruel. O médico diz que o tratamento é simples; basta o paciente ir ao espetáculo do palhaço Pagliacci, que está na cidade. Entretanto, o homem chora e diz: “Mas doutor, eu sou o pagliacci”.
A história da humanidade é recheada de mazelas, tristezas e sofrimentos, e tanto Schopenhauer quanto Kierkegaard, como bons existencialistas, salientaram essa marca contundente nos seres humanos, com o intuito de criticar o positivismo, o hegelianismo e o consequente cientificismo do século 19, que pregava um progresso mundial, no qual o conhecimento e a ciência trariam melhorias significativas a todos. Tal visão pessimista de mundo auxiliou o nascimento das teorias de Marx, Adorno e Horkheimer, Sartre etc. Isto é, perdeu-se a credibilidade de uma visão hegeliana-idealista – ligada à maioria e à tradição –, e ascendeu uma visão marxista-materialista – ligada aos “oprimidos” e revolucionária.
A maior atenção dada às minorias levou à agenda da sociedade novos conceitos (ainda que alguns baseados em velhas realidades): bullying, machismo, homofobia, racismo, dentre outros. Aos poucos, influenciado pelos frankfurtianos (que foram influenciados pelo próprio Marx), nasceu, cresceu, encorpou-se e incorporou-se à sociedade o “politicamente correto”. Agora, contra o “conservadorismo-dominante-opressor”, o politicamente correto é responsável por uma de minhas alunas, de 11 anos, ao ver uma foto em que estou com um copo de cerveja na mão, dizer, séria: “Professor, o senhor dá aulas de ética e filosofia e toma cerveja? Não pode, não”. É daí para pior.
Na última segunda-feira, dia 11 de agosto, uma reportagem em jornal de São Paulo mostrou que professores de um cursinho pré-vestibular foram proibidos pela diretoria de contar piadas, devido a reclamações de alunos. Em um dos casos relatados, uma aluna saiu de sala acusando o professor de machista, depois de ele dizer que não gostava de bijuterias. Obviamente, existem piadas e piadas. Mas proibir todas?
Assim, a sociedade está cada vez mais carrancuda. Em que pesem os problemas que o existencialismo e vários outros pensadores bem salientaram (na verdade, não é preciso ser bidu para perceber isso), falta bom humor. Erasmo de Rotterdam, em sua obra Elogio da Loucura, do início da modernidade, já criticava a cultura medíocre e hipócrita: “O que é certo é que mesa alguma nos pode agradar sem o condimento da loucura. (…) Com efeito, que nos adiantaria encher o estômago com tão suntuosas, esquisitas e apetitosas iguarias, se os olhos, os ouvidos, o espírito e o coração não se nutrissem também de diversões, risadas e agradáveis conceitos?”. André Comte-Sponville também tem sua contribuição, no livro Pequeno tratado das grandes virtudes: “O humor não substitui a ação, e a insensibilidade, no que concerne ao sofrimento dos outros, é uma falta. Mas também seria condenável, na ação ou na inação, levar demasiado a sério seus próprios bons sentimentos, suas próprias angústias, suas próprias revoltas, suas próprias virtudes. Lucidez bem ordenada começa por si mesmo. Daí o humor, que pode fazer rir de tudo contanto que ria primeiro de si”.
O mundo está rabugento. Quando os integrantes do grupo Mamonas Assassinas morreram de acidente de avião, várias pessoas vibraram com isso, pois a banda fazia “músicas chulas”. Os Trapalhões seriam açoitados nos dias de hoje. Não obstante, eles tão somente criavam alegria, faziam graça. E, por fim, nos últimos dias morreram dois reconhecidos comediantes. Um brasileiro, Fausto Fanti, e outro estrangeiro, Robin Williams. Atualmente, não faziam tanto sucesso como outrora, por causa dos politicamente corretos, que querem mais paz e harmonia. Eles só se esqueceram de que paz sem graça não tem graça e nem é paz, é tédio. Infelizmente, os dois atores citados se mataram. Certamente, não aguentaram viver mais numa sociedade sem graça. Isso é triste. Literalmente.

Lucas Soares Rodrigues
Professor de filosofia do Coleguium e do Colégio São Miguel Arcanjo

FONTE: Estado de Minas.


Dano moral

Claro deve indenizar vendedor obrigado a se fantasiar

O promotor de vendas era obrigado a usar adereços como perucas, banners pendurados no pescoço, nariz de palhaço e pinturas para aumentar as vendas.

Claro

A Claro e uma empresa de telefonia e informática, revendedora de seus produtos, foram condenadas a indenizar, por danos morais, um promotor de vendas obrigado a usar adereços como perucas, banners pendurados no pescoço, nariz de palhaço e pinturas para aumentar as vendas. Decisão é da 8ª turma do TST, que negou provimento a recurso contra decisão do TRT da 13ª região.

Segundo o promotor, ele tinha de se fantasiar durante campanhas para aumentar as vendas dos chips e planos de linha telefônica da Claro nas empresas. Nessas ocasiões, o supervisor acompanhava os empregados e ainda falava a todos: “Se você não quiser, tem quem queira usar“.

A revendedora, em contestação, afirmou que o promotor, ao ser contratado, tinha ciência do serviço que iria executar, e não era obrigado a usar os adereços. Também lembraram que essas promoções aumentavam as vendas e a meta de remuneração do empregado, e que o uso das fantasias não causaria danos à sua honra, imagem e dignidade.

A 4ª vara do Trabalho de Campina Grande/PB acolheu o pedido e condenou a empregadora à indenização por danos morais. O TRT da 13ª região confirmou a sentença e observou não haver provas de que o promotor foi informado, na contratação, de que teria de usar adereços em suas atividades, evidenciando a ausência de expresso consentimento.

A empresa então interpôs recurso de revista argumentando que não ficou comprovado que ela teria induzido o empregado ao vexame, nem adotado conduta capaz de agredir sua intimidade. O recurso, sob relatoria do desembargador convocado João Pedro Silvestrin porém, foi desprovido pela 8ª turma.

Confira a decisão.

FONTE: Migalhas.



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