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Pescador conta história dos jacarés da Pampulha
Morador das barrancas do Rio São Francisco e um dos mais antigos integrantes da colônia de Três Marias garante: foi ele quem soltou os répteis, ainda filhotes, na represa de BH

Norberto pesca há 54 anos no São Francisco e diz que jacarezinhos soltos na lagoa vieram do Rio Araguaia (Beto Novaes/EM/D.A Press)
Discretos e arredios, avistados quase sempre quando tomam banho de sol, os jacarés que vivem na Lagoa da Pampulha e despertam a curiosidade dos frequentadores do cartão-postal de Belo Horizonte nunca tiveram sua origem determinada com exatidão. Pelo menos até agora, quando surge uma história que poderia explicar a presença dos insólitos personagens em um lago urbano artificial encravado no meio da terceira maior metrópole do Sudeste brasileiro. O enredo vem das palavras de um dos personagens que integram o imaginário das barrancas do Rio São Francisco, conhecido no Brasil e no exterior por defender as causas do Velho Chico.

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Norberto dos Santos, de 65 anos, um dos mais antigos pescadores da colônia de Três Marias, admitiu ter introduzido os répteis, ainda filhotes, na lagoa da capital. Conhecido pelo apelido carinhoso de “Velho do Rio”, ele sobrevive há 54 anos fisgando peixes no Rio da Integração Nacional. Sem qualquer constrangimento, o homem simples e de fala mansa garante que essa não é uma história de pescador: ele conta que capturou 25 pequenos jacarés em uma pescaria no Rio Araguaia, em Mato Grosso, em 1968, e que depois soltou os bichos na Pampulha. “Até hoje, quando leio nos jornais ou vejo na TV que um dos jacarés apareceu, penso assim: olha lá um dos meus”, diverte-se.
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Em sua casa na beira do São Francisco, no município de São Gonçalo do Rio Abaixo, vizinho a Três Marias, na Região Central de Minas, o pescador lembra da história com um sorriso largo, sentado em um banco de madeira ao lado as netas. “Tudo começou quando eu tinha 18 anos. O preço do peixe estava em baixa e um amigo de pescaria me chamou para trabalhar em Belo Horizonte, na Casa Arthur Haas, em frente à Igreja da Boa Viagem”, lembra. Porém, como ele chegou um dia depois do combinado, perdeu o emprego e teve de trabalhar em uma marcenaria. “Sabe como é, né? Pescador é muito folgado. Perdi um emprego, mas arranjei outro, ali perto da Avenida Alfredo Balena (Região Hospitalar). Mas gostava mesmo era de pescar e logo a gente organizou uma pescaria para o Araguaia.”
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Era então um Brasil bem diferente, em que ainda não havia leis ambientais rígidas ou consciência tão difundida. “A gente ia armado. Da viagem, eu trouxe também 20 pacas conservadas na gordura, além de muitos peixes. A polícia não ligava para isso”, afirma. Foi em uma lagoa marginal que estava secando, e que por isso poderia ter muitos peixes fáceis de fisgar, que ele encontrou os jacarés. “Quando chegamos à lagoa, os jacarés grandes fugiram correndo e ficou aquele tanto de jacarezinhos nadando no meio dos nossos pés. Resolvi pegar alguns e levar para a casa do meu patrão, no Bairro Santa Efigênia, em BH”, conta Norberto.

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O presente agradou ao chefe, que despejou os pequenos répteis na piscina que tinha no quintal. Mas o tempo passou e criar os animais se provou mais difícil do que parecia. “A gente jogava peixe, pedaços de carne e eles não comiam nada. O patrão então ficou com dó, achando que iam todos morrer, e foi então que sugeri soltar os bichos na Pampulha. A Avenida Pedro II era de uma pista só naquela época. Fomos por lá, paramos o carro e despejamos os jacarés na lagoa”, lembra.
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PAPO AMARELO De acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte, os cerca de 20 crocodilianos que hoje nadam no cartão-postal à sombra das edificações de Oscar Niemeyer são da espécie jacaré-do-papo-amarelo (Caiman latirostris), muito comum em Minas e  encontrada no país do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, com populações também em outros países sul-americanos, como Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. Em BH, nenhum registro de ataques a humanos ou a outros animais foi registrado, apesar dos boatos de que as capivaras seriam o alimento predileto dos bichos.

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Na natureza isso não ocorre, de acordo com o biólogo responsável pelo Setor de Répteis e Anfíbios da Fundação Zoobotânica da capital, Luís Eduardo Coura. “Não que um jacaré adulto não seja capaz de comer um filhote de capivara, mas essa não é a dieta normal. As histórias de ataques a cães também são improváveis. Mas é certo que os jacarés estão conseguindo boa fonte de alimentação para se desenvolver. Acredito que a alimentação deles possa ser sobretudo dos peixes da lagoa”, disse.
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Na Pampulha, há quem já tenha encontrado com um dos jacarés e até quem duvide de sua existência. “Vi um deles nos jardins do Museu de Arte da Pampulha, há um ano, enquanto corria pela orla. Uma porção de gente estava perto para ver e o animal nem se mexeu. Ficou só tomando sol. Não acho que seja perigoso e acredito que possa ter sido, sim, solto por alguém que o criava”, afirma o médico-veterinário Leandro Geraldo da Silva, de 37 anos.

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O aposentado Sebastião Ferreira dos Santos, de 68, diz ter visto vários, inclusive um maior, que considera ser “o pai de todos”. “Vi o mais velho aqui (perto da Associação Atlética Banco do Brasil), metade do corpo para dentro da lagoa e metade para fora. Não são animais que chegam perto nem que trazem perigo, desde que você fique fora da água”, diz, cauteloso. O médico Thiago Franco, de 36, sempre passeia pela orla com seus cães e nunca viu um dos répteis. “Não duvido que existam, porque muita gente diz ter visto. Mas fico na dúvida, por causa desse aumento da população de capivaras. Será que eles não as comem?”, indaga.

Arredios, animais são vistos tomando sol em diferentes pontos da represa. Nunca foram registrados ataques (renato weil/EM/D.A Press - 14/11/06)

 

Muitas teorias sem DNA
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A história do pescador Norberto dos Santos não é a única que reclama a “paternidade” dos jacarés da Lagoa da Pampulha. Como seu aparecimento já se tornou lenda urbana na capital mineira, ao longo do tempo várias teorias  surgiram nos jornais e recentemente em blogs e redes sociais. Uma das mais difundidas é a de que ocorreu uma tempestade na capital mineira e o Córrego São José, que passa dentro do Zoológico, teria inundado recintos de animais, carregando jacarés para dentro da Pampulha, onde o manancial desemboca. Essa suposição, no entanto, é considerada fantasiosa pelo biólogo responsável pelo Setor de Répteis e Anfíbios da Fundação Zoobotânica de Belo Horizonte, Luís Eduardo Coura. “Mesmo no início, quando o zoológico não era uma fundação e tinha menos estrutura do que hoje, nunca foi registrada fuga de qualquer espécime, por isso dá para dizer que os jacarés da Pampulha não vieram de dentro do zoo”, afirma.
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Outra teoria é de que um biólogo teria trazido ovos de jacaré para uma estufa no Horto, na Região Leste, e que esses teriam eclodido e os animais, fugido para um pequeno lago. Com as chuvas, teriam escapado para os córregos da Bacia da Pampulha e acabado na lagoa. “As teorias de que os jacarés tenham sido introduzidos na Pampulha podem ter fundamento, sim, mas como se trata de uma espécie comum em Minas Gerais, pode muito bem ter ocorrido de os animais terem descido por riachos e córregos até chegar à Pampulha, onde encontraram um ambiente favorável para se instalar”, disse Coura.
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De acordo com o Ibama, os jacarés da Pampulha não são monitorados, por serem considerados animais silvestres em ambiente natural. Portanto, não há qualquer investigação sobre sua origem ou por quem, porventura, os tenha levado para a lagoa. Ainda de acordo com o órgão, o instituto não recebeu nenhum pedido da Prefeitura de BH para manejo dos jacarés.
 (Ana Cláudia Parreiras de Freitas/Divulgação - 1/1/04)

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O que diz a lei.
O ato de transportar um animal da fauna silvestre entre estados ou cidades é considerado crime ambiental, assim como pescar ou caçar esse exemplar, de acordo com o artigo 29 da Lei 9.605, de 1998, a Lei dos Crimes Ambientais. A pena prevista é de seis meses a um ano de prisão e multa para quem matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a permissão obtida. Incorre nas mesmas penas quem modifica, danifica ou destrói ninho, abrigo ou criadouro natural, vende, expõe à venda, exporta ou adquire, guarda, tem em cativeiro ou depósito, usa ou transporta ovos, larvas ou espécimes, bem como produtos e objetos dela originários, provenientes de criadouros não autorizados ou sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente.
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Jacaré-do-papo-amarelo

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Nome científico    Caiman latirostris
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Expectativa de vida    50 anos
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DIETA    Carnívora (insetos, peixes, crustáceos, pássaros e pequenos mamíferos)
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Hábitat    Florestas tropicais em lagoas, lagos e rios.
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Curiosidade    O nome da espécie vem da coloração amarelada que o papo dos machos adquire na época do acasalamento
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Estado da espécie    Pouco ameaçada (esteve sob risco até 2002, ano em que a criação para retirada de couro e carne permitiu que o número 
de espécimes selvagens aumentasse)

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FONTE: Estado de Minas.


Bares se impõem pela qualidade dos petiscos e atraem clientela de toda BH

Exemplos no Barreiro, Esplanada, Graça, Jardim Guanabara, Padre Eustáquio vão além das fronteiras e fazem clientes de outras regiões atravessarem a cidade em busca do petisco ideal

O Bar do Zezé, no Barreiro, que começou como mercearia e hoje serve clássicos da gastronomia de boteco. O proprietário José Batista Martins conta que a casa costuma receber até estrangeiros que vêm à cidade a trabalho (FOTOS: MARCOS VIEIRA/EM/D. A. PRESS)

O Bar do Zezé, no Barreiro, que começou como mercearia e hoje serve clássicos da gastronomia de boteco. O proprietário José Batista Martins conta que a casa costuma receber até estrangeiros que vêm à cidade a trabalho

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Boa parte dos bares e restaurantes mais conhecidos de Belo Horizonte está na Região Centro-Sul. Tomando a Praça Sete como ponto de partida, o que levaria alguém a cruzar a cidade por 15 quilômetros para beber cerveja e comer algo? Graças a sua boa reputação (e petiscos bem bolados), o Bar do Zezé, no Barreiro, consegue mobilizar fregueses para isso. Outras casas, espalhadas por bairros nos quatro cantos da capital mineira, também conseguem se impor para muito além de alguns quarteirões.

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O caso de José Batista Martins, o Zezé, é mesmo marcante. Seu bar foi inaugurado em 2004, substituindo, pouco a pouco, a mercearia que abriu no mesmo imóvel, em 1980. Eram quatro mesas, um fogão de duas bocas e um pequeno balcão. “Quando os supermercados chegaram ao bairro e ficou difícil (manter a mercearia), tive de dar um jeito. O negócio foi dando certo, fui campeão do Comida di Buteco quando participei pela primeira vez, ampliei a loja e, hoje, virou um botecão”, lembra ele. Atualmente, são quarenta mesas.

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Até hoje, o Zezé mantém no cardápio os mesmos pratos do dia, como a rabada com batata (R$ 27,50, para duas pessoas), às sextas, e a feijoada completa, aos sábados (R$ 48, para três pessoas). Na seção fixa, há itens como o bolinho de milho com bacalhau (R$ 27,50, 12 unidades) e a carne de panela com jiló recheado com bacon, angu mole e queijo de minas e cebolinha (R$ 21,50, para duas pessoas), sendo este uma das criações que mais ajudaram a erguer a fama da casa. Fora galinhada, canjiquinha com costelinha, dobradinha e por aí vai.

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Talvez por ser uma verdadeira coleção de autênticos clássicos de boteco, o cardápio é levado como lembrança por alguns clientes que vêm de longe. “O bar atrai muita gente de fora, incluindo Rio e São Paulo. Até gringo que vem por conta dessas empresas na Cidade Industrial e Contagem aparece aqui. Gente da Itália, Estados Unidos, Inglaterra. Eles pedem para vir”, conta Zezé. Nem ele nem seus funcionários dominam uma segunda língua, mas todo mundo se entende.
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CORRESPONDÊNCIA No extremo oposto da cidade, a 21 quilômetros dali, o Silvio’s Bar é referência não apenas no Bairro Esplanada, mas em boa parte da Região Leste. Foi aberto em 1972 por Maria da Piedade Gonçalves e seu marido, Silvio, que morreu sete anos atrás. As banquetas ao redor do balcão comprido são os lugares mais disputados e também a marca registrada da casa, famosa pelo feijão-tropeiro (R$ 33, para duas ou três pessoas), servido com pedaços de linguiça caseira e torresmo à pururuca.
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Também chamam a atenção petiscos criados por Maria, como a batata 3 em 1 (R$ 27,50, para três pessoas), servida com molho à bolonhesa e parmesão ralado à parte para que o freguês consiga “empaná-la” na mesa, passando os chips primeiro em um, depois no outro. “Eu não tinha experiência de cozinhar para tanta gente, mas, com o conhecimento de casa, não foi tão complicado. Bastou aumentar as quantidades”, conta ela, que executa cardápio com cerca de 50 petiscos. Cervejas (garrafa de 600ml) a partir de R$ 6,50.
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Maria acredita que sua empreitada tenha encorajado outras pessoas a abrir bares na região e está certa de que a concorrência é boa para o comércio e para o público. A opinião é compartilhada por Célio Stropp Fantini Júnior, um dos sócios do Bar do Veio, no Caiçara, a quase 10 quilômetros de distância do Silvio’s: “Moro perto do meu bar e vejo muita correspondência chegar ao meu prédio dando a casa como referência. Acho ótimo. Tem lugar para todo mundo, tem público para tudo e as pessoas vão cada hora a um lugar”.
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O bar iniciou suas atividades em 1986 com cardápio enxuto, mas já com um dos pratos que, até hoje, fazem mais sucesso por ali, o peito de frango recheado com bacon, presunto e queijo (R$ 45, para duas pessoas). As opções de tira-gosto aumentaram com a ampliação da casa (hoje, são 200 lugares), abrindo espaço para receitas mais criativas, como o enroladinho de lombo com bacon e cenoura ao molho de cansanção (R$ 21,90, para duas pessoas), aposta da casa para a edição deste ano do concurso Botecar. Os chopes começam a R$ 5.
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COXINHA A nove quilômetros dali, no Bairro da Graça, está aquele que, nos últimos anos, se consolidou como um dos melhores locais da cidade para se comer coxinha. Simplesmente batizada de Leo Coxinha, a casa mudou de dono há dois anos, mas foi mantida inalterada a receita que Leo e a mãe, Dona Nem, começaram a desenvolver nos anos 1970, quando ainda vendiam o salgado só para a vizinhança, praticamente de porta em porta. “As salgadeiras são as mesmas, só mudamos os garçons”, diz o proprietário, João Mendes Ribeiro.
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Não existe mística em torno da coxinha de lá, qualquer um consegue saber como é feita. A produção é diária, os salgados são mantidos resfriados (e não congelados) e fritos na hora. “A massa é tradicional, mas tem um ponto específico, que envolve o tempo de batê-la e fritá-la”, explica Ribeiro. Entre as coxinhas disponíveis, estão as de frango (R$ 3,50), frango com requeijao (R$ 4), carne seca com requeijão (R$ 5), camarão com requeijão (R$ 5) e uma bem curiosa, que leva exclusivamente requeijão no recheio (R$ 3,50).
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“Recebemos gente de todos os bairros e algumas pessoas levam a coxinha congelada para outras cidades”, conta ele. A casa também serve outros salgados, como bolinho de mandioca, empada, tortinhas e quibe. Para acompanhar a cerveja (a partir de R$ 7, garrafa de 600ml), há, ainda, porções de petiscos, como mandioca com torresmo (R$ 18, para três pessoas), caldos (a partir de R$ 8) e mexido (R$ 11, para duas pessoas).
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ONDE IR
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>> Baltazar

Rua Oriente, 571, Serra. (31) 3221-7361. Aberto de segunda a sexta, das 17h à 1h; sábado e feriado, 12h à 1h; domingo, 
das 12h às 18h.
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>> Bar do Careca, o Pescador
Rua Gastão da Costa Pinheiro, 210, 
Jardim Guanabara. (31) 3434-6448 e 
(31) 9251-0369. Aberto de segunda a sexta, das 18h à 0h; sábado, das 12h à 0h; domingo, das 12h às 18h.
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>> Bar do Veio
Rua Itaguaí, 406, Caiçara. (31) 3415-8455. Aberto terça e quarta, das 17h às 23h; quinta e sexta, das 17h à 0h; sábado, das 11h à 0h; domingo e feriado, das 11h às 19h.
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>> Bar do Zezé
Rua Pinheiro Chagas, 406, Barreiro. 
(31) 3384-2444. Aberto de segunda a sexta, das 17h à 0h; sábado, das 12h às 21h.
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>> Leo Coxinha
Rua Jussara, 150, Bairro da Graça. 
(31) 3309-9440. Aberto de segunda a sábado, das 11h às 14h e das 16h às 23h40.
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>> Nino Pizzaria
Rua Coronel José Benjamin, 824, Padre Eustáquio. (31) 3464-8085. Aberto de segunda a quinta, das 11h às 14h30 e das 17h à 0h; sexta a domingo, das 11h à 0h.
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>> Silvio’s Bar
Rua Begônia, 199, Esplanada. 
(31) 3318-3273. Aberto de segunda a sexta, das 17h à 0h; sábado, das 12h à 0h.

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FONTE:  Estado de Minas.


Fotógrafo captura sequência com pássaro pescando na Inglaterra
Pássaro martim-pescador durante pescaria no Rio Salwarpe

Você poderia dizer que essa notícia é “caso de pescador”… Na verdade, é mesmo! Mas é um caso verdadeiro, registrado pelo fotógrafo Ian Schofield, em Worcestershire, na Inglaterra. As imagens feitas pelo profissional mostram o momento em que o pássaro martim-pescador mergulha em busca de sua presa.

A sequência incrível de fotos – que podem ser acessadas aqui  – permite ver desde o momento em que a ave se prepara para atacar, o mergulho em busca do alimento, até o retorno das àguas, com o peixe no bico. O caso foi fotografado no Rio Salwarpe, próximo de Droitwich Spa.

Esse tipo de pássaro é famoso por seu voo rápido sobre a água, além de conseguir pairar sobre a superfície à espreita dos peixes, de acordo com uma reportagem do site britânico Daily Mail.

Ainda segundo a publicação, as aves são muito vulneráveis ao inverno e dificilmente são encontradas fora do Sul da Inglaterra, por causa da sensibilidade à temperatura.

FONTE: Hoje Em Dia.

Bolsa destinada exclusivamente a sustentar pescadores artesanais no período de reprodução das espécies acaba engordando os bolsos de políticos, comerciantes e até religiosos, enquanto nos rios proibição é ignorada e fiscalização se omite

 

Canoas paradas: bolsa foi criada para garantir sustento de ribeirinhos proibidos de pescar durante a piracema, entre novembro e fevereiro, mas sobra para fraudadores e falta para quem realmente precisa ( Leandro Couri/Em/D.A Press)
Canoas paradas: bolsa foi criada para garantir sustento de ribeirinhos proibidos de pescar durante a piracema, entre novembro e fevereiro, mas sobra para fraudadores e falta para quem realmente precisa

 

A época mais sensível do ciclo natural dos peixes de rios é alvo de atividades predatórias que ameaçam extinguir espécies nas águas mineiras, e já comprometem o sustento de pescadores, enquanto a principal política oficial para evitar capturas predatórias acaba sustentando pessoas que estão longe de depender da atividade. Compreendida entre novembro e fevereiro, a chamada piracema chega hoje ao último dia. É o período de reprodução, em que os exemplares estão mais vulneráveis às redes e anzóis dos profissionais.

Capturar animais nessa época é proibido, mas surubins, dourados e matrinchãs – espécies ameaçadas de desaparecer – continuam sendo fisgados sem interferência da polícia ou de órgãos ambientais e de regulação da atividade. O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) entende que a solução é “conscientizar”, mas o instrumento mais usado para inibir transgressões vem alimentando uma rede de corrupção. O Seguro-Desemprego ao Pescador Artesanal, um salário mínimo mensal pago na época do defeso a quem sobrevive da pescaria rudimentar, acaba em muitos casos engordando os bolsos de pessoas como políticos, fazendeiros, comerciantes e até religiosos. Os reais necessitados muitas vezes não veem a cor do dinheiro.

Vasculhando as listas de recebimento dessas bolsas para pescadores artesanais e cruzando-as com comprovantes de pagamentos de instituições públicas, registros de outras atividades e lastros de campanhas políticas, a reportagem encontrou pelo menos 55 pessoas em Minas Gerais suspeitas de receber auxílios fraudados. São ex-vereadores, carvoeiros, donos de negócios privados e empresários que dirigem carros novos, têm propriedades e ainda assim desviam o recurso que poderia ampliar as políticas de preservação da fauna e das comunidades ribeirinhas. Não é pouco dinheiro envolvido. Só em Minas Gerais foram liberados, nos últimos quatro anos, R$ 62.474.905,44 para o seguro, 2% dos  R$ 2.921.112.552,70 pagos no Brasil. Porém, Minas é exatamente um dos estados que têm a fiscalização mais frágil.

Nos últimos dois anos houve 90 mil benefícios suspensos no Brasil e 98.336 carteiras de pesca cassadas por suspeitas de fraude. Em Minas, 3.757 carteiras foram suspensas, mas nenhuma delas devido a desvios do seguro-desemprego do pescador artesanal, segundo os ministérios da Pesca e do Trabalho.

A apenas três quilômetros da Lagoa da Pampulha, um dos símbolos de Belo Horizonte, mora uma pessoa que, segundo o registro no Ministério do Trabalho, sobrevive do sustento que tira de rios e lagos. Ou seja, um pescador artesanal em plena área urbana da capital. Mas esse homem, de 60 anos, não está entre aqueles que insistem em tentar capturar tilápias das águas poluídas pelo esgoto na Pampulha. O pescador, que recebeu R$ 3.924 desde 2011 – dinheiro que deveria prover seu sustento para não morrer de fome na piracema –, está inscrito a 220 quilômetros da capital mineira, como integrante da colônia pesqueira de Abaeté, no Centro-Oeste do estado.

Mas esse homem, o pastor Roberto Marcos dos Santos, está longe de ser um pescador artesanal.

Na verdade, o pastor Santos é administrador de uma instituição para tratamento de dependentes químicos também na Pampulha. Os 36 pacientes que ela mantém precisam pagar um salário mínimo mensalmente e contribuir com cestas básicas enquanto tentam se livrar dos vícios, segundo o programa seguido pelo religioso.

O sítio onde funciona a instituição tem piscina, área de lazer e lago com peixes, e ela emprega também a mulher e o filho do pastor-pescador.

Roberto Marcos dos Santos não se constrange quando perguntado se é pescador artesanal. Sua primeira resposta é afirmativa: “Sou, sim. Pesco na represa de Três Marias”.

Quando confrontado com suas outras atividades remuneradas, que por sí só o impediriam de receber o recurso, e questionado se precisa da pesca para sobreviver, a conversa muda de rumo. “É um dinheiro que uso para repor meus alimentos. Tudo o que pesco é para manter essa instituição (para dependentes). Quando tinha folga, ia pescar e o peixe que eu adquiria fazia com que virasse alimento aqui dentro da instituição”, tenta justificar.

Ao procurar o pastor, uma semana antes, a equipe de reportagem foi informada por um dos recepcionistas da casa de recuperação que o religioso estaria pescando na represa de Três Marias, no Rio São Francisco – mesmo recebendo, irregularmente, uma bolsa para não fazer isso, em pleno período da piracema. “Fui para lá para passear com minha família. Os peixes que tenho aqui são todos de antes da piracema”, argumentou. O homem então mostra uma porção de espécimes congelados, bem ao lado de uma tabela de preços. Santos entra novamente em contradição, ao confirmar que, além de manter sua instituição, vende peixes para os vizinhos.

Diante de tantas evidências, acaba admitindo as irregularidades. “Não digo que a pesca é meu sustento, mas ajuda na minha manutenção”, alega, dizendo que precisa do dinheiro da bolsa para se manter à frente da instituição que administra.

PESCADORES DO ASFALTO Mas o pastor-pescador está longe de ser o único. Para se ter uma ideia dos disparates que ocorrem contra o estímulo público para a preservação dos peixes, os registros do governo federal mostram que em grandes capitais, distantes de locais onde se pesca por subsistência e com recursos hídricos poluídos e inóspitos aos peixes, há pessoas recebendo auxílio público como se fossem pescadores artesanais.

Na capital mineira, por exemplo, 25 pessoas recebem religiosamente o benefício desde 2010, em um montante que já soma R$ 82.556. São Paulo, que apesar de ter lagoas com peixes não tem colônias pesqueiras, registra o impressionante número de 175 pescadores que declaram sobreviver dessa atividade e precisar de subvenção federal para se manter na piracema. Os “pescadores paulistanos” consumiram, nos últimos anos, R$ 418.674. Até a capital federal, aparentemente, tem pescadores de subsistência que não têm outra forma de sobreviver no período de reprodução dos peixes: são cinco pessoas registradas em Brasília.

Saiba mais

Seguro-Desemprego a Pescador Artesanal

É a assistência financeira temporária concedida desde 1992 exclusivamente ao pescador profissional que exerce suas atividades de forma artesanal, individualmente ou em regime de economia familiar, e que tem suas atividades paralisadas no período de defeso (fechamento da temporada de pesca para reprodução dos peixes). Para ter direito ao recurso, o pescador deve ter registro de profissional na categoria artesanal; estar inscrito no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS); comprovar venda do pescado 12 meses antes do defeso ou possuir comprovante de dois recolhimentos ao INSS. Deve, ainda, comprovar o exercício profissional da atividade de pesca artesanal ininterruptamente (a maioria faz isso por meio das colônias de pescadores) e não ter vínculo de emprego, relação de trabalho ou outra fonte de renda. Fraudadores podem ter o benefício cancelado e ser obrigados a devolver os recursos aos cofres públicos.

FONTE: Estado de Minas.


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