Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Militantes jogam tinta na fachada de prédio da ministra Cármen Lúcia em BH

Cerca de 450 manifestantes se reuniram em frente ao prédio da magistrada no Bairro Santo Agostinho

Manifestantes se reuniram em frente ao prédio da ministra Cármen Lúcia, em Belo Horizonte, na tarde desta sexta-feira (6) para protestar contra a negação do Habeas Corpus ao ex-presidente Lula no Supremo Tribunal Federal. Cerca de 450 militantes do Movimento Sem Terra (MST) jogaram tinta vermelha na fachada do edifício na Rua Dias Adorno, no Bairro Santo Agostinho, Região Centro-Sul da capital.

De acordo com Josimar Silva, coordenador do MST, o ato foi planejado desde ontem para protestar contra a decisão da Justiça. “Lula foi condenado sem provas. Não vamos dar descanso para toda essa corja que deturpa as leis para beneficiar interesses do capital. Assistimos essa semana que o Supremo é tão golpista quanto Temer”, disse. Cármen Lúcia tem um apartamento na cobertura do prédio, que fica em frente à ouvidoria do Ministério Público de Minas  Gerais. De acordo com vizinhos, ela esteve no prédio na última semana, mas desde então não é vista no local.

Vitor Ferreira, de 60 anos, conta que os manifestantes só saíram do local após a chegada da Polícia Militar. Segundo ele, que trabalha num prédio ao lado da residência da ministra, os militantes não quebraram nada, apenas jogaram tinta nos muros e na calçada. “Quando a polícia chegou, eles entraram num ônibus e saíram. Foi um transtorno para os vizinhos, mas eles apenas gritaram e jogaram tinta”, conta. Logo depois do protesto, os manifestantes se dirigiram para a Praça Sete, onde se concentra o grupo que protesta contra a ordem de prisão ao ex-presidente Lula.

  • mst carmem lucia
    Manifestantes só saíram do local após a chegada da PM

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FONTE: O Tempo.


Governo Temer corta a verba para as páginas petistas, os chamados “blogs sujos”

Essas páginas, fartamente financiada com dinheiro do contribuinte, serviam e servem ainda como plataformas para espalhar difamações e achincalhes na esgotosfera

Reinaldo Azevedo 29/09/2016 às 4:49

O governo Temer, numa atitude obviamente correta, suspendeu o repasse de dinheiro público a 13 blogs ou sites que, atenção!, não devem ser caracterizados apenas como pró-PT. A coisa é pior. Já chego lá. São eles: Brasil 247, Carta Maior, Conversa Afiada, Diário do Centro do Mundo, Site Jornal GGN (Blog do Luís Nassif), Portal Fórum, Opera Mundi, Brasil Econômico, O Cafezinho, Portal Fórum, Sidney Rezende, Viomundo e Brasil de Fato.

Atenção! De janeiro a dezembro de 2015, informa a Folha, essas páginas haviam recebido do governo e de estatais R$ 5,1 milhões. Entre janeiro e junho de 2016, o valor caiu para R$ 1,54 milhão. Após esse período, a fonte secou. Gente como Luiz Nassif chama isso, ora vejam!, de “censura”. Como? Quer dizer que, se um veículo não recebe verba oficial, está sendo censurado? O que foi feito da boa e velha iniciativa privada?

Censura uma ova! O problema dessas páginas — e isso ficou claro num documento que vazou da Secom, ainda no primeiro governo Dilma — é que não eram usadas apenas para, vá lá, defender pontos de vista do PT e do governo. No mais das vezes, serviam e servem também à difamação daqueles que o partido considera “inimigos”. E isso não exclui ninguém: políticos, juízes, jornalistas, empresários… Enfim: o PT define o alvo, o governo dá (ou dava) a grana, e a turma dispara.

Informa a Folha:
“Na lista estão o Blog do Luís Nassif (R$ 746 mil), o Brasil 247 (R$ 732 mil), o Diário do Centro do Mundo (R$ 194 mil) e o Conversa Afiada (R$ 333 mil), do jornalista Paulo Henrique Amorim. Os valores totais podem ser maiores, pois a Petrobras e a Caixa não forneceram os números divididos por recebedor, apenas o total. O Banco do Brasil, por exemplo, pagou R$ 500 mil ao Blog do Nassif em 2015 e R$ 113 mil de janeiro a maio deste ano. Para o Brasil 247, foram R$ 491 mil no ano passado e mais R$ 120 mil nos cinco primeiros meses de 2016. O Conversa Afiada recebeu R$ 199 mil em 2015 e R$ 44 mil neste ano.”

Essa gente toda tenha a opinião que quiser. Eu tenho. Ocorre que ninguém me pagava antes para atacar os petistas, quando eles eram poder, nem me paga agora para fazer o mesmo, quando são oposição. Ou, então, para defender o governo Temer.

Se sites e blogs querem ser extensões de um partido político, que, então, sejam. Mas não às custas do dinheiro do contribuinte. De resto, no mais das vezes, essas páginas funcionavam, e ainda funcionam — dado que os governos petistas ainda balançam o berço de muitas delas —, como meras plataformas para espalhar difamações e achincalhes na esgotosfera.

E o fazem sem puder, sem limites, sem vergonha.

Há muitos anos este blog denuncia essa prática. Eis a verdade traduzida em números. Ademais, a máquina petista, incluindo os sindicatos, central, ONGs, Prefeituras e governos de Estado, é gigantesca. Certamente os blogs sujos sobreviverão, fazendo o “trabalho” de sempre, sem o dinheiro federal. Deve ser uma experiência estranha não precisar nem de leitores.

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FONTE: Veja.


Em pronunciamento após a cassação, Dilma projeta ‘enérgica oposição’ a Temer, insiste na tese de que foi vítima de golpe e diz que acionará a Justiça para retornar ao cargo

No Palácio da Alvorada, cercada por correligionários, a presidente cassada afirmou que o impeachment é
Brasília – Não houve espaço para lágrimas no último discurso de Dilma Vana Rousseff ao se despedir do cargo de presidente da República, no Palácio da Alvorada. A petista subiu ainda mais o tom das críticas ao que chamou de “segundo golpe de estado que sofreu na vida”, no pronunciamento feito depois da aprovação de seu impeachment pelo Senado. Numa fala emocionada e firme, a primeira mulher presidente do Brasil disse que quem toma o poder é “um grupo de corruptos investigados”, destacou os avanços de seu governo e revelou que não desistirá da luta. “Nós voltaremos. Voltaremos para continuar nossa jornada rumo a um Brasil em que o povo é soberano”, profetizou, cercada de correligionários e militantes.
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“Com a aprovação do meu afastamento definitivo, políticos que buscam desesperadamente escapar do braço da Justiça tomarão o poder unidos aos derrotados nas últimas quatro eleições”, disse a presidente, vestida com blazer vermelho, cor do PT. Para Dilma, o impeachment é uma “inequívoca eleição indireta” e esse processo atingiria em cheio a democracia. Ela destacou ter sido eleita por 54,5 milhões de votos.
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A petista afirmou que a decisão dos 61 senadores que votaram pela cassação ameaça políticas sociais e direitos trabalhistas. “O golpe é contra os movimentos sociais e sindicais e contra os que lutam por direitos em todas as suas acepções: direito ao trabalho e à proteção de leis trabalhistas; direito a uma aposentadoria justa; direito à moradia e à terra; direito à educação, à saúde e à cultura; direito aos jovens de protagonizarem sua história; direitos dos negros, dos indígenas, da população LGBT, das mulheres; direito de se manifestar sem ser reprimido”, atacou.
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Dilma lembrou sua trajetória de luta contra a ditadura militar e fez um balanço dos avanços do PT no governo à frente de um processo que, segundo ela, “promoveu a maior inclusão social e redução de desigualdades da história de nosso país”. Um pouco afastado, quem assistia ao discurso era seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que escolheu gravata das cores da bandeira para acompanhar o desfecho do impeachment. Os senadores Gleisi Hoffman, Lindbergh Farias e Fátima Bezerra estavam ao lado da ex-presidente, além de seu advogado de defesa, o ex-ministro José Eduardo Cardoso.
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No pronunciamento, a petista sustentou mais uma vez sua inocência e reforçou que o partido ainda vai recorrer “em todas as instâncias possíveis”. Também chamou seus apoiadores à luta. “Haverá contra eles a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer”, reforçou. E ainda completou, descartando um adeus: “Tenho certeza de que posso dizer daqui a pouco”. Às mulheres, Dilma afirmou que, com seu afastamento, o machismo e a misoginia mostraram suas “feias faces”.
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PROTESTO
À medida que senadores chegavam ao palácio, em especial Lindbergh Farias (PT-RJ), eram recebidos por gritos de “Me representa”. No Palácio da Alvorada, parlamentares e militantes seguiram a mesma linha de que a luta continua. Logo depois do discurso da presidente, ela foi almoçar com apoiadores. Do lado de fora, um grupo continuou protestando contra o resultado do Senado. Deputados e ex-ministros discursaram para os militantes em frente ao Alvorada. O ex-ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, destacou a personalidade “guerreira” de Dilma, que animava muitos deles quando o desânimo batia. Militantes picharam o muro do Alvorada com os dizeres “governo golpista” e afixaram no quadro de avisos “Fora Temer”.

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FONTE: Estado de Minas.


José Medeiros: “Não há argumentos para derrubar a acusação”

 

O senador José Medeiros (PSD-MT) elogiou a acusação contra Dilma Rousseff e disse que a defesa não tem argumentos.

“Não há argumentos para derrubar a acusação. Não existe defesa. É como a bola de Rogério Ceni, no ângulo”, afirmou. “Eu voto com a maior tranquilidade do mundo”, concluiu o senador.

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FONTE: Carta Capital.


Casal denunciado na lava-jato

Procuradoria segue entendimento da Polícia Federal e pede ao Supremo a abertura de processo criminal contra Gleisi Hoffmann e o marido, Paulo Bernardo, por corrupção passiva

Inquérito da Polícia Federal aponta que Paulo e Gleisi teriam recebido R$ 1 milhão em propinas de contratos entre empreiteiras e a Petrobras (José Cruz/Agência Brasil)

Inquérito da Polícia Federal aponta que Paulo e Gleisi teriam recebido R$ 1 milhão em propinas de contratos entre empreiteiras e a Petrobras

Brasília – O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ofereceu denúncia  contra a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o ex-ministro do Planejamento e das Comunicações Paulo Bernardo, ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Lava-Jato. A denúncia foi apresentada 37 dias depois de o casal ter sido indiciado pela Polícia Federal por corrupção passiva. O inquérito policial concluiu que eles receberam R$ 1 milhão de propina em contratos firmados entre empreiteiras e a Petrobras. O valor foi usado para custear as despesas da eleição de Gleisi ao Senado, em 2010. O empresário Ernesto Kugler Rodrigues, de Curitiba, também foi denunciado.

Telefonemas e registros de estações radiobase (ERBs), as populares torres de celular, foram as principais provas usadas pela Polícia Federal para indiciar Gleisi e Bernardo. A partir da análise dos dados e uma nova delação premiada, do advogado Antônio Carlos Fioravante Pieruccini, os policiais entenderam que há indícios suficientes para confirmar as afirmativas de outros dois delatores: o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef.

Segundo a PF, Bernardo teria solicitado R$ 1 milhão a Costa, em operação conduzida por Alberto Youssef. Para a PF, o ex-ministro tinha conhecimento de que os valores eram ilícitos, caso contrário não os teria solicitado ao ex-diretor da Petrobras. “O caso presente parte de narrativas convergentes e foi sendo instruído com depoimentos e com algumas provas técnicas, baseadas em registros telefônicos, substancialmente”, explica a PF, no relatório entregue ao STF.

LIGAÇÕES SUSPEITAS Segundo a polícia, Kugler Rodrigues é o elo entre o esquema na Petrobras e a campanha de Gleisi. Embora a parlamentar negue, ele também atuou na arrecadação de fundos, segundo interpretação dos 25 telefonemas entre o empresário e o tesoureiro da parlamentar, Ronaldo Baltazar, e de três ligações para números registrados em nome da senadora. Um telefonema do empresário para Pieruccini, intermediário de Youssef, em período eleitoral, indica uma das quatro entregas de dinheiro vivo, segundo a polícia. A conversa durou 50 segundos e foi feita às 16h58 de 3 de setembro de 2010. Às 15h35 e às 16h26, antes da ligação, a própria Gleisi telefona para a sede do PT, em Curitiba. Horas antes, às 10h30, o partido recebia telefonema de Kugler.

Torres de celular mostram ainda que, no dia anterior, Pieruccini estava em São Paulo, onde visitou os escritórios de Youssef, segundo registros de portaria do doleiro. O advogado disse que, em quatro ocasiões, pegou em São Paulo pacotes de dinheiro com R$ 250 mil para entregar ao empresário em Curitiba, parte deles com a anotação “PB/Gleisi”. Pieruccini disse que a última entrega de dinheiro foi feita em agosto ou setembro de 2010, em seu próprio apartamento, na Água Verde — exatamente a localização de Kugler naquele dia.

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FONTE: Estado de Minas.


Janot oferece denúncia contra Lula ao STF na Lava-Jato

De acordo com o procurador-geral, os áudios captados pelo filho de Cerveró, Bernardo, deram “novos contornos” às investigações

Lula denunciado
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ofereceu denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Lava Jato. O petista foi incluído no inquérito que investiga o senador Delcídio Amaral (sem partido-MS). A acusação contra Delcídio é de oferecer facilitação de fuga ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, na tentativa de evitar sua delação premiada.

Janot apresentou um aditamento à denúncia, já oferecida ao STF, contra Delcídio, seu assessor, Diogo Ferreira, o banqueiro André Esteves e o ex-advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, por tentarem comprar o silêncio do ex-diretor da estatal. No aditamento, o procurador-geral da República inclui, além de Lula, o pecuarista Carlos Bumlai e seu filho, Maurício.

De acordo com Janot, os áudios captados pelo filho de Cerveró, Bernardo, deram “novos contornos” às investigações. Foi possível constatar que Lula, Bumlai e Maurício também atuaram na tentativa de comprar o silêncio de Cerveró “para proteger outros interesses, além daqueles inerentes a Delcídio e a André Esteves”.

O inquérito em questão tramita sob sigilo na Suprema Corte e, até esta terça-feira, não se sabia da inclusão de Lula no processo. A denúncia original foi oferecida em dezembro do ano passado ao STF e apura a tentativa do grupo de embaraçar as investigações da Lava Jato.

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FONTE: Estado de Minas.


Ex-petistas criticam abandono da luta operária e adesão a um projeto burguês

A luta pela causa proletária foi o fio condutor que uniu, em 1980, militantes da esquerda brasileira, ex-presos políticos da ditadura militar e movimentos sindicais pela fundação do Partido dos Trabalhadores (PT).

Após longos anos de repressão e violência social impostas pelos militares, o novo projeto tinha como foco a transformação social do país, a ética e o fim da exploração dos trabalhadores.

Passados 36 anos, ficaram pelo caminho inúmeros militantes, que desembarcam da locomotiva petista ao verem que a trajetória política do partido não chegaria mais à redenção da classe operária.

PT

Para a maioria dos ex-petistas que saltaram a tempo, a deterioração do partido exposta diariamente e comemorada pela direita tradicional não é surpresa. “O PT substituiu a militância antiga, autêntica, por oportunistas que só tinham projetos de poder pessoal. Deixou de ser o partido dos militantes da transformação e traiu o princípio de sua fundação. Agora, está sendo castigado pela história de forma justa”, declarou o ex-membro do PT Apolo Heringer, que presenciou no Colégio Sion, em São Paulo, a fundação do partido no qual militou por oito anos.

O PT reunia integrantes com vertentes diversas da esquerda, que abandonaram a sigla e seguiram outros caminhos por motivos divergentes. Todos eles, no entanto, são unânimes ao falar que a militância aguerrida foi deixada de lado e isolada pela cúpula petista, conforme cargos eleitorais foram sendo conquistados.
Grupo ocupa Praça da Matriz em vigília contra o impeachment de DilmaDilma e Lula vão visitar manifestantes em BrasíliaPT exalta conquistas dos governos Lula e Dilma

“Comecei a divergir do PT porque entraram pessoas não muito confiáveis eticamente. Os primeiros deputados foram eleitos e começaram a ter uma parcela de poder grande dentro da Câmara Federal e das assembleias legislativas”, lembra Heringer, que em 1981 viajou de carro com o líder Luiz Inácio Lula da Silva, em uma expedição que durou dez dias pelo interior de Minas.

Mudança

Por 22 anos, o jornalista, escritor, professor e militante marxista Leovegildo Pereira Leal militou no PT depois de participar ativamente da luta contra o regime militar. Na sigla, atuou em várias frentes, como em campanhas políticas, até junho de 2002, ano em que Lula, candidato à Presidência pela terceira vez, divulgou a “Carta ao povo brasileiro”, manifesto em que assume uma postura direitista para acalmar mercados e ampliar sua base.

“O PT, que já tinha inclinação para a social democracia, se rendeu definitivamente a um projeto burguês. Ao entrar na institucionalidade política, foi perdendo sua característica fundadora. Deixou o espaço da militância nos sindicatos, universidades, e passou a atuar nos gabinetes e parlamentos, seguindo vícios da burguesia, que são o oportunismo, o favorecimento e a falta de ética”, sustenta o comunista.

Outro importante combatente da Ditadura, Luiz Rodolfo Viveiros de Castro conta que o desembarque dos militantes de esquerda do PT, onde atuou por 20 anos, começou nos anos 1990, mas atingiu seu recorde nos anos 2000, em razão da carta do ex-presidente.

“Naquele momento, Lula, o PT e seus satélites comunicam ao país que estava consubstanciada a traição aos princípios políticos que vigoravam desde 1980. A carta nada mais é que a garantia de que a política econômica dos governos FHC (Fernando Henrique Cardoso, PSDB) seria continuada”, disparou.

Castro foi presidente estadual do PT no Rio de Janeiro e por décadas esteve na direção do partido, até abandoná-lo por entender que o PT deixara de ser um partido para tornar-se “legenda eleitoral”. Sem defender qualquer outro partido, conclui: “Lula é o coveiro da esquerda”.

Reconhecido

O PT só foi reconhecido como partido político pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no dia 11 de fevereiro de 1982. A ficha de filiação número 1 foi assinada por Apolônio de Carvalho.

Cristovam Buarque

Partido poderá chegar ao fim

Em maio de 2010, foi a vez de a cientista política Sandra Starling, ex-dirigente do PT em Minas, oficializar a saída do partido. Segundo ela, o “mandonismo” de Lula se instalou, e a política econômica de seu governo servia aos banqueiros. Para Sandra, a gota d’água foi quando Lula impôs a candidatura de Hélio Costa (PMDB) ao governo de Minas, deixando o petista Patrus Ananias como vice na chapa, derrotada pelo PSDB. “Foi e ainda é muito doloroso para mim. Chorei e choro até hoje”, lamenta a ex-petista, dizendo que nem mesmo uma refundação ajudaria a reerguer o partido.

Atualmente no PPS, o senador Cristovam Buarque filiou-se ao PT em 1990, tendo desembarcado em 2005. “Saí antes de o PT perder a vergonha”, declarou. Para ele, o partido chegará ao fim se a presidente Dilma insistir em continuar no governo até 2018. “Temos agora a chance de refundar uma nova esquerda no país”, avaliou o ex-ministro da Educação de Lula.

Dirigente e responsável pelo setor armado do Movimento Revolucionário – 8 de outubro (MR-8), o jornalista e escritor Cid Benjamin protagonizou, em 1969, o sequestro do embaixador norte-americano, libertado em troca de 15 presos políticos e da divulgação de um manifesto. Participou da fundação do partido, mas deixou-o em 2003 por achar que o PT estava excessivamente parecido com o PSDB na política e com o PMDB nos métodos. “A essa altura, sou cético em relação à possibilidade de uma transformação estrutural do PT”, declarou.

Para o ex-petista Leovegildo Pereira Leal, só resta ao PT retomar algumas de suas antigas teses ao lado de movimentos sociais e sindicais, “mas que não serão as prioritárias, na busca de reerguer seu edifício social-democrata”, analisa.

Ainda na militância esquerdista, Luiz Rodolfo Viveiros de Castro[NORMAL_A] critica também a polarização que tomou conta do país entre os petistas, que se consideram a esquerda brasileira, e os fascistas, que defendem o “golpe” contra o governo. “[/NORMAL_A]Dizer que é petista e é da esquerda soa até como má-fé, cinismo ou mostra a cegueira dos atuais militantes”. <CF82>(AD)

Minientrevista

Cid Benjamin
Jornalista e escritor
fundador do PT

FOTO: ARQUIVO PESSOAL
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Cid Benjamin, ex-petista e protagonista do sequestra do embaixador americano durante a Ditadura
Após voltar do exílio em 1979, o senhor ajudou na criação do PT um ano depois. Como foi sua atuação nesse processo?

Sou fundador e fui dirigente nacional e estadual do PT no Rio. Na época, o partido surgia como uma alternativa de organização dos trabalhadores para aprofundar a democracia, fazer reformas políticas, econômicas e sociais e caminhar rumo a um socialismo democrático.

Em que ano e por que o senhor deixou o PT?

Deixei o partido em 2003, quando foi criado o PSOL, legenda à qual me filiei. De forma sintética, o que motivou a minha decisão foi a percepção de que o PT estava excessivamente parecido com o PSDB na política e com o PMDB nos métodos.

Desde que assumiu a Presidência, Lula foi criticado pelos militantes por administrar em favor do mercado. Qual sua avaliação?

É inegável que o PT no governo aprofundou medidas de caráter social que ajudaram a diminuir a miséria no país. Mas não fez qualquer reforma estrutural, não afetou os interesses dos poderosos e, no essencial, manteve a política econômica de FHC (Fernando Henrique Cardoso). Hoje, diante do acirramento da crise econômica, comete um estelionato eleitoral, aplicando a política dos adversários derrotados e fazendo com que os trabalhadores arquem com o maior peso da crise.

A história do PT na Presidência já dura 13 anos. Não foi tempo suficiente para promover uma transformação social mais profunda e definitiva?

Evidentemente que sim. Mas, para isso, teria que haver vontade política de governar para o andar de baixo e não para as elites.

Alguns ex-petistas fazem forte oposição e apoiam o impeachment. Concorda?

As pessoas têm o direito de mudar de opinião. (Fernando) Gabeira, com quem mantenho relações pessoais, é um exemplo: mudou radicalmente. De minha parte, exerço o direito de afirmar que preferia o jovem contestador e libertário que era ao velho conservador que se tornou.

FONTE: O Tempo.


No passado, Temer criticava, e Lula dizia não ser golpe
Com pressão sobre FHC, em 1999, papéis estavam invertidos no país
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Outra época. Fernando Henrique enfrentou pedido de impeachment feito pelo PT, mas resistiu BRAZIL ELECTIONS Contra FHC, Lula rejeitava discurso de “golpismo” que hoje utiliza

RIO de JANEIRO. “Levamos muito tempo para conseguir a estabilidade constitucional e devemos mantê-la a qualquer custo”, afirmou o peemedebista Michel Temer, ao defender a democracia e o mandato de um presidente eleito pelo voto popular. Sim, a frase contrária ao impeachment é de Temer.

“Eu não vejo por que o presidente deva ficar tão nervoso com a oposição e dizer que tem golpe. Não tem golpe nenhum. Estamos fazendo as coisas dentro da maior legalidade, estamos cumprindo tudo aquilo que está na Constituição”, justificou Lula. Sim, a frase foi endereçada ao presidente eleito pelo voto popular e ameaçado de afastamento e foi dita pelo petista Luiz Inácio Lula da Silva, que colocara companheiros de partido na linha de frente pró-afastamento.

As frases mais que atuais foram ditas por Temer e Lula não no contexto do processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff, mas há 17 anos, quando o tucano Fernando Henrique Cardoso era bombardeado pela oposição. À época, petistas pediam a renúncia de FHC e tentavam interromper seu segundo governo, enquanto o então presidente e aliados se defendiam acusando a oposição de golpe contra a Constituição e a democracia.
Temer diz que por ser constitucionalista sabe que não há golpeLula ataca Temer e diz que, ‘se tudo der certo’, volta a ser ministroEm vídeo, Lula diz que Temer ‘trai compromisso selado nas urnas’

Temer, que hoje se articula para assumir o governo em uma eventual saída de Dilma, à época era presidente da Câmara dos Deputados e entendia a estratégia do impeachment defendida pela oposição como um golpe contra a democracia. Dos quatro pedidos de impeachment contra FHC que conseguiram chegar até as mãos do peemedebista, todos foram engavetados.

No jogo de frases que esquentam os embates políticos, situação e oposição repetem os mesmos discursos ditos em 1999 – só mudaram de posição. Há 17 anos, FH começava o primeiro ano de seu segundo governo em meio à rejeição popular, manifestações, crises política e econômica, quadro semelhante ao enfrentado por Dilma, em contextos diferentes.

“É a marcha dos sem-rumo, porque não propõe nada”, disse Fernando Henrique em entrevista à Rede Globo sobre manifestação organizada pela oposição, acusada por ele de golpe, hoje palavra muito utilizada pelos petistas:

“Golpismo é ‘Fora FH’, na televisão, nos spots. É toda hora: ‘Fora FH’. Isso é antidemocrático. Não é contra mim, não. É contra as instituições democráticas”, afirmou o tucano.

“A manifestação será democrática. Renúncia ou impeachment são soluções institucionais, previstas na Constituição. Golpismo é imaginar que o presidente está acima da Constituição”, respondeu o então deputado petista José Genoino, posteriormente condenado pelo escândalo do mensalão, com argumentos hoje usados por tucanos.

Aécio fazia críticas que hoje recebe

BRASÍLIA. Presidente do PSDB, o senador Aécio Neves (MG), um dos principais defensores do impeachment da presidente, também já abraçou o movimento “Não vai ter golpe”, hoje encabeçado por Dilma: “O governo reagirá com a mesma violência a qualquer tentativa de golpismo. Não podemos permitir que avance qualquer ideia de solução fora da via democrática”, dizia o então deputado em clima de confronto.

“Quem está cometendo um golpe é o FHC, que ao invés de pensar nos brasileiros que estão passando fome e estão desempregados continua acreditando mais nos dirigentes do FMI”, discursava Lula, que insiste hoje no discurso do golpe.

Ao ser criticado pela oposição, FH respondia que não tinha quebrado promessas de campanha, uma dos argumentos também por Dilma para se contrapor à oposição. Numa tentativa de acordo, petistas recusavam aproximação com o PSDB, resistência hoje também forte entre os tucanos. Nos discursos políticos, ainda muito se copia e pouco se cria.

FONTE: O Tempo.


Grampos, Lula, Dilma e Moro: entenda o novo caos político

Gravações da Lava Jato, uma delas sem autorização judicial, acirram ainda mais os ânimos de um país convulsionado

Protesto contra Dilma e Lula

Em frente ao Palácio do Planalto, manifestantes protestam contra a nomeação de Lula como ministro e pedem a renúncia de Dilma, na noite desta quarta-feira 16.

O Brasil chegou nesta quarta-feira, 16 de março, ao que parece ser o ponto mais sensível da crise política que se arrasta desde as eleições de outubro de 2014. No dia em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi anunciado como novo ministro-chefe da Casa Civil, uma série de áudios coletados pela força-tarefa da Operação Lava Jato incendiou o ambiente político e ensejou novas manifestações contra o governo da presidenta Dilma Rousseff, algumas das quais registraram episódios de violência.

O que são os grampos envolvendo Lula e Dilma?

Os áudios são uma série de gravações feitas pela Polícia Federal, tornadas públicas na noite desta quarta-feira 16 pelo juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelos inquéritos da Lava Jato em primeira instância.

Quando as gravações foram feitas?

As gravações foram feitas entre 17 de fevereiro e 16 de março.

Essas gravações são legais?

Sim e não. As gravações foram autorizadas por Moro uma vez que Lula é investigado na Operação Lava Jato, mas o grampo que tem causado mais celeuma, que captou diálogo entre Lula e Dilma, foi feito às 13h32 desta quarta-feira 16, depois de o próprio Sergio Moro ter determinado o fim das escutas contra o ex-presidente, como mostraram reportagens do jornal Folha de S.Paulo e do portal UOL.

O que há nas gravações entre Dilma e Lula?

Há pelo menos dois áudios entre Lula e Dilma. Em um deles, com cerca de seis minutos, feito logo após a condução coercitiva de Lula, em 4 de março, o ex-presidente se queixa com a sucessora a respeito da “República de Curitiba”, uma referência a Moro, e diz que o Supremo Tribunal Federal, o Superior Tribunal de Justiça e o Congresso estão “acovardados”. “Nós temos um presidente da Câmara fodido, um presidente do Senado fodido, não sei quantos parlamentares ameaçados. E fica todo mundo no compasso de que vai acontecer um milagre e vai todo mundo se salvar.”

Um segundo áudio, feita na tarde desta quarta-feira 16, mostra diálogo entre Dilma e Lula a respeito do “termo de posse”, documento que confirma sua nomeação para a Casa Civil. A um Lula monossilábico, Dilma afirma: “Seguinte, eu tô mandando o ‘Bessias’ junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!”

O que mais há nos áudios?

Há gravações entre Lula e figuras importantes do primeiro escalão do governo. Em uma das que chama atenção, feita também logo após a condução coercitiva de Lula, o ex-presidente conversa com o então ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, e diz que gostaria de “antecipar” uma ação que estava no STF sob os cuidados da ministra Rosa Weber. “Eu queria que você visse agora, falar com ela [Dilma, aparentemente] já que ela está aí, falar com ela o negócio da Rosa Weber. Está na mão dela para decidir. Se homem não tem saco, quem sabe uma mulher corajosa possa fazer o que os homens não fizeram”

Trata-se, provavelmente, do pedido feito pela defesa de Lula para esclarecer quem deveria investigá-lo – o Ministério Público de São Paulo ou o Ministério Público Federal do Paraná, responsável pela Lava Jato. Rosa Weber decidiu que as duas investigações deveriam correr em paralelo, mas nesta semana a Justiça estadual paulista remeteu o caso envolvendo Lula a Sergio Moro.

O que o MPF diz sobre os áudios?

Sem fazer referências a áudios específicos, os procuradores do MPF-PR afirmam que os áudios mostram “conversas que denotam estratégias para turbar as investigações envolvendo Luiz Inácio”. Os procuradores citam a delação premiada do senador Delcídio do Amaral e dizem existir “diálogos que envolvem ministros de Estado, e em que os interlocutores aduzem ser possível a interferência na presente investigação”.

O que diz Sergio Moro sobre os áudios?

No despacho em que retira o sigilo das gravações, Moro afirma que, aparentemente, há gravações em que se fala “em tentar influenciar ou obter auxílio de autoridades do Ministério Público ou da Magistratura em favor do ex-presidente”. Moro ressalta, no entanto, que não há nenhum indício nas conversas, ou fora delas, de que as pessoas citadas teriam, de fato, agido “de forma inapropriada”. “Em alguns casos, sequer há informação se a intenção em influenciar ou obter intervenção chegou a ser efetivada”, observa o juiz.

Ainda de acordo com Moro, “pelo teor dos diálogos degravados, constata-se que o ex-presidente já sabia ou pelo menos desconfiava de que estaria sendo interceptado pela Polícia Federal, comprometendo a espontaneidade e a credibilidade de diversos dos diálogos”.

O Palácio do Planalto se manifestou?

Sim. Em nota oficial, o Planalto afirma que o termo de posse foi encaminhado a Lula pois o novo ministro “não sabia ainda se compareceria à cerimônia de posse” e diz que o documento “só seria utilizado caso confirmada a ausência do ministro. O Planalto afirma que a conversa tem “teor republicano” e “repudia com veemência sua divulgação que afronta direitos e garantias da Presidência da República”.

Ainda segundo a nota, Sergio Moro violou leis e a Constituição de forma flagrante e será alvo de “todas as medidas judiciais e administrativas cabíveis”.

O que diz a defesa de Lula?

O advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin, classificou de “arbitrária” a divulgação dos grampos, disse que, com a decisão, o juiz Sérgio Moro não tinha mais competência sobre o caso e buscou estimular uma “convulsão social”. “Este grampo envolvendo a presidenta da República ser divulgado hoje, quando já não existe competência da Vara de Curitiba, revela uma finalidade que não é processual, revela uma finalidade que busca causar uma convulsão social, que eu repito, que não é o papel do Poder Judiciário”, disse o advogado.

Qual foi a reação da oposição?

Panelaços e buzinaços ocorrem à noite em várias cidades brasileiras contra a nomeação de Lula. A divulgação dos áudios acirrou ainda mais os ânimos e estimulou protestos contra os petistas.

Em Brasília, de acordo com a Polícia Militar, eram cerca de 5 mil pessoas em frente ao Palácio do Planalto. Elas foram motivados por parlamentares oposicionistas e convocações nas redes sociais. Um homem, até aqui não identificado, jogou uma bomba caseira na rampa do Planalto e foi preso.

A PM reforçou a segurança na rua que dá acesso ao Palácio da Alvorada, residência oficial de Dilma, e usou bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e spray de pimenta para dispersar os manifestantes da frente do Congresso Nacional.

 

 

 

 

FONTE: Carta Capital e Youtube.

Delcídio 1

Senador Delcídio do Amaral, que foi preso pela Operação Lava-Jato, teria dito em delação premiada ao MP que a presidente Dilma e Lula tentaram interferir nas investigações

 

De aliado da presidente Dilma, inclusive como líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS) passou a ser considerado ontem uma espécie de “homem-bomba” para o Palácio do Planalto e esquentou ainda mais a crise política em Brasília. A reportagem, publicada pela revista IstoÉ, de que ele teria feito delação premiada, acusando Dilma e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de terem tentado interferir no andamento da Operação Lava-Jato, foi considerada gravíssima no meio político.

Delcídio 2

A reação foi imediata tanto na oposição, que pediu a saída da presidente do cargo, como no governo, que desmentiu a acusação. Em prisão domiciliar, Delcídio não confirmou o conteúdo da reportagem, mas também não negou claramente a existência de uma delação.
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De acordo com a revista, a delação de 400 páginas feita por Delcídio a um grupo de trabalho da Procuradoria-Geral da República ainda não foi homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavaski. Ele teria pedido uma cláusula de sigilo de seis meses que estaria dificultando o fechamento do acordo. Delcídio teria relatado que Dilma teria nomeado o ministro Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) mediante o compromisso de que ele votaria pela soltura dos empresários presos na Lava-Jato.

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A presidente também teria plena ciência das cláusulas desfavoráveis à Petrobras na compra da refinaria de Pasadena (EUA). Ao contrário do que se sabe até agora, Delcídio também teria falado na participação decisiva de Dilma para indicar Nestor Cerveró como diretor da estatal.
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Já Lula, segundo a acusação, seria o mentor da tentativa de acordo para evitar uma delação de Cerveró. Seria do petista a ordem para que Delcídio oferecesse uma mesada à família do empreiteiro em troca do seu silêncio nas investigações de corrupção na Petrobras. Lula também teria oferecido dinheiro para o ex-empresário Marcos Valério se calar no caso do mensalão. Ainda segundo a revista, há relato de que Dilma e seu antecessor teriam interferido em CPIs para se proteger.
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A suposta delação rapidamente se tornou objeto de desejo de todos em Brasília. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Claudio Lamachia, informou que vai protocolar requerimento hoje no STF pedindo acesso ao depoimento. Se os fatos forem verdadeiros, segundo ele, serão apreciados pela OAB. Já a oposição quer incluir o teor das declarações no pedido de impeachment de Dilma na Câmara. O senador Aécio Neves, presidente do PSDB, foi à tribuna do Senado pedir a renúncia da petista.
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Dilma divulgou nota repudiando “o uso abusivo de vazamentos de delações premiadas” como arma política que, segundo ela, não contribui para a estabilidade do país. “Cumprimos rigorosamente o que estipula a nossa Constituição”, disse. O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, um dos citados na suposta delação, usou sua posse como advogado-geral do estado para defender o governo. Elea é citado como um dos que tentaram influenciar a Lava-Jato.

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Ele, porém, deixou o cargo de ministro sob pressão do PT, que alega que ele teria ficado inerte. Segundo ele, as denúncias foram uma tentativa de “ludibriar” a todos para “se vingar daqueles que ele achava que tinham poderes para tirá-lo da cadeia e não o fizeram”. Cardozo questionou se Delcídio teria credibilidade depois de ter dito que retaliaria o governo caso não fosse solto. “Está se dando peso para delações premiadas de sentença judicial”, criticou.

Como porta-voz de Dilma, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, disse que a petista está “muito indignada”. O ministro afirmou que tem “muita poeira e pouca materialidade” nas denúncias e comparou o vazamento ao escândalo da Escola-Base, na década de 1990. Na época, donos de um colégio foram acusados pela opinião pública e anos depois inocentados de denúncias de abuso infantil.

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Em nota, Lula diz que jamais participou direta ou indiretamente de qualquer ilegalidade. Delcídio divulgou nota alegando desconhecer o conteúdo da reportagem e que não foi  procurado pela revista para se manifestar sobre a veracidade ou não dos fatos.

 

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FONTE: Estado de Minas.


Senador Delcídio do Amaral deixa prisão em Brasília

Petista foi preso em novembro após oferecer dinheiro e fuga para delator.
Ele ficará em recolhimento domiciliar e poderá ir a sessões no Senado.

O senador Delcídio do Amaral (PT-MS) deixou na noite desta sexta-feira (19) prisão no Batalhão de Trânsito da Polícia Militar do Distrito Federal (BPTrans), onde estava preso desde 18 de dezembro. Ao todo, Delcídio cumpriu 87 dias de prisão preventiva.

O parlamentarr foi preso após pedido da Procuradoria Geral da República (PGR) e autorização concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por suspeita de tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato. Em novembro, ele foi gravado oferecendo fuga para que ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró não fechasse acordo de delação premiada.

Nesta sexta, mais cedo, o ministro Teori Zavascki, do STF revogou a prisão preventiva do senador. Relator dos processos da Operação Lava Jato no STF, Teori determinou recolhimento domiciliar de Delcídio no período noturno e dias de folga, enquanto no pleno exercício do mandato de senador. Assim, Delcídio poderá comparecer normalmente às sessões do Senado.

 

Caso seja afastado ou cassado do mandato, Delcídio deverá ficar em recolhimento domiciliar integral até nova demonstração de ocupação lícita. O petista também deverá comparecer a cada 15 dias perante a Justiça, bem como a todos os atos do processo, caso requisitado.

Ele também está proibido de deixar o país – o passaporte do petista deverá ser entregue em até 48 horas.

Na decisão favorável ao senador, Teori Zavascki considerou ser “inquestionável” que o “quadro fático é bem distinto” daquele que possibilitou a prisão.

“Os atos de investigação em relação aos quais o senador poderia interferir, especialmente a delação premiada de Nestor Cerveró, já foram efetivados. E o Ministério Público já ofereceu denúncia contra o agravante. Assim, conforme reconhece expressamente a manifestação do Ministério Público, a medida extrema já não se faz indispensável, podendo ser eficazmente substituída por outras medidas alternativas”, escreveu o ministro em seu despacho.

Em nota, o advogado de Delcídio, Mauricio Silva Leite, afirmou que a decisão garante a Delcídio a possibilidade de exercer seu direito de defesa com maior amplitude. “A decisão respeita, principalmente, a presunção da inocência, prevista na Constituição Federal”, afirmou.

O senador deverá assinar um termo de compromisso e caso descumpra as exigências, poderá voltar para a cadeia. Caso Delcídio venha a perder o mandato, não haverá necessidade de uso de tornozeleira eletrônica, como pediu a PGR. Para Zavascki, não há risco concreto para justificar a medida. A decisão do ministro não impede que Delcídio tenha contato com os demais parlamentares investigados, nao contrário do que havia solicitado o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Senador Delcídio do Amaral (PT-MS) durante pronunciamento no plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária em setembro de 2015 (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado/Arquivo)
O senador Delcídio do Amaral (PT-MS) durante pronunciamento no plenário do Senado Federal em setembro de 2015 

Senado
Mais cedo, o assessor de imprensa de Delcídio, Eduardo Marzagão, disse a jornalistas que o  petista ficou “emocionado” com a notícia de que seria liberado da prisão. “Nas condições que ele saiu, ele volta ao mandato imediatamente. Ele já está dentro do mandato. A sentença que o colocou em licença naquela oportunidade, a nova sentença já o coloca novamente no mandato. Ele já é senador novamente dentro do mandato”, disse Marzagão.

De acordo com a Secretaria-Geral da Mesa do Senado, uma vez solto, Delcídio do Amaral poderá retornar imediatamente às atividades legislativas. O senador, no entanto, pode solicitar à Mesa do Senado uma licença para tratar de assuntos particulares, o que precisa ser aprovado pelo plenário da Casa. Neste caso, o senador deixaria de receber salário. Se o afastamento das atividades for maior do que 120 dias, o suplente do senador deverá assumir a cadeira do petista.

Prisão
O senador foi gravado prometendo ao filho de Cerveró conversar com ministros do STF para libertar o ex-diretor da Petrobras e sugerindo plano de fuga para ele, rumo a Espanha e passando pelo Paraguai.

Segundo as investigações, Delcídio também prometeu ajuda financeira de R$ 50 mil mensais para a família e honorários de R$ 4 milhões para o advogado em troca do silêncio de Cerveró em sua delação premiada em relação a suspeitas sobre ele.

Após a prisão, Delcídio foi acusado pelo crime de embraço às investigações da Lava Jato pela Procuradoria Geral da República. Caberá agora ao STF decidir se abre uma ação penal contra ele, ao analisar a denúncia

FONTE: G1.


Estado pode atrasar salários também em fevereiro
Governo afirma que pagamento será integral no próximo mês, mas não descarta parcelamento a partir de março

Salário

O salário dos servidores públicos de Minas Gerais pode ser pago com atraso também em fevereiro, assim como irá ocorrer neste mês com o vencimento referente a dezembro, segundo o secretário de Planejamento e Gestão, Helvécio Magalhães. O chefe da pasta não descartou a possibilidade de que, a partir de março, os contracheques sejam parcelados em função das dificuldades financeiras enfrentadas pelo governo do Estado.

Arrocho
“Ainda não se sabe (quando será pago o salário em fevereiro). Temos condições de pagar integralmente (o salário) em janeiro e fevereiro”, disse Magalhães.

Questionado sobre a possibilidade de a folha de março ser paga de forma parcelada, o secretário afirmou que “todas as alternativas estão sendo estudadas” pela equipe econômica do governo.
Helvécio Magalhães explicou que neste mês de janeiro os salários referentes a dezembro serão pagos com atraso por uma questão de caixa. O dinheiro só irá cair na conta dos funcionários no dia 13 próximo.

“O motivo é simples: fluxo de financeiro. O salário de dezembro tem uma coisa atípica, que está dentro do nosso planejamento, que é o 13º terceiro. A postergação é para ter a primeira entrada do decênio do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que entra no dia 10. O ICMS é muito significativo. É o imposto mais líquido que temos”, afirmou Magalhães.

De surpresa

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público do Estado de Minas Gerais (Sindpublicos-MG) Ronaldo Machado reclama que o atraso do pagamento em janeiro, referente ao mês de dezembro, traz prejuízos e problemas ao funcionalismo.

“Fomos pegos de surpresa, principalmente porque foi uma nota por meio da imprensa. O governo não dialogou com o sindicato. Foi uma falta de consideração com os trabalhadores. Depois de um ano, este governo não fez o dever de casa, sobretudo a Secretaria da Fazenda”, disse Machado.
O diretor do sindicato lembra que a maior parte das contas comuns a qualquer cidadão vence até o dia 10 de cada mês.

“Atrapalha porque o servidor já vinha com um cronograma, tem impostos, matrícula escolar dos filhos. Muitos de nós vamos ter que usar o crédito do cheque especial”, disse Machado. Segundo ele, até o momento o Executivo não procurou o sindicato para falar do atraso.

O secretário de Planejamento, Helvécio Magalhães, avaliou que os funcionários “têm razão de reclamar”. “Eles estão corretos. Tivemos muita dificuldade de saber o que íamos fazer com o salário de dezembro. Não conseguimos ter a data com antecedência. Vamos cuidar disso”.

Caixa

O secretário observa ainda que em janeiro e fevereiro o caixa do Estado conta com os recursos oriundos do pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). “A partir de março teremos um novo cenário. Estamos tendo que fazer cenários muito curtos”, disse sobre a crise financeira pela qual o país e o Estado passam.

Helvécio Magalhães lembra que ainda no início do ano passado, ao assumir, o governo de Fernando Pimentel (PT) identificou um rombo de R$ 7,2 bilhões nas contas. O Orçamento de 2016 foi enviado para a Assembleia de Minas com uma previsão de déficit de R$ 8,9 milhões.

“Agregou-se a isso a queda de arrecadação. O que nos salvou foi a gestão austera da (secretaria da) Fazenda e os depósitos judiciais”, disse se referindo aos cerca de R$ 4,2 bilhões que entraram nas contas do Estado em função do projeto de lei que permitiu que o Executivo tivesse acesso a parte dos depósitos judiciais nos quais era parte.

Receita

O secretário lembrou ainda as tentativas do governo de Minas para reforçar a arrecadação como o programa Regularize, aprovado no ano passado. O projeto incentiva a quitação de débitos com o governo. “Estamos fazendo um enorme esforço para ver se entra mais algum recurso adicional. Além disso, a CPMF deve vir”, afirmou.

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FONTE: O Tempo.


Pagamento do salário de servidores de MG é adiado, diz governo

Arrocho

Medida foi tomada por causa de dificuldades financeiras do estado.
O depósito será feito no dia 13 de janeiro ao invés desta sexta (8).

O pagamento dos servidores estaduais referente ao mês de dezembro foi adiado. Ao invés de ser efetuado nesta sexta-feira (8), quinto dia útil do mês, ele será depositado no dia 13 de janeiro.

Minas Gerais possui 403.530 servidores ativos e 228.788 servidores inativos.

Segundo a assessoria do governo, as dificuldades financeiras provocadas pela redução da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS),  fizeram com que o pagamento fosse postergado.

De acordo com nota divulgada pelas secretarias de Planejamento e Gestão e da Fazenda neste sábado, “o Governo de Minas segue realizando os esforços para controlar as despesas, estimular a arrecadação de tributos e implementar mudanças administrativas, a fim de superar as atuais dificuldades financeiras e, principalmente, garantir a folha de remunerações dos servidores estaduais”.

De acordo com orçamento previsto para 2016, a arrecadação do ICMS, inicialmente estimada em R$ 43,7 bilhões, foi revista para R$ 40,4 bilhões.

Mas mesmo com a queda, o orçamento estima um aumento de receita com impostos da ordem de 8%, chegando a R$ 40,3 bilhões em 2016. As receitas correntes formam a maior parte, com uma estimativa de arrecadação de R$ 74,44 bilhões para 2016. Já as receitas de Capital, segundo o projeto, têm redução estimada em 29,58% em relação a 2015, atingindo R$ 2,89 bilhões em 2016, principalmente devido à redução das operações de crédito.

De acordo com a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o executivo mineiro concentra 83,5% dos gastos com pessoal, sendo 49,77% referente ao pessoal ativo e 33,78% referente aos inativos. Para 2016, as despesas com pessoal foram projetadas em aproximadamente R$ 41 bilhões, cerca de 5,67% a mais do que em 2015. Os órgãos com maiores folhas de pagamento foram a Secretaria de Estado de Educação, com R$ 6,34 bilhões, e a Polícia Militar, com R$ 3,78 bilhões.

FONTE: G1.


Pizzolato já está a caminho do Brasil
Chegada do mensaleiro ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, está prevista para o início da manhã de sexta-feira (23)
Pizzolato
O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato embarcou nesta quinta-feira (22) de volta para o Brasil no Aeroporto de Malpensa, em Milão, por volta das 22h40 (18h40, horário de Brasília). Sua chegada ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, está prevista para o início da manhã de sexta-feira (23).

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Segundo a Polícia Federal, após longa disputa judicial, o catarinense de 63 anos foi extraditado nesta quinta-feira (22) e escoltado por uma equipe formada por três policiais federais e uma médica do órgão.

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De São Paulo, em aeronave da Polícia Federal, Pizzolato será conduzido até Brasília, onde irá para o Instituto Médico-Legal, onde fará exames. Posteriormente, será transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda.
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Em agosto de 2012, Pizzolato foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro no julgamento da Ação Penal 470, o processo do mensalão. Em novembro de 2013, ele fugiu para a Itália com o passaporte falso de um irmão morto para evitar ser preso no Brasil.

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Em 18 de novembro, o nome dele foi incluído na lista de procurados internacionais, conhecida como difusão vermelha, da Interpol.

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Três meses depois, a Polícia Federal, em conjunto com a polícia italiana, localizou-o no Norte do país. No dia 5 de fevereiro de 2014, ele foi preso em Maranello por porte de documento falso. Ele estava escondido na casa de um sobrinho.

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O ex-diretor do Banco do Brasil chegou a ser solto em outubro de 2014 pela Justiça da Itália. Em fevereiro deste ano, após recurso apresentado pelo Brasil, a extradição foi autorizada e Pizzolato retornou à prisão. No dia 24 de abril, a Justiça italiana confirmou a decisão de extraditá-lo.

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No dia 22 de setembro, após novo recurso apresentado pela defesa do brasileiro, o Conselho de Estado italiano considerou que o Brasil reunia as condições para o cumprimento da sentença.

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No dia 6 de outubro, a Corte Europeia de Direitos Humanos rejeitou a última tentativa de recurso de Pizzolato contra sua extradição para o Brasil. No recurso protocolado na corte, a defesa de Pizzolato, como nas demais ações contra a extradição, voltou a alegar que os direitos humanos não são respeitados nos presídios brasileiros. O argumento foi usado pela defesa para pedir que o ex-diretor do Banco do Brasil continuasse na Itália.

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O ministro da Justiça da Itália, Andrea Orlando, decidiu adiar por duas semanas a entrega de Henrique Pizzolato às autoridades brasileiras, anteriormente prevista para o dia 7 deste mês.

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FONTE: O Tempo.


Criador da página ‘Dilma Bolada’ anuncia fim de apoio à presidente

 

O criador da página ‘Dilma Bolada’ no Facebook e Twitter, o publicitário Jeferson Monteiro, fez um desabafo contra as mudanças ministeriais realizadas pela presidente em seu perfil pessoal e em suas contas nesta quarta-feira (30).

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A tag #DilmaBolada chegou ao posto de mais comentada do Twitter no Brasil e ganhou espaço entre os principais pelo Mundo quando o publicitário anunciou que pararia de apoiar a presidente Dilma Rousseff.

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Em seu post, ele afirmou que Dilma não precisa mais de seu apoio e nem de quem votou nela, apenas “do PMDB e de parte do empresariado para que ela se mantenha lá onde está. Trocou o Governo pelo cargo. Não é o Governo que eu e mais de 54 milhões de brasileiros elegemos”. E finalizou com um desabafo “Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão”.

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O publicitário fez questão de deixar claro que isso não foi uma ação de hackers e negou os boatos de que vai se filiar à Rede Sustentabilidade.

 

"Dilma Bolada'

 

 

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FONTE: Hoje Em Dia.


O “Dirceuduto” sob a mira da Lava Jato

O ex-ministro vira réu em nova ação, enquanto a força-tarefa tenta desenrolar o novelo de suas consultorias

José-Dirceu

Os investigadores querem saber mais sobre a atuação de Dirceu no ramo imobiliário

Em 6 de agosto, o advogado do ex-ministro José Dirceu, Roberto Podval, irritou-se na saída da Polícia Federal quando perguntaram sobre o envolvimento de seu cliente na Operação Lava Jato. “O Zé nunca foi dinheirista, não é a história dele. Zé nunca foi atrás de dinheiro.” O ex-ministro cumpre prisão desde o dia 3 do mês passado.

A força-tarefa o acusa de liderar o esquema. A empresa do ex-ministro, a JD Assessoria, faturou 39 milhões em contratos de consultoria entre 2006 e 2013. Parte deles, segundo o Ministério Público Federal, firmados de maneira ideologicamente falsa, com o intuito de simulação de recebimento de propinas por conta de fraudes no cartel de empreiteiras.

dirceu

Não bastassem os contratos milionários, a cada nova fase das investigações e a descoberta de mais documentos enfraquecem a afirmação de Podval. A teia de relações comerciais que envolvem o ex-ministro é um emaranhado sem um aparente final. Na terça-feira 15, com o recebimento da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal, Dirceu tornou-se mais uma vez réu de uma ação penal.

E-mail-José-Dirceu
No e-mail, a secretária afirma que Júlio César pediria esclarecimentos de como proceder nesse tipo de negociação, pois Barreto teria vendido uma ilha em Paraty, no Rio de Janeiro, que pertencia a um de seus filhos.  

Apesar da mensagem, Júlio César disse a CartaCapital jamais ter negociado qualquer ilha em seu nome ou no de Dirceu. Barreto explicou que nunca deu qualquer orientação ao sócio de Dirceu sobre a tramitação burocrática para a venda de qualquer imóvel. Quanto à ilha em Paraty, ele conta que chegou a pedir a Dirceu que encontrasse algum comprador para o imóvel em São Paulo, mas a venda não foi concluída. Falta descobrir quem é o dono da ilha que a JD pretendia vender.

Quatro anos mais tarde, é a vez do ex-ministro ser solicitado como intermediador de outro negócio na Bahia. O dono de uma praia particular em Cumuruxatiba oferece ao ex-ministro 1 milhão de dólares caso ele consiga vender um terreno de 140 hectares, com direito a 1 quilômetro de praia particular. O proprietário do terreno, Júlio Ferreira, explica que o empresário Mario Garnero tinha interesse em construir um empreendimento no local, mas ele precisaria de dinheiro em espécie para dar andamento a um projeto no Texas, nos Estados Unidos.

A relação de Dirceu com a venda da ilha e sua participação como agente imobiliário ainda dependem de mais esclarecimentos, mas as transações financeiras que envolvem sua empresa de consultoria e a firma de fachada do lobista Milton Pascowitch revelam outros valores milionários.

Segundo a investigação, o ex-ministro recebeu, só da Engevix, 11,8 milhões de reais de propinas oriundas de contratos fraudados na Petrobras. Parte desse dinheiro teria sido empregada na compra da sede onde funciona a consultoria do ex-ministro. A Jamp, empresa de Pascowitch, pagou, diz o Ministério Público, 400 mil reais a título de entrada na aquisição do imóvel na capital paulista.

Outra ferramenta de ocultação da propina, afirma o Ministério Público Federal, deu-se na reforma de outro imóvel. Segundo a investigação, a Jamp gastou 388 mil reais nas obras de um apartamento em nome de Luiz Eduardo, irmão de José Dirceu. Na decisão em que recebe a denúncia oferecida pela Procuradoria do Paraná, o juiz Sergio Moro afirma que o imóvel pertencia de fato a Dirceu.

De todas as acusações que pesaram contra o ex-ministro, se serviu de alento, ficou a decisão de Moro de não aceitar a acusação do Ministério Público Federal contra sua filha, Camila Ramos de Oliveira e Silva, por lavagem de dinheiro.

A investigação mostra que Camila vendeu à Jamp um apartamento por 500 mil reais, mas na verdade teria recebido 1 milhão pela operação, como mostra a quebra de sigilo bancário da empresa de Pascowitch. Moro entendeu que não havia provas de que ela tenha participado da negociação do imóvel, que na verdade teria sido feita pelo pai.

A acusação contra o ex-ministro ainda cita os gastos de 1,3 milhão na reforma de uma casa em Vinhedo, no interior de São Paulo, igualmente paga pela Jamp e o depoimento do lobista Júlio de Almeida Camargo. Este afirma que bancou cerca de 2 milhões de reais em fretes de aviões particulares para Dirceu.

A investigação afirma que o ex-ministro era dono de um terço do jato. Segundo os investigadores, Dirceu se desfez da operação após ter sido flagrado no embarque e desembarque do avião. O valor das despesas pagas por Camargo com a aeronave teria sido debitado de um total de 4 milhões de reais em propinas devidas ao ex-ministro por conta de licitações fraudadas na área de contratação de mão de obra pela Petrobras.

 O grupo político de Dirceu indicou Renato Duque para o cargo de diretor de Serviços da estatal em 2003 e, afirmou Pascowitch, a partir daí teria montado um esquema de desvios com empresas responsáveis pela terceirização de funcionários na estatal. O esquema envolveria as empresas Hope e Personal Services.

A Hope conseguiu contratos no valor de 3,5 bilhões de reais, além de outros 212 milhões da Transpetro, braço de gás natural e transporte da Petrobras. A Hope pagava entre 500 mil e 800 mil reais por mês ao grupo de Dirceu, dos quais 30% ficavam com o ex-ministro. Quanto à Personal, a empresa fechou contratos de cerca de 2,2 bilhões de reais e ficaria encarregada de pagar outros 300 mil mensais. 

*Reportagem publicada originalmente na edição 868 de CartaCapital, com o título “Dirceuduto”

FONTE: Carta Capital.


STF retira de Moro e Teori apuração sobre suposta fraude no Planejamento

Decisão remeteu a ministro Dias Toffoli caso envolvendo Gleisi Hoffmann.
Senadora e advogados são suspeitos de desvios da pasta para despesas.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (23), por 7 votos a 3, remeter para a Justiça Federal de São Paulo parte de uma investigação inicialmente conduzida pelo juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos ligados à Operação Lava Jato no Paraná, relacionadas a supostos desvios no Ministério do Planejamento.

 

OPERAÇÃO LAVA JATO
A apuração foi enviada por Moro ao STF por envolver a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e, inicialmente, encaminhada ao ministro Teori Zavascki, relator dos casos relacionados à Lava Jato no tribunal. O ministro, no entanto, se recusou a analisar o caso por entender que não havia uma relação direta com o esquema de desvios na Petrobras. Por isso, a investigação foi redistribuída, por sorteio, ao ministro Dias Toffoli.

Na decisão desta quarta, os ministros separaram a investigação em duas partes – uma específica sobre Gleisi Hoffmann, mantida com Dias Toffoli – e outra relacionada ao ex-vereador de Americana (SP) Alexandre Romano (PT-SP), que, segundo as investigações, teria intermediado repasses de dinheiro oriundo do Planejamento em benefício da senadora. A investigação específica sobre ele é que sairá das mãos de Moro.

Trata-se da primeira decisão do Supremo tirando de Moro a competência sobre apurações iniciadas a partir de depoimentos de delatores da Lava Jato, que colaboram com o caso em troca de diminuição de suas penas.

No caso analisado, porém, a maioria dos ministros entendeu que não havia ligação com o esquema da Petrobras e, por isso, enviaram parte das apurações – ligadas a um suposto operador sem o chamado foro privilegiado – para outro juiz, ainda a ser designado na Justiça Federal de São Paulo.

Votaram em favor de retirar o processo de Moro os ministros Dias Toffoli, Teori Zavascki, Edson Fachin, Rosa Weber, Cármen Lúcia, Marco Aurélio e Ricardo Lewandowski. A favor da manuntenção com Moro votaram Gilmar Mendes e Celso de Mello. Luís Roberto Barroso votou para que o próprio Moro decidisse se deveria ficar com o caso ou enviar a outro juiz.

O caso foi revelado a partir das delações premiadas de Milton Pascowitch e José Adolfo Pascowitch, irmãos suspeitos de operar pagamento de propinas ao PT a partir de desvios da Diretoria de Serviços da Petrobras.

Em depoimento, Milton revelou que a empresa de informática Consist, contratada pelo Ministério do Planejamento, repassava dinheiro desviado da pasta a escritórios de advocacia, que, por sua vez, pagavam despesas da senadora Gleisi Hoffmann para a quitação de uma multa, pagamentos a um motorista e a um secretário de finanças do PT no Paraná.

Esta nova investigação envolvendo Gleisi é distinta de outra, aberta em março deste ano no STF, que faz parte da Lava Jato. Neste inquérito, que continua sob a relatoria de Teori Zavascki, ela é suspeita de receber R$ 1 milhão desviados da Petrobras para sua campanha ao Senado em 2010. A senadora nega o repasse.

“No fundo o que se espera é que processos saíram de Curitiba e que não tenham a devida sequência em outros lugares”, Gilmar Mendes, ministro do STF.

Discussão e votos
A redistribuição do caso a Toffoli no STF e a outro juiz federal em São Paulo foi contestada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Durante a sessão, ele argumentou que a investigação do Ministério Público não se dirige a delatores ou empresas.

“Esta investigação se dirige a uma organização criminosa que tem vários ramos e que opera de maneira uniforme, com modus operandi idêntico, quase com os mesmos atores e que opera em diversas frentes”, disse, ao defender a manutenção do caso com Teori Zavascki e Sergio Moro.

Janot ressaltou que os operadores do Planejamento trabalhavam da mesma forma junto à Petrobras. “Estamos investigando enorme organização criminosa que se espraiou em diversos órgãos públicos”, insistiu.

Único a votar em favor da tese de Janot, o ministro Gilmar Mendes disse que a decisão tomada pelo Supremo é grave e tem natureza “política”. “No fundo o que se espera é que processos sairam de Curitiba e que não tenham a devida sequência em outros lugares”, alertou.

“O que temos aqui são fatos ligados por conexão e continência. Temos diversos crimes praticados pelo que aparenta ser uma mesma organização criminosa, os mesmos métodos de atuação”, afirmou.

Não há que se dizer que só há um juízo que tenha idoneidade para fazer uma investigação ou para o seu devido julgamento. Só há um juízo no Brasil?”
Dias Toffoli

Designado relator do caso envolvendo Gleisi Hoffmann, Dias Toffoli argumentou que o caso deveria ser remetido a São Paulo, alegando que a própria denúncia do Ministério Público contra Alexandre Romano diz que o crime ocorreu na capital paulista. Em outra parte do voto, questionou a necessidade de todos os casos terem de ficar com um mesmo juiz.

“Há Ministério Público, há Polícia Federal, há juiz federal em todos os estados do Brasil, com uma capilaridade enorme. E não há que se dizer que só há um juízo que tenha idoneidade para fazer uma investigação ou para o seu devido julgamento. Só há um juízo no Brasil? Estão todos os outros juízos demitidos de sua competência?”, afirmou.

Relator da Lava Jato no STF, Teori Zavascki, por sua vez, manteve o entendimento que não cabia a ele ficar com as investigações sobre Gleisi Hoffmann.

Além de considerar que os fatos ocorreram principalmente em São Paulo, explicou que a recusar o caso, aplicou o mesmo raciocínio sobre investigações pedidas sobre o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) e sobre o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), suspeitos de fraude eleitoral, que foram repassadas ao ministro Celso de Mello.

O ministro e o senador também foram citados por um delator da Lava Jato – no caso, Ricardo Pessoa, dono da UTC e tido como chefe do cartel que atuava na Petrobras –, mas segundo a própria PGR, não foram encontrados indícios que sabiam de doações eleitorais repassadas a eles e, portanto, não deveriam ser investigados dentro da Operação Lava Jato.

FONTE: G1.


Justiça Federal condena ex-deputado federal André Vargas na Lava Jato

Ele é o primeiro político a ser condenado em um processo da operação.
Leon Vargas e o publicitário Ricardo Hoffmann também foram condenados.

O deputado André Vargas (PT-PR)  (Foto: Roberto Stuckert / PR)
O deputado André Vargas foi condenado em processo da Lava Jato

O juiz federal Sergio Moro condenou nesta terça-feira (22) o ex-deputado federal André Vargas, o irmão dele Leon Vargas e o publicitário Ricardo Hoffmann. Com a sentença, André Vargas, que foi vice-presidente da Câmara Federal e teve o mandato cassado, é o primeiro político a ser condenado em um processo derivado da Operação Lava Jato.

André Vargas foi preso em abril na 11ª fase da Lava Jato. Assim como o irmão Leon Vargas, ele foi condenado pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, e foi absolvido pelo crime de pertinência a organização criminosa. Ricardo Hoffmann foi condenado pelos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro, e também absolvido pelo crime de pertinência a organização criminosa.

“Não há prova suficiente do vínculo associativo entre os acusados”, justificou o juiz Sergio Moro ao absolver os três deste crime.

Conforme a sentença, “a prática dos crimes de corrupção envolveu o pagamento de propinas de pelo menos R$ 1.103.950,12 por intermédio de contratos de publicidade firmados com a Caixa e o Ministério da Saúde”. Os três terão de devolver este valor aos órgãos públicos através de bens confiscados.

A defesa de Ricardo Hoffmann informou em nota que irá analisar a decisão e se pronunciar nos próximos dias. O advogado Alexandre Loper, que representa Leon Vargas, afirmou que a sentença é “infundada e descabida” e que vai recorrer.

A advogada Nicole Trauczynski, que representa André Vargas, não foi localizada.

O vice-presidente da Câmara, deputado André Vargas (PT-PR), faz o mesmo gesto usado por petistas presos do mensalão, ao lado do presidente do STF, Joaquim Barbosa, na abertura do ano legislativo no Congresso (Foto: Laycer Tomaz/Ag.Câmara)
Juiz recriminou gesto de Vargas quando ele era deputado

Penas
Pelos crimes que foi considerado culpado, André Vargas deverá cumprir pena de 14 anos e quatro meses de reclusão em regime inicialmente fechado, e multa de R$ 625.536. Já a pena de Leon Vargas foi de 11 anos e quatro meses e R$ 231.680 de multa. Por sua vez, a pena para Ricardo Hoffmann foi de 12 anos e dez meses, com multa de R$ 836.220.

Os valores das multas, conforme Moro, são definidos de acordo com a participação de cada um nos crimes, e mensuradas de acordo com as condições financeiras dos condenados.

Ao calcular a pena de André Vargas considerou a responsabilidade do cargo de vice-presidente da Câmara, e relembrou gesto do então deputado na abertura dos trabalhos legislativos de 2014. Na ocasião, Vargas ergueu o punho cerrado ao lado do então Presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa – uma alusão ao gesto de protesto de petistas presos no caso do Mensalão.

Moro pondera que o ex-parlamentar agiu de acordo com a liberdade de manifestação que lhe cabia, mas recriminou o ato. “Entretanto, retrospectivamente, constata-se que o condenado, ao tempo do gesto, recebia concomitantemente propina em contratos públicos por intermédio da Borghi Lowe. Nesse caso, o gesto de protesto não passa de hipocrisia e mostra-se retrospectivamente revelador de uma personalidade não só permeável ao crime, mas também desrespeitosa às instituições da Justiça”, afirmou.

 

OPERAÇÃO LAVA JATO
PF investiga esquema de corrupção

Conforme o juiz Sergio Moro, André Vargas e Ricardo Hoffmann, que estão presos, não poderão recorrer da sentença em liberdade. “Considerando a gravidade em concreto dos crimes em questão e que os condenados estavam envolvido na prática habitual, sistemática e profissional de crimes contra a Administração Pública Federal e de lavagem de dinheiro, ficam mantidas, nos termos das decisões judiciais pertinentes, as prisões cautelares vigentes”, decretou.

O esquema
Segundo a sentença, Ricardo Hoffmann, que era dirigente da agência de publicidade Borghi Lowe, ofereceu vantagens indevidas para que o então deputado André Vargas interviesse para que a empresa fosse contratada para realizar serviços para a Caixa Econômica Federal e o Ministério da Saúde.

Em contrapartida, Hoffmann orientou as empresas subcontratadas para executar os serviços para que depositassem os valores referente às comissões de bônus de volume em contas controladas por empresas de fachada de André Vargas e seus irmãos, Leon e Milton Vargas.

O bônus de volume é uma prática corriqueira no mercado publicitário, e representa na prática uma comissão que as subcontratadas para execução de serviços pagam para a agência de publicidade que as selecionou.

“Tais valores foram repassados às empresas LSI e Limiar a título de bônus de volume (…), porém, na realidade, tratar-se-ia de propina destinada a André Vargas e que foi paga pelas referidas empresas por solicitação de Ricardo Hoffmann.

Segundo Moro, depoimentos de representantes destas empresas subcontratadas ao longo do processo reforçaram a tese de que Hoffmann havia pedido que os bônus fossem pagos às empresas dos irmãos Vargas, e não à Borghi Lowe.

 

FONTE: G1.


Após extradição, Pizzolato deverá começar a cumprir pena na Papuda

Defesa poderá depois pedir transferência para presídios de Santa Catarina.
Justiça administrativa da Itália aprovou entrega, mas petista pode recorrer.

Pizzolato

O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado no processo do mensalão, deverá, inicialmente, começar a cumprir pena na Penitenciária da Papuda, nos arredores de Brasília, quando chegar ao país após a conclusão do processo de extradição, conforme informado pela Procuradoria Geral da República.

 

Posteriormente, a defesa de Pizzolato, no entanto, poderá requerer sua transferência para dois presídios localizados em Santa Catarina, onde tem familiares: em Curitibanos ou Itajaí. Todas as unidades foram vistoriadas pela PGR, que garantiu às autoridades italianas terem condições de alojar o ex-diretor do BB, sem risco à sua integridade física e moral.

Nesta terça (22), o Conselho de Estado da Itália, última instância da justiça administrativa do país europeu, rejeitou uma decisão liminar anterior que suspendia a extradição.

Com a decisão, o governo italiano está apto para entregar o petista ao Brasil. Ele, no entanto, ainda tem a possibilidade de recorrer à Corte Europeia de Direitos Humanos, sediada em Estrasburgo, na França, paralisando novamente o processo.

Na sessão desta terça, foram analisados novos documentos e vídeos entregues pelo Brasil para assegurar o respeito aos direitos fundamentais dos presos. A defesa de Pizzolato usava como argumento contra a extradição as más condições das cadeias no Brasil.

Pizzolato fugiu em 2013 do Brasil para escapar da prisão. Ele foi preso no início de 2014 na Itália e desde então o governo brasileiro tenta a extradição.saiba mais

Em nota, o Ministério da Justiça do Brasil disse que “as autoridades brasileiras estão prontas para cumprir o processo de extradição do Sr. Henrique Pizzolato, tão logo receba as informações sobre o momento em que será feita a entrega pelo governo italiano”.

O secretário de cooperação internacional da Procuradoria Geral da República, Vladimir Aras, que atua no caso, informou ainda que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai pedir urgência ao Ministério da Justiça do Brasil na condução dos trâmites para trazer o ex-diretor do BB.

Fuga e processo
Pizzolato foi condenado em 2012 por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. No ano seguinte, antes de ser expedido o mandado de prisão, ele fugiu para a Itália.

Declarado foragido em 2014, ele foi encontrado e preso pela Interpol em Maranello, município do norte da Itália. Após Pizzolato ser detido, o governo brasileiro pediu sua extradição à Justiça italiana.

A solicitação do Brasil foi negada na primeira instância pela Corte de Apelação de Bolonha, mas a Procuradoria-Geral da República recorreu e a Corte de Cassação de Roma decidiu, em fevereiro deste ano, conceder a extradição. Em 24 de abril, o governo da Itália autorizou que ele fosse enviado ao Brasil para cumprir a pena do mensalão.

O processo sofreu um revés depois que a defesa apelou à Justiça administrativa da Itália, instância que tem poder para suspender decisões do governo. No caso, a autorização do Ministério da Justiça italiano que liberou a entrega de Pizzolato a partir da decisão judicial.

FONTE: G1.

 


MÁRCIO DOTI

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O governo já está com os pés na areia movediça. Como o próprio termo indica e como bem sabemos, areia movediça é aquele terreno em que mais nos afundamos à medida em que vamos nos mexendo. Cada movimento e o corpo desce um tanto até encobrir todo o corpo. A salvação é quando chega alguém com uma vara ou uma corda. O difícil no caso do governo é que não tem vara nem corda e muito menos quem se disponha a puxar, mesmo que nessa areia estejamos todos nós a reboque dessa turma desajeitada que soube bem chegar até aqui em matéria de presunção e incompetência, incapaz de enxergar onde iriam dar os rombos feitos na base dos favores governamentais, dos programas sociais desproporcionais em relação ao que podiam os cofres.
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Enfim, a confissão
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Enquanto sobravam as reservas, enquanto a inflação estava sob controle e o governo arrecadava superávit a cada ano, batendo recordes impulsionados por uma economia estabilizada, enquanto era assim, foi fácil distribuir favores, gratuidades, bolsas e conquistar aplausos, embora paralelamente foi sendo construído esse ambiente desagradável em que estão todos pagando de alguma forma pelos erros cometidos. O que restou foi exatamente isto que estamos vendo, ouvindo e vivendo. Tivemos que escutar no Dia da Pátria que o governo distribuiu favores conscientemente.
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Para exercitar o discurso, quase sempre equivocado, mas desta vez bem verdadeiro, a presidente precisou evitar cadeia nacional de rádio e TV para fugir do panelaço e por ironia foi falar justamente onde tem sido mais criticada quais sejam as redes sociais. Foi dizer nas redes que as dificuldades e desafios resultam de um longo período em que o governo entendeu que deveria gastar o que fosse preciso para garantir o emprego e a renda do trabalhador e a continuidade dos investimentos e dos programas sociais. Pois é… e agora? Não garantiu nem o emprego e sequer a renda. De que adiantou debruçar tanto na janela se agora os empregos estão indo embora, a capacidade de comprar está escapando dos bolsos porque, como foi dito com clareza pela presidente, o governo não mediu a água e o fubá.
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Levy no time do ilusionismo
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Agora, até o ministro Levy entrou no time do ilusionismo ao prever para dentro de seis meses o fim das grandes dificuldades. O governo vai adotar remédios amargos em cima de uma população adoecida, insegura, com medo da inflação, do desemprego, com receio de investir, submetida a uma nova carga de impostos e a uma elevação dos já existentes e é aí que entra em cena a areia movediça. Quando mais se mexe, mais se alimenta a inflação, o desemprego, o desaquecimento dos negócios e, sobretudo, a crise política.
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De um lado, porque o dinheiro que alimenta eleição, palanque, eleitores é o dinheiro que vai continuar faltando em nome de um ajuste que todo o mundo político quer. Quer sim, contanto que não seja em prejuízo das emendas e verbas de cada um. É uma equação complicada esta em que um governo enfraquecido decide governar por decreto, caminho encontrado para aumentar impostos e taxas. E enfrentar os efeitos perversos da areia movediça.

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FONTE: Hoje Em Dia.


Quem poderá

Ao ser questionado a respeito de quem era a pessoa no Planalto que poderia dar suporte ao esquema, disse que não pode afirmar que fosse o então presidente Lula

Paulo Roberto Costa em acareação com Youssef na CPI da Petrobras Paulo Roberto Costa em acareação com Youssef na CPI da Petrobras Paulo Roberto Costa em acareação com Youssef na CPI da Petrobras Paulo Roberto Costa em acareação com Youssef na CPI da Petrobras Paulo Roberto Costa em acareação com Youssef na CPI da Petrobras – 25.8.2015 Paulo Roberto Costa em acareação com Youssef na CPI da Petrobras Acareação em 25.8.2015 Audiência pública para acareação dois principais delatores da Operação Lava Jato: à esquerda, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costao e o doleiro Alberto Youssef

O doleiro Alberto Youssef confirmou à CPI da Petrobras que tinha a percepção, enquanto durou o esquema de desvio de dinheiro da estatal para agentes políticos, que o “Palácio do Planalto” tinha conhecimento das operações irregulares.

Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa estão sentados frente a frente na acareação da CPI da Petrobras, que está sendo realizada neste momento, no plenário 3 da Câmara dos Deputados.

Ele já havia dito isso em depoimentos anteriores, ratificados por ele. “Essa percepção eu tinha pelo que eu ouvia nas conversas e também porque Paulo Roberto Costa conseguia sinalizações do Planalto”, disse Youssef.

“Isso o fazia se sentir mais seguro?”, perguntou o deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA). “Sim”, respondeu o doleiro.

Youssef, ao ser questionado pelo deputado João Gualberto (PSDB-BA) a respeito de quem era a pessoa no Planalto que poderia dar suporte ao esquema, disse que não pode afirmar que fosse o então presidente Lula.

Já o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa disse que a responsabilidade final sobre compra de ativos, como a refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, era do Conselho de Administração da Petrobras, presidido na época pela então ministra Dilma Rousseff.

“Mas eu nunca conversei com ela nem com Lula sobre esse tipo de coisa na Petrobras e não posso dizer que ela sabia”, disse Costa.

Campanha de Dilma

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef mantiveram as versões divergentes para o suposto uso de dinheiro de propina para a campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010.

Youssef voltou a negar ter feito os repasses, mas deu a entender que houve repasses para a campanha, operacionalizados por outra pessoa.

Costa disse em depoimentos à Justiça Federal que o ex-ministro Antonio Palocci pediu na época R$ 2 milhões para a campanha, dinheiro que teria sido disponibilizado por Alberto Youssef. Em depoimento à CPI, o doleiro negou ter recebido o pedido e disse não conhecer Palocci.

Os dois ratificaram os depoimentos anteriores, mas Youssef acrescentou uma informação nova. “Eu não conheço Palocci, nem assessor dele, nem o irmão dele e não fiz o repasse. Mas existe outro réu colaborador que está falando. Há uma investigação em relação ao Palocci e em breve vocês vão saber quem repassou os recursos”.

Gleisi Hoffmann

O doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa confirmaram à CPI da Petrobras o teor depoimentos anteriores em que afirmam ter ocorrido o pagamento de R$ 1 milhão para a campanha da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) em 2010, dinheiro proveniente de irregularidades na estatal.

Eles divergiram, porém, em relação a quem pediu o dinheiro. Em depoimento na CPI da Petrobras em maio, em Curitiba (PR), Youssef confirmou que repassou R$ 1 milhão para a campanha de Gleisi ao Senado em 2010. Youssef disse que fez o repasse do dinheiro a pedido de Costa e confirmou a informação.

Costa nega, mas admite que houve o repasse. “Já participamos de uma acareação em Curitiba e há realmente uma contradição nesse ponto, mas o importante é que o dinheiro foi integralmente pago”, disse Costa.

Eles confirmaram o pagamento ao responder pergunta do deputado Celso Pansera (PMDB-RJ).

Intimidação

O doleiro Alberto Youssef acusou o deputado Celso Pansera (PMDB-RJ) de intimidação em depoimento que ocorre na CPI da Petrobras.

Ao responder pergunta do deputado JHC (SD-AL), o doleiro admitiu que estava sendo intimidado por meio de um integrante da comissão. “Ele está aqui?”, quis saber o deputado. “Está aqui e não está aqui para investigar, mas para fazer intimidações, o que é triste porque eu sou um colaborador e estou aqui para dizer a verdade”, disse Youssef.

Youssef não apontou o suposto autor de ações de intimidação, mas foi interrompido por Pansera, que quis saber quem era. “É o senhor”, disse o doleiro.

Pansera é autor de requerimentos de quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico da ex-mulher e de duas filhas de Youssef. “O senhor sabe que minhas filhas e minha ex-mulher não têm envolvimento em ilegalidades, nunca tiveram contas fantasmas”, disse Youssef.

O deputado negou a tentativa de intimidação e se disse ameaçado. “Eu não ando armado, não ando com seguranças e me sinto ameaçado por um bandido”, disse Pansera. “Eu não sou bandido e não estou ameaçando o senhor”, respondeu Youssef.

Samsung

O doleiro Alberto Youssef ratificou à CPI da Petrobras o teor de depoimento anterior em que relatou ter sido informado pelo empresário Júlio Camargo a respeito do pagamento de propina relativa a contratos da Petrobras com o estaleiro Samsung. Camargo era o representante das duas empresas junto à estatal.

Camargo, segundo Youssef, afirmou ter sido pressionado pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para pagar comissão pelo contrato entre a Petrobras e a Samsung depois que a Samsung parou de pagar a comissão relativa ao contrato.

Ao responder perguntas do deputado Ivan Valente (Psol-SP), Youssef disse que quem intermediou a cobrança para Júlio Camargo foi Fernando Soares, que está preso em Curitiba (PR). “O Júlio me chamou, estava muito apreensivo, preocupado em revolver a questão, e me pediu ajuda para que eu procurasse o Fernando e garantisse para o Fernando o pagamento por conta que tinham colocado os requerimentos na Câmara pedindo informações sobre a pessoa física dele, sobre a Samsung e a Mitsui e que quem tinha pedido esses requerimentos era o Eduardo Cunha por conta que ele tinha dinheiro a receber”, disse o doleiro.

O doleiro informou que operacionalizou o pagamento de R$ 6 milhões a Fernando Soares, a pedido de Júlio Camargo, parte em depósitos no exterior e parte em espécie. Os depósitos no exterior, segundo ele, foram feitos por Leonardo Meirelles e o dinheiro em espécie foi entregue pelo policial civil Jayme de Oliveira, o Jayme Careca.

Fernando Soares e Eduardo Cunha negam envolvimento em recebimento de propina relativa à contratação de navios-plataforma pela Petrobras.

Paulo Roberto Costa disse que conheceu Fernando Soares em 2005 ou 2006, por intermédio do então diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró. “Mas o aluguel de sondas não era da minha área. Não me envolvi nisso”, disse.

Costa e Youssef confirmaram ainda pagamentos feitos aos senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR), Valdir Raupp (PMDB-RO) e Lindberg Farias (PT-RJ).

Propina

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef reafirmaram à CPI da Petrobras o teor de depoimentos que já haviam prestado à Justiça Federal, em que apontam o pagamento de propina de R$ 10 milhões para evitar uma CPI no Congresso.

Youssef confirmou o valor de R$ 10 milhões pagos pela empreiteira Camargo Correia ao então presidente do PSDB, Sérgio Guerra – morto em 2014.

Costa acrescentou que foi procurado por Sérgio Guerra e pelo deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) para tratar do pagamento, que seria destinado a “abafar” a CPI.

Em depoimento à CPI, Costa disse que o deputado intermediou o encontro com Sérgio Guerra, ocorrido em um hotel no Rio de Janeiro. “Confirmo todos os depoimentos anteriores”, disse Paulo Roberto Costa.

Pasadena

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou, em depoimento à CPI da Petrobras, que recebeu propina de 1,5 milhão de dólares para “não atrapalhar” a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

“Confirmo o teor dos meus depoimentos anteriores. Recebi essa quantia de Fernando Soares. Toda a compra foi conduzida pela área internacional e aprovada pelo conselho de administração da Petrobras”, disse, ao responder pergunta do deputado Bruno Covas (PSDB-SP).

Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, está preso em Curitiba (PR), acusado de ser o operador do PMDB no esquema de desvio de dinheiro da Petrobras. Ele é acusado de ligação com o então diretor da área Internacional da companhia, Nestor Cerveró.

Paulo Roberto Costa fez questão de dizer que a compra da refinaria foi de responsabilidade do Conselho de Administração da Petrobras, presidido na época por Dilma Rousseff. “A diretoria não tinha autonomia para isso”, disse.

A Petrobras comprou a refinaria de Pasadena em 2006 por 1,18 bilhão de dólares. A mesma refinaria tinha sido comprada, um ano antes, por 42,5 milhões de dólares.

Dois ex-presidentes da Petrobras, José Sérgio Gabrielli e Graça Foster, disseram à CPI da Petrobras que o negócio, analisado hoje, foi ruim, mas que na época parecia promissor em função do preço do petróleo no mercado internacional – e que a desvalorização se deveu em parte à queda no preço do petróleo e à exploração do petróleo extraído do xisto nos Estados Unidos.

Petroquímica

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa disse que o ex-presidente da empresa Luiz Sérgio Gabrielli teve a palavra final sobre a compra da petroquímica Suzano pela estatal.

O empresário Auro Gorentzvaig, ex-sócio de outra petroquímica, a Triunfo, afirmou, em depoimento à CPI da Petrobras, que a estatal comprou a empresa Suzano Petroquímica por R$ 4,1 bilhões, sendo que a companhia, segundo ele, valia a metade.

Ao responder pergunta do deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), um dos sub-relatores da CPI, Gorentzvaig disse que a Quattor (junção das petroquímicas Suzano e Unipar) valia R$ 2,56 bilhões, conforme avaliação feita pelo Bradesco. De acordo com o depoente, depois da compra, a Petrobras vendeu a Quattor para a Braskem por R$ 2,5 bilhões.

“A palavra final dessa compra, que deu prejuízo à Petrobras, foi do Gabrielli?”, perguntou Altineu Cortes a Paulo Roberto Costa. “A palavra final foi do presidente das companhia”, respondeu o ex-diretor. Diante da informação, o deputado, um dos sub-relatores da CPI, disse que vai pedir uma nova convocação de Gabrielli, que já prestou depoimento à CPI.

Sem nomes

O doleiro Alberto Youssef se recusou a dizer à CPI da Petrobras os nomes de deputados que o estariam ameaçando. “Vou me reservar o direito ao silêncio, conforme o salvo-conduto do Supremo Tribunal Federal”, disse, ao ser questionado pelo relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ).

“No depoimento prestado ao juiz Sérgio Moro (da 13ª Vara Federal de Curitiba), o senhor disse que estava sendo intimidado ‘por um deputado pau mandado do senhor Eduardo Cunha’. Quem são esses parlamentares que estão te intimidando? Que instrumentos utilizaram? Não pode pairar sobre a CPi uma dúvida dessa ordem. O senhor tem a oportunidade de esclarecer isso”, disse o relator.

Diante da negativa, o relator protestou. “Acho lamentável”, disse. O deputado Carlos Marun (PMDB-MS) também protestou. “É um absurdo um delator que já quebrou delações anteriores estar amparado pela Justiça para não dizer nada”, reclamou.

Acareação

Começou por volta das 14h30 a sessão da CPI da Petrobras convocada para colocar frente a frente os dois principais delatores da Operação Lava Jato: o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Youssef é apontado pelo Ministério Público como o centro do esquema. O doleiro é acusado de operacionalizar a entrega do dinheiro das empresas para os destinatários, por meio de empresas de fachada, transferências para contas no exterior, operações de importação fictícias e entregas em espécie.

O doleiro comparece à CPI munido de um habeas corpus concedido pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, que dá a ele o direito de não responder as perguntas.

Youssef é acusado pela Polícia Federal de cometer 3.649 vezes o crime de evasão de divisas e ter remetido para o exterior US$ 450 milhões entre 2011 e 2013. À Polícia Federal, além de admitir o pagamento de propinas em troca de contratos da Petrobras, disse que parte do pagamento foi feita para partidos políticos (PP, PT e PMDB). Ele e Paulo Roberto Costa, segundo denúncias do Ministério Público (admitidas por eles) operavam para o PP.

Em depoimento à CPI da Petrobras em Curitiba (PR), em maio, ele admitiu que passaram por ele cerca de R$ 200 milhões no esquema de desvio de dinheiro e pagamento de propina na Petrobras.

Diretor da Petrobras

Paulo Roberto Costa reforçou grande parte das acusações feitas por Youssef. O ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras contou à Justiça Federal que diretorias comandadas por PT, PMDB e PP recolhiam propinas sobre todos os contratos da petroleira.

Costa integrou a diretoria da estatal entre 2004 e 2012, nos governos Lula e Dilma. Foi escolhido diretor por indicação do PP. Disse que as indicações políticas eram feitas nas outras diretorias para beneficiar partidos políticos (PT, PP e PMDB). Segundo ele, a parte que cabia ao PT era repassada ao tesoureiro João Vaccari Neto.

No caso da Diretoria de Abastecimento, ocupada por ele, a propina era de 3% sobre os contratos. Desse total, 2% ficavam com o PT e 1% para o PP. Esse 1% era usado às vezes para pagar o PMDB e o PT, e uma vez o PSDB. Mas em geral era dividido da seguinte maneira: 60% para o partido, 20% para custear a operacionalização e 20% para ele e eventualmente para Youssef.

Divergência

A acareação entre Costa e Youssef foi pedida pelos deputados dos deputados Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e Celso Pansera (PMDB-RJ). Os deputados querem que eles expliquem divergências encontradas nos depoimentos que prestaram à Justiça Federal. A principal delas tem relação com a campanha eleitoral de 2010 da presidente Dilma Rousseff. Costa disse que o ex-ministro Antonio Palocci pediu na época R$ 2 milhões para a campanha, dinheiro que teria sido disponibilizado por Alberto Youssef. Youssef, em depoimento à CPI, negou ter recebido o pedido e disse não conhecer Palocci.

Eduardo Cunha

Youssef também acusou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de envolvimento em recebimento de propina, no caso de contratação de estaleiros para a construção de navios-sonda. Cunha foi denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na semana passada pelo Ministério Público, mas o STF ainda não aceitou a denúncia. Ele nega.

 

CPI DA PETROBRAS

Youssef e Costa confirmam repasse de propina a Aécio e Sérgio Guerra
Delatores disseram que ex-presidente do PSDB, morto em 2014, recebeu R$ 10 milhões para “abafar” CPI e que atual comandante da sigla recebeu dinheiro desviado de Furnas

Durante a acareação na CPI da Petrobras, na tarde desta terça-feira (25), o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa confirmaram que políticos do PSDB receberam recursos desviados da Petrobras e de Furnas. Entre os beneficiados citados pelos delatores, estariam o ex-presidente nacional partido Sérgio Guerra e o senador e atual presidente da sigla, Aécio Neves (PSDB-MG).

Youssef e Costa reafirmam pagamento de R$ 10 milhões para abafar CPIYoussef diz que outro delator explicará pedido de Palocci por recursosEm acareação com Costa, Youssef se recusa a dizer nomes de deputadosCPI da Petrobras ouve na quinta-feira o lobista Milton PascowitchMPF pede condenação de Cerveró, Baiano, Youssef e Júlio CamargoJuiz autoriza para dia 25 acareação entre Youssef e Costa

Youssef confirmou o valor de R$ 10 milhões pagos pela empreiteira Camargo Correia ao então presidente do PSDB, Sérgio Guerra – morto em março de 2014. Costa acrescentou que foi procurado por Sérgio Guerra e pelo deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) para tratar do pagamento, que seria destinado a “abafar” a CPI.

Em depoimento à CPI, Costa disse que o deputado intermediou o encontro com Sérgio Guerra, ocorrido em um hotel no Rio de Janeiro. “Confirmo todos os depoimentos anteriores”, disse Paulo Roberto Costa.

Aécio

O doleiro foi questionado pelo petista Jorge Solla (BA) sobre o suposto esquema de corrupção envolvendo Furnas e os tucanos de Minas Gerais, mais precisamente sobre a participação do presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG). “O senhor confirma que Aécio recebeu dinheiro de corrupção de Furnas?”, perguntou Solla.

“Eu confirmo por conta do que eu escutava do deputado José Janene que era meu compadre e eu era operador”, disse Youssef em referência ao o ex-deputado morto em setembro de 2010. Janene é apontado como o responsável pela indicação de Paulo Roberto Costa à direção de Abastecimento da Petrobras.

Sobre repasses ao senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), o doleiro disse que a ele coube apenas enviar o dinheiro. “Com referência ao Anastasia, eu mandei, sim, dinheiro para Belo Horizonte, mas não fui que fui entregar. Então, a mim não foi dito que era para o Anastasia. Mas quem foi lá entregar foi o Jayme [Alves de Oliveira Filho], então só ele pode dizer a quem ele entregou. Eu posso dizer que recebi um endereço, um nome, e mandei entregar. Esse nome que eu recebi, me lembro muito bem, não era o Anastasia. Tinha outro nome e tinha outro endereço”, afirmou.

Em março deste ano, Aécio negou participação no esquema de Furnas.

FONTE: O Tempo.


Idas e vindas da Presidente

Dilma Rousseff tropeça entre recuo de decisões e declarações contraditórias

 


A presidente Dilma Rousseff (PT) disse ontem, em entrevista a uma rádio paulista, que não pode garantir um 2016 “maravilhoso” para o Brasil. Na segunda-feira, ela já havia reconhecido que demorou para perceber que a situação econômica do país era mais grave do que imaginava. No mesmo dia, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, um dos homens de confiança da petista, anunciou corte de ministérios. Dilma abaixou o tom e mudou o discurso.

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E as últimas declarações da presidente a distanciam cada vez mais da candidata que, durante a campanha eleitoral, afirmou com convicção que o país não passava por crise de tamanha dimensão, que a redução de ministérios era “lorota” e que não aumentaria tarifas ou mexeria em direitos trabalhistas.
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Desde que foi eleita, Dilma tem colecionado idas e vindas sobre os mais espinhosos assuntos. Ontem, ela tirou o salto alto e reconheceu que não há como prever o futuro do país. “Espero uma situação melhor, não tem como garantir que em 2016 vai ser maravilhosa. Não vai ser, muito provavelmente não será, mas também não vai ser a dificuldade imensa que muitos pintam. Continuaremos tendo dificuldade, até porque não sabemos a repercussão de tudo o que está acontecendo na economia internacional”, afirmou Dilma, que disse esperar que as maiores dificuldades tenham “ficado para trás”.
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A posição da presidente sobre a crise era bem diferente em março deste ano. “O Brasil passa por um momento difícil, mais difícil do que tivemos em anos recentes, mas nem de longe estamos vivendo uma crise das dimensões que alguns dizem que estamos vivendo”, disse, num evento em São Paulo, quando minimizou os problemas na economia.
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Ao justificar a mudança de opinião, Dilma ressaltou que as dificuldades só ficaram mais claras entre novembro e dezembro, depois da reeleição, o que a fez demorar para perceber a gravidade da crise. “Fico pensando o que é que podia ser que eu errei. Em ter demorado tanto para perceber que a situação podia ser mais grave do que imaginávamos. E, portanto, talvez tivéssemos de ter começado a fazer uma inflexão antes”, afirmou na segunda-feira.
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As formas que a presidente tem escolhido para enfrentar a crise econômica também se distanciam das propostas que ela defendeu durante as eleições. O pacote de ajuste fiscal, tratado agora como um ato de “coragem”, mexe em direitos trabalhistas como seguro-desemprego, abono salarial e auxílio-doença. Durante a campanha, Dilma afirmou que não mudaria direitos na legislação trabalhista “nem que a vaca tossisse”. A petista também chegou a tratar como “lorota” a possibilidade de reduzir ministérios, assim como o represamento do aumento das tarifas.
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‘IRRESPONSABILIDADE’ Para o senador Aécio Neves (PSDB), o discurso adotado na campanha petista tinha fins eleitoreiros. “A ação do governo não foi de desconhecimento, foi de irresponsabilidade porque optou por vencer as eleições mesmo sabendo da gravidade da situação”, afirmou o senador. “A verdade é que a presidente estabeleceu a mentira como método. Foi assim que ela se conduziu durante toda a campanha eleitoral, e infelizmente, continua se conduzindo assim”, disse. (Com agências)
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O vaivém da retórica
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CRISE ECONÔMICA
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Março de 2015
“O Brasil passa por um momento mais difícil que  em anos recentes, mas nem de longe uma crise das dimensões que dizem que estamos vivendo.”
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Ontem
“Espero uma situação melhor, não tem como garantir que 2016 vá ser maravilhosa.”
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Na última segunda-feira
“Fico pensando o que é que errei. Em ter demorado tanto para perceber que a situação podia ser mais grave do que imaginávamos. E, portanto, talvez tivéssemos começado a fazer uma inflexão antes.”
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REDUÇÃO DOS MINISTÉRIOS
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julho de 2014
Dilma disse que a redução era “lorota”, pois não trazia “economia real” aos cofres públicos. “Não tiro o Ministério da Micro e Pequena Empresas nem que a vaca tussa”, disse. “Pesca não saiu do chão ainda. Ela vai decolar”.
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na última segunda-feira
“Até o fim de setembro apresentaremos uma reforma administrativa. A redução de 10 ministérios é a meta”, afirmou o ministro Nelson Barbosa.
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DIREITOS TRABALHISTAS
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setembro de 2014
“Eu não mudo direitos na legislação trabalhista. O que podemos fazer, no caso da lei do menor aprendiz, foram adaptações”, disse Dilma. “Agora, lei de férias, 13º, fundo de garantia, hora-extra, isso não mudo nem que a vaca tussa”, completou.
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abril de 2015
“A crise significou um conjunto de medidas, mas também é importante afirmar que mantivemos direitos trabalhistas, direitos previdenciários e políticas sociais. Mas propusemos ao congresso algumas correções nas políticas de seguridade social para evitar distorções e excessos, não para tirar direitos.”
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AUMENTO DE TARIFAS
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novembro de 2014
“Onde é que está o tarifaço? Ele já aconteceu! Essa história de que represamos (tarifas) é lorota. Ao longo do ano inteiro houve pagamento pelo uso de (usinas) térmicas. O governo suavizou um pouco para não ser aquele impacto.”
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No último dia 11
“É verdade, sem sombra de dúvida, que as contas de luz aumentaram e, por isso, lastimamos. Mas elas aumentaram justamente porque, diante da falta de energia para sustentar a existência de luz, tivemos de usar as termelétricas e por isso pagar bem mais do que pagamos se houvesse apenas energia hidrelétrica no nosso sistema.”
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ENFRENTAMENTO DA CRISE
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julho de 2014
“O que acho que fizemos certo foi impedir que o tradicional efeito da crise, que é desempregar, arrochar salário e fazer com que a população pagasse o pato da crise. Impedimos que isso acontecesse. Minimizamos os efeitos da crise sobre a economia brasileira.”
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junho de 2015
“Nós temos agora (…) de sustentar toda uma política contra a crise; temos de fazer uma escolha: ajustar o mais rápido possível a economia para voltarmos a crescer.”
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INFLAÇÃO
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julho de 2014
“Usam dois pesos e duas medidas para julgar meu governo. Ela (a inflação) não está descontrolada. Ela está no teto da banda (o centro da meta é de 4,5%; o teto da banda, de 6,5%). Vamos ficar nesse teto da banda.”
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Na última segunda-feira
“Nós nos preocupamos imensamente com as duas coisas. Primeiro é a queda no emprego. Segundo é a inflação.”

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FONTE: Estado de Minas.


Dirceu não tem idoneidade para advogar, decide OAB-SP
Foram 76 votos a favor do cancelamento, dois votos contra, e duas abstenções, segundo a reportagem apurou com participantes da sessão
Zé
Os conselheiros da OAB paulista consideram que Dirceu não tem idoneidade para advogar, um dos requisitos básicos da profissão, de acordo com o Estatuto da Advocacia

A seção de São Paulo da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) cancelou em sessão secreta a inscrição do ex-ministro José Dirceu por causa de sua condenação no mensalão. Os conselheiros da OAB paulista consideram que Dirceu não tem idoneidade para advogar, um dos requisitos básicos da profissão, de acordo com o Estatuto da Advocacia.

Dirceu perdeu a inscrição por causa da condenação do mensalão, julgamento que ocorreu em novembro de 2012. A prisão na Operação Lava Jato, no dia 3 de agosto, não entrou no debate porque o ex-ministro não foi condenado.

No mensalão, o ex-ministro foi condenado inicialmente a dez anos e dez meses de prisão. Seu advogado, José Luis de Oliveira e Lima, recorreu e conseguiu excluir o crime de formação de quadrilha. Com essa vitória, obtida em fevereiro de 2014, a pena de Dirceu caiu para 7 anos e 11 meses de prisão.

O ex-ministro ficou um ano no presídio da Papuda e cumpria prisão domiciliar quando foi preso novamente, desta vez por conta das investigações da Operação Lava Jato.

Os conselheiros da OAB começaram a discutir a exclusão de Dirceu em 2013. O julgamento demorou porque se debatia se a OAB paulista ou a do Distrito Federal era a responsável por discutir o cancelamento da inscrição. Dirceu tirou sua inscrição em São Paulo, mas vivia em Brasília. Venceu a tese de que a OAB que concedera a inscrição tinha poder de cassá-la.

O ex-ministro poderá recorrer da decisão da OAB paulista.

FONTE: O Tempo.


 (EVARISTO SÁ/AFP)

 

Vestido de presidiário, o boneco inflável gigante do ex-presidente Lula, levado por manifestantes durante o protesto contra o governo, em Brasília, virou meme nas redes sociais. Dezenas de foto-montagens com o boneco circularam na internet.
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No Twitter e no Facebook, duas páginas batizadas de “Lula inflado” reuniram piadas, que chegaram a 11 mil seguidores.
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O boneco, com roupa listrada e o número 13.171 – referência ao número do partido e ao crime de estelionato, numerado no Código Penal como 171 –, custou R$ 12 mil  e foi bancado por empresários que integram um movimento do Distrito Federal contra o governo Dilma.

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FONTE: Estado de Minas.


Irmão de Dirceu diz que recebeu R$ 30 mil de lobista na Petrobras
No entanto, ele não soube explicar a origem do dinheiro que recebia

O irmão do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, reconheceu em depoimento prestado à Operação Lava Jato que recebeu entre 2012 e 2013 “cerca de R$ 30 mil” mensais do lobista Milton Pascowitch, que atuava como intermediário do pagamento de propinas em negócios na Petrobras.

No depoimento, tomado na 17ª fase da Lava Jato, denominada Pixuleco, que levou Dirceu à prisão na última segunda-feira (3), o irmão do ex-ministro afirmou que Pascowitch lhe dizia que os valores eram “a título de ajuda para despesas variadas” e que as pendências seriam “resolvidas posteriormente”. Ele não soube dizer a origem do dinheiro.

Trechos do depoimento de Luis Eduardo foram transcritos pelo delegado da Polícia Federal Márcio Adriano Anselmo, da Lava Jato, em pedido de prorrogação de prisão temporária protocolado pelo delegado contra Luiz Eduardo, o ex-assessor de Dirceu Roberto Marques, Pablo Alejandro Kipermist e o empresário Julio Cesar dos Santos.

Em decisão no início da noite desta sexta-feira (7), o juiz federal Sergio Moro decidiu pela prorrogação das prisões dos três primeiros, até o próximo dia 12, mas ordenou a soltura de Santos e de um irmão do empresário Fernando Moura, Olavo de Moura Filho.

Na mesma decisão, Moro tratou da questão dos pagamentos de Pascowitch: “[Luiz Eduardo] aparentemente admitiu vários fatos relevantes para as investigações, como, ilustrativamente, o recebimento de pagamentos mensais de R$ 30 mil de dinheiro em espécie de Milton Pascowitch, embora o depoente alegue que não conhecia a origem ou o motivo dos pagamentos”.

Em seu depoimento, Luiz Eduardo também confirmou à PF que Dirceu fazia viagens em “aeronaves registradas em nome” do executivo Julio Camargo, que no ano passado fez acordo de delação premiada com a Lava Jato e relatou o pagamento de propinas a diversos funcionários da Petrobras. O doleiro Alberto Youssef havia revelado o uso desses aviões por Dirceu -a princípio Camargo negara as caronas, mas depois confirmou os voos para Dirceu.
O irmão do ex-ministro disse não saber “qual era o acerto entre Dirceu e Camargo” pelo uso do avião.

À PF, Luiz Eduardo ampliou detalhes sobre o papel da consultora Zaida Sisson de Castro, brasileira que reside no Peru e é casada com um ex-ministro da Agricultura daquele país.

Segundo o irmão de Dirceu, Zaida é “muito próxima de empresários e do governo peruano”. Dirceu a conheceu quando foi ao Peru e que, pela “expertise” de Zaida, ela “passou a ser utilizada pela empresa JD”, firma de consultoria do ex-ministro.

Segundo Luiz Eduardo, Zaida acompanhou “diversas empresas brasileiras em negócios naquele país”, citando OAS, Galvão Engenharia, Queiroz Galvão e UTC Engenharia.
ANOTAÇÕES

A Polícia Federal indagou a Luiz Eduardo o significado de uma série de anotações apreendidas na sua casa. Uma delas, segundo Luiz Eduardo, era uma referência a “Sig”, o advogado e ex-deputado federal do PT-DF Sigmaringa Seixas, “o qual pode ter solicitado ajuda a Dirceu para que houvesse contato” com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e “um político de Sumaré [SP] conhecido por ‘Tito'”.

A respeito de outro papel apreendido pela PF, o irmão de Dirceu contou que tratava-se de um contrato firmado entre a JD e a firma Telemidia, em 2011, para “prospecção de trabalho de informática em Cuba”. O contrato foi estipulado em cerca de R$ 50 mil “mas, pelo que se recorda, o serviço não prosperou”.

Outras anotações indicam, segundo Luiz Eduardo, que um empresário chamado Charles Tang “pediu a José Dirceu que pedisse” ao vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB-SP), “que fosse incluído em comissão que viajaria à China para tratar de negócios”.

Segundo Luiz Eduardo, uma empresa denominada Capemisa é “uma empresa auxiliada” por Tang que almejava “negociações” e pediu auxílio da empresa dos irmãos, a JD Consultoria. Contudo, segundo o irmão do ex-ministro, Tang “não obteve êxito”.

FONTE: O Tempo.


O batuque dos indignados
Moradores de Belo Horizonte voltaram a fazer um panelaço contra o governo e a presidente. Buzinas e apitos reforçaram o protesto que durou o tempo do programa do PT em rede de TV
Dilma
Integrantes do movimento Brasil Livre e Patriotas, que pedem o impeachment da presidente, incentivaram o buzinaço na Avenida do Contorno com Olegário Maciel. Na Praça JK, na Avenida Bandeirantes, casal reforçou o panelaço da janela, enquanto no Bairro de Lourdes, dona Rosa, de 70 anos, preferiu ir para a rua

 (Tulio Santos/EM/D.A Press)

O PT até tentou pedir paciência à população e chamar a atenção para os avanços e conquistas do governo Dilma Rousseff a partir de um programa partidário com cara de superprodução. Mas, em vez dos petistas, muitos belo-horizontinos preferiram ouvir o som das panelas e das buzinas. Moradores ignoraram a ironia da legenda em relação à manifestação que usa caçarolas – o programa diz que, com as panelas, o PT continuará fazendo o que mais faz: “enchê-las e comida e esperança” – e, pela quarta vez este ano, orquestraram um sonoro panelaço contra o partido. O barulho vindo de carros e o piscar das luzes reforçaram os protestos, que duraram 10 minutos, tempo do programa.
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O Estado de Minas esteve presente em 20 bairros espalhados por toda a cidade e registrou as mais diferentes manifestações. Houve protesto no Anchieta, Centro, Lourdes, São Bento, Santa Lúcia, Sion, Mangabeiras, Funcionários, Santo Antônio e Serra, na Região Centro-Sul. Na Avenida Bandeirantes, que corta bairros da Zona Sul, junto do barulho nas janelas, motoristas não pouparam as buzinas.
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Os gritos de “Fora, PT” e “Fora, Dilma” reforçaram o coro daqueles que pedem o impeachment da presidente. Ontem, pesquisa Datafolha mostrou que o percentual da população brasileira que defende a abertura do processo de afastamento de Dilma pelo Congresso Nacional já chega a 66%. Os manifestantes também apagavam e acendiam as luzes de casa em sinal da insatisfação com a situação do país.
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Moradores do Bairro Nova Floresta, na Região Nordeste, também foram para as janelas mostrar a indignação contra o governo Dilma. Enquanto no Alto Barroca e no Grajaú, na Região Oeste, houve panelas e buzinas, do outro lado, no aglomerado Morro das Pedras, moradores ironizavam os manifestantes dos bairros de classe média com gritos de “Zero”.
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Em menor proporção, também houve protesto nos bairros Prado, na Região Oeste, onde os moradores soltaram fogos de artifício, Caiçara, na Região Noroeste, bairros da Graça e Concórdia, na Região Nordeste, e Manacás, na Região da Pampulha. Na Avenida Saramenha, no Bairro Aarão Reis, na Região Norte de BH, não houve manifestação. No interior de Minas, a exibição do programa do PT não gerou tantas reações como na capital.
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Foi o quarto protesto este ano contra o governo de Dilma Rousseff e o PT. O primeiro ocorreu em 8 de março, durante pronunciamento da presidente pelo Dia Internacional da Mulher. Em 15 de março, depois de manifestações de rua, novo panelaço aconteceu enquanto os ministros José Eduardo Cardozo, da Justiça, e Miguel Rosseto, da Secretaria-Geral da Presidência, concediam entrevista coletiva à imprensa, transmitida ao vivo pelas emissoras de TV. Em 5 de maio, houve novo panelaço durante programa partidário do PT.
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O protesto em decibéis
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Do alto do bairro São Pedro, a reportagem do Estado de Minas conseguiu medir com um decibelímetro o som do protesto de ontem à noite nos vizinhos Santo Antônio, Carmo e Sion. Em menos de 10 minutos, panelas, buzinas e apitos fizeram uma noite que registrava média de 62 decibéis – próximo do volume de uma conversa entre pessoas – saltar para uma média de 75 (altura do som produzido por uma serra circular) até o pico de 86 decibéis (mais alto que uma esmerilhadeira). Os ruídos chegaram a 80 decibéis quando o ex-presidente Lula entrou em cena, mas atingiram o pico quando Dilma apareceu.

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FONTE: Estado de Minas.


Site ‘Brasil 247’ recebeu propina de Vaccari, diz lobista

Segundo delação de Milton Pascowitch, tesoureiro do PT mandou repassar 180 mil reais à publicação

Capa do site Brasil 247

Acordo teria sido feito entre tesoureiro do PT e jornalista que edita o site Brasil 247

O despacho do juiz federal Sérgio Moro, que determinou a prisão do ex-ministro José Dirceu nesta segunda-feira 3, traz acusações que envolvem também o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o site de notícias “Brasil 247”. Segundo o documento, em sua delação premiada, olobista Milton Pascowitch afirmou que repassou 180 mil reais à Editora 247 Ltda., a pedido de Vaccari.

Ainda de acordo com o depoimento de Pascowitch para a Operação Lava Jato, a propina tinha como objetivo dar “apoio” ao site. Os recursos teriam sido desviados da Petrobras, e outras empresas, e entregues por meio da empresa do lobista, a Jamp Engenheiros. A operação era feita com contratos simulados entre a Jamp e a Consist Software. Esta, por sua vez, teria acertado contratos com o site Brasil 247.

O pagamento ainda teria sido acertado após reunião entre o lobista e jornalista Leonardo Attuch, responsável pelo site. Neste encontro Pascowitch afirma que ficou definido que não haveria nenhum serviço prestado pela Consist que justificasse a transferência do valor. A verba teria sido entregue em quatro pagamentos.

Posição do Brasil 247

O site divulgou a seguinte nota:

Em decorrência do noticiário desta segunda-feira 3 sobre a Operação Lava Jato, a Editora 247 esclarece que foi contratada pela Jamp, por meio do senhor José Adolfo Pascowitch, para a produção de conteúdo sobre o setor de engenharia. Os serviços foram efetivamente prestados, as notas fiscais foram emitidas e os impostos recolhidos como em qualquer transação comercial legal e legítima.

A Editora também esclarece que a linha editorial do Brasil 247, veículo de referência na internet brasileira, com alguns dos principais nomes do jornalismo nacional, será mantida, pautando-se sempre pela independência, pela pluralidade e pela defesa das empresas brasileiras e dos interesses nacionais. Até porque a Constituição brasileira assegura o direito à liberdade de expressão como uma de suas cláusulas pétreas.

SÃO PAULO – A Editora 247, representada pelo jornalista Leonardo Attuch e que edita o site Brasil 247, recebeu pelo menos R$ 120 mil do esquema de corrupção da Petrobras, a pedido do ex-tesoureiro do PT João Vaccari. Segundo um dos delatores da Operação Lava-Jato, Milton Pascowitch, o dinheiro pago à editora foi dado sem a prestação de qualquer serviço e tratou-se de uma operação “para dar legalidade ao apoio que o Partido dos Trabalhadores dava ao blog mantido por Attuch”. Os pagamentos foram feitos nos meses de setembro e outubro de 2014.

Milton Pascowitch relatou em seu depoimento de delação premiada que repassou, por meio de sua empresa de consultoria Jamp, valores para a empresa Consist Software destinados ao Partido dos Trabalhadores, através de João Vaccari. Nesse operação, eram usados contratos de consultoria simulados entre a Jamp e a Consist no total de R$ 15 milhões. Os contatos com a Consist, eram feitos com o presidente da empresa Pablo Alejandro Kipersmit e com o diretor jurídico Valter Silverio Pereira.

Segundo diz o juiz Sérgio Moro em sua decisão que determinou a prisão do ex-ministro José Dirceu, “os repasses de cerca de R$ 12 milhões, teriam sido feitos em espécie (dinheiro vivo). Parte dos valores teria sido recebida por uma emissária com o nome de Marta Coerin. Parte dos valores teria sido repassados a pedido de João Vaccari, para a empresa Gomes & Gomes Promoção de Eventos e Consultoria, mediante simulação de contratos de consultoria com a Jamp Engenheiros”.

Segundo a investigação da PF, Marta foi funcionária do PT entre maio de 2006 e setembro de 2007 e voltou a ser empregada registrada pelo partido em maio de 2015. Moradora de Santo André, no ABC, Marta é irmã gêmea de Maria Coerin, que trabalhou para o PT de julho de 2006 a junho de 2011. Maria foi registrada como secretária executiva da JD Assessoria e Consultoria, empresa de José Dirceu, entre julho de 2011 e janeiro de 2013.

O juiz sustenta que parte dos valores dessa propina teriam sido direcionados, a pedido de João Vaccari, para a Editora 247, por meio de simulação de contrato de prestação de serviço.

Para tratar do repasse do dinheiro da Consist para a Editora 247, Vaccari solicitou a Pascowitch que fosse feita uma reunião com Leonardo Attuch, da 247. A reunião foi realizada no escritório de Pascowitch na avenida Faria Lima. Vaccari propôs a veiculação de um contrato de 12 meses, com parcelas de R$ 30 mil cada. Pascowitch não concordou “e realizou dois pagamentos referentes à elaboração de material editorial no valor de R$ 30 mil cada uma”. Na sequência foram feitos mais dois pagamentos através de uma nova solicitação de Attuch, totalizando R$ 120 mil repassados à Editora 247.

De acordo com depoimento de Pascowitch, não houve qualquer serviço prestado pela Editora 247. “Na reunião que tive com Attuch ficou claro que não haveria qualquer prestação de serviço mas que era uma operação para dar legalidade ao ‘apoio’ que o Partido dos Trabalhadores dava ao blog mantido por Leonardo”. Pascowitch disse também que o valor pago foi “abatido” do montante que estava à disposição de João Vaccari referente ao contrato da Consist.

Milton Pascowitch disse ter provas da troca de emails entre Attuch e José Adolfo, irmão de Pascowitch, que mostram os pagamentos e a emissão de notas fiscais. O contrato da Jam com a Editora 247 foi realizado no dia 12 de setembro de 2014 “visando a produção de conteúdo jornalístico e de estudos especiais na área de infraestrutura, para publicação no jornal eletrônico 247”.

“Considerando que a Jamp era, como afirma seu próprio titular, empresa dedicada à lavagem de dinheiro e repasse de propinas, parece improvável que o conteúdo do documento seja ideologicamente verdadeiro, pois difícil vislumbrar qual seria o interesse de empresa da espécie em anunciar publicidade ou patrocinar matérias em jornal digital”, diz Moro em seu despacho.

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O juiz disse ainda que durante a investigação já havia sido apreendida anotação no escritório de lavagem de dinheiro do doleiro Alberto Youssef com referência a pagamentos a Leonardo Atuch. “Aqui, da mesma forma, parece improvável que o escritório de lavagem de Alberto Youssef tivesse interesse em publicidade ou em patrocinar matéria em jornal digital. Esses fatos indicam prováveis repasses de valores de origem criminosa à referida Editora e ao suposto jornalista a pedido de terceiros e com propósitos ainda de necessário esclarecimento”.

Não é a primeira vez que o jornalista é alvo de denúncia. Na Operação Satiagraha, que investigou o banqueiro Daniel Dantas, ele foi acusado pelo jornalista Mino Pedrosa de usar o cargo e função na revista IstoÉ Dinheiro, quando trabalhava para ela, para defender o banqueiro e o investidor Naji Nahas em troca de dinheiro. Na época, Attuch disse que a acusação era “absolutamente leviana” e apontou Pedrosa de ter interesses em jogo naquele caso. A Operação Satiagraha foi anulada pela Justiça.

O GLOBO encaminhou e-mail à Editora 247 pedindo esclarecimentos, mas até o momento ainda não obteve resposta.

 

FONTE: Carta Capital e O Globo.


Ex-ministro José Dirceu é preso em Brasília
Policiais discutem com os advogados se ele pode ou não ser levado a uma detenção já que se encontra em prisão domiciliar, cumprindo pena do mensalão
José Dirceu é investigado em esquema de corrupção na Petrobras

O irmão do ex ministro também foi preso pela Polícia Federal

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu é um dos alvos da nova fase da Operação Lava Jato, que acontece na manhã desta segunda-feira (3) em Brasília e nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pelo advogado do ex-ministro, Roberto Podval.
Os policiais discutem com os advogados se Dirceu pode ou não ser levado a uma detenção já que ele se encontra em prisão domiciliar, cumprindo pena por causa do processo do mensalão.

Seria necessário que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizasse a remoção.

DIRCEU NA LAVA JATO
O ex-ministro foi citado pelo ex-executivo da Toyo Setal Julio Camargo durante depoimento dele à Justiça Federal do Paraná. Camargo afirmou que entregou R$ 4 milhões em dinheiro vivo a Dirceu a pedido do ex-diretor da Petrobras Renato Duque, presos em Curitiba (PR).

O advogado Roberto Podval, que defende Dirceu, negou que ele tenha recebido propina e disse que o delator não falou a verdade. O depoimento de Camargo complicou a situação de Dirceu, que é alvo de um inquérito da Lava Jato por causa dos pagamentos que recebeu de empreiteiras que tinham negócios com a Petrobras.

Camargo colabora com as investigações sobre corrupção na Petrobras desde dezembro do ano passado e já prestou vários depoimentos às autoridades, mas esta é a primeira vez em que falou no assunto.

NOVA FASE DA LAVA JATO
Ao menos 200 policiais federais cumprem 40 mandados judiciais, sendo 26 de busca e apreensão, 3 de prisão preventiva, 5 de prisão temporária e 6 de condução coercitiva (quando a pessoa é levada para prestar depoimento obrigatoriamente). Entre os crimes investigados estão: corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Essa é a 17ª fase da Lava Jato, denominada de Pixuleco, em alusão ao termo utilizado para designar propina. O foco principal desta fase são os beneficiários de pagamento de propinas envolvendo contratos com o Poder Público, incluindo beneficiários finais e “laranjas” utilizados nas transações. Também foram decretados ainda sequestro de imóveis e bloqueio de ativos financeiros.

Os presos serão trazidos para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR), onde permanecerão à disposição da 13ª Vara da Justiça Federal.

Atualizada às 8h24.

José Dirceu é preso na 17ª fase da Operação Lava Jato

Operação é realizada nesta segunda-feira (3) em Brasília, RJ e SP.
Entre os crimes investigados estão corrupção e formação de quadrilha.

A Polícia Federal (PF) prendeu, nesta segunda-feira (3), o ex-ministro José Dirceu e o irmão dele Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, durante a 17ª fase da Operação Lava Jato.

Desde as 6h, a PF cumpre 40 mandados judiciais, sendo três de prisão preventiva, cinco de prisão temporária, 26 de busca e apreensão e seis de condução coercitiva, quando a pessoa é obrigada a prestar depoimento.

José Dirceu, preso na 17ª fase da Lava Jato, é levado pela PF (Foto: Reprodução/TV Globo)
José Dirceu, preso na 17ª fase da Lava Jato, é levado pela PF

Segundo a PF, Dirceu foi detido em casa, em Brasília, onde cumpria prisão domiciliar por condenação no mensalão. O mandado contra ele é de prisão preventiva – por tempo indeterminado. Já Luiz Eduardo de Oliveira e Silva foi detido em Ribeirão Preto (SP) e cumprirá prisão temporária, que tem duração de 5 dias.

Roberto Podval, advogado que representa José Dirceu, afirmou que primeiro vai entender as razões que levaram à prisão do ex-ministro da Casa Civil para depois se posicionar.

A operação foi batizada de Pixuleco, termo que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto usava para falar sobre propina. Cerca de 200 policiais federais participam da ação.

Ainda de acordo com a PF, esta fase da operação se concentra no cumprimento de medidas cautelares em relação a pagadores e recebedores de vantagens indevidas oriundas de contratos com o poder público, alcançando beneficiários finais e “laranjas” usados nas transações.

Também foram decretadas medidas de sequestro de imóveis e bloqueio de ativos financeiros, conforme a PF. Entre os crimes investigados estão corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Os presos devem ser levados para a Superintendência da PF em Curitiba.

 

Prisão em regime domiciliar
Condenado no processo do mensalão do PT, Dirceu cumpre, desde novembro do ano passado, o restante de sua pena de 7 anos e 11 meses de prisão em regime domiciliar. Na ação penal, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) o consideraram culpado pela acusação de corrupção ativa.

Ele foi apontado como o mentor do esquema de compra de apoio político operado no Congresso Nacional durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na Lava Jato, Dirceu é investigado em inquérito na Justiça Federal do Paraná por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro.

Denúncias feitas por delatores
Os investigadores querem saber se a empresa de consultoria do ex-chefe da Casa Civil, a JD Consultoria, prestou serviços a empresas que desviaram dinheiro da Petrobras ou se os contratos eram apenas uma maneira de disfarçar repasses de dinheiro desviado da estatal do petróleo. O irmão de Dirceu, preso nesta segunda, era sócio dele na JD.

Em janeiro, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, decretou a quebra do sigilo bancário e fiscal da JD Consultoria, empresa de Dirceu, e do próprio ex-ministro da Casa Civil, depois de as investigações revelarem pagamentos de companhias ligadas ao esquema de corrupção para a consultoria do petista.

A JD Consultoria faturou R$ 29 milhões em contratos com cerca de 50 empresas nos últimos nove anos, segundo informações da defesa do ex-ministro. A empresa declarou que os contratos com as construtoras não têm qualquer relação com os contratos sob investigação da Petrobras, e que os depósitos da Jamp Engenharia são referentes a um trabalho de consultoria.

Em depoimento à PF, o ex-dirigente da Toyo Setal Júlio Camargo, outro delator da Lava Jato, contou que Dirceu usou “diversas vezes” seu avião após ter deixado o comando da Casa Civil, em 2005. Camargo também relatou às autoridades que o petista interveio junto ao ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli para que a multinacional japonesa Toyo garantisse contratos com a petroleira.

16ª fase
A 16ª fase, batizada de Radioatividade, foi deflagrada no dia 28 de julho e cumpriu dois mandados de prisão temporária, além de 23 mandados de busca e apreensão e cinco de condução coercitiva em em Brasília, Rio de Janeiro, Niterói (RJ), São Paulo e Barueri (SP).

O foco das investigações, segundo a PF, são contratos firmados por empresas já mencionadas na Operação Lava Jato com a Eletronuclear, cujo controle acionário é da União.

Os presos são o diretor-presidente licenciado da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, e o presidente global da AG Energia, ligada ao grupo Andrade Gutierrez, Flávio David Barra.

Os dois são investigados por lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção nas obras da usina nuclear de Angra 3, localizada na praia de Itaorna, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

Segundo o MPF, os valores ilícitos eram repassados por meio de empresas intermediárias para a Aratec Engenharia, Consultoria & Representações Ltda, que pertencente a Othon Luiz.

FONTE: O Tempo e G1.


Com essa mania de prender pessoas que fazem o dinheiro circular, Sérgio Moro só poderia mesmo provocar uma recessão

Meta

O PIB brasileiro despencou por causa da Operação Lava-Jato, explicou Dilma Rousseff. A presidente informou que a investigação do petrolão reduziu em pelo menos um ponto o crescimento nacional. Ou seja: o Brasil não deveria ter interferido no ir e vir dos pixulecos. O esquema estava funcionando bem, com mais de dez anos de crescimento sólido. É claro que a moralização ia estragar tudo. Com essa mania de prender pessoas que fazem o dinheiro circular, Sérgio Moro só poderia mesmo provocar uma recessão.

Deve ter sido sobre isso que Dilma foi conversar escondido com Lewandowski em Portugal. A presidente da República e o presidente do Supremo Tribunal Federal hão de salvar o Brasil de Sérgio Moro — mas é melhor mesmo tratar disso clandestinamente, porque esses juízes éticos são vingativos. Pouco depois da reunião republicana na cidade do Porto, Lewandowski resolveu dar sua opinião isenta sobre a conjuntura econômica: afirmou que a crise brasileira provém da bolha americana de 2008.

Os brasileiros jamais entenderiam que diabos aconteceu com seu PIB se não fossem os esclarecimentos oportunos de Dilma e Lewandowski. Agora, é só esperar a crise de 2008 passar e torcer para a Lava-Jato parar de arrochar os pixulecos.

Mas se você continua achando que o país está no buraco porque foi depenado pelos companheiros, esqueça. Num texto que está fazendo o maior sucesso por aí, os respeitáveis economistas Mansueto Almeida, Marcos Lisboa e Samuel Pessoa dizem que o problema não é esse. O trio recua duas décadas e meia para mostrar o histórico de hipertrofia do Estado e descontrole fiscal. Os autores são amados pelos tucanos, mas nem João Santana prestaria um serviço tão valioso ao PT.

Após 12 anos de pilhagem desenfreada dos cofres públicos pelo sistema que engendrou o mensalão, o petrolão, as pedaladas fiscais e grande elenco de manobras parasitárias, os três consagrados economistas estão preocupados com o ano de 1991. Foi ali que as despesas públicas passaram a crescer demais, apontam eles. O resto foi bola de neve. Imaginem Guido Mantega lendo esse texto… Nem 20 anos de psicanálise quebrariam tão bem o seu galho. Pode até voltar a frequentar restaurantes.

No quadro continental, o Brasil aparece sozinho com a Venezuela no buraco da recessão. Isso depois de receber sólidos alicerces de crescimento nas décadas de 1990 (estabilização monetária) e de 2000 (enxurrada de capital para os emergentes). O PT jogou fora esse ciclo virtuoso, mantendo a taxa de investimento em níveis vexaminosos — e agora, com a revelação do sequestro da Petrobras, sabe-se bem onde os companheiros estavam investindo o dinheiro público. Isto para não falar nas triangulações obscenas entre Tesouro, BNDES e estatais para maquiar déficits recordes.

Um longo e devastador estupro das contas públicas, que, na autópsia feita por Mansueto, Lisboa e Samuel, virou uma gripe. Dilma, Lula, Mantega, Dirceu, Delúbio, Vaccari e companhia podem dormir com o texto do trio na cabeceira: as obras completas do bando não são nem uma marolinha na crise fiscal brasileira.

Naturalmente, o mercado e outras criaturas do mundo real não cantam essa cantiga. Uma das principais agências de risco acaba de colocar o Brasil em perspectiva negativa — mais um sinal de desconfiança diante da rave dos aloprados no Planalto. Ou não: talvez a Standard & Poor’s também ache que a Lava-Jato faz mal ao PIB.

A alegação de que a catástrofe fiscal brasileira seria a mesma sem as peripécias do PT no poder, feita por economistas notáveis, é o melhor presente que os delinquentes da estrelinha poderiam receber. O Brasil não liga muito para corrupção, e a chapa está quente para o governo petista por causa da ruína econômica que os companheiros plantaram. Mas se os acadêmicos que encantam os tucanos aparecem dizendo que a bomba-relógio não tem dono, Dilma pode continuar pedalando à vontade — e dizendo que a bicicleta é do Fernando Henrique.

O paper de Mansueto Almeida, Marcos Lisboa e Samuel Pessoa sustenta que a explosão da carga tributária vem de antes do reinado petista. É fato. Só que o aumento de impostos no Plano Real, por exemplo, foi parte de um ajuste fiscal que permitiu a estabilização da moeda — e melhorou a vida dos brasileiros. Já o aumento de impostos no presente serve a um ajuste fiscal mambembe para bancar a farra companheira — que piorou a vida dos brasileiros. Um detalhe.

Outro detalhe: o PT atropelou a meta fiscal, criada pelo governo anterior, fazendo o superávit primário dançar conforme as suas malandragens contábeis. Se o jogo é calcular o tamanho do tombo no futuro próximo, como não botar na conta esse coeficiente perdulário — mais uma exclusividade petista?

Está todo mundo de cabelo em pé com a radiografia do trio de economistas, menos Dilma e seus companheiros. Tudo o que eles precisavam era ter as melhores cabeças do país dizendo que seu governo vampiresco é igual aos outros. Assim, a mulher sapiens poderá continuar por aí, numa boa, dobrando metas que não existem.

FONTE: O Globo.


Documentos bancários revelam repasses da Odebrecht a ex-diretores da Petrobras

Marcelo Odebrecht

Expectativa de procuradores é que executivos presos, como Marcelo Odebrecht, se sintam pressionados a delatar o esquema

Comprovantes de depósitos bancários encaminhados pela Procuradoria da Suíça a integrantes da Força Tarefa da Operação Lava Jato mostram transferências de contas pertencentes à Odebrecht para aquelas de ex-diretores da Petrobras.

A nova prova é considerada pelos investigadores como o elo que faltava para mostrar o envolvimento da Odebrecht, que sempre negou participação no esquema, com os desvios de recursos da estatal.

A expectativa dos procuradores é que os executivos presos, entre eles o presidente da companhia, Marcelo Odebrecht, se sintam pressionados a delatar o esquema.

A papelada foi entregue pelo Ministério Público Federal ao juiz Sérgio Moro na noite de quinta-feira, 23. Os documentos embasaram a decisão do magistrado por uma nova prisão dos executivos Rogério Santos de Araújo, Márcio Faria da Silva, César Ramos Rocha, Alexandrino de Salles Ramos de Alencar e de Marcelo Odebrecht.

Embora estejam detidos desde 19 de junho, este pedido de prisão, fundamentado no novo documento vindo do Exterior, dificulta uma eventual soltura dos executivos em tribunais superiores.

De acordo com o despacho do juiz, os papéis mostram que a off-shore Smith & Nash Engeinnering Company, que tem por beneficiária econômica a Odebrecht, realizou depósitos na conta em nome da Sagar Holdings, controlada por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da estatal.  Costa havia afirmado em sua delação premiada ter recebido 23 milhões de dólares da construtora.

A conta em nome da off-shore Arcadex Corporation, que também tem como beneficiária econômica a Odebrecht, realizou depósitos para a Milzart Overseas, controlada pelo ex-diretor de Serviços da estatal Renato Duque.

Da mesma off-shore foram identificados depósitos na conta Tudor Advisory, controlada por Jorge Luiz Zelada, sucessor de Nestor Cerveró na diretoria Internacional. Também foram identificados depósitos supostamente pagos a Cerveró.

A quebra de sigilo encontrou contas em nome das off-shore Golac Project e Rodira Holdings, também vinculadas à Odebrecht. De acordo com a investigação, elas realizaram depósitos para a off-shore Constructora International Del Sur, sediada no Panamá, que, por sua vez, realizou transferências para a conta em nome das off-shores Quinus Service, controlada por Costa.

Da empresa panamenha seguiram movimentações para a  Pexo Corporation e Blue Sky Global, controlada por Pedro Barusco, ex-gerente da estatal. Barusco delatou ter recebido 97 milhões de dólares em propinas no Exterior.

Além disso, as contas Smith & Nash, Arcadex e Golac teriam como fonte de recursos depósitos repassados no exterior por empresas do Grupo Odebrecht, como a Construtora Norberto Odebrecht, Osel Odebrecht, Osela Angola Odebrecht e CO Constructora Norberto Odebrecht.

Com toda essa documentação em mãos, previa-se para a tarde da sexta-feira 24 a apresentação da denúncia contra os executivos da Odebrecht e Andrade Gutierrez. Da condição de acusados, passariam a ser réus.

A pedido da Polícia Federal, Moro autorizou a transferência dos executivos da Odebrecht para o Complexo Médico Penal de Pinhais, no Paraná. Também serão transferidos Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, e Elton Negrão, diretor executivo da construtora. A PF alegou superlotação da carceragem da instituição em Curitiba, no Paraná.

A Odebrecht informou que ainda vai analisar a documentação revelada para se manifestar sobre o assunto.

FONTE: Carta Capital.


Como Collor foi aceito no pomar mágico dos petistas

Ao receber o controle de duas diretorias da BR Distribuidora, uma subsidiária da Petrobras, o ex-presidente estabeleceu seu próprio balcão de negócios no petrolão. A Lava Jato foi bater à sua porta

Reviravolta: de inimigo visceral do PT nos anos 90, Fernando Collor converteu-se em um de seus mais fieis aliados
Reviravolta: de inimigo visceral do PT nos anos 90, Fernando Collor converteu-se em um de seus mais fieis aliados

Nas projeções mais otimistas, calcula-se que corruptos e corruptores envolvidos no escândalo da Petrobras tenham desviado algo perto de 19 bilhões de reais dos cofres da empresa. A estatal era o paraíso, o nirvana para gente desonesta, incluindo os empreiteiros, os servidores públicos e os políticos já identificados como parceiros da partilha do dinheiro roubado. Na semana passada, o lobista Julio Camargo, um dos delatores do caso, tentou explicar ao juiz Sergio Moro a essência do petrolão. Na visão dele, a corrupção na Petrobras poderia ser ilustrada pela figura do fruto proibido. Os contratos eram como maçãs que os empreiteiros ansiavam saborear em sua plenitude. O que os impedia eram os partidos e os políticos da base do governo.

“É aquela história, olhar a maçã e dizer: ‘Como vou pegar essa maçã? Tem uma regra do jogo que eu preciso atender. Do contrário, não vou comer a maçã’ ”, disse Camargo. A “regra do jogo”, o caminho mais curto para alcançar a árvore e apoderar-se dos frutos, como as investigações da Operação Lava-Jato já revelaram, era pagar propina. Durante os dois primeiros mandatos de Lula e ao longo de todo o primeiro mandato de Dilma Rousseff, o PT usou o pomar para governar.

Distribuir as maçãs virou um método, um atalho que o partido encontrou para garantir a fidelidade dos amigos e seduzir eventuais adversários, transformando-os em cúmplices de um crime contra toda a sociedade. Na semana passada, a polícia bateu na porta de alguns convivas do banquete.

Os investigadores cumpriram 53 man­dados de busca e apreensão nas residências e nos escritórios de políticos suspeitos de corrupção no escândalo da Petrobras. Entre os alvos estavam parlamentares e ex-parlamentares, incluindo dois ex-ministros do governo da presidente Dilma. No episódio mais emblemático da ação, os agentes devolveram ao noticiário político-policial a antológica Casa da Dinda, a residência do ex-presidente Fernando Collor, cenário do escândalo que, nos anos 90, levou ao primeiro impeachment de um presidente da República.

Os policiais apreenderam documentos, computadores e três carros de luxo da frota particular do atual senador: um Lamborghini Aventador top de linha (3,5 milhões de reais), uma Ferrari vermelha (1,5 milhão de reais) e um Porsche (700 000 reais). Nem o bilionário empresário Eike Batista em seus tempos de bonança exibia modelos tão exclusivos – e caros.

Collor, até onde se sabe, é um empresário de sucesso. Sua família é proprietária de emissoras de televisão e rádio em Alagoas, terrenos, apartamentos, títulos, ações, carros… A relação de bens declarados pelo senador soma 20 milhões de reais, o suficiente para garantir vida confortável a qualquer um.

Collor, apesar disso, não resistiu à tentação e adentrou o pomar petista. Em 2009, ele assumiu a presidência da Comissão de Infraestrutura do Senado. Com significativo poder para fiscalizar os destinos das obras do PAC, a vitrine de campanha da então candidata Dilma Rousseff, o senador se apresentava como um obstáculo para o governo.

A maçã lhe foi oferecida. O ex-presidente Lula entregou ao senador duas diretorias da BR Distribuidora, uma subsidiária da Petrobras – a diretoria da Rede de Postos de Serviço e a de Operações e Logística. No comando desse feudo, segundo os investigadores, Fernando Collor criou o seu balcão particular de negócios dentro da maior estatal brasileira, o que lhe renderia milhões em dividendos.

Segundo depoimentos colhidos na Lava-Jato, o esquema obedecia a uma lógica simples. As empresas que tinham interesse em assinar contratos com a BR acertavam antes “a parte do senador”. Foram dezenas de contratos. A polícia já identificou dois que passaram por esse crivo. Num deles, de 300 milhões, um empresário do ramo de combustíveis pagou a Collor 3 milhões de reais em propinas para viabilizar a compra de uma rede de postos em São Paulo.

A operação foi revelada pelo doleiro Alberto Youssef em acordo de delação premiada. Encarregado de providenciar o suborno ao senador, Youssef fez a entrega de “comissões” em dinheiro, depósitos diretos na conta do parlamentar e transferências para uma empresa de fachada que pertence a Collor. O Lamborghini, até recentemente o único do modelo no Brasil, está em nome da tal empresa, o que fez os investigadores suspeitar que o carro foi bancado com dinheiro desviado da Petrobras.

Desde o ano passado, quando explodiu a Operação Lava-Jato e as torneiras da corrupção se fecharam, o IPVA do carro não é pago pelo ex-presidente. A dívida acumulada é de 250 000 reais. Mas não é desapego do senador. Zeloso, ele só usava o carro para passeios esporádicos a um shopping de Brasília. Quando isso acontecia, o Lamborghini permanecia sob a vigilância de dois seguranças do senador, que fixavam um perímetro de isolamento em torno do veículo para evitar a aproximação dos curiosos. A frota de luxo de Collor – revela Lauro Jardim, na seção Radar – conta com um Rolls-Royce Phantom 2006, mais exclusivo ainda do que o Lamborghini.

FONTE: Veja.


Armínio e Sinara previram o desastre econômico. O PT crucificou os dois por dizerem a verdade aos brasileiros

 

Armínio Sinara

O tempo mostrou que Armínio Fraga e Sinara Polycarpo fizeram as previsões certas durante o período eleitoral de 2014, quando o PT crucificou os dois por dizerem a verdade aos brasileiros, já que o petismo depende da crença popular em sua propaganda enganosa.

1) Dias atrás, o site Infomoney relembrou que há um ano, em carta enviada aos clientes do Santander, a superintendente de investimentos do banco alertava sobre os riscos de um eventual segundo mandato de Dilma Rousseff:

“O câmbio voltaria a se desvalorizar, juros longos retomariam alta e o índice da Bovespa cairia, revertendo parte das altas recentes”, disse Sinara.

Lula reagiu furiosamente na ocasião, pedindo a cabeça da funcionária: “Essa moça não entende porra nenhuma de Brasil e de governo Dilma. Manter uma mulher dessa num cargo de chefia, sinceramente… Pode mandar ela embora e dar o bônus dela para mim”.

(No blog de José Dirceu, o “porra nenhuma” de Lula virou “nada”, como zombei aqui.)

Resultado: o Santander demitiu Sinara por pressão de Lula, mas, desde a reeleição, o dólar subiu 23%, a taxa de juros saltou de 11% para 13,75% e o Ibovespa chegou a cair 15 mil pontos.

Pior: Dilma continua empregada.

2) Já a Folha deste domingo traz uma entrevista com o economista Armínio Fraga, principal assessor econômico do então candidato Aécio Neves (PSDB-MG):

Na campanha eleitoral, você foi criticado por dizer que o país entraria em recessão, e hoje isso se concretizou. Como você se sente?
Aquilo foi um grande teatro, um show de mentiras. O Aécio e o Fernando Henrique falaram isso o tempo todo. O custo é este: temos um país morrendo de medo.

Com medo de quê?
De tudo: recessão, desemprego, inflação. Não sou político, vivo de administrar o dinheiro dos meus clientes. Se for pessimista, estou acabado, mas tenho que ser realista. A situação não está boa.

As empresas estão demitindo. A situação vai piorar?
Infelizmente, acredito que não chegamos ao fundo do poço. Espero estar errado, mas analiticamente não estamos nem perto disso.

Como costumo dizer aqui no blog:

O fundo do poço é o céu do PT.

FONTE: Veja.


Hoje se pode comprar mais, de comida a refrigerador, mas quais são os valores desses grupos ascendentes? Os preconceitos de classe, cor e orientação sexual nunca estiveram tão assumidos. E essa violência de tendências fascistas parece se espalhar das elites às camadas mais populares. Há, portanto, carência de um projeto que valoriza os direitos humanos e fundamentais, estimula o pensamento crítico e fortalece os capitais políticos na base.

O esvaziamento ideológico do PT não por acaso coincide com uma profunda crise ética. Figuras históricas aparecem nas listas de “mensalão” à Petrobras. Foi assim que o partido encontrou meios para sustentar a governabilidade. Sabemos que a farra tucana foi da mesma grandeza.

Ainda que alguns petistas tenham dificuldade de entender, o foco da discussão não é quem roubou mais. O imperdoável é que o PT se elegeu com a bandeira ética.

O desgaste do PT se agrava no Governo Dilma. O projeto desenvolvimentista começa com o massacre dos povos indígenas, passa por Kátia Abreu e termina com austeridade fiscal. Nós lembramos bem que a presidente prometeu que não haveria arrocho.

Em meio à crise econômica, algumas das conquistas histórias dos projetos sociais demonstram fragilidade. O impasse do Fies, por exemplo, tem causado humilhação e desalento aos estudantes de baixa renda. A terceirização marca o desgoverno do Partido dos (Semi-)Trabalhadores. Os petistas alegam que sua bancada votou contra. Mas ser refém da condição da governabilidade não é tão vexaminoso quanto? Um governo rendido ao PMDB.

Quais são as chances de uma volta às raízes? Muito poucas se olharmos para o fato de que não há novas lideranças no partido e a tentativa de resgatar Lula soa desesperada.

A crise petista se arma diante de piores cenários pós-democratização. Ou seja, em pleno aumento do conservadorismo da extrema direita, que emerge das brechas da saturação. O sentimento irracional de ódio ao PT preenche vazios estruturais de descontentamento da população e conquista espaço para muito além das varandas gourmet.

O fascismo tropical traz soluções simplistas que dão repostas àqueles que sentem que não têm mais para onde correr. O aumento do conservadorismo, portanto, encontra espaço justamente diante de um vácuo moral, ético e político deixado pelo PT.

Qual é o papel da esquerda neste cenário? Ela está entre a cruz e a espada, no meio de uma polarização burra entre uma direita ensandecida e um PT desesperado. Uma parte da esquerda está presa a uma chantagem emocional que acusa a crítica ao partido como “um prato cheio para a direita”. Este argumento é manipulador, emburrecedor e reducionista, esvaziando a autocrítica – princípio que outrora norteava o PT.

Após apoiar a candidatura de Dilma Rousseff no segundo turno, como tentativa de, ao menos, garantir as conquistas históricas dos programas sociais, é preciso voltar para a crítica de um governo que se tornou indefensável.

Ao mesmo tempo em que assistimos a falência do PT e o aumento da extrema direita, não há um projeto abrangente de esquerda. A esquerda órfã necessita catar seus cacos quebrados, lamber as feridas, fazer autocrítica e pensar coletivamente. Em momentos de normalidade democrática, a diversidade do pensamento de esquerda enriquece, mas em momentos de crise ética e vácuo político, é preciso priorizar a unidade.

Comentários para este tópico estão fechados.
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    tem muito porco cuspindo no coxo.

     

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    Senhores, o PT é esquerda ainda? Nem parece.

     

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    O foi dito sobre a origem da crise petista, já se mostrava no início do primeiro governo Lula, quando ao invés de priorizar a qualidade na educação fundamental, priorizou-se o instituto das cotas, sinônimo de “joga dentro da universadade!” pois isso vai dar voto! Aquelas crianças, que em 2002 tinham cinco anos, no primeiro ano fundamental, agora têm 18….Ah! se houvessem recebido educação com qualidade! Já teríamos uma geração diferente….

     

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    A autora está fora da realidade ou gosta de mistificar. O orçamento participativo em Porto Algre faliu e foi abandonado. Isso foi reconhecido por próprias figuras históricas do partido, como Olívio Dutra (basta ver na internet, que ele explica o que houve). Em segundo lugar, voltar à utopia, pra quê? Pra ter alguma coisa em quê crer, um horizonte imaginário confortável? Para ficar com a consciência tranquila e viver bem no capitalismo? O que eu vejo é que muita gente que diz odiar o capitalismo, gosta e vive muito bem nele, talvez, graças a essa tal utopia. Eles consomem bons vinhos, tem tablets e iphones, mas estão descontentes com a desigualdade desse capitalismo perverso, por isso eles nutrem a ideia, uma utopia de um mundo melhor. Mas enquanto esse mundo melhor não chega, eles procuram viver a vida, no mundo capitalista, da melhor maneira possível. Tá certo! É muita cara de pau!

     

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    Queriam o que, que os pobres continuassem esperando o bolo crescer?

     

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    Para quem quer ver como o orçamento participativo de Porto Alegre não é e nunca foi emancipatório sugiro acompanhar a “mobilização social” nas comunidades.

     

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    Na verdade o país não tem ninguém que o represente. PMDB, PSDB, DEM, não existe partido confiável.

     

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    Nossa, a esquerda erra é culpa da direita?
    isso está me lembrando um ditador amigo dos “socialistas” Maduro tudo culpa do imperialismo americano, eles não tem capacidade de assumir os próprios erros! e falar que errou e vai conserta da melhor forma possível!!

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      Não entendi o comentário. O texto fala claramente que o governo do PT, na era Lula, fracassou por:
      1 – ter suas maiores figuras envolvidas com corrupção, quando o partido se elegeu sob a bandeira da ética;
      2 – não encorajar, em âmbito nacional, uma maior participação política da população (o que era uma expectativa do autor);

      Onde tá a culpa da direita?

       

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      Muito simples entender o texto: a esquerda fracassou e acha que a solução é novamente um partido de esquerda. Jogada velha essa. E qualquer problema que der a culpa é sempre da direita. Muito fácil ser um ”pensador” de esquerda.

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      Acho que você não entendeu. Você fala como se a esquerda fosse um único bloco. Não foi a esquerda q fracassou, foi um partido de esquerda (juntamente com mais um ou dois de esquerda e um monte de direita) que sucumbiu. E, na minha opinião, um dos motivos para isso foi exatamente as alianças com a direita com intenção de garantir governabilidade.

       

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      Culpa do Imperialismo Americano! rsrs

       

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      Boa. E quando os ventos internacionais sopram a favor o mérito é do partido!

       

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      Cara, você realmente sintetizou muito bem o texto.

       

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      Uma questão para a autora… Seu texto, pelo que compreendi, leva-nos a Amartya Sen, ou melhor, que o PT “abandonou” a inserção em favor do consumo… Por quais motivos fez isso?… Ou não abandonou, pois não havia nenhuma intenção de inserir os excluídos?…

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      Amigos, questão de confiança e credibilidade e a mesma coisa que Leite, depois que azeda não adianta ferver… Esquecem que quem apanha nunca vai esquecer da humilhação que passou,.. Esquecer o que o PT tá fazendo com o Brasil, na tentativa de aplicar um golpe comunista,,, jamais vamos esquecer… E gato escaldado tem medo de água fria… Pt tenho foi…

       

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      O PT nasceu de conquistas dos mais pobres, sua história é a esquerda, triste vê-lo tomar rumos de direita. Isto mancha sua longa trajetória. É necessário voltar às raízes, e não desfazer conquistas. É claro o desenvolvimento e a mobilidade social que esse partido trouxe ao povo brasileiro, com a famosa inclusão social, e a diminuição da desigualdade, sou prova disso. Porém, vivemos uma crise, onde aquela ideologia política tão forte está se esvaindo, e a alienação da direita está a cada dia mais forte (o “panelaço” é a prova viva disso) , lamentável

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    Se o PT não tivesse corrompido e roubado tanto não estaria vivendo o estado atual. E não roubou e corrompeu por descuido, mas por princípios. O Socialismo é corrupto em todos os lugares, porque seria diferente justamente no Brasil?

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    Na minha opinião a esquerda está equivocada ao tentar atrelar aos supostos conservadores, o declínio do PT. A situação e inversa. Houve uma percepção mais ampla de que o discurso e diferente da prática. A esquerda nunca teve tantos adeptos como julgava. E quando aqueles que não tinham posição formada começaram a perceber o que estava em jogo, começaram a se voltar para os ideais mais conservadores, o que também não significa que se tornaram conservadores. Apenas estão preocupados com o feijão de cada dia. Discurso não enche barriga e, se preciso for, a turba mata aqueles que um dia se acharam heróis. A história e pródiga em exemplos.

     

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    Temos
    uma ofensiva do capital financeiro internacional, por meio dos governos da
    Alemanha e EUA e suas organizações internacionais, o que obrigou a burguesia
    interna brasileira a um recuo (tático) no seu modelo neodesenvolvimentista. O
    Brasil pôde diminuir as desigualdades sociais, porque a classe trabalhadora
    organizada soube fazer uma aliança com essa burguesia interna, alijando do
    poder a burguesia associada e ampliando as reformas sociais. Enquanto a Europa
    ainda viva isto que o texto fala em crise moral, por força do mercantilismo
    neoliberal, vivemos um declínio disso. As manchetes sobre corrupção estão
    superdimensionadas e fazem eco ao lacerdismo da direita, para desqualificar os
    aspectos positivos de uma política que mexeu em privilégios da burguesia
    “entreguista” e capital internacional, e é isso que essas forças não
    aceitam. A frente neodesenvolvimentista tem munição para reagir. Não nos
    espantemos se daqui alguns meses o ministro Levy for substituído pelo Nelson
    Barbosa…

     

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    Resumindo: o PT e seus políticos jogam a história do partido e a chance de se tornarem estadistas no lixo, por ganância e incompetência, e a culpa é das elites? Menos mal que nãpo tem mais volta. PT no poder nunca mais!

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      Você vai ter que aguardar mais três anos e meio, para tentar realizar esse sonho, que o Lula2018 pode transformar em pesadelo.

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        Seria uma pesadelo, mesmo!

         

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        Estamos juntos!

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    “Na conta do PT, pode-se colocar a responsabilidade de – tal qual a autora – tanto não ter percebido que a totalidade do  processo não estava sob seu controle, quanto ter superestimado sua capacidade de manter-se ética e ideologicamente inabalável no papel de governo quanto o era no papel de oposição”. Leia mais no meu blog.

     

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    Na verdade o PT foi corretíssimo quando deu ao pobre poder de compra, não existe ideologia política quando se ta com a barriga vazia. Não podemos dizer que o PT não politizou suas classes atendidas pelos programas populares, com tanta educação disponível não podemos dizer isso. De fato o PT errou quando perdeu a utopia, sua própria política de conchavo fez com que o Brasil perdesse a crença em um novo cenário político. Perdeu a oportunidade de criar uma TV pública de informação neutra, perdeu a oportunidade de fazer uma reforma política decente. Em fim, perdeu a utopia.

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    gostei muito do termo “celebrar o consumo”, acho q foi isto mesmo…

     

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    Enquanto o PT suportar reflexões desse tipo, ele estará vivo, ainda que em extertores. E havendo um pouquinho de vida, ela sempre poderá ser multiplicada.

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      Esse tipo de gente é bom ser evitada na concepção.

       

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      Suportar Reflexões? Como assim??

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    O PT perdeu uma oportunidade de ouro, que pode ser que não volte.
    Promoveu a cidadania com base na aquisição de bens de consumo pelas classes de baixa renda, mas sem promover mudanças significativas nos serviços públicos. 
    Muitos passaram a poder comprar carro, moto, tv de plasma, videogame, máquina de lavar, Smartphone, carne e cerveja para o churrasco, viajar de avião etc.

    Mas a educação de qualidade continuou privilégio para quem pode pagar, o transporte público continua precário, os números de mortes da violência urbana são comparáveis ao de países em guerra, pessoas morrem aguardando vaga em leitos de UTI, epidemias de dengue são recorrentes, grande parte da população continua sem acesso a saneamento básico, rios e praias poluídas, ainda existem pessoas vivendo em áreas de risco, desigualdades de raça, gênero, orientação sexual permanecem e por aí vai…

    O PT não fez muita coisa diferente do PMDB, PSDB e outros partidos ditos de direita. Infelizmente.

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      No segundo paragrafo você misturou tudo. Cobra do governo federal responsabilidades que são dos governos estaduais e prefeituras: Segurança pública, educação (1º e 2º grau), saúde e saneamento básico. No primeiro paragrafo você só fala no consumo, e esquece do ensino superior e técnico, dos programas Mais Médicos, Luz para todos, etc etc etc

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        Governos estaduais e municipais são responsáveis, mas e quem financia nao o governo federal?

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        O governo federal é que arrecada a maior parte dos impostos. E para que estados e municípios implementem políticas públicas, necessitam de financiamento federal. Ou seja, se o governo federal tivesse priorizado políticas de valorização dos serviços públicos ao invés de consumo, provavelmente a situação hoje seria bem diferente.

        E a maior parte dos programas federais está sufocada pelo ajuste econômico do governo. Ou seja, não promoveu a sustentabilidade desses programas.

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          As transferências para
          estados e municípios, tem previsão constitucional, portanto são obrigatórias.
          Sugiro se inscrever no Portal da Transparência, para receber informação sobre
          todas liberações de verbas para o seu município, e então você pode controlar o
          que o seu prefeito faz com o dinheiro que recebe.

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    Falou um monte de merda , quem tem tendência fascista é a esquerda , desde que o fascismo diz ” Tudo para o estado , nada contra o estado ” o estado é como se fosse um deus para os fascistas , quem prega isso é a esquerda e não a direita ….

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      Concordo plenamente!

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      Vai ler sobre o grafico de nolan antes de vir aqui falar esse tipo de besteira.
      Facismo é direita totalitária, existe totalitarismo tanto na esquerda quanto na direita assim como existe planos mais liberais nas duas.

FONTE: Carta Capital.


PARTIDO DOS TRABALHADORES

PT está velho e perdeu utopia, diz Lula, que prega ‘revolução’

Participante do encontro, o ministro da Educação, Renato Janine, afirmou que governos eleitos estão “sofrendo fortes ataques” na América Latina

Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula

Lula disse ainda que os correligionários “só pensam em cargo, em emprego, em ser eleito”

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pregou, nesta segunda-feira (22), uma “revolução” no PT e afirmou que a sigla tem os vícios de todo partido que cresce e chega ao poder.

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“Não sei se o defeito é nosso, se é do governo. O PT perdeu a utopia”, afirmou.

Lula disse ainda que os correligionários “só pensam em cargo, em emprego, em ser eleito”.

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“Nós temos que definir se queremos salvar nossa pele, nossos cargos, ou nosso projeto”, discursou ele, durante seminário “Novos desafios da democracia” promovido pelo Instituto Lula com a presença do ex-primeiro-ministro espanhol Felipe Gonzalez.

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Filiado ao PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), ele foi convidado a falar sobre a experiência de seu partido ao se reerguer após denúncias de corrupção. A sigla ficou nove anos fora do poder na Espanha até conseguir voltar ao governo, quando José Luis Zapatero foi alçado ao cargo de primeiro-ministro (2004-2011).

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‘AFLIÇÃO POLÍTICA’

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Gonzalez disse acreditar na possibilidade de o Brasil implementar medidas anticíclicas. Segundo ele, o ajuste fiscal praticado pelo governo Dilma Rousseff vai durar cerca de um ano. Avalia, porém, que o Brasil tem “muita capacidade de investimento que pode ser concretizado neste momento”.

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“Eu entendo a aflição que existe [no Brasil]. Acredito que seja mais por motivo político do que pela situação econômica.”

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O evento foi aberto pelo presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, convocado a prestar depoimento à CPI da Petrobras na Câmara para explicar as doações de R$ 3 milhões feitas ao instituto pela empreiteira Camargo Corrêa, investigada no esquema de corrupção da Petrobras.

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Em sua fala, Okamotto questionou a democracia no Brasil e disse que as redes sociais a “complicam”. Ele definiu democracia como “exercício solitário de pensar o que é bom para as pessoas” disse que fica “com uma grande pulga atrás da orelha” sobre como consolidá-la no país.

“Estamos muito distantes do mundo desenvolvido, do mundo rico”, afirmou.

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Segundo ele, a “democracia está ainda mais complicada” com o advento das redes sociais. Okamotto apontou o apoio popular à redução da maioridade penal e o fracasso da reforma política como ameaças.

“Todo mundo quer uma classe política melhor. Mas essa reforma política, para mim, é uma decepção”, discursou.

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INTERNACIONAL

Participante do encontro, o ministro da Educação, Renato Janine, afirmou que governos eleitos estão “sofrendo fortes ataques” na América Latina. E perguntou a Gonzalez sua opinião a respeito.

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O espanhol -um dos críticos do governo Maduro- respondeu que um governo que não respeita as forças políticas de seu país perde a legitimidade, as eleições e a natureza.

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Questionado especificamente sobre sua viagem a Venezuela, Gonzalez disse que está “preocupado” com a crise enfrentada pela Venezuela porque acha improvável que o governo esteja aberto ao diálogo. “Não acredito em conspiração internacional golpista para derrubar os governos”, disse.

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Ele disse ainda que está preocupado com ondas de intolerância no Brasil. “Vejo sinais de intolerância. Fico preocupado porque o Brasil é um país de tolerância, de convivência.”

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Ao lado de Gonzalez, Lula também criticou o assassinato do ditador Sadam Hussein. “Alguma vez ele te causou problema?”, perguntou a Gonzalez.

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A programação original não previa um discurso de Lula -o petista pediu a vez quando o tema foi imprensa. Ao ouvir o debate sobre Venezuela, Lula mandou um bilhete para a assessora Clara Ant, que presidia a mesa, avisando a intenção de falar.

“Nem tem muita oposição aqui. A oposição [no Brasil] é pela imprensa”, disse ele, defendendo a regulamentação da mídia e afirmando que “nove famílias controlam” o setor no país.

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COMENTÁRIOS (11)

And<br />BH
And BH
Lula melhor presidente dos últimos 50 anos é forçar muito a barra.

Walter<br />Rodrigues<br />Filho
Walter Rodrigues Filho
Não é só o PT que “envelheceu”. O envelhecimento das esquerdas é um fenômeno planetário. Essa historinha de que devemos trabalhar constantemente para sustentarmos uma massa de inúteis (de forma permanente!) não cola mais. Vide a dívida pública dos países socialistas no planeta. Nenhum deles está chegando a um termo feliz. A classe média, que sempre foi uma “vaquinha dócil” que não se importava de ser ordenhada aqui e ali pelos governos de esquerda (que gasta mal e só o faz para se manter no poder), virou uma “vaca louca” e está dando coice a 3 por 2. Cansou de ser ordenhada sem ter nada em retorno. As eleições de 2016 e 2018 vão revelar essa dura verdade (para os esquerdinhas).

Wellington<br />Fonseca
Wellington Fonseca
O PT é a pior praga na história do país: roubos, mentiras, falcatruas, aparelhamento e gigantismo do estado, aumento de impostos, conceitos próprios de democracia e legalidade, instabilidade política e social, acabou com a credibilidade externa, travou o país com o Mercosul, crescimento econômico pífio e o mais grave: plantou na cabeça dos mais simples de alma que a culpa da miséria dele é do vizinho, que o estado é o grande provedor. Administração de sindicalistas e ex-guerrilheiros, você esperava o quê? 

Sem<br />Destino
Sem Destino
Começaram a discordar entre eles. Daqui a pouco, vai ter briga séria, ai será o fim de todos. Adeus PT, e seus “maus criados”. 

Jair<br />santos
Jair santos
Dilma é horrível, mas Lula foi, sem sombra de dúvidas, o melhor presidente que o Brasil já teve a partir dos 50 anos para cá. O que acabou com o PT foram os inúmeros escândalos de corrupção. Roubaram, mas não tiveram as mesmas perspicácias dos outros partidos, como por exemplo, o PSDB. A corrupção impera no nosso país desde 1500, ninguém é santinho, infelizmente. Se alguém já viveu em um “Brasil suíça”, ou é retardado mental, ou é fanático partidário, ou analfabeto político. 

Alexandre<br />Ferreira
Alexandre Ferreira
A renovação do PT chama-se cadeia.

Paulo<br />Paredes
Paulo Paredes
É muito cara de pau! Nunca é com ele! Sempre o erro é dos outros! …. “assassinato do ditador Sadam Hussein”???? Ele foi julgado e condenado! ….. “”Alguma vez ele te causou problema?”, perguntou a Gonzalez.” Isso é piada!!! Então não se deve combater o Exército Islâmico, por exemplo! Ele nunca nos fez nada!!!! (Só treina crianças para matar! Que é que tem demais nisso??)
Sincero<br />Silva
Sincero Silva
Esse sujeito deveria se entregar as autoridades de uma vez e fazer uma delação premiada….vai ficar feio a foto de um ex-presidente algemado. ENVIAR COMENTÁRIO

 

 

FONTE: O Tempo.


O ex-presidente reclamou também da inércia do atual governo para contenção dos danos causados pela investigação

Chapa esquentando

América Central. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à Cidade da Guatemala, após tomar conhecimento do desastre aéreo

Lula convoca reunião com espanhol

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse aos seus aliados que está na “mira” do juiz Sérgio Moro. Segundo a “Folha de S. Paulo”, Lula acredita que a prisão dos presidentes da Odebrecht e da Andrade Guiterrez, nessa sexta-feira (19), é uma demonstração de que ele será o próximo alvo da operação Lava Jato.

O ex-presidente também fez críticas ao atual governo pela  inércia da presidente Dilma Rousseff para contenção dos danos causados pela investigação. Outra queixa de Lula é sobre a atuação do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que teria convencido a presidente a minimizar o impacto político da operação.

Ainda segunda a publicação, os interlocutores do ex-presidente disseram que está preocupado por não ter foro privilegiado e, assim, pode ser chamado para depor a qualquer momento. Esta seria a principal a sua principal insatisfação, já que o caso ainda esteja sob condução do juiz Sérgio Moro.

Os petistas acreditam que os desdobramentos da Lava jato podem afetar o caixa do partido e comprometer a prestação de contas da campanha de Dilma. A detenção de Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo colocou a cúpula do PT em alerta e preocupa o Palácio do Planalto pelos efeitos negativos na economia.

FONTE: O Tempo.


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FONTE: 247.


Governo quebra a vitrine da educação
Bandeira na campanha de Dilma à reeleição, o Pronatec empacou. Gastos com o programa de acesso ao ensino técnico até maio não chegaram nem a 8% do total investido em 2014.
Em campanha, Dilma visitou escola em Minas e gravou cenas com promessas de expansão do Pronatec</p>
<p> (Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press- 20/8/14)
Em campanha, Dilma visitou escola em Minas e gravou cenas com promessas de expansão do Pronatec

Presença constante nas peças publicitárias da presidente Dilma Rousseff (PT) durante a campanha à reeleição, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) passou os cinco primeiros meses deste ano em ritmo lento. E nada indica que a situação vá mudar. Até o fim de maio, o montante aplicado no programa em todo o país foi de R$ 208,7 milhões, valor que representa apenas 7,4% do que foi gasto ao longo de 2014, quando o governo investiu R$ 2,8 bilhões na vitrine da educação do primeiro mandato da petista. A média mensal neste ano está em R$ 41,7 milhões, contra os R$ 233,4 milhões registrados no ano das eleições. O Ministério da Educação (MEC) admitiu cortes nos repasses. Segundo nota divulgada pela pasta, “as ofertas de vagas ainda serão definidas, mas, quantitativamente, serão em número inferior ao do ano passado”.
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Para as escolas de Belo Horizonte que oferecem cursos cadastrados no programa, os repasses até agora foram de R$ 1,3 milhão, valor bem distante dos R$ 6 milhões gastos no ano passado. Já em Contagem, que em 2014 recebeu R$ 4,5 milhões, nenhum pagamento foi registrado até agora. De acordo como a assessoria do MEC, as definições das vagas disponíveis para cursos do Pronatec este ano devem ocorrer nos próximos meses, mas ainda não há uma data marcada. Instituições que participam do programa informaram que neste ano ainda não foram feitas novas matrículas e que caberá ao MEC definir o número de vagas e cursos disponíveis.
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Até o fim do ano passado, cerca de 8 milhões de estudantes participaram do Pronatec, números que fizeram com que o acesso ao ensino técnico se tornasse a principal bandeira de campanha à reeleição de Dilma na área da educação.
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Propaganda Na véspera da largada oficial da campanha, a presidente anunciou a segunda etapa do programa, que disponibilizaria mais 12 milhões de vagas. “O Pronatec não para de crescer. Conhecemos a demanda e temos a clareza da importância dessa próxima etapa. É uma das questões mais importantes a serem resolvidas nos próximos anos. Por isso defendemos uma segunda etapa do Pronatec, que oferecerá 12 milhões de vagas, em 220 cursos técnicos e 646 cursos de qualificação a partir de 2015”, prometeu a petista, em junho do ano passado.
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Porém, as promessas de expansão feitas para o segundo mandato estão longe de se confirmar. Ao contrário, o dinheiro começou a sumir ainda em outubro – quando terminou a corrida eleitoral que deu a Dilma mais quatro anos no comando do Executivo –, com atrasos nos pagamentos às escolas privadas por aulas referentes ao segundo semestre de 2014. Nos primeiros meses do segundo mandato da petista, o programa tem sofrido com os cortes de repasses.
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Os efeitos da tesourada já são sentidos no Sistema de Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica (Sisutec), que serve como base para o Pronatec. O Sisutec seleciona para o ensino técnico estudantes que concluíram o nível médio, com base nas notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e já passou por adiamentos no início do ano. O MEC não prevê seleções por meio do Sisutec para este semestre. No ano passado, o programa ofereceu cerca de 580 mil vagas.
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As reduções são reflexo dos ajustes determinados pela equipe econômica  de Dilma na tentativa de estabilizar as contas do governo. O Ministério da Educação sofreu um corte R$ 9,4 bilhões em seu orçamento anual e outros programas deverão perder investimentos. Entre eles, o Ciências sem Fronteiras, que proporciona bolsas de estudos para universitários e pós-graduandos no exterior. “Para se adequar aos ajustes, o MEC vai priorizar atividades como a construção de creches. O ministério também atua no sentido de garantir os recursos de custeio necessários para o funcionamento das universidades e institutos”, diz a nota da pasta.
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Saiba mais
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Formação profissional

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O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego foi criado no final de 2011, com objetivo de aumentar o número de vagas para cursos de formação profissional. Financiados pelo governo, os cursos são ofertados pela rede federal de educação profissional e pelas instituições de ensino do Sistema S, como o Senai, Senat, Senac e Senar. Desde 2013, escolas privadas também passaram a ofertar vagas dentro do programa. A público-alvo do Pronatec são estudantes do ensino médio da rede pública, inclusive da educação de adultos, além dos beneficiários de programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família, e estudantes que já concluíram o ensino médio em escolas públicas ou em instituições privadas na condição de bolsista integral.

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FONTE: Estado de Minas.


Não é a falta de direção que acomete a ala progressista brasileira. É a falta de coragem, o que é muito mais grave Dilma-Rousseff

Dilma transformou-se em uma Isabelita Perón do Cerrado

Se fosse o caso de fornecer uma analogia histórica para a situação atual do Brasil, talvez o melhor a fazer seria voltar os olhos para a Argentina dos anos 1970. De certa forma, não há nada mais parecido com o atual governo Dilma do que a Argentina de Isabelita Perón. Dilma transformou-se em uma Isabelita Perón do Cerrado.

Uma presidente refém de seus operadores políticos, impotente diante da dissolução do acordo peronista entre setores da esquerda e setores conservadores em torno da figura de seu finado marido, Juan Domingo Perón, Isabelita foi a figura mais bem-acabada do esgotamento do ciclo de acordos, avanços e paralisias que marcou o peronismo. Ao se deixar guiar pelos setores mais conservadores do peronismo, Isabelita parecia uma morta-viva, a encarnação de um tempo que já acabara, mas ninguém sabia como terminar.

Agora, imaginem que estamos na Argentina dos anos 1970 e Perón não morreu. Como um fantasma, ele volta para tentar organizar a oposição contra o governo que ele mesmo elegeu, federando as vozes dos descontentes com o governo criado por ele mesmo e para o qual indicou vários ministros.

Não, algo dessa natureza não poderia acontecer na Argentina. Algo assim só pode ocorrer no Brasil.

Pois não é isso o que estamos vendo com um Lula reconvertido a arauto da “frente de esquerda” juntamente com o resto do que ainda tem capacidade de formulação no PT? O mesmo PT que, em um dia, vai à televisão para afirmar seu compromisso com a defesa dos direitos trabalhistas para, no dia seguinte (vejam, literalmente no dia seguinte) votar em peso a favor de um pacote de medidas que visam “ajustar” a economia não exatamente taxando lucros bancários exorbitantes, mas diminuindo os mesmos direitos trabalhistas que defendera 24 horas antes.

Nesse contexto, o que pode ser uma frente de esquerda a não ser a última capitulação da esquerda brasileira à sua própria impotência?

Ou, antes, o reconhecimento tácito de que a esquerda brasileira só pode oferecer o espetáculo deprimente de discursos esquizofrênicos divididos entre o reino das boas intenções e a dureza das decisões no “mundo real”?

Acreditar que aqueles que nos levaram ao impasse serão os mesmos capazes de nos tirar de tal situação é simplesmente demonstrar como a esquerda brasileira vive de fixações em um passado que nunca se realizou, que nunca foi efetivamente presente. É mostrar ao País que a esquerda não tem mais nada a oferecer de realmente novo e diferente do que vimos.

Se a esquerda quiser ter alguma razão de existência (pois é disso que se trata), ela deve começar por fazer uma rejeição clara do modelo que foi aplicado no Brasil na última década, seja no campo político, seja no campo econômico. O modelo lulista não chegou a seu esgotamento por questões exteriores, pressão da mídia ou inabilidades de negociação da senhora Dilma. Ele se esgotou por suas contradições internas e quem o criou não é capaz de criar nada de distinto do que foi feito.

Insistiria ainda em como é falsa a ideia de que a esquerda brasileira está de joelhos sem saber o que fazer. Há anos, vários setores progressistas têm alertado para o impasse que agora vivemos.

Há anos, várias pautas foram colocadas em circulação, entre elas a revolução tributária que taxe a renda e libere a taxação sobre o consumo, a democracia direta com poder de deliberação, veto e gestão, o combate à especulação imobiliária através de leis que limitem a propriedade de imóveis, a reforma agrária, a diminuição da jornada de trabalho, a autogestão de fábricas e locais de trabalho, o salário máximo, o casamento igualitário, as leis radicais de defesa da ecologia, o fim da política de encarceramento sistemático, a exposição da vida financeira de todos os que ocupam cargos de primeiro e segundo escalão, a punição exemplar da corrupção, o fim do monopólio da representação política para partidos.

Não é a falta de direção que acomete a esquerda brasileira. É a falta de coragem, o que é muito mais grave.

FONTE: Carta Capital.


Pegue o disco de Luiz Gonzaga, o Gonzagão, e prepare o seu coração – e principalmente o bolso – para as coisas que eu vou contar…

Baptista Chagas de Almeida

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Depois de fazer reunião no domingo e de ter convocado outra para ontem, a presidente Dilma Rousseff (PT) decidiu esperar as votações das medidas provisórias do ajuste fiscal para decidir o tamanho dos cortes no Orçamento da União deste ano, o que significa menos investimentos em infraestrutura e, é claro, menos emprego.

Mas prepare mais o seu coração e o bolso com as intenções do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Depois de ter aprovado na Câmara dos Deputados a medida provisória que dificultava e aumentava o tempo para o trabalhador se aposentar – com a conta 85/95 na soma de contribuição e idade para mulheres e homens respectivamente modificada –, Levy já busca alternativa.
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E qual é? Aumentar as alíquotas de alguns impostos já existentes por decreto, o que não necessita passar pelo Congresso.

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É, no mínimo, curioso o PT se valer do decreto-lei, que tanto combateu e é uma herança da época da ditadura. E é também o legado da presidente Dilma ao partido, por não ter tomado as providências necessárias no início do ano passado, só para não arriscar a reeleição.
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Enquanto Dilma vaza informações à imprensa de que pretende vetar a medida provisória das aposentadorias, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), prepara novas armadilhas para a presidente. Reúne esta semana a maioria dos governadores para oficialmente discutir o pacto federativo. Na prática, no entanto, será um pacto contra as medidas do governo federal.
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E um palco para que os governadores possam descascar de vez a presidente, subir no muro de lamentações, reclamar verbas que não recebem e da queda de arrecadação. Para ficar só nisso.

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FONTE: Estado de Minas.


Governo diz que terá 20 dias para concluir medidas e trazer Pizzolato

Ex-diretor do BB, condenado no mensalão do PT, está preso na Itália.
Em nota, ministério informou ter sido comunicado oficialmente da extradição.

GNEWS_Pizzolato (Foto: GloboNews)
Henrique Pizzolato está preso na Itália desde fevereiro.

O Ministério da Justiça informou que a embaixada do Brasil em Roma foi notificada oficialmente nesta sexta-feira (24) da decisão do governo italiano de extraditar o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado no processo do mensalão do PT e que estava foragido no país europeu.

Segundo informou o secretário nacional de Justiça, Beto Vasconcellos, o governo italiano ainda deve enviar ao Brasil um novo comunicado informando a data a partir da qual poderá ser realizada a entrega. Só a partir desta data começará a contar o prazo de 20 dias para que Pizzolato seja trazido de volta ao país.

O secretário acrescentou que só a partir deste comunicado serão preparados os “ajustes logísticos” junto à polícia da Itália para a busca, que deverá contar com policiais brasileiros enviados ao país europeu.

O tratado de extradição prevê ainda que a Itália deverá informar ao Brasil o lugar e a data a partir da qual a entrega poderá ser realizada. A norma também permite que o Brasil envie à Itália, com prévia concordância, agentes devidamente autorizados para conduzirem Pizzolato de volta, segundo informou a PGR.

Pizzolato, que tem cidadania italiana, foi condenado a 12 anos e 7 meses de prisão no julgamento do mensalão do PT, pelos crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Em 2013, fugiu para a Itália, antes de ser expedido o mandado de prisão. Na manhã desta sexta, o governo italiano autorizou a extradição após longa batalha judicial travada por autoridades brasileiras para que ele cumprisse a pena no Brasil.

 

O ex-diretor do BB se entregou à Justiça italiana, em fevereiro, após a Corte de Cassação de Roma ter decidido extraditá-lo. Ele se entregou na cidade de Maranello, no norte da Itália, poucas horas após a Justiça italiana ter acatado o pedido do governo brasileiro. Desde então, ele aguarda a decisão final das autoridades italianas na penitenciária Casa Circondariale di Modena.

O comunicado divulgado nesta sexta pelo ministério, assinado conjuntamente pela Procuradoria Geral da República, informa que, no último dia 13 de abril, as autoridades brasileiras forneceram mais informações ao governo italiano sobre as condições de cumprimento de pena para Pizzolato no Brasil. As más condições dos presídios brasileiros foram o principal motivo para a Justiça na Itália negar inicialmente a extradição, decisão que só foi revertida na segunda instância.

Autoridades brasileiras afirmam que, quando extraditado, Pizzolato ficará na Penitenciária da Papuda, em Brasília, numa área chamada “Ala de Vulneráveis”.

Segundo documentos do governo do Distrito Federal enviadas ao Supremo Tribunal Federal, essa ala é “destinada a internos que apresentem vulnerabilidade ao sistema carcerário, por razões de segurança, bem como por apresentarem condições peculiares que impeçam o seu recolhimento junto à massa carcerária”.

Entre os dois julgamentos na Justiça italiana sobre a extradição – o de Bolonha, que negou o pedido em outubro de 2014, e o de Roma, que aprovou o envio do brasileiro, em fevereiro deste ano – Pizzolato esteve em liberdade.

Atuação conjunta
Na nota, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, destacaram a atuação conjunta dos órgãos junto à Itália para aprovar a extradição.

“O processamento da extradição e a resposta aos pedidos de informação feitos pela República Italiana foram conduzidos de forma articulada entre o Poder Judiciário, a Procuradoria-Geral da República e o Poder Executivo, por intermédio do Ministério da Justiça, Advocacia-Geral da União e Ministério das Relações Exteriores, o que garantiu o sucesso da cooperação internacional neste caso”, disse Cardozo.

“A atuação dos Ministérios Públicos brasileiro e italiano e do Poder Executivo foi decisiva para esse desfecho. A PGR reconhece o empenho das autoridades italianas para a concessão da extradição, o que confirma o fortalecimento da cooperação bilateral em matéria penal em todos os planos”, afirmou Janot, ainda segundo a nota.

FONTE: G1.


Doação à base de propina
Executivo da Toyo Setal estima que a empreiteira pagou até R$ 110 milhões de subornos e contribuições a partidos. Parte do dinheiro foi repassado a Vaccari, então tesoureiro do PT
“Tive uma participação longa e meu único contato com corrupção foi com essas três pessoas (Duque, Costa e Barusco). Antes disso, nunca soube de nada, nunca houve nada. Durante esse período, foi com essas pessoas” – Augusto Mendonça, executivo da empresa Toyo Setal
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Brasília – O depoimento do executivo da empresa Toyo Setal, Augusto Mendonça, um dos principais delatores do esquema criminoso de desvio bilionário de recursos da Petrobras, prestado ontem, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura irregularidades na estatal, evidenciou que o dinheiro sujo de propina mascarou doações eleitorais feitas dentro da lei. Ele informou que, após obter contratos na petroleira, pode ter pago entre R$ 100 milhões e R$ 110 milhões em suborno e doações a partidos políticos. Bastante tranquilo, articulado e disposto a responder a todos os questionamentos, Mendonça comunicou que, por orientação do ex-diretor de Serviços da estatal Renato Duque, esteve com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto para repassar à legenda dinheiro destinado a campanhas políticas.
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Segundo o depoimento de Augusto Mendonça, os recursos eram provenientes dos acertos realizados no âmbito dos contratos da Petrobras. “Duque me pediu que eu fizesse contribuições ao PT. Na primeira vez, fui procurar João Vaccari no escritório do PT, dizendo a ele que tinha interesse em fazer contribuição ao partido. Ele me indicou onde a gente deveria contribuir. Duque me pediu outras vezes. Tenho todas as contribuições detalhadas, os comprovantes entregues, no meu depoimento (da delação premiada)”, afirmou.
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Mendonça ressaltou que todas as doações eram legais. Posteriormente, afirmou que o dinheiro doado fazia parte do acerto que teria feito com Renato Duque. Disse também que fez doações a vários parlamentares e a partidos políticos, incluindo o PSDB, o PPS e o PTB. O próprio relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), teve parte da campanha para a Câmara financiada pela Toyo Setal.
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Durante o depoimento, Augusto Mendonça evitou falar as palavras “propina” e “suborno”. Referia-se sempre a comissões negociadas. O deputado André Moura (PSC-BA) chegou a se irritar. “O senhor pagou de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões ao Duque. O senhor não vai chamar isso de contribuição”, disse. Em seguida, perguntou se Mendonça não havia pago propina disfarçada de consultoria aos ex-ministros Antônio Palocci e José Dirceu. “Não, senhor. Em hipótese nenhuma”, respondeu. No entanto, admitiu que se encontrou com o ex-ministro para discutir assuntos institucionais do mercado offshore: “Já estive algumas vezes com José Dirceu”.
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O delator explicou que as comissões em questão se referiam a dois contratos firmados com a Petrobras por um consórcio formado pelas construtoras Setal e Mendes Junior. “Nós tínhamos dois contratos, acredito que para a Diretoria de Serviços, entre R$ 70 milhões e R$ 80 milhões (de propina), e para a Diretoria de Abastecimento, na faixa de R$ 30 milhões”, destacou.
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Desagravo  Na CPI, Mendonça chegou a fazer uma defesa da Petrobras e disse que a corrupção era generalizada apenas nas Diretorias de Abastecimento e de Serviços. Segundo relatou, só sabia de três pessoas que participavam da organização criminosa no âmbito da estatal: Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento, Renato Duque e o ex-gerente Pedro Barusco. “(A Petrobras) Aparece como uma companhia de segunda categoria, repleta de gente corrupta, mas é o inverso. Tive uma participação longa e meu único contato com corrupção foi com essas três pessoas. Antes disso, nunca soube de nada, nunca houve nada. Durante esse período, foi com essas pessoas”, atestou.
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O executivo explicou que as empresas começaram a se unir ainda nos anos 1990, como uma forma de se proteger. De acordo com o delator, havia uma concorrência acirrada, e isso não era bom para os negócios. Inicialmente, nove empresas fizeram parte desse seleto grupo. “Era uma ação interna dentro dessas companhias.” Mendonça destacou que, a partir de 2005 e 2006, o grupo foi ampliado e ganhou força dentro da estatal, com apoio de integrantes da petroleira.
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Ao ser questionado por que aceitou pagar propina aos servidores da petroleira, Mendonça disse que chegou a ser ameaçado pelo ex-deputado José Janene, já falecido. “Ele disse que eu tinha que procurar o Duque para acertar. Eu fui ameaçado por ele”, declarou.  “O poder que um diretor da Petrobras tinha de atrapalhar era enorme. De ajudar, era pequeno. Na minha opinião, eles vendiam muito mais dificuldade do que facilidade. Na minha opinião, as empresas participavam muito mais por medo do que por facilidades”, concluiu.

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FONTE: Estado de Minas.

 


PT diz que Vaccari solicitou seu afastamento da tesouraria do partido

Em nota, presidente do partido confirma a decisão, mas mantém discurso de confiança na inocência de Vaccari

O MPF e a PF observaram também uma depósitos não identificados e fracionados em contas de parentes do tesoureiro, como sua filha e sua mulher, Giselda. A mulher do tesoureiro recebeu R$ 322 mil de 2008 a 2014. A filha de Vaccari, Nayara Lima Vaccari, aumentou seu patrimônio de R$ 240 mil para R$ 1 milhão entre 2008 e 2013, mesmo tendo como única fonte de renda um “pequeno valor” de bolsa de estudos de medicina.

 GERALDO BUBNIAK/AGB/ESTADAO CONTEUDO

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O presidente do PT, Rui Falcão, informou nesta quarta-feira, em nota, que o tesoureiro João Vaccari Neto, preso na manhã desta quarta-feira pela Polícia Federal, “solicitou seu afastamento” do cargo “por questões de ordem práticas e legais”. Apesar do afastamento, a nota assinada por Rui mantém o discurso de “confiança na inocência de João Vaccari Neto”, apontado por investigações da PF como operador de propina do PT no esquema de desvio de dinheiro da Petrobras.

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“Reafirmamos nossa confiança na inocência de João Vaccari Neto, não só pela sua conduta à frente da Secretaria Nacional de Finanças e Planejamento, mas também porque, sob a égide do Estado Democrático de Direito, prevalece o princípio fundamental de que todos são inocentes até prova em contrário”, afirma Rui.
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O presidente do partido classifica ainda como “injustificada” e “desnecessária” a prisão de Vaccari e informa que os advogados do tesoureiro estão apresentando um pedido de habeas corpus.
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A decisão foi divulgada poucas horas depois de terminado o encontro que selou o destino do tesoureiro, entre Falcão e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após o acerto com Lula, a nota foi redigida em uma reunião entre Rui Falcão, o secretário de Comunicação José Américo Dias e o secretário-geral do partido, Romênio Pereira.
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Tesoureiro do PT na cadeia
Vaccari Neto operava esquema de corrupção na Petrobras e usava gráfica para receber propina, diz a Polícia Federal. Em reunião de emergência, cúpula do partido decide afastá-lo do cargo

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Preso em São Paulo no início da manhã, Vaccari foi levado à tarde para Curitiba (PR), onde passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal<br />
 (Antônio More/Gazeta do Povo)

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O tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), João Vaccari Neto, foi preso na manhã de ontem, em São Paulo, pela Polícia Federal, e deve prestar depoimento hoje na 12ª etapa da Operação Lava-Jato – que apura um esquema de corrupção na Petrobras. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), em seu pedido de prisão preventiva, as doações feitas ao PT durante as eleições do ano passado, possivelmente, estão contaminadas pelo esquema criminoso. A força-tarefa da Lava-Jato mostra que “ao menos parte das doações de 2014 das empresas investigadas na operação seriam, na realidade, pagamento de vantagem indevida”.
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Além de Vaccari, outro alvo da nova fase da investigação é Marice Correia de Lima, cunhada do tesoureiro, que teria emprestado sua conta bancária para movimentação de propina pagas em razão de contratos com a estatal. A PF fez busca e apreensão na casa dela, onde foram encontrados documentos, entre eles correspondências que indicam que ela está em viagem há duas semanas. Em razão disso, Marice já é considerada foragida. A mulher do tesoureiro, Giselda Rousie de Lima, foi alvo de mandado de condução coercitiva e levada para  prestar depoimento.
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A prisão de Vaccari – que falou à CPI da Petrobras, na semana passada, irritando os parlamentares com respostas evasivas –, foi decretada pelo juiz Sérgio Moro, que preside as investigações. Ele já é réu no processo da Lava-Jato, mas, de acordo com Moro, a prisão foi necessária em razão da permanência dele no cargo de tesoureiro do PT. Em seu depoimento aos deputados, Vaccari reafirmou que não deixaria o cargo por ser inocente, apesar de integrantes do partido defenderem a necessidade de seu afastamento. O que acabou ocorrendo 11 horas depois da sua prisão, com o anúncio da decisão da cúpula do partido, que convocou reunião de emergência logo após ser surpreendida com a detenção do tesoureiro.
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“Em tal posição de poder e de influência política, (Vaccari) poderá persistir na prática de crime ou mesmo perturbar as investigações e a instrução da ação penal”, justificou Moro em sua decisão. De acordo com o juiz, Vaccari vinha atuando como “operador” do esquema, assim como o doleiro Alberto Youssef .Uma das motivações da prisão é a empresa Gráfica e Editora Atitude, que prestou serviços para a Presidência e pertencente aos sindicatos dos Bancários e dos Metalúrgicos de São Paulo, ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT). De acordo com a investigação, a entidade recebeu R$ 1,5 milhão da empresa Setal, de instalações marítimas, para transformar propina em doação oficial de campanha. O problema é que a Atitude não prestou serviço algum. Por isso, o Ministério Público suspeita de lavagem de dinheiro.
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O MPF e a PF observaram também uma depósitos não identificados e fracionados em contas de parentes do tesoureiro, como sua filha e sua mulher, Giselda. A mulher do tesoureiro recebeu R$ 322 mil de 2008 a 2014. A filha de Vaccari, Nayara Lima Vaccari, aumentou seu patrimônio de R$ 240 mil para R$ 1 milhão entre 2008 e 2013, mesmo tendo como única fonte de renda um “pequeno valor” de bolsa de estudos de medicina.
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DELAÇÃO De acordo com o MPF, são as delações premiadas de Eduardo Leite, vice-presidente da Camargo Corrêa, e de Augusto Mendonça, executivo da Setal, que sustentam a suspeita de uso de propina na eleição de 2014. “Leite afirmou que Vaccari solicitou propina para o PT por meio de doações oficiais da Camargo Corrêa. Atente-se que a empreiteira de fato doou na campanha de 2014 cerca de R$ 35 milhões ao PT, não podendo ser descartada a hipótese que tal doação se referia ao pagamento de propina”, afirmam os procuradores.
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Moro deu seu aval aos procuradores e afirmou: “O mundo do crime não pode contaminar o sistema político-partidário”. E foi mais longe: “Quem responde por tão graves crimes, que incluem a utilização da posição de tesoureiro do partido político para angariar recursos criminosos e corromper o sistema político, oferece um risco à ordem pública”.
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Preso por volta das 6h em sua casa, em São Paulo, Vaccari deixou a sede da PF na capital paulista no início da tarde e foi levado para Curitiba (PR), onde tramita o processo da Lava-Jato. O tesoureiro aparentava tranquilidade, mas optou pelo silêncio. À PF, disse apenas que acredita que sua cunhada Marice está viajando para o Panamá ou Costa Rica.
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FONTE: Estado de Minas.


Odebrecht pagou viagem de Lula por três países

Construtora teria bancado todos custos do deslocamento do ex-presidente para Cuba, República Dominicana e Estados Unidos, visita não teria relação com atividades da empresa nesses países

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O ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva participa da abertura da Expocatadores 2014 no Centro de Exposicoes do Anhembi em Sao Paulo


A construtora Odebrecht bancou uma viagem realizada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2013, que passou por Cuba, República Dominicana e Estados Unidos e que oficialmente não tinha qualquer relação com atividades da empresa nesses países.

Segundo reportagem de “O Globo” publicada neste domingo (12), Lula viajou acompanhado por pessoas próximas, como funcionários de seu instituto, o escritor Fernando Morais e o presidente do sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques.

O único integrante da comitiva que não fazia parte do círculo do ex-presidente era Alexandrino Alencar, atual diretor de Relações Institucionais da Odebrecht. Alencar foi apontado por três delatores da Operação Lava Jato como o responsável por operar as propinas da empresa no exterior. Ele nega.

De acordo com o jornal, a empresa Líder Táxi Aéreo, responsável pelo voo, o classificou como “completamente sigiloso”. A viagem, que custou R$ 435 mil, foi paga pela DAG Construtora, da Bahia, uma das parceiras comerciais da Odebrecht.

Segundo a construtora, o traslado pelos três países foi pago em função da agenda do ex-presidente na República Dominicana. O Instituto Lula confirmou a realização de palestra no país.

Em anúncio publicado na edição desta segunda de “O Globo”, a Odebrecht afirmou ter pagado por palestra de Lula na República Dominicana e ressaltou que não há nada “ilegal ou sigiloso” no evento.

COMENTÁRIOS (7)

José<br />Vieira<br />Hermsdorf
José Vieira Hermsdorf
Alguma dúvida sobre a origem dessa promiscuidade entre o ex-presidente e as empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato? 
Responder  0  0  10:35 PM Apr 13, 2015
Nestor<br />Martins<br />Amaral<br />Júnior
Nestor Martins Amaral Júnior
O pior é que esse governo, para justificar o volume indecente de sua corrupção, afirma que isso é tão somente porque ele apura tudo, o que não acontecia nos tempos do FHC. Havia o Brindeiro gaveteiro. E o que dizer dessa enorme gaveta onde se arquivam as peripécias do nosso bravo ex-presidente? Mas, essa gaveta já está tão estufada que alguma coisa já começa a transbordar e vir à tona. 
Responder  0  0  9:52 PM Apr 13, 2015
Carlos<br />henrique
Carlos henrique
Uma empreiteira bancando viagem particular de Lula sem nenhum interesse eles acham que a população e palhaço,estou a procura de uma empreiteira para bancar minhas férias alguma empreiteira se interessar pode mandar um recado para este jornal kkkkkk
Responder  12  1  9:24 PM Apr 13, 2015
And<br />BH
AndBH
e não vai dar em nada.
Responder  6  3  8:42 PM Apr 13, 2015
Denise<br />Marquez
Denise Marquez
O MPF exigiu quebra do sigilo imposto no contrato Brasil-Cuba. A maior parte do Puerto de Mariel, em Cuba, foi bancada pelo BNDES. O BNDES financiou 682 milhões de dólares do projeto, cerca de dois terços do valor total estimado para o porto (957 milhões de dólares). Questionado sobre os benefícios para o Brasil dos empréstimos do BNDES ao governo cubano, o então ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, disse que Cuba estava em fase de transição rumo a uma economia de mercado e que o Brasil poderia se beneficiar do apoio oferecido à ilha. Você, trabalhador brasileiro, imagine que o governo Dilma doou R$ 3 bilhões de reais para construir este porto, sabendo que no Brasil os portos estão velhos e obsoletos. Imagine ainda que, se esse dinheiro não tivesse sido doado, hoje não teríamos de passar pelas agruras desse arrocho imposto por Joaquim Levy. Imagine finalmente se Fernando Pimentel resolver fazer nos cofres do estado de MG o que fez no MDIC.
Responder  17  2  8:41 PM Apr 13, 2015
Denise<br />Marquez
Denise Marquez
Está chegando perto… Vamos cantar, dançar e comemorar dias e dias nas ruas… 
Responder  28  2  8:22 PM Apr 13, 2015
Thiago<br />Lobato
Thiago Lobato
Quem diria, um sr. usando um Armany numa festa de catadores de papel. Estilo da esquerda. Anda de jatinho e a população puxa carroça.
Responder  29  1  8:12 PM Apr 13, 2015
FONTE: O Tempo.

Presos na 11ª fase da Lava Jato chegam à sede da PF em Curitiba

Ex-deputado federal André Vargas e o irmão foram os primeiros a chegar.
Sete pessoas foram presas nesta sexta-feira (10) pela Polícia Federal.

 

Os presos na 11ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta-feira (10), começaram a chegar à Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba no meio da tarde. Os primeiros a chegar foram o ex-deputado federal André Vargas (sem partido) e o irmão dele Leon Vargas. Eles vieram de carro de Londrina, norte do Paraná, onde foram presos.

O comboio com os irmãos chegou à PF às 16h10. As imagens são do repórter-cinematográfico Rafael Trindade, da RPC.

Lava Jato André Vargas preso PF Curitiba (Foto: Albari Rosa/Agência Gazeta do Povo/Estadão Conteúdo)Vargas chegou a Curitiba em comboio

Sete pessoas foram presas nesta fase da Lava Jato. Além de André Vargas, outros dois ex-deputados estão entre os presos: Luiz Argôlo (SDD-BA) e Pedro Corrêa (PP-PE) (Veja a lista completa mais abaixo).

Além dos mandados de prisão, 16 de busca e apreensão foram expedidos pela Justiça. Nove mandados de condução coercitiva, quando a pessoa é levada para prestar depoimento, também foram cumpridos nesta manhã.

Batizada de “A Origem”, a 11ª fase da Lava Jato vai além do esquema de corrupção na Petrobras e investiga indícios de irregularidades em contratos publicitários da Caixa Econômica Federal e do Ministério da Saúde. Os dois órgãos anunciaram nesta sexta, por nota à imprensa, que vão apurar internamente as denúncias da Lava Jato.

Segundo a PF, o nome dado a esta fase se deve ao cumprimento de dois mandados em Londrina, cidade onde morava Alberto Youssef e onde iniciaram as investigações da Lava Jato. Segundo o Ministério Público Federal, o doleiro é ponto em comum nas investigações da operação.

 

OPERAÇÃO LAVA JATO
PF investiga lavagem de dinheiro.

Presos
Até o fim da noite desta sexta, todos os presos nesta fase da Lava Jato devem ser trazidos à superintendência da PF em Curitiba.

Há indefinição apenas na data de transferência do ex-deputado Pedro Corrêa, que cumpre prisão em regime semiaberto pelo processo do mensalão, em Pernambuco. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a transferência para Curitiba, mas a PF não informou como ela ocorrerá.

Veja os nomes dos presos:
 André Vargas, ex-deputado pelo PT, foi preso em Londrina;
 Leon Vargas, irmão do ex-deputado paranaense preso em Londrina;
 Luiz Argôlo (SDD-BA), ex-deputado, preso em Salvador;
 Pedro Corrêa (PP-PE), ex-deputado que já cumpre prisão pelo mensalão do PT no Centro de Ressocialização do Agreste (CRA), em Canhotinho (PE), em regime semiaberto;
 Élia Santos da Hora, secretária de Argôlo, presa em Salvador;
 Ivan Mernon da Silva Torres, ex-assessor de Pedro Corrêa, preso em Niterói;
 Ricardo Hoffmann, diretor de uma agência de publicidade em Curitiba, foi preso em Brasília.

O esquema
De acordo com a Polícia Federal, a agência de publicidade dirigida por Ricardo Hoffmann era contratada pela Caixa e pelo Ministério da Saúde. Ela fazia subcontratações de fornecedoras de materiais publicitários que eram de fachadas e tinham como sócios André Vargas e seu irmão, Leon Vargas.

Como não havia prestação de serviço, estas contratações eram realizadas apenas, conforme os delegados, para a lavagem de dinheiro. As irregularidades começaram entre 2010 e 2011 e se estenderam até 2014.

A polícia diz que, a princípio, esse caso não tem ligação com o esquema descoberto na Petrobras. De alguma forma, porém, todos os suspeitos têm ligação com o doleiro Alberto Youssef, apontado como o líder do esquema bilionário de corrupção, desvio e lavagem de dinheiro na estatal.

Resposta dos órgãos
Em nota, a Caixa Econômica Federal informou que abrirá apuração interna para averiguar os fatos revelados pela Polícia Federal nas investigações da Operação Lava Jato.

“A Caixa reitera que colaborará integralmente com as investigações e informa que encaminhará imediatamente todos os contratos relacionados às empresas citadas à Controladoria Geral da União, Polícia Federal e Ministério Público”, diz o texto completo.

Também em nota, o Ministério da Saúde disse que não firmou contrato com a empresa Labogen – laboratório de fachada de Yousseff. Havia uma denúnica de que Vargas teria feito tráfico de influência para favorecer a empresa.

“Em 2013, ao tomar conhecimento do relatório da Polícia Federal sobre a Operação Lava-Jato, o Ministério imediatamente suspendeu o termo de compromisso selado com o Laboratório da Marinha, antes mesmo da assinatura de contrato ou de qualquer repasse de recursos públicos. Isso significa que a proposta envolvendo a Labogen sequer passou da fase do cumprimento dos requisitos para assinatura de contrato”, diz trecho da nota.

O Ministério diz ainda que os contratos para realização de campanhas cumprem todos os requisitos exigidos por lei, mas que abriu apuração interna para analisar as denúncias de irregularidades e avaliar as medidas cabíveis diante das informações da PF. Afirma, ainda, que as informações dos contratos de publicidade serão encaminhados para as autoridades que investigam o caso.

Defesas
O advogado João Gomes Filho, que representa os irmãos André e Leon Vargas, afirmou que irá para Curitiba, para ter acesso aos autos e conhecer os motivos das prisões.

Filho adiantou que, durante o fim de semana, vai preparar o pedido de habeas corpus de André Vargas, que tem prisão preventiva. Já Leon Vargas foi preso temporariamente.
A prisão temporária tem prazo de cinco dias, podendo ser prorrogada pelo mesmo período. Já a prisão preventiva não tem prazo pré-definido.

 

FONTE: G1.


energia elétrica

Assim como a febre é implacável ao reagir a inflamações que podem colocar em risco o organismo, a inflação não perdoa: mais dia, menos dia, dependendo da transparência com que age o governo, ela cobra o preço de equívocos, de voluntarismos e de inépcias. A condução sem mágicas da política econômica, a administração responsável do gasto público e a não intervenção em setores que funcionam bem são mandamentos elementares. Desobedecê-los custa caro.

A divulgação ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) da inflação oficial do país em março revela mais um preço dessa desobediência, que foi uma das marcas do primeiro governo de Dilma Rousseff.
Aos poucos, e dolorosamente, os brasileiros vão se encontrando com trapalhadas escondidas na campanha eleitoral e que, agora, visitam o bolso de todos.
Medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação deu mais um galope, com alta de 1,32% em relação a fevereiro. Foi a taxa mais alta para o mês em 20 anos. Entre os equívocos que os aumentos refletem, a campeã é a sequência de medidas que desorganizaram boa parte do setor elétrico, de modo a deixá-lo sem condições de investir para aumentar a oferta de geração e de armazenamento hídrico.Mudanças no sistema de concessões geraram incertezas e insegurança jurídica, levando as empresas não controladas pelo governo federal a engavetar projetos de investimentos. Depois, em setembro de 2012, a presidente fez um pronunciamento na TV anunciando redução nas tarifas de 16,2% para consumidores residenciais e de 28% para indústrias. Em janeiro de 2013, Dilma voltou à TV para confirmar a benesse e torná-la ainda maior, passando o corte nas tarifas para 18% e 32%, respectivamente. Uma festa.

Especialistas alertavam para a chegada de um período de estiagem prolongada, do qual não se vislumbravam a profundidade e a duração. Mas a presidente assegurou que o Brasil tinha energia suficiente, “sem nenhum risco de racionamento ou qualquer tipo de estrangulamento, no curto, médio ou no longo prazo”.

Era evidente que esse estímulo ao consumo era inconveniente. Mas, embora fora da lei, Dilma já estava em campanha pela reeleição e seu marketing não admitia qualquer coisa que soasse negativa, muito menos uma campanha de economia de energia. As chuvas não vieram e as usinas térmicas, que deveriam ser acionadas apenas de forma suplementar, ficaram ligadas permanentemente, enquanto os reservatórios das hidrelétricas baixavam perigosamente (e ainda estão longe do normal).

Salva pela baixa atividade industrial, Dilma escapou de ter de decretar um racionamento. Mas não teve como fugir do alto preço da energia gerada pelas térmicas. Varreu esse custo para debaixo do tapete até passarem as eleições. É o que está sendo cobrado do consumidor agora, uma parte por bandeiras tarifárias, outra por aumentos mais frequentes das tarifas.

Resultado: mais da metade da inflação de março é explicada pela conta de luz. Segundo o IBGE, o aumento médio das tarifas em março foi de 22,08%, o que ajudou a empurrar o índice geral acumulado em 12 meses para perigosos 8,13%. Não foi sem motivo que até o Banco Central jogou a toalha em relação à inflação de 2015, quando o ano mal tinha começado. Resta aos brasileiros orar, e não apenas pelas chuvas, mas pelo fim das trapalhadas.

 

 

Em dia de ratos na CPI, respostas vazias de Vaccari
Roedores soltos no plenário atrasam sessão. Tesoureiro do PT presta depoimento burocrático, admite que esteve no escritório de doleiro e volta a defender legalidade das doações ao partido
A captura de um hamster, dois esquilos-da-mongólia e dois ratos cinzas provocou correria e troca de acusações entre deputados<br /><br />
 (Luís Macedo/Câmara dos Deputados)
A captura de um hamster, dois esquilos-da-mongólia e dois ratos cinzas provocou correria e troca de acusações entre deputados

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<p> (Marcelo Camargo/Agência Brasil)Ao longo de todo o depoimento na CPI da Petrobras, João Vaccari Neto repetiu que era inocente. Ele voltou a afirmar que tem apoio interno do PT para continuar como tesoureiro da legenda

Brasília – O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, denunciado pelo Ministério Público Federal por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, admitiu ter ido ao escritório do doleiro Alberto Youssef, o principal operador do esquema  de corrupção na Petrobras. Alegou que foi convidado pelo próprio Youssef e informou, durante depoimento conturbado ontem na CPI que apura irregularidades na estatal, não saber o motivo do convite. Nervoso, com respostas automáticas para qualquer questionamento e classificado de “ladrão” por oposicionistas, Vaccari defendeu a legalidade das doações eleitorais recebidas pelo partido e negou ter tratado sobre finanças da legenda com o doleiro ou com qualquer diretor da Petrobras.

O comportamento dele irritou a oposição. Na véspera, Vaccari recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ser liberado de dizer a verdade. O receio dos petistas era de que algum deputado tentasse dar voz de prisão ao tesoureiro, criando um fato político. Principal depoimento realizado até agora pela CPI, a fala do tesoureiro do PT começou em meio a tumulto e bate-boca entre parlamentares. Logo após a entrada de Vaccari, acompanhado de seu advogado, um homem abriu uma caixa e soltou cinco ratos no plenário da CPI. Ele foi identificado como Márcio Martins Oliveira, servidor da segunda vice-presidência da Câmara (leia texto abaixo). 

Chamado de “um dos maiores ladrões da história do Brasil” pelo deputado Delegado Waldir (PSDB-GO), Vaccari manteve a calma e repetia o mantra combinado com o advogado. Disse que não tinha intimidade com a presidente Dilma e o ex-presidente Lula. Afirmou que só deixará o cargo de tesoureiro do partido quando o diretório nacional assim decidir. “Reafirmo que os termos das delações premiadas em relação à minha pessoa não são verdadeiros.” A repetição irritou o líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP). Nervoso, o tucano afirmou que a prisão dele estaria perto e que o PT seria extinto. Em seguida, se retirou da CPI. A deputada Maria do Rosário (PT-RS) protestou e chegou a dizer que o líder saiu correndo feito um rato, numa alusão aos roedores soltos no início da sessão.

Vaccari iniciou o depoimento apresentando slides sobre a arrecadação dos partidos para mostrar que outras legendas também ganharam recursos das empresas investigadas na  Lava-Jato. “Em 2014, foram R$ 222 milhões para todos os partidos das empresas investigadas. O PT obteve 25%, o PSDB obteve 24%, o PMDB obteve 21%”, afirmou. Quando questionado sobre a afirmação do ex-diretor de Engenharia da Petrobras Pedro Barusco que o PT haveria recebido US$ 200 milhõess em propina mascarada de doação oficial, o tesoureiro deu respostas evasivas e repetidas.

Durante a sessão, disse que estaria à disposição para uma acareação com os delatores. Concordou em passar por um detector de mentiras, em resposta à deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO). Ao ser interrompido pela deputada, Vaccari chamou a atenção dela afirmando ainda não ter tido tempo de responder o que foi indagado. Mariana, então, ironizou: “Não tem problema, o senhor não respondeu nenhuma desde as 9h30, não faz diferença”. Também a deputada Eliziane Gama (PPS-MA) perdeu a paciência. Primeiro perguntou a Vaccari se ele era inocente. O tesoureiro respondeu que sim. Depois, a deputada emendou: “O senhor veio para mentir. Ficou muito claro”.

As acusações

João Vaccari Neto, tesoureiro do PT desde 2010, foi denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro.

Ele é apontado como operador do PT no esquema de pagamento de propina oriunda de contratos firmados entre empreiteiras e a Petrobras.

Conforme os investigadores, Vaccari articulava reuniões com o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque para fazer o acerto das propinas.

Os subornos, segundo o Ministério Público Federal, eram pagos por meio de doações oficiais ao Partido dos Trabalhadores. Segundo a investigação, Vaccari seria o responsável pela manobra para “lavar” o dinheiro sujo.

Os procuradores da República identificaram 24 doações em 18 meses.

Vaccari é apontado como o responsável por indicar as contas onde os recursos deveriam ser depositados. Conforme o MPF, ele tinha consciência de que os pagamentos eram feitos a título de propina.

 

“Não somos iguais ao PT”

 

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), rebateu ontem a declaração do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, de que o PSDB e outros partidos receberam recursos de empresas investigadas pela Operação Lava-Jato. Aécio disse que o PT faz um “esforço enorme” para se mostrar igual a partidos que combatia no passado, mas que o PSDB não pode ser comparado à sigla. “O PT passou boa parte da sua existência querendo provar que era diferente dos outros. Hoje faz um esforço enorme para se mostrar igual aos outros. Mas nós não somos iguais ao PT. Nós não recebemos financiamento em troca de superfaturamento de obras, como aconteceu com o desvio de recursos públicos e, segundo as inúmeras delações premiadas, com o PT”, disse Aécio.
FONTE: Estado de Minas.

Magoado, Pepe dá o troco
Em mais uma trapalhada do Planalto, ex-ministro da Secretaria de Relações Institucionais %u2018demite%u2019 Ideli Salvatti antes mesmo do anúncio oficial da Presidência e depois volta atrás

 

“É importante dizer que a presidente não confirmou essa questão da SDH. Não houve um comunicado oficial em relação a isso” – Pepe Vargas, ministro da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), logo após receber um telefonema que o obrigou a mudar o tom da entrevista

Brasília – As trapalhadas do governo não param no caso das mudanças da articulação política do Planalto com o Congresso. No capítulo de ontem, o petista Pepe Vargas foi o personagem principal. Magoado por ter tomado conhecimento pela imprensa de que seria substituído na Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Vargas deu o troco. Antes mesmo do anúncio oficial da Presidência de que assumiria Secretaria de Direitos Humanos (SDH), o ministro deu uma entrevista ontem afirmando que recebeu convite da presidente Dilma Rousseff para assumir o cargo, “demitindo” Ideli Salvatti, assim como foi – sem um comunicado oficial. Mas, depois de atender a um telefonema, que interrompeu a entrevista por três minutos, Vargas recuou e disse que ainda não havia a formalização da sua indicação por Dilma, mas que, se convidado, aceitaria ser o ministro da pasta.

“É importante dizer que a presidente não confirmou essa questão da SDH. Não houve um comunicado oficial em relação a isso. O que eu digo para a presidente é que, se ela quiser me aproveitar na sua equipe, eu aceito o convite de continuar contribuindo com a sua equipe”, disse na entrevista. Indagado sobre o telefonema, que o fez mudar o tom, Pepe Vargas disse que se tratava de um assunto pessoal. “Era um telefonema pessoal meu, que diz respeito somente à minha vida pessoal”, declarou. O anúncio oficial veio só mais tarde. Pouco depois das 20h30 o Planalto divulgou nota confirmando Pepe na SDH, sem, porém, fazer qualquer menção ao destino de Ideli. Ontem mesmo, a ministra despediu-se dos funcionários. Ela deve assumir a presidência dos Correios.

“A presidente Dilma me convidou para ir para a Secretaria de Direitos Humanos. Eu coloquei que poderia ajudar o seu governo, o Brasil e o povo através do meu mandato na Câmara, mas a presidente insistiu, querendo que eu permanecesse na sua equipe”, disse. Na véspera, Pepe Vargas entregou o cargo na SRI após ficar sabendo, pela imprensa, que Dilma havia convidado o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, do PMDB, para a pasta. O convite vazou, e Padilha acabou recusando a nova função. Dilma, então, decidiu transferir a competência da articulação política para o vice-presidente Michel Temer. Com isso, a SRI foi extinta.

“Dentro dos meus valores, não sou da pessoa que acha que se deve dizer não a um pedido da presidenta da República para ajudar o Brasil. Fiz isso em 2012, para ir para o MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), fiz isso em dezembro do ano passado para ir para a SRI, e faço agora para ficar na Secretaria de Direitos Humanos. Não tem nenhuma circunstância que me impede de ir para a SDH”, completou. Pepe disse que não ficou “nenhuma mágoa” com a presidente pela forma como ficou sabendo de sua demissão e desejou sucesso a Temer na nova função. Segundo ele, o sucesso de Temer será bom para o governo e para o país.

‘RUíDOS’  Ao longo da entrevista, o ministro afirmou que, no período em que esteve à frente da Secretaria de Relações Institucionais, os projetos defendidos pelo governo tiveram 75% de aprovação no Congresso – um índice que considera “razoável”. No entanto, ao comentar projetos aprovados pelo Legislativo que não tinham apoio do governo, Vargas citou “ruídos fortes” na relação entre o Planalto e o PMDB. “É inegável também que em algumas matérias houve ruídos fortes entre as posições do PMDB e do governo”, disse. “Também é evidente que esse ruído desorganiza e desestabiliza o conjunto da base. Então, a presidente Dilma fez uma opção por entregar a articulação política para o PMDB, e torço pelo sucesso do trabalho do vice-presidente Michel Temer nesta atividade”, acrescentou.

FONTE: Estado de Minas.

Corrupção deixa cúpula da Fazenda em pânico
Joaquim Levy pede pente-fino na Receita Federal e na Procuradoria Nacional pois teme que irregularidades estejam disseminadas por órgãos estratégicos do governo

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Quem não faz “negociata” leva a pior, diz conselheiro do “tribunal” da Receita

Grampo da PF pegou, em 25 de agosto de 2014, o conselheiro Paulo Roberto Cortez, alvo da Operação Zelotes; segundo ele, só “coitadinhos” têm de pagar impostos

Em conversa interceptada pela Polícia Federal, um dos integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), espécie de “tribunal” que avalia recursos de contribuintes em débito com a Receita, afirma que o órgão se tornou um “balcão de negócios” e, no cotidiano de julgamentos, quem não faz “negociata” leva a pior.

Na escuta, o conselheiro Paulo Roberto Cortez, um dos investigados por participação no esquema para favorecer grandes empresas, afirma ainda que só “coitadinhos” têm de pagar impostos. “O Carf tem de acabar, não pode. Quem paga imposto é só os coitadinhos (sic)”, constata ele em um telefonema. “Quem não pode fazer acordo, acerto – não é acordo, é negociata -se fode”, continua ele.

A conversa foi interceptada pela Polícia Federal em 25 de agosto do ano passado. Do outro lado da linha, estava o sócio de Cortez no escritório de assessoria contábil Cortez & Mallmann, que atua no Carf, Nelson Mallmann. No diálogo, os dois mencionam casos de suborno envolvendo conselheiros do Carf e grandes empresas investigadas na Operação Zelotes. Há ao menos 74 pessoas físicas e jurídicas sob suspeita, entre eles gigantes do setor privado, como revelou o jornal “O Estado de S. Paulo” no último sábado.

Num dos trechos, o conselheiro afirma, referindo-se aos recursos de contribuintes que apelam ao “tribunal” da Receita: “Eles estão mantendo absurdos contra os pequenininhos e esses grandões estão passando tudo livre, isento de imposto. É só pagar taxa”, continua Cortez.

Carf. Foto: André Dusek/Estadão

Na conversa, ele diz que o Carf tem de fechar para que os casos a ele levados passem a ser discutidos no Judiciário. “Não pode isso aí. Virou balcão de negócios”, comenta, acrescentando: “Dá vergonha, cara”.

Na Operação Zelotes, a Polícia Federal e a Procuradoria da República no DF pediram a prisão temporária de Cortez por supostas práticas de associação criminosa, tráfico de influência e lavagem de dinheiro. A Justiça, no entanto, não considerou a medida necessária. Segundo o inquérito, as empresas de Cortez foram usadas para “branquear” pagamentos de clientes que buscavam alterar os julgamentos do Carf.

O Estado telefonou para o escritório de Cortez e Mallmann, mas as ligações foram interrompidas quando a reportagem se apresentou. “Não temos interesse”, disse o atendente, que não se identificou. O Estado telefonou para Cortez e o sócio em seus celulares, mas não foi atendido. Também enviou e-mail para ambos, mas, por ora, não houve resposta

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Brasília – A lista dos envolvidos nas denúncias de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) mostra que os desmandos estão entranhados em órgãos estratégicos do governo, como a Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional, órgãos subordinados ao ministro Joaquim Levy. Dos 24 investigados por meio da Operação Zelotes, pelo menos 10 têm vinculação com o serviço público e vários são parentes de ex-integrantes da alta administração federal. Chama a atenção o fato de, mesmo com as denúncias, três investigados, Meigan Sack Rodrigues, Eivanice Canário da Silva e Paulo Roberto Cortez, ainda constarem como integrantes do Carf.
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A grande expectativa de policiais federais e procuradores da República que atuam nas investigações é saber como Levy lidará com as denúncias, uma vez que o Bradesco, banco do qual ele foi funcionário até assumir a Fazenda, é acusado de ter tentado derrubar, por meio de negociatas, dívidas de R$ 2,75 bilhões com o Carf. Relatórios da PF mostram que o presidente da instituição financeira, Luiz Carlos Trabucco, e dois executivos se encontraram com um participante da quadrilha, o auditor fiscal Eduardo Cerqueira Leite, para discutir como reduzir as multas impostas pela Receita.
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Diante da revelação do relatório, o Bradesco negou a participação de seu presidente no encontro. Mas nada comentou sobre os dois executivos, Luiz Carlos Angelotti, diretor de Relações com os Investidores, e Domingos Figueiredo de Abreu, um dos vice-presidentes do banco. Tão encrencado quanto o Bradesco está o Safra, que questiona a cobrança de R$ 767,56 milhões em impostos. Um dos integrantes do Conselho de Administração do banco, João Inácio Puga, teria acertado pagar R$ 28 milhões ao esquema para encerrar o processo questionado no Carf.
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O clima é de tensão na pasta chefiada por Levy. Fiscais da Receita e procuradores da Fazenda Nacional temem que novos nomes sejam divulgados pela PF e pelo Ministério Público. Aos mais íntimos, o ministro afirmou que não hesitará em punir, de forma exemplar, todos os culpados no esquema que pode ter desviado R$ 19 bilhões dos cofres públicos. Na terça-feira, em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, ele assegurou que fará mudanças no Carf para “dar mais transparência, previsibilidade, celeridade e segurança” aos processos. Hoje, reconhecem assessores do ministro, o “tribunal” é uma caixa-preta, dominado por irregularidades que podem ser maiores do que as descobertas até agora.
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Preservação Há uma determinação dentro da Receita para tentar preservar ao máximo o órgão. Mas o chefe do Fisco, Jorge Rachid, reconhece, segundo interlocutores, que o golpe pode ser grande. Leonardo Siade Manzan, genro de Otacílio Cartaxo, ex-secretário da Receita e ex-presidente do Carf, foi pego com R$ 800 mil em dinheiro vivo na casa dele, no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. Eivany Antonio da Silva, ex-secretário adjunto do fisco, está entre os investigados, assim como os dois filhos dele, Eivanice, atual conselheira do Carf, e José Ricardo da Silva, que seria um dos cabeças da quadrilha. “Estamos preparados para o pior”, reconhece um integrante da Receita.
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Para o governo, a Operação Zelotes é mais uma dor de cabeça, pois sustenta, entre os eleitores, a visão de que a administração de Dilma Rousseff se transformou em um palco corrupção. A popularidade da presidente está no chão e justamente o que ela chama de malfeitos é o que mais está pesando para que quase 70% da população reprove a petista.
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A PF e o Ministério Público enviaram à Justiça uma relação com os nomes de pessoas e empresas para serem investigadas. Foram feitos pedidos de prisão, sendo seis preventivas e 18 temporárias, mas a juíza federal Pollyanna Kelly Alves, da 12ª Vara Federal, indeferiu todos. Somente mandados de busca e apreensão foram autorizados.
Tudo aponta que o esquema de venda de sentenças no Carf é comandado pelo ex-auditor e ex-presidente do Conselho Edison Pereira Rodrigues, pai de Meigan Sack Rodrigues, que continua tendo assento no tribunal da Receita. Nos relatórios preparados pela PF ele diz a integrantes da Ford que “tem 95% de chances” de derrubar a dívida da montadora de R$ 1,78 bilhão com o Fisco.
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Segundo Paulo Roberto Cortez, ainda no conselho do Carf, o tribunal se tornou um balcão de negócios, no qual somente os pequenos devedores é que pagam a conta. Estima-se que, hoje, os processos em andamento somem R$ 531 bi.

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Fraude ao Fisco envolve pelo menos 24 pessoas e 15 escritórios, diz PF

Advocacias e consultorias são suspeitas; rombo seria de R$ 19 bilhões.
Esquema era ‘sofisticado’, e pagamentos, em dinheiro vivo, diz procurador.

Investigadores da Polícia Federal no Distrito Federal afirmaram à reportagem da TV Globo, em Brasília, que pelo menos 24 pessoas e 15 escritórios de advocacia e consultoria estão envolvidos no suposto esquema de fraudes contra a Receita Federal no DF e em dois estados. Conversas telefônicas gravadas e movimentações bancárias serviriam como prova do envolvimento na manipulação de resultados de recursos judiciais. O rombo total nas contas da Receita é estimado em R$ 19 bilhões.

As investigações da PF apontam para a venda de decisões de conselheiros e ex-conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o órgão do Ministério da Fazenda responsável por analisar em segunda instância as autuações promovidas pela Receita.

A apuração indica que os membros do Carf trabalhavam com “captadores de clientes”, pessoas que buscavam empresas multadas pela Receita para participar do esquema.
Os conselheiros suspendiam julgamentos, alteravam votos e aceitavam recursos para favorecer essas empresas. A PF também constatou tráfico de influência nas operações de fraude.

Era uma organização sofisticada. O que chama a atenção é que a pessoa que procurava a empresa não era a mesma que procurava os servidores públicos. Havia uma segmentação de tarefas, onde cada pessoa tinha um papel bem definido”
Frederico Paiva, procurador da República

O procurador da República responsável pelo caso, Frederico Paiva, diz que a hierarquização do esquema atraiu a atenção dos investigadores. “Era uma organização sofisticada. O que chama a atenção é que a pessoa que procurava a empresa não era a mesma que procurava os servidores públicos. Havia uma segmentação de tarefas, onde cada pessoa tinha um papel bem definido”, diz.

Segundo Paiva, os pagamentos eram feitos em dinheiro vivo. “Isso dificulta muito o trabalho do Ministério Público Federal. O rastreamento desse dinheiro vai ser ainda objeto de uma segunda fase da investigação.”

Em nota divulgada na quinta-feira (26), o Ministério da Fazenda informou que “estão sendo instaurados processos administrativos disciplinares, sindicâncias patrimoniais e processos administrativos de responsabilização contra as empresas envolvidas”.

Segundo a pasta, o conselho iniciou reforma nos processos internos para aprimorar as atividades e dar mais transparência, previsibilidade, celeridade e segurança. O ministério também informou que os critérios para qualificação e seleção de conselheiros têm sido revistos e que existe a expectativa de instituir um comitê de ética do Carf.

Operação Zelotes

Estimativa de prejuízo R$ 19 bilhões
Fraude já comprovada R$ 5,7 bilhões
Estados envolvidos DF, CE e SP
Mandados de busca e apreensão 41
Policiais federais atuando na operação 180
Fiscais da Receita auxiliando na ação 55
Fonte: Polícia Federal

Envolvidos
A reportagem da TV Globo conseguiu acesso a novos nomes investigados na operação Zelotes. O ex-integrante do Carf e atual sócio em um escritório de advocacia, José Ricardo da Silva, é apontado como um dos principais responsáveis pelo esquema. O G1 e a TV Globo não conseguiu contato com ele.

A irmã de Silva e atual conselheira do Carf, Eivanice Canário da Silva, seria sócia de empresas suspeitas. Também conselheira, Meigan Sack Rodrigues é suspeita de fazer contato com colegas de conselho para suspender julgamentos, mediante pagamento de propina.

Meigan é filha e sócia do ex-presidente do Carf, Edson Pereira Rodrigues, em um dos escritórios de advocacia investigados. O G1 e a TV Globo não conseguiram contato com os citados nesta sexta (27).

Entre os citados na operação também está o ex-conselheiro Leonardo Manzan, genro do ex-secretário da Receita Otacílio Cartaxo. Em um cofre na casa de Manzan, a PF apreendeu R$ 800 mil que poderiam ser resultado do esquema. A defesa do ex-conselheiro afirma que o dinheiro é proveniente do pagamento de “honorários advocatícios”.

Apreensão
A PF também divulgou nesta sexta um balanço dos valores e bens apreendidos durante a Operação Zelotes. Em Brasília, foram apreendidos 16 carros, três motos, joias, R$ 1,84 milhão, US$ 9.087 e € 1.435. Entre os automóveis estão quatro Mercedes, dois Mitsubishi Lancer e um Porsche Cayenne. Os nomes dos proprietários não foram divulgados.

Outros dez carros e cerca de R$ 240 mil em moeda nacional e estrangeira foram apreendidos em São Paulo, além de dois automóveis no Ceará. Por decisão da Justiça Federal, todos os veículos foram entregues aos respectivos donos. Eles passam a figurar como “depositários fiéis” dos bens, e não podem repassá-los sem autorização judicial.

Segundo a PF, pelo menos 70 empresas – dos ramos bancário, siderúrgico, automobilístico e da construção civil – são investigadas. Os nomes das empresas suspeitas não foram divulgados.

Do total recolhido no DF, R$ 800 mil estavam em um cofre e R$ 312 mil em uma sacola. A origem do restante dos valores e os locais não foram divulgados.

Nulidade
A corregedora-geral do Ministério da Fazenda, Fabiana Lima, afirmou que vai pedir a nulidade das ações onde foram encontradas irregularidades. Em um dos casos identificados pela PF, uma multa de R$ 150 milhões aplicada a uma empresa havia sido cancelada.

Pelo menos um dos 216 atuais membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão do Ministério da Fazenda responsável por analisar em segunda instância as autuações promovidas pelo Fisco, vai ser afastado por suposto envolvimento com o crime, segundo a Polícia Federal.

O diretor de Combate ao Crime Organizado da PF, Oslain Campos Santana, afirmou considerar a Operação Zelotes “tão grande” quanto a Operação Lava Jato por causa da extensão do prejuízo aos cofres públicos, estimado em R$ 19 bilhões, e a quantidade de envolvidos. “Até agora não foram identificadas grandes correlações entre essa operação e a Lava Jato, fora, óbvio, ter processos administrativos”, completou.

As investigações começaram em 2013 e consideram processos que tramitam desde 2005. De acordo com a PF, uma organização criminosa manipulava o trâmite dos recursos administrativos que chegavam ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O objetivo dela era anular ou diminuir o valor das multas aplicadas.

Nove ex-conselheiros e um atual estão entre os suspeitos de participar do esquema. O número total de envolvidos está sob sigilo. Ainda segundo a polícia, os servidores repassavam informações privilegiadas para escritórios de assessoria, consultoria ou advocacia nas três unidades da federação. Esses locais usariam os dados para captar novos clientes, diz a polícia.

Dinheiro apreendido
Na quinta-feira (26), a PF cumpriu 41 mandados de busca e apreensão, sendo 24 em Brasília, 16 em São Paulo e um no Ceará. Não há informações sobre prisões. A corporação afirmou que já foi comprovado prejuízo de R$ 5,7 bilhões.

Os investigados vão responder pelos crimes de advocacia administrativa fazendária, tráfico de influência, corrupção passiva, corrupção ativa, associação criminosa, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas ultrapassam 50 anos de prisão.

A ação foi batizada de Operação Zelotes, que significa “falso cuidado” ou “cuidado fingido”, de acordo com a Polícia Federal. Além de 180 policiais federais, 60 fiscais da Receita Federal e 3 servidores da Corregedoria Geral do Ministério Fazenda participaram da operação.

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FONTE: Estadão, Estado de Minas e G1.

Doleiro relata que pagou R$ 400 mil em propinas na sede do PT em SP

 

Lula deu diretoria a Paulo Roberto após pressão de aliados, diz Youssef
Doleiro Alberto Youssef
Em depoimento prestado no âmbito da operação “Lava Jato”, o doleiro e delator do esquema de pagamento de propina na Petrobras, Alberto Youssef, afirmou que um de seus funcionários levou cerca de R$ 400 mil em propinas à sede do diretório nacional do PT, no centro de São Paulo.
O doleiro já havia relatado esse pagamento específico, que ao todo –de acordo com os depoimentos– soma aproximadamente R$ 800 mil, conforme a Folha de S.Paulo publicou. No entanto, em seu depoimento anterior, Youssef não havia detalhado como os pagamentos foram feitos.
Questionado sobre o caso específico, Youssef diz que usou uma empresa em nome de Waldomiro Oliveira, apontado como laranja das empresas do doleiro, para repassar dinheiro ao PT, ao PP e ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, também delator do esquema.
“Foram dois valores, de 400 e poucos mil reais, que foram entregues, a mando da Toshiba, para o tesoureiro do PT, o [João] Vaccari [Neto]”, diz Youssef no depoimento.
O suborno, de acordo com depoimento anterior do doleiro, teria resultado de um contrato que a Toshiba fechou com a Petrobras em 2009 para executar obras no Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), no valor de R$ 117 milhões.
Em entrevista publicada na edição do “Valor” desta terça (31), o presidente da Toshiba América do Sul, Luís Carlos Borba, afirma que foi enganado por Youssef e Paulo Roberto Costa a contratar uma das empresas de fachada do doleiro.
“O primeiro valor foi retirado no meu escritório, na [rua] Renato Paes de Barros, pela cunhada dele [Vaccari]. Eu entreguei esse valor pessoalmente”, continua o doleiro. “O segundo valor foi entregue na porta do diretório do PT, nacional, pelo meu funcionário Rafael Angulo, para o funcionário da Toshiba, para que ele pudesse entregar esse valor para o Vaccari.”
Desde que seu nome foi envolvido no escândalo da Petrobras, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, tem negado qualquer participação no esquema e, também, ter recebido dinheiro ilegal tanto para ele como para o partido.

FONTE: Hoje Em Dia.


“Está muito difícil a situação do José Dirceu”, diz procurador

José DirceuAs versões e os dados apresentados pela JD Assessoria e Consultoria Ltda, do ex-ministro José Dirceu, para justificar os R$ 2,5 milhões que recebeu da Engevix Engenharia e da Jamp Engenheiro Associados – empresa que intermediava propinas da empreiteira na Diretoria de Serviços da Petrobras – são insustentáveis.

A opinião é do procurador regional da República Carlos Fernando Lima, um dos coordenadores da força-tarefa da “Lava Jato”. “Hoje está muito difícil a situação do José Dirceu em relação ao que ela recebia da Jamp”.

Segundo ele, “as histórias estão sendo contadas sem o mínimo de cuidado de razoabilidade. Eles estão se confundindo.”

As divergências surgiram com o cruzamento de dados da quebra de sigilo fiscal da JD com os documentos de contrato e notas fornecidas pela defesa do ex-ministro no inquérito da “Lava Jato” em que é investigado.

petrolão

Segundo a Receita Federal, a Engevix pagou R$ 1,1 milhão à JD entre 2008 e 2011. Documento contratual mostra valor de R$ 300 mil para seis meses de consultoria internacional. O período de vigência é anterior à assinatura, de novembro de 2010: inicia em novembro de 2009 e termina em maio de 2011.

“Há uma contradição evidente de informações. O período não bate nem em relação ao contrato nem ao que ele disse”, afirmou o procurador da “Lava Jato”.

Peça-chave

Novo nome nas investigações que abalaram os governos petistas, a Jamp pertence a Milton Pascowitch, acusado de ser um dos 11 operadores de propina na Diretoria de Serviços – cota do PT dentro do esquema de corrupção na Petrobras. Um dos canais seria o ex-diretor Renato Duque, nome indicado por José Dirceu ao cargo.

O operador é considerado peça-chave nas investigações envolvendo as consultorias de Dirceu. As suspeitas são de elas foram usadas para falsos serviços que poder ter ocultado dinheiro de propina. Pelo menos sete empresas investigadas pela “Lava Jato” na Petrobras aparecem depositando para a JD.

Além da Engevix, quebra de sigilo da JD revelou que a Jamp também está entre as fontes pagadoras da empresa de consultoria de Dirceu. Ela depositou R$ 1,4 milhão em 2001 e 2012. Os serviços seriam referentes à consultoria internacional prestada por ele à empreiteira Engevix, em especial, em Cuba e no Peru.

“A JD Assessoria e Consultoria assinou o contrato com a Jamp em março de 2011 também com o objetivo de prospectar negócios no exterior para a Engevix.”

Conflito

Para os procuradores da “Lava Jato”, as versões apresentadas pela JD conflitam com o que afirmou um dos sócios da Engevix, Gérson de Mello Almada – preso desde o dia 14 de novembro de 2014 -, nesta quarta-feira.

Ele depôs espontaneamente na Justiça Federal, no processo em que é réu por corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobras, para admitir que pagava o lobista da Jamp para abrir portas na estatal, via seus contatos políticos do PT, citando o atual tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.

Almada disse que no caso da JD, os serviços eram de “lobby internacional” em Cuba e no Peru e negou conhecer relação comercial entre a Jamp e a JD – complicando ainda mais a vida de Dirceu.

“Ele (Almada) pagava a Jamp para fazer lobby com o Partido dos Trabalhadores. E a Jamp, sabemos, paga o José Dirceu. Eu pergunto então na audiência se ele sabe quais são as relações comerciais entre a Jamp e a JD, e ele diz que não”, argumento Carlos Lima.

“Depois a JD vem e emite uma nota dizendo que era para serviços da Engevix (que ela recebeu da Jamp). Contradição. A situação parece insustentável em termos de versões”, ataca o procurador, que já atuou nas investigações do caso Banestado e em outros rumorosos escândalos de corrupção.

Almada, ao admitir que usava dos serviços de Pascowitch e Dirceu como “lobistas”, negou corrupção. Disse não saber, no caso do operador da Diretoria de Serviços, que o dinheiro pago para a Jamp servia para corromper agentes públicos como Duque e seu braço-direito Pedro Barusco.

“O que ele diz que é lobby, ele não quer admitir, mas é repasse de dinheiro que tem por origem o esquema da Petrobras”, afirma o procurador. “O que temos aqui é uma série de justificativas, para um relacionamento, que não batem. Cada vez que eles justificam, depois os fatos mostram o contrário. Um fala uma coisa, depois vem outro e fala outra coisa.”

A relação comercial direta com a Jamp foi o elemento de maior suspeita contra o ex-ministro – já condenado no processo do mensalão, ele cumpre prisão domiciliar. “Se ele recebesse só das empreiteiras, era uma coisa. Mas receber de um operador que sabidamente paga propina é um problema sério. Nós já temos essa confusão de datas na contratação da Engevix”, afirmou Carlos Lima.

A JD Assessoria e Consultoria diz que o ex-executivo da Engevix, Gerson Almada, confirmou em seu depoimento que nunca conversou sobre Petrobras com o ex-ministro e que Dirceu nunca fez pedido à empresa para doações eleitorais. Almada também afirmou à Justiça que o contrato com a JD teve o objetivo de prospecção de negócios no exterior, sobretudo Peru e Cuba.

A JD assinou o contrato com a Jamp em março de 2011 também com o objetivo de prospectar negócios no exterior para a Engevix. O empresário Milton Pascowitch, sócio da Jamp, trabalhou por 17 anos na Engevix. A JD manteve o trabalho de consultoria para a construtora por meio da empresa de Pascowitch.

O valor do contrato era de R$ 1,5 milhão. A JD seguiu atuando nos mercados de interesse do cliente na América Latina, sobretudo Peru e Cuba, conforme confirmam os executivos da Engevix.

FONTE: Hoje Em Dia.



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