Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

Arquivo da tag: planalto

As receitas que são reveladas durante o sono de uma cozinheira chegam a BH

Os salgados, cujas receitas são reveladas durante o sono da cozinheira mineira Alaíde Carneiro, fizeram fama na capital carioca; agora, passam a integrar o circuito gastronômico de BH

“Eu sonho não só com os ingredientes, mas com a montagem e o modo de preparo. Até com a finalização e com o nome do salgado eu sonho. Escrevo rápido e de olhos fechados, porque geralmente vem uma sombra e apaga tudo. Aí, quando acordo, leio o que escrevi no caderno e faço a receita”, diz ela, sem medo de entregar o jogo. Alaíde, vale dizer, não faz questão de medir as quantidades dos ingredientes. “São sempre receitas para muita gente, nunca sei de cor”, disse. Essas, digamos assim, “visões” já lhe garantiram nada menos que 54 receitas de seus famosos salgados.

Receitas essas que lhe renderam fama e prestígio na cena gastronômica do Rio de Janeiro, onde a cozinheira assumiu, em 1984, a cozinha do Bracarense, na época um dos botequins mais badalados do bairro Leblon, para anos depois se aventurar em um negócio próprio no não menos reconhecido Chico & Alaíde, também na zona Sul carioca. A boa nova é que, há cerca de dois meses, Alaíde e seus reconhecidos bolinhos estão dando o ar da graça no Planalto, bairro da zona Norte de Belo Horizonte. O pequeno bar, localizado na avenida Dr. Cristiano Guimarães, entre uma pastelaria e uma agência lotérica, ainda não tem placa nem nome oficializado, mas quem chega sempre faz a mesma pergunta. “É aqui que fica o botequim da Alaíde?”.

Sim, é. Com pouquíssimas mesas na calçada, o local registrou filas quilométricas em busca dos bolinhos, logo na primeira semana, após algumas visitas estratégicas, como a do jornalista Daniel Netto, do perfil no Instagram Baixa Gastronomia, que voluntariamente fez a divulgação.

Vizinhos asseguram que, naqueles dias, as filas ficaram maiores do que as que se formam na lotérica quando o prêmio da Mega-Sena fica acumulado. “Não estava esperando aquela quantidade de gente. Fiquei completamente maluca”, lembra, aos risos. “Eu já estou acostumada a filas, mas, no caso, tive que pedir desculpas aos que não consegui atender. E os mineiros foram muito compreensivos”, contou ela, que chegou de mansinho, sem falar com ninguém sobre o novo endereço. Mas não demorou muito para que o típico boca a boca mineiro engrenasse para dar continuidade à fama de Alaíde.

“Me contaram que a antiga lanchonete aqui, que era do Renato, agora é um bar com uns bolinhos incríveis, que eram famosos no Rio de Janeiro”, revelou o carioca Durval Serra, que mora há 15 anos no bairro Planalto e, mesmo tendo nascido e vivido durante anos na capital carioca, foi experimentar os quitutes só em Belo Horizonte. Mas, bem, ele precisou esperar um pouco: afinal, a estufa repleta de almôndegas, bifes suínos, linguiça e costelinha só cede espaço aos bolinhos por volta das 16h. Detalhe: eles custam de R$ 5 a R$ 8 a unidade e são todos fritos na hora. À medida que a estufa vai esvaziando, novas remessas são imersas no óleo quente.

Cumpre dizer que, das 54 receitas sonhadas e desenvolvidas por Alaíde, só cerca de 20 sabores ganharam espaço cativo em sua estufa, como o bolinho de caruru com vatapá, finalizado com um camarão seco por cima, os de feijoada, bacalhau e carne-seca com abóbora e o primeiro que ela criou, batizado com seu nome e feito com aipim, queijo cremoso e camarão. Na verdade, não há um cardápio fixo, e os bolinhos são fritos de acordo com a demanda de clientes. O boteco, que abre bem cedo – por volta das 8h –, também serve prato feito a partir de R$ 13, com opções como rabada com polenta, costelinha frita e peixe com molho de camarão.

História. Mineira de Pirapora, Alaíde chegou ao Rio em 1975 e foi trabalhar numa casa de família, onde aprendeu a fazer quitutes tão bem que logo passou a vendê-los por encomenda. Depois de sair do Bracarense, em 2009, abriu o Chico & Alaíde juntamente com um dos garçons do mesmo bar, Francisco, já que era um desejo ter sua própria cozinha. A parceria durou até fevereiro deste ano, quando a cozinheira desligou-se e, assim, pôde realizar um desejo antigo: ficar ao lado de sua família e morar em Belo Horizonte. “Eu só vinha aqui quando morria algum parente, sabe? Por isso, já estava planejando há muito tempo vir pra cá, era um desejo antigo. Não estava mais curtindo trabalhar lá, só pensava em BH”, contou ela, que, atualmente, também mora no mesmo bairro de seu bar.

O novo local foi um acaso. Alaíde descobriu com os vizinhos que o antigo dono do estabelecimento estava passando o ponto e foi logo arrumando um jeito de estrear ali seu novo endereço. É bem menor, menos badalado – no Rio, a presença de globais era constante. Ela planeja inclusive escrever, aqui, o livro que contará sua história – na verdade, guarda um arsenal de receitas exclusivamente para ele.

“O público aqui é diferente, mas para melhor. São honestos quando esqueço de marcar algum bolinho na comanda. E eu só recebo apoio, parabéns e pedidos pra ficar aqui no bairro”, ela contou, depois que a reportagem foi pausada, pela quarta vez, por uma cliente agradecendo-lhe pelos quitutes e desejando mais sucesso.

Val, o marido, é o único funcionário fixo do estabelecimento – e, curiosamente, já foi garçom do Bracarense. Três irmãs e os sobrinhos vão se alternando entre o bar e a casa, que, na verdade, é a fábrica dos bolinhos. Cada dia alguém da família integra o time de funcionários. “Eles me apoiaram demais quando eu disse que queria voltar. A família, unida jamais será vencida! E eu não abro mesmo mão deles”, disse, convicta.

Adaptação longe do mar 

Agora em solo mineiro, uma questão importante era saber como garantir a qualidade dos frutos do mar, ingredientes frequentes nas receitas de Alaíde Carneiro – afinal, Belo Horizonte fica a quilômetros das praias. Mas ela conta que conseguiu um produtor que entrega toda semana os insumos, sempre fresquinhos. “Tudo o que eu tinha no Rio, tenho aqui também”, garante.

A surpresa da cozinheira foi a grande saída de seus consagrados bolinhos do mar. “Os que contêm camarão são os que mais têm saída, isso me surpreendeu bastante”, contou ela. Em terras cariocas, o mais aclamado é o choquinho: generosos camarões cobertos de Catupiry e em batata palha caseira. Segundo ela, já teve briga por lugar na fila, iniciada por quem surtou ao pensar que ficaria sem a iguaria.

A dificuldade mesmo foi se acostumar a chamar suas criações de bolinhos. “Eu chamava de ‘salgados’, mas já estou me acostumando (a falar ‘bolinho’)”, disse.

Boa de papo, Alaíde prefere não falar tanto do passado. Pelo menos, sobre o fim da parceria com Francisco Chagas, seu antigo sócio no bombado bar Chico & Alaíde, no Leblon. O imbróglio está na Justiça e ela prefere se resguardar. As partes boas, ela faz questão de deixar estampadas nas paredes do pequeno bar, repleto de recortes de reportagens da sua fama em publicações cariocas. E, definitivamente, não gosta de dar detalhes sobre suas criações – tampouco a receita. “O segredo é a pessoa ter amor pelo que faz. E, claro, usar ingredientes de qualidade e fritar o salgado em gordura sempre limpa, senão, fica encharcado”, entregou ela, que faz questão de não sair da cozinha. “Sou muito exigente. Se um bolinho não fica do meu jeito, eu mesma pego e faço”, afirma.

Em tempo: mesmo exibindo um sorriso mais cativante que sua estufa, a chef reluta em revelar sua idade. “Essa parte você pode pular. Sou igual à (jornalista) Glória Maria, não revelo quantos anos tenho. Quem sabe amanhã ou depois você volta e eu te conto?”, brinca.

  • 0
    Barquinha recheada com camarão e queijo cremoso e enfeitada com azeitona empanada em flocos de arroz |
  • 0
    A mineira Alaíde Carneiro e seus famosos salgados em BH. No novo bar, ela serve 20 dos 54 que criou

BOTEQUIM DA ALAÍDE

Avenida Dr. Cristiano Guimarães, 1.863, Planalto. (31) 2527-3386. Aberto de terça-feira a sábado, das 8h às 22h, e domingo, das 9h às 18h30

.

FONTE: O Tempo.


Empreendimento da Direcional na Mata do Planalto terá três parques

Empresa tenta aliviar polêmica com a população local

 
Direcional/Divulgação

Alvo de várias críticas e ações de moradores locais, o futuro empreendimento da Direcional na Mata do Planalto foi apresentado para a imprensa nesta sexta-feira. “O objetivo é dar informações completas. Notamos que muitos veículos de imprensa não contam a história toda”, explicou Francisco Brasil, superintendente de incorporações da construtora.
.
Conhecido como Mata do Planalto, o local onde serão construídos dois condomínios que totalizarão 750 apartamentos hoje não é um parque regulamentado e nem mesmo uma área totalmente preservada. “É uma propriedade privada que fica fechada para a população, que não pode usufruir diretamente de nada lá”, contou Francisco.
.
O projeto da Direcional prevê, além dos prédios, a instalação de três parques: um novo parque municipal, com 45 mil metros quadrados (38% da área total) e dois parques privados, que serão administrados pelos condomínios e fechados para os moradores, somando 35,8 mil metros quadrados (30% da área total). A área que será efetivamente usada para os prédios é de 37 mil metros quadrados (32% da área total).
.
Entre os esclarecimentos, a construtora informou que apenas uma nascente de água está na área do empreendimento e será totalmente preservada. Outras 14 estão em lotes adjacentes, mas que não pertencem à Direcional. A preocupação com a impermeabilização do solo também existe: enquanto a legislação exige que 30% da área seja permeabilizada, 49% dos 37 mil metros quadrados em que estarão os prédios estão livres – 80% da área total se os parques forem incluídos.
.
“Uma mata abandonada fica degradada. Para você ter uma ideia, jogam esgoto no lagoa e na água que tem ali. Se tiver alguém tomando conta, pode ter certeza que vai se preservar por muitos e muitos anos”, disse Francisco, que esclareceu também que, mesmo sob administração dos moradores, os parques privados não poderão deixar de existir “a minuta de convenção de condomínio será registrada em cartório e mesmo se os moradores quiserem, não poderão suprimir os parques. A supressão será mínima, pensamos em colocar uma pista de caminhada e talvez um quiosque”, completou.
.
Já o parque municipal será entregue a Prefeitura de Belo Horizonte, mas só quando estiver em pleno funcionamento “Vamos implementar o parque, mas desde o início Fundação de Parques Municipais dá um direcionamento. Também conversaremos com a população local para ver o que eles esperam da área. Por alguns anos, algo como dois anos, daremos a manutenção dos parques. Depois a PBH assume, mas com parque já em pleno vapor”, disse Francisco.
.
A Direcional tem licença prévia para a obra e ainda deve detalhar o seu projeto nos próximos meses. Quando entrar com o pedido de licenciamento de implantação, as medidas compensatórias serão definidas pelos órgãos competentes. “Podemos afirmar que os impactos previstos com a construção do residencial, que terá aproximadamente 750 unidades, serão mitigados e compensados por meio de programas ambientais”, afirma o superintendente.

.

FONTE: Estado de Minas.


AÇÃO EM DEFESA DA PRESERVAÇÃO

Ativistas realizam passeata pela preservação da Mata do Planalto

Movimento luta contra ação de empresa que pretende construir um empreendimento de 760 apartamentos no local

.

Vestidos de branco e com sobrinhas abertas representando árvores, os ativistas do movimento Salve a Mata do Planalto voltaram a realizar, na tarde deste sábado (23), ações em defesa da preservação da área verde de 119 mil metros quadrados, que fica na região Norte de Belo Horizonte.

.

Cerca de 100 pessoas saíram em passeata pelas ruas do bairro Planalto, onde também assistiram a apresentações culturais. O movimento luta contra a ação de uma empresa que pretende construir um empreendimento de 760 apartamentos no local. “Eu acho um absurdo que um bem privado seja colocado à frente de um bem comum, então temos que sair na rua contra isso e lutar pelo nosso futuro”, disse o jornalista Leonardo Araújo, 33, morador do bairro.

.

A Mata do Planalto, última área verde da região, é remanescente de Mata Atlântica e conta com 20 nascentes, segundo os ativistas. “No momento que estamos vivendo, de crise hídrica, a importância de preservar essa área é ainda maior, não entendo porque essa importância é tão relativizado”, disse a analista ambiental Glória Maria da Costa, 38.

.

Em 14 de maio, a Justiça concedeu uma tutela antecipada à ação do Ministério Público Estadual que impede a construtora de iniciar qualquer obra na mata até a decisão final da ação civil pública, que ainda não tem data marcada. Para pedir a preservação da área, uma ação popular com mais de 11 mil assinaturas também tramita na justiça.

.

“Nós não queremos prejuízo para ninguém, nem para a empresa, que pode construir em outros locais, e menos ainda para a cidade, que perderia em água, fauna e flora”, disse o advogado do movimento, Wilson Campos.

.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da construtora, mas não encontrou ninguém.

.

FONTE: O Tempo.


Cerco à apropriação do espaço público
Projeto proíbe o fechamento de vias para a formação de condomínios que restringem acesso de cidadãos da capital a áreas que deveriam ser compartilhadas com toda a cidade

 

Clube dos Caçadores, no Mangabeiras, foi pioneiro no bloqueio de vias. Cancelas foram abertas por decisão judicial    (TÚLIO SANTOS/EM/D.A PRESS)

Clube dos Caçadores, no Mangabeiras, foi pioneiro no bloqueio de vias. Cancelas foram abertas por decisão judicial

.
A prática de fechar espaços públicos de Belo Horizonte para formar condomínios exclusivos para moradores ou de acesso restrito a outros cidadãos, com cancelas e portarias, pode estar com os dias contados. Tramitando na Comissão de Legislação e Justiça da Câmara Municipal, o Projeto de Lei 1.526/15 pretende revogar a Lei 8.768, de 2004, atualmente em vigor, que outorga o direito de uso, definindo esse tipo de via como “cul-de-sac”. A expressão, de origem francesa, quer dizer “rua sem saída” ou “balão de retorno”. Na visão dos críticos, em bom português essas estruturas acabam se tornando áreas públicas apropriadas por um grupo de pessoas.
.
“O acinte chega ao ponto de permitir a esses favorecidos o fechamento das ruas, de forma a que eles, e só eles, possam passear, praticar esportes e outras atividades em um espaço que é de toda a comunidade”, diz texto do autor do projeto, o vereador Wellington Magalhães (PTN), presidente da Câmara Municipal. Segundo ele, os efeitos da Lei 8.768/04, sancionada há 11 anos, foram ampliados “dramaticamente” pela Lei 10.068, de 2011. Caso o novo projeto seja aprovado, qualquer nova permissão dependeria de lei específica.
.
Em janeiro de 2011, as regras agora em vigor passaram no plenário do Legislativo municipal. Tiveram origem no Projeto de Lei 1.368/09, do vereador Sérgio Fernando (PV), que alterou artigos do texto inicial. Com a nova redação, o artigo 6º passou a estabelecer que o acesso a esses espaços seria irrestrito, de qualquer pedestre e veículo, mas “mediante identificação”. O mesmo vereador é agora relator do novo projeto que pretende revogar as concessões para todos os “condomínios” do tipo, na condição de integrante da Comissão de integrante da Comissão de Legislação e Justiça. 
.
Na época presidente do diretório municipal do PV, Sérgio Fernando chegou a dirigir a Associação dos Moradores do Condomínio Fazenda da Serra, no Bairro Castelo, que engloba mais de 300 casas de alto padrão. O espaço fechado encampou a Praça Cássia Eller, cujo acesso agora exige autorização. “Indiferentemente se sou contra ou favorável ao mérito do projeto, na comissão ocorre a análise jurídica. Vamos nos ater a isso: se juridicamente a matéria pode existir”, pontuou Sérgio Fernando, ainda morador do Fazenda da Serra. O parlamentar disse ainda que o projeto que apresentou em 2009 apenas tratou de pontos omissos na legislação de 2004.
.
PRECURSOR A partir do mais antigo dos condomínios, o Clube dos Caçadores, no Bairro Mangabeiras, em frente à portaria do Minas Tênis Clube II, a prática se disseminou por toda a cidade – da Região Sul, onde também é conhecido um “condomínio” que abriga apenas três casas, na Rua Alcides Pereira Lima, no Alto das Mangabeiras, até o Bairro Planalto, na Pampulha, onde fica o residencial Granja Verde. Em praticamente todos os casos, os moradores argumentem que o acesso a esses espaços não tem restrições e que as portarias funcionam apenas como pontos de controle. Porém, contatados por telefone, vigias de algumas dessas comunidades deixam claro: “Só passam moradores”, ou quem eles autorizam.
.
Para a arquiteta e urbanista Cláudia Pires, ex-presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil seção Minas Gerais (IAB-MG), condomínios privados em vias públicas podem ser considerados apropriação indébita do espaço que é de todos. “Não deixa de ser uma contravenção, porque o uso do espaço público é garantido pela própria Constituição Federal, que assegura o direito de ir e vir. Esses espaços de segregação e exclusão são usualmente tolerados para a população de maior renda, ao contrário do que ocorre com pessoas de baixa renda envolvidas em invasões”, critica.
Também no bairro da Zona Sul da capital, portão fecha acesso à Rua Alcides Pereira Lima, em um trecho no qual moram apenas três famílias (TÚLIO SANTOS/EM/D.A PRESS)
Também no bairro da Zona Sul da capital, portão fecha acesso à Rua Alcides Pereira Lima, em um trecho no qual moram apenas três famílias
.
Uma praça cercada por muros e cancelas

No residencial Granja Verde, no Planalto, Região da Pampulha, equipe de reportagem foi barrada na portaria (Fotos: Leandro Couri/EM/D.A Press)

Granja Verde, no Planalto

.
Uma das praças mais charmosas de Belo Horizonte, a Cássia Eller, no Bairro Castelo, na Região da Pampulha, é pouco conhecida pela população, por estar dentro de um condomínio fechado. Duzentos e noventa famílias conseguiram permissão da prefeitura para fechar a rua que dá acesso ao espaço com guarita, instalaram cancelas e criaram a Associação dos Moradores Fazenda da Serra. Muita gente que passa pela Avenida Tancredo Neves, onde o condomínio fica, não sabe que por trás de toda a segurança o espaço é público e qualquer pessoa pode ter acesso às ruas e à praça. Mas isso pode mudar se projeto que tramita na Câmara Municipal proibindo a prática for aprovado.
.
A proposta, do vereador Wellington Magalhães, é acabar com as licenças e revogar as outorgas já existentes. Se aprovado o texto, guaritas e portarias serão removidas e as vias públicas voltam a ser de uso comum, sob pena de pagamento de multa diária de R$ 10 mil.
.
Moradores vizinhos do Fazenda Serra frequentam a Praça Cássia Eller, mas são obrigados a se identificar na portaria. É o caso da dona de casa Carla Bonfim, de 33 anos, que usa o espaço para fazer piquenique com a filha de 1 ano e 7 meses. “Já fiz até aniversário dela na pracinha, mas todos têm que se identificar”, contou. O empresário Marcelo Magalhães, de 49, não mora no condomínio e disse que sua mulher também é obrigada a se identificar na portaria toda vez que vai à Praça Cássia Eller com o filho. Mesmo assim, ele disse que gostaria de morar no local, pela segurança.
.
A Associação dos Moradores do Fazenda da Serra disse não ter conhecimento do projeto do vereador Welligton Magalhães e acrescentou que o advogado do condomínio, que acompanha o caso, estava viajando e não poderia comentar o assunto. Ainda de acordo com a entidade, toda a manutenção do espaço é feita pelos próprios moradores, que pagam taxa de condomínio, e a comunidade assumiu com a prefeitura o compromisso de fazer  limpeza, manutenção das ruas e segurança. “Estamos fazendo tudo o que a legislação nos impõe. Temos convênio firmado com a prefeitura e pessoas dos bairros vizinhos têm permissão para entrar no condomínio. A nossa única preocupação é com a segurança dos nossos moradores”, informou o presidente da associação, que pediu para não ser identificado..
O condomínio construiu um imóvel no meio da Praça Cássia Eller para abrigar a administração, além de banheiros. As casas da comunidade são luxuosas e muitas delas não têm muro ou grade de proteção, tornando garagens e varandas uma extensão do passeio.
.
Moradores estão preocupados com o projeto, pois temem a abertura da rua. A professora Luci Murrer, de 66, conta que pagou caro por uma casa, justamente pela segurança. Quando entra alguma pessoa em atitude suspeita no condomínio, segundo ela, é acompanhada o tempo todo por seguranças que fazem a ronda de moto.
.
PLANALTO Apesar do discurso corrente de que qualquer pessoa tem acesso a esses espaços, a equipe de reportagem do Estado de Minas foi impedida de entrar no Condomínio Granja Verde, também criado com o fechamento de vias na Avenida Doutor Cristiano Guimarães, no Planalto, Região Norte. Apenas depois de alguns telefonemas os seguranças permitiram o acesso.
.No Granja Verde, um portão de aço foi colocado onde antes era a rua, para impedir a entrada de pessoas estranhas ao condômino. São várias ruas sem saída, por causa dos muros construídos pela administração. A aposentada Elizete Amâncio, de 68, mora no local e é contra o projeto de abertura. “Quero continuar me sentido segura dentro da minha casa. Acho que ninguém vai sair prejudicado se a rua continuar fechada. Acho, inclusive, que a gente está colaborando com a prefeitura, ao assumir todas as despesas que deveriam ser dela, como limpeza das ruas, manutenção do asfalto e segurança. Nós recolhemos o lixo nas casas e deixamos na portaria para a prefeitura retirar”, disse.
.
O síndico do condomínio, que se identificou por Carmo Vinícius, não quis comentar o projeto. Segundo ele, o advogado do condomínio entraria em contato com o EM, o que não ocorreu.

 

Fazendas da Serra, no Bairro Castelo, abriga a Praça Cássia Eller, com acesso controlado por vigias e cancelas (Fotos: Leandro Couri/EM/D.A Press)Fazendas da Serra, no Bairro Castelo, abriga a Praça Cássia Eller, com acesso controlado por vigias e cancelas

.

FONTE: Estado de Minas.


Polêmica marca arquivamento de preservação da Mata do Planalto

Um dos vereadores tentou votar mas não conseguiu fazer o registro biométrico e teve o pedido de votação nominal negado; caso ele tivesse votado, o projeto teria sido aprovado

Parque Planalto

Vegetação já está rodeada de tapumes da construtora

.

A última área de vegetação de Mata Atlântica em Belo Horizonte está, provavelmente, com seus dias contados. Localizada no Planalto, região Norte da capital, a Mata do Planalto tem 119 mil m² de área verde e 20 nascentes que desaguam no rio das Velhas, mas deve dar lugar a um condomínio habitacional.
.
É que a votação realizada em plenário na Câmara Municipal da capital na última semana terminou com a rejeição do projeto que previa a preservação da mata..No entanto, a reunião terminou em polêmica, já que um dos vereadores que iria votar a favor da preservação da área não teve o seu voto computado. Caso tivesse sido registrado, o projeto seria aprovado.

.

O impasse se dá entre os moradores da região, que pleiteiam pela proteção da mata, e a construção de um condomínio habitacional no local com cerca de 760 unidades. O projeto do vereador Leonardo Mattos previa a desapropriação do terreno e a incorporação da área ao parque municipal do Planalto. Com isso, a construção do empreendimento no local seria inviabilizada e a mata estaria protegida.

.

Para ser aprovado, o projeto precisava de 28 votos positivos, mas na votação realizada no último dia 7, foram 27 votos a favor e uma abstenção, fazendo com que ele fosse rejeitado e, consequentemente, arquivado.

.

Para voltar a tramitar ainda nesta legislatura, seria necessária a apresentação de 21 assinaturas de parlamentares. Mas o vereador Leonardo Mattos, autor do projeto, disse ter desistido. “Eu vou pedir pra outro vereador fazer isso por mim, estou muito abalado com isso que aconteceu. Mas vou concentrar os esforços na audiência que acontece nesta segunda (11), em relação a todas as áreas verdes  de Belo Horizonte, e que irá contemplar também a Mata do Planalto”.

.

Mattos se refere ao projeto 89/2013, também de sua autoria, que institui a Operação Urbana Simplificada Verde remanescente e visa preservar as áreas verdes da capital e prover aos donos dos terrenos em que se concentram áreas de vegetação o direito de transferir a construção para outras áreas.

.

Por causa de um voto

.

Na votação realizada no último dia 7, por causa de um voto, o projeto de preservação da Mata do Planalto foi arquivado. O vereador Ronaldo Gontijo, que tinha seu voto abertamente favorável ao projeto, não conseguiu computar seu parecer e, com isso,  o projeto foi rejeitado. “Eu tentei votar em quatro terminais do plenário e não consegui. Aí pedi para votar nominalmente, e o meu pedido não foi concedido, sendo que no dia anterior, em outra votação, aconteceu a mesma coisa e eu pude votar nominalmente. Parece que são dois pesos e duas medidas aqui na Casa”, disse.

.

Segundo a assessoria da Câmara, o vereador falou do problema, mas o presidente da Casa, Wellington Magalhães, considerou que o tempo de um minuto para que os vereadores votassem foi suficiente e decidiu não retomar a votação, apesar do problema técnico no terminal de votação biométrica.

.

A presidente da Associação Comunitária do Planalto e Adjacências, Magali Ferraz, que participa também da audiência desta segunda em relação ao projeto 89, considerou o ocorrido uma armação. “O vereador levantou a mão para votar, mas o presidente da Casa não aceitou. Mas em outras votações o tempo excedeu um minuto e nunca houve problema”, conta.

.

Segundo ela, os moradores irão fazer uma nova manifestação no próximo dia 23, na avenida General Carlos Guedes, em frente a igreja Cristo Operário, às 9h.

.

FONTE: O Tempo.


Magoado, Pepe dá o troco
Em mais uma trapalhada do Planalto, ex-ministro da Secretaria de Relações Institucionais %u2018demite%u2019 Ideli Salvatti antes mesmo do anúncio oficial da Presidência e depois volta atrás

 

“É importante dizer que a presidente não confirmou essa questão da SDH. Não houve um comunicado oficial em relação a isso” – Pepe Vargas, ministro da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), logo após receber um telefonema que o obrigou a mudar o tom da entrevista

Brasília – As trapalhadas do governo não param no caso das mudanças da articulação política do Planalto com o Congresso. No capítulo de ontem, o petista Pepe Vargas foi o personagem principal. Magoado por ter tomado conhecimento pela imprensa de que seria substituído na Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Vargas deu o troco. Antes mesmo do anúncio oficial da Presidência de que assumiria Secretaria de Direitos Humanos (SDH), o ministro deu uma entrevista ontem afirmando que recebeu convite da presidente Dilma Rousseff para assumir o cargo, “demitindo” Ideli Salvatti, assim como foi – sem um comunicado oficial. Mas, depois de atender a um telefonema, que interrompeu a entrevista por três minutos, Vargas recuou e disse que ainda não havia a formalização da sua indicação por Dilma, mas que, se convidado, aceitaria ser o ministro da pasta.

“É importante dizer que a presidente não confirmou essa questão da SDH. Não houve um comunicado oficial em relação a isso. O que eu digo para a presidente é que, se ela quiser me aproveitar na sua equipe, eu aceito o convite de continuar contribuindo com a sua equipe”, disse na entrevista. Indagado sobre o telefonema, que o fez mudar o tom, Pepe Vargas disse que se tratava de um assunto pessoal. “Era um telefonema pessoal meu, que diz respeito somente à minha vida pessoal”, declarou. O anúncio oficial veio só mais tarde. Pouco depois das 20h30 o Planalto divulgou nota confirmando Pepe na SDH, sem, porém, fazer qualquer menção ao destino de Ideli. Ontem mesmo, a ministra despediu-se dos funcionários. Ela deve assumir a presidência dos Correios.

“A presidente Dilma me convidou para ir para a Secretaria de Direitos Humanos. Eu coloquei que poderia ajudar o seu governo, o Brasil e o povo através do meu mandato na Câmara, mas a presidente insistiu, querendo que eu permanecesse na sua equipe”, disse. Na véspera, Pepe Vargas entregou o cargo na SRI após ficar sabendo, pela imprensa, que Dilma havia convidado o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, do PMDB, para a pasta. O convite vazou, e Padilha acabou recusando a nova função. Dilma, então, decidiu transferir a competência da articulação política para o vice-presidente Michel Temer. Com isso, a SRI foi extinta.

“Dentro dos meus valores, não sou da pessoa que acha que se deve dizer não a um pedido da presidenta da República para ajudar o Brasil. Fiz isso em 2012, para ir para o MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), fiz isso em dezembro do ano passado para ir para a SRI, e faço agora para ficar na Secretaria de Direitos Humanos. Não tem nenhuma circunstância que me impede de ir para a SDH”, completou. Pepe disse que não ficou “nenhuma mágoa” com a presidente pela forma como ficou sabendo de sua demissão e desejou sucesso a Temer na nova função. Segundo ele, o sucesso de Temer será bom para o governo e para o país.

‘RUíDOS’  Ao longo da entrevista, o ministro afirmou que, no período em que esteve à frente da Secretaria de Relações Institucionais, os projetos defendidos pelo governo tiveram 75% de aprovação no Congresso – um índice que considera “razoável”. No entanto, ao comentar projetos aprovados pelo Legislativo que não tinham apoio do governo, Vargas citou “ruídos fortes” na relação entre o Planalto e o PMDB. “É inegável também que em algumas matérias houve ruídos fortes entre as posições do PMDB e do governo”, disse. “Também é evidente que esse ruído desorganiza e desestabiliza o conjunto da base. Então, a presidente Dilma fez uma opção por entregar a articulação política para o PMDB, e torço pelo sucesso do trabalho do vice-presidente Michel Temer nesta atividade”, acrescentou.

FONTE: Estado de Minas.

Última área verde da região Norte de BH está ameaçada

Passeata realizada nesta quinta-feira pede a preservação da área que tem 119 mil metros quadrados e pode dar lugar a um condomínio residencial

DM_20150319_010.jpg

Grupo pede preservação da última área verde do Planalto

Preocupados com o futuro de  uma área verde de 119 mil metros quadrados que está ameaçada pela construção de um condomínio residencial no bairro Planalto, na região Norte de Belo Horizonte, representantes da Associação Comunitária do Planalto e Adjacências (ACPAD) fizeram na tarde desta quinta-feira (19) uma passeata em defesa do espaço.  Munidos de cartazes e apitos, o grupo caminhou por uma das faixas da avenida Dr. Cristiano Guimarães (próximo a Mata do Planalto) e finalizou a passeata na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, onde aguardava vereadores de Belo Horizonte para uma conversa.

.

No próximo dia 26 ficou acertado que os representantes do bairro serão recebidos na Câmara Municipal para uma audiência com os órgãos de meio ambiente do Estado. O intuito, segundo a presidente da ACPAD Magali Ferraz Trindade, 58, é discutir os impactos do empreendimento para a região. “A área onde querem construir é considerada o último resquício de Mata Atlântica da região norte e da capital mineira. Não há compensação ambiental nesse tipo de empreendimento e, na verdade, o que pode acontecer é vermos mais de 20 nascentes de água destruídas. O que eles dizem que vão preservar é só para inglês ver. Estamos muito preocupados”, desabafou.

Segundo ela, há cinco anos os moradores lutam por melhorias naquele espaço e continuarão mobilizados pela preservação da área. “Estamos temerosos em relação aos impactos ambientais, no trânsito e na infraestrutura do Planalto. Já estamos preparando uma nova ação pública para resguardar a Mata e temos 11 mil assinaturas contra esse empreendimento”, contou Magali.

Ainda de acordo com Magali, as construtoras envolvidas no projeto imobiliário querem construir 16 prédios, com 15 andares cada um, totalizando 760 apartamentos e mais de 1.300 vagas de automóveis. “É inadmissível um projeto desse porte sem antes observarmos as demandas do bairro. Isso fere interesses da coletividade  e ainda pode acabar com a Mata do Planalto”, protestou.

Em nota, o Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comam), disse que o empreendimento já tem a licença prévia aprovada para a construção, e que as empresas responsáveis atendendo à legislação vigente se comprometeram a preservar 70% da área. No projeto há a intenção em criar um parque público e um parque privado. Para a construção do residencial serão avaliadas as medidas de controle ambiental e o próximo passo será a autorização para a instalação e atividade do empreendimento.

Procurado, o Ministério Público de Minas ainda não se pronunciou sobre o caso. Nenhum representante das empresas Petiolare Empreendimentos e Direcional Construtora  – empresas responsáveis pelo projeto do condomínio na Mata do Planalto – foi encontrado nesta noite para falar sobre o assunto.

Os vereadores que estiveram presentes na região são Juninho Paim (PT), Adriano Ventura (PT), Silvinho Rezende (PT), Heleno Abreu de Oliveira (PHS) e representante de Leonardo Mattos (PV), e os deputados estaduais, Anselmo Leão (PT) e Iran Barbosa (PMDB).

FONTE: O Tempo.



%d blogueiros gostam disto: