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BPTran e BHTrans admitem que a capital perdeu a capacidade de gerenciar a circulação da frota de 1,5 milhão de veículos, devido à redução drástica de agentes

Blitz parou motociclistas na Praça Tiradentes, no cruzamento das avenidas Afonso Pena e Brasil (RODRIGO CLEMENTE/EM/D.A PRESS)
Blitz parou motociclistas na Praça Tiradentes, no cruzamento das avenidas Afonso Pena e Brasil

O aumento vertiginoso da frota, que já passa de 1,5 milhão de carros, e a redução do número de agentes deixaram a fiscalização de trânsito deficiente em Belo Horizonte, admitiram ontem representantes do Batalhão de Trânsito (BPTran) e da BHTrans, empresa que gerencia o sistema, durante audiência pública na Assembleia Legislativa, na manhã de ontem.

O efetivo do policiamento de trânsito caiu em 10 anos de 1.243 para 445 agentes, responsáveis pela autuação de motoristas, informou o comandante do BPTran, tenente-coronel Roberto Lemos. Segundo ele, a prioridade do batalhão são o atendimento de ocorrências e operações como a realizada ontem à tarde, no cruzamento das avenidas Afonso Pena e Brasil, que parou motociclistas.

“Não temos condições de colocar policiais nos cruzamentos. Contamos com a ajuda da Guarda Municipal e da BHTrans para controlar o trânsito e garantir a fluidez. Precisamos principalmente de recursos tecnológicos, o efetivo não está adequado”, disse Lemos.

Durante a audiência, o oficial afirmou que os militares são muito cobrados para fiscalizar cruzamentos da cidade, o que  seria possível se houvesse pelo menos um efetivo de 3 mil militares revezando em três turnos. O número de agentes seguiu na contramão do aumento da frota. Em 2002, BH tinha 752 mil veículos. No ano passado, entretanto, chegou a 1,53 milhão de veículos, aumento de 111%.

O comandante informou que a redução do efetivo ocorreu devido à municipalização do trânsito, quando a Guarda Municipal e a BHTrans passaram ajudar no controle, operação e fiscalização.

Já a BHTrans tem cerca de 400 agentes que monitoram e operam as vias de BH. Desde 2009, por decisão do Tribunal de Justiça, a empresa não pode multar motoristas. O diretor de operações Célio Freitas Bouzada, que participou também da audiência pública, defendeu o aumento do efetivo. “A cidade perdeu a capacidade de fiscalização. Quando se compara com o número de carros que circula pela cidade, a gente vê que o de agentes de fiscalização diminuiu ou não avançou. É necessário rever essa quantidade”, afirmou.

A audiência organizada pela Comissão de Segurança Pública contou com a participação de outras entidades responsáveis pelo trânsito na capital e na Grande BH, como DER e a Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na discussão, foi apresentado um panorama sobre a situação do trânsito da capital e os problemas que prejudicam a sua fluidez.

O diretor de planejamento da BHTrans reforçou a importância da integração entre os municípios da região metropolitana e propôs uma legislação em comum. Buzano defendeu investimentos em sistemas estruturais de transporte, como o BRT e o metrô. “É preciso chamar a atenção também para a educação dos usuários, como o problema da fila dupla, de motoristas que param em faixa, o que reflete imediatamente no trânsito”, disse.

FLUIDEZ DE VEÍCULOS
Propostas do comandante do Batalhão de Trânsito de BH, tenente-coronel Roberto Lemos, para melhor o trânsito
Bicicletários próximos a estações
Pontos para locação de bicicletas no Centro da cidade
Incentivo ao deslocamento a pé em pequenos percursos
Instalação de pontos de carona solidária
Divulgação, por meio de mapas, de rotas alternativas
Criação de horários alternativos para entrada e saída dos trabalhadores das regiões mais afetadas
Estacionamentos públicos próximos a estações de ônibus e de metrô
Promoção das empresas de táxis
Incrementação da onda verde (velocidade de 60 km/h nos principais corredores sem retenção por causa do sinal vermelho)
Incentivo a campanhas de conscientização de motoristas

Congestionamento no Anel Rodoviário virou rotina para os motoristas que passam pela via (ALEXANDRE GUZANSHE/EM/D.A PRESS)
Congestionamento no Anel Rodoviário virou rotina para os motoristas que passam pela via

Anel congestionado
O Anel Rodoviário teve mais um dia de trânsito caótico. Um acidente sem vítimas entre dois caminhões Mercedes, na altura do km 18, perto do Bairro Caiçara, Noroeste de BH, por volta das 6h30, causou engarrafamento de oito quilômetros e de mais de três horas. Ronaldo Vítor, de 32 anos, estava dormindo na carreta branca 1934, de 2005, estragada na pista desde segunda-feira, quando foi atingido pelo outro veículo. De acordo com o carreteiro, o outro motorista perdeu o controle da 1620 sentido Vitória e acertou a traseira de seu veículo, carregado de minério. “Estava tudo sinalizado. Acordei com o estrondo. Não bastasse o acidente do km 18, serviço de verificação e manutenção de placas e muretas ajudou a provocar pontos de engarrafamentos nos dois sentidos ao longo de todo o dia.

FONTE: Estado de Minas.

Há motorista tão pão-duro que o seu carro sente somente o odor do combustível. Mas, com essa tentativa de economizar, ele pode acabar pagando caro na manutenção
 (Arte: Estado de Minas)
Passa um posto, o motorista olha para o ponteiro e continua rodando. Outro se aproxima, ele dá uma pequena conferida no mostrador e segue o seu caminho. Mesmo com a luz amarela acesa, alertando para uma possível pane seca, ele prefere “deixar para o próximo”. E assim vai, como sempre faz. Mas essa ilusão de estar economizando ao evitar as bombas pode acabar aumentando os gastos com manutenção, além de gerar uma multa por permitir que o veículo fique imobilizado por falta de combustível. Essa atitude de rodar constantemente com o tanque quase vazio (o nível da reserva pode variar entre 5 e 10 litros) pode trazer danos a alguns componentes do sistema de alimentação e fazer com que a conta da oficina fique mais alta. 

Se bobear, dança

Queima da bomba de combustível. Esse é um dos problemas que o motorista que adora rodar com a luz amarela de alerta de pane seca pode ter. E o conserto não sai barato, pois dependendo do modelo, uma bomba pode custar até R$ 300. Isso sem falar no preço da mão de obra para a troca e no transtorno que vai provocar, dependo da hora e do local em que ela queimar.

Para quem não sabe, a bomba tem como função levar o combustível que está no tanque para o sistema de alimentação do motor. Atualmente, a maioria delas é acionada por um motor elétrico e fica dentro do tanque. Talvez por isso, muitos mecânicos afirmam que ela pode queimar caso não esteja completamente submersa no combustível, que teria a função de resfriá-la. Mas a verdade é que ele pode ajudar na refrigeração, mas a bomba não queima pelo fato de não estar mergulhada por inteiro. “Isso não provoca a sua queima, embora ajude no resfriamento e possa, com isso, prolongar a sua durabilidade”, afirma o responsável pelo treinamento técnico e comercial da Bosch, fabricante do componente, Vilmar Betarellor.

O indicador do nível de combustível não deixa margem a dúvida quando a luz amarela acende: a energia está perto do fim (Divulgação)
O indicador do nível de combustível não deixa margem a dúvida quando a luz amarela acende: a energia está perto do fim

NO AMARELO Ele explica que para facilitar a captação de combustível dentro do tanque, a bomba trabalha dentro de um “copo”, com alguns furos na base. Isso evita que ela deixe de sugar quando o carro faz uma curva, mesmo com o nível baixo. Vilmar alerta que o problema maior de quem roda sempre com o tanque na luz amarela é a sujeira, que fica acumulada no fundo do tanque e vai acabar sujando o pré-filtro – componente que também fica dentro do tanque. “Com o tempo, ele vai ficar entupido (na maioria das vezes, antes da manutenção preventiva), provocando a queima da bomba, que não vai conseguir aspirar o combustível”.

Quanto à manutenção do componente, ele disse que ela é estabelecida pelo fabricante do veículo, que recomenda os intervalos de troca do pré-filtro e do filtro de combustível externo. “A durabilidade vai depender exatamente da qualidade dessa manutenção. Se ela for benfeita, a bomba pode durar o mesmo que o motor do veículo”, afirma. A Bosch alerta que não existe reparo de bomba de combustível. Uma vez diagnosticado algum tipo de problema, ela deve ser substituída, pois trata-se de um produto “selado”, que se for aberto perde a garantia de funcionamento perfeito.

MULTA Além da conta da manutenção, o dono do carro que anda sempre com o tanque na reserva pode ter outras dores de cabeça, pois o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), em seu artigo 26, diz que: “Antes de colocar o veículo em circulação nas vias públicas, o condutor deverá verificar a existência e as boas condições de funcionamento dos equipamentos de uso obrigatório, bem como assegurar-se da existência de combustível suficiente para chegar ao local de destino”. O artigo 180 do CTB define como infração de natureza média deixar o veículo imobilizado na via por falta de combustível, independentemente de estar atrapalhando o trânsito. Isso resulta em multa de R$ 85,13, quatro pontos no prontuário e até a remoção do veículo, dependendo do local. Por isso, se quiser mesmo economizar, abasteça antes de chegar à reserva.

FONTE: Estado de Minas.


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