Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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 Ganância 2
Pela nossa política, pelo dia a dia, vivemos no país do oportunismo. E nada melhor do que a Olimpíada para mostrar isso. Dentro dos parques olímpicos, você está à mercê dos promotores do evento. O pior de tudo diz respeito à alimentação.
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Para começar, tudo é muito caro. Um refrigerante sai a R$ 8. Água, R$ 10. No primeiro dia, em busca de alguma coisa para comer, segui para o restaurante. “Ôba!”, pensei, “um self-service”. Mas quando olhei o preço, quase caí de costas. Vocês que estão lendo se segurem e procurem um lugar pra assentar antes de continuar: R$ 98 o quilo!
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O preço me fez desistir. Então, me deram a dica de uma opção de comida rápida e mais em conta, logo ao lado. Fui pra lá. Eram pequenos compartimentos de plástico. Foi preciso juntar um de comida japonesa e outro de macarrão. Daria para enganar o estômago.
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Pois bem, peguei o que pensava que fosse me satisfazer. Na hora de pagar, quase caio de costas de novo. O que peguei, com um refrigerante, saiu mais de R$ 70. Mas não tem outro jeito: era aquilo ou passar fome.
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Se arrependimento matasse… A comida era horrorosa. O macarrão frio, grosso, mal cozido. A comida japonesa até que foi. Não era ruim, mas era muito pouco.
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Tentar levar alimento, a não ser biscoito, é perda de tempo, pois tudo é recolhido na vistoria para entrar no parque.
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O que fazer? É o que me pergunto. Mas a situação vai piorar. Dentro do parque, começa a faltar comida. Não tem isso, não tem aquilo. Está difícil. Para completar, não como frango – aliás, detesto o bicho. E só se encontra essa coisa para comprar. Resultado: prefiro ficar com fome.
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Anunciam que haverá uma solução. No dia seguinte, chegam os primeiros food trucks. Tiveram de abrir para eles. O problema é que a comida também é cara. E não tem nota fiscal. Aí que a coisa complica. O jeito é comer muito pela manhã e depois jantar, pela madrugada, mas, para isso, paga-se caro, muito caro, além da fome que sinto.
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Ou seja, parece que a política é de ganhar muito em pouco tempo. Pode um negócio desses? Parece que o esporte é a ganância e se joga com a goela larga. Só pode.

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FONTE: Estado de Minas.


Dragão solto na balada

Pesquisa exclusiva para o Estado de Minas mostra que preços de bebidas e petiscos subiram muito além do IPCA em BH. Picanha na chapa ficou 38% mais cara em um ano, e a cerveja, 19,5%

Balada

 

Se você gosta de frequentar baladas ou bares em Belo Horizonte, é melhor preparar o bolso. Enquanto a inflação oficial do país chega a 9,52% nos últimos 12 meses, os preços nos bares ou casas noturnas subiram um bocado mais. A campeã, com 38,69% de alta em um ano, é a picanha na chapa, que em 2014 era vendida a R$ 42,70, em média, e, neste ano, passou para R$ 59,22. Os valores foram apurados pelo site Mercado Mineiro, em pesquisa feita com exclusividade para o Estado de Minas, em 49 estabelecimentos.
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Os aumentos não param por aí. A porção de contrafilé aumentou 21,25%, sendo que em 2014 custava R$ 29,51 e passou a custar R$35,78 em 2015. Já as cervejas, queridinhas dos consumidores e as bebidas mais vendidas nos dois tipos de estabelecimento, aumentaram até 19,50%. É o caso do preço médio da long neck Budweiser, que custava R$ 5,18 e subiu para R$ 6,19, sempre no preço médio. A Bohemia passou de R$ 7,71 para  R$ 8,39, alta de 8,82%. A caipivodca também não escapou e teve os preços reajustados em 15,34%, passando de R$ 10,30 para R$ 11,88.
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Segundo os proprietários dos estabelecimentos, os reajustes são justificados pela alta consecutiva dos insumos, mão de obra, além da fatura maior na energia elétrica. Com 25 anos de mercado, o sócio-proprietário do Alambique, Henrique Caetano, afirma que, nos últimos três anos, fez apenas dois ajustes nos preços dos produtos vendidos na casa, o último em março deste ano. “Estamos segurando o máximo que podemos para não aumentar os preços e perder clientes, mas os fornecedores repassam aumentos quase todas as semanas e chega a hora que não dá mais para segurar”, afirma. De acordo com Henrique, em março, apenas as bebidas alcoólicas foram reajustadas num percentual de cerca de 9,6%, como o caso da cerveja long neck, que passou de R$ 10,50 para R$ 11,50.
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A alta dos preços fez com que a médica Flávia Rocha Paes mudasse os hábitos de consumo. Ela afirma que, antes de sentir o peso da inflação no bolso, costumava sair cerca de três vezes por semana. Agora, sai apenas uma vez. No entanto, ela afirma que o valor total da despesa é o mesmo, apesar da frequência menor. “A conta num bar ou uma saída numa casa noturna nunca fica mais barata que R$ 100. Dependendo da festa, a gente chega a gastar cerca de R$ 300 na noite”, afirma. Ela afirma que, apesar de os preços aumentarem, a qualidade dos produtos ou serviços permanece ruim. “Os preços praticamente dobraram, mas qualidade é a mesma ou pior”, completa. Além de reduzir as saídas, a médica afirma que, para tentar economizar, os amigos passaram a promover encontros em casa.
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Entre os aumentos registrados na pesquisa estão a caipirinha, que teve variação no preço de 15,11% entre julho de 2014 e julho de 2015. No ano passado, a bebida era vendida a R$ 8,80, passando para R$ 10,13 neste ano. O refrigerante em lata também sofreu alteração, de 14,59%, passando de R$ 3,70 para R$ 4,24, em média. O presidente o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG), Fernando Júnior, afirma que os aumentos são pontuais e que o setor tem evitado repassar os reajustes para os consumidores por conta do cenário econômico do país. “A maioria dos estabelecimentos não está conseguindo repassar esses aumentos para o consumidor final, com medo de que o movimento e o consumo caiam, já que o cenário não está favorável”, afirma. Ainda de acordo com Fernando, os empresários estão diminuindo a margem de lucro para suportar o arrocho.
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DIFERENÇAS A pesquisa feita com exclusividade para o Estado de Minas aponta ainda uma variação de preços entre um estabelecimento e outro. Entre as diferentes variedades de bebidas, como cerveja, caipirinha e caipivodka, os preços mais baratos são encontrados, invariavelmente, nos bares e, os mais caros, nas casas noturnas. A caipirinha, por exemplo, apresentou variação de 231,67%, com o menor preço encontrado, de R$6, no Bar do Tonho, na Região Central, e o maior de preço, de R$ 19,90, praticado na casa noturna Woods, no Bairro Vila da Serra e no Chalezinho, no Buritis. A Caipivodka foi encontrada com preços entre R$ 8 e R$ 19,90, diferença de 148,75%. Já o chopp de 300ml, que custa entre R$ 3,50 a R$ 9, pode variar 157,14%.
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De acordo com o diretor-executivo do site Mercado Mineiro, Feliciano Abreu, o consumidor deve levar em conta a região do bar e a qualidade dos produtos na hora de analisar os preços. “O produto varia muito de estabelecimento para estabelecimento. Os drinks também variam muito, pois os preços variam de acordo com a qualidade da cachaça com que se faz a caipirinha ou da vodka com que se faz a caipivodka, por exemplo”, afirma.
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Procurada pela reportagem, a casa noturna Chalezinho informou, por meio de nota, que a casa cobra valores compatíveis com a qualidade do serviço que presta. “Vale ressaltar que, ao longo de quase 13 anos de história e existência do Clube Chalezinho, nunca houve por parte do público frequentador e, mais especificamente, seu nicho de mercado, atuante contestação. Há, na verdade, uma boa aceitação dos valores praticados pela casa, até porque, se eventualmente fosse diferente, o Clube Chalezinho buscaria equivaler e atender de forma a satisfazer seus clientes.” A boate Woods e o Circuito do Rock, que administra três casas noturnas em Belo Horizonte, também foram procuradas pela reportagem, mas não se posicionaram.

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FONTE: Estado de Minas.


Tarifas de ônibus em Belo Horizonte aumentam a partir desta segunda-feira

Reajuste também atinge os táxis-lotação e pode chegar a mais de 8%. Passagem mais cara aumentou R$0,25 e passa a custar R$3,10.

Na Grande BH, tarifas também sobem na próxima semana

 

Euler Junior/EM/D.A.Press

Usuários do transporte coletivo em Belo Horizonte devem se preparar para pagar mais caro pelo serviço ainda neste fim de ano. O preço das tarifas de ônibus e táxis-lotação sofrerão reajuste de até 8% a partir da zero hora desta segunda-feira, 29. Segundo portaria publicada pela BHTrans no Diário Oficial do Município (DOM), com a mudança, a passagem mais cara – que custava R$ 2,85 – passará para R$ 3,10, um acréscimo de R$0,25. 

Nos ônibus em que a tarifa custava R$2,05, os usuários terão de desembolsar R$0,15 a mais a partir desta segunda. No caso dos coletivos em que vigorava a tarifa de R$2,35, o preço passa para R$2,50. A justificativa para o aumento das tarifas, segundo a BHTrans, é a necessidade de cobrir custos operaçionais e de insumos, como o óleo diesel e o salário dos funcionários das empresas de transporte coletivo da capital. 

Quem utiliza os táxis-lotação que circulam pelas avenidas Afonso Pena e Contorno também sentirão no bolso o peso do reajuste. A passagem, que atualmente custa R$3,15 passará para R$3,40 a partir de segunda-feira. Segundo a portaria da BHTrans, a atualização do preço acompanha as alterações de valores dos ônibus, para “manter o equilíbrio operacional entre os dois serviços”.

Confira as novas tarifas dos ônibus em BH

Ônibus da Grande BH também têm reajuste

As tarifas dos ônibus que atendem 34 municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte terão reajuste de 12,78% a partir desta segunda-feira (29). Segundo a Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas (Setop), serão afetados os preços das passagens de 745 linhas, que transportam uma média diária de 823 mil passageiros em toda a Grande BH. De acordo com o órgão, também haverá reajuste nas tarifas de táxis metropolitanos, que ficarão 8,21% mais caras.

Segundo comunicado divulgado pela Setop, a atualização dos preços das passagens dos coletivos metropolitanos leva em conta o aumento dos custos no período de novembro de 2013 a outubro de 2014. Entre os fatores que pesaram no reajuste, estão gastos com combustível, custo com pessoal e com a manutenção da frota de veículos.

Do total do reajuste, a secretaria informa que 1,92% corresponde à modernização da frota, que passou a contar com 116 novos ônibus articulados e outros 145 do tipo padron. Outros 2,21% foram acrescidos em função da operação dos Terminais Metropolitanos de Morro Alto, Vilarinho, São Gabriel, Sarzedo e Ibirité; das estações de São Benedito e Justinópolis, das 28 estações de transferência na Av. Antônio Carlos, Av. Cristiano Machado e Av. Pedro I, de duas estações na Av. Paraná e na Av. Santos Dumont, das 7 estações na MG10, 4 na Av. Brasília e 2 na Av. Civilização, uma na Av. Pedro I (Risoleta Neves) e uma na Praça Aarão Reis.

Os ônibus vão circular com cartazes para informar aos passageiros os novos valores das tarifas. Para informações e reclamações os usuários podem utilizar o telefone 155 opção 6 ou o email do DER/MG: atendimento@der.mg.gov.br.

Táxis especiais

Os usuários dos táxis metropolitanos também devem se preparar para pagar mais caro pelas viagens em toda a Grande BH. O custo quilométrico I, passa de R$2,63 para R$2,85 e a bandeirada passa de R$4,78 para R$5,17.

A cobrança do custo quilométrico rodado II será de R$3,42 e será permitida somente em corridas aferidas pelo taxímetro, no horário noturno, no período compreendido de 22 às 6 horas, de segunda a sexta feira. Aos domingos e feriados e aos sábados o início do período é antecipado para às 14 horas. Não poderá haver cobrança de taxa de retorno, de volumes transportados e de transporte por carrinho de supermercado.

Confira o preço de alguns serviços

Preço Mínimo: R$2,60 (16 linhas com esta tarifa)
Preço Médio: R$3,95. (tarifa preponderante do sistema, 30 % das linhas em operação).
No total, o sistema metropolitano possui 57 grupos tarifários.

Algumas linhas metropolitanas:

Igarapé – Nossa Senhora da Paz, Capim Branco – Matozinhos, Ribeirão das Neves – Estação Vilarinho – R$2,60;
Linhas troncais do MOVE Metropolitano (Terminal São Gabriel e Vilarinho e Estações de Justinópolis e São Benedito) – R$ 3,95;
Integração Metrô Ônibus – são oito valores que variam de R$ 3,70 a R$ 5,10;
Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins) / BH – Centro – R$ 23,70;
Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins) / Betim – R$ 36,05;
Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins) / Contagem – R$ 35,00.

FONTE: Estado de Minas.


 

 

Preço padrão Fifa dá o tom da Copa surreal nas capitais

Turistas não escondem o espanto diante de alguns abusos

BARES-

Até acarajé. Nem a mais típica das comidas baianas escapou do aumento; no Pelourinho, até turistas brasileiros estranham os preços

RIO de janeiro. As praias do Rio, as festas de São João do Nordeste, a floresta amazônica bem pertinho, o frio de Curitiba: as atrações off-Copa para os turistas que vieram para o Mundial no Brasil variam muito, mas um item tem sido comum de Norte a Sul do país, e assustado os torcedores de diferentes países: os preços praticados nas 12 cidades-sede.

Os exemplos da inflação padrão Fifa são variados: há hotéis que quadruplicaram o valor das diárias, estacionamentos que resolveram cobrar R$ 100 nos dias de jogo, e churrascarias que abandonaram a cortesia do show típico gratuito para cobrar R$ 15. Na hora de comer, o nó no estômago é quase certo: comerciantes atacam com cobranças surreais e um modestíssimo salaminho pode sair a R$ 44, enquanto um copo de limonada vale R$ 10,50.

Se a bebida for alcoólica, então, o preço vai às alturas. Nos bares de Belo Horizonte, é possível encontrar garrafa de vodca nacional a R$ 149. A garrafa de cerveja sai a R$ 10, enquanto, no Rio, já tem long neck a R$ 13.

E é claro que os acompanhamentos não ficariam de fora dos preços indigestos. Em Belo Horizonte, tem porção de contrafilé a R$ 104, e castanha de caju a R$ 119, 93 o quilo. Os turistas não escondem o espanto. Os amigos colombianos Edgar Ospires, publicitário, Christian Herrera, engenheiro, e Leon Suarez, economista, foram ver a Copa, mas também aproveitando a noite de Minas Gerais. E acabaram pagando R$ 50 apenas para entrar numa festa no Mercado das Borboletas, no centro da cidade, quase o preço das entradas mais baratas para as partidas da Copa, a R$ 60.

“O copo de catuaba ou de cerveja custava R$ 10, cada. Com esse dinheiro, dá pra comprar mais que uma garrafa inteira”, reclamava Leon Suarez.

No caso de Belo Horizonte, os sustos começam já no aeroporto, onde as lanchonetes são famosas pelos preços salgados. Em Confins, um sanduíche de frango custa R$ 17 e um pacotinho de chiclete, vendido normalmente por, no máximo, R$ 1,50, salta para R$ 3,90.

No Rio de Janeiro, os turistas que aproveitam a viagem para conhecer restaurantes badalados se deparam com preços não menos inchados. Em Santa Teresa, uma casa com vista de tirar o fôlego deixa também sem ar quem pede uma jarra de suco de abacaxi, com 1,5 litro. São R$ 52 na conta. “Sabíamos que os valores seriam altos, mas nem tanto”, diz a mexicana Claudia Martin del Campo.

FONTE: O Tempo.

 

 

 


Com tropeiro a R$ 15 e água a R$ 6, Fifa divulga preços do cardápio oficial dos estádios

Amendoim por R$ 8, cerveja R$ 10, água R$ 6. Este serão alguns dos valores que os torcedores terão que pagar durante a Copa do Mundo dentro e ao redor dos estádios. Os preços das comidas e bebidas foram divulgados nesta segunda-feira pela Fifa e também valem para quem estiver no Fifa Fan Fest, festas organizadas pela Fifa e cidades-sede de onde serão transmitidos os jogos em telões.

Entre as opções, estão aperitivos, sanduíches, pipoca, amendoim, batata, chocolate, soverte, refrigerantes, duas marcas de cerveja e uma opção da bebida sem álcool, além de comidas regionais. No cardápio de Salvador, por exemplo, está incluso acarajé (R$ 8) e cocada (R$ 5).Em Recife, tapioca (R$ 8) e bolo de rolo (R$ 5). No Rio de Janeiro, biscoito de povilho (R$5). Em Manaus, o Tambaqui, tradicional peixe da região será vendido com fritas (R$ 13). O feijão tropeiro (R$15) será vendido na capital mineira. 

Confira os valores das comidas e bebidas:

FONTE: Itatiaia.

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Preço salgado
Árvores produzindo jabuticaba são vendidas por até R$ 9 mil em Sabará
Planta vai para pomares e projetos paisagísticos

 

 

Luana Amorim colocou à venda o pé da fruta que plantou há 15 anos (Cristina Horta / EM / D.A Press)
Luana Amorim colocou à venda o pé da fruta que plantou há 15 anos


Os clássicos são eternos. Que o digam pessoas como o advogado Bruno Cunha e o paisagista Felipe Fontes. O primeiro está negociando um pé de jabuticaba junto à 1001 Flores, em Sabará. O segundo acaba de adquirir duas jabuticabeiras para um projeto de paisagismo. Cada uma custou R$ 750. Mas os preços de um pé de jabuticaba vão muito além disso. Chegam a R$ 9 mil em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Pela internet, também são altos. No Mercado Livre, um pé pequeno da fruta é anunciado por R$ 4 mil. 

A demanda pelas jabuticabeiras ocorre o ano inteiro, mas se itensifica a partir de setembro, quando começa a estação das jabuticabas, e prossegue com o início das chuvas. Mas nem mesmo o período seco impede a procura pela planta. Kléber Antônio Franco, proprietário da 1001 Flores, produz mudas e pés de jabuticaba num sítio em Caeté, na RMBH, e as comercializa em Sabará. Em sua loja, na cidade da jabuticaba, ele oferece jabuticabeiras do tipo híbrida e sabará, cujos preços variam entre R$ 500, para árvores jovens, e R$ 9 mil, no caso de uma jabuticabeira de cinco metros de altura que já é balzaquiana. Somente no sítio, que funciona como um viveiro das frutas, o empresário cultiva cerca de 600 mudas das mais variadas idades.

“Todas as semanas vendemos no mínimo três pés de jabuticaba. A árvore fica plantada no chão e ao ser vendida é transplantada. Tenho mudas que estão com 12 anos de idade, todas produzindo”, explica. De acordo com ele, os compradores são pessoas que têm sítio, que vivem em condomínios ou que moram em casa com quintal e coberturas que podem abrigar a planta, sem contar os grandes edifícios construídos na capital mineira. O advogado Bruno Cunha nasceu em Sabará e possui um sítio com pomar onde estão plantadas árvores frutíferas como laranjeiras, limoeiros, entre outras. Para completar a felicidade, ele agora deseja um pé de jabuticaba. 

“Quero uma árvore que tenha no mínimo 10 anos, tenho mudas novas no sítio, mas uma jabuticabeira demora muito a produzir”, justitifica. Ele só não esperava que os preços de uma árvore adulta fosse tão altos. “Pensei que seria no máximo R$ 250, mas uma árvore entre 10 e 12 anos está custando R$ 650”, disse. O desejo pelo pé de jabuticaba tem origens na infância, já que a avó mora em Sabará e tem uma casa com quintal e quatro jabuticabeiras. “Eles (os pés de jabuticaba) estão lá no fundo, mas ela não deixa arrancar de jeito nenhum”, afirma.

DIVERSIDADE Cleci Patrocínio é gerente da floricultura Forte Grama, localizada em BH. Ao todo, o estabelecimento conta com 30 jabuticabeiras com idade entre cinco e 15 anos. Todas estão à venda. São frutíferas da espécie híbrida, que dá jabuticabas grandes várias vezes ao ano, ou sabará, que floresce duas vezes ao ano. Conforme o tipo e a idade, os preços variam de R$ 250 (híbrida) a R$ 1,9 mil (sabará). “Já tivemos produção em fazenda, mas agora compramos de outros produtores”, explica.

O paisagista Felipe Fontes comprou dois pés de jabuticaba sabará na semana passada e pagou 
R$ 750 em cada um. “Eles serão plantados num vaso que vai ser instalado na cobertura de um apartamento no Bairro Belvedere”, explica. Fontes sugeriu ao seu cliente as jabuticabeiras porque elas são plantas consideradas completas. “Meus clientes queriam um ar de quintal na cobertura e uma jabuticabeira combinava com o desejo deles”, completa. 

Luana Amorim pôs um pé de jabuticaba à venda na internet por R$ 4 mil. Ela resolveu vender a jabuticabeira porque há algum tempo aluga um espaço de sua casa para eventos, e a demanda pelo aluguel para festas está grande. Pelo bem do negócio, resolveu se desfazer do pé de jabuticaba que plantou há cerca de 15 anos, além de duas palmeiras imperiais e da piscina. Para calcular o preço que pediria pela sua jabuticabeira, fez pesquisa na internet, onde encontrou árvores da fruta que custavam até R$ 20 mil. “Tenho pena de vender, porque a gente cultivou, mas o aluguel do espaço está dando muito retorno, por isso preciso ampliá-lo. Nunca pensei que fosse fazer isso na vida”, confessa.

FONTE: Estado de Minas.

CUSTO DE VIDA 
Inflação alta corrói renda e brasileiro reduz compras
Varejo revê para baixo projeção de vendas e pesquisa revela que população substitui itens caros pelos mais baratos para fugir dos aumentos. Mercado prevê IPCA no teto da meta

 

 

A empresária Eliete Sampaio e a filha Carla trocaram idas mensais ao supermercado pelas semanais e preferem lojas com mais promoções


A pressão da inflação em disparada já é sentida não só no bolso do consumidor, mas, sobretudo, no desempenho aquém do esperado do varejo. Do otimismo que alguns lojistas esboçavam no início de ano, restou apenas a frustração com os resultados obtidos. Em vez de lojas abarrotadas de clientes, empresários notaram a elevação nos estoques. As vendas, que até 2010 avançavam a um ritmo superior a 10% ao ano, desaceleraram para 5% no acumulado em 12 meses até fevereiro, período que inclui a bonança de fim de ano, como Natal e ano-novo. Não à toa, analistas passaram a prever dias difíceis para 2014.

Inflação

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) estimava em 6,5% a alta nas vendas do varejo em 2014. Baixou a previsão para 6%, depois para 5,5% até chegar em 5%. “A gente está revisando esse número, e tendência é que ele continue caindo à medida que outros maus resultados da economia forem aparecendo”, explicou o economista Bruno Fernandes, um dos responsáveis pela projeção. “Hoje, tudo leva a crer que o desempenho de 2014 será ainda pior do que no ano passado”, assinalou. 

Em 2013, o varejo cresceu 4,3%, o pior resultado em 10 anos. No mesmo ano, a massa salarial real, que considera os rendimentos recebidos pelos trabalhadores descontada a inflação no período, avançou apenas 2,8%, a menor variação desde 2007. “O que explica os maus resultados é a inflação, que corrói o poder de compra das famílias e, por tabela, o espaço no orçamento para novas compras”, disse a também economista da CNC Marianne Hanson. 

Que o diga o consumidor, que tem feito um verdadeiro malabarismo para driblar a alta de preços. Uma pesquisa do Instituto Data Popular revelou que 55% dos brasileiros substituem itens caros por marcas mais baratas, quando notam abuso nos preços. Outras alternativas são diminuir a quantidade de produtos comprados, opção assinalada por 32% dos entrevistados, ou simplesmente deixar de comprar (13%). A percepção que a inflação está corroendo fica evidente na afirmação de 85% dos brasileiros de que não conseguem comprar hoje o que compravam no ano passado, gastando o mesmo valor. Para 75% os preços dos produtos aumentaram no último ano e para 70% vão subir mais até o fim do ano.

PARA DAR CONTA Para driblar os preços altos, a empresária Eliete Sampaio e a a filha dela Carla Sampaio estão substituindo os produtos mais caros pelos mais baratos, trocando também os supermercados de grandes redes pelos de bairro, no dia a dia. “Os supermercados menores oferecem coisas mais frescas e com preços mais em conta. Sempre tem uma promoção diferente. Acabou aquela coisa de fazer compra do mês, é sempre semanal para aproveitar as ofertas e mesmo assim, o carrinho fica bem mais vazio”, afirma Eliete. A empresária conta ainda que se assustou com a conta do supermercado do café da manhã que ela preparou para receber duas amigas em casa. “Compramos coisas básicas, como frutas, pão e queijo e pagamos mais de R$ 70. Tivemos que diminuir muito o consumo e substituir muitos produtos por outros inferiores para gastar menos”, completa. 

A dentista Helena Ferreira e o marido dela Othon Rehn afirmam que nos últimos meses tiveram que diminuir as compras de roupas, o supermercado, entre outros gastos que faziam parte da rotina do casal. “As coisas aumentam e o salário continua o mesmo. Para economizar nós sempre compramos itens que estão em promoção. No supermercado que antes a gente gastava menos de R$ 100, se a gente não diminuir a compra, deixamos pelo menos R$ 150”, diz Othon. 

Não é à toa que os brasileiros estão mais reticentes na hora de comprar. Em 2013, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o parâmetro oficial do custo de vida no país, avançou 5,91%. Oficialmente, a meta a ser perseguida pelo governo é uma inflação de 4,5%, com tolerância de dois pontos para baixo ou para cima. Mas em 2014, novamente esse alvo não deve ser atingido. Muito pelo contrário.

SEM ALÍVIO De acordo com a pesquisa semanal Focus, feita pelo Banco Central (BC) junto a analistas de bancos e corretoras, o IPCA deverá bater no limite da meta, 6,5%. Não chega a ser uma previsão pessimista. As cinco instituições financeiras que mais acertam as estimativas para o comportamento da economia, chamadas de Top 5, apostam numa inflação ainda mais elevada: 6,62% ao ano. 

Foi a primeira vez no ano que essas casas apostaram num custo de vida tão pressionado. Pior do que isso. Foi a comprovação, para analistas, de que todo o trabalho feito pelo próprio BC na tarefa de trazer os preços para baixo não tem convencido o mercado financeiro. “Tão importante quanto o custo de vida em si, que bate diretamente no bolso do cidadão, são as expectativas para a inflação futura”, disse um técnico governista. 

Se elas continuam em disparada, alertou a fonte da equipe econômica, transformam-se em combustível para remarcação de preços. A consequência, ele disse, é uma pressão ainda maior da inflação nos próximos meses e anos, tornando ainda mais difícil a missão do BC. Pois é justamente o que tem ocorrido. As projeções para o IPCA de 2014 estavam, em janeiro, em 5,9%, nos cálculos dos Top 5. Esses números foram subindo semana após semana, até chegar ao patamar atual de 6,62%.
Para driblar o dragão
São Paulo – O impacto da inflação aparece também em pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que mostra que para driblar o cenário de elevação de preços os consumidores reduziram o número de vezes que vão às compras e passaram a optar mais pelas embalagens econômicas e pela troca por marcas mais baratas. Analisando o comportamento do consumidor ao longo do ano passado, o estudo concluiu que o número de idas aos pontos de venda caiu de 170 para 156 visitas. “Deixar de comprar os itens adquiridos no passado ficou em último lugar entre as prioridades do consumidor neste momento”, comenta o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), João Galassi. Com a alta de preços, para manter os mesmos produtos no carrinho, a estratégia é buscar uma combinação custo x benefício. 


Os hipermercados foram os que mais perderam frequência dos consumidores, apesar de um aumento de 6% no tíquete médio. Os consumidores passaram a comprar mais nos supermercados de vizinhança (ampliaram a frequência em 7% e o tíquete em 10%) e nos chamados atacarejos (alta de 1% no fluxo e de 14% no desembolso). Neste sentido, as embalagens maiores têm sido aliadas. Nas 20 categorias mais vendidas nos supermercados, 60% delas aumentaram as opções econômicas. 

Ainda de acordo com o estudo, para não deixar de consumir, a opção é abandonar a marca líder. Entre os mais afetados estão o café em pó e o suco pronto, cujas opções mais baratas cresceram as vendas em 13% e em 33,6%, respectivamente, em 2013. Cerca de 40% das marcas premium ainda crescem, mas em 55% dessas categorias houve retração de volume médio por compra.
FONTE: Estado de Minas.

FEIRÃO

Consumidor vai ter  apartamento em liquidação em BH 

Incorporadora vai dar descontos que chegam até R$ 50 mil

A-G7472

Mercado. Desde 2010, dos 27.087 apartamentos lançados, 4.353 permaneceram em estoque
A oferta excessiva de lançamentos imobiliários e o estoque em alta de unidades estão provocando um fenômeno inédito no mercado belo-horizontino: a liquidação de unidades residenciais. A meta das incorporadoras é desovar o mais rápido esses encalhes, a exemplo da MRV, que promove amanhã um feirão no bairro Buritis, com descontos de até R$ 50 mil.De acordo com pesquisa inédita realizada pela Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMV/Secovi-MG), em parceria com a Geoimovel,desde 2010, há mais lançamentos do que unidades vendidas por ano, fazendo o estoque de imóveis aumentar gradativamente. No período, dos 27.087 apartamentos lançados, 4.353 permaneceram em estoque na capital.Além disso, entre os 2.933 apartamentos lançado na capital no ano passado, 55% foram comercializados e 45% mantidos em estoque até dezembro. O presidente da entidade, Evandro Negrão de Lima Júnior, observa que o mercado está mais difícil e exige maior preparo das incorporadoras que almejam o sucesso. “Há muitos lançamentos malsucedidos. Para se atingir uma boa performance é preciso apresentar um bom diferencial, sobretudo uma estratégia de venda bem estruturada”, aconselha, apontando o aumento dos custos da construção como um dos fatores para essa “desova” sem precedentes.De acordo com a Assessoria Econômica do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), em fevereiro o custo unitário básico de construção em BH registrou alta de 0,13% frente a janeiro. A variação correu em função do aumento de 0,29% dos materiais, já que os custos com mão de obra, despesas administrativas e aluguel de equipamento permaneceram estáveis.Segmentado por número de dormitórios, o levantamento revela que unidades com três quartos foram as que mais permaneceram em estoque em 2013.No feirão são oferecidas unidades de dois e três quartos, com entrega prevista ainda para este ano.

Explicação

Buritis. O diretor da MRV Rodrigo Resende diz que são 60 unidades em fase final de construção, lançadas há três anos e meio. “O Buritis tem oferta grande e a velocidade de vendas não correspondeu”.

Lançamentos migram para Nova Lima

O estoque em alta de unidades habitacionais afeta também municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte, como Nova Lima, para onde migram, gradativamente e em maior escala, novos lançamentos que seriam anunciados na capital.
De acordo com a CMI/Secovi-MG, no ano passado, foram lançados na vizinha Nova Lima nada menos que 756 imóveis residenciais e 235 comerciais. Do total dessas 991 unidades, 652 foram vendidas e 339 mantidas em estoque.
FONTE: O Tempo.

Empresários abrem seus custos para se defender de reclamações no site $urreal

Site há um mês denuncia cobranças abusivas em BH; donos de negócios tentam justificar valores

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Jane, dona de padaria: custos de produção e perdas justificam preço de R$43,95 do quilo de biscoito de polvilho

Criada há menos de um mês no Facebook, a comunidade BH $urreal, que denuncia cobrança de preços abusivos no comércio e serviços, reúne mais de 42 mil seguidores. Num ritmo acelerado crescem também os relatos contra padarias, bares, restaurantes, supermercados, estacionamento e outros estabelecimentos. Embora a reclamação seja legítima, do outro lado da moeda estão empresários que se queixam dos altos custos para a manutenção de seus negócios – como o peso da carga tributária – e da necessidade de repassá-los aos clientes. A instabilidade da economia, num momento em que a inflação assombra o bolso do brasileiro, também tem impacto sobre insumos, principalmente na cadeia de alimentos.
Mas para o fundador da página BH $urreal, Flávio Peixe, as queixas do empresariado são semelhantes às dos consumidores. “Carga tributária e impostos estão na vida de todos os consumidores não é uma justificativa válida. Além do mais, temos inflação de cerca 6% ao ano e produtos com aumento de até 100%”, diz o idealizador da comunidade.

BH $URREAL!Entre as publicações de grande repercussão da última semana, o relato de um consumidor que se queixava do preço do biscoito de polvilho com queijo, vendido na Padaria Pedro Padeiro, no Bairro Santa Tereza, por R$ 43,95 o quilo. A sócia-proprietária do estabelecimento, Jane Magalhães Zarife, explica que a precificação passa, principalmente, pelos custos de produção e perdas, já que os ingredientes são basicamente polvilho, queijo e água. “Uma massa de 7 quilos rende 2,8 quilos de biscoito assado, ou seja, temos uma perda de 50% do peso inicial. Além disso, temos altos custos com energia e gás, já que assamos poucas quantidades por vez”, diz.O preparo artesanal, que depende de mão de obra cara, é outro argumento. A inflação em insumos básicos é outra queixa frequente entre os empresários do ramo da alimentação. A farinha de trigo, que no início do ano passado custava R$ 68 o saco de 50 quilos, hoje é comprada por R$ 115. Já o saco de 25 quilos de polvilho chega a custar R$ 150. “A mão de obra subiu muito e absorver esses custos junto com a carga tributária é difícil. O impacto é grande para as pequenas empresas porque temos obrigações de empresas gigantescas”, afirma Jane.

A costelinha suína ao molho barbecue vendida pelo Dirceu Botequim, no Sion, pelo preço de R$ 84,90, também entrou na mira dos consumidores da página BH $urreal. O gerente do bar, Vando Santos, justifica o preço da porção pela qualidade do corte da carne. “Uma costelinha normal custa de R$ 15 a R$ 17 o quilo, mas a nossa custa R$ 24 porque é selecionada, tem bastante carne”, diz. “Pagamos R$ 16 mil de aluguel, R$ 15 mil de imposto por mês e a folha de pagamento é de R$ 40 mil todos os meses. No fim do mês, temos lucro líquido de 10%, no máximo”, completa.

REGULARIZAÇÃO
 O proprietário de um dos estacionamentos criticados na página, que preferiu manter anonimato, garante que mudanças impostas pela prefeitura para a regularização dos estacionamentos elevaram os preços da hora cobrada. Por três horas, foram cobrados R$ 42, segundo post na BH $urreal. O preço do aluguel, segundo ele, é outro agravante, já que ele equivale a 0,5% do valor do imóvel. “Se o lote custa R$ 4,5 milhões, o aluguel chega a R$ 22 mil.”

Impostos não justificam altas

O professor do MBA em gestão comercial da FGV/IBS Roberto Neme Assef explica que aumentos de preços, principalmente em itens mais vendidos no verão, como bebidas e sorvetes, não podem ser explicados pela carga tributária, já que ela se mantém no mesmo patamar nos últimos dois anos. “Temporada verão facilita reajustes significativos em alguns setores”, diz. “No contexto, a carga de tributos pesa, mas sazonalmente não”, reforça.

No entanto, Assef lembra alguns impactos, principalmente em setores fragilizados por falta de mão de obra qualificada. “Existe carência de profissionais em algumas áreas e isso se torna elemento importante de custo”, diz. O especialista afirma ainda que, embora o aumento da renda, crédito e nível de emprego favoreçam o consumo, a percepção de valor pelo consumidor é um alerta para as companhias, que podem sofrer penalidades como a perda desses clientes.

Outro relato na página BH $urreal que chamou a atenção e acabou ganhando pela primeira vez a atenção de uma das empresas criticadas foi o do consumidor Fausto Campos. Na quinta-feira, ele postou a foto de uma fatia de melancia de 522 gramas vendida a R$ 5,21 no Super Nosso. Depois da repercussão, no mesmo dia, o supermercado publicou na página um comunicado que explicava o preço. “Temos dois códigos de pesagem para a melancia. Um é para melancia quilo, que custa R$1,98. Outro código é para melancia processada, em que é totalmente limpa, picada em cubos e acondicionada em uma embalagem especial”, explicou na rede.

IMPORTÂNCIA DO CLIENTE
 O erro, segundo o supermercado, teria sido de um funcionário que pesou a melancia quilo como processada. “Se qualquer cliente comprou com o preço errado pedimos a gentileza de levar a nota fiscal até o Super Nosso da Pampulha, que iremos ressarci-lo”, completava o comunicado. Para Campos, que fez a reclamação, o passo da empresa foi positivo, embora não tenha sido totalmente satisfatória. “O posicionamento da empresa mostra que a organização começa a enxergar a força e importância que o cliente pode exercer”, disse. Mesmo considerando as altas cargas tributárias, impostos e inflação, ele argumenta que o consumidor não deve simplesmente aceitar “o lucro exacerbado”. “É preciso que questionemos para fazermos a mudança que esperamos”, afirma.

Até então, segundo o fundador da página, Flávio Peixe, nenhuma empresa havia feito contato, mas a ideia é que “haja diálogo sempre”. “A internet é o novo boca a boca. Aquela coisa do vizinho que te dava referências sobre lugares para comprar ou não comprar agora está na internet”, diz. O movimento, segundo Peixe, deve ter efeito cascata. “É uma forma de pressionar as empresas, que, por consequência, pressionam grandes fornecedores e esses o governo, em busca de encargos menores e preços mais justos”, afirmou.

FONTE: Estado de Minas.

CONSUMIDOR » Quem cobra caro vira chacota no Facebook

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Quase três décadas depois do surgimento do movimento das donas de casa, em que mães de família fiscalizavam semanalmente a evolução de preços nos supermercados, o Brasil assiste a novo formato de protesto em que grupos pressionam contra a cobrança de valores abusivos no comércio e nos serviços. E, claro, sugerem boicote aos estabelecimentos onde identificam abuso. O novo ambiente de protesto é o Facebook, maior rede social do planeta, onde os grupos criaram uma nova moeda, a $urreal – estampado com o rosto do pintor Salvador Dalí, mestre do surrealismo –, para denunciar os preços abusivos. O movimento começou no Rio de Janeiro, ganhou réplicas em outras capitais e chegou a BH no domingo.

Até as 21h de ontem, a comunidade BH $urreal contava com 9.238 seguidores – média diária de 1.952 adesões. A maior parte das postagens no grupo reclama de preços em bares, restaurantes e similares, um dos principais setores da economia da cidade. Numa casa de shows da Grande BH, por exemplo, um membro do grupo informa que a embalagem de 500 ml de água mineral é vendida a R$ 5. Em vários pontos comerciais da cidade, a mesma mercadoria sai por R$ 1,50. Outro seguidor lamenta que a pipoca na Praça do Papa seja vendida por R$ 15. Outro membro do grupo denuncia que um bar da Savassi cobra mais pelo chope servido sem colarinho.

“A ideia da página é que o comerciante pratique um valor justo pela mercadoria. Há estabelecimentos que pedem R$ 21,90 na porção de 300 gramas de batata fria. O quilo do produto congelado, porém, sai por cerca de R$ 3. Sei que o dono tem custos, como óleo, gás e funcionários, mas pedir 700% a mais? É surreal”, indignou-se o comunicador Flávio Peixe Silva Rosa, um dos organizadores da página. Ele teve a ideia de criar a BH $urreal depois de perceber que a primeira página do gênero, feita há poucos dias por três amigos no Rio de Janeiro e com mais de 110 mil adeptos, havia conquistado bons resultados.

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Além do Rio e de BH, páginas com a expressão “$urreal – não pague” foram montadas em São Paulo, Brasília, Curitiba e Recife. No caso da capital mineira, a maioria das críticas é direcionada a bares e restaurantes, setor em que muitas mercadorias subiram bem acima da inflação oficial do país em 2013 (5,91%). Aqui, a inflação da cerveja disparou 13,53%. A da refeição fora de casa, 7,34%. A do lanche, 9,77%. Na prática, porém, alguns empreendimentos subiram os preços bem acima desses percentuais. Quem conta é o professor Renan Loreto: “Uma cerveja num bar da Rua Francisco Sales custava R$ 6 no meio do ano passado. Agora, R$ 8 (diferença de 33,3%)”. Insatisfeito, ele passou a prosear e a beber com amigos em outro bar, na mesma rua, onde uma garrafa idêntica é negociada a R$ 5. “O bar é tradição do belo-horizontino. Nosso lazer está cada vez mais difícil. Como pode haver preços tão diferentes na mesma rua?”, questiona o rapaz.

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DEFESA
 O diretor-executivo da seção mineira da Associação de Bares e Restaurantes (Abrasel-MG), Lucas Pêgo, informou que o setor não repassou para a clientela todos os aumentos a que se submeteu. Prova disso, justifica, é que os bares e restaurantes, em média, tiveram um faturamento 7% maior em 2013 na comparação com 2012. “Levando-se em conta que a inflação ficou em torno de 6%, é como se tivéssemos obtido um crescimento perto de zero, foi como se houvesse um empate. A margem de lucro nos restaurantes tem diminuído, justamente porque não repassamos todos os aumentos para os clientes”, sustentou.

Lucas acrescenta que é difícil analisar mercadorias semelhantes com preços bem diferentes em estabelecimentos que não sejam da mesma rede. “No caso da batata frita, por exemplo, não é só a porção que você está comprando. Você está ‘comprando’ o ambiente: as pessoas do lugar, o atendimento etc. Já no caso da cerveja, as fabricantes vendem a mercadoria por preços diferentes (para estabelecimentos vizinhos), pois levam em conta fatores como o interesse pelo ponto e o poder de barganha (do comerciante).”

Repercussão faz preço cair 33% no RJ

A primeira comunidade $urreal – não pague foi criada no Rio de Janeiro, na sexta-feira, por três amigos. A comunidade, que já conta com mais de 110 mil adeptos, rendeu resultado: um ambulante na Praia de Copacacbana que vendia cada coco por R$ 6 reduziu o valor para R$ 4, depois de fotos de suas mercadorias serem postadas no fórum virtual.

“Eu e dois amigos – Flávio Soares e Andréa Cals – reclamávamos dos preços no Rio e um quarto colega propôs, numa nota de jornal, que o real fosse substituído pela ‘moeda’ surreal. Daí tivemos a ideia de fazer a página. Em 24 horas, tínhamos 20 mil curtidas. Já são mais de 110 mil”, disse a crítica de arte Daniela Name, uma das fundadoras do grupo.

Uma das primeiras postagens no Rio $urreal foi a foto de um cardápio de um quiosque da Praia de Ipanema que vende o misto quente por R$ 20. O dono do empreendimento ainda não se sensibilizou com os vários comentários. “Se a gente se recusar a pagar o preço cobrado, as vendas caem e o dono baixa o preço. O brasileiro precisa ser um consumidor consciente, precisa compreender que só há comerciantes que cobram valor abusivo porque tem quem pague”, completa.

A quantidade de seguidores e o interesse de outras capitais em fundar comunidades semelhantes levaram Daniela a avaliar que o brasileiro tem uma demanda reprimida em relação a protestos relacionados aos preços exorbitantes praticados em várias partes do país. “A onda é deixar de comprar. É bom saber que outras capitais estão fazendo o mesmo”.

COMENTÁRIOS Em Belo Horizonte, ontem, vários internautas se manifestaram sobre a criação da comunidade no site do Estado de Minas. O internauta Marcelo Loschi, por exemplo, elogiou a iniciativa: “Ótima. Parte da culpa é dos consumidores, que gostam de pagar caro”. Ele acrescenta que conhece muita gente que “gosta do que é caro; não necessariamente do que é bom!!!!”.

Gilson Júnior acredita que a internet poderá ajudar a reduzir os preços cobrados no país: “Finalmente as pessoas estão utilizando a força das redes sociais para algo útil, que poderá favorecer a todos! As empresas que abram os olhos e baixem seus preços abusivos”.

Renato Rego, por sua vez, alerta para a possibilidade de aumentos exorbitantes em função da Copa do Mundo: “Já era esperado. Com a chegada da Copa, todos os serviços vão ser inflacionados! Até parece que a cidade vai ficar superlotada de estrangeiros. Quem é prejudicado somos nós mesmos. Resta saber se, ao final da fanfarra absurda e abusiva da Copa, os preços vão voltar ao normal”.

FONTE: Estado de Minas.


ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 23/06/2014, 09:30.

 

Cade confirma multa de R$ 3,1 bilhões por cartel no setor de cimento

Entre condenadas está a Votorantim, maior produtora de cimento do país.
Três associações do setor e seis executivos também foram punidos.

Fábio Amato Do G1, em Brasília

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O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) confirmou nesta quarta-feira (28) a condenação de um grupo de seis empresas do setor de cimento, além de associações e executivos da área, pela formação de cartel – acordo ilegal que reduz ou elimina a concorrência e traz prejuízo aos consumidores.

Foi aprovada a aplicação de multas que somam R$ 3,1 bilhões, a maior valor dentro de um processo de cartel no país. O valor havia sido proposto em janeiro passado, quando ocorreu o julgamento.

Além disso, o Cade determinou que algumas das empresas vendam parte de seus ativos (fábricas e máquinas), medida que visa permitir a entrada de novos concorrentes nesse mercado.

As empresas condenadas são: Votorantim Cimentos S.A., maior produtora de cimento do país; Holcim do Brasil S.A.; Intercement (antiga Camargo Corrêa Cimentos S.A.); Cimpor Cimentos do Brasil Ltda; Itabira Agro Industrial S.A; e Companhia de Cimento Itambé.

Essas seis empresas receberam as maiores penas. E, entre elas, a multa mais alta foi contra a Votorantim: R$ 1,565 bilhão. Em seguida vem a Holcim, com multa de R$ 508,6 milhões.

Também foram punidos dentro do processo o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (Snic), a Associação Brasileira de Cimento Portland (Abcp) e a Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (Abesc). A condenação atinge ainda seis executivos e funcionários das empresas e associações envolvidas no esquema.

Não há possibilidade de recurso no Cade, mas os condenados ainda têm direito a recorrer à Justiça para tentar reverter a decisão desta quarta.

Julgamento
O julgamento do caso começou em 23 de janeiro com a leitura do relatório do conselheiro Alessandro Octaviani, relator do processo. Na época, ele já havia proposto a aplicação de um total de R$ 3,1 bilhões em multas aos envolvidos, além de “remédios” como a obrigação de venda de ativos.

Na época, outros 3 conselheiros decidiram adiantar seus votos, todos favoráveis às punições conforme proposto pelo relator, o suficiente para a condenação. Entretanto, o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do conselheiro Márcio de Oliveira Junior, que alegou a necessidade de mais tempo para analisar o processo.

Oliveira Junior fez nesta quarta a leitura de seu voto, favorável à condenação do cartel. Ele manteve o valor das multas, mas propôs mudanças na determinação para a venda de ativos que foram acatadas pela maioria dos conselheiros.

Na proposta do relator, as empresas, com exceção da Itambé, seriam condenadas a se desfazer de parte dos ativos. Neste quesito, a maior punição seria contra a Votorantim: venda de 35% de sua capacidade instalada para um único comprador. Agora, cada uma das seis condenadas terá que vender 20% da capacidade de produção de concreto. Além, disso, serão obrigadas a abrir mão de toda a participação que detenham em outras empresas de cimento e de concreto.

O resultado prático é que essas empresas passarão a ser unitárias, ou seja, não vão deter participação acionária em nenhuma empresa nesses dois mercados. A decisão prevê ainda que elas vão poder voltar a fazer aquisições na área de cimento, desde que não sejam entre si. Mas no setor de concreto, ficam proibidas de fazer operações desse tipo por 5 anos.

Outro lado
Em nota, a Votorantim informou que “recorrerá da decisão do Cade por ser injustificada, sem suporte nos fatos e sem base legal.”

O Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (Snic), também informou, por meio de nota, que vai recorrer à Justiça. Para a entidade, a decisão do conselho foi baseada em “interpretações equivocadas de sua atuação.”

“O SNIC está seguro, portanto, de que sempre atuou dentro da lei e seguindo práticas internacionais, estimulando a concorrência no já competitivo mercado de cimento brasileiro”, diz a nota.

Descrição do cartel
Cartel é um acordo entre empresas concorrentes para, por exemplo, fixar preços ou dividir o mercado em que atuam. Essa ação leva à restrição da concorrência e ao aumento de preços de produtos.

Segundo o Cade, neste caso o conluio envolvia a fixação e controle de preços do cimento e do concreto vendido no Brasil; a divisão regional do mercado e de clientes entre as empresas participantes; além de medidas para impedir a entrada de novos concorrentes e prejudicar aqueles que não estavam alinhados ao esquema.

Em seu relatório, lido em janeiro, Octaviani também afirma que as entidades (Abcp, Abesc e Snic) atuavam facilitando a organização do esquema, funcionando como fórum de troca, entre as empresas, de informações concorrencialmente sensíveis que permitiam o monitoramento do cumprimento dos acordos. Agiam ainda para impedir a entrada de novas empresas no mercado.

Prejuízo de R$ 1,4 bi ao ano
De acordo com o Cade, estudos internacionais apontam que a prática de cartel provoca entre 10% e 20% de aumento nos preços dos produtos, em relação a mercados em que há competição. Em janeiro, Octaviani apontou que as informações coletadas durante a investigação levam a crer que a alta de 20% no mercado brasileiro de cimento é “provavelmente subestimada.”

Cálculos apresentados pelo relator apontam que o cartel de cimento provocou à economia brasileira prejuízo médio estimado em R$ 1,4 bilhão ao ano (R$ 28 bilhões em 20 anos). Segundo ele, documentos evidenciam que o esquema ilegal funcionava pelo menos desde 1987.

O Brasil produziu 68 milhões de toneladas de cimento em 2012, quantidade recorde. Segundo Octaviani, o mercado é concentrado, com 8 empresas responsáveis por 87% da produção nacional – 7 delas investigadas por participação no cartel.

Histórico
A investigação do cartel no setor de cimento começou em 2006 e partiu de denúncia feita por um ex-funcionário da Votorantim Cimentos, que foi coordenador comercial da empresa na região Sul do país entre 2000 e 2003.

Em 2007, a Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, conseguiu autorização da Justiça para fazer uma operação de busca e apreensão na sede das empresas. Foram recolhidas mais de 12 mil páginas de documentos (anotações, bilhetes, fax) e 820 mil arquivos eletrônicos que, segundo a secretaria, comprovam a formação do cartel.

Em novembro de 2011, a SDE encaminhou o processo ao Cade com a recomendação para condenação das seis empresas.

Em fevereiro de 2007, o Cade havia aprovado uma proposta de acordo com a Lafarge, empresa que também era investigada por participação no cartel. Para se ver livre de uma condenação, ela se comprometeu a uma série de obrigações, incluindo pagamento de R$ 43 milhões e implementação de medidas para evitar novas irregularidades.

A Cimpor também chegou a propor acordo mas, neste caso, o Cade considerou que a oferta não era conveniente ou oportuna. O mesmo argumento foi utilizado para rejeitar proposta de acordo feita pela Intercement (Camargo Corrêa).

O relator também propôs o arquivamento das investigações contra outra empresa do setor de cimento, a Liz. O arquivamento já havia sido recomendado pela SDE que alegou falta de provas da participação dela no cartel.

FONTE: G1.

Cade: maioria dos conselheiros condena cartel do cimento

Está chegando ao fim o processo que se iniciou há vários anos (veja ao final)

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A maioria do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) optou nesta quarta-feira, 22, por acompanhar o voto do conselheiro relator, Alessando Octaviani, e condenar as empresas acusadas de fazer parte do cartel do cimento no Brasil a pagar uma multa que soma R$ 3,1 bilhões e a vender parte de seus ativos, o que somaria 24% de toda a capacidade do mercado desse setor no País. A decisão, porém, não foi concluída porque o conselheiro Marcio Oliveira Junior pediu vista dos autos do processo e não há prazo previsto para que ele apresente sua decisão. Até lá, os três conselheiros que acompanharam o voto do relator, inclusive ele, podem alterar suas posições e mudar o entendimento do órgão. Se aprovada, a multa será a maior já aplicada pelo Cade em sua história.

A sessão desta quarta-feira durou mais de 13 horas. Segundo Octaviani, de cada R$ 100 que os brasileiros gastaram na compra de cimento nas últimas décadas, pelo menos R$ 20 foram cobrados de forma ilegal, “O cartel de cimento e concreto subjugou a sociedade brasileira durante décadas.” Os efeitos de um cartel, que é a lesão mais grave à concorrência, são de aumento dos preços para o consumidor e de restrição da oferta do produto. O superfaturamento do cimento e do concreto no País teria causado prejuízos de mais de R$ 2 bilhões ao programa Minha Casa Minha Vida, segundo o relator, suficientes para construção de mais 50 mil moradias. O grau de articulação das empresas torna a estimativa de prejuízos subestimada, na avaliação de Octaviani.Ele usou uma projeção internacional de margem de lucro obtida em práticas semelhantes em outros países e concluiu que o cartel teria um superfaturamento de mais de R$ 1,4 bilhão no faturamento apenas em 2005. Em uma década, o valor do superfaturamento seria, segundo ele, de pelo menos R$ 14 bilhões, maior que o de outros casos famosos de corrupção como a “Máfia dos Fiscais de São Paulo” (R$ 18 milhões), o “Escândalo dos Sanguessugas” (R$ 140 milhões), o “Mensalão” (R$ 170 milhões) e a “Máfia do ISS” (R$ 500 milhões).VendasOutra penalidade para as empresas acusadas de formar o cartel do cimento é venda de parte de seus ativos, que, somados, representam 24% do mercado do produto. A Votorantim, por exemplo, terá que se desfazer de 35% da sua capacidade instalada. A venda deverá ocorrer para um só comprador, de forma que possa existir mais um grande integrante nesse mercado.

Cartel do cimento vai além da fixação de preço, diz relator

O relatório do conselheiro Alessandro Octaviani também aponta provas de que as empresas acusadas também realizaram outras práticas ilícitas

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Cimento: relatório também cita provas de ações predatórias combinadas para a eliminação de novos concorrentes e agentes não alinhados ao cartel

Brasília – Além da fixação de preços e da quantidade de produtos produzidos pelas empresas de cimento membros do suposto cartel investigado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o relatório do conselheiro Alessandro Octaviani também aponta provas de que as empresas acusadas também realizaram outras práticas ilícitas, como a divisão regional de mercado, a alocação acertada de clientes e a criação de barreiras artificiais à entrada de novos concorrentes.

“As companhias rateiam entre si quem assume cada região e sob qual capacidade produtiva”, detalhou Octaviani.”Isso explica porque cada companhia está em uma região e não vai para outra”, acrescentou. De acordo com o relator, as provas colhidas no processo ainda demonstram que a divisão de fatia de mercado entre as empresas também se dava pela alocação concertada de clientes.

“Havia uma divisão de clientes baseada na própria divisão de mercado regional”, destacou Octaviani. “Além disso, o mercado de concreto era divido na mesmo proporção do de cimento”, completou.

O relatório também cita provas de ações predatórias combinadas para a eliminação de novos concorrentes e agentes não alinhados ao cartel. “O objetivo era excluir os concorrentes mais aguerridos”, disse.

Para Octaviani, a Associação Brasileira de Cimentos Portland (ABCP) pressionou a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) pela alteração de normas técnicas com a finalidade de impossibilitar a atuação de grupos menores, como os chamados “misturadores”, no mercado de cimento.

A ABCP teria inclusive elaborado alertas aos consumidores sobre os riscos associados ao uso de cimento “fora da norma” e indicando quais marcas estariam desconformes.

“No caso, houve expresso abuso de poder pelos grandes grupos econômicos do setor”, acusou Octaviani. “As estratégias analisadas pela associação não visavam a melhoria do cimento produzido e consumido no País, mas a eliminação de concorrentes”, completou.

Após a leitura o relatório, o processo será julgado pelo plenário do Cade. Além do ABCP, da Associação Brasileira das Empresas de Concretagem e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento, estão entre os acusados a InterCement Brasil (antiga Camargo Corrêa Cimentos), a Cimpor do Brasil, a Cia de Cimento Itambé, a Cimentos Liz (antiga Soeicom), a Holcim Brasil, a Itabira Agro Industrial, a Lafarge Brasil e a Votorantim Cimentos.

Cartel de cimento dominava 90% do mercado, aponta Ministério da Justiça -10/11/2011 – 14h46

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Brasília – Nove em cada dez quilos de cimento vendidos no Brasil em 2006 tinham como fabricante uma das sete companhias que formavam cartel para manipulação de preços (com tabelamento e monitoramento), fixação de quota de produção, troca de informações e aquisição de empresas menores, fabricantes de concreto, para manutenção de oligopólio.

A denúncia é da Secretaria de Direito Econômico (SDE), ligada ao Ministério da Justiça, que vai recomendar ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a condenação de Votorantim Cimentos S.A.; Camargo Corrêa Cimentos S.A.; Cimpor Cimentos do Brasil Ltda.; Holcim Brasil S.A.; Itabira Agro Industrial S.A. (Grupo Nassau); e Companhia de Cimentos Itambé por prática anticoncorrencial.

A sétima empresa, a Lafarge Brasil S.A., foi excluída porque já assinou com o Cade termo de compromisso para o fim da prática.

O despacho da SDE contém ainda denúncia contra a Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (Abesc); a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). O despacho, publicado na edição de hoje (10) do Diário Oficial da União também inclui seis pessoas.

O secretário de Direito Econômico, Vinícius Marques de Carvalho, calcula que a manipulação de preços feita pelo cartel tenha causado prejuízo de R$ 1,5 bilhão aos consumidores anualmente (10% do valor  de faturamento do setor medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, em 2008). Ele classifica a prática como um “cartel clássico”.

Segundo Carvalho, “por ser um produto homogêneo [o cimento], é muito fácil calibrar os preços”. Ele ressaltou ainda a importância do produto para o aquecimento do mercado nacional. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) e a Fundação Getulio Vargas, o gasto com cimento representa cerca de 8% do custo de uma obra residencial (o metro quadrado construído leva em média 120 quilos de cimento).

Quatro das seis empresas apontadas pela SDE são multinacionais. De acordo com a secretaria, há investigações e condenações por cartel no setor de cimentos em outros países como a Alemanha, França, o Reino Unido, a Polônia, África do Sul, o Paquistão e o Egito.

A constatação da prática foi feita com base na apreensão de computadores, arquivos e anotações, autorizada pela Justiça Federal em 2007. A SDE iniciou a investigação graças à denúncia de um ex-empregado da Votorantim. Segundo o denunciante, cujo nome não foi revelado, há cartel no setor desde a década de 1960. Os documentos apreendidos trazem prova de intercâmbio de informação desde 1986.

Vinícius Carvalho justificou a demora da elaboração da recomendação ao Cade (quatro anos) em função dos recursos das empresas na Justiça para que não fosse efetuada a apuração do material apreendido. Ele não soube responder se as empresas ainda prosseguem com as práticas anticoncorrenciais.

Se condenadas pelo Cade, as entidades representativas do setor terão de pagar multa que varia de R$ 6 mil a R$ 6 milhões. As empresas poderão ter de pagar multa de 1% a 30% do faturamento bruto total. De acordo com a nova legislação, a ser sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, a multa poderá ser relativa ao faturamento da empresa no chamado mercado relevante em que ocorreu a infração (após a sanção, a lei tem 180 dias para entrar em vigor).

Além do processo administrativo a ser aberto no Cade contra as seis companhias, há um inquérito criminal em andamento no Ministério Público de São Paulo.

FONTES: Estado de Minas, Exame e Agência Brasil.

Aluguéis a preço de banana Denúncias de corrupção e enriquecimento ilícito levam Ministério Público a investigar mais de 200 contratos de locação de imóveis pertencentes à CBTU em Belo Horizonte

Metrô aluga seus imóveis a preços irrisóriosMetrô aluga seus imóveis a preços irrisórios

Além de ser obrigado a repassar R$ 54 milhões ao Recife e ter barrados R$ 800 milhões em investimentos pela União nos últimos anos, como vem mostrando a série do Estado de Minas, o metrô de BH ainda perde receitas que poderiam melhorar sua qualidade alugando terrenos e imóveis abaixo do preço de mercado, sem licitação. O Ministério Público investiga denúncias de corrupção em mais de 200 contratos da CBTU em Minas, entre os quais a locação de um terreno de 800 metros quadrados no Bairro Santa Inês por R$ 695,24 mensais. Garagem de 600m2 em Santa Tereza está alugada por R$ 1.266,46 Na Estação Eldorado, movimentada lanchonete paga R$ 713,76 por mês

Atrás do muro, quadra e uma área para festa construídos em terreno de 800m2, no Santa Inês, alugado pela bagatela de R$ 695,24 (Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Atrás do muro, quadra e uma área para festa construídos em terreno de 800m2, no Santa Inês, alugado pela bagatela de R$ 695,24

Contratos de concessão de terrenos e imóveis que renderiam mais receitas para melhorar a qualidade do metrô de Belo Horizonte não geram os recursos que deveriam por suspeitas de má administração e corrupção. A reportagem do Estado de Minas teve acesso às tabelas de locação de lojas, lotes e outros imóveis pertencentes à superintendência mineira da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e identificou pelo menos 12 empreendimentos nas estações da Linha 1 (Vilarinho-Eldorado) que pagam mensalmente valores abaixo dos de mercado (veja quadro abaixo) e outros oito terrenos em mesma situação, tudo sem licitação. O setor de contratos da companhia é alvo de investigação do Ministério Público (MP) estadual, que recebeu 25 denúncias de suspeitas de corrupção e enriquecimento ilícito, e agora promove uma devassa em mais de 200 contratos. Desde domingo, o EM mostra os tortos caminhos dos recursos que deveriam ser aplicados na melhoraria da qualidade e na ampliação do transporte metroviário da capital mineira. O metrô de BH é obrigado a repassar parte de sua receita para o do Recife, que recebeu remessas de R$ 54 milhões nos últimos cinco anos. O sistema pernambucano é maior que o de Minas e tem a tarifa mais barata, de R$ 1,60, contra R$ 1,80 pago pelos usuários mineiros. Fontes ligadas à CBTU e ao sindicato dos metroviários indicam que esses desvios comprometeram a modernização do sistema e envolveram interesses políticos. A CBTU justificou as transferências alegando que as verbas do metrô do Recife foram congeladas pela Justiça e por isso recorreu ao caixa de BH. Na edição de ontem, a reportagem revelou, ainda, um relatório inédito da CBTU que detalhou mais de R$ 800 milhões de recursos barrados pela União e que poderiam ter sido usados na ampliação do sistema de BH desde 2004. Metrô3 Além das estações, ao longo dos 28,2 quilômetros da única linha do metrô de BH há 18 terrenos pertencentes à CBTU, que recebe regularmente aluguel de particulares. Desses, pelo menos oito galpões e áreas amplas rendem valores irrisórios, somando R$ 7.514,29, uma média de R$ 939,28 por imóvel. De acordo com o MP, esses aluguéis estão entre os investigados, pois há denúncias de que funcionários do setor de contratos da CBTU tenham reduzido os valores oficiais para receber uma parcela indevidamente, lesando assim o patrimônio e desviando recursos do erário. O mais bizarro desses contratos foi firmado em 2011. A CBTU recebe apenas R$ 695,24 por mês pelo aluguel de um terreno de 800 metros quadrados no Bairro Santa Inês, na Região Leste de BH. O locatário, que mora num prédio vizinho, resolveu construir uma quadra esportiva, um pomar e uma área para festas e churrascos capaz de receber até 100 pessoas. A reportagem procurou o locatário em sua casa, mas apesar de os vizinhos dizerem que ele se encontrava no local, ninguém atendeu. Metrô Na Rua Conselheiro Rocha, no Bairro Santa Tereza, mesma região, um terreno de 700 metros quadrados usado por uma oficina mecânica de veículos de transporte e carga custa meros R$ 949,85 pelo aluguel, em contrato firmado em 2009. O locatário, José Joaquim Filho, disse que seu contrato é novo, mas que está no local há 13 anos. Ele nega que precise pagar ou que tenha sido coagido a pagar qualquer quantia a funcionários do setor investigado pelo MP. “Pago tudo direto para a CBTU”, garante. No imóvel vizinho, usado como garagem por uma empresa de transporte de passageiros custa R$ 1.266,46 por 600 metros quadrados. O filho do proprietário também garantiu que a empresa não repassa nenhuma diferença a funcionários da CBTU, como suspeitam os promotores.

Metrô2SE NECESSÁRIO, CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR O TEXTO.

Migalha O governo federal acertou com a Metrominas – empresa formada pelo consórcio entre o governo do estado e prefeituras de BH e Contagem – o investimento de R$ 1,75 bilhão para ampliação da Linha 1 (Vilarinho/Eldorado) e construção das linhas 2 e 3. Segundo a Metrominas, apenas R$ 14 milhões, menos de 1%, desses recursos foram pagos até hoje.

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FONTE: Estado de Minas.

Morrer em Belo Horizonte custa de R$ 4,67 mil a R$ 36,4 mil

Quem deseja buscar um serviço barato e de qualidade, deve pesquisar, pois a diferença é grande

Às vésperas de mais um Dia de Finados, pesquisa do site Mercado Mineiro aponta que para enterrar um ente querido em Belo Horizonte os parentes vão desembolsar R$ 4,67 mil se optarem pelos serviços mais baratos, e em média R$ 36,4 mil se escolherem os mais caros. O site fez levantamento de preços, taxas e serviços de cemitérios, funerárias e flores da capital entre os dias 18 e 24 de outubro.

custo morte

Apesar das grandes variações, o diretor-executivo do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu ressalta que a qualidade dos produtos e dos serviços pode justificar as diferenças nos preços. Segundo ele, o consumidor deve avaliar o custo beneficio de cada item da pesquisa para tomar sua decisão.O valor da urna, por exemplo, pode custar de R$ 130 até R$ 15,7 mil, o que representa uma variação de 11.976,92% entre os preços. No sepultamento pode ser gasto de R$ 162 a R$ 388, variação de 139,51%. Para o processo de cremação o preço cobrado para uso imediato é R$ 4 mil a R$ 6,45 mil, variação de 61,45%, visto que esse serviço é oferecido por apenas dois cemitérios na Grande BH.Na mesma pesquisa foram comparados os preços das flores. A maior variação encontrada foi de 733,33%, no preço do crisântemo (vaso médio), que pode custar de R$ 6 a R$ 50.

Mais caros
Em um ano, os serviços funerários ficaram 23,44% mais caros, índice apresentado no preço do túmulo, que em outubro de 2012 custava em média R$ 8,75 mil, e em outubro desse ano subiu para R$ 10,8 mil. Outro aumento considerável foi no preço da exumação, que no ano passado custava em média R$ 412,85, e atualmente custa em média R$ 503,75, alta de 22,02%. O valor mínimo da coroa natural aumentou 20,63%, sendo que, no ano passado, custava em média R$ 192,08 e esse ano passou a custar em média R$ 231,71. A pesquisa completa está disponível no site www.mercadomineiro.com.br.

FONTE: Estado de Minas.

Inflação na mesa do bar

Preços de cervejas e tira-gostos servidos nos tradicionais botecos de Belo Horizonte tiveram reajustes bem acima da alta do custo de vida nos últimos meses. Alta da cerveja chega a 15,91%

Preços disparam

Belo Horizonte é conhecida como a capital dos bares, no entanto frequentar estabelecimentos desse tipo está cada vez mais caro na cidade. Pesquisa divulgada ontem pelo site Mercado Mineiro mostra que o preço médio da cerveja Heineken, por exemplo, subiu 15,91% de abril até este mês, passando de R$ 6,35 para R$ 7,36. Ainda de acordo com a pesquisa, o tira-gosto que registrou maior aumento, de 16,77%, foi o contra-filé na chapa ou na brasa: em abril, o preço médio era de R$ 35,59, e atualmente é de

R$ 41,56. Os reajustes foram bem acima da inflação registrada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis (Ipead/UFMG) em BH de janeiro a setembro, de 4,17%. O levantamento foi feito entre 10 e 18 de outubro de 2013, em 62 estabelecimentos tradicionais na cidade.
Na pesquisa do Mercado Mineiro foi verificado que até os valores do prato no festival Comida di Buteco apresentaram aumento de 12,43%, passando de R$ 22,84 para R$25, em poucos meses. A pesquisa revela que todas as marcas de cervejas também apresentaram reajustes acima da inflação. O preço médio da Skol passou de R$ 5,85 para R$ 6,55, com alta de 11,97%. A Brahma não ficou muito atrás e apresentou um aumento de 11,51%, passando de R$ 5,91 para R$ 6,59. O lombo na chapa ou na brasa, opção de tira-gosto tradicional, custava em média R$ 35,26 e agora sai por R$ 39,33, alta de R$ 11,54%.
Com preços mais salgados, o empresário Yuri Salomão conta que as contas passaram a ficar bem mais caras que o de costume, já que ele não abre mão do happy hour com os amigos todas as semanas, entre quarta e sexta-feira. Antes, Yuri gastava em torno de R$ 100 por saída, agora as contas passaram para R$ 150 a R$ 200, com a mesma quantidade de cerveja. “Eu pagava em torno de R$ 6 por garrafa, hoje ela chega a quase R$ 10. O difícil é diminuir a quantidade da bebida e a de idas ao bar. É um lazer”, comenta.
O responsável pelo Bar do Tizé, tradicional no Bairro de Lourdes, Robson Tizé, explica que os preços são estabelecidos de acordo com o custo dos produtos, mão de obra e outras despesas, que implicam no funcionamento do bar. No local, o último reajuste no preço da cerveja foi registrado há cerca de dois meses. A garrafa da Original, antes vendida a R$ 7,20 passou para R$ 8,20, alta de 14%. “Costumamos diminuir a margem de lucro para não ter que repassar ao cliente, mas dessa vez não teve jeito. O último aumento apresentado pela distribuidora foi muito grande”, comenta.
A pesquisa mostra que é bom ficar de olho no preço e pesquisar antes de sentar à mesa de um bar para aproveitar o descanso. A variação de preços entre estabelecimentos chegou a 316,67% como na porção de lombo que pode ser encontrada com entre R$ 18 e R$ 75. O diretor-executivo do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu, recomenda que o consumidor avalie o que é melhor para ele, como a localização, infraestrutura, atendimento e qualidade. “Em alguns casos, o bar que é mais sofisticado tem o mesmo atendimento do mais simples, que tem preços bem mais em conta”, explica.Fique atento Feliciano Abreu ressalta ainda que é importante lembrar que, nos casos dos preços de porções, a quantidade e a qualidade do ingrediente para a produção do prato deve ser verificada com os garçons. Também vale observar o tamanho da porção. O preço de algumas bebidas também deve ser questionado. No caso da caipirinha, por exemplo, a cachaça usada pode indicar o valor impresso no cardápio. Nos bares da cidade, a variação no preço da tradicional bebida foi de 247,50%, com o menor preço de R$ 4 e o maior de R$ 13,90. Já a caipivodka apresentou variação de 180%, uma vez que é vendida entre R$ 5 e R$ 14. Para evitar um peso ainda maior no bolso, Abreu lembra da importância de conferir a conta, uma vez que produtos e serviços que não foram consumidos podem ser inseridos nas comandas.
FONTE: Estado de Minas.

Com ares de superprodução, festas infantis ficam cada vez mais caras

Pais gastam pequenas fortunas, valores que chegam até R$ 200 mil, para realizar aniversários de filhos e filhas. Padrão de qualidade e de gastos é o mesmo de grandes casamentos. Decoradoras montam até 20 comemorações em um único fim de semana

Mabel: 'O cliente quer fazer da festa a realização de um sonho' (Correio Braziliense )
Mabel: “O cliente quer fazer da festa a realização de um sonho”

Esqueça o brigadeiro feito pela tia, o bolo confeitado pela avó, os balões inflados pelo pai e pendurados na parede com linhas e durex. Foi-se o tempo em que os aniversários das crianças eram organizados com improviso e pagos com poucas economias. Festa infantil na capital da República ganhou ar de superprodução, e os orçamentos se aproximam cada vez mais dos casamentos. No lugar do cajuzinho, surgem bombons personalizados com a foto do aniversariante. O tio vestido de palhaço perdeu espaço para shows de dança feitos por profissionais. Até bexigas deixaram de ser usadas. Arranjos de flores nobres, velas e peças de cristal são a ornamentação da vez.

Por trás da festança para mais de 200 convidados, estão pais e mães endinheirados: empresários, servidores públicos do alto escalão e até políticos. Gente que não se importa em pagar entre R$ 100 mil e R$ 200 mil para cantar parabéns para o filho. Só a decoração da festa, o mais caro no orçamento, pode custar até R$ 70 mil. Mas o luxo não para por aí. Os eventos são regados a champanhe e uísque, e os convidados são recebidos por manobristas.

No ano passado, a decoração do aniversário de uma menina de 2 anos custou R$ 68 mil. A pedido da mãe, a empresa desenvolveu um projeto no qual a criança era a princesa da noite. Uma carruagem enfeitava o local e até móveis folheados a ouro completavam a decoração. “Criamos um verdadeiro palácio. A mãe não queria uma princesa da Disney, mas sim que a filha dela fosse a princesa da noite”, conta Mabel Manzi Aucélio, decoradora da festa.

“O cliente ficou mais exigente. Quer fazer da festa a realização de um sonho e eu embarco nele”, conta a empresária, que emprega 50 pessoas e trabalha em cerca de 20 festas por fim de semana. Ela já fez um palácio de R$ 50 mil para um menino chamado Davi (uma alusão ao Rei Davi, personagem bíblico), a floresta encantada dos Smurfs e o fundo do mar para uma garotinha que escolheu o tema A Pequena Sereia para comemorar os 7 anos. “Muitas vezes, nem sei quem são os pais. Nem sempre são políticos e socialites. Faço festas para servidores públicos, empresários, gente que divide o valor em muitas vezes para conseguir pagar”, ressalta Mabel.

FONTE: Estado de Minas.

INFLAÇÃO »Corroído, real vai às compras

Em 10 anos, preços de produtos antes comprados por menos de R$ 1 sobem até 256%, contra inflação de 54,71% no período

Todos os dias, pesquisadores do site Mercado Mineiro visitam supermercados de Belo Horizonte para acompanhar a evolução dos preços de diferentes produtos. Cada um leva consigo R$ 1 e tem a tarefa de comprar qualquer mercadoria vendida até esse valor. “Antes, me traziam diferentes coisas. De uns tempos para cá, recebo, principalmente, sabonetes”, conta, com uma pitada de humor, Feliciano Abreu, diretor-executivo do site. Qualquer dona de casa sabe que a quantia perdeu poder de compra nos últimos anos, mas que ainda é suficiente para a aquisição de alguns itens.
Inflation

O Estado de Minas foi às ruas da capital à procura de produtos com preço máximo de R$ 1. É importante lembrar que o valor, em 1º de julho de 1994, quando o real foi lançado, era suficiente para a compra de um quilo de frango, o que permitiu boa parte da população menos abastada incluir a carne no cardápio. O então presidente da República Fernando Henrique Cardoso aproveitou a força da moeda para eleger a ave um dos símbolos do real. Atualmente, o quilo do alimento é encontrado entre R$ 6 e R$ 9 – aumento de 500% a 800%.

O preço do quilo frango subiu bem acima da inflação na era do real. De julho de 1994 até junho de 2013, no último mês consolidado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação no país acumulou 333,45%. Em Belo Horizonte, o indicador ficou em 337,18% – a inflação oficial do país é medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A comparação de duas pesquisas do site Mercado Mineiro, realizadas com intervalo de 10 anos, mostram que muitos outros produtos que um dia custaram menos de R$ 1 já ultrapassaram esse valor.

Os dois levantamentos foram feitos em agosto de 2003 e neste mês. Em 10 anos, por exemplo, o preço médio de um quilo de sal da marca Cisne subiu 256,72%, de R$ 0,67 para R$ 2,39. O do detergente líquido da marca Limpol (500ml) avançou 44,19%, de R$ 0,86 para R$ 1,24. Já a embalagem de palitos Gina, com 200 unidades, agora custa R$ 1,25 – há 10 anos era negociada a R$ 0,53 (alta de 135,85%). Os preços das cervejas também não ficaram para trás (veja quadro). No mesmo período, a inflação acumulada no país, medida pelo IPCA, ficou em 54,71%.

Por outro lado, a moeda de R$ 1 ainda é suficiente para algumas compras. O preço médio de um macarrão instantâneo da marca Nissin (80 gramas), que custava R$ 0,79 em agosto de 2003, chegou a R$ 0,99. Apesar da alta de 25,32%, o valor continua abaixo de R$ 1. Da mesma forma, o refresco diet de maracujá (11 gramas) é encontrado a R$ 0,90 – aumento de 13,92% em relação ao custo médio da primeira pesquisa (R$ 0,79).

Apesar de os preços médios dos produtos pesquisados pelo Mercado Mineiro terem subido mais de um dígito – tanto os que ultrapassaram R$ 1 quanto os que ainda custam menos que esse valor –, não há dúvidas de que o real é a moeda mais forte da história brasileira. Para se ter ideia, a inflação no acumulado do primeiro semestre chegou a 3,15%, segundo o IBGE.

Antes do real, houve mês em que o dragão fechava em mais de 500%.

“Era comum, do primeiro ao quinto ou sexto dia do mês, as famílias correrem aos supermercados para estocar alimentos. Faziam compras para um ou dois meses, pois havia o receio da disparada dos preços”, recorda o economista Mauro Rochlin, professor na Fundação Getulio Vargas (FGV/IBS). Ele destaca que o controle da inflação é importante para os trabalhadores, “porque preserva o poder de compra”, e para os empresários, “em razão da previsibilidade de investimentos”.

Real

Dinheiro vale mais no Centro

Quem já imaginou comer 15 coxinhas pagando a bagatela de R$ 1? No Centro de Belo Horizonte, é impossível resistir aos seis sabores do produto expostos na loja de salgados na Avenida Augusto de Lima, próximo ao Mercado Central. Com R$ 1 você enche o copo de salgadinhos recheados de calabresa, frango, carne, milho com catupiry e peito de peru. Por dia, são vendidos na pequena lojinha, entre 16 mil e 18 mil salgados. “São cinco meses de portas abertas e 400 quilos de produto vendidos todos os dias. Apostamos em um mercado que deu certo. É uma coisa barata, acessível, que todo mundo pode comprar”, conta o sócio da Coxinha é Tudo, Arlem Rodrigues da Silva.

O que ocorre com as coxinhas se espalha pela ruas do Centro da capital. Em uma volta pelos quarteirões da Avenida Paraná e ruas Tamoios e Curitiba, é possível encontrar muita coisa por menos de R$ 1. Pastéis a R$ 0,90, pão de queijo a R$ 1. Se quiser somar um cafezinho, no entanto, a conta passa para R$ 1,90. Passando pelas quinquilharias, é possível encontrar acessórios para cabelo, como quatro prendedores por R$ 1, brincos, pulseiras e utensílios para casa.

O encarregado Gladison Marçal de Aguiar, por sua vez, reclama da inflação. “Há quatro anos, levávamos tanta coisa para casa com R$ 1! Hoje, a gente só leva coisas sem muita utilidade. Os produtos essenciais estão muito mais caros.”
Na Avenida Paraná, é possível levar para casa cinco calcinhas por R$ 0,99. A gerente da loja conta que o preço é uma estratégia para queimar o estoque. “Elas eram vendidas a R$ 0,99 cada. Estão em promoção. Não temos lucro com isso, mas também não levamos prejuízo, já que ninguém leva só as calcinhas. Sempre levam algo a mais”, explica.

Em outra região da cidade, na Savassi, achar algo que um real possa comprar é bem mais difícil. Para comer um pão de queijo é preciso desembolsar pelo menos R$ 1,50, e o copo de coxinha, que faz sucesso no Centro, também custa 50% mais na região (R$ 1,50). Os acessórios de cabelo que custam R$ 0,25 no Centro, custam R$ 1 cada no bairro. O preço do café é igual nas duas regiões (R$ 0,90) e o refresco, na Savassi, pode ser comprado por apenas R$ 0,70 – contra R$ 1,25 no Centro.

Na Rua Paraíba, na Savassi, a moeda ganha mais valor. Com apenas R$ 1 é possível comprar revistas em quadrinhos e livros em geral. “Se souber procurar, vasculhar, encontra muita coisa boa. Tem pessoas de outras cidades que compram aqui, a R$ 1, e vendem mais caro no interior”, revela o funcionário da livraria, João Paulo Ferreira.

FONTE: Estado de Minas.


Caça às pechinchas »Moda de outlets pega em BH

Segmento aumenta o número de lojas que conquistam a clientela por causa dos preços abaixo da média

Chris Soares e Sophia França oferecem peças diversas a partir de R$ 80 (Beto Magalhães/EM/D.A Press)
Chris Soares e Sophia França oferecem peças diversas a partir de R$ 80
Se buscar peças com desconto já foi sinônimo de constrangimento, hoje não é mais. Tanto que os outlets, antes conhecidos como pontas de estoque, crescem cada vez mais na preferência dos consumidores, que vão atrás de preços 80% menores que os originais e se orgulham de comprar barato. A demanda é tanta que faz com que grandes marcas repensem sua participação no mercado, abram lojas especialmente voltadas para esse público e assim movimentem um comércio de vendas mornas. Em maio, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, as vendas do varejo permaneceram estáveis frente a abril.Funcionando há pouco mais de um ano no segundo piso do Restaurante Trindade, no Bairro de Lourdes, a Lojinha Outlet, das sócias Chris Soares e Sophia França, oferece de biquínis a vestidos de festas, com valores a partir de R$ 80. A presença de marcas sofisticadas por um preço menor que o encontrado nas lojas faz com que as vendas cresçam n 10% ao mês. “A indústria prefere transformar os custos para vender as sobras do estoque com desconto e assim conseguimos repassar com um preço muito menor”, explica Sophia.

De acordo com ela, algumas peças chegam à loja com preço real de R$ 1 mil e são vendidas por R$ 150. “Isso ocorre porque em alguns casos o segmento do vestuário trabalha com uma margem de lucro até 2.500%, o que encarece o produto na loja própria, mas nos permite vender mais barato e ainda conseguir ganhar”, justifica Sophia.

Para a designer e cliente da loja Maria Flávia Zech Coelho, esse é um mercado que deve crescer muito nos próximos anos. A justificativa, segundo ela, é o fato de os brasileiros irem para o exterior, encontrarem preços acessíveis e também buscarem isso onde moram. “Todo mundo procura um preço justo”, diz. No entanto, ela reforça que só sobreviverão as lojas que trabalharem com bom gosto e criatividade. “É preciso se diferenciar porque o mineiro é muito desconfiado. Ele quer desconto, mas também qualidade”, acrescenta.

Desde abril do ano passado, a grife Ave Maria optou por investir em um outlet, que funciona em endereço diferente do da loja. A ideia, segundo o gerente Heleno Fontes, era dar saída ao estoque, que ficava parado no fim de cada coleção, e girar o capital. “O comércio ruim é um dos motivos para o surgimento desse modelo de loja. Hoje, muitas pessoas não abrem mão da marca, do conceito, mas querem pagar menos”, lembra. De acordo com ele, a forma de consumir mudou e pressiona o mercado a mudar. “As pessoas compram peças por US$ 50 fora do país e não aceitam pagar R$ 500 por um produto parecido aqui”, lembra.

Prova do bom desempenho do segmento é que o BH Outlet, inaugurado em 2011, prepara uma expansão do empreendimento, com 100 novas lojas. O gerente Aroldo Soraggi explica que o crescimento da operação ocorre de forma natural em função do bom desempenho das 40 lojas já existentes. “Esse é um novo nicho de mercado, que todos os fabricantes brasileiros estão descobrindo agora e a tendência é que cresça ainda mais nos próximos anos”, estima. De acordo com o Ibope Inteligência, que simula o mercado e prevê as vendas desses empreendimentos, serão inaugurados 30 outlets, no formato de shoppings, no país nos próximos seis anos.

FONTE: Estado de Minas.

ANTES DO CHECK-IN » Preços em Confins levantam voo

Gastos com alimentação no aeroporto são muito maiores na comparação com restaurantes de outros locais. Valores dos aluguéis são justificativa para pão de queijo custar até R$ 4,10

Quem frequenta o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, sabe o quão salgado é o preço da alimentação. Lanchar um pão de queijo com um refrigerante, que custam até R$ 4,10 e R$ 5,30, respectivamente, representa uma despesa de R$ 9,40.

Mas a explicação, segundo lojistas, está no alto custo do aluguel cobrado pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Levantamento feito pelo Estado de Minas mostra que o metro quadrado de uma lanchonete no terminal pode ser até 24 vezes mais alto que o de uma loja frontal em um bairro de luxo de Belo Horizonte. Quando o imóvel considerado é um casa comercial em um bairro classificado como popular, pelo mesmo valor seria possível alugar um espaço 94 vezes maior.

O comparativo considera quatro licitações feitas pela Infraero neste ano para compor o rol de 12 empreendimentos de alimentação e os valores pedidos por imobiliárias, segundo pesquisa feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead/UFMG). A licitação com valores mais exorbitantes refere-se ao espaço de 67,36 metros quadrados para a instalação de uma rede de sanduíche fast food. Pela área, a Infraero vai receber R$ 76 mil durante 84 meses (tempo do contrato assinado em abril). Ou seja, o aluguel do metro quadrado sai a R$ 1.128,26.

Na outra ponta, na locação de uma loja de frente em um bairro de luxo de BH (área e tipo de imóvel mais caros entre os pesquisados pelo Ipead-UFMG) o metro quadrado sai por R$ 45,92. Considerando a mesma área proposta pela Infraero, o aluguel sairia por R$ 3.093 ao mês. Mas, se a preferência for por alugar um imóvel em um bairro popular, é possível achar casas comerciais com o metro quadrado de R$ 11,94. Repetindo a comparação, desta vez o valor mensal da locação sairia por R$ 804,27.

ANALISANDO O ‘CASO’ DO PÃO DE QUEIJO – E SÓ ELE
O preço de custo do pão de queijo DE QUALIDADE é de R$ 0,18 (dezoito centavos) por unidade (congelado), R$ 9,00 por quilo. Se a qualidade for deixada de lado, cai para R$ 0,10 (dez centavos), R$ 5,00 por quilo.
Explicando a questão da qualidade: para baratear o custo muitas fábricas usam na receita fécula de mandioca, essência de queijo (e não o próprio queijo) e ovos de casca mole (rejeitados pelo mercado e adquiridos a preços mais baixos). Na padaria aqui perto, sai por R$ 1,50 cada um, já pronto.

A explicação, segundo o diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Luís Augusto Ildefonso, é que “a velocidade de vendas é absurdamente maior”, devido ao grande fluxo de passageiros e também ao fato de que é quase certo o consumo de boa parte deles, uma vez que são obrigados a chegar com certa antecedência para o voo e a maioria dos terminais são distantes das regiões centrais. É o caso de Confins – terminal mais distante do Centro entre os principais aeroportos do país.

A consequência: à espera de um voo, a professora Ana Paula Montandon de Oliveira não teve escolha e foi obrigada a pagar R$ 20 por uma lata de suco e um croissant recheado com presunto. “É três vezes mais caro que em qualquer lugar. O passageiro sai de casa mais cedo para voar; no avião, a empresa cobra pela comida e ainda é ruim”, diz.

DESEQUILÍBRIO

Segundo a Alshop, que representa lojas como Lacoste e Pizza Hut, até o ano passado a loja do McDonald’s no aeroporto de Guarulhos era a que mais vendia do país. Mesmo assim, acaba que o custo de operação faz com que a receita líquida seja bem menos interessante que as de shoppings. Tanto que em nome dos lojistas a associação já tentou negociar com a Infraero a redução dos custos. “O valor é definido de acordo com o interesse do passageiro naquela loja, mas a Infraero acaba se tornando um ‘importante sócio’ do negócio”, reclama Ildefonso, que classifica o investimento como “brutalmente desfavorável”.

No caso das redes internacionais de fast food, a explicação para a alta de vendas se dá também pelo fato de que elas são obrigadas a manter os preços vigentes em outras lojas. Por outro lado há os lojistas que criam empresas para operar somente nos aeroportos e colocam preços altos para cobrir os custos operacionais. O resultado é que muitos preferem comer sanduíches e pizzas em detrimento de outros alimentos.

Na tentativa de acirrar a concorrência entre os estabelecimentos, e por consequência reduzir os preços de alimentos, a Infraero criou no ano passado um formato de lanchonete popular. As sete primeiras já operam nos aeroportos de Curitiba e Londrina (PR), Recife (PE), Porto Alegre (RS), Natal (RN), Congonhas (SP), Salvador (BA) e Santos Dumont (RJ).

A gerente comercial e de logística de cargas da Superintendência Regional do Sudeste da Infraero, Eliana Marcia dos Santos Abreu, afirma que os valores usados nas licitações são baseados no mercado, considerando o volume de pessoas que circula diariamente no aeroporto. “Por dia, passam 30 mil pessoas por ali. Não dá para comparar com loja de bairro.” Ela diz que os parâmetros são os shoppings, onde, segundo ela, a média de valor para locação varia de R$ 180 a R$ 200 por metro quadrado, levando em conta o fluxo de 35 mil pessoas/dia. Mesmo com movimento menor, a Infraero adota em seus editais a média de R$ 288 – 44% superior à média citada como base. “É bem pé no chão. O mercado que dita a regra”, diz Eliana.

Mas desde o início do ano duas licitações terminaram desertas – de uma cafeteria e do restaurante “popular”. Depois de conversas com o “mercado”, novos editais devem ser publicados ainda este ano com valores novos, menores que os anteriores. Segundo a Infraero, são casos isolados. Como argumento é citado o ágio obtido em uma confeitaria. A pedida inicial era de R$ 12 mil pelo espaço, mas os interessados assinaram contrato pagando R$ 52 mil – 333% a mais.

Por dentro as contas

Por se tratar de um aeroporto com baixo fluxo de voos internacionais, a receita não tarifária (valor que exclui as taxas cobradas de companhias aéreas e passageiros) de Confins fica abaixo da média mundial. Em 2012, 32,6% do faturamento veio de receitas como aluguéis, estacionamento, lojas francas e propagandas, entre outros, totalizando R$ 56,5 milhões, segundo o estudo de concessão disponibilizado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Em contrapartida, a compensação pode ser sentida no setor de alimentos e bebidas.

A média de gasto por passageiro é de US$ 3,42, superior à média mundial de US$ 3,31, segundo a empresa de consultoria norte-americana LeighFisher. No Galeão, onde a frequência de voos para outros países é bem maior, a média é menos que a metade – US$ 1,57.

A categoria alimentos e bebidas é a quarta com maior faturamento em Confins, atrás dos rendimentos com o estacionamento (31,1%), aluguéis (13,9%) e tarifas de combustível (10,7%). No ano passado, o setor rendeu R$ 5,8 milhões à Infraero – o montante não considera o valor pago por bancas de revista, farmácias, tabacarias e outros empreendimentos incluídos na categoria aluguéis. A concessão das operações à iniciativa privada deve aumentar essa participação, com crescimento da gama de serviços.

Diz o texto do relatório de avaliação econômico-financeira disponibilizado pela agência reguladora: “Consideramos que o novo operador do aeroporto desenvolverá concessões de restaurante adicionais e melhorará a variedade de serviços disponíveis nas áreas de embarque”.

A perspectiva traçada estabelece que em 2043 (último ano do contrato de concessão) a receita gerada por alimentos e bebidas será de R$ 67,2 milhões.

Para isso, a Anac cita três fatores a serem considerados: expansão do terminal, o que representa mais áreas disponíveis para locação; implementação de plano abrangente de alimentos e bebidas, e melhoria da seleção de inquilinos e práticas de contratação. A projeção é de certa forma modesta. De 2008 até o ano passado, a receita variou 866%, enquanto em três décadas a expectativa é de 1.058%.

FONTE: Estado de Minas.


Em alta, tomate ganha companhia da vagem, da beterraba e da cebola, que sobem 55,7%, 49,7% e 26% em um mês no atacado

 O vilão-mor é o tomate, cujo preço variou 17,2% na comparação entre fevereiro e março e 139,18% no acumulado de 12 meses, representando principal peso para a cesta básica
O vilão-mor é o tomate, cujo preço variou 17,2% na comparação entre fevereiro e março e 139,18% no acumulado de 12 meses, representando principal peso para a cesta básica

No ano em que a inflação impõe rigorosas dúvidas quanto aos rumos do índice, o dragão senta à mesa de almoço e desafia o governo federal a tirá-lo de lá. Incentivado por problemas climáticos, ele vê os custos de importantes produtos hortigranjeiros dispararem em ritmo acelerado. O vilão-mor é o tomate, cujo preço variou 17,2% na comparação entre fevereiro e março e 139,18% no acumulado de 12 meses, representando principal peso para a cesta básica do belo-horizontino, que, no mês passado, variou 3,35% no varejo, segundo informou ontem o Departamento Intersidical de Estudos e Estatísticas Socioeconomicas (Dieese). No atacado, o preço do tomate subiu 26,4% em um mês. Mas ele não está sozinho. Na lista de vilões do custo de vida entram vagem, beterraba e cebola, que, respectivamente, subiram 55,7%, 49,7% e 26% em apenas um mês no atacado, segundo números da Ceasa Minas.

Nos últimos meses, o entreposto de Contagem tem abastecido de forma contínua o varejo de outros estados (São Paulo, Distrito Federal e Bahia) para suprir as perdas com os danos causados pela chuva. Com isso, o volume ofertado pelos produtores mineiros têm sido insuficiente para abastecer as mesas do estado, o que força a elevação de preços. No mês passado, o tomate, por exemplo, teve queda de 15% da oferta na comparação com o mesmo mês do ano passado. Com isso, o produto ganhou “fama” até mesmo nas redes sociais, onde é comparado a itens de luxo e visto como moeda de troca para compra de carros e joias.

“O período é crítico para esse tipo de hortaliça. O clima tem contribuído bastante”, afirma o coordenador do Setor de Informação de Mercado da Ceasa Minas, Ricardo Martins. Devido ao movimento, o preço dos hortigranjeiros na unidade de Contagem está 40,8% acima do valor de comercialização em março de 2012. E o pior: “São produtos importantes e muito consumidos. O barulho feito é maior”, reitera Martins. A expectativa dele é de que a partir do mês que vem os preços iniciem trajetória de queda, com início da estiagem.

As fortes variações fazem com que consumidores se assustem ao ir às compras. No Mercado Central, produtos que compõem a saladinha de todo dia passam a valer o mesmo que carnes nobres, confirmando as altas registradas no atacado. O quilo do alho é achado por R$ 19,90, assim como o dos pimentões amarelo e vermelho. O quilo da vagem custa R$ 16,90, enquanto o do tomate caqui, R$ 14. A solução é “rebolar” para conseguir substituir. “Está um horror. Tem que tentar trocar. Com família grande, não dá para aguentar. O problema é de quem é vegetariano ou tem colesterol alto, como eu”, relata a aposentada Geralda Carvalho, cautelosa sobre quantos tomates levar.

Inflação O item teve a principal variação no mês passado entre os 13 produtos da cesta básica, o que contribuiu para que BH tivesse a quarta maior alta entre as 18 capitais pesquisadas, com aumento de 3,35% em março e de 24,16% em 12 meses. O crescimento desses itens vai pesar no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que deve ser divulgado amanhã.

No varejo, a consequência tem sido prejuízos e queda nas vendas. Com as chuvas, os produtos têm vindo com qualidade ruim e parte das caixas adquiridas no atacado são descartadas de imediato. “As vendas de alguns produtos diminuíram 40% nos últimos dois meses. As pessoas olham e deixam de levar”, afirma a supervisora da loja Legumes Adriano, do Mercado Central, Rosilane Martins. A estratégia encontrada por ela para atrair a freguesia é em vez de apresentar o preço do quilo se restringir ao valor de bandejas de 250 gramas, como no caso das bandejas de vagem.

FONTE: Estado de Minas.


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