O vereador Wellington Magalhães (PSDC), que estava foragido há quase uma semana após uma operação contra corrupação na Câmara de BH, se entregou na noite desta terça-feira (24). A informação foi confirmada pela assessoria da Polícia Civil, que se limitou a dizer que o parlamentar compareceu a uma delegacia da capital no fim da noite, mas sem detalhar em qual a unidade. De acordo com a corporação, uma coletiva deve ser realizada nesta quarta-feira (25) para dar mais detalhes. O advogado de Magalhães não foi encontrado para falar sobre o assunto.

Vereador por quatro mandatos, ex-presidente da Câmara Municipal e um dos políticos mais influentes no Legislativo de Belo Horizonte, Wellington Gonçalves Magalhães é investigado em 45 inquéritos do Ministério Público mineiro, um deles por tráfico de drogas.

Apenas nos dois processos que deram origem a um pedido de prisão, fruto da operação “Sordium Publicae”, deflagrada na última quarta-feira (18), Magalhães poderá pegar pena de até 118 anos de reclusão pelos crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, contravenção criminosa, peculato, fraude da administração pública e, ainda, corrupção ativa e passiva.

A Justiça autorizou a prisão de oito pessoas (incluindo Magalhães e a esposa, Kelly Magalhães). Conforme o Ministério Público, foram desviados R$ 30 milhões em contratos de publicidade na Câmara.

O assessor de confiança do parlamentar, Rodrigo Dutra de Oliveira, continua foragido. Todos os demais mandados foram efetuados. Os suspeitos tiveram os bens bloqueados.

Ostentação

O vereador tinha como fonte de renda declarada, conforme as investigações, o salário na Câmara, em torno de R$ 10 mil, mas acumulou patrimônio de R$ 4,6 milhões. Entre os bens dele estão uma mansão às margens da Lagoa da Pampulha, orçada em R$ 2,9 milhões, vários carros importados de luxo e imóveis na Região Metropolitana.

Também chamou a atenção do MP o estilo de vida de Magalhães. Ele tinha despesa de R$ 10 mil só com a mensalidade da faculdade das filhas. Segundo o promotor Leonardo Barbabela, somam-se a isso as viagens internacionais e demonstrações de ostentação “com o dinheiro público”.

Entre 2014 e 2016, Magalhães presidiu a Câmara. Nesse período, os investimentos com publicidade saltaram de R$ 10 milhões para R$ 30 milhões, em licitação e contratos que o MP classificou como irregulares com as agências MC.Com/ Feeling e Santo de Casa.

Wellington Gonçalves Magalhães é investigado em 45 inquéritos do Ministério Público mineiro, um deles por tráfico de drogas

Wellington Gonçalves Magalhães é investigado em 45 inquéritos do Ministério Público mineiro, um deles por tráfico de drogas