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Polícia inicia buscas a leão
Rawell, de 9 anos e pesando 300 quilos, foi levado de criadouro no interior de São Paulo. Ex-dono do animal é o principal suspeito

 

São Paulo – A Polícia Civil de São Paulo instaurou ontem um inquérito para apurar o sumiço do leão Rawell, de 9 anos e pesando 300 quilos, de um criadouro em Monte Azul Paulista, a 400 quilômetros da capital, na madrugada de quinta-feira. Segundo o delegado que investiga o caso, Carlos Arnaldo Nicodemos Andrade, o ex-dono do felino é suspeito de ter furtado o animal do Criadouro Conservacionista São Francisco de Assis, espaço que abriga 300 animais, entre espécies silvestres e exóticas. A entidade atua na proteção e recuperação de bichos vítimas de maus-tratos ou abandono.

Rawell foi doado para o criadouro há 5 anos, mas segundo o delegado, o ex-dono do leão, Ary Marcos Borges da Silva, passou a exigir dinheiro e fazer ameaças de levar o animal. A polícia chegou até o nome do suspeito após vizinhos e um ex-funcionário do criadouro terem reconhecido o suspeito como uma das quatro pessoas que invadiram o recinto para pegar o leão. O ex-dono mora em Maringá, a 434 quilômetros de Curitiba.

“Temos aqui o termo de doação do Rawell. O que foi uma doação, virou um desentendimento porque o antigo mantenedor queria receber dinheiro por isso. Na época, ele doou o leão porque disse que precisava se desfazer de alguns animais. Como não recebeu dinheiro, teria ameaçado buscar o leão. O próximo passo é tentar localizar o Ary. Temos uma foto dele e vamos fazer contato com a polícia de Maringá, no Paraná”, disse o delegado.

O leão vivia no criadouro particular com autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O dono do local, o médico Oswaldo Garcia Junior, acredita que o felino foi sedado e arrastado, devido a marcas no chão. A perícia já esteve no local. 

Os vizinhos ouviram um barulho e notaram uma caminhonete, com uma jaula na carroceria, dentro do local. Três homens e uma mulher arrombaram o portão de acesso à propriedade e da jaula para pegar o animal, segundo Oswaldo Garcia Junior. O médico contou que os moradores da região não se deram conta de que seria um crime porque o local constantemente recebe animais em situação de risco. 

“Meus três vizinhos daqui da frente viram, mas eles achavam que fosse um pessoal da Polícia Florestal, do Ibama, que estava trazendo algum animal. Como a gente recebe muito animal abandonado, machucado, eles acharam que estavam trazendo pra cá para que fossem cuidados”, disse. Chateado, o médico afirma que o leão comia cinco quilos de carne por dia e era dócil. “Ele veio maltratado, sem as garras das patas, magro, sem pelos na juba. Quero que devolvam meu bicho para ele ter um fim de vida digno, que a gente queria dar para ele”, comentou o dono do criadouro. O animal não tinha rastreador.

Ary Marcos Borges da Silva ficou conhecido por criar felinos em sua casa, em Maringá. O mais famoso deles foi o leão Ariel, que ficou tetraplégico e sua história foi parar na internet e em programas de televisão. Uma fã criou a página virtual “Ajuda ao leão Ariel”, que teve mais de 15 mil seguidores e arrecadava fundos para custear as despesas no tratamento do leão – que morreu em julho de 2011.

NOTÍCIA RELACIONADA

FONTE: Estado de Minas.


Príncipe desencantado

Advogada que espalhou faixas para procurar paquera virtual reencontra Bonito em chat e ele se diz comprometido e pede desculpas. Com término da paixão, ela decide buscar outro amor

“Estou mais insegura com as pessoas. Acho que é possível achar uma pessoa legal, mas tenho mais medo”, Flávia DeleGata, ex-policial militar

Reza o ditado popular que “quem procura acha”, mas a vida ensina que, nessa empreitada, se pode encontrar até o que não se procura. Na semana passada, DeleGata espalhou faixas em busca de Bonito, um advogado de 34 anos, solteiro, do Bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, que conheceu em um bate-papo da internet (veja mais AQUI!). Oito dias depois, na terça-feira, Flávia Azevedo, advogada mineira de 30 anos, localizou o paquera. Ela recebeu a ligação de um rapaz formado em comércio exterior, comprometido e morador do Bairro Belvedere, na Zona Sul. “Ele havia mentido sobre tudo, inclusive a idade, pois tem 33. Tinha brigado com a namorada e entrou no chat para sair com alguém”, conta.

Flávia DeleGata não encontrou seu amor, mas pelo menos voltou a ter paz: “Estou muito aliviada, parece que tirei um piano das costas”. Desde a semana passada, quando estampou o número de seu celular em quatro faixas, ela não teve mais sossego. Recebeu milhares de mensagens e ligações, de incentivo, de interessados e também trotes, ganhou fama repentina e concedeu entrevistas para todo o Brasil. Ao descobrir que o paquera era uma grande farsa, Flávia se decepcionou e chorou muito. Mas, assim como os escritos na sua camisa, “Je ne regrette rien”, trecho da música de Edith Piaf, não se arrepende de nada.

A ex-policial militar, que agora estuda para concursos, afirma ter certeza absoluta de que o homem com quem conversou na noite de terça-feira era o verdadeiro Bonito. “Ele contou detalhes do nosso bate-papo, confirmando, por exemplo, que me chamou para a Pizzaria Olegário”, detalha. Ao telefone, o ex-pretendente justificou a atitude. “Ele contou que não costuma entrar em chats e havia feito isso porque tinha brigado com a namorada. Me pediu desculpas, disse que estava arrependido e demorou a ligar porque achou que eu ia ficar com raiva”, diz.

Para se retratar, Bonito até disse que colocaria faixas de desculpa pela cidade. “Falei que não precisava”, conta DeleGata, que aos poucos vai se despedindo do apelido usado no chat. Aliás, ela quase não entra mais no bate-papo. Apesar de continuar recebendo ligações de interessados, na semana que vem, vai trocar o número do telefone. Mas, hoje, Flávia ainda aproveitará a fama da própria personagem e pretende ir a uma festa do antigo programa Good Times, que cantou o romantismo nas ondas do rádio. “É uma festa sobre o amor e me convidaram por causa da DeleGata. Mas não vou receber cachê”, diz.

Ao olhar para toda a saga, Flávia prefere ver o que ficou de positivo. “Alcancei meu objetivo, que era encontrar o Bonito. Recebi muitas mensagens de carinho e apoio de pessoas desconhecidas, que me ligam até para desabafar. Mexi com o sentimento de todos, pois, afinal, todo mundo busca um amor, como me disse um tenente-coronel da Força Aérea de Brasília”, conta.

O enredo, porém, também a deixou sob alerta. “Estou mais insegura com as pessoas. Acho que é possível achar uma pessoa legal, mas tenho mais medo”, diz. A parte boa da história é que, ao procurar o Bonito, Flávia também acabou conhecendo um outro rapaz, com quem ainda não teve um encontro “tete-à-tete”. “Ele me liga desde o primeiro dia que espalhei as faixas. Ainda não sei se vou encontrá-lo, mas gostei da insistência dele. Só espero que ele não seja casado”, confessa. Daqui para a frente, é deixar rolar…

FONTE: Estado de Minas.

Chat resiste ao tempoCaso de advogada que se apaixonou na web mostra que os bate-papos mantêm força mesmo com avanço de redes sociais. Especialista compara sistema a “baile de máscaras”

Flávia Ayer

Publicação: 22/09/2013 04:00

Numa manhã, Flávia recebeu 94 ligações: ela espalhou faixas para achar rapaz com quem conversou na web (Ramon Lisboa/EM/D.A Press - 18/9/13)
Numa manhã, Flávia recebeu 94 ligações: ela espalhou faixas para achar rapaz com quem conversou na web

Às 15h30 de sexta-feira, 49 mil pessoas estavam conectadas ao maior bate-papo virtual do país, com capacidade para 375 mil internautas. Escondidas atrás de apelidos, elas falavam de amenidades, escreviam sobre sexo ou até xingavam umas às outras. Na semana passada, DeleGata, advogada de 30 anos que espalhou faixas em Belo Horizonte à procura de Bonito, que ela conheceu no bate-papo, resolveu sair desse mundo virtual. Ao se revelar, Flávia – que prefere não dizer o sobrenome – trouxe à tona o universo dos chats, onde o anonimato fala mais alto, mesmo em tempos de exibicionismo nas redes sociais.

O professor de pós-graduação em linguística da Universidade Federal do Ceará (UFC) Júlio Araújo é autor de tese de doutorado sobre o assunto e diz que a tendência é de crescimento dos chats. “É como se fosse um baile de máscaras, uma grande praça”, diz. Pare ele, os apelidos são proteção e apontam o que os usuários querem. Na sexta-feira, lá estavam piradinha, kasada34, hquersexo em várias salas do bate-papo.

Há salas por cidade, faixa etária, opção sexual. Os interesses variam, com espaços para amantes, sexo e amizade colorida. “As pessoas entram nos chats para trocarem ideias, namorar, buscar informações ou para serem ‘ouvidas’”, diz Araújo. Protegidas por apelidos, não há como diferenciar mentira e verdade, mas revelações acabam ocorrendo. “O lugar de fala assumido pelas pessoas é o da fantasia, mas acabam mostrando desejos e segredos que a sociedade não permitiria”, afirma. “Muitas estão ali para conversar honestamente, mas outros querem realizar fantasias”, acrescenta.

A psicóloga Suzana Veloso Cabral, pesquisadora de mídia, concorda. “Vínculos virtuais são diluídos, sem forma e abrem espaço para encontros, mas são da fantasia, da criação de personagens”, avalia. Para ela, o interesse de boa parte das pessoas em ambientes virtuais está relacionado com as cobranças da sociedade. “As pessoas cobram a viabilização de um encontro amoroso e a inserção nesse  espetáculo do desejo”, opina.

PAIXÃO Focada nos estudos para  concursos, DeleGata entrou no bate-papo para descansar e se divertir com as conversas engraçadas. Trocou mensagens por duas horas com Bonito, advogado, de 34 anos, do Bairro Santo Antônio, em BH. Acabou se apaixonando e iniciou na terça-feira a busca pelo amado, com faixas no bairro estampadas com o próprio telefone. Flávia recebeu uma ligação daquele que parecia ser o Bonito. “Ele foi seco e muito grosso”, contou.

Delegata

Embora tenha estabelecido prazo para terminar a busca pelo verdadeiro Bonito, ela não conseguiu desistir de achar o amado. Anteontem, foram 94 ligações, sós das 7h50 às 12h. Ela já está exausta, mas não abandona o telefone. “E se ele ligar?”, pergunta.

FONTE: Estado de Minas.


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