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Laboratório apresenta primeiro hambúrguer produzido com células-tronco

Iguaria custa mais de R$ 760 mil e foi servida esta segunda-feira, em Londres. Defensores da inovação acreditam que “carne in vitro” atenderá à crescente demanda mundial pelo produto

O cientista neozelandês Mark Post e sua criação - invenção pode solucionar o déficit de carne no mundo (REUTERS/David Parry/pool )
O cientista neozelandês Mark Post e sua criação – invenção pode solucionar o déficit de carne no mundo

O primeiro hambúrguer de carne fabricada em laboratório, a partir de células-tronco bovinas, pesa 142 gramas, custa 250 mil euros (mais de 760 mil reais) e foi servido e saboreado nesta segunda-feira em Londres.

Os criadores da carne apelidada de “Frankenburger” pela imprensa (uma referência ao monstro Frankenstein) esperam que a invenção revolucione a indústria alimentícia, já que alegam que esta pode ser uma estratégia para garantir a sustentabilidade na produção de carnes.

Dois voluntários – a pesquisadora australiana especializada em alimentos Hanni Rutzley e o jornalista gastronômico americano ¬ Josh Schonwald – foram escolhidos para provar o experimento diante da curiosidade de 200 jornalistas em um estúdio de TV decorado como um programa de culinária.

O pedaço de carne de 142 gramas foi preparado por um chef de cozinha britânico com óleo de girassol e manteiga, tendo sido servido em um prato com pão, alface e tomate. As duas cobaias, que ingeriram apenas um terço do hambúrguer, concordaram que a consistência era muito semelhante à da carne, sem valorizarem o sabor abertamente. “Parece com carne”, disse Rutzley depois de sua histórica primeira mordida. “Não é tão suculenta, mas a consistência é perfeita”, acrescentou.

Shonwald disse “sentir falta da gordura”, mas disse que a mordida foi como a de um hambúrguer regular.

O criador do experimento, o cientista neozelandês Mark Post, da Universidade de Maastricht, destacou, por sua vez, que o objetivo da apresentação era “mostrar que podíamos fazer isso, que a tecnologia existe. Mas, para melhorá-la, precisaremos, provavelmente, de 10 a 20 anos, para que o produto chegue ao supermercado”, admitiu.

O professor e sua equipe passaram seis semanas fazendo o hambúrguer a partir de 20 mil pequenas amostras de carne cultivada em laboratório. Os pesquisadores acrescentaram pão ralado, sal e pó de ovo, além de suco de beterraba e enxofre para ajudar na cor.

Para os defensores do estudo, a produção de carne in vitro vai atender à crescente demanda pelo produto no mundo, especialmente nos países emergentes, garantindo o bem-estar dos animais sem provocar estragos ao meio ambiente.

De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), a produção mundial de carne vai duplicar em 50 anos, de 229 milhões de toneladas em 1999-2000 para 465 milhões de toneladas em 2050, com a consequente pressão sobre os recursos naturais.

“Atualmente nós empregamos 70% das nossas capacidades agrícolas na produção de carne. É fácil entender que é preciso encontrar alternativas”, destacou o Post, que defende que a produção de carne em laboratório também irá reduzir as emissões de gases do efeito estufa gerados pelo gado.

Ciente do ceticismo que o projeto causará, o co-fundador do Google, Sergey Brin, principal fonte de financiamento do projeto, disse em um vídeo de apoio que a técnica pode “transformar” o mundo.

De acordo com ele, a humanidade tem três opções: “que todos nós nos tornemos vegetarianos”, “ignorar” essas questões e suas consequências ou “fazer algo novo”. “Algumas pessoas acreditam que isso é ficção científica, não é real. (…) Na verdade, eu acho que isso é bom”, disse Brin através de um vídeo transmitido no início do evento. “Estamos tentando criar a primeira carne de hambúrguer de laboratório. Estou otimista de que podemos realmente avançar bastante”.

Mas a produção de carne em laboratório, técnica estudada por centenas de pessoas ao redor do mundo, especialmente na Holanda e nos Estados Unidos, ainda está em sua infância. “No futuro, talvez possamos reproduzir todos os cortes de um animal, mas ainda estamos longe”, explicou Post.

FONTE: Estado de Minas.


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