Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Em BH, via prevista para Copa deve ficar pronta no ano das Olimpíadas

Corredor que ligará duas regiões foi retirado da matriz de responsabilidades.
Um ano após Mundial, veja como está a situação de obras na cidade.

 

Depois de ser retirada da matriz da Copa, obras da Via 710 devem ser concluídas em 2016 (Foto: Raquel Freitas/G1)
Depois de ser retirada da matriz da Copa, obras da Via 710 devem ser concluídas em 2016

Inicialmente prevista para a Copa do Mundo de 2014, uma das obras de mobilidade de Belo Horizonte só deve ficar pronta no ano que vem, quando o país sedia outro evento esportivo de relevância mundial: as Olimpíadas. A Via 710 será uma ligação entre as regiões Nordeste e Leste da capital mineira, fazendo com que os motoristas não precisem passar pelo Centro. Casas em diversos bairros foram ou serão demolidas para dar um lugar ao corredor – e também à insatisfação de moradores que se viram obrigados a deixar o local.

Cerca de sete meses antes do Mundial, a Prefeitura de Belo Horizonte reconheceu que a via não ficaria pronta a tempo da competição, retirando o empreendimento da matriz de responsabilidades da Copa. Inicialmente, o documento previa que a obra seria concluída em julho de 2012.

A Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura alega que processos judiciais de desapropriação estão entre os motivos para que a obra, orçada em cerca de R$ 70 milhões, fosse descartada para 2014. A pasta ainda informou que a “resolução das questões de interferências com as concessionárias e as adequações necessárias aos projetos” também foram fatores determinantes para o adiamento.

Bairros como o União passam pelas obras da Via 710, que ligará as regiões Nordeste e Leste de BH (Foto: Raquel Freitas/G1)
Bairros como o União passam pelas obras da Via 710, que ligará as regiões Nordeste e Leste de BH

A ordem de serviço para implantação da Via 710 foi assinada pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) cerca de dois meses após o fim da Copa, e, segundo a secretaria, os trabalhos devem ser concluídos no primeiro semestre de 2016. Hoje, casas demolidas e máquinas pelos bairros como Fernão Dias e União, na Região Nordeste, são sinais de que o corredor começa a tomar forma. Mas quase três anos depois do prazo de conclusão que consta na matriz, o processo de desapropriação ainda se arrasta.

Muitos moradores reclamam da quantia paga pelo poder público para que deixem seus imóveis e questionam o valor na Justiça. Este é o caso da doceira Maria da Conceição Rocha Xavier, de 58 anos – 39 deles vividos na mesma casa, localizada na região do bairro União. “’Eu só saio daqui quando eu morrer’. Era isso que eu pensava”, desabafa. Mas, o imóvel, já quase sem mobiliário, está prestes a ser desocupado. Assim como a casa dela, a rua e o entorno estão se esvaziando.

Maria da Conceição moveu um processo judicial porque não concordava com a indenização oferecida pela prefeitura. Depois de uma vistoria feita por um perito particular, ela pediu um valor cerca de 55% maior do que o inicial. Ela conta que, depois de cerca de dois anos, houve acordo, mas a quantia ainda é menor do que considera justo – para ela, o prejuízo é de cerca de R$ 240 mil.

Cunhadas Maria da Conceição e Nanci não concordaram com valor oferecido pelas casas delas, no bairro União; elas também reclamam que direitos de quem paga IPTU não está sendo respeitado (Foto: Raquel Freitas/G1)
Cunhadas Maria da Conceição e Nanci não concordaram com valor oferecido pelas casas delas, no bairro União; elas também reclamam que direitos de quem paga IPTU não está sendo respeitado

A cunhada e vizinha de Maria da Conceição, Nanci Santos Xavier da Silva, de 63 anos, também passa por esse impasse. Elas afirmam que não são “contra o progresso” que deve ser trazido pela obra, mas criticam a maneira como a questão dos moradores tem sido tratada.

Nanci também discordou do valor da indenização da prefeitura e aguarda uma contraproposta. Enquanto isso, a dona de casa tem que lidar com inúmeros transtornos que agora surgiram no local em que mora há cerca de 45 anos. “A poeira come solta aqui no bairro. Está tudo de cheio entulho e lixo”, reclama.

Por causa das demolições, moradores dizem que problemas como falta de segurança aumentaram na região (Foto: Raquel Freitas/G1)
Por causa das demolições, moradores dizem que problemas como falta de segurança aumentaram

Perto da casa das cunhadas, segundo a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, “grandes focos de impasse nas remoções são as áreas localizadas na Rua Arthur de Sá, Bairro União, na chamada Vila Arthur de Sá”.

Moradora desta rua há mais de duas décadas, a vendedora Amanda Martins, de 28 anos, diz que fica bastante apreensiva com a possibilidade de ter que deixar a casa em que vive com os pais. “Até agora não sabemos se vamos precisar sair. No começo, minha mãe até chegou a ficar com depressão”, diz. Ela relata que muitos vizinhos saíram de lá e foram realocados em apartamentos em bairros próximos. Amanda acredita que a obra “tem tudo para melhorar” o trânsito na região, mas reclama de constantes mudanças no planejamento da prefeitura. “Não ficaria surpresa se tivesse que sair daqui e também não ficaria surpresa que, no dia de sair, eles dissessem que não precisaria mais”, afirma.

Conforme a secretaria, os imóveis considerados de prioridade 1 e 2, a exceção de quatro deles, já foram liberados. Porém, a maioria das casas classificadas como prioridade 3 e 4 está ainda em fase de perícia, informou a pasta.

Avenida Pedro I ainda não foi concluída (Foto: Raquel Freitas/G1)
Obras da Av. Pedro I ainda não foram concluídas

Um viaduto no meio do caminho
Além da Via 710, outras sete obras de mobilidade estavam previstas para Copa. Seis delas foram concluídas e uma segue inacabada: o BRT Antônio Carlos/Pedro I. Levando em conta a matriz de responsabilidades, o atraso deste empreendimento já é de mais dois anos e meio.

Como o G1 noticiou às vésperas da Copa, o cenário da Avenida Pedro I – trajeto entre o aeroporto internacional em Confins e o estádio Mineirão – era de operários e máquinas na pista. Durante o Mundial, no dia 3 de julho, o Viaduto Guarapes, que ainda estava em construção, caiu sobre a avenida. Duas pessoas morreram e 23 ficaram feridas.

No início de maio, a polícia concluiu o inquérito e indiciou 19 pessoas pelos crimes de homicídio, tentativa de homicídio e desabamento. Entre os indiciados, estão o ex-secretário Municipal de Obras e Infraestrutura e então superintendente interino da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), José Lauro Nogueira Terror, funcionários da prefeitura, além de pessoas ligadas às empresas responsáveis pelo projeto e pela execução da obra.

Entretanto, a Promotoria entendeu que não houve crime de homicídio, mas de desabamento qualificado por mortes e lesões corporais. Além das investigações criminais, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apura suspeitas de irregularidades nas obras do BRT, como superfaturamento.

Deste ponto da avenida, era possível ver as alças de dois viadutos (Foto: Raquel Freitas/G1)
Deste ponto da avenida, era possível ver as alças de dois viadutos. Hoje, quem passa por lá, enxerga somente um elevado e a calçada inacabada

 

Nas calçadas ainda por serem finalizadas, o piso solto e vergalhões são obstáculos para pedestres. Segundo a Secretaria Municipal de Obras e de Infraestrutura, estão em curso as obras complementares e de paisagismo, e a previsão é que sejam finalizadas no segundo semestre deste ano. O corredor do BRT – chamado de Move em Belo Horizonte – está em pleno funcionamento.

Além da Avenida Pedro I, a Estação Pampulha não foi completamente concluída. O muro de contenção, em obras, fica próximo ao Viaduto Gil Nogueira, que precisou ser bloqueado neste ano para a reparação de um desnível. O muro também chegou a ser interditado pela Defesa Civil no início do mês passado, pois a chuva teria provocado a movimentação da terra na base da estrutura. Segundo a Sudecap, a situação foi normalizada e não oferece risco.

Obras do lado de fora da Estação Pampulha causam transtornos um ano após inauguração do terminal (Foto: Raquel Freitas/G1)
Obras do lado de fora da Estação Pampulha causam transtornos um ano após inauguração do terminal

De acordo com a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, a estação está em fase de “pequenos acabamentos” nas obras do prédio anexo de apoio da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) e do restaurante panorâmico. A pasta informou que a finalização dos trabalhos deve ocorrer ainda neste semestre, que está prestes a terminar.

Segundo apurou o G1, todas as outras seis obras entregues antes do Mundial sofreram atrasos. Em nota, a prefeitura alegou que “entregou 96% das obras previstas para a Copa do Mundo de 2014 dentro do prazo. 4% precisaram ser reprogramadas em virtude de processos judiciais de desapropriação”. Entretanto, essa afirmação da administração municipal desconsidera as datas para a entrega dos empreendimentos, previstas na matriz de responsabilidades, documento que está disponível no portal “Transparência Copa 2014”, mantido pela própria prefeitura, e ainda no “Portal da Copa”, do governo federal.

Mineirão
Este documento também previa as obras do Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, que foram finalizadas em dezembro de 2012, dentro do prazo. A reabertura ao público ocorreu em fevereiro de 2013.

Estádio Mineirão, em Belo Horizonte (Foto: Reprodução / TV Globo)
Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, recebeu jogos da Copa e sediará partidas das Olimpíadas

Cerca de dois meses depois, o Ministério Público de Minas Gerais chegou a pedir a suspensão de eventos no estádio por causa de problemas de acessibilidade. De acordo com a assessoria do MPMG, diante de acordo, a ação civil pública, movida pela Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência e Idosos, foi extinta em junho do ano passado.

Na Copa, o estádio sediou seis jogos, com média de público, segundo a Minas Arena, de 57.558 pessoas. Ao todo, em 2014, o estádio recebeu cerca de 3,7 jogos por mês, com público médio de 32.470. A renda, excluindo os jogos do Mundial, ultrapassou os R$ R$ 61 milhões, e a média de público chegou a 28.509. Além das partidas de futebol, no ano passado, o “Gigante da Pampulha” foi palco para três festivais de música e um evento de carros.

Em 2016, belo-horizontinos e turistas poderão assistir a jogos das Olimpíadas no estádio e, segundo as previsões da prefeitura, também poderão usar um novo corredor de tráfego, a 710. A doceira Maria da Conceição, que diz ter presenciado diversas mudanças de planos em relação à Via 710, está incrédula quando a segunda possibilidade. “Talvez 2017”, critica.

FONTE: G1.


Governo quebra a vitrine da educação
Bandeira na campanha de Dilma à reeleição, o Pronatec empacou. Gastos com o programa de acesso ao ensino técnico até maio não chegaram nem a 8% do total investido em 2014.
Em campanha, Dilma visitou escola em Minas e gravou cenas com promessas de expansão do Pronatec</p>
<p> (Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press- 20/8/14)
Em campanha, Dilma visitou escola em Minas e gravou cenas com promessas de expansão do Pronatec

Presença constante nas peças publicitárias da presidente Dilma Rousseff (PT) durante a campanha à reeleição, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) passou os cinco primeiros meses deste ano em ritmo lento. E nada indica que a situação vá mudar. Até o fim de maio, o montante aplicado no programa em todo o país foi de R$ 208,7 milhões, valor que representa apenas 7,4% do que foi gasto ao longo de 2014, quando o governo investiu R$ 2,8 bilhões na vitrine da educação do primeiro mandato da petista. A média mensal neste ano está em R$ 41,7 milhões, contra os R$ 233,4 milhões registrados no ano das eleições. O Ministério da Educação (MEC) admitiu cortes nos repasses. Segundo nota divulgada pela pasta, “as ofertas de vagas ainda serão definidas, mas, quantitativamente, serão em número inferior ao do ano passado”.
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Para as escolas de Belo Horizonte que oferecem cursos cadastrados no programa, os repasses até agora foram de R$ 1,3 milhão, valor bem distante dos R$ 6 milhões gastos no ano passado. Já em Contagem, que em 2014 recebeu R$ 4,5 milhões, nenhum pagamento foi registrado até agora. De acordo como a assessoria do MEC, as definições das vagas disponíveis para cursos do Pronatec este ano devem ocorrer nos próximos meses, mas ainda não há uma data marcada. Instituições que participam do programa informaram que neste ano ainda não foram feitas novas matrículas e que caberá ao MEC definir o número de vagas e cursos disponíveis.
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Até o fim do ano passado, cerca de 8 milhões de estudantes participaram do Pronatec, números que fizeram com que o acesso ao ensino técnico se tornasse a principal bandeira de campanha à reeleição de Dilma na área da educação.
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Propaganda Na véspera da largada oficial da campanha, a presidente anunciou a segunda etapa do programa, que disponibilizaria mais 12 milhões de vagas. “O Pronatec não para de crescer. Conhecemos a demanda e temos a clareza da importância dessa próxima etapa. É uma das questões mais importantes a serem resolvidas nos próximos anos. Por isso defendemos uma segunda etapa do Pronatec, que oferecerá 12 milhões de vagas, em 220 cursos técnicos e 646 cursos de qualificação a partir de 2015”, prometeu a petista, em junho do ano passado.
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Porém, as promessas de expansão feitas para o segundo mandato estão longe de se confirmar. Ao contrário, o dinheiro começou a sumir ainda em outubro – quando terminou a corrida eleitoral que deu a Dilma mais quatro anos no comando do Executivo –, com atrasos nos pagamentos às escolas privadas por aulas referentes ao segundo semestre de 2014. Nos primeiros meses do segundo mandato da petista, o programa tem sofrido com os cortes de repasses.
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Os efeitos da tesourada já são sentidos no Sistema de Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica (Sisutec), que serve como base para o Pronatec. O Sisutec seleciona para o ensino técnico estudantes que concluíram o nível médio, com base nas notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e já passou por adiamentos no início do ano. O MEC não prevê seleções por meio do Sisutec para este semestre. No ano passado, o programa ofereceu cerca de 580 mil vagas.
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As reduções são reflexo dos ajustes determinados pela equipe econômica  de Dilma na tentativa de estabilizar as contas do governo. O Ministério da Educação sofreu um corte R$ 9,4 bilhões em seu orçamento anual e outros programas deverão perder investimentos. Entre eles, o Ciências sem Fronteiras, que proporciona bolsas de estudos para universitários e pós-graduandos no exterior. “Para se adequar aos ajustes, o MEC vai priorizar atividades como a construção de creches. O ministério também atua no sentido de garantir os recursos de custeio necessários para o funcionamento das universidades e institutos”, diz a nota da pasta.
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Saiba mais
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Formação profissional

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O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego foi criado no final de 2011, com objetivo de aumentar o número de vagas para cursos de formação profissional. Financiados pelo governo, os cursos são ofertados pela rede federal de educação profissional e pelas instituições de ensino do Sistema S, como o Senai, Senat, Senac e Senar. Desde 2013, escolas privadas também passaram a ofertar vagas dentro do programa. A público-alvo do Pronatec são estudantes do ensino médio da rede pública, inclusive da educação de adultos, além dos beneficiários de programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família, e estudantes que já concluíram o ensino médio em escolas públicas ou em instituições privadas na condição de bolsista integral.

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FONTE: Estado de Minas.


Só 8% do valor prometido para metrô de BH será liberado em 2015

metrô

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Do total de R$ 1,75 bilhão prometido pelo governo federal para as obras do metrô em Belo Horizonte, apenas R$ 150 milhões – cerca de 8% do valor total – devem ser liberados ainda neste ano ao governo de Minas. O anúncio foi feito ontem após um encontro do ministro das Cidades, Gilberto Kassab, com o governador Fernando Pimentel e o prefeito Marcio Lacerda.
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A demora no repasse dos recursos se deve a uma série de cortes orçamentários anunciados pela União na semana passada. No entanto, informou o ministro, a quantia entregue em 2015 será suficiente para investir nos projetos básico e executivo do trem. “Eles já estão prontos, mas podem ser aperfeiçoados”.
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Kassab afirmou que a escassez de recursos não deve alterar o novo cronograma da obra. “O valor que ficou retido em um ano pode ser compensado em outro”. No entanto, nem ele nem nenhuma autoridade arriscou a dizer a data para início ou fim das intervenções. Ele destacou que, se preciso, a União está disposta a ampliar a verba destinada ao metrô para R$ 5 bilhões – a origem desse adendo não foi esclarecida.
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MUDANÇA NOS PLANOS
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Até então, o projeto para o metrô começaria com a modernização e ampliação da Linha 1, até o Novo Eldorado, em Contagem, na Grande BH. A previsão inicial de entrega é para este ano. As linhas 2 (Barreiro) e 3 (subterrânea até a Savassi), seriam feitas simultaneamente até 2017. Agora, a prioridade do governo será com os dois primeiros ramais. “Não descartamos a Linha 3, mas só conversaremos sobre ela quando concluirmos as outras”.

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FONTE: Hoje Em Dia.


SUFOCO NA EDUCAÇÃO
Sem verba federal, Pronatec para

No Coltec, da UFMG, parte dos professores suspendeu aulas após meses sem salário (Beto Novaes/EM/D.A Press %u2013 15/4/10)

No Coltec, da UFMG, parte dos professores suspendeu aulas após meses sem salário

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O segundo adiamento para o começo das aulas do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) deixa alunos e professores com incertezas em relação à continuidade da formação. Em março, o início estava previsto para 7 de maio, data que foi adiada para 17 de junho e agora passou para 27 de julho, diante da alegação do Ministério da Educação (MEC) de problemas no orçamento. Em algumas instituições que executam o programa, como o Colégio Técnico da Universidade Federal de Minas Gerais (Coltec/UFMG), parte dos professores suspendeu as aulas, desde 6 de abril, depois de meses sem receber. Diante das inúmeras mudanças no cronograma os alunos, prestes a se formar, temem pelo futuro.
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Com adiamento em quase três meses em relação ao primeiro prazo anunciado, os professores das instituições queixam-se da quebra no processo pedagógico. Os repasses às instituições que executam os cursos do Pronatec estão atrasados desde o início do ano, conforme reconhece o próprio MEC. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, há ainda parcelas de repasses de janeiro pendentes. O adiamento do início das aulas também está relacionado à falta de recursos. O ministério informou que a “alteração de cronograma se justifica pelos procedimentos decorrentes da aprovação do orçamento federal”. Argumentou ainda que a mudança atende ao pedido de várias instituições de ensino e que “o calendário foi ajustado de maneira a compatibilizá-lo com o calendário acadêmico das instituições”.
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O adiamento do início das aulas não deve afetar somente a rotina das turmas ingressantes no Pronatec, mas preocupa também quem já é veterano. Aluna do curso de logística do Coltec/UFMG, Alessandra Araujo Ferreira, de 29 anos, queixa-se do prejuízo que o atraso dos repasses federais tem ocasionado à sua formação. Ela teme não conseguir concluir o curso, cujo término estava previsto para maio. “Corremos o risco de não receber o tão sonhado diploma, depois de tanto tempo de dedicação e estudo. Estamos sem aulas e nossos professores – depois de suportar tantos meses trabalhando sem seus pagamentos, tirando dinheiro do próprio bolso para o deslocamento – decidiram entrar em greve, mais que justamente”, disse. Alessandra explica que, mesmo sem receber desde o ano passado, os professores continuaram a lecionar, mas desde a semana passada a situação ficou insustentável, uma vez que não havia nenhuma informação sobre quando a verba seria repassada..
A estudante também reclama de falta de resposta da reitoria da UFMG em relação à continuidade do curso. “A reitoria diz que é uma questão do Pronatec, que deve ser resolvida em Brasília. Então, fica um jogo de empurra. Não sabemos quando e nem se vamos nos formar”, diz. Também foram suspensos outros cursos, como o de edificações. “Muitos alunos compraram material caro, mas eles simplesmente cancelaram o curso”, relatou a jovem.

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A UFMG confirmou, pela assessoria de imprensa, que alguns professores não estão mais dando aula, mas a instituição ainda não tem o balanço de quantos cruzaram os braços. Por causa disso, há cursos total e parcialmente suspensos.
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CRONOGRAMA

O Ministério da Educação informou que retificará o edital com as datas do Sistema de Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica (Sisutec). Ainda segundo o ministério, o resultado preliminar das vagas aprovadas será divulgado em 18 de maio. O resultado final das bolsas será divulgado em 19 de junho. Os candidatos podem fazer a inscrição no processo de 22 a 26 de junho. No dia 30, sairá o resultado da primeira chamada. Os selecionados devem fazer a matrícula entre 1º e 3 de julho. A segunda chamada terá o resultado publicado em 7 de julho, com matrícula de 8 a 10 do mesmo mês. As inscrições on-line para as vagas remanescentes devem ser feitas de 13 a 26 de julho.

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FONTE: Estado de Minas.


ATENÇÃO, PETISTAS, NÃO SAIU NA VEJA: saiu na CARTA CAPITAL…
Medidas do governo atingem os trabalhadores mais vulneráveis

Volkswagen

Uma passeata contra as demissões na Volkswagen e na MErces reuniu 20 mil trabalhadores em São Bernardo do Campo

Foi uma punhalada nas costas”, resumiu Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores, ao se referir às Medidas Provisórias 664 e 665, de redução de direitos trabalhistas e proteção social editadas pelo governo Dilma Rousseff no fim de dezembro. As decisões dificultam o acesso ao seguro-desemprego, ao abono salarial, à pensão por morte, ao auxílio-doença e ao seguro-defeso pago aos pescadores no período de proibição da sua atividade. A justificativa é combater fraudes e cortar 18 bilhões de reais nas despesas da União, parte do ajuste fiscal de, no mínimo, 60 bilhões definido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para atingir um superávit primário de 1,2% do PIB.

O anúncio do pacote em meio à demissão de 800 trabalhadores na Volkswagen e 244 na Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, no período tradicional de férias dos sindicatos, chocou também pela mudança brusca da postura do governo. O diálogo com as centrais, iniciado há 12 anos durante o primeiro mandato de Lula, diminuiu desde 2010, com a posse da sua sucessora, mas a consulta prévia em relação a medidas de interesse dos trabalhadores se mantinha, com altos e baixos. “Depois da vitória nas eleições, a presidenta e o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, nos receberam muito bem e se comprometeram a convocar novamente os dirigentes se houvesse novidades. A surpresa surgiu no dia 29, quando o ministro nos chamou, não para discutir ou ouvir, mas para anunciar o pacote. Não dá para entender”, diz Patah. Na campanha, a presidenta prometeu não mexer nos direitos trabalhistas “nem que a vaca tussa”.

“O pacote corrige muito pouco as fraudes e os desvios e atinge em cheio os mais frágeis. Dificulta o acesso aos benefícios principalmente para os mais jovens, menos especializados e pior remunerados, mais sujeitos à rotatividade”, afirma Carmem Foro, presidente em exercício da Central Única dos Trabalhadores. Um dos dispositivos aumentará, a partir de março, de 6 para 18 meses o tempo mínimo de emprego necessário para solicitar o seguro.  Entre 40% e 50% dos trabalhadores formais (49 milhões de indivíduos) são demitidos depois de seis meses a um ano de serviço e não terão acesso ao benefício, calcula a CUT. A eliminação do abono salarial prejudica os 23 milhões de remunerados com no máximo dois salários mínimos. O aumento do rigor na concessão do seguro-defeso afeta boa parte dos 600 mil pescadores artesanais do País.

A maior parte das fraudes é de simulações das condições exigidas para a aquisição de direitos. “Ninguém defende fraude, mas o seu combate deve ser por meio da definição dos benefícios e da fiscalização, não um corte geral que contraria as ações do governo para melhorar a distribuição de renda e reduzir a desigualdade”, argumenta José Prado de Oliveira Silvestre, coordenador de relações sindicais do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.  “O governo obteria resultados muito mais expressivos se tributasse fortunas, aumentasse o imposto das instituições financeiras e eliminasse o rentismo, beneficiado por transferências de recursos equivalentes a 40% do orçamento.”

As decisões e a mudança de atitude do governo provocaram o repúdio das centrais e a sua união em uma jornada nacional de luta, no próximo dia 28, e uma marcha em Brasília, em 26 de fevereiro. Dias depois da reunião convocada por Mercadante, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, declarou a intenção de modificar a fórmula de reajuste do salário mínimo. Por ordem da presidenta, recuou. “Seria uma aberração. A política do salário mínimo, recebido por 40 milhões de famílias, foi a principal sustentação das mudanças desde 2002”, diz Adilson Araújo, presidente da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil.

Levy contestou a definição das medidas como um “pacote de maldades”. Independentemente da sua denominação, elas sucedem a um “pacote de bondades” em benefício do setor patronal, com desonerações e redução de tributos, em troca do compromisso de manter o emprego, não respeitado pelas montadoras. Ao atingir os trabalhadores, as decisões enfraquecem o mercado consumidor. “O movimento sindical teve um papel importante, mais do que na eleição de Dilma, no projeto iniciado por Lula”, lembra Araújo.

As demissões não se restringem às fábricas de veículos de São Paulo, que se dizem dispostas a discutir a decisão. No Paraná, os sindicatos temem cortes na Renault e na Case New Holland. Cada emprego em montadora representa 18 postos de trabalho indiretos em outras indústrias, alerta Miguel Torres, presidente da Força Sindical. A UGT receia as consequências das dispensas no setor de revenda de veículos, com 18 mil concessionárias e 95 mil empregados.

Está marcada para a segunda-feira 19 uma reunião das centrais sindicais com Barbosa e os ministros Miguel Rossetto, da Secretaria-Geral da Presidência, e Manoel Dias, do Trabalho. Além de CUT, UGT e CTB, participarão a Força Sindical, a Central dos Sindicatos Brasileiros e a Nova Central Sindical de Trabalhadores. Os direitos foram mantidos, diz Rossetto, mas o governo conversará com os dirigentes. Será uma oportunidade de desfazer a percepção de que o ajuste fiscal seletivo significa uma opção por prejudicar os mais indefesos.

*Reportagem publicada originalmente na edição 833 de CartaCapital com o título “Punhalada fiscal”

FONTE: Carta Capital.


Depois de vender a “Chave do Céu”, Igreja Universal é condenada a devolver mais de R$ 50 mil a fiel com

deficiência mental

O desembargador Fernando Botelho da 13ª Câmara Cível do TJ de Minas Gerais, condenou a Igreja Universal do Reino de Deus a devolver mais de R$ 50 mil, e indenizar em R$ 5 mil por danos morais o fiel Edson Luiz de Melo.

A ação foi movida pela mãe de Edson Luiz, que é portador de deficiência mental, e frequentava a Igreja Universal desde 1996.
O advogado Walter Soares Oliveira, que representa Edson Luiz, alega que seu cliente era induzido a fazer as doações, chegando a doar todo o seu salário. Quando afastado do trabalho devido o agravamento de sua doença, Edson Luiz emitiu vários cheques pré-datados para fins de doação à igreja, fez empréstimos em um banco e vendeu um terreno para manter as doações a Igreja.
De acordo com o advogado, a Igreja Universal teria feito “promessas extraordinárias” em troca de doações, chegando a vender a “Chave do Céu”, e um “diploma de dizimista”, assinado por ninguém mais, ninguém menos, que Jesus Cristo.
O caso aconteceu em Belo Horizonte. Veja o vídeo:

Da decisão ainda cabe recurso.
FONTE: Salve Alagoas e Jornal da Alterosa.

Dilma grava programa eleitoral em obra atrasada

Obra atrasada, funcionários pagos para posar com a Dilma, imagens editadas, prazos descumpridos… Mas “ninguém” vê…
Dilma

A presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, fez gravações para seu programa eleitoral na televisão, nesta sexta-feira (8), em uma obra atrasada da ponte da Ferrovia Norte Sul sobre o Rio Grande, em Iturama, na divisa dos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Pelo cronograma inicial divulgado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a obra deveria estar concluída em julho deste ano.

Das 12 pilastras previstas, apenas cinco foram parcialmente construídas. Nas últimas semanas, os trabalhos foram acelerados para receber a visitante. O encarregado das obras informou que até março de 2015 a ponte estará pronta. Um engenheiro do consórcio que realiza as obras, no entanto, disse que nem esse prazo será cumprido porque a ponte é construída sobre uma rocha de difícil perfuração.

Onze funcionários do consórcio TIISA foram cedidos para compor as imagens com a candidata. As cenas mostravam as obras e um trecho menos seco do Rio Grande, principal gerador de energia para a Região Sudeste. O rio está oito metros abaixo do nível normal e o leito expõe troncos que estavam encobertos pelas águas. Não foi informado quando as cenas para a propaganda na TV serão exibidas.

Os operários tinham feito um ensaio prévio, que durou cerca de 20 minutos. Dilma conversou com os técnicos sobre as obras. A ponte, no km 603 da ferrovia, tem 498 metros de extensão e vai ligar Iturama a Ouro Verde, no Estado de São Paulo – a ferrovia seguirá até Estrela D’Oeste. Dilma posou para fotos com prefeitos e não conversou com os jornalistas.

FONTE: Hoje Em Dia.


Pedir dinheiro aos fiéis é permitido por lei? Entenda as implicações legais, teológicas e éticas que envolvem o apelo financeiro de algumas instituições

 

 

Igreja cobra R$ 12.000,00 para curar hipertensão

“Ele diz que tem como abrir o portão do céu, ele promete a salvação, mas não rasga dinheiro, não. Promete mansão no paraíso contanto que você pague primeiro, dê sua doação e entre no céu”. Os trechos são da música “Guerra Santa”, de Gilberto Gil, escrita em uma época em que as chamadas igrejas renovadas começavam a se popularizar no país.

No discurso, elas pregam o sacrifício por meio de doações em dinheiro. A recompensa é salvar os fiéis de qualquer mal, desde uma dor de cabeça até doenças mais graves, como o câncer. Foi por isso que o aposentado César Glicério da Silva, de 41 anos, procurou a Igreja Cruzada Profética do Pai das Luzes. Ele queria se curar da hipertensão e, para isso, gastou R$ 12 mil com doações e compras de produtos.

Após um ano frequentando o templo no centro de Belo Horizonte, ele não se curou da doença e agora luta, na Justiça, para reaver o dinheiro que gastou e que o faz penar com dívidas acumuladas em 60 prestações feitas em diversos bancos.

VEJA TAMBÉM: PASTOR JOSIVALDO E A GATUNAGEM EXPLÍCITA!

VEJA TAMBÉM: A ‘FOME’ DO DÍZIMO – DINHEIRO ATÉ DO TRÁFICO!

Acompanhe a reportagem completa abaixo!

 Fé

Desiludido e tendo a fé como última esperança para se livrar da doença, César procurou a igreja e diz ter recebido promessas de que iria se salvar se comprasse os produtos do local. Foi assim que ele gastou cerca de R$ 2.000 com um “vinho do amor”, outros R$ 1.700 com a chamada “espada de gideon” e mais o mesmo valor com um castiçal da igreja.

Além disso, ele adquiriu diversos CDs e DVDs mesmo não tendo aparelho para assisti-los em casa. E esses gastos não incluíam o pagamento mensal – somado ao percentual do 13° salário – do dízimo. Para uma entidade sem fins lucrativos, a doação de R$ 12 mil em um ano por um único fiel parece um exagero.

Para César, que mora em um cômodo de cerca de 3m X 4m, foi mesmo. A casa dele fica no bairro Lagoinha, na região Noroeste da capital, e possui apenas cama, fogão, alguns utensílios da cozinha, um rádio e os objetos comprados na igreja. Estes foram sugeridos pela profetiza Berenice Costa, que o convenceu a pegar empréstimos em várias instituições financeiras para comprá-los.

“Ela disse que iria me curar se eu comprasse essas coisas. Disse que eu estava com macumba”, contou, se referindo à profetiza – ou pastora. “Eu acho um abuso. A gente mal tem dinheiro pra comprar as coisas e aí a igreja ainda tira o pouco que a gente tem. Acredito que agiram de má-fé. Não se pode brincar com a fé das pessoas desse jeito. Nem com a saúde”, dispara.

Ao perceber que, a cada ida à igreja, mais dinheiro era pedido e que a doença tampouco se curava, ele decidiu abandonar os cultos. Resolveu devolver os produtos e pedir de volta o dinheiro que gastou com eles, mas recebeu da pastora a resposta de que isso seria impossível, já que o dinheiro já havia sido aplicado em obras da igreja.

Em março, ele procurou a Justiça e fez uma denúncia ao Ministério Público, que o aconselhou a procurar o Juizado Especial Cível. A ação pedia a restituição do valor pago à igreja, no caso, R$ 12.058, e uma indenização por danos morais. Em primeira instância, a indenização foi negada sob o argumento de que o dízimo e as doações pagas por César à Igreja Cruzada Profética do Pai das Luzes “se deram por ato voluntário, espontâneo, como manifestação de sua fé”. Foi por isso que o advogado dele, Cristiano de Paula, entrou com um recurso alegando que a pastora teria agido de má-fé.

Na ação, o advogado sustenta que o Estado brasileiro é laico e, portanto, não há nenhuma religião oficial nem interferência de qualquer instituição religiosa no exercício do poder. “A garantia constitucional de livre manifestação da religiosidade não pode confrontar com a Constituição e com as leis do país. A religiosidade não é escusa ao cumprimento da lei, e as instituições religiosas não são escudos para a prática de ilícitos. As leis devem ser respeitadas por todos, incluindo as seitas e igrejas”, contesta Cristiano de Paula.

Sob esse argumento, o advogado lembrou que o dízimo não tem previsão no salário brasileiro e, segundo ele, deve ser tratado como um contrato de doação previsto na lei, devendo embutir, assim, todas as normas aplicadas ao contrato. “Ele (César) estava acometido de um mal grave, como comprovaram os documentos médicos anexados ao processo, e foi ludibriado pela profetiza da igreja, para que fizesse as doações como verdadeira compra de indulgências”, enfatizou o advogado no recurso.

Procurada pela reportagem por quase dois meses, a profetiza Berenice Costa não foi encontrada para responder às acusações. Em contato com outra profetiza da igreja, que não se identificou, a resposta foi de que “isso é coisa de gente que não tem o que fazer, e que não gosta de ver as pessoas curadas”. Além disso, ela também disse que “quanto mais as pessoas falam e professam ´mentiras´, mais a igreja prospera”.

 

O advogado Alexander Barros, ex-presidente da Comissão de Acesso à Justiça da OAB Seção Minas Gerais, lembra que não há uma lei que pune especificamente este tipo de crime, apenas a lei que assegura o direito e a tolerância à pluralidade religiosa no país. “Neste caso, o que poderia ser aplicado é o crime de estelionato, mas ele não pode penalizar a pessoa jurídica – no caso, a igreja -, apenas a pessoa física. Neste caso, o denunciante deve comprovar que foi enganado pela pastora”, explicou.

Ainda segundo ele, o direito serve para a pacificação social. A melhor alternativa e a primeira a ser considerada, segundo Barroso, é a conciliação ou mediação. “O melhor nesse caso é tentar a conciliação diretamente com a parte, que foi o que ele fez, ao ir lá e pedir à pastora o dinheiro de volta. Não resolvendo, o segundo passo é realmente buscar a Justiça”, esclareceu.

Barros acredita que, quanto maior a incidência de denúncias deste tipo e o espaço na imprensa, maior será a possibilidade de casos como esse serem tipificados pela lei ou punidos. “A instituição com maior credibilidade atualmente é a igreja, mas, infelizmente, algumas pessoas acabam abusando dessa fé, tentando levar vantagem. É triste quando isso acontece”.

O teólogo e professor de cultura religiosa do departamento de Ciências da Religião da PUC Minas Edward Neves concorda que deve haver a tolerância religiosa, conforme previsto na lei. “Mas também deve haver uma denúncia de casos em que há como provar que a instituição está explorando a boa fé das pessoas. Se uma pessoa engana o consumidor, você tem o Procon pra resolver. Tem que haver um espaço para se denunciar esses líderes religiosos”, opinou.

 

Outra questão levantada a partir do caso de César Glicério da Silva é o apoio da fé para a cura de males físicos. O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica em Minas Gerais, Paulo Mendes, afirma que a fé pode complementar a medicina, mas nunca ser o único recurso de um paciente.

“Às vezes, um paciente vai à igreja e acha que sua crença, sozinha, vai fazê-lo melhorar. Por mais que a medicina também não seja 100% certa, só a fé não resolve. Ela deve ser um complemento. E o caso do César não é isolado. Já tive pacientes que foram em igrejas ainda mais radicais, que os pediram para parar de tomar remédios, e eles acabaram piorando o quadro clínico”, explicou.

Mesmo assim, Mendes não descarta a fé como um alento na hora da doença. “Com certeza a religião é importante, eu não prego que a pessoa não tenha uma fé. Eu tenho experiência própria de pacientes meus que tinham fé e, em várias situações, melhoraram em coisas que eu não achava que seria possível. Mas nunca vi casos de pacientes que exclusivamente com a fé conseguiram melhoras. Mesmo por trás de males psíquicos ou de cunho emocional, há algum teor físico que a gente consegue tratar. O ideal é a fé andar de mãos dadas com a medicina. Geralmente, pacientes graves, terminais, oncológicos, que têm uma fé maior, acabam tendo um desfecho melhor. Podem até não se curar, mas conseguem passar os momentos finais com mais serenidade”, disse.

A opinião é compartilhada pelo teólogo Edward Neves, que é religioso. “Nós criamos a medicina e eu acredito que isso seja um dom de Deus. Quando a pessoa tem algum mal, deve procurar um médico. A fé vem em auxílio quando buscamos a cura. Muitas pessoas desejam uma cura imediata sem a mediação da ciência, mas a gente tem que fazer a nossa parte, procurar um médico, fazer um check-up. Infelizmente, muitas pessoas não têm plano de saúde ou acesso a um atendimento de qualidade. Ainda não se conseguiu colocar à disposição da população todas as conquistas técnicas da medicina. Muitas pessoas são excluídas disso e, então, ficam mais vulneráveis e suscetíveis a desejar uma cura sem mediação, uma cura religiosa. Mas o milagre está na mediação humana. Eu acredito que Deus age através de nós, e é esse o milagre: o poder de Deus através da medicina. A religião não é mágica, ela não substitui as mediações criadas pela medicina. Se fosse assim, não precisaríamos de médicos no mundo. Bastava criar mais igrejas. O que temos que fazer é lutar por uma sociedade que coloque à disposição das pessoas saúde, educação e religiões que nos ajudem”, disse.

 

A Cruzada Profética do Pai das Luzes tem ramificações em todo o país e é comandada, em Minas Gerais, pela pastora Berenice Costa. Em Belo Horizonte, ela é localizada no centro e tem a entrada de vidro, mas coberta por avisos e panfletos enaltecendo os supostos poderes de cura da pastora. A reportagem esteve no local sem se identificar como imprensa. Para entrar, é necessário deixar o nome e um telefone de contato. O uso de telefones celulares é proibido.

Em cima do altar e em letras grandes e vermelhas, os dizeres “A benção só existe na linha da obediência”. Nas paredes, cartazes com desenhos ameaçadores lembram: “Cobra não se cutuca com vara curta. Cobra se mata com a espada de Gideon”, instrumento que é vendido na própria igreja no valor de R$ 1.700.

Os cultos são realizados duas vezes por semana, mas os atendimentos são feitos em qualquer dia. É neles que a profetiza Berenice Costa conversa individualmente com os fiéis e lhes recomenda o “melhor tratamento” para a cura do respectivo mal.

Durante os cultos, a estrela maior é Berenice, mas o início é comandado por outras profetizas. Com a chegada dos fiéis, a maioria mulheres mais velhas e trajadas de forma simples, a profetiza inicia seu discurso, lembrando a todo o tempo a importância da obediência e do sacrifício pela igreja. Enquanto isso, uma música alta e instrumental que lembra o som de órgãos ecoa por toda a igreja.

Após o discurso, a profetiza chama alguns fiéis no palco e pergunta a cada um deles qual é seu mal. Dores de cabeça, problema nos rins, artrites e dores de barriga são resolvidos por ela com gritos de “tira isso do corpo dele, Deus”, enquanto a espada de gideon é passada próximo à parte do corpo do fiel correspondente ao mal que ele sofre. Quando perguntados sobre a cura, eles respondem que se sentem melhor. Mas, quando não respondem ou dizem não saber o que dizer, a profetiza assume a palavra: “isso é porque você não tem o que falar. O poder de Deus faz isso com as pessoas”.

Após a sessão de cura, os fiéis entoam canções, e Berenice Costa entra, vestida com uma túnica dourada, pregando ainda mais alto que a primeira profetiza. Ela relata exemplos de curas de fiéis e lembra ao público: “você tem que marcar uma consulta com a gente. Não adianta nada vir aqui, dizer que tá sofrendo, e depois ir embora. Tem que marcar a consulta, senão não vai adiantar”.

 

O teólogo e professor de cultura religiosa do departamento de Ciências da religião da PUC Minas Edward Neves explica que a Cruzada Profética é enquadrada como uma igreja neopentecostal. Ela surgiu depois das ramificações das igrejas luteranas e veio como uma forma renovada da igreja pentecostal. “As neopentecostais são as mais novas. Esse segmento acredita que sinais da benção de Deus podem acontecer no presente e na sua vida, e podem mudar a sua história. Em geral, com esse ideal de teologia da prosperidade, muitos líderes religiosos sem escrúpulos acabam se aproveitando dos fiéis. Eles dizem, em nome da fé em Jesus Cristo, que, se a pessoa fizer algum sacrifício, algum gesto radical para colocar Deus à prova, ela receberá em troca essa fidelidade de Deus. E, muitas vezes, a solicitação é financeira”, explicou.

Ainda segundo o teólogo, o discurso interpelativo usado por esses líderes acaba levando a pessoa a uma fé cega ou a confiar sem nenhum senso crítico, em um momento de necessidade extrema. “Seja ele uma doença, uma dívida, um filho em situação difícil. É aí que você vai ouvir falar em santo das causas impossíveis, ritos poderosos, cruzadas da fé, das quais você vai receber em troca aquilo que você deseja, como se fosse possível manipular o poder divino”, explicou.

“Os ramos das igrejas renovadas, como as neopentecostais, são mais suscetíveis a isso. Com promessas de mudanças de vida, de soluções dos problemas, elas atraem as pessoas que estão em uma situação sem saída. No contexto capitalista em que vivemos, a interpelação é que você pare de sofrer e vá a determinada igreja para a sua vida prosperar. O gesto de confiança e a prova de fé são as ofertas. Muitas vezes, essas igrejas distribuem caixinhas para as pessoas colocarem a sua oferta, ‘o que o coração mandar’. Os apelos, em geral, são agressivos, uma espécie de marketing religioso”, esclareceu o teólogo.

Ele acredita que uma das formas de desenvolver o sendo crítico é pela educação. “O poder público tem a responsabilidade de oferecer uma educação básica de qualidade e um ensino religioso em que se trabalhe a ambivalência das religiões, ou seja, que esclareça que elas podem ser usadas tanto para o bem como para o mal”, analisa.

 

Ainda de acordo com o teólogo Edward Neves, o brasileiro, em geral, não precisa de provas, ele simplesmente confia em Deus e, por isso, também é mais vulnerável, porque pode encontrar alguém que em nome de Deus explore essa fé. “Da mesma forma que se pode ser enganado por um médico ou por um restaurante. E você também não precisa conhecer o laborátório que seu remédio é feito, para confiar na farmácia, nem ver a cozinha do seu restaurante preferido, para confiar nele. É importante confiar, mas também é importante olhar com senso crítico e estar atento a lavagem cerebral e aos mecanismos de dominação religiosa. Assim como na política, nunca devemos baixar a guarda crítica, nenhuma religião está imune ao erro. Afinal, ela é formada por pessoas humanas”, explicou.

“O raciocínio da confiança em igrejas é o mesmo do amor. É preciso ter tempo para conhecer o outro antes de se entregar, para não cair em conversa. Da mesma forma que você não pode conhecer uma pessoa no mesmo dia e já se entregar ou acreditar que ela é o amor da sua vida, na religião, também deve ser assim. Há pessoas que utilizam o espaço religioso para enganar as pessoas. A pessoa tem que avaliar que a fé não pode ser cega, porque significa confiar. E confiar significa conhecer, isso leva tempo, você tem que acompanhar, investigar, antes de confiar. Não tem casos de gente que depois de 10 anos de casado acaba descobrindo que se casou com um monstro? É ingenuidade se entregar, a um amor ou a uma religião, sem conhecer”, complementou o teólogo.

Ele ainda explica que muito dessa confiança está na busca natural do ser humano pelo sentido. “A religiosidade é a busca humana por sentido, para que a pessoa tenha ânimo para buscar a felicidade e a realização. A gente não nasce com sentido, a gente precisa construir esse sentido. Precisamos ligar a nossa vida a algo maior, que traga essa esperança, que sustente a nossa vida. É o que nos humaniza. A gente precisa de um sentido, que pode ser encontrado não apenas nas religiões, mas na literatura, na arte, em um ideal de vida. A igreja é um desses mediadores históricos dessa busca. Com base nela você pode se reconhecer e criar sua identidade social. Algo que consiga encontrar sentido e esperança para o seu dia-a-dia, a sua vida”, analisou.

“Mas toda instituição que é feita de pessoas humanas está sujeita a ambivalência: pode haver relações verdadeira, mas também a exploração da dominação. Por isso é tão importante manter o senso crítico e conhecer a fundo determinada igreja ou determinada religião, antes de se entregar”, finalizou.

 

Pastor João, e a igreja invisível (Raul Seixas):

FONTE: O Tempo e Youtube.


 

O Ministério Público entrou com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o PT e a presidente Dilma Rousseff por propaganda antecipada para as eleições presidenciais de 2014. A vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, alega que houve uso indevido do programa partidário petista exibido no final de abril e início de maio.

A procuradora pede multa entre R$ 5 mil ou R$ 25 mil ou equivalente ao custo da propaganda se este for maior. Também solicita a cassação do direito de transmissão de propaganda eleitoral em bloco do PT no próximo semestre. “O horário gratuito reservado ao Partido dos Trabalhadores não foi utilizado para a exposição dos programas partidários, mas para a promoção do nome e da imagem da pré-candidata Dilma Rouseff”, destaca.
O uso de propaganda partidária para promoção pessoal de candidatos é vedado por lei. De acordo com o calendário eleitoral aprovado nesta semana pelo TSE, a propaganda dos candidatos só será autorizada a partir do dia 6 de julho de 2014.
Cureau argumenta que Dilma usou o espaço para fortalecer a ideia de sua reeleição, mesmo sem pedido explícito de votos. A procuradora considera que é de conhecimento público que Dilma Rousseff é pré-candidata, o que fica mais evidente pela participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas inserções, o principal articulador do movimento pela reeleição.
A procuradora também entendeu como discurso de campanha o relato da trajetória política de Dilma e das propostas nas áreas de trabalho, educação, moradia e meio ambiente. Para Cureau, Dilma deve ser punida porque tinha conhecimento do objetivo da propaganda, uma vez que aceitou os formatos veiculados pelo partido.
FONTE: Hoje Em Dia.

Transposição do São Francisco, que terminaria em 2010, será entregue em 2015
A Transnordestina, que seria concluída em 2010, agora tem o término previsto para 2014
Quatro grandes obras que deveriam ter sido entregues ainda no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se arrastam no mandato de Dilma Rousseff (PT). Os canteiros de obras, que, de lá para cá já, estiveram até sem operários, são a “herança atrasada” recebida pela petista, que deveria ter iniciado seu mandato colhendo os louros de projetos concluídos. Agora, Dilma tem o desafio de tocar as obras travadas.Se as previsões atuais do governo federal forem rigorosamente cumpridas, o que não ocorreu até o momento, essas obras estarão atrasadas em até cinco anos.É o caso do projeto de transposição do rio São Francisco. Iniciada em 2007 e com previsão inicial de conclusão para 2010, a obra teve seu prazo estendido por Lula para 2012 e, hoje, a expectativa mais otimista é que será entregue somente em 2015.

O projeto prevê a distribuição de água para 12 milhões de pessoas nos Estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte com a construção de dois eixos de integração principais. No Leste, as águas percorrerão 220 quilômetros de dutos, a partir da Barragem de Itaparica, entre Bahia e Pernambuco, até a cidade paraibana de Monteiro. No eixo Norte, são 400 quilômetros de tubos que cruzam Pernambuco e Paraíba, até a divisa com o Rio Grande do Norte.

De acordo com os números oficiais, apenas 43% da obra foi concluídas até o momento, mas o orçamento atual já dobrou em relação à previsão inicial – dos R$ 4 bilhões prometidos em 2007, pelo menos R$ 8,5 bilhões serão desembolsados para que o cronograma seja concluído em dois anos.

Outro exemplo é o da Ferrovia Transnordestina, cujos 1.728 quilômetros de ferrovias escoarão a produção agrícola e mineral do interior nordestino pelos portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco. O cronograma inicial previa o período de obras entre 2008 e 2010, mas os atrasos e, até mesmo, as paralisações postergaram o prazo para o último dia do mandato da presidente Dilma.

Além de dutos e trilhos, também atravessa o sertão nordestino a pior seca dos últimos 50 anos. Tanto a transposição do Rio São Francisco quanto a ferrovia Transnordestina foram prometidas para amenizar os efeitos da seca, o que não ocorreu até hoje.

Seca. As obras planejadas diretamente para irrigação também não cumpriram os prazos. No Piauí, a Barragem de Piaus começou a ser construída há sete anos, mas a previsão de entrega é apenas para junho, quatro anos depois do prazo inicial. A barragem, mesmo em obras, chegou a ser inaugurada em 2010 pelo governador do Piauí, Wilson Martins (PSB).

A adutora do Pajeú, no interior pernambucano, é outro exemplo. Apenas o primeiro trecho, de 197 quilômetros, foi entregue em março deste ano, durante evento que contou com a presença de Dilma Rousseff. Ainda faltam outros 400 quilômetros, que nem mesmo começaram. A liberação do segundo trecho foi assinada durante a visita.

ESTRATÉGIA
Visitas presidenciais são mais frequentes
Mesmo com as obras atrasadas, a presidente Dilma Rousseff (PT) continua a fazer do Nordeste brasileiro um palanque de anúncios de novos investimentos. Somente neste ano, Dilma fez nove viagens oficiais à região.Em sua maior parte, as visitas foram para acompanhar e inaugurar obras, como a barragem de Piaus, no Piauí, e a ponte Gilberto Amado, no Sergipe – ambas em janeiro –, o primeiro trecho do Canal do Sertão, em Alagoas, e a Arena da Fonte Nova, na Bahia, neste mês.No dia 1º de abril, a presidente Dilma esteve em Pernambuco, onde anunciou a liberação de R$ 9 bilhões para enfrentamento emergencial da seca no Nordeste. O anúncio foi feito ao lado do governador pernambucano, Eduardo Campos (PSB), que tem ameaçado tomar o reduto eleitoral do PT.

Hoje, oficialmente aliado ao governo Dilma, Campos tenta viabilizar sua candidatura à Presidência no ano que vem. (LP)

FONTE: O Tempo.


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