Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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“Não me envergonha confessar não saber o que ignoro.” Cícero

 

Caixa-preta, pra que te quero?

Que triste! Avião da Germanwings caiu nos Alpes franceses. Morreram 150 pessoas. Entre elas, turminha de adolescentes que faziam intercâmbio. O que provocou a tragédia? 

Há hipóteses. Fala-se em ato terrorista. Mas a certeza só virá com as completas revelações da caixa-preta. Caixa-preta? É só o nome. Ela é laranja. A cor viva torna-a mais visível.
Hífen
Por falar em laranja…
A reforma ortográfica fez artes na língua. Uma delas: cassou o hífen de palavras compostas de três vocábulos ou mais ligados por preposição, conjunção, pronome. É o caso de pé de moleque, mula sem cabeça, dor de cotovelo, tomara que caia, mão de obra, testa de ferro. É o caso também do triozinho de cores: cor de laranja, cor de gelo, cor de marfim. Exceção? Só uma. É cor-de-rosa. A cor preferida de menininhas e meninonas mantém o tracinho. Por quê? A lei que tratou da reforma ortográfica a citou como exceção. Citou também água-de-colônia e pé-de-meia (poupança).

Sem generalização
Na língua nem todos são iguais perante a lei. Existem os mais iguais. A reforma ortográfica poupou as composições de seres dos reinos animal e vegetal: joão-de-barro, bicho-de-pé, cana-de-açúcar, pimenta-do-reino, castanha-do-pará.

O segundão
“Como? Será?”, perguntam gregos, romanos, goianos e baianos. “Investigador diz que copiloto teria deliberadamente assumido controle do avião e provocado a queda.” Ao divulgar a notícia, pintou a dúvida. Como escrever copiloto? Com hífen? Sem hífen? Procura daqui, pesquisa dali, eureca! O prefixo co- tem alergia ao tracinho. Com ele é tudo colado: coordenação, coerdeiro, coautor. E, claro, copiloto.

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Tempos modernos
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As siglas são gente da casa. Curtinhas, combinam com o tempo moderno. Estamos sempre apressados. Daí a regra de ouro “menor é melhor”. Mas nem tudo são flores. Volta e meia, pintam dúvidas sobre a grafia das pequenas. Adauto Ferreira quer jogar luz sobre as incertezas. Pediu ajuda à coluna. Leitor manda, não pede.

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Escrevem-se todas as letras grandonas em duas ocasiões.

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1. se a sigla tiver até três letras: PM (Polícia Militar), PR (Presidência da República), UTI (unidade de terapia intensiva), PIB (Produto Interno Bruto), ONU (Organização das Nações Unidas), TAM (Transportes Aéreos de Marília)
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2. se as letras forem pronunciadas uma a uma: INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), FNDE  (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). No mais, só a inicial é maiúscula: Detran (Departamento de Trânsito), Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Cedoc (centro de documentação).
Crase
Leitor pergunta
Ajude-me numa velha dúvida: “Ensino a distância” tem crase?
Pedro Jorge Hatem Filho, Belo Horizonte
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Crase, Pedro, é como aliança no anular esquerdo. Indica casamento. No caso, de dois aa. Em geral, de preposição e artigo. Ora, para que haja união, os dois pares precisam estar presentes. É aí que mora a questão. Distância, na locução a distância, não tem artigo.
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Duvida? Na traseira de ônibus e caminhões aparece o aviso “mantenha distância” – assim, sem artigo. Quando for indicado o tamanho da distância, cessa tudo o que a musa antiga canta. O artigo diz presente. A crase também. .
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Compare: Siga o carro a distância. Siga o carro à distância de 50m. Logo, ensino a distância.
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FONTE: Estado de Minas.


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