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‘Meu filho deixou de ser caminhoneiro porque temia os perigos das estradas’, diz pai de motorista morto em acidente

Alexsandro Evangelista Pinto e Fabiano Melo da Luz ficaram presos entre as ferragens da van atingida por um caminhão desgovernado no Anel Rodoviário de Belo Horizonte na manhã desta quarta-feira

Juarez Rodrigues/EM/Reprodução

O desastre no Anel Rodoviário de Belo Horizonte na manhã desta quarta-feira, que matou o umbandista Fabiano Melo da Luz, de 28 anos, e o católico Alexsandro Evangelista Pinto, de 39, destruiu sonhos que estavam próximos de serem conquistados pelos primos, que moravam no Bairro Jardim Vera Cruz, em Contagem, na região metropolitana.

Fabiano deixou um filho de 7 anos e começaria a construir uma casa em fevereiro. Alexsandro tinha três filhos, dois garotos, de 15 e 5 anos, e de uma menina de 3. Ele foi caminhoneiro por muitos anos. Há dois, desistiu de ganhar a vida com veículos de carga “porque temia os perigos das estradas”, segundo o pai, João Evangelista, e começou a trabalhar com vans.

Alexandro e Fabiano morreram na hora. Familiares e amigos foram ao Instituto Médico Legal (IML) de BH reconhecer os corpos, que serão sepultados hoje nesta quinta-feira. As famílias não divulgaram os cemitérios.

O motorista do caminhão que causou o acidente, Manoel Elson Santana, de 32 anos, não conhecia o trecho e disse que perdeu o freio do veículo. Na tarde desta quarta-feira, ele aguarda para prestar depoimento na Coordenação de Operações Policiais (COP), do Detran-MG. Conforme o Boletim de Ocorrência, ele não estava alcoolizado.

Juarez Rodrigues/EM/Reprodução

Depois de bater na van, conduzida por Alexsandro, o veículo também atingiu outros dois carros no km 4, altura do Bairro Betânia, Região Oeste de Belo Horizonte. Santana sofreu ferimentos leves e foi socorrido no hospital da Unimed no Bairro Santa Efigênia, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, e recebeu alta por volta das 11h40. Ele foi levado para a Delegacia Especializada em Acidentes de Veículos (Deav) no início da tarde.

“Ele diz que perdeu o freio, tentou desviar, desviou de vários veículos, e foi a carroceria que bateu na van”, explicou o sargento Ederson Macedo, da Polícia Militar Rodoviária (PMRv), um dos militares que acompanhou o condutor. Segundo ele, o caminhoneiro disse que não viu qual veículo atingiu. Ele seguia com uma carga de cal de Ouro Preto para São Paulo. Era a primeira vez que ele passava pelo Anel Rodoviário.

De acordo com o tenente Pedro Henrique Barreiros, da Polícia Militar Rodoviária (PMRv), conforme os relatos dos motoristas dos carros, o caminhão seguia pela faixa do meio e teria perdido os freios. Ao colidir com a van, ela foi arremessada contra a mureta de pedra às margens do Anel, atingindo os carros logo em seguida. A van foi parar a 300 metros do veículo de carga.

Os dois veículos menores são de Belo Horizonte. Augusto Eduardo, condutor do Strada, e Larissa Aymi Araki, que estava na direção do HB20, não ficaram feridos. “Eu não vi muita coisa. Só ouvi o estrondo, um barulho muito alto, e depois o caminhão passou por mim e bateu”, diz Augusto, que estava a caminho de casa quando seu carro foi atingido de raspão pelo caminhão. Ele diz estar muito assustado. O pai de Larissa  também esteve no local do acidente. Ele contou que a família mora no moram no Belvedere e ela estava seguindo para o trabalho, em Contagem, quando se envolveu no acidente. A motorista já está em casa.

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FONTE: Estado de Minas.


Paliteiro 2

 

ATENÇÃO: o Anel Rodoviário será completamente interditado hoje, quinta, 09 de outubro, a partir das 21:00 horas, para a retirada da passarela improvisada atingida por um caminhão. A previsão de liberação do trânsito é somente a partir de 03:00 desta sexta-feira, 10.

 

Evitem o Anel.


Mais 7 horas de caos na estrada do improviso
Caminhão sem controle atinge passarela provisória, invade a contramão e para a rodovia em que são constantes as obras paliativas, à espera da revitalização sempre adiada

 

Paliteiro 2Com sequência de batidas que fechou totalmente as pistas, engarrafamentos se espalharam por vários pontos de BH. Liberação total só ocorreu às 18h30

 

O caminho de improvisos em que se transformou o Anel Rodoviário de Belo Horizonte desde que a via deixou de ser apenas uma opção rodoviária e foi absorvida pelo tráfego urbano resultou ontem em mais um dia caótico na pista mais movimentada da cidade. Por volta do meio-dia, um caminhão que seguia no sentido Rio de Janeiro bateu na mureta que divide as pistas, invadiu a contramão e derrubou o escoramento central da passarela provisória posicionada a alguns metros do Viaduto São Francisco, que faz o cruzamento sobre a Avenida Antônio Carlos, na Região da Pampulha. Depois de atravessar a via, o caminhão foi atingido por um Fiat Fiorino e dois outros veículos se envolveram no desastre. A passarela de aproximadamente oito toneladas não desabou, mas, como vários pedaços de ferragem ficaram pendurados, o tráfego permaneceu fechado por quase sete horas, causando um engarrafamento quilométrico, com reflexos nos principais corredores da cidade. Com média de quase nove acidentes registrados diariamente nos últimos anos, a rodovia é constantemente palco de tragédias, em um quadro que parece longe do fim.

A passarela atingida ontem, por exemplo só foi construída por determinação da Justiça Federal, no local em que é intensa a travessia de pedestres. O trecho tem longo histórico de mortes por atropelamento e também de protesto organizados por moradores, exigindo segurança para cruzar a rodovia. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) instalou a passagem de forma provisória, pois sustenta que a solução definitiva só será implantada com a revitalização completa do Anel. O projeto de reforma, no entanto, se arrasta há anos e, atualmente, está sendo elaborado pelo Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG). Não há perspectiva para início das obras.

No local do acidente há ainda outro problema cuja solução aguarda a reforma do Anel, e que pode ter colaborado para o desastre de ontem. A poucos metros do ponto onde o caminhão se desgovernou e invadiu a contramão, há um afunilamento que, diariamente, gera retenção no fluxo de veículos. Os motoristas que seguem por três faixas  são surpreendidos pelo fim da pista da direita, já que o viaduto foi projetado para apenas duas faixas. Uma das versões para o acidente de ontem dá conta de que o caminhoneiro teria perdido o controle da direção ao se deparar com a retenção.

Paliteiro

Veículo invadiu a contramão, arrastou carros e ainda esbarrou na estrutura metálica sobre o Viaduto São Francisco
MAQUIAGEM Para o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Ronaldo Guimarães Gouvêa, especialista em tráfego urbano, a mistura de um trânsito de passagem, com caráter rodoviário, e do tráfego local, somada às “maquiagens” que são feitas constantemente na via, são responsáveis por todo o transtorno. “O Anel Rodoviário representa hoje o descaso do poder público com o planejamento estratégico do sistema viário da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Quando tivermos a revitalização da via, com o complemento da parte leste e um rodoanel de qualidade, boa parte dos problemas de tráfego da capital estará resolvida.”O estrangulamento do trânsito nos elevados é apontado pelo comandante do Batalhão de Polícia Militar Rodoviária (BPMRv), major Cássio Soares, como causa de acidentes registrados perto do Viaduto São Francisco. “O afunilamento do tráfego é diário e constante, porque de três faixas, os motoristas se deparam com duas. Muitos se assustam com a fila de carros parada à frente. Ou porque não conseguem frear ou para tentar desviar, acabam se envolvendo em acidentes”, afirma o major, reforçando que o problema precisa ser corrigido. Apesar da redução do número de acidentes entre 2012 e 2013, passando de 3.306 para 3.201, a quantidade de mortes na rodovia aumentou 12,9% no mesmo período (de 31 para 35), puxada pelo principal desafio das autoridades na via, os atropelamentos. Foram 11 mortes por essa razão em 2012 contra 17 em 2013, aumento de 54% no período.

O ACIDENTE
 Na batida de ontem, quatro veículos foram envolvidos, um deles o caminhão Mercedes placa OEO 2128, que vinha da cidade de Lagarto (SE), com destino a Santos (SP). O motorista e a mulher dele escaparam ilesos. Já o condutor do Fiat Fiorino, Tiago Gonçalves Guerra, de 27, que seguia em direção a Vitória, ficou ferido ao ser atingido pelo veículo de carga. Socorrido pelo Samu, ele foi levado para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII com um corte profundo na testa e escoriações nas mãos. Tiago passaria a noite em observação no setor de Neurologia, mas seu estado de saúde era estável. 

Também saíram ilesos do acidente o motorista do Fiat Palio, Roberto Pereira Neves, de 32, que teve seu carro atingido por blocos de concreto, e a motorista de um Ford Ka que seguia atrás do caminhão, Fabíola Dantas dos Santos, de 34 anos.

 

FONTE: Estado de Minas.


 

Moradores protestam após queda de pedestre em passarela do Anel Rodoviário
O homem de 38 anos caiu de uma altura de quase 7 metros. Moradores dizem que passarela não tem corrimão
 (Tulio Santos/EM DA Press)



Famílias que moram no entorno do Anel Rodoviário de Belo Horizonte fizeram uma manifestação na noite deste sábado depois que um homem de 38 anos caiu da passarela sobre o Viaduto São Francisco, na Região da Pampulha. Cerca de 200 pessoas queimaram pneus e interditaram totalmente o trânsito nos dois sentidos da rodovia, por quase uma hora. Os bombeiros foram acionados para combater as chamas. 

Os manifestantes pedem providências sobre a passarela, construída com uma estrutura metálica e que segundo moradores, não tem corrimão em um trecho. O grupo reclama da insegurança ao atravessar a via usando essa passagem que segundo eles, parece improvisada. 

Passarela em cima do Viaduto São Francisco, onde aconteceu o acidente neste sábado  (Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Passarela em cima do Viaduto São Francisco, onde aconteceu o acidente neste sábado



O pedestre Agnaldo Vilacio caiu na tarde deste sábado de uma altura de quase 7 metros. Ele foi levado em estrado grave para o Hospital João XXIII, onde permanece internado. De acordo com a Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), a vítima passou por cirurgia, tem está grave e respira com a ajuda de aparelhos. 

Veja detalhes sobre o acidente na reportagem do Jornal da Alterosa:

FONTE: Estado de Minas e Alterosa.


12/03/2014 19h53 – Atualizado em 12/03/2014 21h34

Obras no Anel Rodoviário podem começar no meio deste ano, diz DER

Três pontos foram selecionados para o início da reforma.
Audiência pública foi realizada na sede do departamento nesta quarta (12).

Uma audiência pública do processo de licitação para as Obras no Anel Rodoviário de Belo Horizonte foi realizada nesta quarta-feira (12) no Auditório do Departamento de Estradas e Rodagens (DER). Caso não ocorra problemas no processo de licitação, a reforma deve começar entre junho e julho deste ano e vai englobar três pontos, em um trecho de cinco quilômetros, de acordo com o departamento.

Foram apresentados durante a audiência projetos de intervenções nas intercessões com as avenidas Amazonas, Pedro II e Ivaí – na Praça São Vicente. O DER informou que a previsão de investimentos nesta primeira etapa é de R$ 400 milhões, podendo chegar até R$ 600 milhões. A previsão de conclusão é de dois anos.

O projeto prevê o alargamento das vias principal e marginal, nesta segunda, com faixas que vão privilegiar o transporte coletivo. Nos entroncamentos com as três avenidas, estão previstas as construções de viadutos, alças e trincheiras.

Projeto mostra como deve ficar entrocamento do Anel Rodoviário com a Avenida Amazonas (Foto: Reprodução / DER)Projeto mostra como deve ficar entroncamento do Anel Rodoviário com a Avenida Amazonas

O governo estadual por meio do DER vai ser responsável pela obra, já o dinheiro deve partir do governo federal, conforme o departamento. A previsão é de que o edital seja publicado até o fim de abril.

Vinte e sete quilômetros
A obra completa do Anel Rodoviário engloba um trecho de 27 quilômetros e pode custar de R$ 1,4 bilhão a R$ 2 bilhões. Segundo o DER, todo o projeto deve ficar pronto até o fim deste ano.

Veja como deve ficar o entrocamento do Anel Rodoviário com a Avenida Pedro II após a reforma (Foto: Reprodução / DER)
Veja como deve ficar o entroncamento do Anel Rodoviário com a Avenida Pedro II após a reforma 

FONTE: G1.


Engarrafamento de desculpas

Mais um acidente no Anel Rodoviário de BH expõe falta de coordenação entre responsáveis por liberação de pistas. BHTrans diz que só colabora, PM reclama dos bombeiros e eles se defendem, enquanto motoristas enfrentam mais de oito horas de congestionamento

Com pistas fechadas para remoção da carreta e limpeza, motoristas tiveram que suportar via marginal parada (Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Com pistas fechadas para remoção da carreta e limpeza, motoristas tiveram que suportar via marginal parada

Passado mais de um ano que uma sucessão de acidentes no Anel Rodoviário de Belo Horizonte espalhou o caos pela cidade e evidenciou a falta de um plano de contingência para a liberação rápida de vias – e um dia depois de um caminhão tombado fechar o tráfego por oito horas na Pampulha –, a falta de estrutura e de planejamento causou mais transtornos para usuários da rodovia que corta a capital, com reflexos em outras áreas. A origem do caos, desta vez, foi um acidente no km 16 do Anel, no Bairro Caiçara, Região Noroeste, onde uma carreta com produtos farmacêuticos tombou às 2h, no sentido Rio de Janeiro, destruindo 10 metros da mureta, arrancando um poste e derramando 300 litros de diesel na pista. Foi o suficiente para que a interdição durasse nada menos do que oito horas, até as 10h45. O caos se repetiu e muita gente a caminho do trabalho precisou passar pela pista marginal da rodovia, que registrou engarrafamento de seis quilômetros.

O desastre e o transtorno mais uma vez expuseram a falta de coordenação entre os encarregados de disciplinar o trânsito em Belo Horizonte e prestar atendimento em caso de desastres. A Polícia Militar Rodoviária (PMRv) alega ter várias dificuldades para liberação do Anel Rodoviário em caso de acidentes como o de ontem, já que não tem reboques e depende da boa vontade da BHTrans. Já a empresa municipal informa que a via é de jurisdição da PM e que apenas “colabora”, emprestando caminhões-guincho e munks, pois o que ocorre no Anel se reflete no trânsito da capital.

O comandante da PMRv no Anel, tenente Geraldo Donizete, afirma que muitas vezes também é preciso esperar o Corpo de Bombeiros lavar o óleo na pista para evitar mais acidentes. “Não temos alternativas para desviar o trânsito, temos dificuldade de chegar ao local com o reboque por causa dos engarrafamentos e há necessidade de equipes especializadas da Associação Brasileira de Produtos Químicos, dos bombeiros e de técnicos do meio ambiente quando o veículo acidentado transporta produtos químicos”, alegou.

Se as dificuldades e o desencontro entre os órgãos oficiais já são grandes durante o dia, quando o acidente acontece de madrugada, como foi o caso de ontem, a situação piora. O tenente Geraldo Donizete disse que a PMRv precisou de um caminhão munck da BHTrans para retirar blocos de concreto, um poste e a carreta da pista. Pela manhã, os PMs dependeram de bombeiros para limpar o trecho. Às 8h15, os militares jogaram no asfalto água e pó de serragem. O trabalho precisava ser feito duas vezes, mas a água do caminhão-tanque acabou. “Eles foram buscar mais água e sumiram”, reclamou o tenente Donizete. Às 9h15, o próprio tenente e outro policial rodoviário espalhavam serragem na pista, usando pás, na tentativa de apressar a liberação da via.

O Corpo de Bombeiros informou que, na ocorrência de ontem, os militares da corporação trabalharam até as 3h da madrugada, com aplicação de 15 sacos de serragem, para evitar derrapagens. Às 6h30 as equipes aplicaram mais serragem e fizeram a lavagem da pista, com 5 mil litros de água. Bombeiros permaneceram no local até cerca das 8h, quando retornaram à sede do 3º Batalhão para reabastecer, buscar mais serragem e trocar a equipe que estava no plantão. Nova equipe assumiu a ocorrência e retornou ao Anel em cerca de 35 minutos, encerrando os trabalhos por volta das 12h.

Para o comandante da PMRv, o que causa mais transtorno em caso de acidentes na rodovia que corta a capital é a falta de alternativas para desviar o trânsito. “A gente recebe apoio da BHTrans para controlar os veículos, mas não tem jeito quando tudo fica congestionado. Conseguimos outros caminhos com a viatura, mas com o deslocamento do guincho é difícil”, disse.

Outro problema, afirmou, é que o caminhão tombado somente pode ser desvirado quando toda a carga é retirada. Se o material transportado são produtos químicos, como ácido sulfúrico, a situação piora. “De acordo com as regulamentações da ONU, esses veículos somente podem ser movimentados com a presença de equipes especializadas. Dependendo de como tratar a carga, ela pode causar um dano muito maior. A gente precisa dos bombeiros, de técnicos do meio ambiente e de equipes da Associação Brasileira de Produto Químicos”, afirmou.

 Novela que   se repete

Os testes de paciência para motoristas em virtude de acidentes no Anel Rodoviário são frequentes e vieram em sequência no ano passado. Apenas em maio foram dois acidentes com consequências desastrosas para o tráfego em toda a capital. No dia 8 daquele mês, um caminhão-baú ficou atravessado sobre a mureta de proteção na altura do Bairro Buritis, Região Oeste, fechando duas pistas. Foi o suficiente para que o caos se instalasse nas ruas e avenidas e cruzasse a cidade. Quase sete horas depois, passando das 22h, alguns pontos ainda apresentavam retenção. Para chegar em casa, houve quem gastasse até quatro horas. Quinze dias depois, um veículo de carga com 274 toneladas, que ocupava as três faixas e carregava uma peça de 160 toneladas, enguiçou, também na altura do Buritis. Foram mais de três horas de fechamento de pistas e um congestionamento de 10 quilômetros.

Em julho de 2012, outro acidente no Bairro Betânia fechou o trânsito por seis horas. Uma carreta desgovernada bateu em oito veículos, matando uma pessoa e ferindo sete. Segundo a PMRv, a demora para a liberação da pista se deu por causa da limpeza da via. Em 25 de outubro, o tombamento de uma carreta carregada de gás de cozinha provocou 13 horas de transtorno não apenas na via, mas em quase toda a cidade. O tumulto começou ainda na noite anterior, por volta das 21h, quando o veículo se acidentou no km 3, entre os bairros Buritis e Betânia, no sentido Vitória, e só terminou após as 10h da manhã seguinte, quando o tráfego finalmente voltou ao normal. A pista permaneceu fechada durante toda a noite, e o congestionamento chegou a oito quilômetros nos dois sentidos da rodovia.

Palavra de especialista[Osias Batista Neto
consultor em transporte e trânsitoFalta somar esforços

“No fim das contas, ninguém se sente responsável por fazer o trânsito fluir. Se os órgãos se sentissem responsáveis, somariam esforços para liberar as vias o mais rápido possível. Fica essa discussão: ‘O Anel não é minha responsabilidade, é do governo federal; o Anel não é da polícia, a polícia não tem reboque; o Dnit também não tem e o reboque da BHTrans tem que tomar conta da cidade’. Tem também a questão de não haver um plano estratégico de contingência para o trânsito na cidade. Com a Copa do Mundo, pensa-se em uma central de controle em que todos os órgãos responsáveis vão estar juntos. Mas, em uma situação dessas, com tantas câmeras da BHTrans espalhadas pela cidade, as ações deveriam ser imediatas. Não dá para ficar parado, pensando. 
A cidade merece um tratamento mais objetivo.”

FONTE: Estado de Minas.

Deficiente físico deixou de viajar porque poltrona dele foi vendida a outra pessoa

útil

A empresa de ônibus Útil foi condenada a pagar a um deficiente físico indenização por danos morais no valor de R$ 6.220 por ter vendido a poltrona que ele ocuparia a outro passageiro. A decisão, da 12ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), confirmou sentença proferida pela comarca de Juiz de Fora.

 

W.T.O. é portador de Passe Livre do Governo Federal, emitido pelo Ministério dos Transportes em 20 de maio de 2010, com validade até 20 de maio deste ano. De acordo com legislação federal, o portador desse documento está autorizado a ser transportado, gratuitamente, nos veículos e nas embarcações das empresas que operam serviços de transporte interestaduais coletivos de passageiros nos modais rodoviário, ferroviário e aquaviário.

 

Em 18 de janeiro de 2011, W. foi até o terminal rodoviário de Juiz de Fora e, no guichê da Útil, por meio do passe, adquiriu autorização de viagem para o dia 20 de janeiro de 2011, com destino a Angra dos Reis (Rio de Janeiro). O documento foi emitido manualmente pelo colaborador da empresa. O passageiro cumpriu, assim, o disposto em portaria, que estabelece que o Documento de Autorização de Viagem junto a empresa de transporte interestadual de passageiros deve ocorrer com antecedência mínima de três horas em relação ao horário de partida.

 

No dia e horário da viagem, W. compareceu ao terminal rodoviário, mas foi impedido, pelo motorista do ônibus, de embarcar, sob o argumento de que sua poltrona estava ocupada por outro passageiro que havia pagado por ela. W. sentiu-se humilhado e discriminado com a situação, pois acabou perdendo a viagem. Por isso, decidiu entrar na Justiça contra a empresa, pedindo indenização por danos morais.

 

Em sua defesa, a Útil alegou que o problema ocorreu pelo fato de a autorização de viagem para o deficiente ter sido emitida de forma manual, não tendo sido incluída no sistema eletrônico da empresa. Disse que, quando seus funcionários perceberam o problema, na hora do embarque, apresentaram a W. uma solução: ele seria embarcado no ônibus que faz a linha Belo Horizonte – Angra dos Reis, que passaria na rodoviária de Juiz de Fora. Segundo a empresa, a solução não foi aceita pelo deficiente físico, que deixou o terminal.

 

Em Primeira Instância, a Útil foi condenada a pagar ao deficiente físico indenização por danos morais no valor de dez salários mínimos vigentes, o equivalente a R$ 6.220.

 

Recursos

 

Diante da sentença, ambas as partes decidiram recorrer. O deficiente físico pediu o aumento do valor da indenização. A empresa de ônibus, por sua vez, reiterou as alegações feitas em Primeira Instância.

 

Ao analisar os autos, o desembargador relator, Alvimar de Ávila, observou, inicialmente, que a Lei nº 8.899/1994, em seu artigo 1º, declara que “é concedido passe livre às pessoas portadoras de deficiência, comprovadamente carentes, no sistema de transporte coletivo interestadual”. Ressaltou, ainda, que decreto que regulamenta a lei disciplina que “as empresas permissionárias e autorizatárias de transporte interestadual de passageiros reservarão dois assentos de cada veículo, destinado a serviço convencional, para ocupação das pessoas beneficiadas” pela legislação.

 

O relator concluiu que houve falha na prestação de serviços por parte da empresa, já que a autorização de viagem de W. foi lançada manualmente e não foi incluída no sistema informatizado, levando à venda da poltrona já reservada ao deficiente físico. Pontuou que a ocorrência foi registrada pela Polícia Civil e foi feita reclamação à Agência Nacional de Transportes Terrestres sobre o ocorrido. O desembargador pontuou, ainda, que a Útil não conseguiu provar que disponibilizou outro ônibus para o embarque do passageiro.

 

Julgando que o dano moral era evidente, o relator avaliou que cabia à empresa o dever de indenizar. Como concordou com o valor arbitrado em Primeira Instância, manteve inalterável a sentença.

 

Os desembargadores Saldanha da Fonseca e Domingos Coelho votaram de acordo com o relator.

 

Leia o acórdão e veja o acompanhamento processual.

FONTE: Tribunal de Justiça de Minas Gerais.



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