Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Voluntários lotam banco de sangue para doação em nome de modelo que teve perna amputada

Paola Antonini Franca Costa, de 20 anos, passou por um procedimento cirúrgico para preparo de coto de amputação para posterior inserção de prótese

 
Reprodução Instagram

Deu certo a campanha nas redes sociais feita pela modelo Paola Antonini Franca Costa, de 20 anos, que teve a perna amputada depois de ser atropelada por um carro na Avenida Raja Gabaglia, no Bairro Luxemburgo, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. De acordo com o Hospital Felício Rocho, 50 pessoas apareceram para doar sangue em nome da jovem, que passou por nova cirurgia esta semana. 

Segundo o boletim médico, foi um procedimento cirúrgico para preparo de coto de amputação para posterior inserção de prótese. A cirurgia transcorreu sem intercorrências. A paciente está recuperando bem e deve ter alta nos próximos dias.

Ontem, o irmão da jovem, Antonio Tadeu França, de 18 anos, já havia adiantado o sucesso da campanha para doação. Segundo ele, Paola é tão querida e admirada por familiares, amigos e seguidores das redes sociais que o apelo pessoal para doação de sangue por meio do Instagram teve ótimo resultado. “Apareceu muita gente para doar sangue. Veio muito gente hoje (ontem), vai vir amanhã e o número ainda vai continuar crescendo”, comentou o irmão. O acidente aconteceu na madrugada de 27 de dezembro. Paola colocava malas no bagageiro quando foi prensada no carro. A motorista pagou fiança de R$ 1,5 mil e foi liberada. Conforme o boletim de ocorrência da PM, o teste do bafômetro indicou 0,53 miligramas por litro de ar expelido dos pulmões, valor considerado crime de trânsito.

Campanha feita pela jovem:

Reprodução Instagram

 Comentários
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 Leandro – 14 de Janeiro às 15:31
Só assim mesmo para as pessoas doarem, pois o ano inteiro o estoque é baixo. Enfim, o que não servir pra moça vai para outras pessoas que precisam o tanto quanto ela.
Débora
Débora – 14 de Janeiro às 14:39
É uma pena saber que se lota um banco de sangue, após uma modelo bonita pedir e quando é outra pessoa, mal mal só conhecidos e amigos doam. A única vantagem é que o sangue doado vai para o banco de sangue, mas está atitude deveria ser uma prática de todos, para que ninguém tivesse que pedir. Enfim, desejo melhoras para ela, mas não por ser bonita, e sim por ter compaixão pela história dela.
braulio
braulio – 14 de Janeiro às 13:57
Constantemente os bancos de sangue e governos incentivam casos de destaques e de comoção para a realização de doações. Eu mesmo constanetemente já doei sangue. Mas seria o ideal que para as coletas houvesse remuneração para os doadores ou um “cadastro positivo” para tais doadores aumentando em muito a disponibilidade nos bancos de sangue
 Rafael
Rafael – 14 de Janeiro às 12:56
essa moça é muito linda! Que ela possa se recuperar rapidamente e se superar com essa dificuldade da melhor forma possível. Que Deus abençoe você e sua família Paola!!!!:)

FONTE: Estado de Minas.


Mosquitos: tipo de sangue, consumo de cerveja e até suor podem atrair o inseto

 

Pessoa com sangue tipo O são as que mais atraem

Você já esteve em algum lugar e percebeu levar mais picadas de mosquito do que as pessoas em volta? Saiba que pode haver uma explicação para isso. Pesquisas mostram que o tipo de sangue pode afetar a atração desses insetos.

Desde 1972 pesquisadores tentam entender como os mosquitos escolhem suas vítimas. As cientistas britânicas Corine Wood e Caroline Dore publicaram um estudo em que sugerem que os mosquitos da espécie Anopheles Gabiae, hospedeiro e transmissor da malária são especialmente atraídos pelo sangue tipo O. Em 2004 cientistas japoneses quiseram confirmar essa preferência e foram mais fundo. 64 participantes se expuseram voluntariamente a uma série de mosquitos e mais uma vez os do tipo O foram os mais atacados. Entre eles, a maior parte dos insetos buscavam pessoas que secretavam sacarídeos, o açúcar.

Mosquitos da espécie Anopheles gabiae são especialmente atraídos pelo sangue tipo O Foto: Seksan 44
Mosquitos da espécie Anopheles gabiae são especialmente atraídos pelo sangue tipo O

O hematologista Alexandre Mello confirmou que existe sim uma nítida atração para pessoas portadoras de sangue tipo O, em especial aquelas que têm o chamado fenótipo secretor. “Os indivíduos secretores são portadores de um gene que faz com que os antígenos, moléculas capazes de produzir anticorpos, que definem o tipo sanguíneo sejam secretados por várias mucosas do corpo”.

Mas a pergunta que permanece sem resposta é: por que os mosquitos preferem as pessoas com tipo O secretoras? Ainda não existem estudos que consigam responder isso. Mas dá para evitar alguns fatores que aumentam o interesse do mosquito como, temperatura corporal elevada, gravidez, ingestão de bebida alcoólica (em especial a cerveja), maior eliminação de gás carbônico, movimentação, peso corporal elevado e até certas cores de roupa como preto, azul marinho e vermelho.

Do ponto de vista médico, saber o que atrai mosquitos é uma informação que pode ajudar muito no controle de doenças transmitidas por esses vetores, como é o caso da malária e em nosso país em especial, a dengue. Entender os mecanismos bioquímicos e moleculares envolvidos pode levar à descoberta de novos compostos e estratégias capazes de repelir os mosquitos.

A solução mais indicada é utilizar repelentes que possuem o DEET Foto: Chris 74A solução mais indicada é utilizar repelentes que possuem o DEET

Evitando mosquitos durante o exercício

Para os aventureiros que costumam acampar e praticar esportes ao ar livre, não só o sangue é um fator forte de atração para os mosquitos. “Vejamos o exemplo de um homem, usando roupas pretas, movimentando-se e transpirando ativamente, e obviamente, produzindo mais calor na superfície cutânea e mais gás carbônico pela respiração acelerada e maior produção de ácido lático pela musculatura. Se esse sujeito tiver sangue tipo O, fenótipo secretor, e tiver tomado um chopinho, será um verdadeiro banquete para os mosquitos”, explica o hematologista.

A solução mais indicada é utilizar repelentes que possuem o DEET, (N, N-dimetil-3-metilbenzamida), uma substância presente nesse tipo de produto. “Os repelentes costumam ser altamente eficientes e com baixíssima toxicidade, inclusive para crianças”, finaliza Alexandre.

FONTE: UOL.


BH terá 24 horas de blitzes da Lei Seca na sexta-feira

A megaoperação, organizada pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), integra as ações da Semana Nacional de Trânsito. As blitzes terão um caráter educativo, além das ações repressivas aos motoristas em situação irregular

Objetivo das ações é flagrar motoristas que dirigem embriagados

Na sexta-feira, Belo Horizonte terá 24 horas de blitzes da Lei Seca. A megaoperação, organizada pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), integra as ações da Semana Nacional de Trânsito. As blitzes terão um caráter educativo para Campanha “Sou pela Vida. Dirijo sem Bebida”, mas também funcionarão para fiscalização em vários pontos da cidade. Durante todo o dia acontecerão apresentações teatrais, entrega de materiais educativos, distribuição de bafômetros descartáveis, além das ações repressivas aos motoristas sem situação irregular.As ações serão desenvolvidas em parceria entre Polícia Militar, o Departamento de Trânsito da Polícia Civil (Detran), a BHTrans, a Polícia Rodoviária Estadual, a Guarda Municipal, o Corpo de Bombeiros Militar, o Serviço Social do Transporte (Sest), o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) e a Secretaria de Estado de Educação (SEE). Segundo a Seds, entre 18h30 e 22h acontecerão ações educativas em bares e restaurantes da capital, com distribuição de materiais informativos e apresentação teatral.As blitzes da Lei Seca em Minas começaram há mais de dois anos. De 14 de julho de 2011 a 17 de setembro de 2013, mais de 84 mil veículos foram abordados e 1.105 motoristas presos por embriaguez, porque cometeram crime de trânsito. Fique atento aos detalhes da Lei Seca, que está valendo desde 21 de dezembro de 2012:

– Se o motorista soprar o bafômetro e o nível de álcool no sangue for menor que 0,05 mg/l: condutor é liberado.
– Se o motorista soprar o bafômetro e o nível de álcool no sangue estiver entre 0,05 e 0,33 mg/l: o condutor perde o direito de dirigir por um ano e recebe multa no valor de R$1.915,40. É infração de trânsito.
– Se o motorista soprar o bafômetro e o nível de álcool no sangue estiver igual ou acima de 0,34 mg/l: além de perder o direito de dirigir por um ano e pagar multa de R$1.915,40, o condutor será processado por crime de trânsito, conforme determina o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
– Se o motorista não soprar o bafômetro, o agente fiscalizador irá avaliá-lo com base em uma série de critérios estabelecidos pelo Contran: dependendo do resultado a avaliação, o condutor poderá responder por crime de trânsito.

FONTE: Estado de Minas.

Aparelhos da marca Cepa GC distribuídos pela secretaria de saúde de Minas apresentam falha na medição de glicemia que leva os pacientes a aplicar mais insulina, com risco de morte

“O Cepa não tem manual de instrução e os postos de saúde não foram instruídos sobre como usar o aparelho. Os resultados são discrepantes”, Carol Freitas, relações-públicas

Uma falha no aparelho que mede a glicemia da marca Cepa GC está pondo em risco a vida dos diabéticos em Minas. A leitura do glicosímetro não é homogênea como nos equipamentos de outras marcas e os resultados são bem mais elevados, o que leva o paciente a injetar mais insulina no sangue e há risco de coma hipoglicêmico. “Pode haver queda da glicemia abruptamente, porque é injetada uma quantidade excessiva de insulina”, alerta o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabéticos, o médico Levimar Rocha Araújo.

A entidade recebeu 15 reclamações esta semana no estado e houve outras na Faculdade de Ciências Médicas, em BH, onde Araújo é professor, e nas redes sociais. “Tivemos reclamações de médicos de Juiz de Fora, de pacientes de Campo Belo e de outras regiões. Médicos da capital detectaram também o problema no aparelho”, afirmou. “Pais de crianças diabéticas mandam e-mails e cartas e estou encaminhando tudo para a Secretaria de Estado de Saúde e outros órgãos competentes, mas não tivemos resposta”, reclama. Em Minas, a estimativa é de que haja 1,3 milhão de diabéticos com mais de 20 anos, cerca de 10% da população adulta, segundo o governo.

Três associações de diabéticos receberam denúncias também contra o Cepa: a Associação dos Diabéticos de BH, a de Diabéticos Infantis, também na capital, e a Associação dos Diabéticos de Campo Belo. “Uma mãe mediu a glicose do filho de 2 anos com o Cepa GC e deu quase 300. Ela tinha um aparelho antigo, foi conferir e deu 40. Se ela tivesse aplicado insulina, o menino poderia ter entrado em coma”, alertou a presidente e fundadora da Associação de Diabéticos Infantis, Cidinha Campos.

A Secretaria de Saúde de Campo Belo informou ter recebido várias reclamações do Cepa GC e que tem controlado o problema. O farmacêutico responsável testa os equipamentos levados pelas pessoas e os substitui quando necessário.

Os aparelhos Cepa GC foram importados pela Secretaria de Estado de Saúde e distribuídos gratuitamente à população desde outubro do ano passado. Por mês, as pessoas recebem 100 fitas usadas na medição. Segundo Levimar Araújo, a licitação para compra dos equipamentos é anual e o modelo anterior,  Accu-Chek Performa, foi substituído. “O estado compra os aparelhos e as fitinhas com valores mais baixos. O Cepa é de origem chinesa e ninguém o conhecia”, disse. O Accu-Chek Performa é mais eficiente, segundo ele, mas custa mais.

PRECAUÇÃO APÓS ERRO

A relações-públicas Carol Freitas, de 34, que é diabética, deixou de usar o Cepa depois de medir a glicose que chegou a 500. “No aparelho antigo deu 130”, disse Carol, que passou a comprar por conta própria um pacote com 50 fitas do aparelho antigo por R$ 100. “Só que a gente gasta 150 fitas por mês”, protesta Carol, que já recebeu 250 reclamações do Cepa em seu blog, Doces contos de uma vida doce. “Enquanto no aparelho antigo a minha glicose dava 130, nesse dá 400, 500”, reclama.

A presidente da Associação dos Diabéticos de BH, Irma Pires de Oliveira, disse ter informações de que a fábrica do Cepa GC foi fechada e a fita não é encontrada para comprar no Brasil: “Foi uma firma que importou exclusivamente para o estado”. O presidente da Associação dos Diabéticos de Campo Belo, Rodrigo Dias, toma insulina todos os dias. “Quase entrei em coma por causa do resultado alterado do Cepa. O aparelho fez uma leitura para mais e tomei a insulina regular para diminuir a glicose, mas só que diminuiu duas vezes mais. Eu estava passando mal e minha mulher me socorreu aplicando uma glicose de ação rápida”, informou Rodrigo, explicando que a insulina baixa a glicose e que a aplicação aumenta a taxa de açúcar no sangue.

FARMACÊUTICO  A Secretaria de Estado de Saúde (SES) admitu que o aparelho pode apresentar problemas de configuração e informou que cabe ao farmacêutico constatar se  ele está com defeito. “Quando ocorre problema com o aparelho, há um fluxo definido com as unidades para substituição. Mediante as informações apresentadas, pode-se verificar que é necessário encaminhar os pacientes que tenham dúvidas sobre a utilização dos aparelhos aos farmacêuticos municipais, para as devidas orientações e medidas cabíveis”, informou.

A SES disse ainda que adquire e distribui os glicosímetros e tiras reagentes de glicemia atendendo aos critérios de licitações públicas. “A distribuição da marca Cepa começou em outubro de 2012, após processo licitatório. Como o objetivo de orientar os profissionais de saúde no momento da entrega dos novos aparelhos aos pacientes, esta superintendência elaborou informe a todos os municípios. O objetivo é divulgar e uniformizar orientações sobre o uso correto dos novos aparelhos, uma vez que se identificou que o uso inadequado e a falta de configuração foram as principais causas das diferenças de medida”, diz a nota.

Também por meio de nota, a Secretaria de Saúde de BH (SMSA) informou que distribui glicosímetros da marcha Roché. Já o Cepa GC é entregue desde a segunda quinzena de fevereiro e que já registrou 50 reclamações de pacientes sobre divergências na medição. “Nesta semana, a SMSA recebeu da SES a solução padrão que permite a testagem do glicossímetro. Todas as pessoas que encaminharam reclamações serão chamadas para testagem de seus glicosímetros. Caso sejam identificados problemas será solicitada a troca pela SMSA”, diz a nota.

FONTE: Estado de Minas.

Diabetes tipo 1 acomete principalmente crianças e adolescentes até 14 anos. Doença ainda intriga os especialistas, que não descobriram o fator que desencadeia a enfermidade

 

Eduardo Abras tinha apenas 2 anos quando sua mãe, Luciana Abras, percebeu os sinais característicos do diabetes (Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)
Eduardo Abras tinha apenas 2 anos quando sua mãe, Luciana Abras, percebeu os sinais característicos do diabetes

O pequeno Eduardo Abras de Sena tinha apenas 2 anos quando apresentou os primeiros sintomas que indicariam um quadro de diabetes tipo 1. A sede incontrolável foi o primeiro sinal de que algo estava errado com o menino. “Ele bebia 200ml de água a cada 20 minutos e começou a urinar com muita frequência”, relembra a mãe de Eduardo, Luciana Barros Abras de Sena. Profissional da área de saúde, a fisioterapeuta logo associou o comportamento do filho ao diabetes. “Fomos ao pediatra e ao endocrinologista pediátrico, que solicitou exame de sangue.”

O resultado revelou glicemia em jejum igual a 498mg/dL, valor cinco vezes maior que o nível considerado ideal, que é de no máximo 99mg/dL. Internado às pressas sob o risco de entrar em estado de coma, o garoto teve os níveis de glicemia estabilizados, mas passou a conviver com uma rotina complexa. Quase dois anos depois do diagnóstico, ele segue uma dieta rigorosa baseada na contagem de carboidratos dos alimentos. Além disso, teve de aprender a lidar com uma média de cinco aplicações de insulina e oito medições de glicose diariamente.

Casos como o de Eduardo têm se tornado cada vez mais frequentes em todo o mundo e alimentam uma estatística preocupante. Somente em Minas, estima-se que 136.615 pessoas convivam com o diabetes tipo 1, conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde. O número representa 10% do total de casos de diabetes registrados em território mineiro. Os outros 90% são compostos por pacientes com o tipo 2 da doença e também por mulheres diagnosticadas com diabetes gestacional. Mas o fato de os casos de diabetes tipo 1 representarem apenas um décimo dos diagnósticos não diminui a gravidade da situação.

O diabetes tipo 1 acomete principalmente crianças e adolescentes, e é uma das doenças endócrinas e metabólicas mais comuns entre menores de 14 anos, de acordo com estudo divulgado no início de janeiro pela Federação Internacional de Diabetes, que revelou também crescimento de pelo menos 3% no número de casos registrados no mundo anualmente.

A doença ainda intriga os especialistas, que não descobriram o fator que desencadeia o diabetes tipo 1. Sabe-se, no entanto, que é uma enfermidade autoimune. Por alguma razão ainda ignorada, o sistema imunológico do indivíduo passa a não reconhecer as células produtoras de insulina (hormônio responsável por regular o metabolismo da glicose no organismo) e as elimina do pâncreas. O resultado da ausência de insulina são níveis elevados de glicose no sangue, o que leva o paciente a um quadro de diabetes tipo 1.

Segundo a doutora em clínica médica e coordenadora do Ambulatório de Diabetes da Santa Casa de Belo Horizonte Janice Sepúlveda Reis, a doença pode surgir em qualquer fase da vida, mas 80% dos casos aparecem ainda na infância. De acordo com a especialista, os sintomas surgem assim que as células do pâncreas começam a ser destruídas. “A pessoa começa a sentir muita sede e urina muito. Também há bastante perda de peso em pouco tempo e fraqueza.”

Ficar atento aos sinais é fundamental para que o paciente receba atendimento médico antes que os níveis de glicose no sangue cheguem a níveis críticos, o que pode provocar o coma ou mesmo levar à morte. “O nível de glicemia acima de 126mg/dL, em jejum, já indica o diabetes”, afirma a especialista, que ressalta a importância de se repetir o teste antes da confirmação do diagnóstico.

HORMÔNIO SINTÉTICO Confirmado o quadro de diabetes tipo 1, o paciente vai depender permanentemente da aplicação de insulina, já que ainda não há cura conhecida para a doença. O hormônio sintético vai suprir a carência do componente original no organismo do diabético e regular o metabolismo da glicose. Em média, o diabético tipo 1 faz uso de insulina cinco vezes ao dia, mas o número de aplicações pode variar de acordo com a quantidade de refeições consumidas. Aliado à aplicação do hormônio, é fundamental que seja feita a medição da glicose com regularidade. Isso garante que os níveis se mantenham normalizados.

A aplicação do medicamento é indolor, desde que feita da forma correta, com base em orientação profissional. Como parte significativa dos doentes são crianças, o cuidado é ainda mais importante, pois evita traumas. Para tornar o momento menos desagradável e amenizar o incômodo, os pais podem recorrer ao próprio imaginário das crianças. Para Eduardo, por exemplo, as agulhas que provocam as picadinhas diárias têm nome. A perfuração para aplicação da insulina é feita pela “abelhinha”. Já a “formiguinha” é a responsável pela medição regular da glicose. “O médico dele usou os termos uma vez e eu os adotei em casa. É uma forma lúdica de avisá-lo de que é hora da medicação”, conta Luciana.

Outra medida que tem contribuído para proporcionar mais qualidade de vida ao diabético é a contagem de carboidratos. O nutriente está presente na maioria dos alimentos e é um dos componentes que mais afetam a glicemia, por ser convertido quase integralmente em glicose depois de ingerido. “Fazendo a contagem de carboidratos, o paciente vai descobrir que pode comer de tudo, desde que siga uma tabela que regula o consumo do alimento de acordo com a dose de insulina”, afirma Janice.

Parceria

Em 28 de janeiro, o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SDB), Balduíno Tschiedel, esteve reunido em Belo Horizonte com o secretário de Saúde de Minas, Antônio Jorge, para propor um convênio para o Projeto ” SBD vai ao gestor”, que estabelece parceria entre a SBD e o estado. O convênio tem como objetivo o estabelecimento de cooperação técnico-científica visando o desenvolvimento de atividades conjuntas de formação de recursos humanos, educação permanente, aprimoramento profissional e cooperação científica e tecnológica para o desenvolvimento da atenção ao diabetes no estado de Minas. O projeto visa, também, saber como está a situação da distribuição de insumos para os pacientes do estado e quais as dificuldades e prioridades no atendimento aos pacientes com diabetes.

FONTE: Estado de Minas .


De coração para coração: doar sangue salva vidas, não dói, não custa nada e não traz riscos à saúde.

Todos os dias, milhões de pessoas mundo afora  precisam de doações de sangue. No Brasil são necessárias 5,5 mil doações diárias somente para manter os estoques dos bancos de sangue. Ninguém está livre de precisar de uma transfusão, basta que sofra um acidente ou uma hemorragia grave. E o sangue sintético ainda é apenas um sonho da medicina. A única forma de impedir que pessoas que necessitam de uma transfusão morram é pela doação voluntária.

Doação-2

O sangue é tecido vivo e no corpo de um adulto circulam, em média, 5 litros, variando de acordo com o peso. Compõe-se de uma parte líquida (plasma), constituída por água, sais, vitaminas, e fatores de coagulação, na qual estão misturadas as partes sólidas: hemácias, leucócitos e plaquetas.
Onde nasce: o sangue é produzido na medula óssea dos ossos chatos, vértebras, costelas, quadril, crânio e esterno. Nas crianças, também os ossos longos, como o fêmur, produzem sangue.
As plaquetas são células que participam do processo de coagulação. Elas têm vida curta e circulam na proporção de 150 a 400 mil por milímetro cúbico de sangue. Sua função mais importante é a de auxiliar na interrupção dos sangramentos.
Os leucócitos são glóbulos brancos. Seu número varia de 5 a 10 mil por milímetro cúbico de sangue e sua vida é curta. Possuem formas e funções diversas, sempre ligadas à defesa do organismo contra a presença de elementos estranhos a ele, como por exemplo, as bactérias.
As hemácias são glóbulos vermelhos do sangue. Cada hemácia tem vida média de 120 dias no organismo, onde existem em torno de 4.500.000 delas por milímetro cúbico de sangue. A sua função é transportar o oxigênio dos pulmões para as células de todo o organismo e eliminar o gás carbônico das células, transportando-o para os pulmões.
O plasma é um líquido amarelo claro que representa 55% do volume total de sangue. Ele é constituído por 90% de água, onde se encontram dissolvidos proteínas, açúcares, gorduras e sais minerais. Através do plasma circulam, por exemplo, elementos nutritivos necessários à vida das células.
Circulando, circulando!
O sistema circulatório é o conjunto de órgãos nos quais o sangue circula. É composto pelo coração e vasos (artérias, capilares e veias). Há dois tipos de circulação: a pequena e a grande. A pequena circulação ou circulação pulmonar é a que se estabelece entre o coração e os pulmões, promovendo a oxigenação do sangue. A grande circulação ou circulação sistêmica é a que ocorre entre o coração e todos os tecidos do corpo, tendo por função básica distribuir oxigênio às células.
O sangue circula pelo corpo, promovendo a troca de oxigênio e nutrientes por dióxido de carbono (CO2) e resíduos. Quando sai do coração, carregado de oxigênio, flui pelas artérias (vasos largos e de paredes densas). Nos órgãos e músculos, as artérias reduzem o diâmetro até se transformarem em capilares, vasos que lembram fios de cabelo. As paredes finas desses vasos possibilitam a troca gasosa do oxigênio pelo CO2, acumulado nos tecidos.Carregado de gás carbônico, o sangue começa a voltar ao coração, transportado pelas veias. Para impedir que o sangue retorne, as veias têm válvulas que se abrem quando ele passa e fecham com o próprio peso do sangue. No pulmão, ocorre a troca de CO2,que está na corrente sanguinea, pelo oxigênio dos alvéolos pulmonares. O sangue oxigenado retorna ao coração, reiniciando o processo.
Doação
Sistema ABO – Tipos sanguíneos
Vários sistemas de grupos sanguíneos são encontrados no sangue. Os mais importantes para a transfusão de sangue são os sistemas ABO e Rh.Um indivíduo pode ter sangue de um dos quatro grupos sanguíneos O, A, B ou AB que funciona da seguinte forma:
Doador
B
A
AB
O
Receptor
B-AB
A-AB
AB
AB-B-A-O
Estes grupos sanguíneos poderão ser de fator Rh positivo ou negativo. Numa amostragem de doadores da Fundação Hemominas observa-se:
Grupo sanguíneo
O
A
B
AB
TOTAL
Positivo
42,0%
32,2%
11,1%
3,5%
88,8%
Negativo
5,3%
4,1%
1,4%
0,4%
11,2%
O sangue colhido é sempre separado em vários componentes e cada paciente receberá aquela parte que seu organismo precisa. O sangue doado passa por um processo chamado fracionamento , no qual são obtidos os componentes sanguíneos, que são transfundidos a vários pacientes.

Condições para doar

A Fundação Hemominas adota como critérios básicos para avaliar quem se encontra ou não apto a doar sangue aqueles estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão responsável pela legislação nacional de hemoterapia. Além desses, a Hemominas observa outros critérios, visando à proteção e segurança de doadores e receptores.

Nesse sentido, cabe esclarecer as dúvidas mais frequentes sobre o assunto. Algumas situações, pela sua natureza mais delicada, somente podem ser discutidas com o profissional responsável pela triagem do candidato à doação. O candidato é entrevistado por um profissional de saúde, que faz algumas perguntas de caráter pessoal e íntimo. As informações prestadas são mantidas em rigoroso sigilo. A Hemominas não discrimina ninguém, mas existem doenças que podem ser transmitidas pelo sangue e que, às vezes, não podem ser totalmente evitadas com a realização dos exames laboratoriais de triagem do sangue, já que existe um período no qual as infecções nem sempre são detectadas nos exames.

Vale lembrar, também, que estas normas são submetidas à revisão periódica e sugere-se verificá-las, sempre que se desejar doar sangue.

Não vale desistir
Quem não pode doar, de imediato, pode voltar em outra oportunidade. A Hemominas conta com a solidariedade de todos.
Critérios básicos para doação de sangue
Quem pode doar  
  • Pessoas entre 16 e 67 anos. Mas, atenção: se o candidato à doação de sangue tem entre 16 e 17 anos ou mais de 60 anos, é  importante conhecer as Normas e documentos necessários para doação de sangue.   Os demais critérios são válidos para todos.
  • Quem tem e está com boa saúde;
  • Quem pesa acima de 50 kg;
  • Quem dorme bem na noite anterior à doação;
  • Mulheres, mesmo se menstruadas ou em uso de anticoncepcionais.
Quem não pode doar
  • Quem teve hepatite após os 11 anos de idade, exceto se tiver comprovação laboratorial da época de que se tratou de hepatite A (IgM positiva).
  • Quem tem exposição a situações de risco acrescido para doenças sexualmente transmissíveis;
  • Quem teve gripe, resfriado ou diarreia nos sete dias anteriores à doação;
  • Quem ingeriu bebida alcoólica nas últimas 12 horas anteriores á doação;
  • Quem usou ou usa drogas injetáveis;
  • Quem apresenta ferimento ainda não cicatrizado;
  • Quem estiver grávida ou em período de amamentação; após o parto normal é necessário aguardar três (3) meses; após cesárea, seis (6) meses;
  • Quem fez qualquer exame por endoscopia nos seis (6) meses anteriores à doação;
  • Quem fez cirurgia por laparoscopia nos seis (6) meses anteriores à doação;
  • Quem fez tatuagem nos últimos 12 meses anteriores à doação.
  • Quem fez ou faz tratamento dentário (a pessoa pode ser impedida de doar por um período de 1 a 30 dias, conforme o caso).
  • Quem fez piercing nos últimos 12 meses anteriores à doação. Piercing localizado em área genital ou na boca, somente poderá ser liberada a doação, 12 meses após sua retirada.

Atenção

Se alguém recorre aos serviços da Hemominas exclusivamente para fazer exames, não deve doar sangue. Procure o CTA – Centro de Testagem e Aconselhamento de sua cidade, através da Prefeitura ou Secretaria Municipal de Saúde.  Em Belo Horizonte, o telefone do CTA é (31)3277-5757.

FONTES: Proteste e Hemominas.

Num dia o motorista aceita fazer o exame e é flagrado com 0,34 dg/L: é automaticamente, presumidamente, criminoso. Noutro dia ele recusa o exame e vai ser julgado pelos sinais. Aqui o subjetivismo prepondera.

Com 46 mil mortes no trânsito projetadas para 2012 (pelo Instituto Avante Brasil) não há dúvida que temos que reagir contra essa tragédia nacional. Mas não podemos esquecer (tal como enfatizado no novo livro que estamos escrevendo) que o Brasil encontra-se regido constitucionalmente por um Estado Democrático de Direito, que possui regras limitadoras do tendencialmente autoritário poder punitivo estatal, que também pode ser criminoso (Zaffaroni, 2012a, p. 38), tal como foi o direito penal nazista de 1933-1945.

Por meio da Resolução 432/13, o Contran regulamentou, em 29.01.13, a Lei 12.760/12, de 21.12.12 (conhecida como nova lei seca). Com a adoção (não absoluta) da “tolerância zero” de álcool no sangue, estamos diante de uma das legislações mais duras do planeta, seja na parte administrativa, seja na parte criminal (que prevê prisão de 6 meses a 3 anos).

Para o efeito de se distinguir o que é infração administrativa (art. 165) e o que é crime (art. 306), temos que começar enfocando duas situações bem diferentes: (a) motorista que se submeteu a algum exame pericial (exame de sangue ou teste de etilômetro) e (b) motorista que se submeteu a exames laboratoriais (caso das drogas) ou que se recusou a fazer qualquer tipo de exame (diga-se de passagem, é direito constitucional não se submeter a nenhum exame corporal, que demande uma atividade positiva do condutor: ninguém é obrigado a fazer prova contra si mesmo – nemo tenetur se detegere).

Desde logo, considerando a forma equivocada, autoritária, automática e midiática que estão interpretando a nova lei seca, não há nenhuma dúvida de que os motoristas tenderão a não fazer qualquer tipo de exame pericial, porque, com isso, mesmo nas situações em que está praticando uma mera infração administrativa, vai correr altíssimo risco de ser enquadrado (aberrantemente) como criminoso.
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Motorista periciado (exame de sangue ou etilômetro)

Quando o motorista se submete ao exame de sangue ou ao teste do etilômetro, o poder punitivo estatal, aliado à acrítica propaganda midiática, está (equivocadamente) afirmando que continua em vigor o perigo abstrato presumido (ou puro), fundado no critério meramente quantitativo que, na nossa opinião, perdeu a relevância que tinha antes da lei de 2012. Vejamos o que diz a Res. 432/23:

DA INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA

Art. 6º A infração prevista no art. 165 do CTB será caracterizada por:

I – exame de sangue que apresente qualquer concentração de álcool por litro de sangue;

II – teste de etilômetro com medição realizada igual ou superior a 0,05 miligrama de álcool por litro de ar alveolar expirado (0,05 mg/L), descontado o erro máximo admissível nos termos da “Tabela de Valores Referenciais para Etilômetro” constante no Anexo I;

III – sinais de alteração da capacidade psicomotora obtidos na forma do art. 5º.

Parágrafo único. Serão aplicadas as penalidades e medidas administrativas previstas no art. 165 do CTB ao condutor que recusar a se submeter a qualquer um dos procedimentos previstos no art. 3º, sem prejuízo da incidência do crime previsto no art. 306 do CTB caso o condutor apresente os sinais de alteração da capacidade psicomotora.

DO CRIME

Art. 7º O crime previsto no art. 306 do CTB será caracterizado por qualquer um dos procedimentos abaixo:

I – exame de sangue que apresente resultado igual ou superior a 6 (seis) decigramas de álcool por litro de sangue (6 dg/L);

II – teste de etilômetro com medição realizada igual ou superior a 0,34 miligrama de álcool por litro de ar alveolar expirado (0,34 mg/L), descontado o erro máximo admissível nos termos da “Tabela de Valores Referenciais para Etilômetro” constante no Anexo I;

III – exames realizados por laboratórios especializados, indicados pelo órgão ou entidade de trânsito competente ou pela Polícia Judiciária, em caso de consumo de outras substâncias psicoativas que determinem dependência;

IV – sinais de alteração da capacidade psicomotora obtido na forma do art. 5º.

§ 1º A ocorrência do crime de que trata o caput não elide a aplicação do disposto no art. 165 do CTB.

§ 2º Configurado o crime de que trata este artigo, o condutor e testemunhas, se houver, serão encaminhados à Polícia Judiciária, devendo ser acompanhados dos elementos probatórios.

O crime se configuraria, sempre, conforme a Res. 432/13, com 6 decigramas ou mais de álcool por litro de sangue ( 6 dg/L) ou com 0,34 miligramas ou mais de álcool por litro de ar alveolar expelido (0,34 mg/L).

Trata-se de uma interpretação numérica ou automática da lei penal, que é cientificamente aberrante porque fundada em critérios estatísticos quantitativos, configuradores de verdadeiros leitos de Procusto*, derivados de presunções genéricas que desconsideram a individualidade das pessoas (interpretação, portanto, cientificamente aberrante e antropologicamente escatológica).

Cuida-se, ademais, de interpretação nitidamente inconstitucional, porque fundada em presunção fática contra o réu (presunção automática da alteração da capacidade psicomotora), que viola flagrantemente o princípio constitucional e internacional da presunção de inocência.

É, por outro lado, penalmente autoritária porque, com a citada quantidade de álcool no sangue, já se presume a alteração na capacidade psicomotora do agente assim como a condução sob a influência do álcool (que são requisitos típicos que não podem ser presumidos). Tudo que está contemplado objetivamente no texto legal deve ser provado (não presumido).

É, ainda, dogmaticamente tirânica, porque ignora a dimensão material da tipicidade, defendida pela concepção constitucional do delito (veja L.F. Gomes, Fundamentos e limites do direito penal) a partir da teoria da imputação objetiva de Roxin e da teoria contencionista de Zaffaroni.

Por último, é epistemologicamente incorreta, na medida em que o perigo abstrato puro (ou presumido) se contenta com o mero desvalor da ação (da conduta) presumidamente ofensiva, tal como foi desenhado no direito penal nazista da Escola de Kiel sobretudo por Dahm e Schaffestein, prescindindo-se tanto da comprovação da perigosidade real da conduta como do desvalor do resultado.

De acordo com nossa opinião, a interpretação fundada em automatismos generalistas é inadequada e absurda, porque o legislador de 2012 abandonou a técnica do perigo abstrato puro ou presumido, que tinha sido adotada na redação do art. 306 em 2008 (dirigir com 6 decigramas ou mais). Importa agora analisar no delito de embriaguez ao volante em cada caso concreto, cada pessoa singular, seu sexo, altura, habitualidade da alcoolemia etc.

Cientificamente se sabe que o álcool afeta as pessoas de maneira distinta. Cada uma tem sua singularidade e reage de forma diferente frente ao álcool. É por isso que as generalizações nessa área se apresentam “procustamente” aberrantes. Por exemplo: “A bebida afeta o sexo feminino mais rapidamente do que o masculino. O consumo de uma dose por um homem de 70kg produz uma concentração de 0,2 gramas de álcool por litro de sangue (g/l), em média. Numa mulher de 60kg, a mesma dose resulta em 0,3 g/l. Não que todas sejam fracas para beber. É que, normalmente, a mulher tem menos água no corpo (o etanol se dilui em água) e o fígado feminino demora mais para metabolizar o álcool. Elas, ademais, [com o mesmo peso] têm percentual de gordura maior que os homens” (O Globo de 14.08.11, p. 40).

Motoristas que não fizeram exame de sangue ou etilômetro

Lei seca

Considerando-se que ninguém é obrigado a fazer o exame de sangue ou mesmo o teste do etilômetro (por força do princípio nemo tenetur se detegere), a lei nova possibilitou provar a embriaguez por sinais indicativos de alteração da capacidade psicomotora. Diz a Res. 432/13:

DOS SINAIS DE ALTERAÇÃO DA CAPACIDADE PSICOMOTORA

Art. 5º Os sinais de alteração da capacidade psicomotora poderão ser verificados por:

I – exame clínico com laudo conclusivo e firmado por médico perito; ou

II – constatação, pelo agente da Autoridade de Trânsito, dos sinais de alteração da capacidade psicomotora nos termos do Anexo II.

§ 1º Para confirmação da alteração da capacidade psicomotora pelo agente da Autoridade de Trânsito, deverá ser considerado não somente um sinal, mas um conjunto de sinais que comprovem a situação do condutor.

§ 2º Os sinais de alteração da capacidade psicomotora de que trata o inciso II deverão ser descritos no auto de infração ou em termo específico que contenha as informações mínimas indicadas no Anexo II, o qual deverá acompanhar o auto de infração.

Quando ingressamos nesse terreno dos “sinais indicadores da alteração psicomotora” o subjetivismo é quase que absoluto, cabendo considerar cada pessoa, cada caso. Aquele automatismo que se pretende contra o motorista que fez exame de sangue (ou etilômetro) desaparece. Sai a matemática e entra o singularismo de cada caso.

O tratamento jurídico de um e outro motorista é totalmente distinto, desigual. Trata-se do mesmo motorista e da mesma causa: a embriaguez. Num dia o motorista aceita fazer o exame e é flagrado com 0,34 dg/L: é automaticamente, presumidamente, criminoso. Noutro dia ele recusa o exame e vai ser julgado pelos sinais. Aqui o subjetivismo prepondera. Pode até estar com 0,40 ou 0,50 ou mais de álcool no sangue e ser tido como infrator administrativo.

A violação ao princípio da igualdade (isonomia) está mais do que evidenciada. Motorista periciado: automatismos, presunções, regras quantitativas abstratas, generalizações, estatísticas etc. Motorista não periciado: cada caso é um caso, tudo depende dos sinais indicativos de cada pessoa, o que significa uma pluralidade de valorações nebulosas, subjetivas (e, muitas vezes, até mesmo disparatadas).

Para que não ocorra esse flagrante tratamento diferenciado, inseguro, incongruente e nebuloso, só resta um caminho: respeitar a lei nova em sua literalidade (art. 306). Cumpra-se o que está na nova lei. Vamos respeitar a legalidade. No art. 306 (caput) não existe nenhuma referência quantitativa. Logo, para efeitos penais, todos os motoristas devem ser tratados igualmente (com o mesmo critério). Não pode haver variação de critério: para alguns motoristas, critério quantitativo; para outros, critério subjetivo, valorativo.

Lei seca-2

A quantificação de álcool no sangue (em relação aos motoristas que fizeram o exame ou o teste) é apenas um dos sinais indicativos da embriaguez. Mas uma coisa é provar a embriaguez e outra distinta é o grau de alteração da capacidade psicomotora do agente assim como a forma como ele conduzia o veículo, sob a influência do álcool (ou outra substância psicoativa). O legislador de 2012 abandonou o critério do perigo abstrato puro (ou presumido), na medida em que o caput do art. 306 não apresenta nenhum dado numérico. Rompeu-se com o automatismo.

O que está previsto no novo art. 306 é o perigo abstrato de perigosidade real, que exige a comprovação efetiva da alteração da capacidade psicomotora do agente assim como uma condução anormal (zigue-zague, batida em outro veículo etc.), que é da essência do crime de dirigir sob a influência de substância psicoativa.

Fora disso, estamos diante de uma infração administrativa. O motorista não escapa, de forma alguma (vai responder por algo). Mas esse critério é muito mais justo, porque trata todos os motoristas igualmente. É o critério do caso concreto, competindo ao juiz a palavra final (sobre o enquadramento do fato como infração administrativa ou como infração penal).

Os operadores jurídicos, destacando-se os advogados, não podem se conformar com a interpretação automática e midiática do novo art. 306. Se o legislador mudou de critério (modificando a redação da lei), não se pode interpretar o novo com os mesmos critérios procustianos da lei antiga. O poder punitivo estatal (com a propaganda midiática) está ignorando a nova redação da lei. Para ele, mudou-se a lei para ficar tudo como era antes dela. Muda-se a lei para ficar como era. Trata-se de uma postura malandra do poder punitivo estatal e da criminologia midiática (Zaffaroni: 2012a, p. 10 e ss.), que os intérpretes e operadores jurídicos não podem aceitar.

Luiz Flávio Gomes

Diretor geral dos cursos de Especialização TeleVirtuais da LFG. Doutor em Direito Penal pela Faculdade de Direito da Universidade Complutense de Madri (2001). Mestre em Direito Penal pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo USP (1989). Professor de Direito Penal e Processo Penal em vários cursos de Pós-Graduação no Brasil e no exterior, dentre eles da Facultad de Derecho de la Universidad Austral, Buenos Aires, Argentina. Professor Honorário da Faculdade de Direito da Universidad Católica de Santa Maria, Arequipa, Peru. Promotor de Justiça em São Paulo (1980-1983). Juiz de Direito em São Paulo (1983-1998). Advogado (1999-2001). Individual expert observer do X Congresso da ONU, em Viena (2000). Membro e Consultor da Delegação brasileira no 10º Período de Sessões da Comissão de Prevenção do Crime e Justiça Penal da ONU, em Viena (2001).

*PROCUSTO (Polipémon ou Damastes) – MITOLOGIA GREGA – era um bandido que vivia em uma floresta (Elêusis). A todos que ele passavam por tal lugar ele oferecia guarida e dormida; ele colocava, então, o sujeito em uma cama/leito de um único tamanho e, se a pessoa fosse maior que a cama, ele cortava o que sobrava das pernas com um machado. Se ela fosse menor, ele estirava a pessoa com cordas e afins.

O leito de Procusto é a metáfora da medida única: se sobra, corta; se falta, estica. De fazer caber em uma única cama o que, por natureza, não tem medida única. De tornar pessoas de diferentes tamanhos aleijados funcionais.



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