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Chuvas enchem represa e abastecimento de água é retomado em Itambacuri

Depois de 30 dias com interrupção por conta da seca, cidade do Vale do Mucuri está captando da represa que voltou a ficar cheia por conta das chuvas. Porém, a distribuição funciona em sistema de rodízio

Prefeitura de Itambacuri/Divulgação

Depois de 30 dias paralisado, o abastecimento de água foi retomado em sistema de rodízio em Itambacuri, município de 23 mil habitantes no Vale do Mucuri. Cerca de 16 mil moradores ficaram completamente desabastecidos durante um mês por conta da seca extrema na região, que secou o reservatório que atende a sede da cidade, conforme mostrou o Estado de Minas em sua edição de 22 de novembro. Segundo o prefeito Vicente Guedes (PHS), as chuvas dos últimos dias fizeram a represa encher novamente, mas mesmo assim a distribuição da água segue em sistema de rodízio.

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A cidade foi divida em duas partes. Em uma delas estão os bairros Várzea, Pedreira, Sete Voltas, Usina, Nossa Senhora de Fátima, Adelaide, Lauro Lopes e Jamineque. Na outra estão o Centro, Hollywood, Santa Clara, Laguna, Perdizes, Coqueiros, Vila, Montese e os Conjuntos I e II. “Uma parte recebe água em um dia e a outra só tem o abastecimento no outro. A tendência é que nos picos de chuva o abastecimento atenda 100% da cidade, mas o objetivo é criar uma cultura de armazenamento, para que o impacto seja menor em caso de novos problemas”, afirma Vicente Guedes.
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O prefeito aguarda a liberação dos recursos por parte da Secretaria de Estado de Desenvolvimento e Integração do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Sedinor) que vão garantir uma obra emergencial de barramento para viabilizar uma represa maior, capaz de armazenar a quantidade de água suficiente para a população não ficar desabastecida durante os períodos de seca.
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No último domingo, o Estado de Minas mostrou o drama da população sem água em Itambacuri. O desabastecimento provocou uma situação de calamidade, com filas enormes perto de caminhões-pipa e muito desespero dos moradores. Os caminhões-pipa disponibilizados não davam conta de atender a demanda gerada pela seca na cidade e a situação de calamidade durou 30 dias, especialmente nas áreas mais altas.
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Cidadãos de Itambacuri que moram atualmente nos Estados Unidos fizeram uma campanha e conseguiram dinheiro suficiente para ajudar na crise. Eles contribuíram na doação de 65 caminhões-pipa para aqueles que não tinham dinheiro para estocar a água necessária para evitar a crise.

Prefeitura de Itambacuri/Divulgação

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FONTE: Estado de Minas.


O drama da falta de água

Moradores de Itambacuri, no Vale do Mucuri, vivem uma situação de calamidade pública.

Reservatório da cidade está praticamente vazio e especialistas criticam falta de planejamento

Itambacuri – O semblante triste e cansado dos moradores é o primeiro sinal de que alguma coisa está errada. Juntando esse retrato ao trânsito de caminhões-pipa para todos os lados e à presença de tambores, galões, baldes e outros recipientes na porta das casas e na carroceria de caminhonetes, a conclusão é certa: a falta de água – que até a última quarta-feira, dia 18, secou as torneiras de 16 mil dos 23 mil moradores de Itambacuri, município do Vale do Mucuri, encostado na BR-116, entre Governador Valadares e Teófilo Otoni, a 420 quilômetros de Belo Horizonte – revela uma situação de calamidade pública. Apesar de o abastecimento ter sido retomado na quinta-feira, a cidade vive um quadro de racionamento de água.
Um filete de água escorre em meio à terra seccionada pela seca extrema no período mais crítico da estiagem na região ( Leandro Couri/EM/D.A PRESS )

No reservatório que abastece a sede da cidade, o cenário é inimaginável. Um filete de água escorre em meio à terra seccionada pela seca extrema. A Estação de Tratamento de Água (ETA) está praticamente à míngua. O pouco que chega não tem força para subir os morros, deixando a periferia completamente desabastecida. A chuva do último fim de semana levou esperança aos moradores, mas ainda não representa a recuperação da barragem, que continua seca.

A reportagem do Estado de Minas esteve em Itambacuri e conversou com a população, com a administração municipal e com especialistas, chegando à conclusão de que a situação vivida hoje na cidade é resultado da falta de planejamento, ausência de controle do uso e até da distribuição da água, desperdício e sucessivas agressões ao meio ambiente. Tudo isso amplificado pela falta de chuvas que assola todo o estado há pelo menos três temporadas chuvosas, entrando agora na quarta estação das águas ainda sem precipitações dentro das médias históricas.

Longas filas se formam para conseguir o mínimo de água necessário à sobrevivência ( Leandro Couri/EM/D.A PRESS )

Especialistas apontam que situações vividas em anos anteriores já eram suficientes para nortear a atuação da prefeitura de forma a minimizar o quadro. A administração sustenta que o fato de tão severa falta de água nunca ter se repetido na história da cidade é suficiente para complicar o trabalho. E a população sofre com o drama de ficar sem água.
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O período mais crítico começou em 20 de outubro. O prefeito de Itambacuri, Vicente Guedes (PHS), diz que, um dia depois, a água se esgotou no reservatório que armazena o recurso oriundo do Córrego do Poquim, um braço do Rio Itambacuri, que faz parte da Bacia do Rio Doce. “Começamos tentando levar caminhões-pipa para a ETA, mas ficou inviável, já que o consumo da cidade gira em torno de 2,5 milhões de litros por dia e os caminhões carregam apenas 10 mil. Começamos a pegar água da Copasa em Teófilo Otoni, mas foi insuficiente. Por fim, começamos a estourar represas rio acima.” O prefeito admitiu que isso não garante o abastecimento.
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A chegada da reportagem no Bairro Coqueiros foi vista como uma chance de a água voltar a sair pelas torneiras. De longe, já na fila para conseguir água, um dos moradores gritou: “Tem que denunciar essa situação. Como que pode acabar a água da gente?”. A lavradora Domingas Gonçalves Pereira, de 56 anos, carregava o desânimo na expressão do rosto. Com dificuldades para levantar um balde de cerca de 14 litros, ela só se preocupava em matar a sede de quatro filhos e seis netos. “A gente vai sendo vencida pelo cansaço. Quando faz barulho de caminhão, isso aqui vira um alvoroço, menino. Todo mundo quer pegar água para não correr o risco de morrer de sede”, conta.
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INSUFICIENTE A dona de casa Roseli Soares da Silva ostenta dois galões de 20 litros vazios. “A prioridade é cozinhar e beber. Roupa a gente só lava quando realmente está no limite, mas aí carrega a trouxa na cabeça e leva até algum poço que ainda tenha sobrado”, diz.
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Já no Bairro Santa Clara, o caminhão abastece uma caixa-d’água colocada na região para evitar problemas causados pelo desespero, misturado à quantidade de pessoas sem o recurso. A própria população vai enchendo baldes e galões, esperando a oferta de água, que costuma aparecer de duas a três vezes por dia.
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Enquanto isso…
…LENTA RECUPERAÇÃO NA GRANDE BH

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A intensificação das chuvas nos últimos dias tem contribuído para o elevar o nível dos reservatórios do Sistema Paraopeba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) informou, ontem, que a capacidade total das represas chegou a 20,8%. O volume de água começou a aumentar na quinta-feira, quando o índice saiu dos 20% (o mesmo dos três dias anteriores) para 20,2%. O maior responsável por esse resultado positivo é o Sistema Várzea das Flores, que, de sexta-feira para sábado, registrou aumento de 21,9% para 24,7%. Já a capacidade do Sistema Serra Azul saltou de 5,4% para 5,5%. Por outro lado, o volume do Sistema Rio Manso se manteve nos 28,7%, pelo segundo dia consecutivo. Apesar do aumento, o Sistema Paraopeba conserva o menor índice da história, desde 2013, o que mantém o estado de alerta.
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Personagem da notícia
José Galdino, pedreiro, 52 anos
Como no Nordeste

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Na parte mais alta do bairro, o pedreiro José Galdino, de 52, aguardava em frente a outra caixa que tinha acabado de ser abastecida. Morando há 23 anos em Itambacuri, ele só tinha presenciado situação semelhante no interior do Nordeste. “Sem água, é impossível viver. Minha maior preocupação é com as pessoas bebendo e cozinhando com uma água que, muitas vezes, não sabemos se é própria para isso. Portanto, aqui pretendo conseguir uma pequena quantidade pelo menos para garantir o mínimo de limpeza da casa”, afirma. Para matar a sede da mulher e de oito filhos, José Galdino diz que vai se virando com o pouco que ganha. “Tem que tentar comprar para que um problema não acabe criando outro, deixando a família toda doente”, diz.

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FONTE: Estado de Minas.


Com 36°C, Belo Horizonte tem novo recorde de temperatura em 2014

Nível de umidade do ar chegou a 12%.
Calor deve permanecer na capital mineira nesta quarta-feira.

 

Belo Horizonte teve um novo recorde de temperatura em 2014 nesta terça-feira (14).

De acordo com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), os termômetros marcaram 36° entre às 14h e às 15h.

Belo Horizonte tem recorde de temperatura com 36°C nesta terça-feira (Foto: Reprodução / TV Globo)Belo Horizonte tem recorde de temperatura com 36°C nesta terça-feira

O nível de umidade do ar na capital mineira atingiu 12%, o que é considerado estado de alerta. Segundo a meteorologia, a previsão é que o calor continue nesta quarta-feira (15), também com 36°C.

O dia mais quente do ano registrado anteriormente em Belo Horizonte foi neste domingo (12) – com termômetros na casa dos 34,9°C.

FONTE: G1.


 

 

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Eleições6Muito parecido com a votação no Brasil…

 

FONTE: G1.


Secou0Vicente Faria, chefe adjunto do Parque da Canastra, aponta a fonte que secou

Avanço da seca vira estopim da batalha pela água
Estiagem que fez principal nascente do Velho Chico parar de correr pela primeira vez atinge afluentes da fonte até a divisa do estado, faz minguar volume de Três Marias e leva fazendeiros a travar brigas com vizinhos, relatadas em dezenas de ocorrências policiais

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São Roque de Minas e Montes Claros – A redução da disponibilidade de recursos hídricos na Bacia do São Francisco, agravada pelo inédito secamento da nascente principal do rio, situada no Parque Nacional da Serra da Canastra, em São Roque de Minas, se alastra pelo leito e atinge afluentes em efeito dominó. Em território mineiro, a crise se estende da área onde brota o Velho Chico, no Centro-Oeste do estado, à divisa com a Bahia, no Rio Verde Grande, passando pela represa de Três Marias, a segunda maior da bacia. Pelo caminho, o regime de escassez de água já deflagra conflitos entre produtores rurais, que resultaram em mais de 30 ocorrências registradas apenas nos últimos três meses pela Polícia Militar, em pelo menos oito municípios do Alto São Francisco. A situação é tão crítica que motivará reunião emergencial do comitê nacional da bacia, amanhã, em Belo Horizonte. Entre as providências em estudo está a possibilidade de racionamento.

Secou2O marco do padroeiro cercado por cinzas: após sucessivas queimadas, unidade de conservação da Serra da Canastra está fechada

No parque nacional que abriga a nascente histórica do rio, em São Roque de Minas, a seca tem se agravado nos últimos três anos, mas piorou a partir do último mês de abril. O ponto alto do estado de alerta ocorreu com o secamento da chamada nascente principal do Velho Chico, localizada em meio a uma paisagem hoje esturricada por sucessivos incêndios. Em julho, 40 hectares de vegetação foram consumidos. Em agosto e setembro, houve mais oito queimadas no parque. Na semana passada, outros quatro dias de labaredas atingiram a área do manancial, segundo o secretário de Meio Ambiente, Esporte, Lazer e Turismo de São Roque de Minas, André Picardi. Como medida de proteção, na sexta-feira a visitação à unidade de conservação foi suspensa e deve permanecer assim até 16 de outubro, se não chover. 

Algumas fazendas da região têm até seis nascentes de água. “Essas fontes agora são temporárias. O impacto maior da seca que estamos sofrendo é que as pessoas estão se dando conta de que a água não está garantida”, afirmou André Picardi. Segundo ele, conflitos entre proprietários rurais vêm sendo registrados com frequência em alguns dos 29 municípios na região que fazem parte do Comitê da Bacia do Alto São Francisco. “Isso não existia há três anos. Se havia um caso, era muito. Hoje, a água é fonte de briga entre vizinhos. Antes, as nascentes não secavam”, disse.

A disputa pela água entre fazendeiros para manutenção das atividades em suas propriedades é confirmada pelo presidente do Comitê de Afluentes do Alto São Francisco, Lessandro Gabriel da Costa, que é também secretário de Meio Ambiente de Lagoa da Prata, a 160 quilômetros de São Roque de Minas. Fontes da Polícia Militar de Meio Ambiente na região confirmam o quadro e informam que a situação piorou desde que a seca se agravou, nos últimos 40 dias, período em que têm sido registrados diariamente boletins de ocorrência relacionados a brigas pela água.

Segundo revelou ontem um integrante da Polícia Militar de Meio Ambiente que trabalha na região do Alto São Francisco, a própria corporação tem tomado precauções no sentido de evitar o acirramento dos ânimos entre fazendeiros. “Quando um agricultor denuncia outro por fazer um açude, por exemplo, e manifesta vontade de nos acompanhar até a propriedade do vizinho, aconselhamos que não vá, exatamente para evitar contato direto entre eles”, afirmou o militar, que, por questão de hierarquia, pede anonimato.

Lessandro Costa confirma que o origem da disputa é o desaparecimento de nascentes e de vários pequenos rios e córregos que correm em direção ao Velho Chico. “Os conflitos ocorrem porque produtores situados à beira de cursos represam a água, prejudicando o abastecimento em propriedade situadas abaixo”, explicou. “A água é pouca e não chega para todo mundo.” Em casos como esses, os militares ouvem o reclamante e vão até a propriedade do denunciado, registrando a ocorrência, que é encaminhada ao Ministério Publico, a quem compete tomar providências legais.

 

Mobilização de emergência

O secretário Lessandro Costa informou que o secamento da principal nascente do Velho Chico evidenciou ainda mais a gravidade da situação do rio. Diante disso, amanhã o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco promoverá reunião emergencial na sede da Agência Ambiental Peixe Vivo, em Belo Horizonte, a fim de debater estratégias para enfrentar a situação. O objetivo é reunir subsídios para medidas a serem adotadas pela Câmara Consultiva do órgão, visando ao controle e ao racionamento da água. “Podem ser adotadas medidas judiciais junto ao Ministério Público, com a possibilidade de ser decretado racionamento de água e diminuição da retirada por parte de empresas, priorizando o abastecimento humano”, afirmou o ambientalista.
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No sábado, uma comitiva do comitê nacional deve fazer uma visita técnica à nascente na Serra da Canastra, para verificar a situação. Seus integrantes encontrarão uma paisagem desolada: nos pontos onde antes brotavam olhos d’água e pequenos filetes se formavam debaixo de tufos de capim, marcando a origem do São Francisco, agora há um tapete de cinzas. Não há sequer uma gota d’água correndo em trecho de um quilômetro da principal fonte do rio. A terra úmida, que pode ser sentida com o dorso da mão, é o único indício de que ali antes havia vida. “Vários animais, como cobras e tamanduás, morreram queimados nos incêndios. Os tamanduás têm visão e audição muito ruins e são as maiores vítimas”, disse chefe-adjunto do parque, Vicente Faria.

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A iniciativa de fechar a unidade de conservação é uma tentativa de proteger a fauna e a flora. Para evitar incêndios, foi feita um espécie de aceiro às margens da estrada que corta o parque, para aumentar a proteção e impedir que o fogo chegue às áreas verdes remanescentes, onde está concentrada a maior parte dos animais silvestres.

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O Verde Grande já sumiu
Um dos principais afluentes da margem direita do Velho Chico, no Norte de Minas, está seco. Mas não é o único rio esgotado na região, com grande prejuízo para a pecuária e a agricultura

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Selvino Teixeira mostra, em Riacho do Fogo, na Região Norte, o que era o leito do Verde Grande. Para matar a sede do gado, usa água de poço
Com o secamento da principal nascente do São Francisco, no Parque Nacional da Canastra, o rio fica, enquanto não chove, na dependência dos afluentes. O problema é que, por causa da estiagem prolongada, muitos tributários da bacia estão secos ou pararam de correr. É o caso do Rio Verde Grande, um dos principais afluentes da margem direita do Velho Chico. 
Secou5Represa tem vazão muito maior do que o volume de água que recebe

No Norte de Minas, cerca de 600 rios e córregos estão sem água e pelo menos a metade faz parte da Bacia do São Francisco, que atravessa a região. Os dados são do técnico Reinaldo Nunes de Oliveira, do escritório regional da Empresa de Assistência Técnica Extensão Rural (Emater), em Montes Claros.

Ele ressalta que o secamento dos rios e córregos, pela falta de chuva, resulta em sérios prejuízos para a economia da região, principalmente à pecuária e à agricultura. “As secas seguidas dos últimos três anos no Norte de Minas já causaram perdas que chegam a R$ 1 bilhão. O nosso rebanho bovino, que era de 3,3 milhões de cabeças em 2010, caiu para 2,5 milhões.”

Entre os cursos d’água da região que pertencem à Bacia do Rio São Francisco e estão secos, Reinaldo aponta os rios São Domingos, Caititu e Quem-Quem, que deságuam no Verde Grande. “Outros, como o Pacuí e o Canabrava ainda correm, mas são apenas um filete d’água. “A situação mostra que é preciso um programa de convivência com a seca, com ações mais efetivas, como pequenas barragens para conter a água da chuva e regularizar o rios. A sociedade tem que se conscientizar para cobrar as obras do governo.”

O Rio Verde Grande nasce no município de Bocaiúva, no Norte de Minas, e deságua no São Francisco em Malhada (BA). A bacia atinge 33 cidades (28 em Minas e cinco na Bahia). Em Riacho do Fogo, distrito Montes Claros, ainda perto de sua nascente, o Verde Grande mais parece uma estrada.

“Nunca vi esse rio assim. Isso é conseqüência do desmatamento em suas margens”, lamenta o agricultor Selvino Mendes Teixeira, morador de Riacho do Fogo, ao caminhar pelo leito vazio. “Há muito prometem barraginhas para manter a vazão do rio, mas, as obras nunca saem.” Para matar a sede das poucas vacas em um pasto às margens do rio, ele retira água de um poço tubular. O cano passa dentro do leito seco. “Temos que rezar para que São Pedro mande chuva logo.”

A drástica diminuição do volume do Velho Chico foi constada pela Expedição Vidas Áridas, formada por ambientalistas, professores universitários e representantes de órgãos públicos e ONGs, que, no último fim de semana, iniciou viagem pelo rio, de Três Marias a Malhada (BA). A chegada está prevista para sábado. O barco que leva a comitiva enfrenta dificuldades para navegar. “Infelizmente, a sensação que temos é a de que o São Francisco está morto”, afirma Délio Pinheiro, um dos integrantes da expedição.

 

FONTE: Estado de Minas.


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Incêndio que queimou carros, intoxicou funcionários de emissora e deixou comunidade acuada foi o mais grave em vale que vem sendo castigado pelas chamas há uma semana

 

Um vale dominado pelo fogo, em uma das áreas mais nobres de Belo Horizonte: em menos de 24 horas, incêndios de grandes proporções consumiram mais de 20 hectares de vegetação nos bairros Santa Lúcia e São Bento, na Região Centro-Sul da capital. Ontem, as chamas destruíram 13 veículos e mandaram pelo menos 30 pessoas para hospitais, por intoxicação pela fumaça. A maioria dos veículos consumidos é de funcionários da TV Band Minas, na Avenida Raja Gabaglia, que usam uma rua sem saída atrás do prédio da emissora como estacionamento. 

Fogo

O incêndio de ontem foi o mais grave de uma série iniciada na semana passada em uma espécie de “vale das chamas” na Zona Sul, quando focos começaram na vegetação seca às margens da BR-365 e por pouco não atingiram casas no entorno do Shopping Ponteio, também no Bairro Santa Lúcia. Na noite de anteontem, o fogo voltou a assustar moradores da região, atingindo um terreno vago entre dois prédios na Rua Saturno. 

De acordo com o Corpo de Bombeiros, incêndios como esses, em vegetação de áreas urbanas, aumentaram 77% no estado durante o primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2013. Na capital e região metropolitana, os focos tiveram aumento de quase 22% na mesma comparação. Apenas no Parque Estadual Serra Verde, na Região Norte de BH, já foram 17 incêndios do início do ano até o último dia 16. Vinte e oito hectares de vegetação da unidade e quase três hectares no entorno foram consumidos.

Fogo 2Chamas avançaram pela encosta íngreme com rapidez e não houve tempo para a retirada dos veículos. Dezenas foram intoxicados pela fumaça e demora dos bombeiros foi criticada

Incêndio começou na vegetação e atingiu pelos menos seis carros em um estacionamento

Ontem, a fumaça tóxica proveniente dos carros que pegaram fogo devido ao incêndio na vegetação invadiu primeiro o setor administrativo da TV, que fica no segundo andar do prédio da Band na Avenida Raja Gabaglia, e depois a redação, no térreo. Houve pânico e, na correria, funcionários foram pisoteados. A programação local teve de ser interrompida e atrações foram substituídos pela grande nacional da emissora. 

De acordo com o tenente João Gustavo de Souza Cruz, do 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros, é muito difícil saber como o incêndio começou. Segundo ele, na região dos bairros Santa Lúcia e do São Bento a vegetação de lotes particulares está muito seca e, como o terreno é muito inclinado, o combate às chamas torna-se mais difícil. “Se o bombeiro em combate perder o equilíbrio, ele pode cair e rolar para dentro das chamas. É um trabalho extremamente perigoso”, afirmou o militar. Ontem, segundo ele, as chamas se alastraram tão rapidamente que as pessoas não tiveram tempo de retirar seus veículos.

O primeiro foco teria surgido às margens da Avenida Raja Gabaglia, onde há uma tela de proteção junto ao passeio, fechando terreno particular que estava com o mato alto. A fumaça foi tanta que os motoristas que passavam pelo local ficaram desnorteados. Em pouco tempo, o fogo chegou ao prédio da emissora, onde a auxiliar de serviços gerais Rosi Aparecida Vieira, de 41, descansava no horário de almoço. “Eu tirava um cochilo e fui acordada pela minha colega aos gritos. Todo mundo começou a sair correndo, tentando tirar os carros do estacionamento”, contou. A copeira Maria Lúcia Moreira, de 57, ainda tentou apagar o fogo usando uma mangueira, mas não suportou a fumaça tóxica que vinha dos veículos em chamas na rua de baixo. “Vinham bolas de fogo na minha direção. Engoli um bocado de fumaça”, disse a copeira. 

Parte do Ford Ka da assistente comercial da TV Lenusa Santos, de 26, foi queimada. Prejuízo maior teve o editor-chefe do programa Brasil Urgente, Josuá Barroso, de 26, que estacionou na rua de baixo e encontrou somente a carcaça queimada do carro, que não tinha seguro. “O fogo chegou tão rápido que não deu tempo de tirar o veículo. A fumaça era tanta, que corremos para o outro lado da Raja Gabaglia e buscamos proteção nas concessionárias”, disse o jornalista. Josuá reclamou da demora dos bombeiros. “O fogo queimou os carros às 12h07 e somente às 12h44 eles chegaram à TV”, disse. Segundo ele, também houve demora na interdição de uma das pistas da avenida.

TENSÃO E ESFORÇO O fogo chegou ao Bairro Santa Maria e a população usou mangueiras, baldes de água e até pás para jogar entulho e impedir que as chamas entrassem nas casas e na Escola de Samba Cidade Jardim. Mesmo assim, o desespero foi geral. As chamas destruíram o bananal no lote da dona de casa Deuzemir Ferreira Lima, de 48, assim como a rede elétrica da moradia, que foi salva na última hora, com a chegada dos bombeiros. 

Um carro estacionado na rua em frente à casa foi salvo pelos moradores, que quebraram o vidro e o empurram para longe das chamas. Na Escola de Samba Cidade Jardim, a salvação foi o sistema de combate a incêndios. A abertura do hidrante impediu uma tragédia maior. “Quem apagou o fogo foi a comunidade. Era para ter queimado tudo”, disse o autônomo Laci Alves, de 40, afirmando que os bombeiros deram prioridade ao incêndio no entorno da Band.

Às 17h de ontem, mais de duas horas depois de o fogo ser controlado, o Hospital Madre Tereza, na Avenida Raja Gabaglia, altura do Bairro Gutierrez, já havia recebido 20 pessoas que inalaram fumaça, e outras continuavam a chegar. Entre os pacientes estava o coordenador de promoções da Band Leandro Nunes, de 35, ainda muito assustado. “Foi muito difícil sair da empresa. A portaria fica em uma área aberta, que recebia toda a fumaça do incêndio e a fuligem dos carros queimando”, contou. 

O tenente João Gustavo de Souza Cruz informou que os bombeiros chegaram ao local dentro do tempo previsto e que oito viaturas partiram de locais diferentes da cidade para enfrentar o fogo. Segundo ele, todo combate a incêndio precisa de um tempo de preparação, em ações como definir pontos por onde começar os trabalhos e avaliar as condições de segurança dos militares.

FONTE: Estado de Minas.


‘Virada da Lei Seca’ abre fim de semana

Como parte da Semana Nacional de Trânsito, BH tem 24 horas de blitzen. Aperto resulta em menos flagrantes

Pelo menos oito bases foram montadas, enquanto equipes promoviam ações educativas (Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Pelo menos oito bases foram montadas, enquanto equipes promoviam ações educativas

Belo Horizonte começa o dia de hoje fazendo a contabilidade de uma das maiores ofensivas para cumprimento da Lei Seca já realizadas na capital. Foram 24 horas de blitzen, com bases de fiscalização em pelo menos oito pontos da cidade. Abordagens educativas também foram realizadas em bares no Bairro de Lourdes, Região Centro-Sul, na noite de ontem. As ações fazem parte da Semana Nacional de Trânsito e visam reforçar na população a mensagem de que dirigir alcoolizado não termina em impunidade. E a intensificação nas abordagens já mostra resultado nas estatísticas, com a queda dos flagrantes de condutores alcoolizados.

VEJA MAIS AQUI!Dados da Polícia Civil mostram que de dezembro de 2012 até o último 7 de setembro, 937 motoristas foram presos, dos quais 107 não pagaram fiança e foram encaminhados aos centros de remanejamento do sistema prisional (Ceresps) da capital. Porém, segundo o delegado do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran/MG) Ramon Sandoli, ainda falta muito para uma mudança geral de comportamento da população. “Fazemos reuniões semanais para ajustar as abordagens e encontrar melhores meios de autuar o motorista em flagrante”, diz.Quem foi parado na primeira blitz do dia, na Avenida do Andradas, no Bairro Santa Efigênia, concordou com o aperto na repressão. O analista de departamento pessoal Thiago Ribeiro, que diz só beber socialmente, fez seu primeiro teste. Apesar de ver muitas blitzes por BH, só foi parado duas vezes em cinco anos de carteira.
Pelo mesmo motivo, o motoqueiro Rogério Alexandre dos Santos acha que são necessárias mais abordagens pela manhã. “É nessa hora que o pessoal sai das boates bêbado”, defende. Como não bebe, já sabe o que vai fazer com os dois bafômetros descartáveis que ganhou. “Vou dar para o meu patrão”, disse.

O subsecretário de Integração do Sistema de Defesa Social, Daniel Mallard, falou em um avanço da conscientização dos motoristas. Segundo ele, desde que as blitzes da Lei Seca foram implantadas, o índice de flagrante diminui consideravelmente. Em 2011, de um total de 5 mil abordagens, 12% dos motoristas estavam embriagados. Dos 30 mil parados no primeiro semestre de 2013, apenas 3% tinham algum sinal de álcool no organismo. “Houve sim uma alteração de comportamento. É preciso deixar claro que o Estado não combate a bebida, só pede que haja lazer com responsabilidade”, diz.

Mallard também afirmou que é preciso um aprimoramento do sistema público de transporte no município. “Estamos conversando com a BHTrans para que circulem mais ônibus durante a madrugada. Mas essa decisão é do âmbito municipal.” A BHTrans informou que o transporte coletivo é ofertado de acordo com a demanda de passageiros. Por isso, o atendimento noturno é em menor escala.

FONTE: Estado de Minas.


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