Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Raul Seixas e a arte de não ser normal 

Há 25 anos, o Maluco Beleza entrava para a história dividido entre as facetas da loucura e da lucidez

Ele nunca cometeu pequenos erros se podia causar terremotos. Isso não dá para negar sobre Raul Santos Seixas, o maluco beleza que também foi mosca na sopa, estrela, disco voador, Jesus Cristo, pai de família careta, eloquente da Sociedade Alternativa e homem barbado entregue ao choro fácil. Há 25 anos, todas as facetas desse baiano fervoroso saíram de cena quando fatalmente ele foi traído pela bebida alcoólica em 21 de agosto de 1989. Para o público, Raul Seixas morreu vestido de personagem folclórico endiabrado, se afirmando como o pai do rock e um mito cultuado por gritos universais de “toca Raul!” em qualquer canto do país.

“O Raul era um performático, anarquista, agressivo em cima do palco. Fora de lá, era doce, tímido em algumas situações e muito, muito careta. Falava sempre baixo, odiava maconha e bate-boca, escrevia cartas e não era mulherengo, apesar de ter tido quatro mulheres. Nunca ligou para grana a vida inteira, mas desde criança queria ser popular”, diz Kika Seixas, casada com Raul Seixas entre 1979 e 1985 e idealizadora do show “O Baú do Raul”.

Nessa síntese, Raul Seixas, baiano de Quenheguém, oito horas de mula e 12 de trem, como ele cantou ou inventou, parece mais complexo do que a imagem de maluco beleza lhe sugere. O apelido tem seu lugar, claro. Afinal, desde os 14 anos. Raulzito andava com um maço de cigarros a tiracolo e bebia feito adulto nas reuniões do Elvis Rock Club, que ele fundou em 1957 e que daria origem à sua primeira banda, The Panthers.

O irmão caçula de Raul, Plínio Seixas, lembra que as “maluquices” como odiar a escola e fumar compulsivamente eram a forma do irmão fugir da mesmice. “Desde pequeno, ele (o Raul) tinha pavor do tédio e da idiotice. Por isso, quando ele imitava Little Richards e Elvis em vez de estudar, saindo para beber e fumar, era a forma de ele dizer que tinha muita coisa fora do lugar no mundo. A frase épica dele é: ‘Tudo que aprendia era nos livros, em casa ou na rua. Nunca aprendi nada na escola. Minto. Aprendi a odiá-la’”, conta, aos risos.

Engraçado e performático, Raul Seixas sempre foi. Não à toa, mesmo que as apresentações de Raulzito e Os Panteras soassem como uma afronta à Salvador dos anos 1960 e causasse estranheza em boa parte do público, o grupo rapidamente se tornou referência na Bahia.

Magrelinho e elétrico. Tanto que, em 1966, o cantor Jerry Adriani iniciou uma parceria que alavancaria a carreira de Raulzito, ao contratar a banda do artista para substituir seus músicos, que não chegariam a tempo para a apresentação. “Vi aquele cara magrelinho e elétrico jogando uma enxurrada de ideias criativas. O Raul teve uma postura incrível, profissional, concentrado, mas com o quê de maluco (risos). Não foi por acaso que depois desse show ele excursionou comigo pela Bahia, produziu um disco meu e aí foi voar no seu próprio céu”, lembra Adriani.

O céu de Raul Seixas, entretanto, sempre foi dividido com passagens pelo inferno. Em uma vida de quatro casamentos desgastados, dois anos de fome passados no Rio de Janeiro enquanto era produtor musical da CBS, o envolvimento com o álcool, além do período de intensa piração com Paulo Coelho, moldaram o personagem Raul Seixas com feridas e mágoas que ele carregaria até a morte.

O produtor Marco Mazzola, responsável pelo álbum “Krig-Ha, Bandolo!” (1973), conta que conheceu um artista visionário, escondido atrás de um terno preto bem alinhado, cabelo bem penteado e mala de advogado nas mãos. “O Raul chegou como produtor do Sérgio Sampaio. Até ali não era nada, perguntei o que ele fazia, trocamos uma ideia, ele falou que tinha músicas e pedi para ele mostrar. Fomos para um sala separada no estúdio, o cara tirou a gravata, bagunçou o cabelo e começou a cantar ‘Let Me Sing, Let Me Sing’. Depois me mostrou ‘Trem das Sete’ e eu pirei. Ele era um fenômeno pronto”, diz Mazzola.

No primeiro disco de Raul nasciam pérolas como “Metamorfose Ambulante”, “Mosca na Sopa”, “Al Capone” e “Ouro de Tolo”, compostas em uma áurea de libertação e desengasgo, que se transformaram em paranoia e fantasia em seguida. Segundo Roberto Menescal, então diretor da Phillips, o segundo álbum de Raul, o clássico “Gita” (1974), já apresentava uma mudança significativa influenciada pela amizade com Paulo Coelho, que apresentou ao Maluco Beleza a Lei de Thelema (“faz o que tu queres pois é tudo da lei”) e a inspiração para a Sociedade Alternativa.

“No segundo disco já tinham velas no estúdio, um clima sombrio, piração de disco voador. Cansei de leva-lo para o estúdio de Kombi, ele começava a cantar, dizia que estava tomando passes espíritas e apagava. Nessa época, ele bebia pra caramba já e cheirava muita cocaína. Mas o mais louco é que o Raul nunca cheirou pó para bater um papo ou curtir uma festa, só para compor. Era um vício dele, uma obrigação quase intuitiva”, diz Menescal.

Censurado. Nessa época, após gravar “Gita”, Raul Seixas vivenciou um exílio nos EUA por causa de uma apresentação censurada em que distribuiu os gibis intitulados “Manifesto Krig-Ha”, repletos de ideias da Sociedade Alternativa.

No auge da carreira, entre 1973 e 1980, Raul Seixas era uma referência popular que destoava de artistas consagrados da época, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa. Isso porque, apesar de falar e gritar “rock n’ roll” em suas músicas, Raulzito nunca pertenceu a um nicho da MPB ou do rock. O amigo pessoal do artista, Sylvio Passos, fundador do Raul Rock Club, lembra que o conheceu em 1981, em um processo de efervescência e criatividade, mas também de decadência.

“Liguei para o Raul sem pensar, ele atendeu bêbado. Eu disse que era o Sylvio e ele replicou: ‘Silvio Santos? Que isso, cara?’. Expliquei que era um fã, ele me chamou para almoçar. Fui à casa dele esperando chegar numa mansão do Elvis, mas era uma casa simples, com um Ford Landau na garagem, aquele carro grandão. O cara me serviu macarrão com a mão, para você ter ideia. Lembro que ele não falava mal de outros artistas, mas se recusava a fazer parte de grupos”, conta Passos.

Apesar do consumo de cocaína, álcool e até éter, que arruinou seu casamento com Kika Seixas, a filha do casal, a DJ Vivian Seixas, guarda poucas e boas recordações do pai. “Meu pai morreu quando eu tinha 8 anos, tenho poucas lembranças. Mas me marcou o fato de nunca ter tempo ruim com ele. Sempre muito divertido, ele gostava de criar personagens, como o Capitão Garfo, que pegava minhas bonecas e botava no congelador. E era muito emotivo, qualquer coisa fazia aquele homem barbado chorar”, lembra.

Um choro que parecia evidente na última carta de Raul Seixas para a ex-mulher, Kika Seixas, escrita em 29 de janeiro de 1989. No texto de três páginas, ele pede desculpas pelas loucuras que fez e se diz animado com a turnê do disco “Panela Do Diabo” (1989), feito em parceria com Marcelo Nova, amigo de infância que o resgatou aos palcos após sete anos de sumiço.

“Estávamos em um momento foda. O Raul lançava um disco clássico no último ano de vida, quando ninguém mais acreditava nele e, de fato, ele estava muito debilitado, já havia sido internado diversas vezes”, conta Marcelo Nova.

“Acho que o Raul viveu seus 44 anos da forma como pregava. Foi triste e duro, mas ele não queria chegar aos 100 anos. Vou amá-lo para sempre pela maluquice sincera dele de amar a gente assim”, resume Kika Seixas.

 

FONTE: O Tempo.


Lívia

É assim que sempre vamos nos lembrar de vocês!lIVIA2

“Estamos todos escandalizados com este crime brutal que levou a vida deste casal de Belo Horizonte. E mais os absurdos que assistimos que assistimos no Maranhão.

Daqui não esperávamos outra coisa. Falamos nisso há anos, e há anos o assunto vem sendo tratado com desdém, com desinteresse, com negligência, com graves desrespeitos.

Estamos culpando esses dois monstros pelo que aconteceu. Na verdade, a sociedade brasileira construiu esses dois monstros. Há muito que eles deveriam estar recolhidos num ambiente próprio, seja para separá-los do convívio da sociedade, seja para puni-los por faltas cometidas. Estavam soltos.

Quem matou esse casal foi a sociedade brasileira, através dos seus diversos atores. As leis frágeis, o equívoco daqueles que ainda não enxergaram a situação, não viram que precisamos separar bandido de cidadão de bem. Primeiro. Urgentemente. Depois vamos cuidar de ressocialização ideal, mas agora é preciso proteger o cidadão de bem.

A condescendência da justiça está matando. A polícia mal equipada está matando. Os deputados e senadores que não aperfeiçoam leis estão matando. Todos esses mataram esse casal. A sociedade matou o casal na medida em que mantém esse estúpido Estatuto do Desarmamento que só tomou arma do cidadão de bem, aliás, a sociedade não, a sociedade se manifestou em plebiscito e não queria esse desarmamento idiota.

Mas desrespeitaram a vontade da sociedade e construíram essa crueldade através da qual tiraram do cidadão o seu direito de se defender antes que tivessem assegurado ao cidadão as condições de segurança oferecidas pelo Estado. Tiraram do cidadão de bem o benefício da dúvida.

As chances desse advogado, pobre vítima, seriam poucas se ele tivesse uma arma, é verdade. Mas eram NENHUMA, exatamente nenhuma, sem a tal arma.

A sociedade matou esse casal, matou por diversas formas e diversas frentes mal conduzidas. Deixou que esses dois monstros ficassem nas ruas ao invés de serem acolhidos e tratados, ou, quando nada, fossem afastados do convívio com a sociedade.

A sociedade matou ao manter esse estatuto que é um desrespeito ao cidadão brasileiro, e vai continuar matando se não houver um mutirão para enfrentar essa situação e tapar tantos furos no casco do barco já condenado.

Daqui temos feito graves alertas. A hora não é de belos discursos de ressocialização, não é de brandura nem de condescendência. A hora é de devolver ao cidadão de bem os seus direitos, restabelecer o bom senso.

Se o Estado é incapaz de prover a segurança, que permita que o cidadão pelo menos tenha uma chance. Dar à segurança pública a prioridade que nunca teve. Não pode ser diferente o quadro num país onde existem mais de 500.000 presos em 300.000 celas disponíveis. E onde outros 200.000 condenados esperam por vagas, e outros 200.000 esperam por julgamento.

O crime está solto, o cidadão de bem está desarmado, desprotegido. Está morrendo.”

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Diretor de jornalismo, editorialista e comentarista da Rádio Itatiaia, Márcio Doti iniciou sua carreira em 1974, como redator de esportes da emissora. É formado em Jornalismo pela FAFI-BH, hoje UNI-BH. Como diretor planejou e coordenou memoráveis coberturas jornalísticas, com destaque para as eleições e as visitas do Papa João Paulo II ao Brasil. Paralelamente exerceu por dois anos o cargo de Editor de Esportes do jornal “Diário de Minas”.

Márcio Doti mantém um comentário diariamente no Jornal da Itatiaia 1ª Edição, o principal noticiário da emissora. Foi responsável também pela informatização de diversos setores da Rádio Itatiaia, incluindo a redação, que hoje possui um moderno sistema de rede de computadores. Participou ativamente da implantação do primeiro portal da emissora na internet e da disponibilização pioneira do som ao vivo da rádio em rede mundial. Márcio Doti foi o idealizador da transmissão via satélite da Rádio Itatiaia e participou ativamente da formatação da Rede Itasat, preparando e diagramando os jornais da emissora na versão de rede. É presidente do CEPPO – Centro de Cronistas Políticos e Parlamentares de Minas Gerais.

FONTE: Itatiaia.

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A pergunta “O comércio de armas e munições deve ser proibido no Brasil?” foi respondida em outubro de 2005 por 95.375.824 eleitores brasileiros: 63,94% votaram no NÃO e 36,06% votaram no SIM. Apesar disso, o governo não atendeu à sinalização que a população enviou e covardemente, atendendo a apelos inadequados, ineficazes, populistas, e com o falso objetivo de “mostrar serviço”, deixou o cidadão de bem sem a possibilidade real de se defender da violência.


A JT reconheceu vínculo de emprego em ação ajuizada por advogada com participação societária de 0,0125% em escritório de advocacia. A banca foi condenada a pagar indenização por danos morais no valor de R$ 30 mil por ter mascarado a existência da relação de emprego.

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O juiz do Trabalho Claudio Olimpio Lemos de Carvalho, da 48ª vara do RJ, reconheceu vínculo de emprego de uma advogada que possuía participação societária de 0,0125% com um escritório de advocacia e condenou o escritório a pagar R$ 30 mil de indenização por danos morais por ter realizado uma fraude, mascarando a existência da relação de emprego.

Consta nos autos que a advogada trabalhou durante 17 meses no escritório sem contrato de trabalho. O escritório contestou alegando que ela não foi empregada, mas sim integrante da sociedade. Apresentou ainda o contrato social da empresa no qual consta que 85 advogados detêm 1,163% de participação do escritório, sendo a reclamante detentora de 0,0125 %.

Ao avaliar o caso, o juiz verificou que havia algo de errado na sociedade, pois apenas três sócios detinham 98,837% do capital social, enquanto 85 sócios detinham os outros 1,163%. “Há um desequilíbrio tão evidente que é possível notar, sem outros elementos, que há algo de errado“, observou o magistrado.

Carvalho avaliou que as provas e os testemunhos comprovaram que existia relação de emprego. Nas mensagens eletrônicas trocadas havia ordens expressas de chefias de horário de entrada e saída e a proibição da advogada de patrocinar processos fora do escritório ajudaram a caracterizar o vínculo.

O magistrado concluiu que a advogada “prestou serviços ao réu de forma pessoal, subordinada, onerosa e não eventual” e que mais do que frustrar direitos trabalhistas dela, o escritório causou danos morais, pois a privou da proteção da Previdência Social.

Com esse entendimento o juiz condenou a empresa a pagar todas as verbas devidas e fixou o valor de indenização por danos morais em R$ 30 mil. “Toda essa fraude merece repúdio e seria muito pouco se, depois do que foi tentado para frustrar os direitos trabalhistas, o réu tivesse que pagar apenas o que deixou de pagar“.

FONTE: Migalhas.



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