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Avanço de smartphones, tablets e games leva escolas a repensar ensino
Desafio é frear abusos, que isolam alunos e pioram o rendimento, sem deixar de aproveitar benefícios da tecnologia

 

 

Alunos do colégio Santa Dorotéia foram desafiados pela escola a passar 70 horas sem acesso à web: muitos conseguiram (Beto Novaes/EM/DA Press)
Alunos do colégio Santa Dorotéia foram desafiados pela escola a passar 70 horas sem acesso à web: muitos conseguiram



Inevitáveis telas de diversos tipos e tamanhos invadiram de vez ambientes antes sagrados, como o almoço em família, a mesa dos restaurantes, a antessala de consultórios terapêuticos e até mesmo o pátio das escolas. Embora a maioria das instituições de ensino proíba ligar os aparelhos em sala de aula, na prática há alunos que driblam as regras, o que tem obrigado colégios a repensar a própria maneira de ensinar. O impacto de novas tecnologias sobre a educação é o tema da segunda reportagem de série do Estado de Minas sobre o uso crescente de tablets, smartphones com acesso à internet e videogames por parte de jovens. Ontem, o EM mostrou como o uso exagerado desses dispositivos desconecta muitas crianças e adolescentes do convívio social e familiar, em alguns casos com consequências ruins para a saúde.

O uso de aparelhos com acesso a redes sociais está transformando a maneira como estudantes se relacionam com o ensino. Em um bate-papo descontraído no Colégio Santa Dorotéia, os estudantes revelam, entre outras coisas, que usam o celular para tirar foto da matéria escrita na lousa, em vez de copiar no caderno. Em véspera de provas, tiram dúvidas por meio do grupo criado na rede social WhatsApp e chegam a trocar entre si as respostas do dever de casa, como forma de economizar tempo. Um dos alunos mais brilhantes do Santa Dorotéia, Gabriel Brant, de 12 anos, contou ter gravado um vídeo dele próprio, em que dava as soluções das questões mais difíceis de um trabalho. 

“Era um trabalho valendo pontos para entregar na segunda-feira. Na sexta-feira, os colegas já começaram a enviar mensagens, desesperados. Para facilitar, gravei um áudio com a revisão da matéria e distribuí para todo mundo”, relata ele, que já virou a noite fazendo o dever de casa “comunitário”, na companhia dos colegas, interligados em rede pelo computador. Para adquirir conhecimento, Gabriel afirma que presta atenção nas aulas, faz todos os deveres de casa e estuda todos os dias – não apenas no período de provas. “Nossos alunos já nasceram cibernéticos. Não tem como eliminar os aparelhos, cabe à escola o papel de orientar sobre o uso. O áudio gravado pelo estudante é um exemplo do uso da internet para o bem”, afirma a psicóloga Luciana Castro, orientadora educacional da 8ª série do Santa Dorotéia, que reúne alunos de 12 e 13 anos, no auge da adolescência. 

 (Beto Novaes/EM/D.A Press)

Limites Para tentar controlar o impacto da vida virtual na escola e na família e evitar exageros, Luciana Castro e outros professores conceberam o projeto “70 horas sem web”, que recebeu a adesão espontânea de cerca de 40% dos alunos. “Se não cuidamos, perdemos a convivência com nossos filhos que, mergulhados na web, se esquivam do contato real e das relações”, dizia a carta distribuída para as famílias, convocando a desligar os computadores em maio, na véspera do Dia das Mães. No texto, escrito pelo professor de filosofia Jean Sidcley Álvares Teixeira, os pais foram convidados a voltar a encantar os filhos com o mundo real. 

Além de desafiar os estudantes a boicotar temporariamente os aparelhos, o colégio promoveu debates com os pais. Ofereceu também uma palestra com um perito criminal, que analisou com a turma as implicações de postar vídeos e fotos na internet. “As queixas são frequentes. Recebo mães descabeladas com os filhos de 12, 13 anos, que apresentam queda acentuada de rendimento. Os meninos viram a noite jogando e chegam sonolentos no dia seguinte. Dormem em sala de aula”, diz a coordenadora. 

A farmacêutica Ana Maria Brant, mãe de Gabriel e de outros dois jovens de 15 e 17 anos, comemorou a iniciativa da escola. “Almoço todos os dias com meus filhos e exijo que os celulares estejam desligados na mesa. Na hora de dormir, por volta de 22h, dou o aviso de que vou desconectar a banda larga da internet. A negociação em relação aos joguinhos é cansativa e diária. Mas não podemos desistir, pelo bem deles”, afirma a mãe, zelosa. 

Em outros colégios de Belo Horizonte, como o Santo Antônio e o Izabela Hendrix, palestras e debates sobre os efeitos das tecnologias são incorporados no cotidiano das disciplinas. Este ano, o cyberbullying está em discussão na 6ª série do Santo Antônio, que estuda a história do bullying, a figura do agressor e as formas de prevenção da chacota na internet. No Izabela Hendrix, o professor Filipe Freitas, doutorando de Comunicação Social na UFMG, deu palestra sobre os riscos da violência desencadeada pelos jogos. Ele defende que em vez de combater os games, os pais se sentem ao lado dos filhos no computador, ajudando a escolher games mais educativos. “Há jogos com propostas interessantes, como o Kerbal Space Program, de um designer brasileiro, que ensina a simular programas espaciais, exigindo noções de astronomia e física dos usuários. São jogos interativos, que permitem criar comunidades de amigos”, diz. 

Dá para ficar 70 sem horas sem internet?

Veja como reagiram alguns alunos do Santa Dorotéia ao desafio de ficar longe da internet por quase três dias

Luta contra o “tédio”

Os irmãos Sofia e Álvaro, de 15 anos e 12 anos, completaram o desafio das 70 horas sem web, do Santa Dorotéia, com alguma facilidade. Por ser Dia das Mães, a família seguiu para a casa da avó no interior mineiro, onde não há conexão com a internet. “Lá só tem umas galinhas e é um tédio enorme”, descreve Álvaro, que costuma tirar gratuitamente dúvidas sobre informática dos vizinhos do prédio onde mora. Para a irmã dele, Sofia, a tarefa foi mais fácil. “Tenho muitas matérias para estudar e não tenho mais tanto tempo para ficar no computador. A partir do desafio, descobri que foi agradável conversar por um tempo maior com meu irmão”, diz. 

Por uma foto do ídolo


Maria Júlia Castro, de 13 anos, apenas a mais nova, não conseguiu passar dois dias e meio sem acessar a internet. Ela capitulou no último minuto, pois não resistiu em acessar as fotos postadas pelas colegas que tinham ido ao show do One Direction em BH. A banda é formada pelos atuais ídolos das garotas. Apesar de considerar um suplício, o colega Gabriel Brant, de 12 anos, chegou até o fim no desafio. “Para me ajudar, apaguei todos os aplicativos do celular. Mesmo desligado, andava de um lado para o outro com o aparelho na mão”, conta o garoto. “Foi bom ficar sem internet. Aproveitei para relaxar e dormi bastante”, completa.
Nossos alunos já nasceram cibernéticos. Não tem como eliminar os aparelhos, cabe à escola o papel de orientar sobre o uso – Luciana Castro, psicóloga e orientadora educacional da 8ª série do Santa Dorotéia
FONTE: Estado de Minas.

Eles ficaram mais rápidos e são multifuncionais mas baterias descarregam rápido. Saiba como fazer para economizar energia

Bateria

Gabriel Gontijo, de 21 anos, é publicitário e usa smartphone praticamente o dia todo para trabalhar e conversar com os amigos. “Comecei com um Blackberry e já achava que a bateria acabava rápido, mas com o iPhone 4S que uso agora, vi que pode ser bem pior”, conta. Para o publicitário, isso acontece devido à quantidade de aplicativos, música, internet, e claro, ligações que ele faz. Gabriel até experimentou um case que recarrega o smartphone sem a necessidade de tomada, mas não se adaptou ao produto. Quando a bateria começa a diminuir, o publicitário usa técnicas para diminuir a ansiedade de ficar sem o celular. “Quando a bateria está acabando e eu não tenho onde carregar, tiro o brilho da tela e não deixo a porcentagem de energia restante aparecer, que é para não sofrer por antecipação”, brinca. “Tenho carregadores em casa, no carro, na agência e durmo com ele carregando do meu lado”, conta.O fato é que fabricantes de smartphones, dispositivos cada vez mais potentes e capazes de executar uma enormidade de funções, não conseguiram ainda vencer o desafio de desenvolver baterias com maior durabilidade. Pelo contrário, elas duram menos que as dos celulares comuns, ainda que com vantagens sobre eles. “As baterias de hoje são de íon de lítio, e antes eram de lítio. Tínhamos que esperar o celular descarregar para fazer uma nova recarga e não viciar o aparelho. Hoje ela é uma bateria inteligente que possibilita carregar o celular a qualquer momento sem viciá-lo”, explica o professor do projeto Informática e Tecnologia da UFMG César Adriano Mendonça de Oliveira.

Ele explica que, por outro lado, quanto mais poderoso o processador, quanto mais núcleos ele tem, mais consome energia. O tamanho da tela também influencia no gasto. “A bateria de um tablet, por exemplo, quase não dura”, compara Oliveira. Mas há procedimentos que podem ser adotados para a bateria durar mais tempo. A primeira, ressalta o professor, é desligar as redes bluetooth, wi-fi e 3G quando não são utilizadas. Em locais fechados e bem iluminados, a dica é diminuir o brilho, o que reduz consideravelmente o consumo de energia. Veja abaixo dicas e aplicativos para economizar bateria (Marcella Brafman ).

MODO ECONOMIA
Desligue o wi-fi

Se o wi-fi está ligado sem necessidade, o aparelho gastará muita bateria listando todas as redes encontradas no local onde estiver. Isso é pior no trânsito, pois como o sinal das redes fica muito variável, o telefone tem que usar mais potência para transmitir os sinais de rádio. O mesmo vale para bluetooth, 3G e GPS. Desative as redes não utilizadas e torne a ligá-las apenas quando necessário.

Diminua o brilho
Deixar a tela com o mínimo de brilho não vai fazer muita diferença na hora de utilizar o aparelho em locais fechados. Em ambientes mais claros, vale procurar um meio-termo para iluminar a tela.

Encerre ou desinstale aplicativos não usados 
Se você não está mais usando um aplicativo, não há necessidade de ele permanecer ligado. Em Androids e IOS é possível encerrar qualquer um que esteja na ativa, ajudando a poupar bateria. Outra tática é deletar do sistema programas ociosos.

Sem notificações e sincronização automática
Facebook, Twitter, Gmail e Instagram são apenas alguns dos aplicativos que contam com função de notificação automática. Eles sempre baixam dados da web para o aparelho para avisar sobre novidade ou sincronizar informações, exigindo hardware e gastando mais energia. Desativar as notificações ou sincronização no menu de configuração do celular é a melhor maneira de economizar.

Ative o modo avião se não precisar de receber ou fazer chamadas
Muitas vezes é preciso trabalhar no telefone mas não são necessárias conexões externas. Ative o modo avião nesses momentos e a bateria durará mais.

Desligue o aparelho quando não puder usá-lo
Em cinemas, voos ou reuniões, deixe-o desligado. Caso cheguem ligações ou mensagens nesse período, será possível saber pelas mensagens de texto da operadora quando ligar o telefone novamente.

Evite os recursos de multimídia
Ouvir música, entrar no YouTube, jogar ou assistir a filmes estão na lista de ações que gastam muita bateria nos smartphones. Se não tem como carregar o telefone e a bateria já está no fim, evite gastá-la com esses recursos.

Bloqueie o aparelho
Parece óbvio, mas é importante bloquear o aparelho quando não estiver sendo usado. Mesmo com ele bloqueado, será possível receber chamadas e mensagens de texto, mas nada acontecerá quando houver um toque na tela. Você pode também configurar o intervalo de bloqueio automático para que o celular desligue mais rápido após um período de inatividade.

APLICATIVOS CAMARADAS
Depois de baixar aplicativos e jogos para o smartphone, uma boa dica é tomar mais cuidado com a duração da bateria do aparelho. Os usuários do Android podem contar com aplicativos que ajudam a prolongar a vida da bateria.

Juice Defender 
O aplicativo economiza o consumo da bateria controlando a APN (conexão de dados). Quando o dispositivo está no modo sleep, o aplicativo desativa todas as conexões de dados, não sincronizando e-mails, contatos e calendários. Aplicativo gratuito, em inglês.

Easy Battery Saver
Gerencia as conexões de rede (wi-fi e 3G), brilho da tela e tempo de hibernação do dispositivo para prolongar a vida da bateria. É possível personalizar ou acessar diretamente os modos General Saving, Saving e Super Power Saving. Aplicativo gratuito, em inglês.

Deep Sleep Battery Saver 
Permite ao usuário definir o horário que o aplicativo deverá desativar funções como wi-fi, bluetooth e 3G. Aplicativo gratuito, em inglês.

Advanced Task Killer 
Economiza a bateria do dispositivo ao fechar todos os programas que rodam em segundo plano. O usuário pode personalizar o aplicativo, selecionando quais deles podem ou não ser desativados. Aplicativo gratuito, em inglês.

FONTE: Estado de Minas.


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