Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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Festivais Botecar e Comida di Buteco tomam conta de Belo Horizonte e lotam 100 bares. Escolha dos campeões fica a cargo do público, que vota para escolher o melhor tira-gosto

 

 

Ricardo William e Lilian Azevedo escolheram o bar Patorroco, no Prado, para saborear o tira-gosto (Ramon Lisboa/EM/D.A Press<br /><br />
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Ricardo William e Lilian Azevedo escolheram o bar Patorroco, no Prado, para saborear o tira-gosto

Mesmo com o céu nublado, ontem foi dia de botecar em Belo Horizonte, cidade que sustenta o título de capital nacional de jogar conversa fora nos bares da vida, com direito a tira-gosto com sabor mineiro e cerveja estupidamente gelada. Pela primeira vez dois festivais de comida de boteco acontecem ao mesmo tempo. São 100 bares que participam com pratos especiais, inventados com carinho pelo próprio dono. Os preços variam de R$ 17,50 a  R$ 29,90. Este ano, os dois eventos têm tema livre. 

Com 55 bares participantes, o Botecar apresenta-se como o maior e mais novo festival de botecos de raiz, ao lado do já tradicional Comida di Buteco, que completa este ano a sua 15ª edição, com 45 inscritos. Visitantes e jurados irão votar nos melhores pratos durante o festival, que vai até o dia 30. Metade dos participantes são estreantes neste tipo de evento. É o caso de Leopoldo Marques Pinto, dono do Boteco da Carne, no Bairro de Lourdes, que estreou este ano no Botecar. “Meu movimento aumentou uns 40%”, comemorou Leo, que criou pessoalmente o Lombinho Bom de Bola, inspirado no tema da Copa do Mundo no Brasil. 

Para quem ainda não provou, o prato consiste em “lombinho de lata” com batata bolinha, farofa de farinha de milho, couve e molho de rapadura. “Está tão bom, mas tão bom, que já repetimos três vezes”, elogiava o engenheiro Marcelo Matos. Ele levou a turma de amigos do futebol, que se reúne há mais de 15 anos para almoçar no boteco. Entre eles o jogador do Vila Nova Rodrigo Ramos, mais conhecido como Ferrugem, o administrador Murilo Henrique Assis, o servidor público Luiz Miranda e o economista Sérgio Moreira Reis. Para este último, o diferencial do prato era o molho de rapadura, sem falar na cerveja servida no ponto certo, bem gelada. 

Ao lado dos novatos, convivem no Botecar vencedores de outros festivais. No Patorroco, no Bairro do Prado, Região Oeste de BH, a ampliação da casa em 30% não foi suficiente ontem para receber o volume esperado de público. Na verdade, nem mesmo a cozinha deu conta de atender todo mundo. O tempo de espera pelo Tutu Bola, que deveria ser de 20 minutos, dobrou para 40 minutos. “Pela primeira vez, subestimei o evento. A saída dos pratos está muito maior do que eu esperava”, admitiu Marcos Proença da Matta Machado, que responde pelo apelido de Patorroco, recebido durante uma pescaria, em função da voz rascante.

Ao criar o Tutu Bola, Patorroco tentou resgatar as origens da gastronomia mineira e apresentar o tutu de feijão, em formato de bolinho, para o turista que virá visitar BH durante o campeonato mundial de futebol. “Na minha opinião, é forte candidato a ser campeão do Botecar”, afirma o engenheiro Ricardo William, de 24 anos, noivo da relações públicas Lilian Azevedo, também de 24. Os dois acompanham todas as criações do Botecar e optaram por iniciar a corrida aos bares no Prado. No mesmo dia, pretendiam visitar outros três bares. 

No Comida di Buteco, que vai até 11 de maio, a tradição de 76 anos do Café Palhares convive ao lado do jovem casal Mariana e Ézio Morais, de 31 e 29 anos, que há apenas um ano, abriu o D’Leve, na região do Barro Preto. Venderam a casa, o carro e largaram os antigos empregos para investir tudo no bar. Para bolar o prato inscrito na competição, Ézio fez uma oração e pediu inspiração a Deus. Criou o Poliglota Cachaceira: bolinho de língua empanado gergelim e aveia, com mandioca; bolinho de língua empanado, com abóbora e mini quibe de língua com ervas e canela. “Servir língua é o nosso desafio, pois se trata de uma carne diferenciada, da qual as pessoas têm um pouco de aversão. Quem come acha uma delícia”, afirma Mariana. 

“É uma pena ter escrito aqui na plaquinha, porque eu ia fazer minha irmã comer primeiro e depois contar o que era”, graceja a consultora de vendas Fabiana Avelar, que levou o marido, o analista de TI Robertson Avelar e a irmã, a contadora Luciana Navarro e amiga, a administradora Lídia Passos, para experimentarem a iguaria. “Nota mil”, comentou a turma em coro, com exceção de Luciana, que se recusou a provar. 

Grupo de amigos preferiu começar o passeio pelo D%u2019Leve, no Barro Preto (Ramon Lisboa/EM/D.A Press<br /><br />
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Grupo de amigos preferiu começar o passeio pelo D%u2019Leve, no Barro Preto


Serviço

Festival Botecar: vai até 30 de abril. Confira os 55 bares participantes no botecar.com.br
Comida di Buteco: vai até 11 de maio, com Festa Saideira no dia 17 do mesmo mês. A lista dos bares está no comidadibuteco.com.br

FONTE: Estado de Minas.

Inflação na mesa do bar

Preços de cervejas e tira-gostos servidos nos tradicionais botecos de Belo Horizonte tiveram reajustes bem acima da alta do custo de vida nos últimos meses. Alta da cerveja chega a 15,91%

Preços disparam

Belo Horizonte é conhecida como a capital dos bares, no entanto frequentar estabelecimentos desse tipo está cada vez mais caro na cidade. Pesquisa divulgada ontem pelo site Mercado Mineiro mostra que o preço médio da cerveja Heineken, por exemplo, subiu 15,91% de abril até este mês, passando de R$ 6,35 para R$ 7,36. Ainda de acordo com a pesquisa, o tira-gosto que registrou maior aumento, de 16,77%, foi o contra-filé na chapa ou na brasa: em abril, o preço médio era de R$ 35,59, e atualmente é de

R$ 41,56. Os reajustes foram bem acima da inflação registrada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis (Ipead/UFMG) em BH de janeiro a setembro, de 4,17%. O levantamento foi feito entre 10 e 18 de outubro de 2013, em 62 estabelecimentos tradicionais na cidade.
Na pesquisa do Mercado Mineiro foi verificado que até os valores do prato no festival Comida di Buteco apresentaram aumento de 12,43%, passando de R$ 22,84 para R$25, em poucos meses. A pesquisa revela que todas as marcas de cervejas também apresentaram reajustes acima da inflação. O preço médio da Skol passou de R$ 5,85 para R$ 6,55, com alta de 11,97%. A Brahma não ficou muito atrás e apresentou um aumento de 11,51%, passando de R$ 5,91 para R$ 6,59. O lombo na chapa ou na brasa, opção de tira-gosto tradicional, custava em média R$ 35,26 e agora sai por R$ 39,33, alta de R$ 11,54%.
Com preços mais salgados, o empresário Yuri Salomão conta que as contas passaram a ficar bem mais caras que o de costume, já que ele não abre mão do happy hour com os amigos todas as semanas, entre quarta e sexta-feira. Antes, Yuri gastava em torno de R$ 100 por saída, agora as contas passaram para R$ 150 a R$ 200, com a mesma quantidade de cerveja. “Eu pagava em torno de R$ 6 por garrafa, hoje ela chega a quase R$ 10. O difícil é diminuir a quantidade da bebida e a de idas ao bar. É um lazer”, comenta.
O responsável pelo Bar do Tizé, tradicional no Bairro de Lourdes, Robson Tizé, explica que os preços são estabelecidos de acordo com o custo dos produtos, mão de obra e outras despesas, que implicam no funcionamento do bar. No local, o último reajuste no preço da cerveja foi registrado há cerca de dois meses. A garrafa da Original, antes vendida a R$ 7,20 passou para R$ 8,20, alta de 14%. “Costumamos diminuir a margem de lucro para não ter que repassar ao cliente, mas dessa vez não teve jeito. O último aumento apresentado pela distribuidora foi muito grande”, comenta.
A pesquisa mostra que é bom ficar de olho no preço e pesquisar antes de sentar à mesa de um bar para aproveitar o descanso. A variação de preços entre estabelecimentos chegou a 316,67% como na porção de lombo que pode ser encontrada com entre R$ 18 e R$ 75. O diretor-executivo do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu, recomenda que o consumidor avalie o que é melhor para ele, como a localização, infraestrutura, atendimento e qualidade. “Em alguns casos, o bar que é mais sofisticado tem o mesmo atendimento do mais simples, que tem preços bem mais em conta”, explica.Fique atento Feliciano Abreu ressalta ainda que é importante lembrar que, nos casos dos preços de porções, a quantidade e a qualidade do ingrediente para a produção do prato deve ser verificada com os garçons. Também vale observar o tamanho da porção. O preço de algumas bebidas também deve ser questionado. No caso da caipirinha, por exemplo, a cachaça usada pode indicar o valor impresso no cardápio. Nos bares da cidade, a variação no preço da tradicional bebida foi de 247,50%, com o menor preço de R$ 4 e o maior de R$ 13,90. Já a caipivodka apresentou variação de 180%, uma vez que é vendida entre R$ 5 e R$ 14. Para evitar um peso ainda maior no bolso, Abreu lembra da importância de conferir a conta, uma vez que produtos e serviços que não foram consumidos podem ser inseridos nas comandas.
FONTE: Estado de Minas.


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