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Válvula de emergência contra o colapso
Transposição de águas do Paraopeba para o Sistema Rio Manso, principal trunfo da Copasa para evitar esgotamento de reservatórios na Grande BH, começa semana que vem, ao custo de R$ 180 mi

 

Trecho do Paraopeba onde deve ocorrer a captação: reforço para o maior reservatório do sistema (LEANDRO COURI/EM/D.a Press)

Transposição

A Copasa se prepara para começar na próxima semana a obra que é a principal aposta da empresa de abastecimento e saneamento para livrar a Região Metropolitrana de BH de um colapso no abastecimento e evitar que medidas como o racionamento e rodízio sejam adotadas. Com recursos de R$ 180 milhões assegurados pelo governo do estado, o projeto de transposição das águas do Rio Paraopeba, em Brumadinho, na Grande BH, pode incrementar em até 4 mil litros por segundo o reservatório do Sistema Rio Manso, asseguram fontes da empresa. A companhia não se manifestou oficialmente sobre o assunto, sob a justificativa de se encontrar em período que antecede a divulgação de resultados ao mercado.
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Para a transposição, será construída uma adutora de 4 quilômetros de extensão, desde o Rio Paraopeba, próximo ao Centro de Arte Contemporânea Inhotim, em Brumadinho, até a Estação de Tratamemto de Água do Rio Manso. A expectativa é de que a obra termine antes de dezembro. Nas proximidades do local, pescadores e lavradores confirmam que operários da Copasa passaram os últimos dias fazendo sondagens no terreno, que é constituído de pastos e segue margeando o Rio Manso até o encontro com o Paraopeba.
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Morador da região há 37 anos, o lavrador Edson da Silva, de 71 anos, disse ter visto operários arrastando maquinário pasto adentro e fazendo marcações para a nova adutora. “Está mesmo precisado trazer água do Paraopeba. Nunca vi o rio (Rio Manso) tão seco assim. Só sobrou um filete. Quem pescava vai e volta sem nada”, conta.
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A barragem do Rio Manso estava ontem com 52,5% de sua capacidade, bem menos do que volume que apresentava há um ano, quando chegou a 88,3%. É o maior dos três reservatórios que integram o Sistema Paraopeba, formado ainda pelas represas de Serra Azul e Vargem das Flores, e é responsável por 17% do abastecimento da capital mineira. Ao todo, o Sistema Paraopeba responde por 30% da água que a Copasa distribui para BH e outras 16 cidades da região metropolitana. Devido à falta de chuvas e à crise hídrica, o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) precisou decretar situação de restrição de consumo em todas as captações do complexo Paraopeba, no mês passado.
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O projeto de transposição das águas foi finalizado pela Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop) em março, depois de avaliação da viabilidade jurídica por parte da força-tarefa criada pelo governo do estado para combater a crise hídrica na Grande BH. O parecer foi necessário, já que um adendo precisaria ser feito ao contrato da parceria público-privada (PPP) que administra o Sistema Rio Manso.
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MANOBRAS Por causa da crise, a Copasa recorreu a várias manobras, algumas delas radicais, como a redução em 82% da captação do Sistema Serra Azul, que ontem tinha apenas 15,9% de seu volume total, 40,5% menos que em abril do ano passado, quando chegou a 39,2%. A operação preserva o reservatorio de uma seca antecipada, mas sobrecarrega outros mananciais, como o Rio das Velhas e o Rio Manso.
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A captação média no Sistema Serra Azul caiu para 430 litros por segundo, o que representa 18% do que estaria sendo retirado normalmente nesta época do ano. De acordo com a Copasa, “a compensação dessas vazões vem dos outros sistemas produtores, que fazem parte do Sistema Integrado da Região Metropolitana de Belo Horizonte, entre eles os sistemas Rio das Velhas e Rio Manso”.

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FONTE: Estado de Minas.


Transposição do São Francisco, que terminaria em 2010, será entregue em 2015
A Transnordestina, que seria concluída em 2010, agora tem o término previsto para 2014
Quatro grandes obras que deveriam ter sido entregues ainda no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se arrastam no mandato de Dilma Rousseff (PT). Os canteiros de obras, que, de lá para cá já, estiveram até sem operários, são a “herança atrasada” recebida pela petista, que deveria ter iniciado seu mandato colhendo os louros de projetos concluídos. Agora, Dilma tem o desafio de tocar as obras travadas.Se as previsões atuais do governo federal forem rigorosamente cumpridas, o que não ocorreu até o momento, essas obras estarão atrasadas em até cinco anos.É o caso do projeto de transposição do rio São Francisco. Iniciada em 2007 e com previsão inicial de conclusão para 2010, a obra teve seu prazo estendido por Lula para 2012 e, hoje, a expectativa mais otimista é que será entregue somente em 2015.

O projeto prevê a distribuição de água para 12 milhões de pessoas nos Estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte com a construção de dois eixos de integração principais. No Leste, as águas percorrerão 220 quilômetros de dutos, a partir da Barragem de Itaparica, entre Bahia e Pernambuco, até a cidade paraibana de Monteiro. No eixo Norte, são 400 quilômetros de tubos que cruzam Pernambuco e Paraíba, até a divisa com o Rio Grande do Norte.

De acordo com os números oficiais, apenas 43% da obra foi concluídas até o momento, mas o orçamento atual já dobrou em relação à previsão inicial – dos R$ 4 bilhões prometidos em 2007, pelo menos R$ 8,5 bilhões serão desembolsados para que o cronograma seja concluído em dois anos.

Outro exemplo é o da Ferrovia Transnordestina, cujos 1.728 quilômetros de ferrovias escoarão a produção agrícola e mineral do interior nordestino pelos portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco. O cronograma inicial previa o período de obras entre 2008 e 2010, mas os atrasos e, até mesmo, as paralisações postergaram o prazo para o último dia do mandato da presidente Dilma.

Além de dutos e trilhos, também atravessa o sertão nordestino a pior seca dos últimos 50 anos. Tanto a transposição do Rio São Francisco quanto a ferrovia Transnordestina foram prometidas para amenizar os efeitos da seca, o que não ocorreu até hoje.

Seca. As obras planejadas diretamente para irrigação também não cumpriram os prazos. No Piauí, a Barragem de Piaus começou a ser construída há sete anos, mas a previsão de entrega é apenas para junho, quatro anos depois do prazo inicial. A barragem, mesmo em obras, chegou a ser inaugurada em 2010 pelo governador do Piauí, Wilson Martins (PSB).

A adutora do Pajeú, no interior pernambucano, é outro exemplo. Apenas o primeiro trecho, de 197 quilômetros, foi entregue em março deste ano, durante evento que contou com a presença de Dilma Rousseff. Ainda faltam outros 400 quilômetros, que nem mesmo começaram. A liberação do segundo trecho foi assinada durante a visita.

ESTRATÉGIA
Visitas presidenciais são mais frequentes
Mesmo com as obras atrasadas, a presidente Dilma Rousseff (PT) continua a fazer do Nordeste brasileiro um palanque de anúncios de novos investimentos. Somente neste ano, Dilma fez nove viagens oficiais à região.Em sua maior parte, as visitas foram para acompanhar e inaugurar obras, como a barragem de Piaus, no Piauí, e a ponte Gilberto Amado, no Sergipe – ambas em janeiro –, o primeiro trecho do Canal do Sertão, em Alagoas, e a Arena da Fonte Nova, na Bahia, neste mês.No dia 1º de abril, a presidente Dilma esteve em Pernambuco, onde anunciou a liberação de R$ 9 bilhões para enfrentamento emergencial da seca no Nordeste. O anúncio foi feito ao lado do governador pernambucano, Eduardo Campos (PSB), que tem ameaçado tomar o reduto eleitoral do PT.

Hoje, oficialmente aliado ao governo Dilma, Campos tenta viabilizar sua candidatura à Presidência no ano que vem. (LP)

FONTE: O Tempo.


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