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Serra da Canastra é opção para férias de julho em São Roque de Minas

Trilhas e cachoeiras são algumas das atrações. 
Pousadas precisam ser reservadas antecipadamente, segundo Atusca.

 

Parque Nacional da Serra da Canastra (Foto: Atusca/Divulgação)
Parque Nacional da Serra da Canastra atrai turistas em São Roque de Minas

As belezas da Serra da Canastra em São Roque de Minas, no Centro-Oeste do estado, chamam a atenção de turistas. A região está na lista das opções de férias de julho dos apaixonados por ecoturismo. (Veja galeria de fotos)

Segundo a Associação de Turismo da Serra da Canastra (Atusca), as pousadas precisam ser reservadas com antecedência, já que o período é um dos mais procurados do ano. Para visitar o local é preciso se hospedar em algum município do entorno e um deles é São Roque de Minas. 

Namorados aproveiram belezas e romantismo da Serra da Canastra (Foto: G1/G1)Namorados aproveiram belezas e romantismo da Serra da Canastra

As cachoeiras e trilhas chamam atenção daqueles que querem um contato com a natureza. Cristina Rosa e Anderson Freitas, já estiveram na região e eles não descartam a ideia de retornar no período de férias.

“Estivemos na Serra da Canastra em um feriado e por isso tivemos pouco tempo para descobrir tudo o que há no local. Visitamos a cachoeira Casca d’Anta, várias outras cachoeiras com poços inesquecíveis para banho, e fizemos trilha. Não descartamos a possibilidade de retornar em julho, pois não conhecemos a nascente do Rio São Francisco”, disse Cristina.

Opções de lazer
A cachoeira Antônio Ricardo é uma das mais procuradas para caminhadas coletivas. O local fica a 18 quilômetros de São Roque de Minas, no povoado de Leites. O acesso é por meio de trilhas e encanta pelas águas cristalinas. O espaço é ideal para quem deseja descansar. “A cachoeira é muito linda e tem uma queda de 120 metros de altura. As pessoas nadam em um poço cristalino”, contou a diretora da Atusca, Daniela Labonia, que completou dizendo que para entrar é preciso contribuir com uma taxa de preservação da trilha no valor de R$ 5.

Ainda segundo Daniela Labonia, há outras opções como a cachoeira da Lavrinha, que fica aos pés do Chapadão da Canastra. “A caminhada para se chegar a essa cachoeira é exuberante. Sem contar a vista para o chapadão durante todo o percurso. Nessa cachoeira a entrada é gratuita. A queda é de 60 metros e a piscina natural é um convite para um bom mergulho”, disse Labonia.

Cachoeira da Lavrinha na Serra da Canastra (Foto: Regina Nicolette/Divulgação)
Cachoeira da Lavrinha na Serra da Canastra

A terceira opção é a cachoeira do Taboão, que fica no alto da Serra da Babilônia, e pode ser explorada acompanhando as margens do rio que formam uma sequência de quedas e lagoas. “O local é ideal para fotógrafos que querem fazer imagens de uma paisagem maravilhosa. O turista consegue chegar até uma das nascentes dessa cachoeira que forma uma piscina de água azul celeste”.

Cachoeira do Taboão (Foto: Valdeir Rabelo/Divulgação)Cachoeira do Taboão chama a atenção de turistas

A cachoeira fica em um local isolado e também não é preciso pagar taxa de visitação. Em um dos lagos é possível mergulhar debaixo de pedras que levam o turista a outras piscinas naturais e grutas. Para isso a Atusca oferece serviço de guias e condutores que orientam os banhistas em todos os roteiros.

Toda a visitação pode ser feita em apenas um dia. Mas o ideal é que os turistas permaneçam na Serra da Canastra de três a dez dias. “São mais de 30 atrações na região. Um dia não é suficiente para os amantes da natureza”, disse Labonia.

Cachoeira Casca Danta (Foto: Eduardo Issa/Divulgação)Turistas poderão ver belas cachoeiras na região 

Sobre hospedagens, Daniela Labonia ressaltou que existem excelente lugares na região.

“Existe a opção de hospedar em cidades que são bem pequenas e aconchegantes, com muita receptividade, tudo muito tranquilo. As mais procuradas são São Roque de Minas e Vargem Bonita, que estão mais próximas das principais atrações. Especificamente em São Roque de Minas temos dois distritos com menos de 500 moradores cada, São José do Barreiro e São João, ambos muito próximos de cachoeiras. Existem pousadas que ficam em fazendas e oferecem cardápios elaborados e produtos da roça”, contou.

Nascente do Rio São Francisco na Serra da Canastra (Foto: Daniela Labonia/Divulgação)
Nascente do Rio São Francisco pode ser visitada 

As atividades durante o dia variam. O que precisa mesmo é ter muita energia para caminhar pela região. “Temos passeios em veículos 4×4. Andar de bicicleta também é uma opção”, disse.

Além de todos os passeios, os turistas também visitam a nascente do Rio São Francisco que tem mais de 2.700 km e corta sete estados brasileiros – Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Goiás e Distrito Federal – o que dá a ele o título de maior rio totalmente brasileiro, com uma bacia hidrográfica que abrange 504 municípios. Na Serra da Canastra ele percorre 14 quilômetros.

Queijo canastra
O período de férias também pode ser aproveitado para visitas a fazendas que produzem o tradicional queijo canastra. Elas ficam espalhadas pelos caminhos que levam às cachoeiras.

Turistas podem participar da produção de queijo canastra (Foto: Daniela Labonia/Divulgação)Turistas podem participar da produção de queijo canastra

“Dependendo do horário que o turista passar pela fazenda, será possível acompanhar o processo de fabricação artesanal do queijo, como a retirada do leite e a colocação do “pingo”, que é o segredo cultural da produção do queijo canastra”, contou a diretora da Atusca.

A engenheira Caroline Belizário disse que se encantou com a forma como foi recebida pelos guias, que são os donos da propriedade onde fica uma das cachoeiras. “Chegamos na entrada da trilha da cachoeira e os próprios guias ofereceram um café para o grupo. Tinha biscoito, doce de mamão e café. Certamente é muito encantador esse jeitinho mineiro”, finalizou Caroline.

Mais informações sobre hospedagens e opções de lazer podem ser obtidas no site da Associação de Turismo da região.

FONTE: G1.


O Parque Municipal Ursulina de Andrade Mello só foi inaugurado em 15 de agosto de 1996, mas o trabalho dos irmãos José e Vicente Evaristo por lá começou muito antes disso. Eles protegem a natureza no Bairro Castelo desde maio de 1984, quando o atual parque ainda era uma reserva ambiental da Prefeitura de BH – uma contrapartida dada pelas empresas que iniciaram empreendimentos imobiliários na região. Com quase 31 anos de casa, a ligação deles com o local é muito forte.

Enquanto percorríamos uma trilha de mais de uma hora de duração dentro do Ursulina de Andrade, conversei com Vicente Evaristo sobre uma das maiores áreas de mata nativa preservadas em Belo Horizonte. “A medida oficial é de 242 mil metros quadrados, mas um pessoal fez uma nova avaliação e parece que a área verde é na verdade de quase 300 mil metros quadrados”, comentou o orgulhoso zelador do parque.

Vicente Evaristo, zelador do parque

“No começo nosso trabalho era impedir que as pessoas cortassem as árvores e matassem os animais. Às vezes vinham caminhões de manhã e começávamos nosso dia bem cedo. Era uma época difícil, mas com o tempo o pessoal foi conscientizando”, lembrou Vicente. Todos os dias ele desarmava armadilhas que ameaçavam os animais da reserva e ainda tinha que lidar com pressão dos madeireiros ilegais “até ameaça de morte sofremos”, pontuou. Em 1996, quando a reserva virou parque, Vicente comemorou: “é muito legal poder compartilhar essa área com a população. Gosto quando o pessoal vem aqui, conhece a mata e o nosso trabalho, além de ter um contato com a natureza que é raro em uma cidade grande”.

Vicente Evaristo, zelador do parque

“Para quem mora na região é ótimo”, continuou. “Aqui no entorno nunca está tão quente quanto no resto da cidade, o ar mais puro e o contato com a natureza é bom demais. Principalmente no fim de semana, quando os moradores vem para cá com os filhos curtir o playground e aquela parte aberta na entrada”.

Vale explicar sobre a ‘parte aberta’: Por ser muito grande, o Ursulina de Andrade tem logo na entrada uma área com brinquedos para crianças, banheiros e quase toda a estrutura física do parque.  Esse pedaço é bem amplo e dali já dá para ver boa parte da fauna da região, como esquilos, cágados, micos e outros. Mas representa menos de 20% da área total do parque. O restante é uma mata nativa densa, em uma área de transição da mata atlântica com o cerrado, que só pode ser acessada por trilhas. “Há uns dois anos, por questões de segurança e preservação, mudamos as regras das trilhas. Antes qualquer um poderia fazer qualquer dia, mas com o tempo a mata foi sofrendo com o lixo e quantidade grande de visitantes. Hoje todo mundo pode visitar a trilha sim, mas é preciso ligar (no 3277-7112) e combinar com um guia”, explicou, acrescentando: “era muita gente para sujar e pouca para limpar”.

Enquanto me esforçava para manter o ritmo tropeçando em cipós, perguntei ao veterano se ele já conhecia a mata como a palma da mão “não exatamente. A natureza sempre muda. Hoje mais cedo fiz esse mesmo caminho e não tinha aquela árvore caída ali, por exemplo”, apontou. “Claro que o caminho eu me acostumo, já que faço essa trilha pelo menos duas vezes por dia. Mas sempre tem alguma coisa nova, um detalhe diferente”.

 

 

Lixo

Abrigando seis nascentes e diversos animais – alguns nativos, outros introduzidos ali, o Parque Ursulina de Andrade recebe muitos visitantes, principalmente moradores da região “No fim de semana, muita gente vem para cá fazer piqueniques. Tem gente que vem regularmente, desde que o parque abriu para o público em 1996. Acaba que o pessoal vai se conhecendo”, contou Vicente.

 

“Mas e a questão do lixo? Afinal, se tem piqueniques…”, perguntei. “Bom, é raro que um frequentador regular do parque deixe bagunça, mas às vezes precisamos de chamar a atenção de alguém, principalmente no fim de semana que vem mais gente nova. Mas é tranqüilo”, avaliou o zelador.

O real problema é o lixo de fora do parque. Enquanto traçávamos a trilha que circundava o parque, Vicente juntou algumas garrafas plásticas, um par de tênis velhos, uma sacola plástica e um ‘trabalho religioso’. “E olha que já é passei por aqui hoje! Tem muita gente que pega o lixo e joga pra dentro do parque. Veja só essa sacolinha. Sabe o que tem aqui? Cocô de cachorro!”. Ante a minha expressão de interrogação, o zelador me explicou que, ao redor do Ursulina de Andrade existe uma longa calçada que o pessoal da região usa para caminhadas e corridas. Mas algumas pessoas, ao passear com seus bichinhos de manhã, colhem as fezes com uma sacola, dão um nó e arremessam para dentro da cerca do parque “acho que pensam que aqui é lixão ou lote vago. Não entendo”, lamentou Vicente.

Perto do fim da nossa caminhada, depois que eu já havia visto árvores enormes e vários animais, o próprio Vicente me parou, fez sinal de silêncio e apontou para uma árvore: “tem um tucano ali. Tenta tirar uma foto”, sussurou. Não deu. A ave foi bem tímida e levantou voo para fora do parque assim que tentei me aproximar. Perguntei se era comum eles sairem da mata. “Tucanos voam muito… e aqui eles tem muitas reservas para visitar. Ficam indo daqui até a UFMG, o Lagoa do Nado, outros parques municipais.. a região aqui é privilegiada para eles”, observou.

O Parque Ursulina de Andrade Mello fica na Rua Doutor Sylvio Menicucci, 640, no Bairro Castelo. A entrada é gratuita e o espaço fica aberto de terça-feira a domingo, de 8h às 18h. Para mais informações, os interessados em conhecer a área verde podem entrar em contato com a administração do local pelo telefone 3277-7112.

FONTE: Estado de Minas.



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