Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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E vira ponto turístico

O dono de um bar, suposta vítima da intolerância religiosa, lucra com a fama repentina

 

Bar-do-Araújo

Odimar e Emerson, de Brasília, fizeram questão de conhecer o novo endereço.”Só se fala nele”

“Foi tanta oração, foi tanto clamor, mas o Araújo fechou.” Chega assim ao ápice uma canção sertaneja de Maurício William em homenagem a um bar que supostamente funcionava entre dois templos neopentecostais em Palmas, no Tocantins. A notícia do fechamento do boteco, tudo indicava pela pressão de pastores e fiéis, espalhou-se como rastilho de pólvora pelas redes sociais e estimulou debates fervorosos entre evangélicos e laicos. Para muitos, mais uma prova do avanço do obscurantismo religioso. Uma foto do estabelecimento espremido entre as duas igrejas viralizou na internet, quase sempre seguida por frases de apoio: “Resiste, Araújo”.

Pois Araújo, ao contrário do que chora William em sua balada, resistiu. Não no mesmo lugar, mas no mesmo bairro, o Jardim Aureny III, periferia da capital do Tocantins. Quando encontrei o proprietário, o agente de saúde Joaquim de Araújo, ele cuidava dos últimos detalhes para a reinauguração oficial na noite da quarta-feira 17. Um pintor se esmerava nos retoques finais do logotipo do “Novo Bar do Araújo”.  “Funcionamos aqui desde janeiro, mas vou reinaugurar, aproveitar o fato de o bar ter virado ponto turístico”, informa.

Bar-do-Araújo
Logo se espalhou o boato de que o bar havia fechado por pressão dos evangélicos, mas ela só mudou de ponto

Não se trata de autopromoção. Enquanto varria a calçada, acomodava uma das 18 mesas ou negociava propaganda exclusiva com uma marca de cerveja, seu Araújo respondia aos cumprimentos dos passantes. “Araújo do WhatsApp!”, gritavam ao passar de moto ou carro. Na noite anterior, um casal do Amazonas apareceu para conhecê-lo. Depois de uma selfie, a dupla tirou o rótulo de uma garrafa e pediu um autógrafo. “Disseram que iam levar para um parente em Manaus.”

Uma moto com outro casal estaciona. Emerson Lopes e Odimar Rosa são de Brasília, mas não tiveram dificuldade em encontrar o boteco. “Digitamos ‘Bar do Araújo’ no Waze. Não teve erro”, explica o casal, que passou duas horas no boteco. Mais uma selfie, o destino de sempre, outra postagem na rede alimentada por amigos no WhatsApp. “Passamos em todos os pontos turísticos, mas deixamos o Araújo para fechar com chave de ouro”, diverte-se Lopes. “Só se fala nele.”

É a primeira vez que a fama sorri para seu Araújo. O primeiro bar ele montou em 2006, após cair de uma moto e ser obrigado a colocar oito pinos e levar 30 pontos no tornozelo esquerdo. O acidente o impediu de fazer bico de pedreiro para complementar a renda de agente de saúde. “Desde 2003, ganho um salário mínimo para trabalhar das 8 da manhã ao meio-dia pulverizando ruas contra a dengue. Não é suficiente.”

Joaquim de Araújo
Araújo em seu novo bar
Depois de pensar nas opções, chegou à conclusão: a saída seria abrir um boteco. O primeiro bar, perto do atual endereço, fechou após o proprietário vender o imóvel. Seu Araújo testou outro endereço antes de se instalar no agora famoso ponto entre a Igreja Deus É Amor e um minimercado, o verdadeiro responsável por sua expulsão do local. “O mercadinho vendia garrafa mais barata, meu faturamento caiu 80% e tive de ir embora.”

O Bar do Araújo funcionou no ponto ao lado do templo entre julho e dezembro do ano passado e, no fundo, o proprietário não tem do que reclamar dos antigos vizinhos. O pastor, diz, até usava a geladeira do boteco para guardar os refrigerantes servidos em dias de festa na igreja. Confusão, só uma vez. “Eles reclamaram, mas disse que não diminuiria o som porque meus clientes queriam ouvir música. E as orações eram mais altas.”

Os memes na internet baseiam-se, portanto, em uma informação inverídica. O Bar do Araújo nunca funcionou entre os dois templos. Responsável pela expulsão do comerciante, o minimercado foi vítima do mesmo fenômeno e acabou obrigado a ceder o espaço para uma filial da Igreja Universal do Reino de Deus. Quando a foto famosa foi feita, restava no local apenas o letreiro do boteco.

Apesar do mal-entendido, entre os evangélicos o assunto virou tabu. Na Universal, o pastor negou-se a comentar a história. Quem falou foi uma fiel, Maria da Silva Rodrigues. “A Igreja Universal tem muita unção. Quando estávamos para mudar, Deus trabalhou e tirou esse homem daqui.” O pregador da Deus É Amor também se negou a falar. Segundo ele, “o assunto virou piada”.

Quem primeiro postou a foto no Facebook foi o consultor Lucas Belinelle, em 11 de maio. “Publiquei com o intuito de crítica. Como se perguntasse qual dos três comércios faturava mais”, explica. Belinelle percebeu o efeito da postagem quando uma vizinha lhe perguntou sobre a foto. “Ela falou que uma tia em Goiânia e parentes em São Paulo estavam comentando.”

Em Palmas desde 1993, oriundo de Ananás, a 500 quilômetros da capital, Araújo se diz surpreso com a fama repentina. Soube da repercussão da foto por intermédio de um dos três filhos. De repente, começou o assédio. Ele agiu rápido: abriu uma conta no “zap zap” (sic) e uma “página oficial no Facebook”. E se diverte com as ironias da vida (ou seriam os desígnios divinos?). “Saí daquele endereço porque dava prejuízo, mas nada disso estaria acontecendo sem que eu estivesse passado por lá. Foi ruim, mas foi bom.”

FONTE: Carta Capital.


Uma lenda viva na internet
Série de reportagens exclusivas do EM sobre a vida da mulher que inspirou o romance e a série de TV segue repercutindo nas redes sociais, inclusive de personalidades e jornalistas

 

 

Hilda Furacão, de 83 anos, vive em um asilo em Buenos Aires (IVAN DRUMMOND/EM/D.A PRESS)
Hilda Furacão, de 83 anos, vive em um asilo em Buenos Aires

Uma semana depois da publicação da reportagem exclusiva do Estado de Minas sobre a descoberta, em um asilo de Buenos Aires, de Hilda Maia Valentim, a mulher que inspirou o romance Hilda Furacão, do escritor mineiro Roberto Drummond (1933-2002),  o assunto segue repercutindo como um dos mais comentados nas redes sociais. 

VEJA A PRIMEIRA REPORTAGEM AQUI!

Além dos leitores, personalidades e outros veículos de comunicação tuitaram e compartilharam os textos. Até ontem, quase 10 mil compartilhamentos diretos foram feitos no Facebook e mais de 400 tuítes registrados, todos a partir da página do Divirta-se na internet. Na quarta-feira, depois de ler a entrevista que concedeu ao EM sobre Hilda Valentim, a novelista Glória Perez, responsável pela adaptação do romance para a TV, retuitou a reportagem. 

Ela publicou em seu perfil, com 1,5 milhão de seguidores, a foto em que aparece ao lado de Drummond, da atriz Ana Paula Arósio, que interpretou Hilda, e do diretor Wolf Maia. A legenda diz: “Bom lembrar (…) bastidores de Hilda Furacão”. Desde domingo passado, Glória Perez usa seus perfis no Twitter e no Facebook para comentar sua surpresa a respeito de Hilda Valentim. 

O jornalista Luis Nassif está entre as personalidades que repercutiram a reportagem nas redes sociais. Famoso na Argentina, o jornalista Diego Fucks (Chavo) tuitou: “Hilda Furacão foi estrela em BH nos anos 50 e esposa de Paulo Valentim (…) vive hoje em um asilo em Buenos Aires”. Hugo Gloss, conhecido no universo das celebridades, registrou: “Hilda Furacão está viva! Maravilhosa”. 

Entre os leitores, a surpresa do reencontro foi bastante comentada. “Ótima leitura a história de Hilda Furacão. Personagem lendária da BH dos anos 50”, disse Bruno Azevedo.

ESPECIAL O EM preparou edições especiais sobre a história da mulher que inspirou Hilda Furacão. A versão eletrônica para assinantes, edição específica para tablets, smartphones e desktops, traz todas as reportagens sobre Hilda Valentim, com diagramação especial e fotos inéditas.

FONTE: Estado de Minas.


Ela fez história
Hilda Furacão se tornou ícone da memória de BH
A saga da mulher que inspirou a personagem, localizada pelo EM na Argentina, emociona jornalistas, ex-craque e a viúva de Roberto Drummond

 

Desde domingo, o Estado de Minas conta a história de Hilda Maia Valentim, de 83 anos, que mora no asilo Hogar Guillermo Rawson, no Bairro Barracas, em Buenos Aires. Viúva de Paulo Valentim, craque do Boca Juniors, ela inspirou Hilda Furacão, protagonista do livro de Roberto Drummond.
Beatriz Drummond
Recordar a história da Belo Horizonte dos anos 1950, onde se passa a trama de Hilda Furacão, romance de Roberto Drummond (1933-2002), emocionou amigos, contemporâneos e familiares do escritor. Os jornalistas José Maria Rabelo e Guy de Almeida, o ex-jogador de futebol Vaduca, o teatrólogo Marcelo Andrade e Beatriz Drummond, viúva de Roberto, fizeram uma viagem no tempo ao deparar com a história de Hilda Maia Valentim, fonte de inspiração para a personagem interpretada por Ana Paula Arósio na TV.
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VEJA AQUI A REPORTAGEM INICIAL DA HISTÓRIA!
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Um dos donos do jornal Binômio, José Maria Rabelo disse ter conhecido Hilda pessoalmente. “A moça fazia parte da vida noturna daquela época. Fiquei emocionado ao tomar conhecimento da história de que ela vive num asilo. Estudante e jornalista, eu vivia na região dos bares Polo Norte e Mocó da Iaiá. Eram dois os grandes hotéis da noite: Maravilhoso e Magnífico. A Hilda era do Maravilhoso. Lá não havia mulheres grã-finas, pois essas ficavam em outros pontos da cidade, na Rua Uberaba e na Avenida Francisco Sales, onde era a Zezé. Certa vez, fizemos matéria no Binômio mostrando que havia 500 rendez-vous em BH”, conta ele.Rabelo diz que Drummond se inspirou também em frequentadoras do Minas Tênis Clube para escrever Hilda Furacão. “Lá havia gêmeas que jogavam vôlei. Curiosamente, as duas se tornaram amantes de Antônio Luciano Pereira Filho, o grande vilão da história. Hilda nunca foi da Zona Sul.
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Provavelmente, foi por isso que ele criou essa situação na literatura”, afirma. O jornalista se refere ao fato de a personagem, moça bem-nascida, ter trocado locais elegantes de BH pela zona boêmia.

José Maria Rabelo

Bela B 

A reportagem do EM trouxe alegria para Beatriz, viúva de Roberto Drummond, e Ana Beatriz, filha do escritor. Inclusive, Beatriz é a verdadeira Bela B, personagem de Hilda Furacão. “Estou maravilhada, pois relembraram aquela história. Fiquei espantada em saber que a Hilda verdadeira não conhece a Belo Horizonte que está no romance”, diz.

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Relembrando os tempos de juventude, Beatriz confirma: ela e Roberto se casaram como está narrado no livro. “Ele foi mesmo me buscar em Ferros. Meu pai não queria o casamento, porque ele, Vinícius Moreira e o pai dele, Francis Drummond, eram inimigos políticos – uma briga de família. E olha que éramos parentes, pois sou Drummond também: minha mãe se chamava Emília Drummond Moreira”.

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Guy de Almeida, jornalista que trabalhou no Binômio, não conheceu Hilda pessoalmente, mas diz que a fama dela corria longe. “Conheci o Paulo Valentim. Meu pai, Arthur Nogueira de Almeida, era conselheiro do Atlético e me levava aos jogos. Era realmente um fenômeno, um goleador”, lembra, referindo-se ao craque com quem Hilda Maia se casou após deixar a zona boêmia. “Quanto a ela, a gente ouvia falar. A impressão que tenho é de que saiu da vida para viver o luxo e o glamour em Buenos Aires”, diz. 

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O atacante Vaduca, famoso por ter marcado o gol que deu ao Villa Nova o título de campeão mineiro de 1951, jogou contra Paulo Valentim. Quando Vaduca foi para o Galo, o craque já estava de saída. “Artilheiro nato, Paulo marcava muitos gols. A gente, que era do ataque, dizia para os beques e o lateral para marcar em cima, para não dar chance. Senão, ele marcava.” Vaduca não conheceu Hilda. “Só ouvi falar dela e de suas peripécias.” 

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No início da década de 2000, o romance chegou aos palcos graças a Marcelo Andrade. “Tudo começou com o Roberto. Adaptei O grande mentecapto e ele me pediu para fazer o mesmo com Hilda Furacão. A peça ficou um ano e meio em cartaz. Esse sucesso levou à minissérie”, lembra Andrade, referindo-se à trama exibida pela TV Globo em 1998, estrelada por Ana Paula Arósio e Rodrigo Santoro.

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Marcelo revela que Drummond acompanhou todo o processo de adaptação. “Empolgado, ele punha fogo para a gente andar depressa. Uma vez, ligou às 3h, quase na estreia da peça, perguntando se eu conseguia dormir. Ele estava ansioso. Depois, viajamos o Brasil inteiro e o Roberto, que tinha medo de avião, levava uma imagem de Santa Rita de Cássia. Tornou-se devoto, mas tão devoto que, em Viçosa, lançou o livro O cheiro de Deus na matriz dedicada a ela”, conclui o teatrólogo.

Vaduca jogou contra Paulo Valentim
Vaduca jogou contra Paulo Valentim

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FONTE: Estado de Minas.


Leitores e personalidades comentam reportagem do EM que localizou Hilda Furacão em asilo de Buenos Aires. %u201CRoberto Drummond ia adorar isso%u201D, escreveu a autora Glória Perez

 

A notícia de que Hilda Furacão vive em um asilo em Buenos Aires gerou surpresa nas redes sociais. “Roberto Drummond ia adorar isso :-))”, publicou a autora Glória Perez, responsável pela adaptação do romance do escritor mineiro para a minissérie exibida em 1998, na Rede Globo. “Acho que ele já sabia…”, respondeu o responsável pelo perfil do projeto Sempre um papo. Reportagem publicada ontem pelo Estado de Minas mostrou que a mulher que inspirou o romancista a criar a personagem mitológica da zona boêmia de Belo Horizonte nos anos 1950, hoje com 83 anos, vive em um asilo em Buenos Aires.

 

VEJA AQUI A MATÉRIA COMPLETA!

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VEJA AQUI AS PALAVRAS DE BELA B!

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Compartilhada mais de 1,7 mil vezes até o fechamento desta edição, a história repercutiu no Brasil e também na Argentina. Se os hermanos ressaltavam o fato de ela ter sido casada com o ex-jogador do Boca Juniors Paulo Valentim, como foi o caso de Diego Fucks, outros sugeriram até que ela retornasse ao Brasil. “Vamos trazer ela para BH”, disse Manoel Mendes Neto. “Tem que voltar para BH”, reforçou Felipe Diniz Marinho.
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A personagem de Hilda Furacão, interpretada por Ana Paula Arósio na ficção, sempre alimentou o imaginário dos leitores. Na obra de Roberto Drummond ela é apresentada como herdeira de uma família rica da sociedade mineira, frequentadora assídua das festas do Minas Tênis Clube, que troca tudo para viver na zona de prostituição da Rua Guaicurus, no Centro de BH. O livro foi publicado em 1991 e desde então existiam muitas especulações sobre quem teria sido essa mulher, assim como os personagens que rondaram a vida dela, como Frei Malthus.
A própria Glória Perez brincou com isso ontem. Em resposta a um seguidor do Twitter afirmou: “Vc nem imagina quantas Hilda Furacão apareceram quando a série passou!”. Houve também quem contestasse a descoberta nas redes sociais. “Existe muita lenda em relação a essa mulher. Mas com toda certeza não é essa aí. A verdadeira Hilda morreu em 1995, no interior de Minas”, afirmou o usuário, identificado como gwconsultoria.
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O repórter Ivan Drummond se encontrou com Hilda no asilo onde ela vive em Buenos Aires, só e sem família (o marido e o filho já morreram), com uma pasta com documentos e fotos antigas, da qual não se separa. Com memória frágil, alternando momentos de lucidez e esquecimento, ela contou sobre o casamento com Paulo Valentim e se lembrou de algumas passagens da vida em BH. “Show. A memória dela é seletiva”, comentou Juevellyn Ribeiro no Twitter.

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FONTE: Estado de Minas.



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