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Machado de Assis adulterado
Dinheiro público financia versão simplificada de O Alienista

Machado

No país do ‘pelo menos’, onde é aceitável que crianças vendam balas nas ruas pois isso tem o lado bom de elas não estarem roubando, o desleixo com a educação é cada vez mais proporcional ao comodismo e à falta de preparo e de vontade para enfrentar as dificuldades. A preferência tem sido pela complacência com a baixa qualidade, com a falta de capricho e até com certas desonestidades.


Em vez de corrigir, perdoa-se o erro. Aceita-se o tosco e convive-se com o grosseiro, pois isso dá menos trabalho que buscar soluções que poderiam enriquecer o conhecimento, estimular a gentileza, melhorar a convivência social e ajudar a predispor as pessoas às boas práticas cidadãs. 

Em um país assim, pode-se esperar o absurdo em várias versões. E ele quase sempre ocorre. Apesar disso, não deixa de chocar a iniciativa da escritora de livros infantis Patrícia Secco, que trocou sua missão de educar pela tarefa de produzir facilidades em vez de esforço, contornos e escapes em substituição ao aprendizado. Pior: fez isso com dinheiro público, captado pela lei de incentivos do Ministério da Cultura.

No mês que vem, quando a Seleção Brasileira pisar a grama da Arena Itaquerão para inaugurar os jogos da Copa do Mundo, nada menos que 300 mil exemplares de uma versão adulterada do genial conto (novela, para alguns) O Alienista, obra de ninguém menos do que Machado de Assis, o maior escritor brasileiro, serão gratuitamente distribuídos em todo país em escolas e bibliotecas.

A escritora teve a ideia de “traduzir” o texto de 1882, trocando palavras que ela e sua equipe consideram difíceis por outras que seriam mais acessíveis ao leitor atual. Ela afirma não ter visado seu público infantil, mas os jovens ou adultos que, embora alfabetizados, não têm interesse pela leitura de autores clássicos simplesmente porque os textos contêm muitas palavras que eles não conhecem.

Partiu, então, para uma adaptação que rouba do leitor, especialmente do menos letrado, a oportunidade de, ao se divertir com as loucuras narradas, com a leveza do texto e as finas ironias do Bruxo do Cosme Velho (como o chamava Carlos Drumond de Andrade), a chance de sair da leitura maior do que entrou. Afinal, mesmo nas histórias sem grande complexidade – como é o caso desse conto –, uma das riquezas desse nível de autor é a propriedade da narrativa, a inteligência na escolha das palavras, a elegância nas abordagens.

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Publicar um Machado sem essas características é empurrar um faz de conta sobre quem deveria e merece ser alvo de especial atenção: o leitor inexperiente, mas potencialmente apto a avançar, a aprender e, mais importante, a ampliar sua capacidade de pensar. Preferiram a autora e os gênios do Ministério da Cultura abrir mão da oportunidade de oferecer a ele anotações e até mesmo um pequeno glossário que o ajudasse a transformar a escuridão em luz. 

Em linha com a infeliz política do nivelamento por baixo, o desaforo de passar Machado de Assis a limpo vai atingir o também clássico e saboroso A pata da gazela, do cearense José de Alencar. Certamente não vão faltar aplausos, afinal, no Brasil de hoje sobram letrados que acham bobagem conhecer a diferença entre ter e possuir, haver e existir, seguir e continuar, para dar só alguns exemplos. É assim que vamos construir um país melhor, mais capaz de alcançar o progresso e a justiça social?

FONTE: Estado de Minas e Wikipedia.

Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 — Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908) foi um escritor brasileiro, amplamente considerado como o maior nome da literatura nacional. Escreveu em praticamente todos os gêneros literários, sendo poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista, e crítico literário. Testemunhou a mudança política no país quando a República substituiu o Império e foi um grande comentador e relator dos eventos político-sociais de sua época.

Nascido no Morro do Livramento, Rio de Janeiro, de uma família pobre, mal estudou em escolas públicas e nunca frequentou universidade. Os biógrafos notam que, interessado pela boemia e pela corte, lutou para subir socialmente abastecendo-se de superioridade intelectual. Para isso, assumiu diversos cargos públicos, passando pelo Ministério da Agricultura, do Comércio e das Obras Públicas, e conseguindo precoce notoriedade em jornais onde publicava suas primeiras poesias e crônicas. Em sua maturidade, reunido a colegas próximos, fundou e foi o primeiro presidente unânime da Academia Brasileira de Letras.

Sua extensa obra constitui-se de nove romances e peças teatrais, duzentos contos, cinco coletâneas de poemas e sonetos, e mais de seiscentas crônicas. Machado de Assis é considerado o introdutor do Realismo no Brasil, com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881). Este romance é posto ao lado de todas suas produções posteriores, Quincas Borba, Dom Casmurro, Esaú e Jacó e Memorial de Aires, ortodoxamente conhecidas como pertencentes a sua segunda fase, em que se notam traços de pessimismo e ironia, embora não haja rompimento de resíduos românticos. Dessa fase, os críticos destacam que suas melhores obras são as da Trilogia Realista. Sua primeira fase literária é constituída de obras como Ressurreição, A Mão e a Luva, Helena e Iaiá Garcia, onde notam-se características herdadas do Romantismo, ou “convencionalismo”, como prefere a crítica moderna.

Sua obra foi de fundamental importância para as escolas literárias brasileiras do século XIX e do século XX e surge nos dias de hoje como de grande interesse acadêmico e público. Influenciou grandes nomes das letras, como Olavo Bilac, Lima Barreto, Drummond de Andrade, John Barth, Donald Barthelme e outros. Em seu tempo de vida, alcançou relativa fama e prestígio pelo Brasil, contudo não desfrutou de popularidade exterior na época. Hoje em dia, por sua inovação e audácia em temas precoces, é frequentemente visto como o escritor brasileiro de produção sem precedentes, de modo que, recentemente, seu nome e sua obra têm alcançado diversos críticos, estudiosos e admiradores do mundo inteiro. Machado de Assis é considerado um dos grandes gênios da história da literatura, ao lado de autores como Dante, Shakespeare e Camões.

A revolução modernista durante o começo e o meio do século vinte aproveitou a obra de Machado em objetivos da vanguarda. Ela foi alvo de feministas da década de 1970, como Helen Caldwell, que enxergou a personagem feminina Capitu de Dom Casmurro como vítima das palavras do narrador-homem, mudando completamente a perspectiva que se tinha até então deste romance. Antonio Candido escreveu que a erudição, a elegância e o estilo vazada numa linguagem castiça contribuíram para a popularidade de Machado de Assis. Com estudos da sexualidade e a psique humana, bem como com o surgimento do existencialismo, atribuiu-se um certo psicologismo às suas obras, especialmente “O Alienista”, muitas vezes comparando-as com as de Freud e Sartre. A partir dos anos 80 e seguinte, a obra machadiana ficou amplamente aberta para movimentos como a psicanálise, filosofia, relativismo e teoria literária, comprovando que é aberta à diversas interpretações e que nos últimos tempos tem crescido um grande interesse em sua obra.

Machado de Assis era um exímio leitor e, consecutivamente, sua obra foi influenciada pelas leituras que fazia. Após sua morte, seu patrimônio constituía, entre outras coisas, de aproximadamente 600 volumes encadernados, 400 em brochura e 400 folhetos e fascículos, no total de 1.400 peças. Sabe-se que era familiarizado com os textos clássicos e com a Bíblia. Em O Analista, Machado faz ligação à sátira menipeia clássica ao retomar a ironia e a paródia em Horário e Sêneca. O Eclesiastes, por sua vez, legou a Machado uma peculiar visão de mundo e foi seu livro de cabeceira no fim da vida.

Dom Casmurro é provavelmente a obra que mais possui influência teológica. Há referências a São Tiago e São Pedro, principalmente pelo fato de o narrador Bentinho ter estudado em seminário. Além disso, no Capítulo XVII Machado faz alusão a um oráculo pagão do mito de Aquiles e a ao pensamento israelita. De fato, Machado dispunha de uma biblioteca abastecida com teologia: crítica histórica sobre religião, à vida de Jesus, ao desenvolvimento do cristianismo, à literatura hebraica, à história Muçulmana, aos sistemas religiosos e filosóficos da Índia. Jean-Michel Massa realizou um catálogo dos livros da biblioteca do autor, que foi revisto em 2000 pela pesquisadora Glória Vianna, que constatou que 42 dos volumes da lista original de Massa estavam extraviados.


‘O pessoal canta errado a letra’, diz neta da autora do ‘Parabéns a Você’

Eliana defende detalhes da letra original da música criada pela avó.
Concurso que escolheu versão brasileira em 1942 reuniu cinco mil letras.

Neta autora Parabéns a Você Jacareí Homem de Mello (Foto: Márcio Rodrigues/G1)Eliana exibe disco com a gravação do ‘Parabéns a Você’. Música é uma das mais tocadas no país em dois segmentos, de acordo com o Ecad.

Não peça para a comerciante Eliana Homem de Mello Prado, de 54 anos, puxar o coro do “Parabéns a você” em algum aniversário. Moradora de Jacareí (SP), a neta de Bertha Homem de Mello – autora da versão brasileira da canção – não canta a música, criada há 70 anos, em respeito à avó falecida em 16 de agosto 1999 “porque todo mundo canta a letra errado”.

Parabéns a Você
Nesta data querida
Muita felicidade
Muitos anos de vida”
Léa Magalhães (Bertha Homem de Mello)

Segundo ela, dois dos versos da canção original são alterados nas festas de aniversário pelo país. Em vez de “Parabéns pra você” deveria ser cantado “Parabéns a você”; e o verso “Muita Felicidade” é constantemente alterado para o plural “Muitas felicidades”.

“Minha avó ficava louca da vida quando ouvia o cantar da letra errado, porque ela sempre foi muito vaidosa. Então, eu não me permito cantar do jeito errado. No trecho da música ‘é pique’ eu começo a cantar, mas antes eu não canto”, brinca.

Arrecadação de direito autoral
A música continua sendo uma das mais executadas em todo o país, segundo o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), órgão responsável pelo recolhimento de direitos autorais. Por ser uma canção que tem autoria, o “Parabéns a Você” recolhe dinheiro dos direitos autorais sempre que é executada publicamente ou usada em filmes, novelas e programas de rádio e TV, assim como quando é gravada.

Segundo dados do Ecad, o “Parabéns a Você” está há quatro anos consecutivos entre as duas primeiras músicas mais executadas nos segmentos Música Ao Vivo e Salão de Festas. O órgão, porém, não divulga o número de execuções e nem os valores arrecadados anualmente. O repasse à família, que preferiu manter o valor em sigilo, é feito mensalmente.

Atualmente, a família recebe 16,66% de tudo que é arrecadado pelo Ecad pelas execuções da canção no Brasil. Os 83,4% restantes são divididos igualmente entre a editora Warner Chappell – detentora da música original – e os herdeiros das autoras americanas.

Autora Parabéns a Você ao lado da filha Jacareí (Foto: Arquivo Pessoal)
Bertha (de marrom) ao lado da filha. ‘Ela era o xodó
da minha avó’, conta neta.

Em razão do sucesso da letra, Lorice Homem de Mello, a filha de Bertha Homem de Mello, mãe de Eliana, que tem deficiência auditiva e visual, conta com a ajuda de três cuidadores. “Minha mãe era o xodó da minha avó e graças a Deus esse legado que ela deixou, também no aspecto financeiro, tem sido revertido totalmente para cuidar da minha mãe”, assegurou. A mãe de Eliana vive até hoje na casa onde a autora morou por mais de quatro décadas em Jacareí.

Para Eliana, a composição é um legado que Bertha deixou para a família. “É algo importantíssimo. É impossível ir a algum aniversário e não lembrar da minha avó. É marcante. É o orgulho de toda família e especialmente da minha mãe. Quando meus filhos contam que a bisavó foi quem escreveu a letra, a maioria das pessoas não acredita”, afirma.

Coautor?
Em uma reportagem da TV Globo de 23 de março de 1997 é possível ver realmente que Bertha Homem de Mello gostava que a letra fosse cantada de forma correta.

Mas durante mais de três décadas a autora da versão nacional ficou sem receber metade dos direitos autorais. Isso porque em 1978 o produtor musical Jorge Gambier firmou um contrato com Bertha Celeste por acrescentar mais quatro frases na canção.

A quadra criada por Gambier, que continuava o tradicional “Parabéns”, seguia a mesma melodia e tinha os seguintes versos: “A você muito amor / E saúde também / Muita sorte e amigos / Parabéns, parabéns”. Segundo a família, Jorge disse à época que produziu um disco infantil na década de 1970 e queria gravar a canção, mas como a letra era curta ele pediu autorização à editora para completá-la e foi informado que deveria firmar um acordo com a então autora da música.

A situação só foi resolvida no final de 2009, quando um advogado contratado pela família de Bertha conseguiu que a editora Warner retirasse Gambier como coautor. Na época houve um “ajuste de crédito” dado à família pelo tempo que os direitos ficaram divididos. Desde então, a herdeira de Bertha recebe a parte que lhe cabe, que é de (os 16,66%).

Como ‘nasceu’ o Parabéns
A música mais cantada em todo o mundo foi criada nos Estados Unidos em 1875 pelas irmãs Mildred e Patrícia Hill, professoras primárias da cidade de Louisville, no estado de Kentucky. Elas compuseram uma pequena quadra chamada “Morning to al” (Bom dia para todos) para cantar com os alunos pela manhã, antes do início das aulas.

Disco Feliz Aniversário, que lançou o Parabéns a Você no Brasil. Autora é de Pindamonhangaba (Foto: Márcio Rodrigues/G1)
Disco ‘Feliz Aniversário’, que lançou a música no
Brasil.

Após cinco décadas, em 1924, uma editora de música norte-americana lançou o livro de  partituras  “Celebration Songs” e “pegou emprestada” a melodia das irmãs para criar uma música que seria cantada em festas de aniversários. Assim, nasceu o “Happy Birthday To You” (Feliz Aniversário para Você).

A letra original era composta de um verso apenas, em que havia a repetição por quatro vezes do “happy birthday to you”, sendo acrescentando o nome do aniversariante na terceira repetição no lugar do “to you”. A popularização mundial da música ocorreu em 1933, quando uma peça teatral da Broadway utilizou a canção.

Concurso no Brasil
Em 1942, o cantor Almirante, pseudônimo de Henrique Fóreis Domingues, que apresentava um programa na Rádio Tupi do Rio de Janeiro, resolveu promover um concurso para escolher uma letra em português da canção.

A música da compositora, que era farmacêutica e poetisa em Pindamonhangaba, também no Vale do Paraíba, foi escolhida entre cerca de cinco mil letras  por uma comissão julgadora formada pelos membros da Academia Brasileira de Letras. Dentre os avaliadores estava Cassiano Ricardo, poeta de São José dos Campos.

“Ela contava que soube do concurso e estava pensando em escrever a letra, aí um dia o rapaz que trabalhava perto do sítio disse que iria para a cidade e se ela queria alguma coisa. Daí ela escreveu o ‘Parabéns’ em cinco minutos e deu para ele colocar no Correio”, relembra a neta. Bertha também tem poesias publicadas e já teve uma canção gravada pelo músico Rolando Boldrin. Ela morreu aos 97 anos e está sepultada em sua cidade natal.

FONTE: G1.


Jingle da Fiat tornou-se hit preferido nos protestos que ocorrem pelo Brasil
 (Reprodução/Facebook Fiat)  
Criada para ser um jingle publicitário da Fiat para a Copa das Confederações, a música Vem pra rua, gravada pelo líder do Rappa, Marcelo Falcão, acabou se tornado uma espécie de Pra não dizer que não falei das flores (Quem sabe faz a hora) das manifestações que varreram o Brasil neste mês. A canção, cujo refrão chama a população para a rua porque a “rua é a maior arquibancada do Brasil/ Que o Brasil vai tá gigante/Grande como nunca se viu”, serviu de trilha sonora para uma montagem que bombou na internet e mostra imagens da repressão policial em São Paulo com frases de protesto com “O Brasil acordou” e “A revolução é agora!”.Falcão somente empresta a voz à composição, que, na verdade, foi criada pela equipe da produtora musical S de Samba, que tem como sócios Wilson Simoninha e Jair Oliveira. Em nota, a empresa diz que foi convidada pela Leo Burnett Tailor Made (agência de publicidade) para produzir a música da nova campanha da Fiat. “É um prazer para nós ver um trabalho ultrapassar a propaganda e entrar no dia a dia das pessoas. Isso já aconteceu com jingles de guaraná, leite, cerveja e, agora, acontece com a nossa canção”.

Assista ao vídeo original:

Wilson Simoninha afirma que toda a equipe ficou muito orgulhosa do que está acontecendo com a canção, mas que ninguém imaginava as proporções que ela ia tomar e que seria o hino de um movimento. “Ela já nasceu forte, mas nunca ia supor que ela ia extrapolar as barreiras da publicidade e cair no mundo real. Boa parte da letra a gente tinha desenvolvido já, mas quem deu o arremate final e tem muito mérito foi um dos nossos produtores, o Henrique Ruiz, que hoje nem está mais na S de Samba”, acrescenta. Simoninha conta que desde o início eles queriam uma voz forte para dar personalidade à composição e partiu dele a ideia de convidar Falcão. “E ele arrebentou. O interessante é que a campanha entrou no ar no fim de maio e há muito tempo eu não via uma com tanto sucesso. Muita gente viu essa música não como um jingle de publicidade, mas como uma canção de fato. Achavam que fazia parte do repertório do Rappa. Acho que isso ajudou a torná-la mais forte ainda”, observa.

Assista a versão feita pelos manifestantes:

 

Tanto no Facebook quanto no Twitter oficial do Rappa, há o seguinte recado, postado na sexta-feira, dia 14: “Ontem, começamos a escrever mais um capítulo na história do Brasil. E é com fé que vamos continuar nessa batalha pela construção de um lugar melhor. Chega de violência! Chega do abuso de poder! Saudamos os corajosos que representaram todo o país.” Procurada, a assessoria do grupo não retornou as ligações do Estado de Minas.

Campanha 'vem pra rua' da Fiat é associada aos protestos no Brasil (Reprodução/You Tube)
Campanha ‘vem pra rua’ da Fiat é associada aos protestos no Brasil

Já a Fiat, em comunicado oficial, informou que elaborou a campanha “Vem pra rua” com foco único e exclusivo na alegria e paixão que o futebol desperta nos brasileiros e que ela se insere em uma ampla plataforma de comunicação para celebrar os muitos momentos esportivos que o Brasil vive no presente e nos próximos anos, até 2016.” Ainda de acordo com a empresa, a veiculação da campanha está programada para até o dia 22 de junho, sábado, conforme previsto originalmente.

Mais artistas Aproveitando o momento inflamado no país, vários artistas estão se manifestando a favor dos protestos. O cantor e compositor Leoni postou um vídeo no fim de semana com a canção As coisas não caem do céu, que criou em apoio às passeatas. No site do artista ele afirma: “Escrevi As coisas não caem do céu para lembrar que só a ação modifica o mundo.” A música foi lançada em março, em um show de caráter político que ele estreou no Rio.

Leoni conta que sempre se interessou pelo tema, especialmente, pelos movimentos que surgem na internet. “Eu só via as pessoas reclamando nas redes sociais, mas nunca faziam nada. E agora mudou. De repente, começaram a se mexer e me emocionei muito”, revela o cantor, que chegou a participar do protesto de segunda-feira, na Avenida Rio Branco, no Rio.

A cantora Elza Soares também mostrou sua indignação e em um show realizado no sábado, em Ribeirão Preto (SP), durante a 13ª Feira do Livro, ela incrementou a famosa canção Opinião, de Zé Keti (Podem me prender/Podem me bater/Podem até deixar-me sem comer) e adicionou a frase: “20 centavos, eu não pago não!”

FONTE: Estado de Minas.

Há alguns anos, o povo da moda adotou a palavra “fashion”. No Brasil, “fashion” virou sinônimo de coisa moderna e estilosa. E começaram a pipocar frases como: “Nossa, essa sunga branca é tão fashion!” ou “Fashion mesmo é usar sapatênis”.

gourmet_poster

Se você acompanha o noticiário gastronômico, certamente tem percebido outro exemplo de apropriação de um estrangeirismo: o da palavra “gourmet”. De alguns anos para cá, prédios não têm mais churrasqueiras na varanda, mas “terraços gourmet”.

Termos como “glutão”, “poço sem fundo” ou “draga” saíram de moda. Agora, qualquer um que trace um gigantesco sanduíche de pernil na saída do Pacaembu merece ser chamado de “gourmet”.

O “gourmet” invadiu nossa vida. Uma revista carioca publicou reportagem sobre os “hambúrgueres gourmet” mais caros da cidade maravilhosa. E tome filé-mignon de boi da raça wagyu, foie gras, cebolinhas caramelizadas, tomates confitados, chutney de manga, compota de bacon e até chantili trufado. O sanduba mais caro custava R$ 395.

A sofisticação não se limita aos hambúrgueres. Que tal uma pastelaria gourmet? Sim, já existem algumas, que trazem inovações como essência de baunilha e recheio de alcachofra.

Quanto tempo vai levar para nossas barracas de pastel introduzirem sommeliers de garapa, para harmonizar as iguarias com o caldo de cana apropriado? “O senhor não quer experimentar, com esse pastel de palmito, um sumo antilhano, safra 2009? Ele tem uma coloração clara e jovial, eu diria até mesmo solar, que passeia entre o herbáceo delicado e uma intensa cremosidade.”

A tendência é que todos os clássicos de nossa comida popular ganhem sua versão “gourmet”: nossas empadas trarão azeitonas Koroneiki, importadas diretamente da Grécia, nossos espetinhos de coração de frango virão em varetas de madeira Mpingo, extraídas de florestas da Tanzânia, e o ovo azul será tingido com milenares técnicas de Batik javanês. Ulalá.

André BarcinskiAndré Barcinski é crítico da “Ilustrada” e diretor e produtor do programa “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”, no Canal Brasil. Escreve às quartas, a cada duas semanas, na versão impressa do caderno “Comida”.FONTE: UOL.



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